História A Vila - Capítulo 7


Escrita por: ~

Postado
Categorias Fifth Harmony
Personagens Ally Brooke, Camila Cabello, Dinah Jane Hansen, Lauren Jauregui, Normani Hamilton
Exibições 68
Palavras 3.392
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Romance e Novela, Suspense, Terror e Horror
Avisos: Estupro, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo, Tortura, Transsexualidade, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Olá pessoinhas 💙

Capítulo 7 - A Casa do Senhor


- Espera, Lauren! Não consigo te acompanhar assim!

Reclamou a garota que, com muito esforço, subia pela trilha escura, a dificuldade a mantendo a alguns metros atrás. Lauren se virou sorrindo.

- Ninguém mandou você me seguir...

A garota aproveitou a parada para vencer a distancia que havia entre elas. Olhou bem dentro dos olhos de Lauren e retrucou, com um sorriso travesso.

- Eu não estou te seguindo.

O sorriso de Lauren aumentou ainda mais.

- Não? - A resposta foi um aceno negativo de cabeça e o levantar de uma das sobrancelhas. – Está fazendo o quê, então? – Lucy colocou a lamparina no chão e, em um gesto rápido e completamente inesperado, pousou as mãos no rosto de Lauren e suspirou no ouvido dela.

- Tomando conta de você... – Sem resistir, Lauren se deixou levar pelas milhares de sensações que a atravessavam. O arrepio conhecido percorrendo a espinha, causando um estremecimento tão forte que chegou a deixar uma dorzinha no coração. Vontade de mais, mais do que o leve e disfarçado carinho.

- Precisa? – Sussurrou de volta.

Com um sorriso mais provocante ainda, Lucy se afastou, sem desviar os olhos dos dela quando pegou a lamparina no chão. Depois virou de costas e caminhou com passos largos, como se uma urgência repentina a possuísse. Lauren seguiu atrás, sem tentar alcançá-la nem dizer uma só palavra. Procurando compreender o que se tornava... Cada vez mais necessário. Quase um vicio. Questionou por um breve instante se sempre havia sentindo aquilo. Muito mais do que deveria pela melhor amiga. Mas então... Entregou-se aos sentidos. Os olhos percorrendo, avaliando, tocando a silhueta de Lucy, desenhada na contraluz da lamparina. Os ouvidos gravando o ritmo das passadas, da respiração alterada pelo esforço físico. O olfato provando o aroma que vinha dela cada vez que soprava a brisa. Detalhes que pareciam envolver Lauren numa atração ainda maior.

- Enfim! – A exclamação de Lucy a fez voltar a realidade, materializada sob a forma de uma linda mulher parada com a lamparina na altura do rosto, indicando uma entrada no vão de pedra, tão pequena que praticamente não se via. De mãos dadas, venceram o túnel apertado quase correndo, a presa as conduzindo. Quando finalmente chegaram ao interior da caverna, nem lembraram de acender os archotes fixados nas paredes de pedra. Unidas num beijo quase desesperado, entre caricias e sussurros, despiram-se.

Lauren a puxou ou foi de Lucy a iniciativa de entrar no lago subterrâneo misteriosamente aquecido? Nenhuma das duas saberia precisar, imersas numa troca profunda, muito mais do que física.

- Eu amo você... Minha linda... Minha Lucy... – Lauren mais uma vez repetiu, comprimindo o corpo contra o dela, arranhando as costas de Lucy na margem cheia de pedrinhas. Um tom de prazer que era quase de dor nos gemidos que se seguiram. O ritmo acelerado, tornando-se refugio. Impossível conter a explosão, a perda de tudo que não fosse pele, boca, olhos, mãos... Lucy segurando os cabelos de Lauren com força e sussurrando no ouvido dela, as palavras penetrando no resto do corpo inteiro.

- Eu te amo, Lolo... Haja o que houver. Nunca se esqueça disso... – Fazendo com que o ultimo resquício de controle que Lauren pudesse ter sumisse. Estremeceram juntas, os corpos tomados pela mesma pensão, em total e uníssona sintonia. Então, Lauren largou o corpo em cima do de Lucy e apenas se deixou ficar. O rosto encostado no dela, segurando-a entre os braços sentindo as mãos que lhe percorriam carinhosamente as costas, causando um prazer maior ainda. Desejando poder estar para sempre ali. Lembrou-se então, da primeira vez... Pouco mais de um ano antes.

E sorriu....

Não fazia muito tempo que havia descoberto aquele lugar, que considerava seu esconderijo. Uma ocasião, sem querer, ao sair para caçar, tinha visto. Mantivera em segredo porque... Era a primeira vez que tinha uma coisa só dela, um lugar para onde ir quando precisasse ficar sozinha. Necessidade inexistente na infância, mas que, aos 17 anos, tinha se tornado... Estranhamente imprescindível. Em especial depois que havia começado a sentir.... Coisas que classificava como maluquices. Por isso Lauren havia decidido nunca levar ninguém lá, nem mesmo a inseparável melhor amiga. Apesar da insistência de Lucy, não havia contado para onde ia quando constantemente sumia. Até a fatídica hora que a curiosidade, ou algo mais que, na época, nenhuma das duas compreendia ,fez com que Lucy a seguisse.

Lauren estava nadando, completamente nua, quando a viu. Lucy se aproximou, a passos trêmulos, os lábios entreabertos, de um jeito que Lauren nunca tinha visto. Lauren saiu da agua, caminhou até a margem e, apesar da amizade de anos, o olhar de Lucy despertou nela uma inesperada consciência de que estava despida. Foi tomada por uma inusitada pontada de vergonha, mas sequer tentou se cobrir. Não pensou, seguiu o instinto. Segurou o rosto de Lucy entre as mãos e, com a boca instigada pela vontade transformada em ousadia, tocou a dele, que inacreditavelmente correspondeu, não fugiu.

Lauren nunca havia beijado antes, apesar da insistência quase irritante de alguns rapazes da Vila. Não pensava que seria assim. Molhado, quente, incrível. Uma explosão a outra numa confusão profusão, explosão dos sentidos. Demorou algum tempo despindo Lucy. Sobre as roupas caídas, deitaram sem qualquer tipo de culpa, remorso ou duvida. Provaram, saborearam, reconheceram cada pedacinho do corpo da outra. Pouco a pouco, com amor, com ardor e cuidado infinitos, selaram definitivamente o que sentiam. Pele, carne e sangue pulsando nos dedos, rasgando-se e desmanchando deliciosamente num gozo intenso. O único medo passando a ser que não fosse mais que um sonho ou devaneio, que não tivesse realmente acontecido. Talvez por isso tivessem se tornado um pouco mais descuidadas a cada minuto. Ocultar, disfarçar, fingir ficando cada vez mais de lado. E a pouca experiência de vida as impedindo de captarem o quando era fácil riscar a frágil camada de camuflagem que possui uma mentira...

As mãos de Lucy subiram das costas para os cabelos de Lauren. Trazendo-a de volta do turbilhão de lembranças, recordações e temores que habitavam em seus pensamentos.

- Lolo, acorda...Amor, nós temos que ir. - Lauren suspirou fundo e concordou com a cabeça. Depois de um beijo longo, profundo, cheio de promessas e desejos nunca satisfeitos, saiu de cima de Lucy. Vestiram-se rapidamente . Uma sombra indefinível se instaurando nos olhos das duas quando Lucy confessou. – Estou preocupada com o jantar de hoje.

- Não tem motivo. - Apesar de também estar, Lauren a acalmou.

- Você não conhece o Samuel. Ele não vai aceitar um não... – Lucy manteve a mesma expressão contrariada. Lauren respirou fundo. Com tantas moças disponíveis na vila, o irmão de Lucy tinha que tê-la escolhido para esposa? No jantar faria oficialmente o pedido. Claro que Tio Dimas jamais forcaria Lauren a se casar contra a vontade, porem... Estava apreensiva. Como se algo soprasse no ouvido. Avisasse de algum perigo. Afastou os falsos presságios, até porque não acreditava naquilo. Nada de sobrenatural em temer Samuel. Qualquer pessoa com um mínimo de bom senso o faria. O jovem reverendo recém ordenado era ambicioso, obstinado e extremamente orgulhoso. Recusá-lo significava fazer o pior dos inimigos. – Lauren, você não vai...- No rosto de Lucy as lagrimas escorriam...Lauren a abraçou com força e a beijou nos lábios repetidamente, antes de dizer.

- Sou toda sua... Nunca vou ser de mais ninguém. – Conseguiu arrancar um sorriso de Lucy. Radiante, apaixonado, maravilhoso, pleno e lindo. Sorriu também. Os lábios, as bocas e língua já se unindo num beijo intenso. Por dentro, bem lá no fundinho, Lauren um forte e grande receio. Mas preferiu esquecer, ignorar, substituir pelo prazer de ter Lucy nos braços mais uma vez naquele momento. 

Lauren só percebeu que havia adormecido quando acordou com um ruído. Um grito que, em primeiro momento, pensou vir dela mesma. Só depois, ao perceber o que era, reconheceu-o.

Era o de sempre, aquilo que dolorosamente se repetia e, durante o sono, saltava da mente de Camila. Ela se debateu, tentando em vão manter o sonho que fugia. Sentiu que caía. Tentou se agarrar a... A quê? Não conseguiu distinguir... Ouviu alguém gritar e percebeu que era ela mesma quem o fazia. Lembrou-se de onde estava, por isso tentou controlar a respiração alterada, sem muito êxito. A escuridão total fazendo com que a angustia aumentasse. Trazendo a perda de volta, a dor, o temor... Segurou a palavra que se formou, o nome de Alícia. Mas não segurou o choro que escapou, emitindo sons abafados e furtivos.

Deitada na cama de Talita, a audição de Lauren a permitiu acompanhar tudo o que aconteceu no catre vizinho. O grito desesperado, a respiração descompassada, depois sufocada e, finalmente o soluço baixinho. Repetiu mentalmente para si mesma “ Não é da sua conta... Não tenho nada a ver com isso”. Como se de alguma forma, quisesse colaborar, o sino da Casa do Senhor soou três vezes, abafando qualquer outro tipo de ruído. Ainda assim, a vontade de fazer algo persistiu. Mas Lauren não moveu um musculo. Resistiu. Fechou os olhos, tapou os ouvidos com forças e fingiu estar dormindo.

- Alícia. Acordar! Já badalou sete horas e você ainda está dormindo. – Camila se esforçou para compreender a imagem que viu assim que abriu os olhos nem um pouco acostumados a funcionarem tão terrivelmente cedo...segurando o lampião em uma das mãos e a outra sacudindo Camila, uma nova Talita. Com o rosto reluzente de tão limpo e os cabelos cuidadosamente penteados para trás, sem que um fio escapasse, e seus lindos olhos verdes brilhando. Sentou-se no catre, e a menina completou. – Temos que estar na Casa do Senhor as oito. Hoje é domingo!

Tia Laila entrou no quarto bem a tempo de ver a expressão incrédula de Camila.

- Não ia á casa do Senhor lá em cima, Alícia? – Receando levantar suspeitas desnecessárias, Camila prontamente respondeu.

- Claro que sim.

- Graças ao Senhor...– A senhora disse, visivelmente aliviada. - Já não basta...- Não terminou, como se só então percebesse que não falava sozinha. Ficou alguns instantes parada, tentando disfarçar, antes de completar. – Rápido. Não podemos nos atrasar. – E saiu quase correndo do quarto.

Camila subiu distraidamente na parte de trás da carroça. Sentou-se no chão ao lado de Talita, com as costas encostadas na lateral, de frente para Nivea e Gustavo. Continuou olhando em volta. Buscando a presença que lhe fazia falta, mesmo sem querer. Da forma antagônica de sempre, Nivea falou.

- Se está procurando a Lolo, desista. Ela nunca vem.

Como quem repete algo que sempre ouvi, Talita declarou de forma absolutamente inocente.

- Tia Lolo não gosta da Casa do Senhor.

Antes que Camila pudesse se perguntar como ou por qual motivo, Tia Laila se virou da boleia, onde até então permanecia calada ao lado de Tio Dimas, que conduzia e repreendeu a menina.

- Isso é coisa que se diga, Talita? – A criança abaixou a cabeça, e um clima sombrio se estabeleceu levando Camila a compreender que engolir todo e qualquer pergunta seria o melhor a se fazer.

- Aqui é a Vila, olha! – Talita exclamou absolutamente empolgada. Camila assentiu, não tão entusiasmada assim. Curiosa, é verdade, ao notar com a simplicidade das casinhas iluminadas por archotes ao redor da minúscula praça contrastava com a Casa do Senhor resplandecente e grandiosa, que parecia ter luz própria. – Parece com as casas lá de cima, Alícia? – A menino olhava atenciosamente para Camila aguardando a resposta, enquanto subiam de mãos dadas a escadaria do ostensivo templo a que a criança se referia.

- Oh, não. É mil vezes maior. E mais iluminada. – Desaprovando o tom de ironia da resposta. Tia Laila retrocou.

- É assim que tem que ser. Ninguém deve ter uma casa melhor do que a Casa do Senhor.

Camila lutava bravamente contra o desejo de libertar a constatação que ardeu queimando como fogo pela garganta quando viu algo que lhe fez estremecer. Na porta da Casa do Senhor estava... O velho jardineiro com quem trocava os livros. Olhando diretamente para ela, de um jeito que deixava claro que a tinha reconhecido. Camila pensou que fosse desfalecer quando o velho se aproximou, reverente, segurando o chapéu surrado, exatamente como fazia lá em cima.

- Senhorita. – Por sorte ou coincidência do destino... O que ele disse depois não pôde ser ouvido, porque foi completamente abafado pelas oito badaladas do sino. Antes que o velho pudesse repetir, desmarcarando-a. Camila completou rapidamente.

- Alícia. - Ele a olhou, a cabeça de lado, num gesto quase canino de falta de compreensão. Por isso Camila repetiu. – Meu nome é Alícia. Entendeu? – O velho arregalou os olhos, o entendimento finalmente surgindo no olhar distante. Com um sorriso desprovido de todos os dentes, estendeu a mão metida numa luva furada nos dedos e se apresentou.

- Júlio.

Camila percebeu que até então, desconhecia o nome do velho. Nunca havia se importado com quem ele era, muito menos como se chamava. Para ela havia sido sempre o velho jardineiro que possuía livros, e mais nada. Ameaçou retribuir o gesto, mas o grito de Talita a fez recuar a mão.

- Não toque nele, Alícia! Ele é maluco. Julio das traças.

O velho riu alto. Olhou Camila profundamente ao falar.

- Traças adoram papel, sabe? – Virou-se, e desceu rapidamente as escadas e desapareceu no breu da praça.

- Não falei que ele é maluco? Vem, vamos entrar. – Talita puxou Camila, ultrapassando a porta da Casa do Senhor. Se por fora a construção já era intimidante, o interior cumpria ainda mais a função de gerar um sentimento pleno de insignificância. A própria Camila, por mais que tivesse lido sobre arquitetura e conseguisse detectar o proposito das paredes altas e das cúpulas mais elevadas ainda, sentiu-se pequena, ínfima perante a grandiosidade da construção. Mas, o que mais impressionava, sem duvidas, era a quantidade de luz, sem, no entanto, trazer aconchego. Ao contrario, parecia apenas aumentar a sensação de frio. Sentou-se em um dos bancos de madeira, entre Talita e Tia Laila. Observando os detalhes dos mosaicos nas paredes, desprovidas de qualquer tipo de imagem. Voltou a atenção para o gigantesco piano de cubos e pedais atrás dela quando ouviu um som que nunca tinha ouvido antes.

Música. Linda. Emocionante. Esplêndida. Mas que causava... Uma forte sensação de pesar, frieza e ansiedade. Na verdade, Camila sentiu todo o corpo arrepiar e estremecer involuntariamente. Mais ainda quando uma voz forte, grave e projetada do altar se elevou acima de todos eles. Foi inevitável o incomodo que sentiu. Rejeição incontrolável só pelo tom. O que piorou quando se forçou a realmente ouvir o conteúdo que o loiro impotente, apesar de descalço, todo vestido de azul dizia.

Pregando obediência de forma claramente intolerante e dogmática, induzindo os que assistiam a aceitarem sem discursão que tudo era regulado pela onipotência do Senhor, através da meditação infalível e iluminada dele, o inquestionável líder. Para Camila, todo e qualquer tipo de alienação do saber era inaceitável. Tremeu ao ver a concordância cega instaurada a volta dela. Absoluta, regendo perigosamente toda aquela vila. Muitas das frases do reverendo terminavam com perguntas, que os fieis respondiam com convicção, os olhos de muitos marejados, a maioria com as palmas as mãos voltadas para cima. Beirando o fanatismo, o serviço religioso prosseguiu. Com o pregador insuflando o ódio contra um suposto inimigo que, segundo ele, precisava “ser destruído para reinar o bem”. Deixando claro o ditador loiro que seria capaz de tudo, até mesmo utilizar meios cruéis e de violência para punir quem não estivesse disposto a segui-lo. Concluiu o sermão afirmando:

- Não duvides dos poderes do demônio! Ele se manifesta de forma maliciosa e furtiva para atrair e desviar aqueles que são seus discípulos mais puros na Terra: as crianças! - Disse isso enquanto olhava enfaticamente para Talita. Fechou com chave de ouro, num tom de adoração quase gritado, que todos os seguirem. Camila levantou as mãos, com medo de se expor sendo a única de mãos baixa. Mas não foi capaz de, como os outros, repetir. – Senhor! Faça de mim seu instrumento! Eis-me aqui!

Só então percebeu quatro homens enormes, dois de cada lado do altar, vestidos num tom azul diferente do pregador, e com roupas muito mais simples. Fazendo sinais para os fieis que desejassem se aproximarem. Observou atentamente, disfarçando para que o misto de perplexidade e horror que sentia não transparecesse, enquanto o loiro acolhia o povo, permitindo que beijassem os pés e as mãos, qual um ser divino.

A música voltou a ressoar profeticamente, como tambores anunciando o apocalipse e, de todos os lados, gritos de adoração e louvor ainda surgiam enquanto todos se levantavam. Camila conseguiu escutar, apesar de Tia Laila falar baixinho com Nivea:

- Eu sabia, nunca deveríamos ter permitido Talita ir com a Lauren no Mercado Publico.

Não ouviu uma resposta. Provavelmente nenhuma, porque... O homem que segundos antes pregava no suntuoso altar surgiu do nada e se prostrou na frente de Camila, olhando-a de cima a baixo. Com um sorriso que continua algo que não conseguiu definir, mais que a fez gelar.

- Não existe maior dadiva do que receber em minha Casa do Senhor, novos soldados ingressando nas fileiras do exercito. Seja bem vinda. Sou o reverendo Samuel.- Camila hesitou, mas acabou beijando a mão que o reverendo oferecia. Fazendo um esforço terrível para disfarçar o constrangimento. Como se percebesse a insegurança da amiga. Talita segurou a mão de Camila, o contato da pequena mãozinha gerando apoio imediato. Samuel prestou atenção, acompanhando o gesto, e logo perguntou. – Como você se chama?

- Alicia. - Talita foi quem respondeu.

O reverendo fuzilou a menina com o olhar antes de repreende-la com uma expressão que deixou Camila assustada.

- Não se intrometa na conversa dos adultos, menina. Pelo que vejo sua educação é bastante precária.

E então, Tia Laila já estava ao lado delas, a mão na cabeça da neta, desculpando-se. Coisa que Talita não faria, pelo olhar que Camila viu a menina dirigir ao loiro, olhar que naquele momento, estava extremamente parecido com os de Lauren. Camila não teve como não reparar.

- Sabe como as crianças são reverendo. Mas pode ficar tranquilo, ela vai ser corrigida.

Com um sorriso nada indulgente, Samuel retrucou:

- O verdadeiro problema, Laila, é a semente maligna que você tem plantada dentro da sua própria casa. Muito cuidado! - Tia Laila estremeceu ou foi imaginação de Camila? O fato é que ela assentiu com a cabeça e não falou mais nada. Samuel então voltou-se para Camila novamente. – Alícia. Vem do Grego, Alethia. A verdadeira, aquela que não conhece a mentira. Espero que, para você, isso seja mais do que o significado de um nome lindo. - Camila abaixou a cabeça sem saber o que dizer, muito menos como encará-lo. O olhar incisivo do reverendo dando a impressão de que era capaz de enxergar todas as culpas e pecados dentro dela. O gesto foi interpretado como modéstia, puder e timidez, deixando o reverendo visivelmente satisfeito. Sorrindo em aprovação. – Muito bem, Alícia. Já sei seu nome, mas não sei quem é você, de onde veio.

- Eu...eu. – Sem levantar os olhos do chão, Camila tentou balbuciar. Mas o medo a impediu de falar mais.

- Ela é minha sobrinha, reverendo. - Tia Laila intercedeu. – Filha de um primo distante.

- Não acha arriscado ter aquela sua outra sobrinha por perto? Laços de sangue talvez não sejam suficientes para conter uma pessoa que age guiada pelos desígnios do diabo. – A resposta de Samuel, fez Camila tremer. Entendendo perfeitamente o porquê da mentira.

- Reverendo, como eu disse ao senhor há alguns anos atrás, eu me responsabilizo por Lauren. Até agora, o senhor nunca teve motivos para duvidar da minha palavra. - Tia Dimas, que até então se mantivera ao lado da esposa, absolutamente calado, foi enfático.

- Que posso dizer, Dimas? Espero não me decepcionar. – Deu um sorriso agradável, quase simpático ao se dirigir a Camila novamente. – Prazer em conhece-la, minha cara. Espero vê-la sempre. Muito cuidado com sua prima. Ela é... Como posso dizer, sem ferir sua visível pureza? Lauren não é uma serva do senhor. Na verdade, eu diria até que... Bem, ela gosta de se deixar conduzir pelo mal.

Com os olhos tão arregalados quanto os de Talita, Camila o fitou. Até conseguir o efeito desejado, Samuel voltou a sorrir e a se despedir. Antes de, finalmente para alivio de todos, afastar-se.

 


Notas Finais


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