História A voz do arqueiro (Adaptação de Tate e Violet) - Capítulo 5


Escrita por: ~

Postado
Categorias American Horror Story
Visualizações 12
Palavras 3.402
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Romance e Novela, Violência
Avisos: Álcool, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Spoilers, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 5 - Capítulo 5


~VIOLET~

Era minha folga da lanchonete no dia seguinte. Quando acordei e olhei o relógio, vi que eram 8h17. Fiquei surpresa. Há meses não dormia até tão tarde, mas imaginei que era de se esperar, já que mal conseguira pregar os olhos na noite anterior. Sentei-me na cama devagar, até o quarto entrar em foco. Eu me sentia pesada e grogue quando me virei para levantar. Minha mente ainda zonza de sono mal começara a clarear quando um som alto do lado de fora – só um galho que caíra ou alguém dando partida no motor de um barco – fez meus músculos congelarem de terror, a mente gritando. Olhei pela pequena janela que havia na porta, que me separava do meu pai. Ele me viu com a visão periférica e começou a dizer Esconda-se na linguagem de sinais, sem parar, enquanto o homem gritava para ele abaixar as mãos. Meu pai não conseguia ouvir o invasor e as mãos dele continuavam se movendo apenas para mim. Meu corpo se sobressaltou com a explosão da arma. Gritei e levei rapidamente as mãos à boca para abafar o som enquanto cambaleava para trás, dominada pelo horror e pelo choque. Tropecei na beira de uma caixa e caí para trás. Puxei as pernas na direção do corpo, tentando me encolher o máximo possível. Não tinha telefone ali. Olhei ao redor da sala procurando um lugar para me esconder, algum lugar para onde eu pudesse rastejar. Nesse momento as portas se abriram...
A realidade voltou rapidamente enquanto o mundo ao redor recuperava o foco e eu sentia que meus punhos agarravam o lençol. Deixei escapar um arquejo, me levantei tremendo e corri para o banheiro bem a tempo. Deus, não vou conseguir suportar isso para sempre. Aquilo precisava parar. Não chore, não chore. Phoebe ficou sentada no chão, aos meus pés, gemendo baixinho.
Depois de vários minutos, consegui me controlar.
– Está tudo bem, menina – falei, dando tapinhas carinhosos na cabeça de Phoebe para acalmar tanto a ela quanto a mim.
Fui cambaleando até o chuveiro e, vinte minutos depois, enquanto vestia o biquíni, um short e uma regata azul, já me sentia melhor. Respirei fundo, fechei os olhos e me acalmei. Estava tudo bem.
Depois de tomar um rápido café da manhã, calcei as sandálias, peguei um livro e uma toalha, chamei Phoebe e saí para o ar quente, levemente úmido, os mosquitos já zumbindo ao meu redor, enquanto um sapo coaxava em algum lugar.
Inspirei o ar puro, o cheiro de eucalipto e da água fresca do lago enchendo meus pulmões. Quando subi na bicicleta, com Phoebe acomodada na cesta à minha frente, finalmente consegui exalar o ar.
Desci a Briar Road outra vez e me sentei na pequena praia onde fora há dois dias. Eu me concentrei no romance que levara e, quando me dei conta, já tinha terminado o livro e duas horas haviam se passado. Levantei-me e alonguei o corpo enquanto olhava para o lago tranquilo, estreitando os olhos para ver o outro lado, onde barcos e jet-skis cruzavam a água.
Dobrei a toalha e pensei ter sido um golpe de sorte ir parar naquele lado do lago. A paz e a tranquilidade eram exatamente o que eu precisava.
Coloquei Phoebe de volta na cesta, empurrei a bicicleta para subir a leve inclinação até a estrada e pedalei lentamente na direção da cerca de Tate Langdon.
Parei no acostamento quando o caminhão dos correios passou por mim. O motorista acenou e os pneus levantaram tanta poeira que tossi, acenando também, mas para clarear o ar à minha frente enquanto voltava para a estrada.
Rodei por mais 30 metros, então parei e fiquei olhando novamente para a cerca. Naquele dia, por causa da posição do sol no céu, pude ver vários retângulos na madeira, um pouco mais claros, como se antes houvesse placas ali.
Quando eu já começava a colocar a bicicleta em movimento, percebi que o portão estava levemente aberto. Então parei e fiquei olhando para a fresta por alguns segundos. O carteiro provavelmente entregara alguma coisa ali e esquecera de fechar o portão.
Levei a bicicleta até lá, me inclinei contra a cerca, abri um pouco mais o portão e espiei lá dentro.
Prendi a respiração ao ver a bela entrada pavimentada de pedra que levava a uma pequena casa branca a cerca de 30 metros de onde eu estava. Não sabia muito bem o que esperava ver, mas com certeza não era aquilo. Tudo era muito limpo, arrumado e bem-cuidado, com um pequenino trecho de gramado verde-esmeralda recém-aparado entre algumas árvores de um dos lados da entrada para carros e um pequeno jardim plantado em paletes de madeira à esquerda.
Recuei e já começava a fechar o portão quando Phoebe pulou da cesta da bicicleta e se espremeu pela fresta estreita.
– Merda! – xinguei. – Phoebe!
Abri mais um pouco o portão e espiei lá para dentro outra vez. Phoebe estava parada na entrada de carros mais adiante olhando para mim e arfando.
– Menina má! – sussurrei. – Volte aqui!
Phoebe se virou e saiu trotando ainda mais para dentro da propriedade. Ah, que merda! Passei pelo portão, deixando uma fresta ainda aberta, e continuei a chamar por Phoebe, que não estava me dando a menor atenção.
Quando me aproximava da casa, vi um grande pátio de pedra e uma passagem em frente, estendendo-se até os lados, enfeitada com grandes jardineiras cheias de plantas.
Enquanto olhava ao redor do pátio, subitamente me dei conta de um barulho de batidas altas que se repetiam a cada poucos segundos. Alguém estava cortando lenha? Era esse o som que eu estava ouvindo?
Phoebe deu a volta na casa e sumiu de vista.
Inclinei a cabeça para ouvir melhor, oscilando o peso do corpo entre um pé e outro. O que eu deveria fazer? Não podia deixar Phoebe ali nem podia voltar até o portão e gritar o nome de Tate – ele não iria ouvir.
Tinha que entrar e ir atrás dela. Tate estava lá. Eu não era o tipo de garota que gostava de se envolver em situações perigosas. Nunca havia sido e, ainda assim, o perigo me encontrara. Mas a verdade é que eu não estava com a menor vontade de entrar em território desconhecido. Maldita cachorrinha malcomportada. Porém, enquanto estava parada ali, tomando coragem para ir atrás de Phoebe, pensei em Tate. Meus instintos me diziam que ele não representava nenhum risco. Isso contava alguma coisa. Eu iria deixar que aquele homem cruel do passado me fizesse duvidar dos meus próprios instintos pelo resto da vida?
Pensei no modo como os pelos do meu braço haviam se arrepiado no instante em que eu ouvira a campainha da porta naquela noite. Algo em meu íntimo adivinhara o perigo, assim como algo dentro de mim sentia que naquele momento eu não corria risco nenhum. Meus pés avançaram.
Desci lentamente a entrada de carros, inalando o cheiro penetrante de seiva de árvore e do gramado recém-aparado enquanto continuava a chamar por Phoebe.
Segui o caminho de pedra que dava a volta na casa, passando as mãos pela madeira pintada. Espiei os fundos da casa e lá estava ele, as costas voltadas para mim, erguendo um machado sobre a cabeça, os músculos das costas flexionados enquanto ele abaixava o machado, atingindo o meio de uma tora que estava de pé e partindo-a em três pedaços que caíram sobre a terra.
Tate se inclinou, pegou os pedaços e os colocou em uma pilha onde havia mais lenha organizadamente empilhada sob uma árvore, uma grande lona jogada de lado.
Quando tornou a se virar para o toco sobre o qual estava cortando os pedaços menores, ele me viu, se assustou e então ficou imóvel. Nós dois ficamos parados, nos encarando, minha boca levemente aberta e os olhos dele arregalados. Um pássaro cantou em algum lugar próximo e o trinado de outro pássaro em resposta ecoou entre as árvores.
Fechei a boca e sorri, mas Tate continuou me encarando por alguns segundos, antes que seus olhos me examinassem de cima a baixo e voltassem ao meu rosto, estreitando-se então. Também o examinei, os músculos bem definidos do peito nu, a pele muito lisa e o abdome marcado. Nunca tinha visto de perto um abdome de tanquinho, mas ali estava um, bem na minha frente. Me dei conta, então, de que por mais que pudessem ser um tanto estranhos, ermitões silenciosos também podiam ter físicos excepcionais. Bom para ele!
Tate usava o que parecia já ter sido uma calça cáqui, cortada na altura dos joelhos e amarrada na cintura com uma... aquilo era uma corda? Interessante. Meus olhos chegaram às botas de trabalho e voltaram ao rosto dele. Tate havia inclinado a cabeça de lado enquanto nos avaliávamos, mas sua expressão permanecia cautelosa.
A barba dele estava tão desgrenhada quanto na primeira vez que o vira. Ao que parecia, o cuidado com o gramado não se estendia à barba, que com certeza se beneficiaria de uma boa aparada. Longa daquele jeito, devia fazer algum tempo que ele a estava deixando crescer – talvez anos.
Pigarreei.
– Oi. – Dei um sorriso e me aproximei para que ele pudesse ler claramente meus lábios. – Bem, me desculpe por incomodá-lo. Minha cachorrinha entrou correndo aqui. Eu a chamei, mas ela não atendeu.
Olhei ao redor, mas não vi Phoebe.
Tate afastou os longos cabelos dos olhos e franziu as sobrancelhas diante das minhas palavras. Ele virou o corpo, abaixou o machado e o enterrou no tronco. Então virou-se para mim. Eu engoli em seco.
De repente, uma pequena bola de pelo branco saiu em disparada do meio das árvores e seguiu na direção de Tate. Phoebe parou diante dele e sentou-se aos seus pés, arfando.
Tate olhou para ela, então se inclinou e acariciou a cabeça da cachorrinha. Phoebe lambeu a mão dele muito animada, ganindo para pedir mais carinho quando ele recolheu a mão e endireitou o corpo. Sua pequena traidora.
 – Aí está ela – declarei o óbvio.
Ele continuou a me encarar.
– Hã, bem, sua propriedade – continuei, acenando com a mão para indicar o lugar – é muito bonita.
Tate continuou me encarando. Depois de algum tempo, inclinou a cabeça.
– Você se lembra de mim? Da cidade... As barras de chocolate...? – perguntei.
Ele continuou a me encarar.
Meu Deus, eu precisava ir embora. Aquela situação estava constrangedora demais. Pigarreei outra vez.
– Phoebe – chamei. – Venha cá, garota.
Phoebe me encarou, ainda sentada aos pés de Tate. Olhei dela para ele. Os dois estavam completamente imóveis, com os olhos fixos em mim.
Voltei a encarar Tate.
– Você compreende o que estou dizendo? – perguntei.
 Minhas palavras pareceram capturar um pouco a atenção dele. Tate continuou a me encarar por um instante, então torceu os lábios e deixou o ar escapar pela boca, parecendo ter tomado uma decisão. Ele passou por mim e seguiu em direção à casa, com Phoebe logo atrás. Eu me virei para observá-lo, confusa, então ele também se virou, olhou para mim e fez sinal para que eu o seguisse.
Imaginei que ele me acompanharia de volta ao portão. Então andei mais depressa para conseguir acompanhar as passadas longas, enquanto a pequena traidora, também conhecida como Phoebe, ficava o tempo todo ao lado de Tate, latindo animada e virando-se de vez em quando para se certificar de que eu os seguia.
Quando me dei conta de onde ele estava parado esperando por mim, falei:
– Você não é uma espécie de assassino do machado ou algo parecido, é?
Eu estava brincando, mas então me ocorreu novamente que, se eu gritasse, não havia ninguém por perto para ouvir. Confie em seus instintos, Violet, lembrei a mim mesma.
Tate Langdon ergueu as sobrancelhas e apontou para o declive onde havia deixado o machado, preso no tronco. Olhei para o machado e de volta para ele.
– Está certo – sussurrei. – Essa história de assassino do machado não funciona se você não está com o seu machado.
Aquele mesmo minúsculo sorriso que eu vira no estacionamento da farmácia me fez tomar a decisão. Segui Tate pelo caminho que levava até a casa.
Ele abriu a porta da frente e arquejei quando olhei para dentro e vi uma enorme lareira de tijolos flanqueada por duas estantes de livros, que iam do chão ao teto, cheias de brochuras e volumes de capa dura. Comecei a ir naquela direção como uma sonâmbula, um robô apaixonado por livros, mas senti a mão de Tate no meu braço e parei. Ele ergueu um dedo para me pedir que esperasse um minuto e entrou. Quando voltou, alguns segundos depois, trazia um bloco nas mãos e estava escrevendo alguma coisa nele. Aguardei e, quando ele virou o bloco na minha direção, vi escrito em letras muito bem-feitas, todas maiúsculas:

SIM, ENTENDO O QUE VOCÊ DIZ.
PRECISA DE MAIS ALGUMA COISA?

Levantei rapidamente os olhos para ele e abri a boca para responder, mas logo a fechei outra vez. Era uma pergunta um tanto rude para se fazer. Mas, na verdade, eu queria mais alguma coisa? Mordi o lábio por um instante e mudei o peso do corpo de um pé para o outro enquanto Tate me observava, esperando uma resposta. A expressão em seu rosto era cautelosa e atenta, como se ele não tivesse ideia se eu ia responder ou mordê-lo, e estivesse preparado para as duas possibilidades.
– Ah, eu só... eu me senti mal pelo nosso encontro no outro dia. Eu não sabia que você não... falava. E só queria que soubesse que o que eu disse não foi intencional... eu só... sou nova na cidade e...
Nossa eu estava mesmo me saindo muito bem... Jesus.
– Quer comer uma pizza ou algo assim? – deixei escapar, arregalando os olhos.
Não havia decidido exatamente perguntar isso. Apenas perguntei e o encarei esperançosa. Tate me encarou de volta, como se eu fosse um problema avançado de matemática que ele não conseguia resolver.
Então ele franziu o cenho e começou a escrever outra coisa, sem nunca abandonar o contato visual. Por fim, abaixou os olhos para o que escrevia e levantou o bloco para que eu lesse:

NÃO.

Não pude conter uma gargalhada. Ele não sorriu, só continuou a me olhar, cauteloso. Meu riso morreu e eu sussurrei:
– Não?
Uma expressão confusa passou rapidamente pelo rosto dele, que ainda me observava. Então Tate voltou a pegar o bloco e escreveu outra coisa. Quando o ergueu de novo, vi que havia acrescentado uma palavra sob a primeira. Agora estava escrito:

NÃO,
OBRIGADO.

Soltei o ar, sentindo o rosto queimar.
– Está certo. Eu entendo. Bem, de novo, me desculpe o mal-entendido no estacionamento. E... me desculpe por invadir sua casa... minha cachorrinha...
Peguei Phoebe no colo.
– Bem, foi um prazer conhecê-lo. Ah! A propósito, não fomos devidamente apresentados. Sei o seu nome, mas você não sabe o meu. Sou Violet. Violet Harmon. E estou indo embora. – Indiquei o portão com o polegar por cima do ombro, comecei a me afastar de costas, então me virei apressada e caminhei rapidamente pela entrada de carros até o portão. Ouvi passos atrás de mim, seguindo na direção oposta. De volta para a pilha de lenha, presumi.
Saí pelo portão, mas não o fechei todo. Em vez disso, fiquei parada do outro lado, a mão ainda na madeira quente. Nossa, que esquisito! E constrangedor. O que eu estava pensando quando o convidei para comer uma pizza comigo? Levantei os olhos para o céu, levei a mão à testa e fiz uma careta.
Fiquei parada ali, pensando, quando algo me ocorreu. Eu tivera a intenção de perguntar a Tate se ele conhecia a linguagem de sinais, mas tinha ficado tão sem jeito que esquecera. Então ele pegara aquele bloco de papel idiota. Mas só então me dei conta de que Tate em nenhum momento olhara para os meus lábios enquanto eu falava. Ele havia olhado para os meus olhos.
Dei meia-volta e passei novamente pelo portão, indo na direção da pilha de lenha atrás da casa, com Phoebe no colo.
Ele estava parado ali, com o machado nas mãos, um pedaço de madeira pronto sobre o apoio. Mas Tate não levantou o machado. Ficou apenas olhando para a madeira, o cenho levemente franzido, parecendo perdido em pensamentos. E, quando me viu, uma expressão de surpresa tomou conta de seu rosto, antes que seus olhos se estreitassem, cautelosos como antes.
Quando Phoebe o viu, começou a arfar e ganir novamente.
 – Você não é surdo – falei. – Pode me ouvir muito bem.
Ele ficou imóvel por algum tempo, mas então enfiou o machado no tronco de apoio outra vez, passou por mim e olhou para trás do mesmo modo que fizera da primeira vez, gesticulando para que eu o seguisse. E foi o que fiz.
Tate entrou em casa e mais uma vez saiu com o mesmo bloco e a mesma caneta nas mãos. Depois de um instante, ergueu o bloco:

NÃO DISSE A VOCÊ QUE ERA SURDO.

Hesitei.
– Não, não disse – sussurrei. – Mas você consegue falar?
Ele me olhou, então levantou novamente o bloco e escreveu por algum tempo, antes de virar o papel para que eu lesse.

EU CONSIGO FALAR. SÓ GOSTO DE EXIBIR MINHA CALIGRAFIA.

Fiquei encarando a folha, digerindo as palavras. Então franzi o cenho e levantei os olhos para o rosto dele.
– Está tentando ser engraçado? – perguntei, ainda com o cenho franzido.
Ele ergueu as sobrancelhas.
– Muito bem – falei, inclinando a cabeça. – Talvez fosse melhor treinar um pouco mais. Ficamos parados ali, nos encarando por alguns segundos, antes que ele desse um suspiro pesado e voltasse a escrever no bloco:

VOCÊ QUER MAIS ALGUMA COISA?

Levantei os olhos para ele.
– Conheço a linguagem de sinais – disse. – Posso ensinar a você. Quero dizer, você não teria a oportunidade de exibir sua caligrafia, mas é um modo mais rápido de se comunicar.
Sorri, esperançosa, tentando fazê-lo sorrir também. Ele sorria? Era capaz?
Tate me encarou por um longo momento antes de pousar delicadamente o bloco e a caneta no chão, perto dele, então endireitar o corpo, levantar as mãos e sinalizar: Já conheço a linguagem de sinais.
Eu me assustei ligeiramente e senti um aperto na garganta. Ninguém se comunicava comigo por sinais havia seis meses, e isso trouxe meu pai de volta, a sensação forte da presença dele.
– Ah. – Suspirei, e então usei a voz porque estava com Phoebe nos braços: – Está certo. Você deve ter conversado com o seu tio desse modo.
Ele franziu a testa, provavelmente se perguntando como eu sabia sobre o tio dele, mas não perguntou. Por fim sinalizou: Não.
Pisquei, confusa, e depois de algum tempo pigarreei.
– Não? – perguntei.
Não, ele repetiu.
Silêncio de novo.
Eu suspirei.
– Bem, sei que parece meio bobo, mas achei que talvez pudéssemos ser... amigos. Dei de ombros e deixei escapar uma risadinha constrangida.
Tate estreitou novamente os olhos, mas ficou só me olhando, sem escrever nada.
Olhei dele para o bloco, mas quando ficou claro que ele não iria “dizer” nada, sussurrei:
 – Todos precisam de amigos.
Todos precisam de amigos? É mesmo, Violet? Santo Deus, você está soando patética, pensei.
Ele continuou a me encarar.
Suspirei de novo, sentindo-me constrangida mais uma vez, mas também desapontada.
– Muito bem, você está bem assim, imagino. Vou embora agora.
Sinceramente, por que eu estava tão desapontada? Travis tinha razão: esse cara não respondia a amabilidades.
Ele continuou a me encarar, imóvel, os olhos profundos, cor de uísque, cintilando quando comecei a recuar. Queria afastar aqueles cabelos desalinhados do rosto dele e raspar aquela barba para saber como era exatamente o rosto dele. Tate parecia ter um rosto bonito por baixo de tudo aquilo.
Suspirei pesadamente mais uma vez.
– Está certo. Bem, então, acho que vou indo...
Cale a boca, agora, Violet, e simplesmente VÁ. Obviamente essa pessoa não quer ter nada a ver com você.
Senti os olhos dele me acompanhando quando me virei e atravessei a entrada de carros até o portão. Saí e, dessa vez, eu o fechei com força. Me encostei na madeira por um instante, acariciando o queixo de Phoebe de forma distraída e me perguntando o que havia de errado comigo. Por que fizera tudo aquilo? Por que eu simplesmente não pegara minha cachorra idiota e fora embora?
– Cachorra idiota – disse para Phoebe, acariciando-a um pouco mais.
Ela lambeu meu rosto e se agitou um pouco. Eu ri e retribuí o beijo. Quando subi na bicicleta e comecei a me afastar, ouvi o machado tornar a entrar em ação.


Notas Finais


Aqui vai mais um pessoal
A história está quase pronto, estou apenas editando os capítulos e liberando devagar
Boa leitura <3


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