História A Vila - Capítulo 6


Escrita por: ~

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Categorias Fifth Harmony
Personagens Ally Brooke, Camila Cabello, Dinah Jane Hansen, Lauren Jauregui, Normani Hamilton
Exibições 73
Palavras 2.595
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Romance e Novela, Suspense, Terror e Horror
Avisos: Estupro, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo, Tortura, Transsexualidade, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Olá + 1 porque vocês são perfeitos nos comentários..
Desfrutem desse cap...
Beijos e obrigada por tudo 💙💜💛💚

Capítulo 6 - Inevitável


- Vem, Alícia. Vou te mostrar onde vamos dormir. - Sem esperar resposta, Talita puxou Camila pela mão. Guiando-a sem nenhuma dificuldade pela escuridão do resto da casa. Atravessaram o que para Camila pareceu ser um corredor bem pequeno. Depois de virarem à esquerda, a criança parou bruscamente, e ordenou. - Espera um pouco. Camila aguardou, enquanto Talita acendia uma vela que iluminou parcialmente o ambiente. Não que houvesse algo para ver no cômodo minúsculo. Apenas uma cama no canto da parede da janela e, do lado, dois dos baús que estavam na carruagem, um por cima do outro. Antes que Camila pudesse ver quais eram, Tio Dimas e Gustavo entraram, carregando o pequeno catre de Talita.

- Talita, não incomode a moça. - Foi o que Gustavo disse antes de rapidamente se retirar com o sogro.

Com o catre encostado na parede oposta, o pequeno quarto pareceu ainda menor. Entre as duas camas, apenas o espaço suficiente para que uma pessoa adulta passasse de lado. Camila ajoelhou-se na frente dos baús e abriu o de cima. Não precisaria olhar para reconhecer as roupas de Alícia. O cheiro dela estava em tudo, fazendo erguer um infindável redemoinho da memória. Por alguns momentos, Camila parou. O olhar perdido em lembranças de cenas, palavras e gestos que jamais se repetiriam. Reconhecendo a ausência de Alícia como algo que nunca mais findaria. Teria ficado assim muito tempo se Talita não estivesse ali.

 - Que roupas bonitas! E quantas! São todas suas?

- Agora são. - Respondeu ao mesmo tempo em que percebeu.

- O que tem no outro? - Mas a curiosidade da menina ainda não estava satisfeita. Camila se fez a mesma pergunta. Numa ansiedade súbita, querendo que fosse o que estava pensando, tirou o baú de roupas de cima, puxando-o com uma pressa tão descuidada que nem ao menos se importou quando ouviu o estrondo que ele fez ao bater fortemente no chão. Sua única preocupação era... Indescritível a felicidade que sentiu ao ver que seu maior tesouro estava a salvo. Talita, por outro lado, parecia bastante desapontada. - Ah... O que são essas coisas? - Por um lado, Camila sentiu alívio, porque... Havia se esquecido completamente de que não estava só. Se Talita soubesse que eram livros, e ainda por cima proibidos, talvez contasse para o resto da família, e provavelmente iriam denunciá-la. Por outro lado, a ignorância da menina causou em Camila uma surpresa e revolta tão grandes que não conseguiu se conter.

- Nunca viu um livro antes? - De olhos arregalados, a criança sacudiu a cabeça de um lado para o outro, antes de perguntar:

- É? O quê? Para que serve?

- Boa pergunta. Também quero saber. - Camila estremeceu ao ouvir a voz séria, profunda e rouca atrás dela afirmando. Virou-se bem a tempo de ver Lauren se aproximando, os olhos da caçadora parecendo mergulhar assustadoramente dentro dos dela. Ficaram próximas, muito próximas. A menos de dois palmos de distância. Apesar de completamente intimidada, Camila estava disposta a não demonstrar. Determinada a não deixar que a outra percebesse. Irritada consigo mesma por não conseguir vencer as estranhas sensações que a outra lhe causava, Lauren foi desnecessariamente ríspida ao perguntar. - O que diabo são essas coisas?

De súbito, Camila percebeu que a salvação poderia estar no menos provável: sinceridade.

- Livros. Eram da minha patroa. São proibidos, mas mesmo assim ela os guardava.

- Se são proibidos, vamos jogá-los fora. - A reação de Lauren foi imediata. - Se soubesse antes, teria queimado com as outras coisas e os corpos... - Calou-se, sem ter coragem de continuar. Nem precisava. O que viu a fez se arrepender por não ter tido mais cuidado. Nos olhos de Camila brilharam algumas lágrimas que, com muito esforço, ela conseguiu segurar. Já bastava o que a outra havia presenciado na carruagem, não iria se expor mais. - Desculpe. Minha intenção não era... - Lauren não completou a frase. O olhar preso no de Camila, durante o breve momento em que ficaram apenas se fitando, num estranho e inesperado reconhecimento, apesar de não se dizerem nada. Foi Camila quem quebrou a troca sem palavras, pedindo.

- Por favor, me deixe guardá-los. Eles são... Tem um valor sentimental muito grande. Ninguém vai encontrá-los. Prometo. E se os acharem eu... Assumo a responsabilidade. Dou minha palavra. Por favor, Lolo...  - No mesmo instante em que pronunciou o nome dela, arrependeu-se. Não contava com a inesperada sensação... De quê? Como uma junção de sílabas podia ser capaz de causar... Abaixou o rosto, torcendo para que Lauren não tivesse visto a maneira vergonhosa com que havia ruborizado.

Tanta paixão numa mulher aparentemente tão frágil... Lauren não esperava. A impressão singular que o apelido tão banal havia causado na voz dela. O delicioso rubor parecendo pedir para ser alimentado com gestos, olhares e palavras... Mais do que surpresa, havia ficado... Impressionada, comovida, atraída de forma inaceitável... Não! Precisava lutar. Ou aquilo que tinha jurado nunca mais repetir acabaria facilmente se tornando... Inevitável.

- Deixa, tia Lolo! O que tem de mais? - A intervenção de Talita fez Lauren voltar à realidade. Passou a mão no cabelo, deu um passo para trás. Inconscientemente tomando a distância necessária para poder voltar a pensar.

Camila se esqueceu de tudo que não fosse a necessidade de salvar os livros que tanto amava. Lançou um olhar de puro desespero para Lauren e pediu.

- Por favor... São muito importantes para mim.

- Tudo bem. Mas é sua responsabilidade. - Apesar de ser incoerente, sem sentido, impossível de explicar, Lauren não conseguiu negar.

Camila não pensou. Apenas seguiu o impulso que teve: lançou-se no pescoço de Lauren e a abraçou.

- Obrigada! Muito obrigada! Agradeceu com alegria.

No primeiro momento, Lauren ficou absolutamente rígida. Paralisada. Cada músculo travando uma violenta batalha interna. A vontade de corresponder contra... Um profundo horror pelas emoções indesculpáveis que o toque inesperado a fez sentir. Foi tudo muito rápido, questão de segundos antes de Lauren se desvencilhar e recuar, afastando-se de forma quase agressiva. A reação de Lauren deixou Camila completamente sem graça. Chegou a ruborizar de novo. Pensou em se desculpar, mas os sentimentos incompreensíveis que a rejeição tão clara despertou a fizeram ficar parada, sem saber o que fazer. O constrangimento das duas só aumentou quando Talita observou, com a sabedoria peculiar da infância.

- Adultos são estranhos. – Talita quebrou o silencio.

- Melhor você guardar isso. - Lauren foi a primeira a recuperar a normalidade.

Com muito esforço, Camila tentou seguir a sugestão da outra. Puxando o pesadíssimo baú pela alça, conseguiu movê-lo um pouco.

- Quer ajuda? - Talita se ofereceu, olhando para a tia como quem diz: "Vai ficar só olhando?" Sem uma palavra, Lauren fez o que a menina queria. Abaixou-se, pegou a outra alça, e, juntas, ela e Camila finalmente conseguiram esconder o baú debaixo do catre.

- O outro pode deixar onde está. Fica mais fácil para você pegar o que tem dentro. – Lauren argumentou.

- São roupas, tia Lolo! Um monte, todas só dela! - Rapidamente, Talita tratou de informar. E, não se contendo, disse para Camila. - Você tem sorte! Aqui nós usamos uma enquanto a outra está lavando...

- Pra quê mais? Você deveria agradecer por não ter só uma ou nenhuma! - Lauren repreendeu a menina. Contrariado, envergonhado ou em reprovação? Apesar de não conseguir decifrar o olhar que Lauren lhe lançou, Camila tentou se explicar.

- Minha patroa sempre me dava as roupas que não queria mais.

- Não é da minha conta. - Lauren apenas deu de ombros. Antes de se virar e sair bruscamente do quarto, deixando Talita visivelmente desolada. O que só serviu para que Camila se sentisse... Ainda mais culpada.

- Vai sair outra vez? - Tia Laila não tentou disfarçar a preocupação quando viu a sobrinha se aproximar de novo da porta como se mil demônios a perseguissem.

- Vou checar as armadilhas. – Foi a desculpa que Lauren murmurou antes de sair. Absolutamente desesperada, porque... Em questões de segundos, parecia ter perdido tudo aquilo que levara anos para conseguir. A maior prova era a forma como a tia a havia olhado. De um jeito que há muito tempo não fazia, e que Lauren pensava que nunca mais veria. Não pegou a carroça. Preferiu caminhar. A distância não a incomodava, pelo contrário. O exercício físico era a melhor forma de gastar, queimar, extravasar o que sentia. Acalmar a pulsação acelerada, fora de qualquer compreensão ou sentido. Mais do que isso. Assim só poderia retornar muito depois que todos uma pessoa em especial estivessem dormindo.

Imersa na escuridão absoluta do quarto, os olhos muito arregalados como que se recusando a acreditar que, mesmo se esforçando ao máximo, não veriam nada, Camila se encolheu debaixo das inúmeras cobertas, deitada no pequeno catre.

- Bom sono, Alícia. - Por um breve e fugidio instante, a vozinha da menina foi absolutamente reconfortante.

- Bom sono, Talita. - Respondeu com um sorriso involuntário.

Ouviu um ruído que identificou como sendo a criança virando de lado. A respiração dela foi mudando, acalmando-se, embalada em um ritmo lento que fez Camila ter certeza de que a menina tinha adormecido e provavelmente estava sonhando. Só então se permitiu encarar os próprios sentimentos. Sozinha, em um lugar e vida desconhecidos, confiando apenas no quê? Uma espécie de sexto sentido que a fazia acreditar que estava segura ali, apesar de só ter como garantia o nada. O camisolão comprido de flanela de Alícia no corpo, o cheiro do amor perdido, destruído, nunca consumado se espalhando pelos lençóis, cobertas, deitando um abandono ainda maior naquele catre... As lágrimas desceram sem que pudesse nem quisesse controlar. A princípio em silêncio e depois gerando um som dolorido que foi ganhando espaço. Cobriu a cabeça, abraçou o corpo sacudido em espasmos involuntários e, em posição fetal, deixou que os soluços escapassem. Estava tão mergulhada no próprio sofrimento que não percebeu a presença de Lauren no quarto.

O sino havia acabado de marcar uma hora quando Lauren entrou na cozinha carregando no ombro os três pequenos animais que havia capturado nas armadilhas que mantinha espalhadas no campo Norte. Colocou-os em cima do balcão de pedra da pia, acendeu o archote da parede vizinha, pegou a faca que sempre carregava no cinto e começou a tirar as peles com o cuidado minucioso de quem não quer desperdiçar nem um milímetro.

- Ainda acordada, Lolo? - Lauren não precisou se virar para reconhecer a voz do tio. Deu de ombros, sem parar o que estava fazendo. A audição dando todas as informações sem que precisasse olhar. Percebeu quando Tio Dimas puxou a cadeira dele e se sentou. E depois, ficou alguns minutos em silêncio, antes de finalmente falar. - Calma. Vai dar tudo certo. Você é forte o suficiente para não se deixar levar. Tenho certeza, Lolo, que você não vai nos desapontar. Não dessa vez. As mãos de Lauren tremeram. Não arriscou descobrir se a voz também. Depositou a faca no balcão, ficou imóvel, a cabeça baixa, em silêncio. Tio Dimas se aproximou e colocou a mão no ombro dela, enquanto continuava. - Sua tia e eu... Acreditamos em você, Lolo. Confiamos.

- Não vão se arrepender. - Por fim, num tom de voz baixo e sussurrado, Lauren respondeu. Mas nem enquanto falava conseguiu ter certeza. - Prometo. - Alguma coisa dentro dela gritando, esperneando, implorando para ser liberta.

- Eu termino isso. Vai dormir. - Ordem impossível de ser desobedecida. Lauren limpou a faca e as mãos numa toalha antes de murmurar.

- Bom sono, tio.

E mergulhou corredor adentro sem ouvir a resposta. Corpo e mente já em alerta pelo perigo que era a proximidade iminente da desconhecida. Respirou fundo antes de entrar no quarto. Absolutamente escuro, mas não estático. Um som abafado, impossível de se ignorar. Durante um instante, Lauren ficou parada, imóvel, sem conseguir saber que decisão tomar. O melhor seria sair silenciosamente e depois voltar fazendo barulho suficiente para que a outra pudesse se recompor e disfarçar. Poderia, perfeitamente, poupar as duas do constrangimento que seria... Um soluço mais alto cortou o raciocínio de Lauren. O sofrimento da outra, impresso nitidamente no choro audível de tão torturado. Foi num impulso. Ato absolutamente involuntário, sem pensar. Ou no fundo, Lauren apenas fez o que o instinto pedia, mandava, ordenava. Com a mesma precisão furtiva com que caçava, aproximou-se do catre, arrancou as cobertas de Camila e a tomou nos braços. Camila não ouviu, nem percebeu, muito menos teve tempo de fazer nada. Quando deu por si, estava nos braços de alguém que a embalava. Mesmo sem saber como, reconheceu na verdade sentiu que era Lauren. Apesar da outra apenas abraçá-la, sem uma palavra. Não teve forças para resistir. Sequer tentou ou quis. Deixou-se embalar, o rosto encostado no ombro dela, molhando o tecido da camisa áspera com as lágrimas. Chorou baixinho entre os braços de Lauren até se acalmar. A intenção de Lauren era somente proteger, amparar, consolar. Fazer com que o sofrimento da outra diminuísse ou ao menos se tornasse suportável. Sabia como era. Perder a pessoa amada. Sim, porque... Para ela estava claro que o apego da outra pela morta ultrapassava o aceitável para uma inocente relação entre patroa e criada. Camila não compreendeu direito como nem o que aconteceu depois. Levantou a cabeça, encostou o rosto no pescoço da outra, o calor da pele fazendo com que estremecesse. Abriu a boca para falar, mas antes que conseguisse emitir um som, Lauren se virou e... Praticamente em um salto, afastou-se.

Se as bocas se encontrassem, estaria perdida. Nada, nem mesmo Talita dormindo ao lado, seria capaz de fazê-la parar. Antes que a força incontrolável, tão conhecida, tomasse-a, fez o que os anos a tinham tornado perita em fazer: fugiu. Camila continuou ali, ajoelhada no escuro, um pouco chocada consigo mesma. Surpresa por se deparar com um aspecto da própria personalidade que desconhecia. Leviana. Era como classificava a reação perante o contato com Lauren, porque... Não deveria nem poderia sentir o que havia sentido. Não só por causa de Alícia, mas também... Era uma completa desconhecida. Tentou buscar nos recôncavos mais profundos de si mesma se alguma vez antes havia se deixado dominar por algo tão primitivo, tão... Permissivo. Não. Na verdade, não tinha nenhuma base para comparação. Nunca havia tido um contato, muito menos um impulso tão puramente físico. Nem mesmo com Alícia, por quem nutria emoções românticas, muito mais platônicas do que um real desejo de consumar o que sentia. Provavelmente era isso. A reação normal que qualquer pessoa teria. Não valia a pena pensar mais sobre aquilo. O melhor seria... Fingir que nada havia acontecido. E evitar repetir. Voltou a se deitar, cobriu-se, mas continuou de olhos abertos. Imaginando se Lauren também estaria sem conseguir dormir.

Deitada na cama com os olhos fortemente fechados, Lauren continuou respirando de maneira contida. Como um animal que se esconde para não ser abatido. A fraqueza que sentia não lhe era de todo desconhecida. Mas, depois de tantos anos tão bem guardada e escondida, esperava que... O quê? Que, por mágica, houvesse desaparecido? Era como uma praga. Que muda assim que é reconhecida e continua à espreita, para voltar a se espalhar quando menos se imagina. Um único contato. Simples, sem nada que justificasse o que estava sentindo. Capaz de abrir os grilhões da prisão onde durante tanto tempo havia se mantido. E, com ela, as recordações. Milhares delas, atingindo-a. As lágrimas escorreram, sem que impedisse. Em cada uma o nome que se repetia: Lucy... Lucy... Lu...



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