História A vingança da Loba - Capítulo 5


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Categorias As Crônicas De Gelo e Fogo (Game of Thrones)
Personagens Arya Stark, Gendry
Tags Arya Strak, Game Of Thrones, Gendry, Jon Snow
Exibições 31
Palavras 1.631
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Hentai, Romance e Novela
Avisos: Estupro, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 5 - Nem em cem anos


Chego na casa de Jon decidida a comunicar a decisão tomada na noite passada, vou morar sozinha. Abro a porta e meu irmão está no sofá, sua familiar cara de preocupação parece me aguardar. Lembro-me da mensagem da noite anterior: “eu preciso muito falar com você amanhã cedo”

-Bom dia. – Digo com um sorriso incerto. É difícil decifrar Jon, ele sempre foi sisudo e quieto, mesmo quando criança, e ter se tornado um policial o deixou ainda mais complicador de ler, embora ninguém achasse que tal feito fosse possível. Apesar disso, eu conheço meu irmão mais velho o suficiente para entender que algo está o incomodando. – Tudo bem? – Pergunto.

-Não. – Ele diz com um suspiro de pesar. Jon fica de pé e pergunta se quero comer alguma coisa. Conto que havia acabado de tomar café da manhã com Tommy, mas que aceito um pouco de café.

-Ele não toma café, parece uma criança. – Digo me referindo a Tommy. Jon parece ignorar o que digo, não por maldade, mas percebo em sua testa franzida que ela enfrenta algum conflito consigo mesmo.

-Arya.. – ele diz passando a caneca com o café recém colocado. – eu preciso te contar uma coisa e não sei como exatamente. Eu tive tempo pra pensar no como, e cheguei à conclusão de que não existe nada que eu possa fazer pra tornar essa notícia menos ruim, e você não é uma leiga, você entende como as coisas funcionam..

-Jon! – Digo impaciente. – Apenas me conte.

-Ele vai ser solte hoje. Ramsay.. – Jon diz, encaro os olhos negros do meu irmão.

Segurei a caneca com força e escorei uma das mãos no balcão da cozinha. “Ele vai ser solto hoje”, eu sei bem como as coisas funcionam, Jon tem razão, mas ainda assim eu não podia deixar de me sentir desamparada.

-Ele não pode chegar perto de você, claro. – Jon diz se aproximando. - E eu vou pedir pra uma viatura ficar por perto. Arya, o que você precisar, qualquer coisa, apenas me ligue, eu vou correndo.

-Tudo bem. – Digo me recompondo. Tomo um grande gole do café tentando lutar contra o frio no meu estômago.

-Eu sinto muito, de verdade. – Jon prossegue. – Mas você sabe que a família dele é influente, ele não tem nenhuma passagem pela polícia então vai aguardar julgamento em liberdade.

Esvazio a caneca de café e a coloco na pia, depois disso, sigo pro quarto.

-Arya! -Jon chama. Posso sentir a dor em sua voz, posso sentir o quanto aquilo o machuca, mas estou obstinada a só pensar em mim no momento. Só em mim. – Eu preciso ir trabalhar, você vai ficar bem sozinha?

-Eu vou ficar bem Jon. – Digo sem encará-lo. – De qualquer forma, já estou de saída para o trabalho. - Me tranco no quarto e sento no chão, encostada na porta, tento respirar fundo várias vezes, buscando me acalmar. Como eu poderia morar sozinha agora? Como eu conseguiria fechar meu olho sabendo que ele está solto? Eu sabia que aquilo aconteceria, claro, mas nada me preparou para aquela notícia, no fim das contas, Jon tinha razão sobre isso. Pego meu telefone e ligo pra Tommy, assim que conto ele dispara: “Venha trabalhar, precisamos nos preparar pra Giley. E eu vou ligar agora mesmo pra sua advogada e solicitar prisão preventiva, ele é rico, pode sair do país, talvez seja possível conseguir essa prisão”. Aquela perspectiva de fato me faz sentir mais segura, me levanto e vou tomar um banho.

(....)

Acendo as luzes e ele está sentado me esperando, a mesa posta, velas, flores. Seus cabelos bem penteados e um meio sorriso no rosto. Ele está usando uma camisa de botões amarela e calça jeans. Observo suas mãos nas laterais do corpo, impacientes.  

-O que você está... – Ele leva o dedo aos lábios fazendo um sinal de silêncio, em seguida, levanta-se e caminha em minha direção. Me ajuda a tirar o casaco e me beija levemente nos lábios.

-Faz exatamente um ano que nós dois nos beijamos pela primeira vez, você sabia? – Ele pergunta. Observo das covinhas que se foram no seu rosto, um sentimento morno me invade, um sentimento de segurança e conforto.

-Não. Eu não sabia. – Respondo sorrindo.

-Não tem problema, mas faz um ano e eu acho que cada um dos nossos beijos merece ser celebrado, mas principalmente o primeiro. Ele pega minha mão e caminhamos até a mesa, de repente, tudo fica turvo. Cada passo é pesado, a leveza de sua mão na minha se torna um aperto, uma algema, eu não consigo respirar.

-Arya. Arya? Está me ouvindo? – A mulher pergunta do outro lado da sala, observo sua postura, imóvel, olhos inquisidores, os braços repousados na poltrona.

-Me desculpe. – Digo tentando me focar. – O que eu estava dizendo?

-Do sonho.. você estava descrevendo o sonho.

-Pesadelo. – Interrompo corrigindo-a.

-Foi uma memória real? O jantar?

-Sim. Ele fez mesmo aquela surpresa... mas é engraçado, sabe? É como se minha mente tentasse me dizer que nenhuma memória, por mais pura que possa parecer, nenhum um momento, por mais feliz que tenha sido, ficou intocado. Está tudo manchando agora, e eu nunca mais vou poder olhar para o passado com carinho. Ele não apenas me machucou, ele machucou quem eu costumava ser, quem eu vou ser daquele momento em diante.

-Mas você acha que deveria se sentir assim? Talvez o passado deve se manter separado.

-Não. Me desculpe, mas eu não vou me sentar aqui e ouvir você compartimentalizar aquele homem. Nem em cem anos, nem que ele morresse da pior morte possível todos os dias e ressuscitasse no dia seguinte apenas para morrer outra vez, nem assim eu poderia olhar o passado com carinho. Nem assim eu poderia perdoá-lo, não me peça para perdoar, eu prefiro carregar esse ódio do que viver com a ideia de que eu me tornei tão patética ao ponto de acreditar na redenção do meu algoz.

-Isso não é saudável. – Ela diz me encarando. A terapeuta assumiu uma posição menos relaxada. Ela parece não saber o que me dizer.

-Sabe, durante os últimos anos, no trabalho, eu convivi, indiretamente, com os mais diversos tipos de violência. Eu nunca parei pra pensar “E se fosse comigo?”, eu apenas analisava cada caso da forma mais objetiva possível, buscando o melhor interesse das minhas clientes. Alguns batem e estupram porque sofrem de alguma doença, mas esses são uma minoria quase irrisória. A maioria dos homens estupram porque podem, porque sentem que as mulheres são propriedades, são apenas carne e sexo, não indivíduos. E eu me perguntava: “Como elas não viram? Eles devem ter dado sinais!” Porque eu achava que nem todos os homens eram assim...

-Mas nem todos os homens são assim. – Ela retruca. -Você não pode pensar dessa forma.

-Eu não penso assim. – Digo um pouco irritada. Começo a sentir como se ela estivesse tentando demais me fazer relativizar as coisas. – Eu não acho que todos os homens são da mesma forma, mas todos os homens podem ser assim, todos eles podem estuprar, bater, todos eles podem fazer isso porque eles cresceram ouvindo que nós, mulheres, somos menores, que devemos obediência, somos um objeto, posse, a namorada de alguém, a esposa de alguém, somos definidas por isso e não pelos nossos trabalhos. Eles não precisam ser doentes, sociopatas ou psicopatas pra isso, basta serem homens.

-É um caminho perigoso acreditar que todos os homens são capazes de tamanha violência.

-Eu não acho que você esteja tentando me entender. – Digo perdendo a paciência. – Sabe, os homens crescem ouvindo que são homens e que por isso eles podem tudo. Já pensou nisso? Eles crescem ouvindo que são os chefes da família, que precisam proteger suas irmãs, tomar conta da mãe quando o pai não está em casa, isso faz com que eles pensem que nós mulheres somos propriedade.

-Arya, me desculpe, mas que tal nos focarmos naquilo que podemos tentar resolver? Pelo que você descreveu, você não está se sentido segura. Me diga, o que te ajudaria a se sentir mais segura?

-O resultado da prisão preventiva que solicitamos ontem ser favorável.

-Caso não seja?

-Eu não sei. – Digo olhando pela janela.

- Você já pensou em defesa pessoal? Outras pacientes em situação semelhante já tentaram e tiveram bons resultados. Pense nisso, ok? Agora precisamos encerrar, esse é todo o tempo que temos por hoje. Te vejo no próximo sábado?

-Sim. – Digo sem muita certeza.  

(...)

-Defesa pessoal? – Sansa pergunta organizando uma das araras de sua loja. Estou sentada numa das grandes almofadas. – Bom, você costumava gostar de praticar lutas quando era mais nova. Talvez seja uma boa, eu não sei se aprender a lutar vai te fazer se sentir mais segura, mas praticar um esporte vai te fazer bem, então talvez não custe nada tentar.

-Custa tempo. – Digo. Sansa segura uma blusa preta de renda muito bonita. – Essa peça é sua? – Questiono.

-Da minha coleção nova. Acha que devo exibir?

-Claro! E acho que ela merece um lugar central.

-Você gostou tanto assim? Pode ficar com ela.

-Gostei, mas eu prefiro que você exibida seu trabalho. Eu posso tê-la depois.

-Vou avisar que não pode ser vendida. Você acha que vem para minha exposição amanhã?

-Eu e Tommy vamos passar o dia trabalhando, mas eu venho sim. Não perderia por nada. – Digo ficando de pé. Sansa aproveita e me abraça. – Tente trazer Jon, papai virá e eu gostaria que eles se entendessem.

-Eu posso tentar, mas só isso. – Digo. – Eu também preciso que você faça algo. Sabe aquele seu amigo corretor?

-Loras?

-Sim. Eu preciso de um novo apartamento.

-Você deveria voltar pra casa.

-Eu não duraria uma semana naquela casa, você sabe disso, é sufocante. Eu amo papai e mamãe, mas eles agem como se nós tivéssemos cinco anos.

-Eu sei. Vou falar com Loras então.

-Obrigada. 



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