História A voz do arqueiro (Adaptação de Tate e Violet) - Capítulo 9


Escrita por: ~

Postado
Categorias American Horror Story
Visualizações 13
Palavras 1.312
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Romance e Novela, Violência
Avisos: Álcool, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Spoilers, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 9 - Capítulo 9


TATE
14 anos

Eu caminhava pelo bosque, evitando os lugares onde sabia que poderia torcer o tornozelo, desviando dos galhos que poderiam me atingir se me aproximasse demais. Conhecia aquele terreno de cor. Não saía dali havia sete anos.
Irena, à direita, vinha me seguindo, acompanhando meu passo, mas explorando tudo que o seu focinho achasse interessante. Eu tinha que estalar os dedos ou bater palmas se precisasse chamá-la para que me alcançasse. Mas Irena era uma cadela idosa e só me obedecia metade do tempo – eu não sabia se era porque já apresentava dificuldade de audição ou simplesmente porque era teimosa.
Encontrei a rede da armadilha que tio Nate me pedira que o ajudasse a instalar dois dias antes e comecei a desmontá-la. Eu gostava do fato de esse tipo de coisa ajudar a aquietar as vozes que tio Nate parecia ouvir em sua cabeça e também gostava que esses projetos me mantivessem ocupado, mas o que não suportava era ouvir animaizinhos sendo pegos por elas no meio da noite. Por isso, percorria a propriedade desarmando o que tínhamos montado apenas alguns dias antes e procurando outras que tio Nate montara sozinho.
Quando já estava terminando, ouvi vozes, risadas e barulho na água. Pousei no chão tudo o que recolhera e que carregava nos braços e caminhei hesitante na direção dos sons de pessoas brincando no lago.
Assim que cheguei ao limite do bosque, eu a vi. Amber Dalton. Tive a sensação de deixar escapar um gemido mas, é claro, não emiti nenhum som. Ela usava um biquíni preto e nesse momento saía do lago, toda molhada. Senti que estava tendo uma ereção. Ótimo. Isso parecia acontecer o tempo todo agora mas, por algum motivo, quando aconteceu em reação à visão de Amber, eu me senti estranho, envergonhado.
Apesar de me sentir aflito com tudo aquilo, tentara falar a respeito com tio Nate no ano anterior, quando fizera 13 anos. A reação dele fora jogar no meu colo algumas revistas com fotos de mulheres nuas e sair para montar mais armadilhas. As revistas não explicavam muita coisa, mas eu gostava de olhá-las. Provavelmente passava tempo demais olhando-as. E então deslizava a mão para dentro da calça e me tocava até deixar escapar um suspiro de alívio. Não sabia se o que fazia era certo ou errado, mas era bom demais para eu parar.
Estava tão concentrado observando Amber, vendo-a rir e torcer os cabelos molhados, que não vi que ele chegava. De repente, uma voz masculina soou alto:
– Olhem para isso! Há um tarado no bosque! Por que não diz alguma coisa, tarado? Tem algo a dizer? – Então ele murmurou em voz baixa, mas alto o bastante para que eu ouvisse: – Aberração dos infernos.
Travis. Meu primo. A última vez que o vira fora logo depois de perder a voz. Ainda estava de cama na casa de tio Nate, quando Travis e a mãe dele, tia Tori, foram me visitar. Eu sabia que ela estava ali para ver se eu diria alguma coisa sobre o que descobrira naquele dia. Eu não faria isso. Não tinha importância, de qualquer forma.
Travis havia trapaceado quando jogávamos cartas, mas choramingou para a mãe dizendo que eu havia trapaceado. Eu estava cansado e machucado demais, de todas as formas, para me importar. Virara o rosto para a parede e fingira dormir até eles irem embora.
E, agora, lá estava Travis na praia, com Amber Dalton. Senti o rosto quente e vermelho ao ouvir as palavras debochadas dele. Todos os olhos se voltaram para mim. Fiquei parado onde estava, me sentindo exposto e humilhado. Levei a mão à cicatriz, cobrindo-a. Não sabia por quê, mas foi o que fiz. Não queria que a vissem – a prova de que eu era culpado e incapacitado, feio.
Amber olhou para o chão, parecendo constrangida também, mas um instante depois ergueu os olhos para Travis e disse:
– Vamos, Trav, não seja mau. Ele é deficiente. Não consegue nem falar.
Ela quase sussurrou a última frase, como se estivesse contando um segredo.
Alguns olhares se voltaram para mim com pena, desviando ao encontrar o meu, e outros cintilaram, animados e ansiosos para ver o que aconteceria em seguida.
Meu rosto latejava com a humilhação, enquanto todos continuavam a me olhar. Eu parecia estar paralisado. O sangue zumbia em meus ouvidos e eu me sentia tonto.
Por fim, Travis foi até onde Amber estava e a abraçou pela cintura, puxando-a para ele e lhe dando um beijo de língua. Ela pareceu enrijecer, desconfortável, enquanto ele esfregava o rosto no dela, os olhos abertos, fixos em mim.
Foi isso o que finalmente fez meus pés se moverem. Ao dar meia-volta, tropecei em uma pedra que estava atrás de mim e caí esparramado no chão. Pedrinhas sob as agulhas de pinheiros se cravaram nas minhas mãos e um galho arranhou meu rosto. Gargalhadas explodiram atrás de mim e eu me levantei apressado, quase correndo de volta para a segurança da minha casa. Estava tremendo de vergonha e raiva e algo mais que me parecia uma espécie de tristeza. Embora não soubesse muito bem o motivo da tristeza.
Eu era uma aberração. Estava ali, sozinho e isolado, por uma razão. Era eu o culpado de tanta tragédia e tanta dor.
Eu não valia nada.
Saí furiosamente pelo bosque e, quando senti as lágrimas ardendo nos olhos, deixei escapar um grito silencioso, peguei uma pedra e a atirei em Irena, que, desde que as pessoas na praia começaram a zombar de mim, não havia saído do meu lado um só instante.
Irena ganiu e saltou para o lado quando a pedrinha atingiu seu flanco traseiro e então imediatamente voltou para o meu lado.
Por alguma razão, o fato de aquela cadela tola voltar para perto de mim depois de eu ter sido cruel com ela foi o que finalmente fez com que as lágrimas começassem a escorrer sem parar pelo meu rosto. Meu peito arfava enquanto eu enxugava o pranto que descia dos meus olhos. Desabei no chão e puxei Irena para os meus braços, abraçando-a com força, acariciando seu pelo e dizendo silenciosamente desculpe, desculpe, desculpe, sem parar, torcendo para que os cães tivessem o poder de ler mentes. Era tudo que eu tinha a oferecer a Irena. Enfiei a cabeça no pelo dela e torci para que me perdoasse.
Depois de alguns minutos minha respiração começou a se acalmar e as lágrimas secaram. Irena continuou a focinhar o meu rosto, deixando escapar ganidos baixos quando eu parava de acariciá-la.
Ouvi agulhas de pinheiro sendo esmagadas atrás de mim sob o peso dos pés de alguém e soube que era tio Nate. Continuei olhando para a frente quando ele se sentou ao meu lado, encolhendo os joelhos, como os meus estavam.
Por longos minutos, ficamos sentados ali, sem dizer nada, apenas olhando para a frente, Irena arfando e ocasionalmente ganindo baixinho – os únicos sons entre nós.
Depois de algum tempo, tio Nate estendeu a mão e segurou a minha, apertando-a. A mão dele era grossa, seca, mas estava quente, e eu precisava daquele contato.
– Eles não sabem quem é você, Tate. Não têm ideia. E não merecem saber. Não deixe que a opinião deles o magoe.
Ouvi o que ele disse e fiquei revirando as palavras na mente. Deduzi que meu tio tinha visto a cena da praia. As palavras dele não faziam muito sentido para mim, mas me confortaram mesmo assim. Tio Nate sempre parecia estar no limite de algo profundo, mas não conseguia que ninguém mais, além dele mesmo, compreendesse a profundidade de seus pensamentos. Assenti para ele sem virar a cabeça.
Ficamos sentados por mais algum tempo, então nos levantamos e fomos para casa jantar e fazer um curativo no meu rosto.
As risadas e o barulho na água a distância foram ficando mais fracos, até que por fim desapareceram por completo.


Notas Finais


Boa leitura pessoal <3


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