História A Winter's Gift - Capítulo 29


Escrita por: ~ e ~lewandowska

Postado
Categorias Bastian Schweinsteiger, Benedikt Höwedes, Lukas Podolski, Mats Hummels
Personagens Personagens Originais
Tags Família, Hömmels, Jonas Hector
Exibições 43
Palavras 4.515
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Famí­lia, Lemon, Romance e Novela, Yaoi
Avisos: Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Boa leitura!

Pov do Bene <3

Capítulo 29 - Masks Everywhere


Fanfic / Fanfiction A Winter's Gift - Capítulo 29 - Masks Everywhere

— Sua vida nunca esteve tão agitada como esteve nesses últimos dias, hein?, — Manuel perguntou assim que nos sentamos numa mesa mais afastada do bar

 

Já era fim do expediente do meu primeiro dia após o meu retorno na empresa e Manuel me convidou para conversarmos mais à vontade naquele bar que nós costumávamos frequentar. Antes de irmos, eu havia mandado uma mensagem para Mats avisando que eu voltaria mais tarde para casa, mas em tempo para o jantar. Ele me respondeu rapidamente dizendo que iria comprar uma fantasia para a festa de Halloween que teria na escola de Jonas na próxima semana.

 

— Realmente, — Respondo Manuel assim que pedimos cerveja, — Nunca pensei que isso tudo fosse acontecer comigo

— O departamento inteiro ficou perdido sem você, — Manuel comentou em seguida dando risada, — Achei desnecessária essas férias forçadas que te deram

— Eu achei válido… Eu fui exposto e consequentemente a empresa também seria

— Falando em exposição… Que belo soco você acertou no Durm, — Ele permaneceu rindo, — Nunca soube que você tinha esse lado boxeador

— Você não sabe a dor que eu senti na mão após esse soco, — Me entreguei à risada

— Eu imaginei… Bem, havia vídeos na internet desse momento e eu inevitavelmente vi, — Manuel parou de falar assim que nossas bebidas chegaram, — Mas por que você bateu nele? Você estava bêbado, dava pra notar isso, mas o que te motivou?

— Se eu te falar, você não vai acreditar…

— Eu pensei que fosse pelo fato dele ser jogador do Dortmund, mas aí lembrei que você é casado com um torcedor do Dortmund e…

— Eu sempre achei que o Durm dava em cima do Mats, principalmente após assistir o programa de Mats em que ele participou — Eu o interrompi, — Eu e Mats tivemos algumas brigas por conta do meu ciúme em relação a isso, mas nós dois tínhamos nos acertado e bem, eu confio em Mats e sei que ele jamais faria comigo o que o… Você sabe quem, fez comigo, — Mordo meu lábio e Manuel concorda com a cabeça. Manuel era um dos únicos que sabia do meu relacionamento fracassado e traumatizante que tive antes de conhecer meu marido, — Mas sério, você tinha que ver como ele praticamente se jogou em cima de Mats na festa de aniversário de Bastian

— Você está me dizendo que Erik Durm dava em cima do Mats?

— Sim, — Dou risada de sua expressão confusa, — Mas no dia da festa de Bastian, nós havíamos combinado de que eu não iria beber, pois eu estava dirigindo e enfim, tudo correu bem, mesmo com aquele lá se insinuando para Mats… Eu não reagi até porque eu conheci Julian Draxler naquela noite

— O Draxler?, — Manuel ri, — Que eventualmente também estava envolvido na briga

— Eu não consigo me lembrar de muita coisa, mas pelo que me lembro ele só me segurou… Nem sei o motivo de envolverem o nome dele, — Digo e Manuel ri, — No dia da briga, Mats acabou me deixando sozinho até porque a festa era do trabalho dele e eu acabei exagerando na bebida… Draxler me fez companhia até, mas enfim, lembro que Mats foi ao banheiro e no instante seguinte Durm estava pra entrar lá e eu já confuso pela bebida só quis socar a cara dele, pois achava que ele iria, você sabe...

— Agarrar Mats?

─ Na minha cabeça sim, mas agora vem a melhor parte, ─ Continuo, ─ Ele realmente estava dando em cima dele, ele mesmo confessou para Mats

— O que?, ─ Manuel perguntou surpreso, ─ Ah, então ele mereceu o soco e digo mais… Você bateu pouco nele

 

Dou risada de Manuel e continuamos a nossa conversa, bebemos mais uma duas cervejas e decidimos voltar para as nossas casas.

 

xxxx

 

— Amor? Jonas?, — Chamo pelos dois assim que entro em casa e noto que as luzes da sala estavam acesas, mas não havia sinal de nenhum dos dois, só de Thor que me recebeu com um brinquedo na boca, — Olá, Thor, cadê os dois?, — Pergunto para o cachorro que continuava com o brinquedo na boca e abanava o rabo, — Ok, você só quer brincar, — Pego o brinquedo de sua boca e jogo no corredor, fazendo com que o cachorro corresse

— Aiai papai!, — Ouço a voz de Jonas, — Tá apertando!

— Aí estão vocês…, — Digo assim que os encontro no quarto de Jonas. Mats estava sentado na cama enquanto tentava ajustar a fantasia dele

— Papai Bene!, — Jonas se afasta de Mats e corre em minha direção para que eu o pegue no colo e assim que o faço, ele beija meu rosto e sorri

— Como está o meu campeão?, — Pergunto assim que o volto no chão

— Eu estou bem, hoje o tio Thomas nos ensinou uma nova música, aí depois papai Mats e eu fomos comprar fantasia para usarmos na festa de Halloween da escola…

— Que dia agitado, hm?, — Sorrio enquanto vou até Mats e selo nossos lábios brevemente, — E do que você está vestido?

 

Jonas me encara enquanto colocava as mãozinhas na própria cintura.

 

— O que foi?

— Eu estou vestido de homem de ferro, papai Bene!

— Oh, homem de ferro!, — Dou risada ao ver que Mats me encarava e reprimia o riso, — Claro, homem de ferro… Você está um ótimo homem de ferro

— Vocês vão de quê?, — Jonas perguntou em seguida, assim que Mats o ajudou a retirar sua fantasia

— Hm… Não sei, papai Mats é que sabe dessas coisas, — Pisco pro meu marido que balança a cabeça, — Vamos jantar?

— Vamooooooooos, — Joninhas voltou a pular no meu colo e nós três fomos até a sala, onde Mats arrumou rapidamente a mesa

xxxx

Depois de uma semana relativamente tranquila, finalmente havia chegado o dia da festinha na escola de Jonas. O próprio parecia muito animado e corria de um lado para outro da casa com sua fantasia enquanto eu e Mats tentávamos decidir o que iríamos vestir. Até porque eu não me sentia muito confortável em usar uma fantasia de vaqueiro. Sim, Mats havia comprado essa fantasia para mim e não, eu não iria usar.

 

— E se nós invertêssemos os papéis? Eu vou de Mats e você de Benedikt

— O quê?, — Ele perguntou aos risos

— Eu vou vestido de jornalista e você de engenheiro… Eu uso algumas coisas suas e você usa alguns pertences meus

— Que susto, achei que você estava propondo que eu usasse aquele pano de chão azul real

— Você não é digno de usar o manto, — Finjo ficar ofendido, — É claro que eu não estava falando disso… Eu que não quero usar essa camisa amarela horrorosa, — Dou risada assim que ele me mostra o dedo do meio, — E aí? Aceita ou não?

— Ridículo, — Mats balança negativa a cabeça mas acaba por rir, — Aceito sim, acho que pode ser legal! Eu sempre quis usar aquele capacete

 

Dou risada, pego alguns dos meus equipamentos e o entrego.

 

— O que eu posso usar seu, hm?

— Pra começar você pode se vestir bem, né? Brincadeira, amor, — Mats sorriu pra mim, — Hmm, eu ainda tenho um microfone de quando tive aula de telejornalismo

— Você sendo esse amor de pessoa, — Rolo os olhos, — Você poderia me emprestar seus óculos… Acho você sexy quando usa

— Só quando uso óculos?

— Hmmm…, — Me aproximo dele e o encosto na parede mais próxima, — Te acho sexy quando você acorda, quando você sorri pra mim, quando você me diz bom dia, quando você respira, quando você ri e quando dorme também…, — Dou risada enquanto distribuo beijos em seu rosto e pescoço, — Te acho sexy quando você está lá na cozinha cuidando do jantar e quando você está deitado no sofá, além do mais, te acho sexy quando rola os olhos e quando morde os lábios… Bem, a lista é extensa e eu posso continuar se você quiser

— Eu prefiro que você me beije

— Eu estou te achando sexy nesse exato momento, — Rio mais uma vez antes de tocar em seu rosto e o puxar para um beijo que logo foi interrompido por Jonas abrindo a porta de nosso quarto

— Papaaaaaaais, — Ele entrou no quarto no mesmo momento em que me afastei de Mats, — Vocês… Vocês não estão com fantasia de nada, — Ele cruza os bracinhos e nos encara

— Nós estávamos pensando na nossa fantasia, filho…

— Seeeeei…

 

Eu olho para Mats que também me olha e se afasta, talvez para buscar algo que eu possa usar na festa. Jonas ainda me encarava e eu não pude deixar de rir.

 

— Nós vamos nos vestir agora, tudo bem?

— Tá bom… Não demorem, — Ele diz e se retira do quarto, chamando por Thor que logo se juntou a ele para brincar

— Olha só esse menino… Parece mais adulto que nós dois juntos, — Sorrio bobamente e me volto para Mats que me entregou alguma de suas roupas para que eu vestisse

 

Acabo vestindo uma camisa branca e uma calça jeans e dou risada quando Mats me entrega seu óculos. Assim que eu termino de me arrumar, me viro para Mats e imito seu sorriso.

 

— Boa taaarde, amigos da Fox Sports! Este é mais um Tor Zeit!, — Imito o seu jeito de se apresentar e me entrego a risada em seguida

— Cálculos, plantas, desenhos, régua, compasso, calculadora. Acho que meu repertório sobre engenharia é só esse mesmo, — Mats riu e deu de ombros

— Tem muito mais, mas você já tem a base, — Ajudo-o a terminar de abotoar a camisa, que por acaso é minha e em seguida coloco meu capacete em sua cabeça, — Você é uma das poucas pessoas que consegue ficar bonito com isso, — Brinco e selo nossos lábios mais uma vez

— Então eu estou sexy de engenheiro?

— Muito… Ainda bem que você não é um de verdade, pois ia me dar muito trabalho

— Você não ia conseguir se concentrar se eu trabalhasse com você é? Hmmm, mas devo dizer que você não está nada mal com esse jeans… A audiência do programa ia aumentar muito com você lá, sabia?

— Nem um pouco, — Mordo e puxo seu lábio, — Hm, será que eu seria um bom apresentador?

— Eu não ia querer te dividir com o país todo, — Mats segura em minha cintura e me puxa para ainda mais perto

— Talvez nem eu quisesse ser dividido… Eu sou só seu, amor, — Digo com um pequeno sorriso nos lábios enquanto o encarava nos olhos

 

Mats sorriu junto ao ouvir minha resposta e me abraçou, ficamos daquele jeito por um bom tempo até que Jonas voltou a nos chamar, e por incrível que pareça, nos apressou. Claro que nós dois não podíamos deixar de rir com aquela situação enquanto terminávamos de nos arrumar.

—  Por que o papai Mats está usando esse chapéu engraçado?, — Jonas perguntou curioso ao encarar Mats assim que fomos ao seu encontro na sala, —  Do que vocês estão vestidos?

— Eu estou vestido de papai Mats e ele está de vestido de papai Bene, o que você achou?

— Isso é confuso…, — Ele coçou a nuca e riu em seguida, — Mas está engraçado, papai Bene, ou melhor, você agora é o papai Mats né?

— Só por hoje, — Respondo baixo e pisco pra ele que ri, — Agora vamos logo, Benedikt, estamos atrasados, — Imito o jeito de falar de Mats que rola os olhos, mas ri em seguida

— Você quem atrasa sempre, Hummels, — Mats disse depois de rir

— Vamos?, — Pergunto e Jonas acena animadamente com a cabeça e já veste sua máscara

— O Thor não pode ir?, — Ele pergunta ao encontrar o cachorro deitado num canto da sala nos encarando com um semblante triste. O cachorro havia adquirido esse hábito toda vez que iriamos sair e sempre comovia os dois

— Hm… Thor não tem bem uma fantasia, — Respondo, — Ele vai ficar cuidando da casa, está bem?

— Ahhh…, — Ele suspirou triste, — Cuide da casa, Thor, — Ele acaricia os pelos do cachorro e assim nós nos retiramos de casa

— Você dirige, Höwedes, — Falo para Mats assim que abro a porta para Jonas entrar em nosso carro e logo coloco o cinto de segurança nele, — É estranho te chamar pelo meu nome, — Digo para meu marido assim que me acomodo no banco do carona

— É estranho te ver tão bem vestido, — Mats olha pra mim com um risinho nos lábios e em seguida dá partida no carro

— Como você é ridículo, Hummels, — Rolo os olhos, — Nem merece ser chamado pelo meu nome mais, — Cruzo meus braços, fingindo estar bravo, — Eu me visto muito bem, obrigado

— Jonas, você não concorda que o papai Bene está muito mais bonito com essas roupas?

 

Nosso filho se inclinou o máximo que pode e ainda com a máscara se virou para mim. Quis rir daquilo, mas mordi meu lábio reprimindo a risada.

 

— Eu não sei…, — Respondeu com sua voz esganiçada e eu não pude mais me segurar, devido a cara de Mats

— Não foi dessa vez, — Pisco para Mats ainda rindo

— É uma criança doce, não quis ferir seus sentimentos

— Doce? Quero!, — Jonas interferiu, — Onde tem doce, papai Mats… Quer dizer, papai Bene?

 

Mats riu e se virou rapidamente para olhar nosso filho.

 

— Vai comer bastante doce mais tarde, filho, se acalme

— Obaaaa!, — Ele levantou os bracinhos e voltou para o seu lugar

 

Encarei Mats por instantes e sorri sozinho, voltando a olhar para as ruas onde passávamos.

 

— Parece até bobo o que vou dizer, mas eu estou muito feliz, mesmo me sentindo levemente estranho usando suas roupas, — Brinco

— Algum motivo especial para essa felicidade?, — Ele me olha de relance, mas logo volta sua atenção para o trânsito

— Estar ao seu lado já é motivo o suficiente pra estar feliz, — Sorrio pra ele

— Vocês não vão se bei-jar agora não, né?, — Jonas disse com sua voz abafada pela máscara

— Não, não vamos nos bei-jar agora, — Olho para nosso filho e olho para Mats em seguida

— Logo você vai aprender que é normal pessoas que se amam se beijarem, Joninhas

— Eca!, — Ele resmungou

 

Nós dois rimos mais uma vez enquanto seguíamos nosso trajeto até a escola de Jonas. Por sorte o trânsito estava tranquilo e logo Mats já estava procurando por uma vaga para estacionar.

 

— Onde você vai?, — Pergunto para Jonas que sai correndo assim que o ajudei a desembarcar, e é bem provável que ele sequer tenha me ouvido. Mats aparece ao meu lado e juntos nós vamos até o reencontro de Jonas que estava cercado de diversas crianças, todas fantasiadas, — Parece que fomos trocados, — Comento com Mats que ri e concorda

 

Nós esperamos até o momento em que Jonas e as demais crianças resolveram entrar e notei que Mats trocava mensagens com Bastian, questionando o lugar onde ele e Lukas estavam, visto que os dois já haviam chegado. Assim que Bastian nos passou sua localização, fomos ao seu encontro e logo nos juntamos na mesa.

 

— Vocês estão… Fantasiados?, — Lukas pergunta ao analisar as nossas roupas

— Ah… Bem, a festa é à fantasia, não?, — Olho ao redor e noto que somente as crianças estão fantasiadas

— Para as crianças e não para os pais…, — Lukas responde aos risos e Bastian o acompanha, — Ainda bem que estão relativamente discretos… Com exceção do Mats com esse capacete… Cara, você está muito esquisito com isso

— Amor, me defenda, — Mats me cutuca, mas acaba rindo e em seguida tira o capacete, — A gente ia vir de vaqueiro, talvez tenha sido a melhor coisa pela qual eu já desisti  

— Só eu te achei sexy com esse capacete, — Pego os meus acessórios que Mats usava, bem como os dele e os escondi embaixo da mesa, — Vamos fingir que ninguém viu e que não estávamos usando nada disso… Embora eu ainda esteja usando suas roupas e você as minhas, mas tudo bem, ninguém precisa saber

— Inclusive só percebi que você estava fantasiado porque essas roupas caíram muito bem em você, — Bastian disse e eu rolei os olhos

— Eu estou dizendo isso pra ele desde que ele as vestiu…

— Vocês combinaram por mensagem em me zoar, é isso?, — Balanço a cabeça, — Você não tem muita moral pra falar de mim, Bastian, — Brinco e Lukas gargalha

— Você não precisava passar por isso, amor, — Lukas diz em seguida, — Você ficou diferente, Benedikt, se você não estivesse fantasiado de Mats, claramente eu acharia que o mosquitinho da moda havia te picado

— Até você, Lukas?, — Pergunto dramaticamente, — Eu não me visto tão mal assim, não sei porque vocês estão falando tanto…

— Não é questão de se vestir mal, amor, mas é que escolher a cor certa, um jeans bom e uma camisa social Hugo Boss faz muita diferença. Não vou comentar sobre o que essa calça fez para sua bunda e pernas porque estamos em público, mas realmente… Parabéns. Ou parabéns pra mim, não sei, — Mats ri e Bastian e Lukas o acompanham

— Bom Mats, eu acho que você deve deixar que Bene continue escolhendo as próprias roupas, — Lukas diz, — Perigoso ele sair assim sozinho e não me levem a mal, eu devo concordar que essa calça está marcando muito bem todos os seus atributos

— Lukas!, — Bastian e Mats o repreendem e eu só sei dar risada, sentindo meu rosto corar levemente

— Fiquem longe do banheiro, pelo amor de deus, — Bastian comenta baixinho em seguida, — E Lukas, você não sai do meu lado até voltarmos para nossa casa

— Um banheiro de escola infantil não me parece muito excitante, — Digo em seguida e encaro Mats, — E acho que não vou me levantar tão cedo sabendo que minha bunda está tão destacada como vocês estão dizendo

— Mas os banheiros da nossa casa…, — Mats pisca pra mim, — Você é lindo sempre, amor

— Os banheiros da nossa casa estão sempre disponíveis e são extremamentes excitantes

— Me lembrem de nunca usar o banheiro na casa de vocês, está bem?

— Quem vê pensa que vocês não fazem nada do tipo, — Comento

— Não em banheiros…

 

Nós quatro rimos e voltamos nossa atenção para a festinha infantil que parecia cada vez mais animada, com diversas crianças fantasiadas dos mais diversos temas correndo de um lado para o outro.

 

— Eu nem consigo mais ver Jonas, — Digo para Mats, passando meu braço em seu ombro, — Você já o localizou?

— Tá ali do lado do Homem-Aranha, — Mats disse e apontou para o canto esquerdo, foi quando eu o localizei e sorri

— É o Louis, — Bastian comentou

— Foi o que pensei, — Eu e Mats rimos

— 1, 2, 3… Testando… Wow, isso está alto, hm, olá a todos, pais, mães e crianças, — O “tio” Thomas, professor de Jonas, se pronunciou assim que ligou o microfone, chamando a atenção de todos os presentes, — Sejam bem vindos a mais uma festinha em nossa amada escola, espero que todos se divirtam hoje… E para começar as nossas brincadeiras quero que vocês crianças busquem os pais de vocês, vamos brincar de dança das cadeiras

 

Eu e Mats nos entreolhamos até o momento em que nosso homem de ferro veio correndo em nossa direção.

 

— Todos estão levando um pai só, mas eu tenho dois, — Jonas diz, retirando a própria máscara, — E agora?

— Quem você quer que vá?, — Eu pergunto pra ele que olhava para nós dois, perdido

— Eu queria os dois, vocês são meus papais…

— Mas só pode um, filho, — Digo ainda sorrindo pelo o que ele tinha acabado de dizer, — Nós não vamos ficar chateados

Jonas ainda nos encarava confuso e com um leve bico formado nos lábios.

 

— Jonas?, — Seu professor o chamou, — Traga seu papai para começar a brincadeira

— Eu não sei…, — Sua voz saiu trêmula e eu olhei para Mats, fazendo um sinal com a cabeça para que ele fosse brincar com nosso filho

— Papai Mats vai com você, hm?, — Beijo o topo de sua cabeça e deixo com que ele se afaste junto com Mats que agora segurava em sua mão e o levava até o centro do pátio onde a brincadeira seria realizada

— Então quer dizer que o moreno é o pai e o loiro é a mãe…, — Ouço um comentário vindo de outra mesa e me viro para encarar a pessoa que havia dito tal absurdo, — Eles não são aquele casal que se assumiu em público pouco tempo atrás? Sempre quis saber quem é a mulherzinha da relação, — Estava prestes a responder algo, mas Bastian tocou em meu braço, chamando minha atenção

— Não ligue pra esse tipo de coisa, — Ele respondeu baixo, — Infelizmente estamos expostos a esse tipo de comentário infeliz e você sabe que discutir não vai levar a lugar algum

— Isso não é justo, Bastian

— Não é justo, mas infelizmente não somos nós que vamos mudar a cabeça dessas pessoas

 

Eu tento relaxar na cadeira onde estou, mas me sinto não só chateado, mas muito irritado, principalmente com a continuação daquele tipo de comentário somado a risos irônicos.

 

— Eu não sei se vou conseguir ficar calado, Bastian

— Eu e Lukas passamos pelo mesmo no primeiro ano de Louis… Eu nunca vi Lukas chorar como ele chorou naquela noite, — Eu o encarei, — Estávamos completamente despreparados, desarmados para esse tipo de situação… Infelizmente muitas pessoas mantém esse tipo de pensamento cruel sobre nós, sobre nossos relacionamentos e sobre o modo que criamos nossos filhos, — Ele continua, — Meu conselho é que você e Mats sigam firmes, finjam que não escutam nada e sorriam para Jonas… Ele não precisa ser afetado por essa merda toda

 

Eu volto meu olhar para Mats e Jonas que pareciam se divertir e permito sorrir fraco, principalmente ao notar que eles já estavam entre os finalistas da brincadeira.
Mas o meu sorriso não dura muito, pois logo começo a lembrar de tantos momentos ruins que eu e Mats passamos no passado, os comentários que ouvíamos, as piadas sem graça que desconhecidos e até mesmo conhecidos faziam para nós dois. Sempre fora muito difícil e doloroso lidar com aquele tipo de coisa, mas tudo se tornava pior quando tinha uma criança no meio, principalmente uma criança que nós dois amávamos tanto. O nosso filho.

 

— Logo essa escola estará cheia de dois homens e duas mulheres que se dizem pais e mães… Eu tenho é dó dessas crianças… Imagina o quão traumatizante é ver dois homens ou duas mulheres se beijando e dizendo que isso é normal?, — Os comentários continuaram e dessa vez até Bastian pareceu tenso ao meu lado, — Essas crianças… Imagine o futuro delas? Certamente serão viadinhos como os pais…

— Chega…, — Eu me levanto e antes que Bastian tente me segurar ou qualquer coisa semelhante, eu pego meus pertences e os acessórios que havíamos trazido, — Diga para o Mats que eu fui tomar um ar, ok?, — Falo para ele que apenas concorda com a cabeça e com isso eu me retiro às pressas daquele local que em um instante se tornou tão desprezível e sufocante

 

Eu não sei ao certo como consegui chegar até o nosso carro já que eu não conseguia enxergar um palmo a frente devido a raiva e a frustração de todos aqueles comentários que fui obrigado a ouvir.

Me perguntei se a falta de uma mãe iria — realmente atrapalhar o desenvolvimento de Jonas ou se eu e Mats conseguiríamos suprir essa necessidade materna dele. Me perguntei também se eu Mats éramos e seríamos os pais ideais para ele e o que seria dele no futuro… Todas aquelas palavras usadas por aquelas pessoas haviam me afetado, muito mais do que poderia ter me afetado no passado.

Eu não sei quanto tempo havia passado desde o momento em que praticamente me joguei dentro do nosso carro, mas quando dei por mim, notei que algumas pessoas já começavam a ir embora. Olhei meu celular e vi que Mats havia me ligado algumas vezes e mandado diversas mensagens e eu até pensei em respondê-lo, mas mudei de ideia ao vê-lo ao longe se despedindo de Lukas e Bastian que mantinham um semblante chateado no rosto. Encostei minha cabeça no banco e esperei que meu marido e nosso filho entrassem no carro.

 

— Aí está o papai, — Jonas comentou rindo ao entrar no carro, — Está tudo bem, papai Bene?

— Está sim, filhote, — Forço o meu melhor sorriso e agradeço mentalmente o fato de Jonas não ter percebido que eu não estava nada bem, — Se divertiu?

— Bastante… Eu e o papai Mats ganhamos em todas as brincadeiras, não é mesmo, papai Mats?, — Ele perguntou para Mats assim que ele entrou no carro

— Oh, sim. Jonas foi o melhor de todos, sem dúvida, — Mats, que estava virado para trás para olhar nosso filho, agora virou-se para me olhar e me deu um sorriso reconfortante. Meu marido buscou por minha mão e apertou a mesma, — Agora vamos pra casa, hm?

— Vamoooos, — Jonas disse animado, — Estou com saudades do Thor

Eu revezei meu olhar entre Mats e Jonas antes de colocar o cinto de segurança e fechei meus olhos, respirando fundo enquanto Mats nos guiava até nossa casa.

 

xxxx

 

— E então eles foram felizes para sempre… E você dormiu, — Sorrio ao ver que Jonas já havia pegado no sono e beijo seu rosto antes de cobri-lo com o edredom, — Você é o melhor presente que eu e Mats poderíamos ter ganhado, — Acaricio seu cabelo, — Sei que você será um adulto brilhante, — Me levanto após suspirar e guardo o livro que usei naquela noite na estante. Em seguida, me retirei do quarto e encostei a porta, indo até o meu quarto, me deparando com Mats que estava sentado em nossa cama e agora me encarava, — Oi…

— Oi…, — Ele me deu um sorriso mínimo e logo fez sinal para que eu me sentasse ao lado dele. Assim que me sentei na cama, senti os braços dele me envolverem e devolvi o abraço, mesmo que desajeitadamente, — Você está bem?

Solto uma risada nasalada e balanço a cabeça negativamente.

— Nem um pouco bem

— Bastian me contou por alto, não pudemos conversar direito porque os meninos estavam com a gente…, — Senti seus braços me apertando e em seguida também senti um beijo em meu ombro, — Nós somos os pais do Jonas, nós somos a família dele, ok? E não importa o que as pessoas digam, nós estamos fazendo o melhor para ele. Nosso filho está feliz, hm?

— Eu sei… Ainda mais quando lembro do lugar que ele estava, sozinho… Mas é tudo tão difícil, — Eu me aconchego mais nos braços de Mats que aperta mais o abraço, — Certos comentários nunca me atingiram, mas agora com Jonas conosco, parece que tudo se torna pior, mais doloroso… Eu fico receoso por Jonas, sabe? Por comentários maldosos em cima dele, ele não merece isso

— É doloroso sim… Ele nunca se queixou de nada, então por agora não precisamos nos preocupar, ok?, — Mats se afasta e em seguida segura meu rosto com as mãos, — São pessoas ignorantes e pequenas, a vida vai se encarregar delas, não cabe a mim nem a você pensar nelas. Lembra como fizemos antes? Sabe, quando começamos a namorar? Nós lutamos com amor, mostramos como somos felizes, como nos amamos… Agora somos uma família, uma família linda. O que é melhor do que continuarmos sendo?

 

Eu sorrio e permito que Mats me beije até o momento em que o ar se faz necessário e o sono nos domine. Quero agradecê-lo por tudo e principalmente por ser meu porto seguro, mas de uma forma ou de outra ele deve saber o quanto sou grato e o quanto estou disposto a manter a nossa família e sobretudo cuidar, amar e proteger o nosso filho.

 


Notas Finais


Eita pirra
E aí, o que acharam?
Sexta que vem tem mais
Beijos e boa semana para todxs!


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