História A wounded lion - Um leão ferido - Capítulo 4


Escrita por: ~

Postado
Categorias As Crônicas De Gelo e Fogo (Game of Thrones)
Personagens Cersei Lannister, Daenerys Targaryen, Jaime Lannister, Jon Snow, Personagens Originais
Tags Cersei Lannister, Daenerys Targaryen, Game Of Thrones, Jaime Lannister, Jon Snow
Visualizações 98
Palavras 1.657
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Fantasia, Romance e Novela, Universo Alternativo
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo, Spoilers
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Enfim, o último capítulo. Terminam aqui as aventuras de Jaime e Visenya. Agradeço muito aos meus leitores pelo retorno positivo que tive ao escrever essa história, aos elogios que fizeram crescer ainda mais meu sonho de escrever. Muito obrigado por acompanharem, comentarem e favoritarem esse texto. Sem vocês, escrever seria um exercício vazio de valor. Espero que esse capítulo satisfaça a todos e cada um de vocês! Um beijo, G.

Capítulo 4 - Um leão e um veado


   Eu estava em um lugar lindo. Era um jardim, tão florido quanto um jardim pode ser. Tudo era vívido: as cores, os cheiros, os sons. Eu podia ouvir pássaros a cantar, pássaros que eu nunca havia ouvido antes. As flores exalavam o perfume mais exótico que eu jamais havia sentido, e tudo era belo. O céu era azul, completamente azul. Meu vestido não era mais de um cinza sem vida; agora eu vestia seda branca, digna de uma lady. Eu sorri. Minhas costelas não doíam mais. Não queimava mais em febre. Tudo estava perfeito.

   Corri sem rumo pelo jardim, rodopiando entre os canteiros. Uma enorme árvore branca com as folhas avermelhadas estava plantada no meio dele; ela tinha um rosto esculpido em seu tronco. “Um represeiro, como os de Westeros”— pensei — “Os nortenhos rezavam para os antigos deuses embaixo de árvores como essas. ” Me sentei na grama verde aos pés dela e olhei para o seu rosto triste. Ela era a única coisa ali que não era feliz, a única coisa realmente triste em meio a todo o esplendor do jardim.

   — Volte.

   Olhei ao meu redor, assustada. Não havia mais ninguém naquele lugar. Quem poderia ter dito aquilo?

   — Por favor, volte.

   A voz... Eu já havia ouvido aquela voz em algum lugar.

   — Eu não posso te perder. Por favor.

   De repente, tudo voltou à minha mente. Eu havia sido capturada, e Marvo havia me ferido gravemente. E Jaime... aquela era a voz de Jaime!

   — Jaime! Jaime! Eu estou aqui! — segurei meu vestido e comecei a correr na direção da qual eu pensava vir a voz dele.

   — Visenya, não me deixe.

   — Não vou te deixar! Eu estou aqui!

   Eu corria o mais rápido que podia, meus pulmões doíam. Eu precisava encontrar Jaime, mas como? Então, avistei um lago. “Vá até lá. Vá! ”, a voz em minha cabeça gritava. Suas águas eram negras e pareciam ser profundas, porém algo me puxava irremediavelmente para elas. Eu precisava pular. E foi o que eu fiz.

XXX

   — Você não pode ir embora. Por favor. Por favor. Fique comigo.

   Jaime estava sentado em uma cadeira ao meu lado, o rosto entre as mãos. Era um quarto modesto, mas confortável. Eu estava deitada em uma cama, minhas costelas doíam mais que nunca, mas eu estava viva. Ele me trouxera de volta.

   — Eu não vou a lugar algum. — murmurei fracamente.

   Ele ergueu a cabeça, incrédulo.

   — Eu devo estar sonhando.

   — Não, não está. — tentei sorrir, mas uma pontada de dor transformou minha tentativa em um fracasso. Mais que depressa, ele foi até um armário que havia no canto do quarto e apanhou um frasco com um líquido branco. 

   — Tome, é leite de papoula. Vai aliviar um pouco a dor. — disse, e colocou um pouco em minha boca.

   — Obrigada. — sussurrei. Ele sentou-se ao meu lado na cama e acariciou meus cabelos. Seus olhos verdes brilhavam. Eu queria poder dizer a ele tudo que sentia, dizer como o amava. Sim, eu amava Jaime Lannister. Amava com todo o meu ser, com todas as forças que eu possuía. Sua presença me fazia sentir como se nada mais pudesse me machucar em todo o mundo, como se eu não precisasse de nada além dele.

   Passei muito tempo em um estágio entre estar acordada e em coma induzido pelo leite de papoula. Jaime cuidou de mim pacientemente por vários meses. Ele conseguira encontrar uma cabana afastada onde não seríamos caçados, e aos poucos me recuperei quase por completo. Todos os dias, Jaime me levava para caminhar entre as árvores da floresta que ladeava nossa casa. Seus cuidados associados ao ar fresco me faziam muito bem. Estar com meu cavaleiro dourado era o melhor remédio existente.

   — Você precisa descansar mais. — Jaime me cobriu com um cobertor e se sentou ao meu lado na cama.

   — Eu já estou ótima, e graças a você. — sorri.  A noite havia caído, e seus olhos reluziam à luz das velas. Ele havia feito a barba, e seus cabelos loiros haviam crescido novamente. Ele segurava fortemente minha mão, e eu soube que era a hora de contar a verdade. — Quando estava com Stefano e Marvo...

   — Não se lembre daqueles malditos mercenários, Visenya. Eu quase perdi você por causa deles.

   — Eu sei. Mas tem algo que você deve saber. Eles não me raptaram só para atrair sua atenção. Eles pretendiam me entregar a Daenerys junto a você.

   — Te entregar a Daenerys? — Jaime repetiu, sem entender — Por que fariam isso? Você tem sangue Targaryen, é verdade, mas de uma linhagem muito longínqua e ilegítima.

   — Não, eu não tenho. Minha mãe mentiu para mim. Tenho o sangue de uma grande casa, mas não a Targaryen. Eu sou filha de Robert Baratheon.

   Jaime me olhou, estupefato. Eu sabia que ele guardava muitas mágoas de meu pai. Robert havia maltratado Cersei por todo o tempo em que estiveram casados, e ele não pudera fazer muita coisa para ajudá-la. Eu não podia esperar uma reação diferente.

   — Eles queriam entregar você a Daenerys para que ela pudesse matá-la. — ele murmurou.

   — Sim, era esse o plano. Jaime... eu não vou te culpar se você quiser ir embora. Eu sei que você odiava Robert, e agora você sabe a verdade.

   Ele ficou em silêncio, e meu coração se contraiu. Por mais que me doesse, eu precisava saber se ele estenderia a raiva que sentia por meu pai até mim.

   — Eu passei minha vida toda amando a mesma mulher. Ela me amava também, mas não podíamos ficar juntos. Com o tempo, ela passou a amar mais o poder do que a mim. Se fosse preciso, Cersei teria me matado para continuar no Trono de Ferro. Ela não me amou o suficiente para fugir comigo; preferiu morrer a perder o poder. Eu passei muito tempo irado com o mundo por isso, mas de nada adiantou. Tentei encontrar consolo nas casas de prazer em Lys, mas nenhuma das mulheres era ela. Mas então eu encontrei você. Visenya, você iluminou meu mundo novamente. Eu não me sentia assim há tempos, mais que os dias do seu nome. — Jaime sorriu, tristemente — Eu jamais te ligaria a nada que Robert fez. Os filhos não têm culpa de terem péssimos pais. Os meus não tiveram culpa.

   — Você não era um péssimo pai. — respondi, me sentando na cama — Eu sei que você fez tudo o que podia para salvá-los.

   — Mas poderia ter feito mais, Visenya. Eu poderia ter feito mais por eles. Meus pecados são tão extensos que jamais seriam perdoados, pelos Sete ou por quaisquer outros deuses. Eu não mereço você. Não mereço sua pureza, sua bondade, sua coragem...

   Eu o puxei para um beijo antes que terminasse a frase. Minha mão direita acariciava seu rosto, enquanto a esquerda explorava seus cabelos. Comecei a beijar seu pescoço, e levei minhas mãos até sua camisa.

   — Visenya...

   — Eu estou bem. Não sinto mais dores. Por favor. — implorei. Jaime me puxou para seu colo e me beijou com fervor, como se fosse a última coisa que faria no mundo. Rapidamente tirei sua camisa e joguei para o lado, enquanto ele desfazia o nó em minha camisola. Me levantei e deixei o fino tecido deslizar pelo meu corpo até meus pés. Ele me olhou com adoração, e corei perante a intensidade de seu olhar.

   — Você não precisa usar isso se não quiser. — murmurei, me referindo à mão de ouro, enquanto me sentava novamente em seu colo.

   — Não? — ele perguntou, surpreso. — Não incomoda você?

   — Se te fizer se sentir bem, jamais me incomodaria.

   Vagarosamente, ele tirou o pesado artefato e o deixou sobre a mesa ao lado da cama. O beijei com ternura, e ele retribuiu. Sua mão passeava pelo meu corpo, minha cintura, meus seios. Eu sentia o quanto Jaime me queria, e eu o queria em igual intensidade. Com suavidade, ele me deitou e pousou um beijo em minha testa. Fez o mesmo com meu pescoço, minha barriga, minhas pernas...

   — Jaime! — gemi, e minhas mãos se enroscaram em seus cabelos. Ele se livrou do resto de suas roupas, e me cobriu com seu corpo.

   — Você tem certeza?

   — Sim. — respondi — Eu quero você, agora e sempre.

   Aos poucos, Jaime e eu nos tornamos um só enquanto ele segurava minha mão. A dor se confundia com algo que eu não sabia identificar, algo... bom.

   — Abra os olhos. — Jaime sussurrou em meu ouvido — Eu quero ver você.

   Obedeci. Ele era lindo. Pelos deuses, como era. Senti-lo era algo inebriante.

   — Jaime... — murmurei, enquanto ele se movimentava.

   — Eu amo você, Visenya.

   Olhei para ele e vi em seus olhos que era verdade. Ele me amava. Meu peito mal podia conter meu coração. Meu cavaleiro dourado me amava.

   — Eu amo você, Jaime Lannister.

XXX

   Jaime e eu nunca mais nos separamos. Lutamos contra diversos mercenários que buscavam a recompensa da Rainha, e com o tempo eles cessaram de nos procurar. Em nossa última batalha, quando quase fomos mortos pela centésima vez, Jaime me pediu em casamento; obviamente aceitei sem sequer hesitar. Nos estabelecemos em Volantis, e no vigésimo primeiro dia de meu nome dei à luz uma linda menina, de cabelos castanhos cacheados e olhos verdes. Jaime deu a ela o nome de Joanna, em homenagem a sua mãe. Ele ensinou a ela o manuseio da espada e do escudo, contou a ela todas as histórias dos Sete Reinos, a protegeu e amou. Ela tinha seus olhos, sempre os teve. A fúria e o desejo por batalhas Joanna herdou tanto dos Lannisters quanto dos Baratheons, era impossível negar.

   Abrimos uma estalagem, e graças aos deuses Jaime nunca mais foi reconhecido. Vivemos felizes, sem maiores problemas que hóspedes exigentes. Nos amamos até o último dia de nossas vidas, eu e meu cavaleiro dourado. Por mais que suas feridas fossem profundas, eu havia conseguido curá-las; o que restavam eram cicatrizes de um passado que ele havia deixado para trás, substituído por uma nova história, uma história que ele merecia viver. O amor, no fim das contas, pode curar até mesmo um leão ferido.



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...