História A Vila - Capítulo 31


Escrita por: ~

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Categorias Fifth Harmony
Personagens Ally Brooke, Camila Cabello, Dinah Jane Hansen, Lauren Jauregui, Normani Hamilton
Exibições 38
Palavras 1.668
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Romance e Novela, Suspense, Terror e Horror
Avisos: Estupro, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo, Tortura, Transsexualidade, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Bom dia meus amados leitores. Como vocês estão? Obrigada pelos favoritos, e pelo apoio de vocês.

Tenham uma boa leitura!

Capítulo 31 - Fração de segundos


Lauren esperou, ajoelhada e camuflada na lama, com a flecha pronta no arco. Parada ali, imóvel, durante um tempo sem contagem além da própria pulsação, sentiu o silencio deixar de ser quebrado pelos próprios pensamentos que estavam...

Longe, absolutamente distantes.

Fez um esforço inútil para arrancar a imagem de Alicia de dentro de si e retornar ao momento presente.

Por três vezes a falha se repetiu, cada uma delas tornando mais difícil se concentrar e compassar a respiração de novo.

Foi então que...

Ouviu um ruído, os cascos se aproximando...

Mas estava incapaz de calcular o alvo com precisão.

Assim mesmo, atirou.

E, ao contrario do que antes sempre acontecia...

Errou.

A caçadora não estava ali.

...

Camila não sabia quanto tempo havia se passado quando despertou, num sobressalto... Sem identificar imediatamente onde estava. Assim que se lembrou, foi tomada pela sensação aguda e dolorida que pensar em Lauren causou. Mas não se permitiu ficar remoendo a própria fraqueza no escuro. Tateando as cegas, compreendeu que a vela tinha apagado. Ao acendê-la uma pequena chama tremulou antes de inundar o quarto de uma luminosidade tênue, mas suficiente para dominar um pouco da sensação de perda em que estava mergulhada. Foi só então que o som se repetiu. O mesmo que a havia acordado. Batidas na porta. Firmes e, no entanto... Quase suaves.

Ela não tinha sonhado.

Caminhou rapidamente em direção ao som, tomada por uma súbita esperança de que fosse Lauren...

Abriu a porta e se deparou com Normani:

- Desculpe te incomodar...

Recuou o suficiente para sair do alcance da luz do lampião que a outra segurava, numa tentativa puramente instintiva de ocultar a decepção que a acometeu e os olhos inchados de tanto chorar.

Inútil. Não passou despercebido ao olhar de Normani. No entanto, ela não disse nada. Ficou parada, numa mudez que dizia mais do que mil palavras.

Tinha seguido um impulso, sem nada de repentino, na verdade... Durante toda a jornada, a porta trancada a havia incomodado pelo simples fato de saber exatamente como a outra estava dentro daquele quarto. Era algo que já havia sentido, pelo qual já havia passado.

Anos atrás.

Algo que estava lá, escondido dentro dela, esperando o momento propicio para despertar. A cena entre Dinah e Lauren na cozinha também a tinha afetado. De uma maneira que julgava não ser mais possível. A fraqueza que Normani julgava morta e enterrada.

Foi então que Camila quebrou o silêncio, num estranhamento total:

- Aconteceu alguma coisa?

Os olhos se encontraram... Durante um instante em que as duas solidões se identificaram.

Só então Normani caiu em si e pareceu voltar ao normal:

- Pensei que talvez você pudesse estar com fome. Passou a jornada inteira no quarto.

Camila se surpreendeu ao perceber que tinha perdido completamente a noção do tempo:

- Que horas são?

Normani respondeu sem desviar o olhar do dela:

- Mais de vinte e três.

Fazendo Camila sentir-se constrangida. Abaixou um pouco a cabeça antes de responder, com um esgar que, por qualquer outra pessoa, poderia ser confundido com um sorriso. Mas não por Normani:

- Acho que não vou conseguir comer nada.

Ela sabia, tinha a mais clara e absoluta certeza de que deveria insistir:

- Quem sabe um chá?

Uma vez mais, Camila voltou a recusar:

- Obrigada, mas... Nesse momento, a única coisa que eu quero é ficar sozinha.

Com um leve gesto de cabeça, Normani assentiu:

- Eu entendo. – Fez uma pausa antes de acrescentar. – Se mudar de ideia, estou na cozinha.

Depois se virou e desapareceu no corredor escuro, caminhando sem nenhum ruído, quase como se deslizasse.

...

Nas semanas que se sucederam, Lauren tentou caçar novamente e falhou... Todas as vezes.

Indescritível o que sentia cada vez que voltava para casa sem a caça, como se as mãos refletissem... O quanto se sentia vazia. Como se tivessem perdido a utilidade e a razão desde que tinha cortado, deixado para trás aqueles poucos momentos com a Alicia.

- É só uma fase, Lolo. Daqui a pouco passa. – Tia Laila não cansava de afirmar.

Mas ela não compreendia, sequer sabia a verdade que Lauren tanto temia e escondia: que não houvesse alivia para a ausência que sentia. Pior. Que aquela perda fosse incurável e definitiva.

...

Camila acordou, lavou-se e colocou o seu melhor vestido. Fez o desjejum sozinha na cozinha. Julio já tinha acordado e tomado café há horas e a esperava do lado de fora. Para Normani e os outros ainda era muito cedo, certamente estavam dormindo.

Assim que terminou, lavou e secou a louça e saiu para o quintal escuro, guiada única e exclusivamente pela luz da lamparina pendurada na carroça. Ao vê-la Julio sorriu:

- Boa jornada, filha.

- Boa jornada, Julio.

Acomodou-se sem que ele precisasse ajuda-la a subir. Agilidade adquirida com o habito e que a fez pensar como o tempo havia passado rápido. O veiculo se pôs em movimento, em direção a casa do Senhor, fazendo Camila surpreender-se ao se dar conta de que aquele já era o decimo terceiro domingo após Julio ter se tornado seu marido. Tudo o que havia se seguido desde então, o sexo e o sono com Lauren, a ultima vez em que a tinha visto naquela cozinha, o segundo exame ginecológico a que tinha se submetido, parecia tão distante quanto um sonho. Não, um sonho não. Pois se fosse, já teria acordado. Não viveria no estado de suspensão em que ainda se encontrava. Por mais que evitasse pensar naquilo, por mais que se recusasse a remoer aquela dor, era impossível. Como areia movediça. Quanto mais resistia, mais afundava no que sentia. No meio de toda aquela escuridão e opressão, havia finalmente descoberto luz, liberdade e calor dentro de si. Mais do que isso, poder compartilhar o que possuía como medica ou como professora, além das dezenas de pacientes salvos, medicados e atendidos, ela continuava dando aulas para Talita, ambas atividades clandestinas e muito arriscadas, mas funcionando perfeitamente e...Fazendo um pouco de diferença naquele mundo insalubre, insano e sombrio.

...

Lauren sabia dela por Talita. A principio somente aos domingo e depois... Todas as jornadas. A menina ia e voltava da casa da outra com uma interminável ladainha: “ A Alicia isso, a Alicia aquilo...E então, a Alicia... Você sabia que a Alicia... Alicia disse que...”

Ouvia.

Calada.

As imagens se formando em sua mente com facilidade, assim como a lembrança do gosto, do cheiro, do toque, da pele dela...Lembranças que passava e repassava.

Era só o que tinha.

Era só o que devia bastar.

Mas não.

Pelo contrario. Pensar nela só servia para deixar Lauren mais próxima de render-se aos caos.

Mais de uma vez procurou o conforto que Dinah lhe proporcionava. Em cada uma e todas, algo nela fez Dinah falar:

- Lauren, por que você não sai dessa maldita vila?

No entanto, a simples ideia de partir, deixar tudo para trás e desaparecer, como Dinah sugeria, parecia desprovida de sentido. Tudo que possuía, quem Lauren era, estava ali. Não tinha como fugir ou se ausentar de si mesma. Muito menos do que lhe impusera o destino. Por mais que fosse amargo, era isso que a amparava. O gosto do conhecido.

...

Depois que o rito dominical e sufocante terminou, Julio e Camila avistaram Dimas, Nivea, Gustavo, Laila e Talita na praça. A menina acenou para o casal que descia a escadaria da Casa do Senhor de braços dados, com uma discrição que para Camila deixava claro... O quanto a espontaneidade que ela possuía quando tinham se conhecido já havia sido podada.

Simular, ocultar, reprimir, negar e... Aprender a mentir. Parte da educação convencional. Correto ou não, uma perda que causou em Camila um pesar nostálgico.

As duas famílias cumprimentaram-se, trocaram algumas frases amistosas e absolutamente triviais antes de despedir-se.

A ultima foi a de Camila para Talita:

- Amanhã as sete.

Como se fosse preciso lembra-la.

A garota tinha acabado de completar doze anos, idade na qual já podia trabalhar no abatedouro ou nas estufas de vegetais. Tinha parecido natural que Julio a contratasse para ajudar Camila com os serviços domésticos. Afinal, todos sabiam que ela não era boa nisso. A maneira perfeita para que Camila pudesse continuar ensinando a menina. No inicio havia sido difícil. Ouvi-la falar constantemente da tia. Sabendo que cada vez que Lauren ia ao Mercado Publico encontrava com Dinah. Impossível esquecer as duas se beijando na cozinha, apesar do sofrimento que causava lembrar aquilo. Ainda a incomodava. Sofria. Mas tinha se acostumado a saber de Lauren por Talita. Até preferia. Era melhor do que não ter noticias. Ter a certeza de que ela estava bem e viva, apesar de inatingível. Como uma ferida que cicatriza devagar, a dor se convertendo em algo que só se manifestava quando chegava a hora de dormir, ao final de cada jornada. Tudo mudava quando Camila fechava a porta do quarto atrás de si. Passava horas e horas acordada, acompanhada apenas pela insônia e suas lagrimas.

Naquela cama.

Sozinha.

Rolava, se desesperava e desejava...

Um alivio que nunca vinha.

Muitas foram as vezes em que pensou em procura-la. Rastejar, suplicar e aceitar...Migalhas.

No entanto, sempre se arrependia quando chegava a próxima jornada. Levantava, lavava-se, vestia-se e... Sorria. Como se não tivesse acontecido nada.

Vivia.

Uma felicidade e satisfação que não eram inventadas. Existiam, eram reais e palpáveis.

Mas estavam longe, muito longe de serem tudo o que esperava e necessitava.

Foi essa certeza que fez com que, no meio daquela jornada, logo após atenderem o ultimo paciente, Camila se virasse para Julio na carroça e confessasse:

- Eu preciso ver a Lauren.

Não houve surpresa, resistência nem contrariedade por parte dele. Muito pelo contrario. Apenas uma concordância serena:

- Então vamos agora, enquanto a família dela está no trabalho. Eu te levo lá.

Para Julio, apenas um desvio na estrada, pegar o caminho oposto ao que os levaria para casa.

Para Camila, novamente, a encruzilhada. Capaz de, mais uma vez, numa fração de segundo, fazer sua vida inteira ser alterada.


Notas Finais


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