História A vizinha do 105 - Capítulo 2


Escrita por: ~

Postado
Categorias Girls' Generation
Personagens Hyoyeon, Jessica, Seohyun, Sooyoung, Sunny, Taeyeon, Tiffany, Yoona, Yuri
Tags Taeny, Tiffany, Yulsic Taeyeon
Visualizações 193
Palavras 5.031
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Bishoujo, Comédia, Ecchi, FemmeSlash, Fluffy, Hentai, Orange, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Shoujo-Ai, Yuri
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Alô, demorei um pouquinho maaasss...

Bem, primeiramente gostaria de agradecer pelo feedback que teve do último capítulo, me incentivou bastante a continuar, por isso, estamos aqui mais uma vez UHUUUL

Está um pouco grandinho, mas espero que gostem..
Então, bora.

Capítulo 2 - Vida nova, Problemas novos.


Passei a manhã e a tarde inteira organizando os móveis, que ainda estavam na caixa, pois os havia comprado durante a semana. Não tinha onde guardá-los na antiga casa, portanto deixei mesmo para o último instante. As entregas foram realizadas gradativamente, e ainda tinha muitas coisas a caminho. A minha cozinha estava incompleta, bem como a sala de estar. O único cômodo pronto de verdade era o quarto, composto pela minha maravilhosa cama de casal, e o meu guarda-roupa cor-de-rosa com seis portas. O meu banheiro também estava pronto. Espalhei sabonetes decorativos na pia e nos diversos compartimentos do móvel novo que comprei para colocar toalhas e alguns produtos de higiene. Ficou uma maravilha, tudo branquinho e na cerâmica... Ai, como adoro banheiros limpinhos e cheirosos! Era impossível ter um daquele antes, pois meu irmão adolescente é um moleque que não sabe usar nada sem sujar de um jeito irreparável.

Fiz uma limpeza geral ao som de Britney Spears. A casa não estava tão suja assim, mas guardava um pouco do cheiro do antigo dono. Queria que a minha casa tivesse o meu cheiro e, mesmo sabendo que levaria um tempo, aquela limpeza inicial seria muito necessária para que atingisse os meus objetivos.

No fim da arrumação, achei que já estava com cara de casa, afinal. Não poderia receber os amigos ainda, pois estava sem sofás ou qualquer lugar onde pudessem se sentar, mas para o meu dia a dia estava ótimo. O meu lar precisava primeiramente me receber, depois que receberia o só outros. Tudo tem seu tempo. Além do mais, era uma ótima desculpa para não receber nenhum membro da família. E isso era uma notícia muito boa.

Organizei as minhas roupas no armário com a maior dedicação possível. Retirei lençóis e edredons novos, com cheirinho de limpo. Fiz tudo com tanta dedicação que me esqueci totalmente de comer. Quando fui sentir fome eram quase sete horas da noite. Não sabia onde arranjaria comida tão tarde em um dia de domingo, por isso me lembrei da minha vizinha.

A senhorita Calvin Klein.

Ela poderia me dizer se tinha alguma pizzaria ou delivery por perto. Só esperava não encontrá-la usando apenas calcinha e sutiã de novo. Não estava tão preparada assim para mais doses de sedução e sacanagem. A garota era doida, mas eu precisava me acostumar com ela rápido.

Não tenho preconceitos ou comentários depreciativos para fazer, por mim ela pode realizar as suas orgias dentro de casa – com direito a quantas mulheres quiser –, não vou me incomodar. Não sou nenhuma mulher quadrada que fica horrorizada com a sexualidade alheia, cada um faz o que quer da própria vida e do próprio prazer.

Saí da minha casa e logo senti um frio absurdo. Não sabia que a brisa fresca da manhã se transformaria em um vento frio irritante, mas não achei de todo ruim. A minha antiga casa era naturalmente quente. Não sei se o inferno era ali ou se havia algum outro tipo de explicação, mas às vezes o tempo estava bom e a casa continuava abafada, nos cozinhando como pedaços de carne.

Sorri ao descer o degrau da minha varanda e subir o da varanda da vizinha. Não sabia o que esperava daquele novo encontro, mas estava um pouco mais preparada para eventuais surpresas. Ela era gostosa. Além de muito safada. Ficava jogando indiretas... Enfim, eu precisava me acostumar com o seu jeito safado de ser. Ela parecia ser nova, então precisava mesmo curtir a vida e dar em cima da vizinha novata. Eu realmente não me importava. Se ela quisesse viver eternamente imerso no máximo teor da luxúria, o problema era dela. Desde que me desse um pouco de segurança e civilidade, estaria ótimo para mim. Seria bom também se não andasse de roupas íntimas enquanto eu estivesse com visitas. Pelo menos isso. Não estava a fim de me tornar uma vizinha chata logo de cara. Preferia esperar para ver o seu comportamento no dia a dia para começar a tomar alguma atitude a respeito. Para mim, não existe essa de “a primeira impressão é a que fica”. As pessoas mudam o tempo todo, além de que, sei lá, ela podia estar bêbada ou sob efeito de alguma droga mais cedo. Vai saber...

Soltei um suspiro, tentando me preparar para sentir uma vontade louca de dar. Sei que ela me faria sentir aquilo, afinal, não sou cega, surda ou muda, e tenho hormônios que funcionam muito bem, obrigada.

Não encontrei campainha, por isso dei algumas batidas na porta. Esperei por alguns segundos, e nada aconteceu. Bati novamente, desta vez com mais força. Nada. Eu sabia que tinha gente em casa, pois as luzes estavam acesas. Decidi verificar na janela ao lado da porta. Sei que é feio bisbilhotar o interior da casa alheia, mas eu realmente queria uma orientação sobre como arranjar comida no bairro àquela hora da noite. Não me lembro de ter passado por uma padaria ou mercadinho pela manhã, mas posso ter me distraído de tão excitada com a mudança que estava.

A janela da casa 105 estava fechada, mas dava para ver perfeitamente o interior. Diferentemente da minha janela ao lado da porta – que dava para a sala de estar –, a da vizinha dava para a cozinha. Devo confessar que soltei um arquejo maluco de surpresa quando visualizei a minha querida Calvin.

– Tá de brincadeira... – murmurei baixinho logo após a minha quase engasgada.

A senhorita Calvin Klein estava trajando um short pequeno preto por cima da calcinha, a tarja da Calvin ainda se fazia presente, e um top completando a roupa. Só isso. Mas ver o seu corpo digno de modelo exposto não foi tudo. Ela estava estava com fones de ouvidos enormes, cantando alguma música com muita empolgação, enquanto batia uma colher de pau dentro de uma vasilha grande.

Ela estava cozinhando?

Só me restou pensar sobre o que iria fazer. Podia dar meia volta e pegar o meu carro, seguir sem direção pelo bairro até achar alguma coisa. Ou podia dar umas batidinhas na janela, vai que ela perceba a minha presença.

Olha, vou te dizer, às vezes faço coisas sem medir as consequências. Quando vejo... Bum! Está feito. Devo ter pirado ou algo assim, pois as minhas mãos bateram na janela com força, e a vizinha se assustou no mesmo instante. Ainda pensei em sair correndo, mas era tarde demais.

Calvin me acharia muito louca se eu simplesmente sumisse, do nada. Não podia dar uma de louca logo no primeiro dia.

Ela sorriu daquele jeito sacana quando percebeu que era eu. Deixou a vasilha em cima de uma mesa que havia bem no meio da cozinha, estilo bem americanizado. Tirou os fones de ouvido e veio até a janela, abrindo-a através de um trinco na lateral. A janela era igualzinha a minha.

– Tiffany ! A nova vizinha do 104, o que é que manda? Quer açúcar? Ou quer algo mais? – A maldita teve a cara de pau de me olhar como se eu fosse um pedaço de carne.

– Er... Sabe o que é, Calvin... – Ela gargalhou diante do apelido que eu coloquei nela. Parei de falar e esperei que terminasse de rir da minha cara.

– Ai, desculpa, Tiffany. Você é engraçada além de gata. Pode falar.

Prendi os lábios e fiz uma careta. Sério, não estava acostumada com tanta cara de pau. Ela me deixava desconcertada só com um olhar. Ficava parecendo uma menininha virgem diante dela. Que merda ! Ela devia estar me achando a maior quadrada!

Respirei fundo e tentei me controlar. Ela agitou os cabelos loiros entre os dedos e se apoiou na parede ao lado da janela. Continuou me hipnotizando com aquele jeito cafajeste malicioso.

– Estou com fome e me esqueci de fazer compras... – Fui rápida e séria. – Pode me dizer onde tem algum mercado por aqui?

Ela não respondeu logo. Continuou me olhando como se eu não tivesse dito nada. Pensei em perguntar novamente, mas aí ela abriu a boca e soltou um suspiro que mais pareceu um gemido. Alguma parte sugestiva do meu corpo deu uma vibrada bem básica. O frio foi embora de repente, como se a lua tivesse virado sol.

– Você está com muita sorte, Tiffany. Aliás, a sua maior sorte foi ter comprado a casa de número 104. Sou uma ótima vizinha, sabe? – Continuou sorrindo “sacanamente”. – Sou muito prendada, adoro cozinhar. Não há um dia que eu não prepare um prato novo, e hoje estou fazendo nhoque. Gosta?

Arregalei os olhos.

– Gos... Gosto.

Ela se aproximou da janela até deixar a cabeça do lado de fora. Precisei dar um passo para trás, pois a impressão que tive foi a de que a sem-noção iria me beijar ali mesmo, como se eu tivesse acabado de dizer que gosto dela e não do maldito nhoque.

– Com molho de queijo – murmurou sem se abater. – Muito queijo derretido. Receita da minha mãe. Que Deus a tenha!

Fiquei meio sem graça. Ela não pareceu nada abalada.

– Sinto muito.

– Ah, eu nem a conheci. – Gargalhou. – Morreu assim que me teve. Enfim... Tiffany, minha querida vizinha, gostaria de dividir o nhoque comigo?

Abri a boca, sem saber o que responder. Não podia aceitar, podia? Eu só queria saber onde era a padaria mais próxima. Não estava a fim de comer com uma safada soltando indiretas, ou melhor, diretas. Apesar de ser mente aberta e de não me importar com as safadezas dos outros, gosto de manter a cordialidade, o respeito e a normalidade, na medida do possível.

– Eu só... Só queria saber se há uma padaria...

Calvin bufou, parecendo indignada.

– Amanhã eu te mostro, Tiffany. Venha, vizinha, juro que não vai doer. – Dei alguns passos para trás, sentindo-me um pouco perdida. Ainda estávamos falando de um convite para jantar? – Espere aí, não fuja! Eu não mordo... Bom, posso morder se você quiser. – Piscou um olho. Fiz uma careta. – É sério, Tiffany, fica aí. Vou abrir a porta.

Eu, hein? Não consegui raciocinar muito enquanto esperava a doida varrida abrir a porta de sua casa. Também não pensei quando entrei devagar, sendo assistida por aquela mulher linda, que não parava de sorrir com malícia.

A casa dela era quase a mesma coisa que a minha, só mudava a disposição dos cômodos. Sua cozinha estava no lugar da minha sala e a sua sala no lugar da minha cozinha. O resto era tudo igual. E meio bagunçado também. Quero dizer, tinha roupas espalhadas pelos móveis. O sofá estava meio fora de posição, mas, tirando isso, a casa dela era bem normal.

O que chamou a minha atenção foi um mural de fotos na parede da sala. Calvin Klein posava em fotos loucas, uma mais engraçada que a outra, na companhia de amigos, amigas – muitas, muitas amigas – e pessoas que achei que fossem familiares, por serem mais velhas. Precisei desviar o rosto quando percebi algumas fotografias em que ela estava rodeada de mulheres gatas, todas nuas. Resfoleguei.

– Então... Faz o quê da vida, vizinha?

Ela perguntou da cozinha. Já tinha voltado a machucar a massa com força. Um cheiro delicioso subiu, e consegui identificar: era queijo sendo derretido.

– Sou ginecologista – respondi.

A safada gargalhou alto.

– Puta merda, é o emprego dos meus sonhos! Como se sente admirando todos os tipos de vagina do mundo?

Comecei a rir sozinha. A cara de vislumbre da Srta. Klein foi muito engraçada, do jeito que a minha mente perturbada supôs.

– Estava brincando, Calvin! Sou analista de sistemas.

Ela deu de ombros.

– Ah... Legal. Danadinha, me pegou de jeito! Vai ver, um dia vou te pegar de jeito também!

A maluca continuou rindo, mas parei no mesmo instante. Tipo, como reagir diante das diretas que me soltava? Não pude evitar; meu rosto esquentou de novo. Arrependi-me de ter feito aquela piada. Ela podia ser uma ninfomaníaca, sei lá.

Fui até a cozinha e me sentei em uma cadeira de perna alta. Tentei não olhar para o corpo perfeito dela.

– E você, o que faz? – Arrependi-me de ter aberto a minha boca assim que o fiz. Preparei-me para outra piadinha.

– Sou chefe de cozinha em um restaurante.

– Sério?

Olhei sem querer, e ela já estava me olhando. Desta vez, seriamente. Não, digo, não foi seriamente, foi com uma expressão além da seriedade. Parecia desejo. A doida estava me secando.

– Não, sou apenas uma ajudante do chef que faz tudo que ele manda e preparando molhos. Mas sonhar é de graça! – Riu de um jeito divertido, e acabei rindo também. Ela parou. – Ei, é legal quando você ri, seus olhos ficam lindos. Gostei, Tiffany.

Devo ter corado pela milésima vez.

– Então... Queria ser cozinheira? – mudei de assunto.

– É. Ainda vou ser um dia. Quem sabe...

Era engraçado ver uma garota do tamanho e do corpo dela querendo ser cozinheira. Sempre achei que todos os cozinheiros fossem velhos, obesos e alguns barbudos, mas pelo visto estava enganada.

– Vou provar o seu nhoque, aí te digo se você é bom mesmo.

Ela me olhou e sorriu com o modo cafajeste ativado.

– Sou bom em muitas coisas, vizinha. Basta que prove.

Uau! Aquela foi demais para a minha calcinha. Na moral, foi difícil ver aquela mulher na minha frente e não imaginar as coisas nas quais ela pudesse ser boa. Confesso que, enquanto ela terminava de fazer o jantar como se não tivesse dito nada, um filme pornográfico imenso se passou pela minha cabeça, com direito a tudo o que há de mais erótico. Rolou de tudo um pouco, acredite. As minhas ideias se transformaram em um bacanal.

Quando o nhoque foi servido, eu estava quase pirando por uma “sobremesa”, se é que me entende. Mas fui me acalmando. Precisava voltar a ser firme.

A Srta. Klein comeu no mais completo silêncio, só me olhava de vez em quando. Ainda bem. O nhoque ao molho de queijo estava divino. Aliás, não me lembro de ter comido um nhoque tão gostoso em toda a minha vida. Confesso que, enquanto comia, não conseguia parar de pensar no instante em que eu elogiaria o jantar. A doida certamente soltaria mais uma direta, e não sei até quando suportaria aquele joguinho idiota de sedução. Só depois da nossa última garfada que ela voltou a falar:

– Tiffany, não me mate de expectativa. Eu sou um ansiosa, não sei esperar por nada. – A careta que fez não negou a sua ansiedade. Parecia um moleque. – O que achou do jantar? Pode ser sincera.

Inspirei todo o ar que me foi possível. Meu coração começou a bater bem depressa, e nem sei dizer por que.

– Perfeito, Calvin. Você cozinha bem pra caramba. Nunca comi um nhoque tão bom... E não estou elogiando só porque sou sua vizinha, juro.

Ela gargalhou e se levantou da cadeira. Deu-me um beijo bem demorado na bochecha. Quero dizer, acho que era para ser na bochecha, mas na realidade foi no canto da minha boca.

– Ei... Gostei de você, vizinha. Vamos ser ótimas vizinhas.

Disso eu não duvidava, Srta. Calvin Klein. Não dava para duvidar nem se eu quisesse. Mas a coisa foi mais complicada do que pensei. 

Arranjei uma desculpa qualquer para não prolongar o jantar na casa da Srta. Calvin Klein. Ela ainda tentou me empurrar uma taça de vinho, mas neguei e fiquei só com a torta alemã que havia preparado mais cedo. Estava uma delícia. Sério, a doida cozinha muito bem. Ela fisgaria qualquer mulher pelo estômago se não tivesse a capacidade de fisgá-las por outras partes do corpo.

A primeira noite dormindo sozinha na minha casa foi bem esquisita. Não consegui pregar o olho direito, pois estava estranhando tudo. As sombras do meu quarto escuro, o colchão novo, o cheiro, os ruídos (ou a ausência deles). Não estava acostumada a dormir em meio a tanto silêncio. Liguei a TV em um volume baixo para ver se melhorava, mas ainda assim tive dificuldade para dormir.

Vi o sol nascer e um galo cantar bem distante, e então consegui dar um cochilo. Não foi grande coisa, visto que precisava me acordar exatamente às sete horas. Não podia me atrasar para ir ao trabalho, visto que o meu chefe era um porre com relação aos horários. Adorei acordar e não ter que esperar uma fila enorme para conseguir tomar um banho. Consegui me arrumar em menos de meia hora, coisa quase impossível na minha antiga casa. Meu irmão demorava horas se masturbando logo pela manhã no banheiro, a minha irmã dava banho na minha sobrinha – mesmo podendo fazer isso mais tarde, pois é uma desocupada que não trabalha e só sabe falar mal dos outros –, e os meus pais ficavam gritando ordens feito loucos enquanto faziam o café da manhã. Um inferno na terra.

Não me importei com o fato de não ter conseguido dormir quando saí de casa quinze minutos mais cedo do que o normal. Atravessei o jardim com um sorriso enorme estampado no rosto. Não havia comido nada, mas, por incrível que pareça, ainda estava satisfeita com o nhoque do dia anterior.

Sabia que teria fome mais tarde, por isso decidi ir atrás de algum mercado ou padaria por conta própria.

– Bom dia, vizinha! – A voz da Calvin me assustou, tirando-me dos devaneios. Eu estava prestes a abrir a portinha da frente. Olhei para os lados, fazendo caretas, mas não encontrei a sujeita em parte alguma. – Aqui, ao lado da roseira!

Espremi os meus olhos e a procurei pelo jardim. Havia uma roseira perto do muro gradeado, no extremo esquerdo do terreno. Vi ela empunhando tesoura enorme. Estava cortando alguns galhos da roseira, eu acho.

– Bom dia, vizinha! – saudei, sentindo-me um pouco envergonhada. Por incrível que pareça, Calvin estava vestido com uma bermuda bem recatada e uma camisa de manga comprida. Nunca tinha a visto tão vestida.

Tudo bem que estava fazendo um frio bem gostoso àquela hora da manhã, mas achei que a pele dela tivesse desenvolvido características da pele de um jacaré, e andasse parcialmente nua durante vinte e quatro horas por dia.

– Você está muito gata... Toda importante e inteligente. Bom dia de trabalho!

Corei de imediato. Precisava me acostumar, precisava me acostumar, precisava me acostumar...

– E você? Não vai trabalhar?

– Pego mais tarde. – Piscou um olho. Quase morri.

Não soube dizer se ela tinha dito que pegaria no trabalho ou se pegaria outra coisa, só sei que dei um “tchauzinho” tímido e decidi voltar à normalidade da minha rotina. Aquela sim não mudaria.

Achei uma padaria bem na esquina, e comprei algumas coisas. Havia um supermercado no outro quarteirão. Passaria por lá depois do expediente, não queria me atrasar logo no dia que consegui sair cedo de casa. Cheguei à empresa na hora exata. Até achei um lugar vago no estacionamento sem precisar procurar muito. Uma maravilha!

As notícias ruins do dia começaram assim que sentei à minha mesa e liguei o computador. Meu celular começou a tocar. Pensei em desligá-lo, mas ignorar a minha mãe era a pior decisão que alguém podia tomar em toda a sua vida.

– Oi, mãe...

– Tiffany? Cadê você, minha filha?

– Eu? Estou trabalhando, oras... – Ri um pouquinho.

– Como assim, está trabalhando? E nós? – Sua voz ficou ainda mais urgente e afetada. A mulher estava nervosa logo cedo? Ferrou.

– Não estou entendendo, mãe. – Peguei uma caneta e fiz um coração em um bloquinho de papel colorido.

– Tiffany, quem você acha que vai levar o Léo para escola? Seu pai sai muito cedo, não dá tempo de levar, você sabe disso. Ainda tem a creche da Clarinha, e sua irmã precisava fazer umas coisas no Centro.

Larguei a caneta em cima da mesa. Afundei o meu corpo na cadeira confortável e soltei um longo suspiro. Não dava para acreditar no que a minha mãe estava dizendo. Era duro descobrir que, mesmo ganhando a minha liberdade e autosuficiência, ainda ia ter que bancar a motorista para um monte de gente que podia simplesmente pegar um ônibus.

– Mãe, Léo tem dezessete anos. Com essa idade eu ia à escola de metrô, depois ainda pegava um ônibus. A escola dele fica bem mais perto, talvez dê até para ir andando, ou de bicicleta.

– Não vou deixar meu filho andar de bicicleta no meio da rua! Ficou louca, Tiffany? Ele pode cair e quebrar o pescoço!

Tudo para a minha mãe era cair e quebrar o pescoço. Sério, eu não pude ter um patins por causa disso. E também não pude ir ao parque de diversões pelo mesmo motivo. Nem subir as escadas lá de casa com pés descalços.

– Ele não vai cair, e muito menos quebrar o pescoço. – Se a minha mãe soubesse que o passatempo do Guilherme era andar de skate (emprestado de um amigo maconheiro) na rua de baixo, ela teria um troço. – Eu que vou ganhar um torcicolo se tiver que dirigir para todo mundo logo cedo. Mande a Michele pegar um ônibus para ir ao Centro. Ah, e a creche da Clara é na rua de trás, pelo amor de Deus! Até a senhora pode levá-la!

Minha mãe ficou calada durante um tempo. Depois, iniciou a sua já conhecida sessão de “eu sou a vítima e ninguém me ama”.

– Vai abandonar a sua família assim? Eu te criei com tanto amor, Tiffany, daí você vai embora e quer se livrar de todas as responsabilidades? Perdi a minha filha, é isso?

Soltei um suspiro bem alto. Esfreguei as mãos na minha testa.

– Mãe, eu só quero viver a minha vida. Quero ficar sozinha e ter paz até encontrar alguém com quem possa constituir a minha própria família. Os meus irmãos estão grandinhos demais, está na hora de cada um fazer o mesmo também.

Ela soltou um soluço. Revirei os olhos.

– Tudo bem, Tiffany... Acho que... Acho que não me acostumei com a ideia de ficar sem você. Sei que precisa de privacidade... Você é uma mulher adulta. Cresceu tão rápido que não consegui acompanhar.

Rápido? Aqueles vinte e oito anos foram uma eternidade para mim. Mas tudo bem, fiquei contente por ela ter me compreendido. Não havíamos tido muitas conversas sobre a minha mudança. Na verdade, foi algo bem repentino. Eu estava juntando dinheiro desde os vinte e quatro anos, mas ninguém sabia. Quando dei a notícia de que havia comprado uma casa, ninguém achou que fosse mesmo verdade. Até a minha própria ficha ainda não tinha caído.

– Obrigada, mãe. Preciso ir, meu chefe não está me olhando com uma cara muito boa – menti.

Não havia sinal do meu chefe. Acho que ele nem tinha chegado ainda.

– Tudo bem... Bom trabalho, filha. Te amo.

– Também. Beijinho!

Um peso de mil toneladas foi tirado das minhas costas quando desliguei o telefone. Pensei que não conseguiria, mas finalmente me vi livre de tudo o que me ligava à minha família. Já não teria responsabilidade com ninguém além de mim mesma. Eles precisavam se virar sem mim.

A sensação de liberdade me acompanhou durante todo o dia. Trabalhei com muito bom humor. Senti-me uma nova mulher, pronta para mudar em todos os sentidos. Sabia que muita coisa seria diferente, mas era exatamente o diferente que eu buscava. Estava cansada de ser sempre ordenada.

Não me leve a mal, eu amo a minha família. Só estou velha demais para aturar certas coisas.

O meu pai odiou o fato de eu ter me mudado. Segundo ele, eu só devia sair de casa quando estivesse casada. Pensamento da época em que a minha bisavó era virgem. Ainda bem que a minha mãe discorda disso, e fez o velho ao menos aceitar as minhas decisões. Até porque, com sinceridade, do jeito como a minha vida amorosa está o tal casamento vai demorar muito.

Procurei nos meus relacionamentos a liberdade que não encontrava em casa. Já me apaixonei, já quebrei a cara, já tive mulheres e homens loucos por mim (que quebraram a cara), enfim... Tentei de tudo um pouco, mas a minha vontade de ser livre nunca passou.

Meus namoros foram curtos, o mais longo durou uns nove meses. De uns tempos para cá, venho em busca apenas de um bom sexo. Eu mereço poder transar sem pôr a minha liberdade em risco, não é? A escolha é totalmente minha, e sei que posso mudar de opinião sem problema algum. Não vou dar uma de difícil caso encontre alguém especial. Não tenho medo de me apaixonar. Também não sou nenhuma desesperada. Os anos podem passar sem que eu encontre uma boa companhia, não me importarei. Eu gosto de mim mesma, sou feliz sozinha. Adoro ler, assistir à televisão, ir ao cinema, fazer compras... Faço muitas coisas sem companhia, e adoro. A solidão não é um problema para mim. E é por isso que tenho certeza de que vou amar morar só.

A ideia inicial era fazer apenas uma pequena compra, mas, depois do fim do meu expediente, acabei fazendo a feira do mês. Comprei tanta porcaria que se a minha mãe soubesse diria que eu morreria de diabete, como aconteceu com meu avô. Ah, mas eu amo doces! Agora que ninguém iria ficar me vigiando até o que como, poderia devorá-los sem culpa. Quero dizer, quase sem culpa, pois não quero engordar.

Cheguei à minha casinha linda e cor-de-rosa às oito e meia da noite. Não havia sinal da safada do 105. A casa dela estava toda escura, por isso fiz o favor de ligar as luzes do jardim. Nem acreditei quando fui até a minha varanda e descobri um vaso grande ao lado da porta. Havia rosas vermelhas maravilhosas enfeitando. Achei aquele gesto tão bonitinho! Seria mais bonitinho ainda se eu não soubesse quais eram as reais intenções da Srta. Klein. Ela não estava tentando ser agradável, só estava dando em cima da vizinha para conseguir sexo quando quisesse.

Não que eu não quisesse sexo. Eu queria muito (até demais!), ainda mais com uma mulher linda, maravilhosa e gostosa como ela. Mas que me assusta. Ela é doida, pode ser até uma espécie de tarada. Vai saber... Além de que não esqueço o modo como beijou aquelas três mulheres. Deve ser acostumada a entrar todas as modalidades do sexo, e eu não me acho uma pessoa indicada para curtir o clima geral da luxúria. Adoro sexo, mas prefiro sexo normal. E também não sei se é uma boa ideia manter relações com a vizinha. Não é legal misturar as coisas, tínhamos que manter uma convivência confortável para nós duas. Certo?

Cheirei as rosas. Sorri de um jeito bobo, como qualquer mulher faz ao receber flores. Resolvi deixá-las ali, pois a minha varanda estava vazia demais. O vaso deu mais vida à entrada da minha casa. Talvez pudesse mantê-lo por tempo indeterminado.

Não me estressei por ter que fazer o meu próprio jantar. Só o silêncio reinante era motivo de dádiva. Aquele foi o jantar mais silencioso da história. Nem o som eu quis ligar. O bairro era tão calmo que quase não passavam carros, por isso o único ruído que ouvi foi o de alguns grilos brincando no jardim.

Fui dormir muito cedo. Na verdade, já estava pescando enquanto lavava os pratos. Tomei um banho relaxante e praticamente me atirei na minha cama nova. Juntei três travesseiros (um na cabeça, outro entre as pernas e o último eu abracei com força) e me acomodei da melhor forma que consegui. Não demorei nada a cair no sono.

Pensei que o meu despertador havia tocado, mas não. O meu quarto ainda estava escuro. Olhei o relógio de cabeceira e constatei que eram duas horas da manhã. Eu já me sentia satisfeita, por mim, podia me acordar para ir trabalhar, mas saber que eu ainda tinha algumas horas me fez bem. Quero dizer, quase. Descobri o que havia me acordado dez segundos depois de ter aberto os meus olhos.

– Ah! Fode! Fode! Com força! – Levei um susto imenso. Cheguei até a me sentar na cama. – Fode, cachorra!

Olhei ao redor, meio desnorteada. Demorei alguns segundos para descobrir que os gemidos e os gritos não vinham da minha casa. Ajoelhei-me na cama e coloquei os meus ouvidos na parede, logo após a cabeceira.

– Ah, delícia! Que rabo gostoso!

Opa! Eu conhecia aquela voz. Era a Srta. Calvin Klein. Podia até visualizar o seu sorriso sacana enquanto falava aquilo.

– Fode! Rápido!

Caraca! Que mulher! A parede começou a vibrar muito. Sério, até a minha cama foi meio que empurrada para trás. O barulho se tornou insuportável, mas mesmo assim não tirei os meus ouvidos da parede. A curiosidade falou muito mais alto do que a surpresa.

Tentei imaginar o que tanto fazia barulho, e, pelos meus cálculos, o quarto do Srta. Calvin talvez tenha ficado bem ao lado de onde é o meu. Aquele ruído grotesco era das pernas de madeira de uma cama em atrito com o chão. Isso sem contar com a cabeceira, que devia estar praticando luta livre contra a parede.

Soltei um resfolego. Aquele era o sexo da garota?? Puta que pariu, que selvagem! Sério, não deu para evitar; o meu corpo se esquentou na hora, só de imaginar o que estava sendo feito. Por outro lado, não devia estar surpresa. Nunca esperei romantismo e carícias suaves vindas da Calvin, ela tinha todos os sintomas de quem adora fazer a coisa com muita força.

Os barulhos continuaram até que a mulher soltou um grito animalesco. Calvin ainda gritou para que ela gozasse gostoso no "pau" dela, e só consegui imaginar como seria isso. Misericórdia... Era demais para mim. Acho que aquela mulher não sairia viva daquela trepada. Bom, eu não sairia. Na verdade, achei que não sairia viva só de escutar.

Depois de quinze minutos sem que a selvageria tivesse cessado, decidi me mudar temporariamente para a sala. Eu ainda não tinha sofá, por isso peguei um colchonete enrolado embaixo da cama e o forrei com um edredom. Precisei fechar a porta do meu quarto para não ouvir os animais no cio.

E para dormir de novo? Foi tarefa impossível. Revirei de um lado e do outro pelo menos umas cinquenta vezes até descobrir o que estava me angustiando: aquele tesão dos infernos que havia despertado a minha calcinha tão cedo. Só consegui ter paz para dormir quando o meu companheiro de horas sombrias, ou seja, os meus dedos, fizeram o seu serviço. Bastou uma vez e pronto. Dormi como uma princesa, abandonada no cantinho da minha sala vazia.

                                    *******


Notas Finais


bye


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