História A voz do Silêncio - Capítulo 46


Escrita por: ~

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Categorias Magnus Chase e os Deuses de Asgard
Personagens Alex Fierro, Annabeth Chase, Blitzen, Hearthstone, Magnus Chase, Mallory Keen, Mestiço Gunderson, Personagens Originais, Randolph Chase, Samirah "Sam" al-Abbas, T.J.
Tags Alex Fierro, Blitzen, Blitzstone, Boy Love, Escolar, Hearthstone, Lemon, Magnus, Yaoi
Visualizações 14
Palavras 4.160
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Comédia, Drama (Tragédia), Escolar, Lemon, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo, Yaoi
Avisos: Bissexualidade, Estupro, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Adivinhem quem voltou!?!?!?!?!?
SIM!
EU!
O CHAPO... COF! COF! COF!
Quer dizer... Euzinha aqui e.e

Voltei e voltei com AQUELE capitulo
Coisas bem intrigantes aconteceram no capitulo de hoje
Estejam preparados

Capítulo 46 - Cela sem grades


Hearthstone

 

Era aterrorizador saber que não havia mais volta. Olhar a sua volta e não reconhecer nenhum daqueles moveis e saber que dali em diante aquelas paredes carmins seriam como as grades de uma prisão deixava Hearth extremamente amedrontado.

Para os desinformados, tudo o que veriam era apenas um garoto sentado no sofá da sala de sua nova casa, encarando as chaves do apartamento com um ar cabisbaixo por conta da tristeza por ter ficado para trás depois que seu querido pai teve que fazer uma escolha difícil ao deixar os dois filhos naquele país e viajar a negócios para o outro lado do mundo.

Mas a verdade era completamente outra. Sentado naquele sofá estava um garoto completamente quebrado, encarando as chaves do que era sua nova cela particular. Sobre suas costas estava o peso da vida de seu pequeno irmão mais novo e em sua garganta estava entalada uma verdade que ele não tinha como contar.

A cabeça de Hearth já não funcionava mais, desde a tarde anterior tudo o que ele vinha fazendo era em seu modo automático. Assim que viu a mensagem no celular, sentiu como se todo o seu mundo tivesse ruído sobre seus pés.

“Ele sempre esteve me vigiando...”

Seus olhos varreram o aposento a procura da câmera escondida que ele sabia que estava ali.

“Mas... desde quando?”

Ele precisou se levantar e procurar em cada canto daquele galpão pela maldita câmera. Revirou o armário, procurou em baixo da mesa, até desmontou a lâmpada, mas não encontrou nada. O que só o fez sentir-se ainda mais inútil e vulnerável do que quando havia começado a busca.

Sentou-se no chão, completamente encolhido, com os joelhos rentes ao corpo e os dedos enroscados com força nos cabelos enquanto tinha uma crise de existência.

“Desde quando?”

“Desde quando?”

As palavras vinham em turbilhão em sua mente, junto a cada momento em que teve ali dentro. No dia em que trancou Blitz no armário, na época em que eram apenas conhecidos, depois naquela tarde quando eles já eram amigos e o moreno foi ali apenas para entregar o monitor e sem querer acabou quebrando a garrafa de vinho do pai. Seus olhos ardem ao lembrar-se do sonho pervertido que teve com Blitzen quando estava descobrindo seus sentimentos pelo moreno e de como se masturbou para se aliviar da tensão que ele havia criado.

“Será que ele viu aquilo também?”

Hearth sentia-se nu como na noite em que esteve nas garras do tio, completamente entregue aos seus desejos, sentiu suas mãos em seu pescoço o apertando com força e viu quando seus lábios formaram uma frase.

“Você está totalmente sobre meu controle!”

Estava prestes a gritar, querendo espantar todo aquele pavor de dentro de si e joga-lo para longe. Mas ao invés disso levantou-se em um salto e saiu correndo daquele galpão, indo para o único lugar em que se sentia seguro.

 

Não soube dizer quanto tempo ficou ali parado encarando as janelas vazias da casa. Ele sabia que Blitzen não estava ali, ele havia saído aquela manhã em uma viagem junto a Jacques e Freya e só voltaria dali a uma semana.

Ainda assim, não conseguiu evitar em ir até a porta e pegar a chave reserva em baixo da tabua da soleira. Seus olhos foram da sala de alfaiate para a escada no canto, por onde ele seguiu subindo os degraus um por um em ritmo lento.

Seus dedos deslizavam gentilmente sobre o corrimão de pinho enquanto ele tentava absorver cada detalhe a sua volta, sentido extrema saudades dos moradores daquela casa. Para cada coisa que olhava, uma lembrança vinha a sua mente.

Lembrou-se do primeiro dia em que entrou ali e da maneira como achou tudo mágico, os manequins, os quadros com capas de revistas onde o nome da loja e de Freya haviam saído, os retratos de família (algo que praticamente não existia em sua casa), a decoração simples e um pouco estranha.

Ele parou no final da escada encarando a cozinha e recordando do dia em que Blitzen decidiu dar uma chance para aquele relacionamento e também do beijo carinhoso que ele lhe deu bem ali naquele mesmo degrau.

“Blitzen...”

Seus pés continuam a se mover em direção a segunda escada, pelo mesmo caminho que ele havia repetido inúmeras vezes naquele ano até a porta próxima ao final do corredor, onde ficava o quarto de Blitzen.

Ele abriu a porta sentindo-se um pouco culpado por estar invadindo aquele lugar, mas logo deixou o arrependimento de lado, deixando um sorriso nostálgico dominar seus lábios enquanto analisava toda aquela bagunça.

“Céus! Parece que passou um furacão por aqui!”

A cama estava cheia de roupas amarrotadas e desorganizadas, algumas estavam jogadas sobre os manequins no canto, enquanto outras estavam sobre as estantes ou escapando das gavetas. Quase não se via a pobre maquina de costura que também havia sido vitima do furacão Blitzen.

“Como ele consegue dormir nisso...”

Um ligeiro pensamento cruzou-lhe a mente. “Será que ele vinha dormindo bem essas ultimas noites?”

Ele fazia aquela pergunta, porque ele mesmo não havia dormido quase nada nas ultimas duas semanas. Em quase todas as noites no segundo em que fechava os olhos, era atormentado por terrores noturnos que muitas vezes nem Heimdallr conseguia apaziguar.

Precisou fechar os olhos e respirar fundo diversas vezes para afastar as lagrimas com o péssimo pensamento de imaginar Blitzen sofrendo por sua culpa, tendo dificuldades para dormir e deixando sua paixão pela moda de lado apenas pelo termino entre eles.

Esforçando-se para afastar qualquer pensamento de sua mente, passou a organizar o quarto, dobrando as calça, colocando os paletós nos cabides e enrolando alguns tecidos até finalmente ter o quarto arrumadinho de Blitzen visível.

Quando estava arrumando a cama, parou e ficou encarando os lençóis escuros, suas mãos afundam no colchão macio e ele não consegue conter-se ao subir na cama agarrar um dos travesseiros, encolhendo-se num forte abraço contra o travesseiro, amassando-o contra a barriga e afundando o rosto na fronha macia.

Aquele quarto estava impregnado com a colônia de Blitzen, o que fazia seu coração doer ainda mais do que já doía ao ter sua mente inundada por cada uma das lembranças que tiveram naquele quarto. O que não eram poucas. Muitas coisas importantes aconteceram ali, o que só deixava tudo pior.

Ainda assim, ele estava seguro ali, sentia-se próximo a Blitzen, quase como se pudesse tê-lo em seus braços naquele instante.

Naquela noite, como clandestino daquela casa, ele conseguiu descansar um pouco seu corpo cansado e sua mente perturbada, mas na manhã seguinte, conforme fazia o caminho contrario, ele parou na soleira da porta, olhando uma ultima vez para o interior daquela casa, trazendo todas as lembranças boas a sua mente e em seguida despediu-se delas, sabendo que dali para frente sua vida seria o pior dos infernos.

 

Mesmo que houvesse se despedido de sua antiga vida, não conseguia aceitar o que estaria por vir. Seus olhos vão para o celular que havia dado um pequeno pulo por conta da nova mensagem entregue.

Destravando a tela, conferiu o que estava escrito.

 

Loveless: Chego tarde hoje, vou ficar de plantão.

Loveless, estarei em casa só por volta das 23:00.

 

Certo, agora sua tortura tinha hora!

Ele não se deu o trabalho de responder, apenas enfiou o celular bem fundo no bolso da calça e esfregou o rosto com as mãos tentando enviar para longe a sensação ruim que o dominava.

Encarou o relógio em cima da lareira, ainda nem era meio dia, o que lhe dava muito tempo para se autotorturar com a espera até a verdadeira tortura.

“O que eu deveria fazer agora?”

Ele não precisava trabalhar, mas não sabia o que fazer com o seu tempo livre. Não tinha nenhuma tarefa para fazer, já que não havia ido para a escola nas ultimas semanas. Então, novamente se perguntava: O que fazer?

Por alguns segundos pensou em ficar por ali, mas aquilo fez sua nuca formigar. Afinal de contar, ele estava no apartamento de Loveless, certamente haveria alguma câmera escondida por ali, ele deveria ter providenciado aquilo para a chegada de Hearth. Muito possivelmente havia uma câmera em cada cômodo...

Sua respiração começa a ficar acelerada, as paredes a sua volta parecem começar a se aproximar, dando a sensação que estava dentro de uma jaula. Sua mão se fecha sobre o peito, agarrando a camisa com força na tentativa de fazer o ar entrar com mais facilidade em seus pulmões. A tentativa não deu muito certo... Estava tendo um ataque de pânico.

Precisava sair dali, precisava ir para um lugar em que o tio não o veria.

Antes que pensasse melhor na ideia, pegou a jaqueta jogada sobre o sofá e saiu, desejando ir para longe dos olhos de seu tio.

 

Estar ao ar livre trouxe certa paz, ao menos ali fora, não havia como o tio estar de olho nele. Ou tinha...

Precisava distrair sua cabeça, afastar aqueles pensamentos ou acabaria surtando. Teve a ideia de ir ao fliperama, descontar todas as suas mágoas nas pobres bolas da máquina de pimball, aquilo sempre o ajudou a se acalmar no passado, por que agora seria diferente? Porém só de se aproximar do prédio sentiu certo incomodo com o número de pessoas no aposento, divertindo-se com os games. Só de se imaginar ali dentro as náuseas tomavam seu estômago o fazendo dar meia volta e apenas caminhar pela cidade.

Vagando pelas ruas cheias do centro, as coisas começaram a ficar ainda mais confusas na mente de Hearth. Sempre que olhava para o rosto das pessoas, via sorrisos sínicos e olhares cheios de luxúria, eram precisos segundos de concentração para que se desse conta que aqueles olhares não existiam, que eram coisas de sua cabeça.

Mesmo que dissesse várias vezes que aquilo era paranoica, não conseguiu deixar que a sensação de perigo inundasse sua mente, fazendo com que seus passos calmos se tornassem um caminhar ligeiro, como o de alguém com pressa para fazer compras no supermercado. Quando deu por si, estava correndo dos olhares de todos.

Não sabia dizer para onde estava indo, apenas deixava que suas pernas o guiassem, torcendo para que elas o levassem para um lugar onde não precisasse mais ter medo. Quando seus pulmões começaram a arder por conta do frio e suas pernas tremerem com o esforço, ele teve que parar.

Ainda estava no meio da rua totalmente vulnerável as outras pessoas que olhavam para ele curiosas, assustadas, preocupadas, indiferentes.

“É inútil...”

Seus olhos arderam com as lagrimas de frustração. Ele fechou os olhos e endireitou o corpo encarando o céu cinzento da tarde.

“Eu não consigo mais fugir de seu olhar...”

Era como se Loveless estivesse em todos os cantos naquele instante e aquilo era apavorante!

Sentia-se um derrotado... Um derrotado cansado e com frio.

Olhou em volta tentando localizar-se, ainda estava no centro, porém não estava reconhecendo muito bem o lugar. Continuou a olhar em volta a procura de um ponto de referencia, até surpreendentemente ver uma casa de chá ali perto.

No mesmo instante seu estomago roncou, o que deveria indicar que já passava do meio dia.

Sem pensar duas vezes entrou na loja, ficando agraciado pelo calor e belo visual simples, lembrava em muito um Starbucks, mas tinha certeza que não era esse o nome do lado de fora, ainda mais que era uma loja pequena, singela  e estava vazia.

Conferiu uma ultima vez se a loja realmente estava aberta, uma garota apareceu no balcão e fez um sinal como se pedindo um minuto. Hearth não se importava em esperar, apenas sentou-se na mesa mais próxima a janela e ficou observando a rua do lado de fora.

Ele voltou a ficar preso em seus pensamentos, analisando as pessoas felizes do lado de fora e quase nem percebeu quando o garçom parou ao seu lado, ele nem o teria notado se o garoto não tivesse puxado a cadeira e sentado na sua frente.

Hearth precisou de alguns segundos para entender o que estava acontecendo, por um segundo não reconheceu aqueles cabelos ruivos presos num coque, aquele rosto cheio de sardas e aquela expressão de desinteresse, só pode reconhecer Malcon quando olhou em seus olhos castanhos.

“Eai! Há quanto tempo não?”

 

O corpo de Hearth agiu por instinto, ele ficou de pé na mesma hora pronto para sair correndo, quase derrubando a cadeira atrás de si no processo. Malcon não pareceu muito surpreso com o gesto, mas mesmo assim ergueu as mãos de maneira defensiva.

“Calma! Relaxa ai! Eu não vim aqui para te sequestra de novo.”

Só naquele instante ele nota que o ruivo usava o uniforme da loja e trazia um cardápio em mãos, que ele deixa sobre a mesa bem devagar como se estivesse se livrando de uma arma.

“Vim atendê-lo.”

As bochechas de Hearth esquentam, ele olha rapidamente em volta agradecendo por não ter ninguém além da atendente na loja (que tentava inutilmente fingir desinteresse na cena) e em seguida volta a sentar, puxando o cardápio para perto de si.

Houve um pouco de dificuldade em concentrar-se em seu pedido, já que não parava de olhar para Malcon e sentir-se incomodado, e um tanto quanto vulnerável (sim, mais do que já estava.)

Por fim, apenas pediu um chá de hortelã com leite e um bolo de morango.

“Certo... Só um momento.”

Seus olhos acompanharam o ruivo voltando até o balcão, ele para ao lado da atendente de antes que sorria enquanto falava algo para o ruivo. Ela realmente parecia feliz e não pareceu nem um pouco chateada quando Malcon apertou suas bochechas a deixando com boca de peixe.

Ele não queria, mas teve que admitir que aqueles dois ficavam fofos juntos...

“Aqui está!”

Malcon deixa o pedido sobre a mesa, mas ao invés de ir embora ele volta a sentar-se a mesa encostando-se na vidraça. Por um tempo ele apenas observou a paisagem antes de finalmente decidir falar algo.

“Pergunte!” foi a única coisa que disse.

“O que?”

“Estou vendo essa sua cara de quem quer fazer uma pergunta, mas não acha que tem intimidade para fazê-la. Então estou de dando permissão! Faça a pergunta.”

Havia se esquecido completamente que quando queria Malcon era bem direto.. e um tanto mau educado.

“Calma, eu só estava pesando o quando foi fofa a cena de agora pouco com a garota na recepção. Vocês parecem ser bons amigos”

Malcon parecia já esperar por aquilo, pois solta um longo suspiro e fica com as bochechas super vermelhas.

“Não somos amigos... Estamos juntos.”

A surpresa foi tamanha que Hearth quase cuspiu todo o chá na cara do ruivo, mas acabou engasgando e tendo um ataque de tosse, quando se recuperou encarou o ruivo que tinha uma cara de “Exagerado...” estampado na cara.

“No duro?”

“Sim, no duro” ele suspira. “Estamos juntos a... oficialmente duas semanas, e olha aqui, não entendi essa sua reação exagerada!”

“Jurava que você era gay...”

“Eu sou gay...” suas bochechas voltam a ficar vermelhas. “Mas Nina é... Diferente... Ela... Ela é quase como Alex... E... Eu gosto dela...”

“Desculpe dizer isso, mas QUE FOFO!!!”

Nem podia acreditar no que tinha acabado de descobrir, aquele nem mesmo parecia Malcon! Malcon o obcecado por Blitzen que fez a loucura de sequestrar Hearth apenas para tentar roubar seu coração mais uma vez. Malcon o garoto rabugento que vivia de mau humor! Era o mesmo Malcon?

Se ainda me permite perguntar... O que faz aqui? Pensei que trabalhasse na loja de seu avô”

“Eu era mais um burro de carga do que outra coisa lá.” Seu olhar fica um pouco tristonho. “Por conta do tiro que levei... eu não consigo mais ergue o braço direito... A fisioterapia deveria ajudar, mas...” sua mão vai até o ombro. “Como eu não podia ajudar muito com a loja e precisava ajudar levando grana para casa, sai a procura de outro emprego e... cá estou.” Seus olhos vão para Nina que atendia um casal. “Foi engraçado... Eu tinha andando para todos os lados e ninguém queria me dar um emprego por conta desse braço ruim, ai... Quando estava quase desistindo e entrei aqui para descansar, ela veio me atender, mas só para avisar que a loja estava fechada.” Um sorriso bobo surge em seus lábios. “Ela deve ter ficado com pena de mim, pois decidiu me oferecer um café. Ficamos conversando, e depois de ouvir minha situação ela... Acabou me dando o emprego... Juro que no começo a achava super irritante e que muitas vezes senti vontade de joga-la longe, mas depois... Comecei a conhecê-la... Conhecer sua dor e... Passei a vê-la com outros olhos... E... Quando dei por mim, estava contando todas as idiotices que um dia eu fiz e ela estava me aceitando do jeito que eu era...”

“Você contou tudo? Tudo mesmo?”

“Tudinho...” o garoto tinha um olhar vago. “Ela inclusive me obrigou a vir aqui falar com você.”

“Falar comigo? Por que?”

Malcon hesita, ele olha para a moça que tinha acabado de entrar e fala rapidamente com ela pondo-se de pé.

“Para começar. Para pedir desculpas, eu fui um grande de um filha da puta quando te sequestrei apenas para fragilizar o coração de Blitzen.” Certo, as surpresas já estão de bom tamanho por aqui. “E também para te agradecer... Por... Não ter desistido de mim...” suas bochechas estavam muito vermelhas, quase camuflavam as sardas. “Sem você eu provavelmente estaria a sete palmos agora... Além disso... se você tivesse me denunciado naquele dia... Eu teria a ficha suja, estaria preso, nunca teria conhecido Nina, muito menos me ajeitado com meu avô... E por isso só tenho que agradecer muito a você, por tudo o que fez e pedir desculpas por tudo que fiz, mesmo não merecendo seu perdão.”

E para deixar o dia mais estranho do que já estava, ele ainda teve mais uma surpresa que foi ver Malcon fazendo uma reverencia para ele e depois saindo um pouco apressadamente para atender a nova cliente.

Agora quem estava com as bochechas coradas era Hearth. Céus ele não conseguia acreditar no que tinha acabado de acontecer ali.

“Só tenho que agradecer muito a você...”

Céus... Como aquilo era estranho...

Mas também reconfortante...

 

A noite foi se aproximando, ele ficou muito tempo na casa de chá, até um pouco depois de fechar para conversar com Nina, que pareceu ficar super empolgada em conhecê-lo. Ela também pareceu notar que o garoto estava abatido e evitando voltar para casa e Hearth apenas contou a mentira de que estava aflito pelo termino do relacionamento, o que deixou Malcon mega surpreso.

“Espera! Você e Blitzen romperam?”

“Faz quase duas semanas.” Três se fosse contar aquela.

“O que houve?”

“Nós... tivemos uma briga feia e... Demos um tempo”

Um enorme V de resignação surge entre as sobrancelhas do ruivo.

“Ah não! Não! Não! Não! Não! Não! Não!!!!! Nem me vem com essa de briga feia!” ele cutuca o peito de Hearth. “Escu... Leia bem os meus lábios, você não vai desistir de Blitzen tão facilmente! Eu não faço ideia do motivo da briga e também não quero saber! Mas eu quero que vocês resolvam! Por que se existe uma pessoa mais cabeça dura e perseverante do que Blitzen nesse planeta, esse alguém é você Hearthstone!” a cada quatro palavras ele cutucava o peito de Hearth para provoca-lo. “Eu não quero saber de desistências! Se o ama vá a luta! Sempre lute pelo que ama! Foi exatamente isso que você e aquele viciado em modas me ensinaram naquele dia no cais!” seus olhos ficam carregados de um brilho estranho. “Não importa a loucura, se for pular de um prédio ou ficar na mira de uma arma, lute!”

Não houve formas de contradizer aquelas palavras, ele apenas confirmou um pouco surpreso e viu o casal se afastando, deixando um rápido sorriso surgir em seus lábios por ver que uma pagina ruim de sua vida estava rumando para um caminho bom.

Agora, ele precisava seguir em direção ao que seria o resto das páginas ruins...

 

Parando em frente a porta do apartamento, ele checou uma ultima vez o celular. Onze e quinze... Será que Loveless já havia chegado?

Pela porta destrancada, possivelmente sim... Ou será que ele havia saído e a deixará aberta? Só havia uma forma de descobrir não?

Contrariando todos os seus instintos que lhe diziam para dar meia volta e procurar pela policia, adentrou o aposento, checando se estava tudo em ordem.

Parado dali da porta, só pode constar que a luz da cozinha estava ligada e que aparentemente Loveless havia chegado em casa pelo par de sapatos na frente da porta. Pensou em abandonar o celular sobre a mesa, se esgueirar até o quarto e se trancar lá dentro, mas o plano foi por água a baixo quando o diabo apareceu na porta da cozinha.

“Finalmente decidiu aparecer! Já estava pensando em ligar para a policia!”

Para que? Para te prenderem? Seu molestador! Era o que queria responder, mas ao invés disso apenas deu de ombros.

“O que foi fazer nesse passeio repentino?”

Fugir de você! “Procurar um emprego.” Mentiu.

“Para que?”

“Ainda tenho que cuidar de Andiron, caso não se lembre!”

“Caso não se lembre, seu pai passou a sua guarda e a de Andiron temporariamente para mim, então eu sou responsável por ambos enquanto ele esta ocupado com o trabalho.” Um sorriso sádico domina seus lábios. “Você só vai ter um trabalho a partir de agora, estar aqui quando eu chegar. Sem atrasos, sem desculpas.”

“E quanto a Andiron?”

“Eu vou pagar o tratamento dele.”

Não é mais do que sua obrigação afinal de contas, tudo isso é culpa sua.

“Eu ainda quero arrumar um emprego.”

“Se é o que deseja, então o faça, mas o quero aqui todas as noites, sem exceção.” Ele estreita os intensos olhos azuis em uma ameaça silenciosa. “Agora se apronte para o jantar...”

“Já jantei.” Hearth tenta seguir para o quarto, mas é interceptado por Loveless que agarra seu ombro e o joga contra a parede com brutalidade.

“Quer dizer então que estamos com tempo de sobra!” ele usa seu corpo para prender o de Hearth contra a parede impedindo que ele usasse qualquer sinal, sendo a única coisa que pode fazer foi negar com a cabeça e apertar os dedos com força contra parede enquanto seu corpo começava a tremer. “É claro que estamos querido sobrinho.” Ele segura o rosto de Hearth apertando suas bochechas. “Se você não quer comer, eu quero.”

Ele se curva sobre Hearth buscando seus lábios num beijo brusco que fez seu estomago embrulhar de uma vez.

“Não importa a loucura, se for pular de um prédio ou ficar na mira de uma arma, lute!”

Nunca antes pensaria que as palavras de Malcon lhe trariam forças, mas foi o que elas fizeram. Num movimento rápido ele conseguiu passar por de baixo do braço de Loveless escapando de seu beijo nauseante e passar o braço nos lábios deixando bem explicito o quanto havia achado aquilo repulsivo.

“Eu não vou deixar você fazer isso comigo de novo!”

“Quem disse que você tem escolha?”

“Eu disse! Sempre tive!”

“Não, você não tem, ou você deixa, ou seu amado irmãozinho vai virar um belo vegetal.”

Os punhos de Hearth tremem com a raiva.

“Pode estar certo disso, mas não quer dizer que eu vá facilitar para você. Não vou me entregar de bandeja!”

“Oh... Esta dizendo que vai lutar?” ele apenas confirma com a cabeça. “Ótimo! Eu gosto quando há um pouco de resistência!”

Um novo sorriso sádico domina seus lábios, esse é de pura empolgação pelo o que estava por vir. Hearth crava seus olhos no tio, que avança contra ele.

“Um soco ou uma cotovelada no queixo do agressor, aplicada do jeito certo vai fazê-lo desmaiar na hora.”

Ele se lembrava bem do movimento que Blitzen havia ensinado e se preparou para acerta-lo em Loveless, teria sido um belo golpe. Um movimento que bem possivelmente faria Blitzen e Jacques se orgulharem dele, se tivesse atingido seu alvo.

Curvando o corpo para trás Lovelesse escapou perfeitamente da cotovelada e dando mais um passo para frente agarrou os ombros de Hearth o jogando para trás. Os dois caem com certa brutalidade sobre o sofá, Hearth bate as costas com tudo e quase perde o ar, enquanto Loveless segura seus pulsos unidos acima da cabeça.

“Boa tentativa. Mas eu lido com loucos o dia todo, estou acostumado a me esquivar e imobiliza-los.” Hearth não desiste de tentar se soltar. “Pare, só vai arrumar hematomas desnecessários.” Ele nega com a cabeça e tenta mais uma vez se soltar. “Como eu gosto disso.”

Loveless se curva sobre Hearth que sente seu halito quente contra a pele de seu pescoço, seguida da sensação asquerosa de sua língua traçando um caminho repugnante de saliva até sua orelha.

Sua respiração já estava falha e as lembranças daquela noite horrenda no galpão estavam reaflorando em sua mente.

Foi nessa hora, que a porta da sala saiu voando das dobradiças.


Notas Finais


Prontinho meus amores
Proximo capitulo eu não sei quando sai
Estou numa correria para acabar os desenhos do meu jogo
Peguei o pc hoje e decidi dar um presentinho para vcs antes de sumir novamente

Mas eu volto
Não se alarmem...


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