História About That Girl - Capítulo 5


Escrita por: ~

Postado
Categorias EXO, F(x)
Tags Fem!exo, Genderswap, Magia, Romance
Visualizações 61
Palavras 5.879
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Bishoujo, Bishounen, Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Escolar, Esporte, Famí­lia, Festa, Ficção, Harem, Hentai, Lemon, Magia, Mistério, Misticismo, Orange, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Shoujo-Ai, Universo Alternativo, Yaoi, Yuri
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez, Pansexualidade, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Eu sei que demorei um pouco mais do que o normal, mas é que eu admito: fiquei MUITO desanimada com a pouca resposta do último cap e isso me deixou extremamente mal, eu não conseguia escrever. Não estou cobrando comentários nem nada, só estou mesmo falando com vocês...
Bom, mas o que importa é que chegou o cap e eu realmente espero que gostem <3

Capítulo 5 - IV - Álcool e Instagram


Fanfic / Fanfiction About That Girl - Capítulo 5 - IV - Álcool e Instagram

CAPÍTULO 4 - ÁLCOOL E INSTAGRAM    

- Chega, JunMyeon! Eu já disse que não vou a merda nenhuma de encontro com você. Agora me dá a porcaria da chave do box e vai embora! - Minha vontade era enfiar um soco no filho da puta, mas já estava indo bem além do que podia como funcionário naquele momento.

    Eu estava trabalhando há quatro noites e desde que me vira ele vinha dormir no café todos os dias! Ficava me atazanando desesperado para conseguir um encontro. Não aguentava mais olhar pra cara dele, ficava até me perguntando como os pais de um universitário não implicavam de ele dormir fora todos os dias. Ta… Os meus também não falariam nada, mas sei lá, estranho.

    - Mas, HaIn… Eu já disse que pago tudo! Ainda posso te levar e te pegar de carro. - Ele falava manhoso, enquanto me encarava com os olhos de cão sem dono.

    Eu era muito bom em pegar garotas, JunMyeon não. Ficar se humilhando assim por causa de mulher é simplesmente ridículo. Só me fazia achá-lo um grande panacão. Parecia um bocó correndo atrás de mim.

    - Ou você vai embora agora ou eu te vou ser obrigada a te bater! - Fiquei com os olhos semicerrados sentindo que realmente teria de chegar ao ponto da agressão física.

    - Não pode bater nos clientes. Apesar de quê esse retardado tem vindo tanto aqui     que até eu não aguento mais. - Tao falou enquanto adentrava o espaço. Era sexta-feira e aparentemente ele iria para alguma festa, pois estava todo arrumado. Também já era mais de onze horas quando ele apareceu.

    - Você fala assim por ter a sorte de morar com ela…

    - “Sorte” é uma palavra muito forte. - Tao falou com a cara retorcida, como se discordasse completamente dele.

    - Cala a boca, ZiTao! - Falei sério, sem tirar os olhos de JunMyeon. - E você me dê as chaves. - Estendi as mãos para que ele devolvesse aquilo. - Agora. - Enfatizei com um olhar assassino.

    Acho que ele entendeu que eu não estava para brincadeira, pois logo me entregou as chaves e passou a olhar para baixo como um animalzinho indefeso. Tao até mesmo deu um tapinha nas costas dele.

    - Ela é difícil mesmo. Mas olha, nem vale a pena investir. HaIn parece até bonitinha e tal, mas em casa tem horas que me sinto convivendo com um cara. Um cara mimado ainda por cima.

    - Essa boquinha linda só fala merda ou também fica quietinha? - Perguntei com uma voz falsamente fofa, encarando-o com rancor.

    - Só estou falando a verdade. - O chinês já ia caminhando para fora, novamente me deixando a sós com o outro.

    Admito que achei o comentário de ZiTao engraçado já que ele não fazia ideia de meu estado real. Chegava a soar irônico ao ponto de eu desconfiar se ele sabia de alguma coisa.

    - Eu vou hoje. Mas ainda não desisti de você. - O menino a minha frente falou, me fazendo apenas suspirar pesado. Nem me despedi, apenas o vi partir.

 

    A noite parecia calma, eu estava folheando uma revista qualquer sobre esportes, quando comecei a ouvir vozes um pouco alterados do lado de fora da loja. Parecia uma discussão entre um homem e uma mulher. Olhei para a tela do computador e conferi que só um box estava ocupado. Já eram quase duas da manhã e não tinha ninguém no salão, achei melhor ver do que se tratava.

    Não saí do café, mais entreabri a porta e fiquei ouvindo a conversa. Não conseguia identificar quem falava, mas logo tomaria coragem de ir ver os dois.

    - Você sabe que eu não vou aguentar pra sempre, né? - A voz doce da menina saiu relativamente alta, mas parecia chorosa.

    - SooMin… Eu juro que te amo… Mas é complicado. Meus amigos não são legais como os seus, minhas família também nem chega perto da sua… - Ele parecia triste, sua voz era bem grossa e eu até mesmo pensei já ter ouvido uma parecida antes.

    - Você já disse isso mil vezes. Se eles são tão idiotas quanto você diz, por que continua sendo amigo deles? - A pergunta dela fazia sentido, mas ao mesmo tempo eu me via pensando que se ter amizade com alguém fizesse bem para o meu ego eu a teria ainda que não gostasse tanto da pessoa.

    - Eu preciso ser amigo deles… Não posso perder tudo o que conquistei. - Quem parecia a ponto de chorar naquele momento era o garoto e eu apenas revirava os olhos. Homens que choram na frente das pessoas não passavam de fracos a meus olhos. Meu pai me ensinara que temos de ser sempre fortes e que se deixar levar por sentimentos é totalmente inaceitável para um homem de verdade.

    - Tudo? Tudo o que? - Ela parecia irônica em sua pergunta, ainda que bem triste. - As mulheres que chupam seu pau por dinheiro? Os amigos com quem você não tem coragem de falar da própria vida e que mal sabem quem realmente é? Ou é a posição de titular no time de um esporte que você odeia? - SooMin, acho que esse era o nome, praticamente cuspia as palavras e até mesmo que não tinha nada a ver com a história conseguia sentir a força do que ela dizia.

    Mesmo assim eu achava aquele cara um retardado. Se qualquer pessoa achasse que podia falar daquela forma comigo ia acabar muito machucada, mesmo que fosse uma mulher não sei se eu conseguiria me segurar depois de tantas falas fortes. Ninguém tinha o direito de questionar minha vida.

    Achei que era uma boa hora e abri mais a porta. Finalmente consegui enxergar bem o casal, ficando totalmente em choque com a imagem a minha frente.

    Park ChanYeol estava ali com a cabeça baixa, as roupas levemente bagunçadas e os olhos cheios de lágrimas. A menino eu não conhecia, tinha cabelos longos, pele clara, rosto delicado…. Praticamente uma princesa da beleza, mas tinha um problema. Um problema que para mim naquele momento era simplesmente inaceitável: gordura. Pernas e braços roliços, bochechas redondas e até mesmo aqueles dedos cheínhos. Não vou dizer que era uma gorda exatamente, mas estava longe do padrão de corpo que uma mulher bonita deveria ter.

    - Você não entende…. Meus pais… - A voz dele estava chorosa, até mesmo o desprazer de ver a primeira lágrima cair.

    - Eu não entendo mesmo. Você diz que me ama, mas coloca todas essas coisas acima de mim. Se for para ficar me escondendo para sempre, acho melhor terminarmos por aqui. - Ela estava com raiva, mas chorava.

    Me senti muito estranho ouvindo aquela briga. Não se era por estar meio decepcionado com ChanYeol, nem sei bem o motivo de estar decepcionado com ele, se era por ter se relacionado com uma menina tão fora do que eu costumava ver ou por estar chorando… talvez fosse também por meu amigo ter escondido uma namorada de mim. Mas eu também tinha muitos segredos para eles, então não fazia sentido… Pensei que meu sentimento de estranheza também viesse da surpresa de ser ele ou algo assim. Em geral não ligava de ver mulheres chorando, já que elas pareciam fazer isso por qualquer coisinha; também não acreditava em amor e coisas do tipo… apenas me sentia mal. Confuso.

    - Eu… me perdoa. - O Park parecia não conseguir falar e suas palavras perdidas tremiam enquanto ele fazia de tudo para não encará-la nos olhos.

    Era por essas e outras que eu não me envolvia com mulheres fora do padrão aceitável para alguém do meu nível. Sabia que teria problemas. Mesmo assim vendo a cena fiquei com pena da garota, achando que aquele monte de palavras dele eram verdade. Eu pensava o conhecer suficientemente bem para ter certeza de que todos os seus gestos eram bem pensados para no final do dia levar a menina para a cama. Na minha cabeça era simplesmente impossível acreditar que meu amigo estava apaixonado, ainda mais por uma menina daquelas, há tanto tempo e não me contara. Claro que eu teria zoado com ele por muito tempo se soubesse, provavelmente o repreenderia… mas se ele queria, quem era eu para julgar? Não é?

    - Tudo isso por conta do meu peso. Do meu corpo. - A tal SooMin falou com um leve ar de ironia.

    - Você é perfeita… seu corpo é perfeito… seu rosto… seu jeito… você é toda perfeita! - Eu estava ficando nervoso com o choro de ambos e nessa fala dele senti um aperto na garganta pois essa fala parecia especialmente triste.

    Eu, por minha vez, não podia acreditar que meu amigo ChanYeol, que era famoso por escolher meninas pelo corpo, estava ali chamando uma gordinha de perfeita e chorando enquanto dizia que a amava. Era algo simplesmente fora de tudo que eu já imaginara na vida. O simples fato de ele usar o termo “amor” já me deixava perplexo.

    - De que adianta você me falar essas coisas, se não consegue demonstrar? Se na hora de sair com os amigos não me leva e ainda fica saindo com outras garotas? Se quando seus pais perguntam você diz que está solteiro? - A voz dela não era de raiva, mas de dor. Muita dor e mágoa. - Acabou, ChanYeol. Quando você souber o que é realmente mais importante na sua vida, se ainda der tempo, me procure. Pois eu não vou esperar muito. - SooMin não disse mais nada e nem deu tempo a meu amigo de responder, apenas se virou e entrou no primeiro táxi que passou a seu lado. O Park caiu no chão ajoelhado, completamente imóvel, apenas conseguia ouvir seus soluços.

    Não sabia o que fazer, mas um lado bom de mim, acho que por conhecê-lo há tanto tempo, me fez ir até lá. Parei ao lado dele e falei com calma:

    - Hey, quer entrar? É meio perigoso ficar aqui fora a essa hora.

    - Você ouviu tudo? - Ele soluçava enquanto perguntava aquilo para mim, parecia estar com vergonha. Não o culpo, também estaria envergonhado no lugar dele. Só de pensar em chorar por relacionamentos eu me sentia meio mal.

    - Ouvi. Mas não vou falar sobre. - Falei estendendo a mão para ele de forma amigável.

    - Obrigado. - Foi uma resposta simples, porém o olhar que ChanYeol me dirigiu acabou fazendo com que meu coração falhace algumas batidas. Eu nunca vira tamanha certeza nas palavras dele, muito menos uma gratidão tão grande. Algo naquilo chegou a me incomodar.

    - Vamos, te dou uma xícara de chá por conta da casa. - Já lhe puxava para dentro do café em passos lentos.

    - Por que está me ajudando? - A voz grossa dele me despertou dos pensamentos que estavam distantes enquanto eu o via sentado no banquinho da cozinha e lhe praparava um chá na máquina.

    - Sei lá… você se parece com um velho amigo. - Comentei com um ar meio confuso, pois precisava dar uma desculpa para aquele bom comportamento.

    - Nossa, você deve ter amigos bonitos. - Ele riu soprado, me fazendo dar uma gargalhada. Aquele era o tipo de comentário que eu esperava de ChanYeol. - Bom, mas isso é esperado, já que você é uma garota muito bonita. - Não acreditei que ele estava jogando aquele sorriso para cima de mim… Então me lembrei que ele realmente não fazia ideia de quem eu era e apenas revirei os olhos.

    - Quem era aquela garota? - Perguntei tentando fugir da investida dele, respirando fundo e lhe entregando a xícara de chá.

    - Bom, não tem como eu dizer que era só uma amiga, né? - Ele riu soprado, dando um gole de sua bebida. Eu apenas me escorei na pia e fiquei encarando-o. - SooMin faz uma das aulas da faculdade comigo e nós acabamos… nos apaixonando. - Não me olhou nos olhos enquanto usava aquelas palavras, acho que era difícil para ele. - Mas temos um problemas por vivermos em esferas sociais diferentes.

    - Eu te entendo por não querer apresentar ela para os amigos e tal. Imagem é bem importante. Quem iria querer ser zoado… - Falei o que meio à cabeça, algo bem característico de mim naquele tempo. Não vi muito bem a reação da ChanYeol, ele apenas suspirou pesado e já me perguntou:

    - Qual seu nome?

    - Kim HaIn, e você?

    - Park ChanYeol. - Ele pareceu pensar por alguns segundos antes de continuar. - Você também me lembra alguém… só que no caso é um amigo meu. Ou ex-amigo, sei lá. O filho da puta resolveu sumir quando deveria estar treinando. Mas fazer o que… é o que espera de um playboy mimado mesmo. - Dessa vez quem fez cara de desprezo foi ele, eu apenas me mantive calado, por mais que minha vontade fosse de enfiar um soco na cara daquele maldito.

    - Olha, talvez ele tenha um bom motivo para isso. - Respondi enquanto tentava acalmar meus próprios nervos.

    - Ah, sei lá… JongIn não é do tipo que faz as coisas por “bons motivos” ele é movido a álcool, maconha e sexo. Só isso importa.

    Eu não tive uma resposta para dar, pois era verdade. Minha vida tinha sido até ali um grande bacanal e naquele momento me orgulhei disso. Quem não queria viver só desses prazeres, não é mesmo?

    - Ele sabe viver então. - Respondi com um sorriso sacana no rosto, vendo um vulto se aproximar na porta.

    - Olha, temos visitas na cozinha. - A voz de SeHun parecia sonolenta, enquanto caminhava. - Sou Oh SeHun, prazer. Você é amigo da HaIn? - Acho que aquela pergunta foi o jeito dele de dizer que na verdade não deveria ter ninguém ali comigo, mas que deixaria passar.

    - Oi, eu sou Park ChanYeol… na verdade nos conhecemos agora, ela está me consolando. Levei um fora do amor da minha vida. - Ele terminou com um riso triste e eu vi que até o sempre sério gerente se comoveu com aquilo.

    - Bom, que seja. Eu só vim pegar um pouco de chá. Não estou conseguindo dormir. - Explicou o motivo de estar às quatro da manhã no local. Sendo que em geral tinha um sono absurdamente mais pesado que o meu.

    - A cabeça ocupada demais com o LoL? - Perguntei de brincadeira, fazendo com que ele me encarasse de forma matadora. Senti até um arrepio.

    - Não é da sua conta. - Me respondeu malcriado tirando um risinho de ChanYeol.

    

No fim das contas acabamos ficando os quatro na cozinha até quase cinco e meia, quando SeHun disse que eu podia ir para casa descansar e o Park anunciou que ia embora, mas que com certeza voltaria para nos fazer uma visita. Eu adorei a ideia de ter mais trinta minutos para dormir, logo subi as escadas com toda a calma do mundo, assim que abri a porta de casa tirei os sapatos e fui correndo para o meu quarto, me joguei na cama e quando já estava quase pegando no sono me lembrei que estava com maquiagem na cara. Senti o ódio subir por minhas veias, mas me levantei novamente e fui caminhando até o banheiro.

    A água parecia muito mais gelada que o normal, mesmo assim não me afetou muito. Lavei e rosto e me encarei no espelho. Estava começando a me acostumar com aquela cara de mulher, em alguns momentos já me sentia parte dela.

    - Bom dia! Nossa… Que gatinha… Vem cá, me dá um beijo, HaIn! - Um Tao completamente bêbado me saudou assim que passei a sua frente. Revirei os olhos e falei com a voz entediada:

    - Tao, você está bêbado. - Falei com calma, vendo-o sorrir bobo como se nem entendesse o que estava fazendo. Acabei me compadecendo do bêbado e o empurrei até seu quarto. Colocando o garoto deitado sobre a cama, notei que ele também usava um pouco de maquiagem. Refleti se realmente tinha necessidade de ajudá-lo até nisso, mas lembrei de meu desespero ao ter os olhos colados e fui até o banheiro novamente.

    Voltei para o quarto com alguns algodões molhados e enquanto ele resmungava eu limpei o lápis de seus olhos e aproveitei para tirar a jaqueta que o chinês usava, pensando que ele sentiria muito calor se continuasse com aquilo. Dei um suspiro quando terminei e fiquei em choque quando me senti ser puxado para um abraço apertado, ficando quase preso entre os braços do garoto.

    - HaIn, você é tão fofinha. Nem parece que age feito uma ogra a maior parte do tempo. - Como ele era maior do que meu corpo feminino, e mais forte, não conseguia me soltar daquele polvo carente que me prendia. Soltei um muxoxo e depois fiquei tentando empurrar meu próprio corpo usando o peito dele como base.

    - Você é o pior tipo de bêbado. - Falei quando finalmente consegui me sentar na cama, arrumando meus cabelos que haviam sido bagunçados.

    - Não estou tão bêbado, só queria um abraço seu mesmo. - Ele disse com um sorriso bobo nos lábios, que eu respondi com um tapa forte no ombro dele.

    - Nossa… você não presta. - Me levantei e quando olhei para trás ZiTao já estava roncando como um porco velho.

    

    Quando acordei de tarde e no ar não estava aquele cheirinho de comida como habitual. Seite-me na cama e peguei meu notebook pela primeira vez desde que chegara ali; ainda que o tivesse trazido comigo. Fiquei encarando a tela sem saber bem o que fazer. Uma ideia me percorreu a mente e em meus lábios um sorriso safado apareceu. Me levantei e fui até a sala, olhando para todos os lados na intenção de ver se tinha alguém em casa.

    Tao já devia ter descido para trabalhar e SeHun deixara um bilhete sobre a mesa me avisando que fora ao cinema com uns amigos e voltaria só a noite. Mesmo assim conferi cada um dos cômodos e finalmente voltei para meu quarto.

    Coloquei o computador de lado na cama. Eu estava apenas de calcinhas e camiseta, já que era primavera e o calor começava a despontar. Conectei em um site tão buscado que ao colocar “x” na barra de busca ele era a primeira opção de pesquisa: “www.xvideos.com.kr”. Fiquei alguns minutos pesquisando que tipo de filme eu gostaria de ver naquela situação.

    Não tinha interesse em me imaginar com um cara enfiando o pau na minha buceta tão lindinha, então acabei apostando em um pornô lésbico japonês. Eu era muito bom no idioma e sempre achei que eles produziam melhor conteúdo do tipo. Duas meninas, uma bem peituda fazendo o papel de professora e outra mais magrinha interpretava sua aluna. Não era meu tipo preferido, mas achei que seria uma boa escolha para aquele momento.

    Como sempre a história inicial era bem fraca. Uma professora estava repreendendo sua aluna por ter ido mal na prova, depois dizia que a castigaria por isso. Em pouco tempo as duas se beijavam e faziam carinhos. Logo a professora chupava os peitos de outra e eu sentia meus próprios mamilos entumecidos. Toquei um deles com minha destra por dentro da camisa, sentindo um leve arrepio.

    Finalmente a mais nova se sentou ne mesa e a outra tirou sua calcinha, começando a passar o dedo no clitóris da menina. Ao ouvir os gemidos dela e me concentrar na cena. Senti como se minha vagina estivesse quente e a umidade escorresse. Não pode deixar de ficar surpreso, era realmente a primeira vez na vida que eu estava naquela posição, sentindo o que uma mulher sentia na hora do sexo.

    Tirei minha calcinha e finalmente toquei meu grelo, mas não sem antes lamber meus dedos, usando a saliva para me ajudar a movê-los. Eu já fizera aquilo para diversas mulheres, mas era absurdamente excitante fazer em mim mesmo.

    No começo não senti tanta coisa, mas a medida que me massageava sentia ondas de prazer me percorrerem o corpo. Nem sequer via mais o filme, apenas aproveitava meu próprio prazer, deixando que gemidos me escapassem pelo lábios. Eram gemidos do tipo que eu adoraria ouvir da boca de uma garota.

    Cheguei a um ponto que meus braços e pernas tremiam e formigavam com tamanha excitação. Eu já quase gritava, sentindo aquilo de uma forma completamente nova. Por alguns segundos pensei que eu devia fazer aquilo mais vezes para aprender como fazer com minhas futuras companheiras.

    Chegou a um ponto que meu corpo simplesmente não aguentou mais e eu senti como se estivesse nadando em uma piscina de prazer. Soltei um grito agudo e fiquei com essa maravilhosa sensação por alguns momentos, até que aos poucos fui voltando ao normal. A parte interior de minhas coxas estava úmida, meu coração acelerado e eu ainda respirava compassadamente.

    - Caralho… - Sussurrei quando já começava a voltar ao normal. - Quero muito dar a buceta. - Me senti mal com o que dizia, feria meu orgulho de uma forma inimaginável, ao mesmo tempo que era erótico. Fiquei tão confuso e excitado que até me revirei na cama completamente desgostoso.

    Fiquei na cama sem calcinha deitado por uns dois minutos até que ouvi uma batida na porta. Meus olhos se esbugalharam e coloquei minha roupa íntima com pressa. Voltando a me sentar na cama e fingir que mexia em um blog de esportes.

    - Pode entrar! - Gritei com a voz ainda um pouco ofegante.

    A porta se entreabriu e o rosto de SeHun apareceu, impassível como sempre. Aos poucos deu alguns passos e entrou, um sorriso de canto brotando nos lábios.

    - Não precisa disfarçar, eu ouvi tudo. - O gerente sentou-se na beira da cama, rindo da minha cara contrariada.

    - Não ia chegar só de noite? - Perguntei deixando claro meu desconforto.

    No geral eu não tinha sexo como um tabu. Já vira outros caras batendo uma, fazia piadinhas sobre o assunto, falava bem abertamente sobre minhas transas… Só que naquele caso era diferente final; aos olhos - e ouvidos - de SeHun, ainda era uma garota gritando de tanto gemer. Devia ter sido bem difícil pra ele se segurar com uma voz tão erótica quanto a minha.

    - Uma meia hora… vinte minutos… O filme que eu ia ver saiu de cartaz. - Explicou ficando sério novamente. - Mas não precisa ficar com vergonha. Se eu fosse você teria feito o mesmo. Acho que até mais cedo. Por curiosidade e tal… - Riu para mim com um ar de companheirismo que me sorrir de volta.

    - É bem louco… Acho que quando voltar a ser homem vou saber direitinho o que fazer. Demora um pouco pra engatar e tal, mas depois é… uou!

    - Que papo bizarro. É como se uma mulher adulta estivesse experimentando a puberdade e me contando tudo. - O garoto falou reflexivo.

    - De certa forma é meio isso mesmo, né? - Concluí depois de pensar um pouco. - Foi como bater punheta pela primeira vez. Só que já sabia um pouco o que fazer. Eu acho que até sou bom nisso. Deve ser por isso que elas sempre pedem mais… - Deixei minha voz sair soberba, fazendo com que ele revirasse os olhos.

    - Sei… sei… Mas aqui, quando for se masturbar de novo, só não grita. - Joguei o travesseiro nele, enquanto ouvia uma gargalhada. - Ei! Eu estou fazendo isso para o seu bem. Eu sou de boas, e sei de toda essa coisa de homem no corpo de mulher e tal, mas o ZiTao não sabe. Ele pode te ouvir gemendo enquanto estão só os dois em casa e pensar que é um tipo de sinal de que quer dar pra ele ou algo do gênero. - A fala dele fazia bastante sentido. Pensei que se fosse comigo, ao ouvir uma menina gemendo desesperada no quarto ao lado do meu, provavelmente concluiria que ela quer transar comigo e está me provocando.

    - Tem razão. Vou tomar mais cuidado. - Concordei com ele, depois ficando em silêncio, pensando novamente no que havia feito.

    - Quer pedir pizza? - Ele mudou completamente de assunto e eu apenas balancei a cabeça positivamente, até animado com a ideia de comer a iguaria.

 

    E mais uma vez eu estava lá, sozinho sentado atrás do balcão folheado revistas. A verdade é a empolgação do começo do trabalho se fora e agora tudo o que eu queria era poder entrar de férias.

    Na maior parte do tempo o tédio me consumia e eu não sabia mais o que fazer para superar isso. Já vira filmes, lera uns quatro mangás e até começar a desenhar, algo que eu não fazia há anos, eu comecei. Não eram nem duas da manhã quando ouvi o interfone tocar e dei graças a Deus que eu finalmente tinha algo para fazer.

    - Oi, aqui é Do KyungSoo, sou o cliente do box três. Queria pedir uma porção de arroz branco com kimchi e um yakissoba. Se tiver, também quero um coca-cola. - A voz dele era calma e parecia até mesmo meio sonolenta.

    - Pode deixar. Logo estarei aí, mais alguma coisa em que eu possa ajudar? - Estava começando a falar de um jeito mais comportado e feminino, na hora do jantar até recebi um elogio pela parte de SeHun, o que era realmente bem raro.

    - Obrigado. - Ele respondeu cortês e eu apenas desliguei o aparelho em seguida.

    Preparei a comida e coloquei na bandeja, com a qual estava ainda me acostumando. Nunca deixara cair, mas teve uma vez na escada que foi por bem pouco. Finalmente cheguei ao box que ele havia me falado, bati na porta e abri, encontrando-o adormecido na poltrona com um livro em mãos.

 

    - Com liçensa? - Falei colocando a bandeja sobre a mesinha do espaço. Ele não acordou, então parei a seu lado e sacudi o corpo de leve.

    - Ah! Nossa! Desculpa… - O cliente acordou em um pulo, se ajeitando na poltrona. - Desculpe, estava bem cansado. Sabe como é, né? Semana de provas. - O garoto baixinho de cabelos negros e olhos grandes levantou o livro de física avançada que estava em seu colo.

    - Difícil mesmo. - Comentei com um sorriso de lado, já saindo do espaço. Porém antes de fechar a porta ouvi um grito vindo do andar de baixo, como se alguém estivesse procurando por mim ou qualquer outro atendente.

    - Nossa, pra que essa pressa… Tem uma porcaria de campainha lá no balcão. - Murmurei já descendo as escadas. Quando finalmente cheguei ao térreo fiquei bem surpreso em me deparar com um ChanYeol bêbado quase desmaiado sobre o balcão.

    - Que merda é essa?! - Perguntei indo até ele, não sem antes pegar uma cadeira e colocá-lo sentado.

    - HaIn… SooMin me odeia… O que eu faço da minha vida? - Ele estava fedendo a álcool e deixando lágrimas de crocodilo escapando dos olhos.

    - Ah, vai tomar no cu! Ficar chorando por conta das consequências das próprias escolhas é coisa de homem fraco! - Falei já muito puto com ele. Se tinha dado prioridade ao status, então era culpa dele a menina ter ido embora. Sabia que seria assim e escolheu do mesmo jeito.

    - Mas… - Como esperado Yeol não tinha uma boa resposta, ainda mais naquele estado de embriaguês.

    - ‘Tá tudo bem? - O menino do box três apareceu no arto da porta que dava para a escada.

    - Meu amigo levou um fora, só isso… - Expliquei revirando os olhos enquanto indicava o garoto sentado.

    - Poxa, que pena… - Ele coçou a nuca enquanto caminhava em nossa direção. - Mas porque?

    - Ele tem vergonha porque ela é gorda. - Falei sem qualquer filtro, levando um chute em cheio na canela por parte de ChanYeol. - Porra! Eu ‘tô só falando a verdade… jamais me envolveria com uma pessoa fora do meu padrão por causa disso. Ia acabar igual você, deprimido e se humilhando por besteira. - Falei acariciando minha perna.

    - Ela é perfeita! Um tesão! Melhor mulher do mundo! - Ele gritava o que aparentemente estava constrangendo o outro garoto.

    - ChanYeol, cala a boca. Eu vou chamar um táxi para você. - Comecei a falar virado para meu amigo, ainda que ele não soubesse que éramos assim tão amigos. - Er… KyungSoo? - Perguntei me virando para o cliente, deixando claro que não me lembrava bem de seu nome. Na verdade em geral eu não guardava muitos nomes, era como se me achasse bom demais para ficar pensando em como chamar outras pessoas. Ele apenas me respondeu com um aceno positivo de cabeça e um sorriso sem graça. - Pode ajudar esse imbecil a tomar um copo de água, não sei se ele é capaz.  

    Fui para trás do balcão e peguei o telefone, pedindo que um táxi viesse até o local. Me disseram que poderia demorar um pouco por conta do alto movimento, mas que logo alguém chegaria. Dei um suspiro pesado, já não aguentava mais aquilo. Desde que virara mulher parecia que nada na minha vida estava dentro do normal.

    - Gente apaixonada é deplorável. - Comentei enquanto via meu cliente colocar água goela abaixo do riquinho.

    - Ah, depende. Eu acho o amor, quando saudável, bem louvável. É interessante achar uma mulher que não ligue pra isso, já que em geral sejam tidas como romanticas. - Sua voz parecia calma, quase delicada, ainda mais por ter um linguajar tão maduro e correto. Eu conhecia poucas pessoas que falavam certinho daquele jeito.- Isso muda de pessoa para pessoa, mas acho que quem não ama pelo menos uma vez na vida, deixou de viver uma experiência importante.

    - Eu nunca amei, nem vou amar, se Deus quiser… não quero ficar rastejando por ninguém, me dá nojo. E eu sou uma mulher bem fora da curva, você não sabe o quanto.- Respondi pouco antes de ver que o motorista de táxi estava entrando no local. Eu pedira que fizesse isso para nos ajudar a colocar ChanYeol no carro, já que ele era bem maior que nós dois. Quando finalmente terminamos com aquilo dei um suspiro pesado e me sentei, KyungSoo me acompanhou ficando na cadeira de frente para mim.

    - Você é nova aqui? Eu sempre venho nos finais de semana para estudar, mas nunca te vi. - O menino me disse, bocejando em seguida. Eu acabei repetindo a ação dele, por puro reflexo.

    - Entrei há pouco tempo. É meu primeiro sábado.

    - Faço engenharia química, por causa dos meus pais… eles tem uma empresa de cosméticos e querem que eu siga a carreira. Mas não gosto muito. - Explicou com a voz suave e distante. Até aquele momento eu achava que todos os garotos ricos eram playboys como ChanYeol, mas aparentemente KyungSoo estava bem longe disso. - Você e o cara bêbado são amigos há muito tempo? - Perguntou claramente para mudar de assunto.

    - É… não. - Demorei para me lembrar o que responder, esquecendo-me por alguns instantes que tecnicamente apenas o conhecera dias antes.

 

    Ficamos um longo tempo conversando, a noite estava calma e eu acabei me dando bem com aquele cara. Geralmente era muito resistente a me abrir com as pessoas, mas ele falava com calma e tinha um jeito espontâneo de contar tudo sobre a própria vida, o que acabou me contagiando. Claro que tudo o que eu dizia era mentira, mas nada me impedia de pensar que me identificava de alguma forma com as palavras de KyungSoo.

    - Bom… sendo mulher, não acha perigoso ficar sozinha de madrugada aqui embaixo? -

    - Não. Eu na verdade sou faixa-preta em taekwondo. - Tecnicamente eu era, mesmo que nunca tivesse tentado no corpo de mulher. Acho que a técnica eu não tinha esquecido. - Sem falar que aqui dentro é bem tranquilo. Tem câmeras de segurança e tal...

    - Faz sentido… mesmo assim, você disse que veio do interior, né? Cidades grandes são diferentes. - Ele já se levantava, olhando no celular que horas eram. - Está bem tarde, vou dormir. Preciso estudar mais amanhã.

    - Boa noite! - Falei com um sorriso simples no rosto.

    Peguei meu celular e fiquei encarando a tela brilhantes. Não tinha muito para verificar, mas resolvi mudar isso ao ter uma ideia divertida. Eu criaria novas redes sociais e tudo mais. Kim HaIn seria um ser humano completo de sua geração.

    Comecei tirando um monte de selfies, mais uma vez me lembrando do quão gata eu era. Foi bem legal ficar imitando aquele monte de caras e bocas que as garotas fazem para tirar fotos. Em algumas fiquei de boné, em outras sem. Isso para dar a ideia de que eram em momento minimamente diferentes. Também mudei as cadeiras onde estava sentado no café, para ficar com fundos variados. Depois de algumas boas imagens comecei criando um KaKaoTalk*. Peguei os números de Tao, Krystal e SeHun, adicionando-os a meus contatos enquanto me perguntava quais seriam as reações deles ao verem isso.

    Refleti um pouco e segui para criar um facebook. O nome deixei em coreano mesmo, depois coloquei como capa uma foto de um campo de baseball, pois jamais conseguiria abandonar meu esporte preferido. Uma boa foto de perfil com um filtro levemente esverdeado e ainda postei mais duas, que se tornaram minha primeira publicação.

    Na hora de preencher os dados pessoais, status de relacionamento e coisas assim acabei mentindo minha idade. Para que a história que eu contava fizesse sentido, coloquei que tinha apenas dezenove anos, assim pareceria que eu acabara de me formar no ensino médio. Não informei a escola, para evitar que alguém que estudou em alguma que eu colocasse aparecesse e dissesse que nunca me viu. O termo “solteira” acabou me fazendo rir, mas deixei ali público, queria ver quantos marmanjos tentariam a sorte com aquela princesinha.

    - Eu me adicionaria. Que mulher linda, puta merda. - Falei para mim mesmo, enquanto buscava pelo nome de meus novos amigos na barra de busca. Adicionei todos e depois ainda procurei por KyungSoo, ChanYeol e até mesmo JunMyeon, de quem eu esperava ganhar um bom número de likes.

    Terminei minha aventura digital criando uma conta no instagram. O usuário era “HaHaHaIn”**, pois não consegui pensar em nada muito melhor. Segui aqueles que conhecia e também a conta oficial das ligas principais da Coréia e dos U.S.A. para me manter sempre informado. Postei uma selfie e a foto meio conceitual de uma das estantes da loja, já que eu vira que muitas meninas tinham o hábito de postar esse tipo de coisa aleatória.

    - Agora parece uma garota normal. Logo serei até popular, sendo bonita desse jeito. - Continuei falando sozinho e fiquei encarando novamente o celular. Era estranho ter a chance de realmente criar uma nova vida, ao mesmo tempo que me sentir ainda mais falta da antiga.

    Vi que a luz do sol começava a aparecer na janela. Olhei para o relógio na pequena tela brilhante e constatei que faltavam apenas vinte minutos para o final de meu turno. Não demorou para que finalmente estivesse dormindo pesadamente em minha cama no terceiro andar.

 


Notas Finais


Então, chegamos a mais um final derradeiro! O que acharam? Comentem aí para eu saber se estão curtindo a fic <3


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...