História ABC do crime - Capítulo 2


Escrita por: ~

Postado
Categorias Naruto
Personagens Fugaku Uchiha, Madara Uchiha, Mikoto Uchiha, Sakura Haruno, Sasuke Uchiha
Tags Fugamiko, Investigação, Romance, Sasusaku, Ssmonth2017
Visualizações 75
Palavras 1.565
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Policial, Romance e Novela, Shounen, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Álcool, Linguagem Imprópria, Mutilação, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 2 - Ato II


Fanfic / Fanfiction ABC do crime - Capítulo 2 - Ato II

Sozinha, a placa a indicar o limite de velocidade da via aguentou o impacto. A barra de ferro foi dobrada ao meio, e os parafusos a mantê-la presa na calçada restaram arrancados, todos de uma vez, sendo levados pela corrente de água do alagamento e despejados no bueiro mais próximo dali. A lateral atingida do carro, porém, não sofreu tantos danos.

 — Que porra foi essa? Você quer matar a gente? — Vociferou o líder da facção, apertando a nuca com a mão, aceitando a contragosto a dor que ligeiramente se espalhava pelo corpo.

Fugaku Uchiha não se concentrou nas palavras do irmão. Havia coisas mais importantes que requeriam a atenção dele. Sem demora, aumentou o volume do rádio e acompanhou a perseguição que se seguia.

Fechem a via! Fechem a via! Temos que parar esse furgão antes que o percamos de vista! — Berrava o militar. — O motorista foi atingido, ele não vai aguentar correr de nós por muito tempo!

As cédulas estavam espalhadas por todos os cantos, muitas pelo piso do carro, poucas sobre o colo dos rapazes. Com a mão aberta, Madara começou a recolhê-las, prosseguindo dizendo todos os palavrões que conhecia. Não era bom com palavras, não obstante, era o melhor com xingamentos, principalmente quando acertava o dedo mindinho em alguma mobília do casebre em que morava.

O único sentado no banco traseiro do carro nada disse. Sabia da preocupação do pai, e sentia que qualquer palavra proferida sem a devida reflexão poderia tornar a aflição de Fugaku ainda mais difícil de suportar. Com calma e zelo, ele sobrepôs ombro do motorista com a palma da mão.

É agora! Vai, vai, vai! — Um chiado propagou-se pela estação, e então tiros foram ouvidos. — Ele pegou a contramão! Que filho da puta. Desfaçam a barricada e corram para a avenida C-137, ou ele vai escapar!

O furgão continuava a escapar da polícia, e ter ciência desse fato foi o suficiente para fazer com que Fugaku engatasse a ré. Um dos pneus estava pesado, puxando a direção para a direita, mas Fugaku insistiu. A motivação dele? Estar em casa quando ela retornasse, apenas para poder abraçá-la e para pedir perdão por ter concordado com a ideia de porem-na como isca.

 

i

O garoto e o cão ouviram o carro se aproximar. Passaram tanto tempo da vida acompanhando as idas e vindas da família criminosa que reconheciam de longe o som do carburador do carro de fuga. O menino correu até o portão da garagem e o escancarou, vendo o carro adentrar o galpão alguns segundos mais tarde. Aquilo, de alguma forma, o deixava animado, pois sabia que, embora não exercesse uma função tão importante, estava contribuindo com os malfeitos dos familiares.

Desceram do carro, não tendo Madara hesitado em mostrar ao sobrinho que a recompensa daquela brincadeira havia sido gorda. A mochila estava inchada, estufada, quase tão redonda quanto uma bola, e Sasuke Uchiha não disfarçou o orgulho e admiração que sentia pelo tio.

— Quer me ajudar a contar?

— Eu posso?

— Deve.

Os dois se dirigiram para o fundo do galpão, ficando Fugaku e Itachi para trás, ambos em silêncio. O mais velho ouvia o rádio do lado de fora do carro, com os antebraços apoiados na abertura da janela. Tinha que ter certeza de que a esposa continuava longe das algemas e balas daqueles policiais que a perseguiam. Itachi, no entanto, caminhou para o lado de fora, ignorando a chuva que rapidamente o encharcou. A noite escura e a tempestade forte não o permitiam ver e ouvir muito além da água a percorrer o asfalto e dos pingos acertando os telhados das casas. Ficou parado por lá com os braços cruzados e os olhos cheios de esperança. Do supercilio aberto, ocasionado pela colisão, escorria pouco sangue, e a chuva lavava a ferida sem provocar dor em Itachi Uchiha.

Alguns minutos de chuva bastaram para que algo fosse visto no centro da via, a alguns metros de distância. O coração do rapaz acelerou.

— Itachi! O furgão caiu de uma ponte bem próxima daqui, ela deve estar...

A exaltação de Fugaku foi interrompida pela visão que encheu seu peito de conforto. Mesmo não tendo certeza da identidade daquele que se aproximava com dificuldade, Fugaku correu em direção ao sujeito, envolvendo-o em um abraço assim que reconheceu os olhos da esposa, os mesmos olhos que o faziam sentir-se amado e seguro. Ela estava fria, com o braço ensanguentado e os cabelos colados na face. Ele prestou apoio e a carregou para dentro do galpão.

— O braço dela — comentou o filho mais velho, assim que o pai a deitou sobre o sofá.

— Preciso levar ela ao hospital.

Próximo ao ombro, a manga da blusa estava rasgada, com um furo grande demais. Do buraco, um sangue escuro e coalhado era jorrado, colorindo o tecido da blusa. A mulher gemia com constância, quase à beira de pedir que a dopassem. Não conseguia dizer nada, embora quisesse se desculpar por ter perdido o furgão quando não encontrou outra forma de despistar a polícia. Enquanto a boca ocupava-se com os gemidos, decidiu esperar. Fugaku tentou colocá-la novamente no colo, mas Mikoto o empurrou com o braço bom.

— Não — ela murmurou, com dificuldade. 

— Como assim “não”? — falou o marido, mais alterado do que gostaria.

Mikoto Uchiha sacodiu a cabeça, sentindo a dor se alastrar. 

— Eu não vou deixar você morrer! Não vou, tá me ouvindo? Não vou! — Falou mais alto que antes, dessa vez quase gritando.

Madara ouviu, não perdendo tempo em se aproximar.

— Não conseguem mesmo calar a porra da boca? Eu estou contando o dinheiro, cacete! Tenho que me concentrar.

Olhou os companheiros, levando alguns segundos para notar a mulher tremendo e suando, ainda que estivesse coberta pela água gélida da chuva, no sofá.

— Falei que ela não daria conta — foram as palavras de Madara, tão frias quanto a tempestade a cair incessante. Fugaku não soube que reação ter. — Tem uns esparadrapos na caixa de remédios, cubra esse buraco antes que o sangue manche tudo por aqui.

— Esparadrapos? — Falou Itachi.

— É, idiota. A polícia sabe que ela foi atingida, qualquer pessoa baleada que der entrada em algum hospital de Pácia vai ser interrogada e posteriormente presa. Quer que ela seja presa? — Ele não respondeu. —  Aposto que não. Pegue os esparadrapos, uns analgésicos e dê um jeito nesse sangue. E calem a boca, não consigo me concentrar com tanto barulho.

Retornou para onde estava o sobrinho, tornando a separar e empilhar as cédulas sobre uma mesa improvisada – uma tábua comprida sobrepondo duas pilhas de tijolos. O menino ao lado dele estava contente, mas não era bom em matemática. Devido à rotina criminosa, a família Uchiha mudava de cidade constantemente, sempre fugindo da polícia. E não viam vantagem em matricular Sasuke em colégios, por saberem que tão logo estariam se mudando. Sendo assim, o aprendizado do garoto se limitava às atuações da família. O bê-á-bá do crime.

O cão repousou as patas dianteiras sobre a mesa e latiu para o dono, abanando a calda. Era um pastor alemão preto jovem, tão hiperativo quanto quando era filhote. Gostava de brincar, motivo que levava Madara a detestá-lo.

— Sai daqui, pulguento — era algo constante de se ouvir por ali.

— Ele só quer ajudar — retrucou o sobrinho, afagando a cabeça do cão. — Não é, garoto? — E o cão latiu novamente, quase como se o entendesse.

Eram uma boa dupla.

 

ii

Mikoto foi acomodada em um colchonete no mezanino, um nível particular do edifício situado entre o piso médio e o primeiro andar. Fugaku trocou-lhe as roupas, enfaixou-lhe o braço, deu-lhe analgéticos e cobriu-lhe com dois grossos cobertores. Ficou sentado ao lado do colchonete com as costas apoiadas na parede, cobrindo o rosto com as mãos tensas, preocupado com a situação da esposa. Optou por ficar em silêncio, assim como Mikoto. Enquanto ele se martirizava por se ver imponente, a mulher pensava no furgão perdido, um bom aliado que garantiu muitos anos de efetivas fugas, agora perdido no riacho que passava por baixo da ponte ao sul de Pácia.

Golias subiu as escadas que davam acesso ao mezanino e aproximou-se da única mulher que compunha o grupo. Com as orelhas abaixadas e postura reprimida, o cão tocou o focinho na mão de Mikoto, que restava descoberta, e pediu-lhe carinho ao grunhir. A senhora Uchiha descobriu o rosto, e um sorriso não tão sincero iluminou-lhe a face.

— Oi, Golias. Está preocupado comigo? — Sem que respondesse com qualquer ruído, o cachorro se deitou próximo dela, ocupando a lateral do colchonete com a cabeça. — Eu vou ficar bem.

— Promete?

A pergunta não viera do marido, mas do filho que ali estava presente, terminando de subir as escadas. Mikoto segurou um suspiro.

— Quer mesmo isso para a sua vida?

A pergunta da mulher o deixou apreensivo. Não era o tipo de resposta que aguardava ouvir dela, principalmente por não se afeiçoar com perguntas respondidas com outras perguntas. O menino cruzou os braços, tomando a rotineira postura do tio, sua maior influência. A vida de crimes não era um mar de rosas, e infortúnios como aquele da mãe não eram tão difíceis de ocorrer. Era o preço a se pagar por ignorar as leis.

— Mais do que qualquer outra coisa — disse com convicção.

Com quase quatorze anos, o sonho dele continuava o mesmo. E toda aquela determinação causava pesadelos em Mikoto. Mas não se sentia no direito de proibi-lo, afinal, que moral detinha para tanto?


Notas Finais


Podem comentar ❤ sério, eu não mordo haha


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...