História A voz do arqueiro (Adaptação de Tate e Violet) - Capítulo 8


Escrita por: ~

Postado
Categorias American Horror Story
Visualizações 13
Palavras 1.438
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Romance e Novela, Violência
Avisos: Álcool, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Spoilers, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 8 - Capítulo 8


VIOLET

Acordei ofegante. Antes mesmo que eu pudesse me sentar na cama, fui catapultada para a mãe de todos os flashbacks. Tinha a força e a clareza dos que eu experimentara logo depois do assassinato do meu pai: completo, com meu pai deitado sobre uma poça de sangue, os olhos sem vida voltados para o teto. Agarrei os lençóis da cama, puxando-os com força, ouvindo o mesmo som agudo encher meu cérebro até finalmente começar a recuperar o controle e ver o mundo ao meu redor clarear.
Alguns minutos mais tarde, eu me debruçava sobre o vaso sanitário, com os olhos cheios de lágrimas.
– Por quê? – gemi, me deixando dominar pela autopiedade e pelo sofrimento que as lembranças traziam.
Em seguida me levantei e entrei tremendo no chuveiro, me recusando a passar o resto do dia na cama, como era o meu desejo naquele momento, e como eu fizera por meses depois daquela noite.
O flashback com certeza destruíra a felicidade descuidada que eu havia experimentado na noite anterior.
Tomei um banho rápido, vesti minha roupa de banho, um short e uma regata. Por alguma razão, passar um tempo na prainha em Briar Road me enchia de um tipo particular de contentamento. Sim, eu tivera aquele sonho com o meu pai ali, mas apesar da tristeza de tê-lo perdido, e do sonho ter tocado nessa perda, eu havia despertado dele com uma sensação de esperança. Eu gostava daquele lugar.
Saí na bicicleta com Phoebe acomodada na cestinha da frente. A manhã estava ensolarada e já começava a ficar quente. Era fim de agosto e eu não tinha ideia de quando o clima começava a esfriar no Maine, mas por enquanto a sensação ainda era de verão.
Entrei na Briar Road, deixando a bicicleta correr livre, esticando as pernas para o lado. Tirei as mãos do guidom por alguns segundos e deixei a bicicleta descer por conta própria, saltando sobre as pedras na estrada de terra e rindo alto. Phoebe latiu várias vezes, como se dissesse: “Tome cuidado, maluca.”
– Eu sei, minha carga preciosa. Não vou nos machucar, Phoebe.
Quando cheguei ao lago, estendi a toalha, pousei a caixa térmica no lugar de sempre e fui para a água fria, enquanto Phoebe me observava da margem. A água estava deliciosa, batendo suavemente nas minhas coxas enquanto eu avançava mais no lago. Por fim, mergulhei todo o corpo e comecei a nadar, a água me envolvendo como uma carícia fresca.
Quando me virei e comecei a voltar para a margem, ouvi o ganido de um animal, provavelmente um cachorro grande, parecendo agoniado. Phoebe começou a latir, agitada, correndo de um lado para outro na praia. Saí da água e fiquei parada ouvindo, enquanto o animal continuava a gemer à minha esquerda, na direção da propriedade de Tate Langdon. Imaginei se o terreno dele se estenderia até a prainha. E deduzi que era bem provável. Caminhei até o começo do bosque e, quando afastei alguns arbustos e espiei por entre as árvores, não consegui ver nada além de mais árvores. Mas cerca de 30 metros adiante, vi vários arbustos de amora. Prendi a respiração, animada. Meu pai fazia uma torta de amora maravilhosa. Se ele visse aqueles arbustos... Me adiantei naquela direção, mas quando um galho arranhou minha barriga nua, resmunguei e recuei. Não estava vestida para colher amoras. Teria que ficar para outro dia.
Voltei para onde estava a minha toalha, me sequei e sentei. Passei várias horas ali, lendo e tomando sol antes de eu e Phoebe voltarmos para casa. Como sempre, parei rapidamente diante do portão de Tate, me perguntando outra vez o que diriam as placas que haviam deixado marcas na cerca.
– Está perseguindo o homem, Violet? – sussurrei para mim mesma.
Quando já começava a pedalar, me afastando, ouvi o mesmo ganido agoniado. Esperava que, fosse o que fosse, Tate estivesse no controle da situação.

 

 

 

 

Voltei para casa, troquei de roupa e fui de carro até o centro da cidade, à biblioteca pública de Pelion. Passei uma hora lá escolhendo vários livros novos. Infelizmente, havia deixado meu leitor de e-books em Cincinnati, e tive que voltar aos livros impressos. Até então não havia me dado conta do quanto sentia falta do cheiro e da sensação de segurar um livro nas mãos. Além disso, não era preciso fazer downloads, ou ter uma conta. Eu não entrava no Facebook havia uns seis meses e não sentia falta.
Coloquei a pilha de livros no assento do passageiro do meu carro e fui ao mercado fazer as compras da semana.
Passei um bom tempo passeando por todos os corredores, lendo rótulos e enchendo o carrinho. Quando finalmente me dirigi ao caixa, vi pelas janelas grandes do mercado que já começava a anoitecer.
– Oi – sorri para a moça atrás da caixa registradora.
– Oi – respondeu ela, mascando chiclete. – Algum cupom de desconto?
– Ah, não – retruquei, balançando a cabeça. – Nunca consegui fazer isso direito. Sempre que tento, termino com uma dúzia de caixas de algo que nem como e sabão em pó que deixa tufos enormes de...
Parei de falar quando percebi que a garota à minha frente estava registrando minhas compras com uma das mãos e escrevendo uma mensagem de texto no celular com a outra. Não estava ouvindo uma só palavra do que eu estava dizendo. Ok, sem problemas.
– São 62,87 – informou e voltou a mascar o chiclete.
Quando fui pegar o dinheiro na carteira, vi que só tinha 60 dólares. Merda.
– Ah, droga – falei, o rosto vermelho de vergonha –, lamento, achei que estava prestando atenção. Só tenho 60 dólares. Preciso devolver alguma coisa.
A moça suspirou pesadamente e revirou os olhos.
– O que quer devolver?
 – Hã... – comecei a procurar nas compras que já estavam nas sacolas. – Que tal isso? Não preciso realmente dela.
 Entreguei à garota uma esponja nova que havia comprado apenas para repor a antiga que estava no chalé quando cheguei.
– Ela custa só 64 centavos – disse a moça.
Hesitei e alguém atrás de mim na fila grunhiu.
– Ah, bem, hum, vamos ver... – Procurei um pouco mais. – Ah! Que tal isso? Não preciso delas, na verdade.
Entreguei à moça uma embalagem de lâminas para me depilar. Ela estendeu a mão para as lâminas, mas eu as guardei de volta.
– Espere, na verdade, preciso delas, sim. Sabe como é, origem polonesa...
A garota do caixa estava séria.
– Hã... – Enfiei a cabeça de volta nas sacolas, ouvindo mais grunhidos atrás de mim.
– Ah, obrigada. – Ouvi a garota dizer.
Quando levantei os olhos para o rosto dela, percebi uma expressão confusa. Ela fez um movimento para a direita com a cabeça e disse devagar:
– Ele pagou a diferença.
Confusa, me inclinei para a frente, olhando além do rosto mal-humorado de um senhor que estava atrás de mim na fila e vi Tate Langdon parado atrás dele, os olhos fixos em mim. Ele estava usando um moletom com o capuz levantado, embora não estivesse nem um pouco frio. Sorri, inclinando levemente a cabeça. A moça do caixa pigarreou, chamando minha atenção. Peguei a nota fiscal da mão dela e fui para a extremidade do caixa.
– Muito obrigada, Tate – falei.
Ele manteve os olhos fixos em mim. A moça do caixa e o senhor olharam de mim para Archer, com a mesma expressão confusa no rosto.
– Vou pagar a dívida, é claro.
Eu sorri de novo, mas ele não.
Balancei levemente a cabeça, olhando à minha volta e percebendo que agora as pessoas nos caixas à esquerda e à direita nos observavam.
O senhor pagou os poucos artigos que comprara e passou por mim um minuto depois. Então Tate colocou um saco grande de comida de cachorro no balcão.
– Ah – falei –, eu estava no lago hoje e pensei ter ouvido um cachorro ganindo na sua propriedade. Parecia que ele estava sentindo dor.
Tate relanceou o olhar para mim, enquanto entregava algumas notas para a moça do caixa. Olhei ao redor novamente e notei que todos os olhares continuavam fixos em nós. Tate Langdon não parecia se dar conta disso.
Bufei e sinalizei para Tate:
Essas pessoas são enxeridas, não?
Um leve curvar dos lábios. Uma piscada. Fim.
Ele pegou as compras e passou por mim. Eu me virei e empurrei o carrinho de compras atrás dele, me sentindo boba e constrangida outra vez. Balancei a cabeça e segui na direção do meu carro. Dei uma última olhada na direção de Tate e vi que ele também estava olhando para mim.
Fiquei boquiaberta quando ele ergueu a mão e sinalizou: Boa noite, Violet. Em seguida, virou de costas novamente e, segundos depois, tinha sumido. Encostei no meu carro e sorri como uma boba.


Notas Finais


Boa leitura <3


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