História Abracadabra - Capítulo 2


Escrita por: ~

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Palavras 3.633
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Crossover, Drama (Tragédia), Fantasia, Festa, Magia, Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Já já o Led Zeppelin aparece, e pra ficar. <3

Capítulo 2 - Morning Comes.


Fanfic / Fanfiction Abracadabra - Capítulo 2 - Morning Comes.

Donatella Noel Baldwin – Abracadabra –.

                                                        02 de Novembro. 1968 | 14:47 p.m | Londres, Inglaterra.

Todos estavam sentados na sala. Alguns já haviam ido embora, mas outros permaneceram em nossa casa para tocarmos algumas coisas. Entre os que ficaram: Keith irritante para um excelentíssimo senhor caralho Richards.

Ele havia ficado emburrado desde o “incidente” na piscina. Mick estava com a cara arreganhada rindo como uma hiena desde então. E sinceramente, eu não o culpava. Alguém tinha que parar aquele homem.

Os Stones em peso, David Bowie, e minha banda estavam em minha sala. Eu já não estava estressada. Beirava a hora do almoço e eu estava na cozinha preparando algo com Keith. Não o Richards, Keith Moon. Que era uma companhia bem mais agradável.

Richards era um porre. Não sabia animar a coisa. Já Moon, botou fogo em um pano de prato em menos de cinco minutos comigo na cozinha, e bem, talvez um terço da culpa tivesse sido minha. Estar dentro de uma cozinha com ele talvez não fosse uma boa ideia.

– Senta, cara! Você tá me deixando maluca! – reclamei gargalhando. Moon passeava como uma barata tonta.

– Estou com fome, entende? Reconhece a palavra larica? La-ri-ca. – ele disse sério. Olhei para Moon séria também e logo caímos na gargalhada de novo. – O que está preparando, Abra?

– Macarrão com queijo. – dei de ombros. Moon levantou-se – pela milésima vez – e se pôs ao meu lado.

– Não sabe fazer outra coisa? – ele fez cara de tédio.

– Sei, mas não tem outra coisa nessa casa. Você sabe fazer outra coisa? – perguntei.

– Eu não. – deu de ombros.

– Então nós vamos comer essa gororoba que eu estou fazendo, porque... – não pude terminar a frase. Moon estava rindo novamente, o que me fez rir.

– “Gororoba”? Que diabo de palavra é essa? – ele dizia quase sem ar.

– Uma que aprendi no Brasil com meus avós. – disse quieta enquanto mexia no macarrão com dificuldade.

– Você não acha que está muito grudado? – ele perguntou.

– Se você não falasse, eu nem iria perceber. Sabia? – perguntei irônica.

– Acho que sim. Sem querer ser um mala, mas você é meio lerdinha, Abra. – o olhei incrédula. Lancei o meu melhor olhar mortal para Keith Moon e voltei a mexer no macarrão “Unidos Venceremos”.

Moon finalmente sentou-se novamente, parecendo quieto. Por pouco tempo, é claro, já que Luke James Cooper, ou apenas Luke Coope baixista metido á garanhão, entrou na cozinha.

– Buenos dias, Lady Abra. – beijou minha mão.

– Sai que eu estou fazendo comida. – reclamei divertindo-me com o queijo derretendo.

– Você está naqueles dias? – ele fez a mesma pergunta de Storm.

– Para, Luke! Que saco. – reclamei cabisbaixa, fazendo cara de choro.

– Não chora. Vai chorar? – ele riu. – Keith Moon! – ele gritou assim que viu Moon encostado na mesa, nos encarando de forma curiosa. Logo seu rosto se abriu em um sorriso.

– E aí, cara?! – eles deram um toque esquisito com as mãos. – Cadê o Roger? Não vi esse palhaço desde que acordei.

Roger. Palhaço. Era assim que eles se referiam ao meu baterista fofinho, Roger Framp. Pensei em intervir e bater com a panela de macarrão em Moon, mas pensei bem e... Eu realmente estava chegando naqueles dias. Era melhor que eu me controlasse.

– Ele tá gostando de uma garota ai, sabe... – Luke começou. Parei de mexer no macarrão no exato momento. Olhei para trás como se tivesse possuída ou algo do tipo.

– Repete. – disse ameaçando Luke. Em minha mão estava... Um pegador de macarrão. Mas quem se importa?

– Abra. Minha linda. Minha pequena Lady. Fica calma. – ele disse com as mãos para o alto em rendição.

– Que negócio é esse de que o Roger tá “gostando” de uma menina ai? – disse ameaçadora. É meio difícil parecer ameaçadora quando se tem quase um metro em meio, mas eu tentava.

– É só uma peguete... – ele disse tirando o pegador de macarrão da minha mão e colocando novamente na panela. – Uma groupie. Bem, ela é uma groupie. Fica tranquila. Vai para a sala, toque com o pessoal... Deixe que eu termino aqui. Eu sabia que chegaria seus dias de estresse e te comprei chocolate. Está na segunda gaveta da estante. Sua guitarra está encostada por lá também.

Após Luke me dar um beijo na testa constatei que eu amava o baixista da minha banda. E já odiava mortalmente a tal groupie. Eu tinha um ciúme fora do normal de todos os meus amigos. Eles eram meus e ponto. Não existia possibilidade de dividi-los com alguém. A ideia de algum deles se apaixonar era assustadora, até mesmo Nanny. E bem, tive de aguentar seu chilique por conta de um ser chamado Brian Jones na noite anterior.

“Brian é bonito. Brian é sexy. Que droga, Abracadabra, eu quero beijá-lo.” E eu com isso, Nanny McDermott? O chilique apenas duplicou quando eu a chamei de Nancy ao invés de Nanny. E o pior: perto de Brian. “Nancy é nome de velha, Abra!”

Bom, quem sou eu para falar sobre complexo de nome feio?

Donatella Noel Baldwin. Mãe, por que Donatella? Simples. Minha mãe era italiana. Italiana mesmo. Seu nome, porém, era um pouquinho mais normal que o meu. Patricia Santini, e assim que se casou com meu pai, Patricia Santini Baldwin. Já que eu não teria seu sobrenome, ela achou que seria legal colocar em mim um nome italiano. E eu o odiava. Odiava que me chamassem de Donatella. Donna até ia. Donatella não. Nunca. Never.

Fui para sala assim como Luke disse, e ignorando á todos, peguei minha caixa de chocolate, e minha guitarra seguindo para a varanda. Como se já não bastasse o estresse, Keith tinha que vir atrás com uma guitarra na mão. Richards, não o Moon. Por incrível que pareça, desta vez eu sorri. Tocar, ou aparecer com uma guitarra na minha frente, fazia qualquer resquício de estresse ir embora. Aquela era a minha grande paixão.

– Quer tocar o quê? – ele perguntou sentando-se ao meu lado com sua Telecaster. – Por sinal, muito bonita. – ele apontou para minha Stratocaster toda preta com uma raposa rosa estilizada. Era o meu xodó. Minha Femme Fatale. A Fox.

Sorri tímida deixando com que minhas covinhas aparecessem. Minha guitarra era como uma filha para mim. Eu a levava para todos os cantos.

– Muito obrigada. Não quero tocar nada. Quer dizer, quero fazer algo novo. – dei de ombros.

– Seria uma honra compor com você, querida. – Keith disse fazendo voz de cantor de blues. Não economizei em minha gargalhada espalhafatosa.

– Tudo bem. – respirei fundo. – Está com criatividade? – perguntei.

– Sempre. Por quê?

– Porque eu também. Estou com umas ideias... E você pode ser irritante, mas continua sendo muito bom... Pode me ajudar? – perguntei olhando para o chão.

Eu estava completamente sem graça. Bem, eu passei a noite inteira e parte do dia implicando com o cara, para pedir uma colaboração. Por incrível que pareça, Keith sorriu sem deboche algum.

– Olha, olha. A guitarrista quer a minha ajuda? Estou lisonjeado. – estava demorando para ele começar com a porra da gracinha.

– Não quero mais ajuda nenhuma. – murmurei emburrada.

– Eu estou brincando, estressadinha! – ele me deu uma leve cotovelada. – Eu ajudo, e com prazer. Tem algo em mente?

– Tenho! – animei-me novamente. – Tenho alguns acordes e... Fiz uns versos.

Morning comes...

All the dreams i had has sank into the night

And all the light

Is passing through the window

Blinking on my hair

Killing all the shadows

That were my first Love.

Acompanhada da letra, segui com pequenos acordes em minha guitarra, que não estava ligada em um amplificador. Keith olhava extremamente atento aos meus movimentos.

– E ai? Gostou? – perguntei sorridente. Keith ainda me olhava. Seus olhos passavam doçura, misturada com um sentimento que eu não sabia definir muito bem. Mas eu tinha certeza que era bom.

– Eu sei que tenho poucos anos de carreira, mas mesmo assim, posso te dizer uma coisa? – ele perguntou e eu assenti um tanto quanto receosa. – Você é extremamente maravilhosa. E o mundo será seu.

Soltei todo o ar de meus pulmões em um suspiro aliviado. Meu sorriso mal cabia no rosto ao ouvir Keith proferir palavras doces direcionadas á mim. Coloquei a guitarra no canto do sofá que eu estava, e pulei em seu colo lhe dando o abraço mais sincero e carinhoso que eu poderia dar.

– Obrigada. – murmurei ajeitando-me em seu colo.

A poltrona de palha que Keith se encontrava, era relativamente pequena, então me sentei de lado em seu colo, vendo-o me olhar de maneira engraçada. Fiz menção em perguntar qual era o problema daquele doido, mas antes mesmo de qualquer palavra, fui surpreendida por um selinho vindo dele.

– Anita não gostaria de ver isso. – murmurei rindo fraco contra seus lábios finos.

– Anita não é minha esposa. – ele murmurou de volta.

– É apenas a ex-namorada de Brian, sim, que você roubou. – ri.

Donatella Noel Baldwin – Abracadabra –.

                                                        10 de Dezembro. 1968 | 17:21 p.m | Londres, Inglaterra.

– Essa música ficou incrível, Abra! – Roger disse animado.

– Jura que gostou? – abaixei-me ao lado de sua bateria, sorrindo carinhosamente para o meu gordinho.

– Eu amei. E pela cara da Alex... Ela também amou! – Roger concluiu.

Eu me virei dando de cara com aquele ser magro, alto, com um Black Power imenso e bem cuidado, com a pele negra, e roupas chiques. Alexandra Lilian Tanner, ou como a conhecíamos, Alex Space, era a mulher mais bonita do mundo inteiro, pelo menos para mim.

Alex era nossa manager, junto de Ryan Bale. Alex era séria, e bem, muito profissional. Ela cuidava da nossa imagem, cuidava das entrevistas, e também tinha o trabalho de nos arrumar bons hotéis quando fazíamos os shows. Enquanto Ryan cuidava de nos arrumar shows, e lidava com os estúdios. Para ser sincera, sempre achei o trabalho de Alex mais difícil. Cuidar da imagem pessoal de cinco músicos no auge de sua juventude nos anos 60 não era uma tarefa muito fácil. Mas ela tentava ao máximo, enquanto Ryan fazia o contrário.

Ryan Bale, dono de olhos azuis, cabelos loiros e um físico galanteador, era um completo – porém competente – cafajeste. Ryan nos levava para as melhores festas, e nos metia nos melhores problemas. Conosco, ele não parecia ter trinta e sete anos. E sim, vinte. No máximo vinte e três. Alex ficava uma fera quando ele voltava bêbado de algumas festas conosco, mas sempre acabava cuidando de todos nós. E bem, eu sempre achei que os dois pudessem se gostar, nem que seja um pouquinho.

– Bem, a música está realmente boa, Abra. – Alex mantinha um sorriso satisfeito nos lábios, agarrada em sua prancheta. – Vamos mandar a demo para o Rickmann, e quero vocês de volta aqui amanhã às 15:00, entenderam? Ele com certeza irá amar, e irá dar alguns toques para o disco.

Rickmann, Scott Rickmann era nosso produtor. Nosso mesmo. Rickmann era um amigo muito próximo do meu pai, e foi um dos primeiros a ouvir a Follow The Focus tocando uma música dos Beatles. Se eu não me engano...Lucy in the Sky with Diamonds.

Havia sido o aniversário de quarenta anos do meu pai, e eu estava animadíssima por ter tantas pessoas na minha casa. Assim como ele, eu amava festas. A sala estava tão abarrotada de pessoas, que eu sentia-me até um pouco perdida em ter de dar atenção á todos, especialmente á Peter Storm.

Peter era meu amigo de infância, que infelizmente teve de se mudar. Mas como nossos pais eram amigos, o pai dele o trouxe para a festa. Junto com ele, uma banda que ele estava montando. A então, Follow The Focus. Nós nos juntamos para tocar Lucy in the Sky with Diamonds, e bem, não soou tão mal. Isso foi o que Rickmann pensou quando insistiu para que nos juntássemos apenas para uma demo. Então, fizemos Horse With No Name, e desde então, não havíamos parado mais.

Saí direto do estúdio, para a casa de Keith. Queria dar-lhe a novidade de mão cheia. Todos no estúdio haviam adorado a música que ele havia me ajudado a compor. Durante aquele mês, Keith havia se tornado um grande amigo, e nem estava sendo tão irritante assim. Estávamos nos dando bem.

Nem fiz questão de bater na porta, já que Keith nunca trancava mesmo. Ele havia me dito que Anita não estaria em casa. Anita Pallenberg era sua namorada, e um tanto quanto possessiva. Por Deus, o homem dela não podia ter amigas? Eu não me via como uma ameaça. Até aquele dia.

Entrei na casa de Keith como um furacão, o procurando por todos os cantos. Encontrei-o em sua sala de instrumentos, com um cigarro na mão e mexendo em alguns papéis. Quando ele percebeu minha presença, deixou os papéis em cima da mesa que estava em sua frente, e veio me abraçar, sem tirar o cigarro da boca.

– Como foi? Eles devem ter se amarrado na música! – ele sussurrou durante o abraço.

– Se amarraram? Keith Richards, eles babaram! Até a Alex gostou, e você sabe que ela anda querendo me matar, não sabe? – perguntei separando-me do abraço. Eu estava eufórica.

– E ficou boa na voz do Storm? – ele perguntou ainda calmo. Aquilo estava me irritando. Aquilo não era o Keith.

– Até que sim. – dei de ombros. – Peter Pan canta bem. Mas me diga, por que está ridículo assim hoje?

– Hoje eu estou ridículo? – ele perguntou rindo. Assenti sentando-me onde ele estava antes. – Perto de você eu fico ridículo todo dia, bonitinha.

Olhei desconfiada para Keith. Ele realmente estava esquisito. Ele sempre foi, mas hoje... Ele estava esquisito em especial. E não, não era algo como algum efeito de droga, ou apenas bebida. Ele estava... Diferente. Menos irritante. E eu não estava gostando nada. Pessoas calmas me irritavam.

– Hum... Tudo bem. Só vim aqui para te contar mesmo. – Keith prendia o riso. Talvez pela minha cara de “estou de olho em você, Richards”.

– Posso te fazer uma pergunta? – ele perguntou sentando-se em outra cadeira da mesa.

– Pode, né. – dei de ombros.

– Dorme aqui comigo hoje? – Keith foi bem direto. Porém, eu não sabia o que ele queria dizer com “dormir”.

Eu poderia apenas dormir na casa dele e fazer uma guerra de travesseiros.

Eu poderia dormir na mesma cama que ele só para ele não se sentir sozinho.

E eu poderia dormir com ele.

– Como é que é? – perguntei. Talvez minha feição de estar tentando parecer incrédula havia sido demais. Keith soltou uma risada junto com tosses devido ao seu inseparável cigarro.

Engraçado. Um de seus inseparáveis cigarros veio parar misteriosamente entre meus dedos.

– Dorme aqui comigo. – falou naturalmente. – Gosto da sua companhia, e bem, Anita está com Mick gravando cenas de um filme maluco deles. Pode ser?

Respirei fundo, passando os olhos por cada cantinho de sua sala decorada com algumas guitarras pela parede. O olhei novamente estalando minha língua no céu da boca e finalmente dando uma resposta que me arrependeria com certeza.

– Tudo bem.

Keith quase me esmagou. Pelo pouco que eu conhecia de Keith Richards, eu sabia que ele não me forçaria a nada. O problema era eu querer. E eu não tinha tanta confiança assim em mim. Procuramos por algo em sua geladeira, mas foi completamente em vão. Keith só tinha bebidas e água. Após ter feito a praga ir ao mercado e voltar com uma massa de fazer bolo, e algumas coisas para confeitar, eu pude me sentir em casa.

– Você sabe fazer essa coisa? – ele perguntou apontando para o saco de bolo.

– Se você não sabe ler, tem uma coisa aqui atrás, que explica como faz. – apontei para a parte de trás do saco.

– Então eu mesmo posso fazer? – ele perguntou curioso.

– Eu não recomendaria. Sua cozinha até que é bonitinha, e não seria legal que ela pegasse fogo. – dei de ombros.

– Adoro quando você me dá patadas assim. – ele sorriu. Keith Richards poderia estar me irritando 1% a menos, mas o seu sorriso ainda era motivo de ódio.

– Deixe-me fazer o bolo, fazendo um favor. Estou com fome, e não estou nem um pouco a fim de jantar vodka com reboco de parede.

– Deus me livre, menina, sorria! – ele me sacudiu. Não aguentei e ri. Com Keith sempre seria assim. Todos á minha volta poderiam me taxar como a menina mais simpática do mundo, mas com ele, eu tinha necessidade de ser implicante.

– Eu estou sorrindo, veja. – abri um sorriso com meu rosto bem próximo ao dele.

– Você passa fio dental quantas vezes por dia? Não é possível que seu dente seja tão branco e alinhado assim. Você o pinta? – ele perguntou e eu ri novamente, tomando cuidado para que o ovo caísse dentro da tigela.

– Eu não passo muito. Você que não vê uma escova de dentes tem tempo. – debochei.

– Tudo bem, mocinha. Vai falar mal dos meus dentes agora? E depois? Do meu belo cabelo? – ele desceu do balcão, ficando em pé ao meu lado. Sim, ele estava em cima do balcão enquanto eu colocava os ingredientes junto á massa.

– Cabelo? Você chama esse tufo mal penteado de cabelo? – eu murmurei tentando abafar o riso. Não sei o porquê, mas aquilo pareceu tão engraçado para mim.

– Vou ser bem sincero: está para nascer uma pessoa mais ridícula do que você. – ele constatou me fazendo rir.

Eu me virei de frente para Keith, que estava atrás de mim. Mas não antes de pegar um pouco da massa já homogênea e lambuzar sua boca. Ele olhou para baixo ficando um pouco vesgo, e olhou para mim novamente.

– Limpa. – ele riu.

– Você passa lápis de olho, Keef? – continuei tentando abafar a minha risada. O que foi uma péssima ideia, porque comecei a roncar como um porco.

Keith então, olhou-me com a cara mais debochada o possível. Colocou seu dedo na massa do bolo, e passou pelos meus lábios.

– Posso limpar? – ele perguntou me imprensando no balcão da cozinha.

Não posso mentir. Eu e Keith nos beijávamos de vez em quando. Ele tinha namorada, mas... Nada era tão careta como é hoje em dia. O relacionamento de Keith e Anita era concreto, e por mais ridículo que seja dizer isso, eu gostava dela. Ela que não gostava de mim. Eles ficavam com outras pessoas, mas continuavam juntos. Era maravilhoso. Relação dos sonhos.

Não disse nada. Apenas aproximei nossos lábios, deixando Keith chupar meu lábio inferior, que era onde a massa do bolo estava. Sorri fraco quando ele parou, e vi que sua boca estava suja. Então, fiz o mesmo com ele. Mas obviamente, não parou por ai.

Keith me deu um selinho demorado, e não hesitou em passar sua língua pelos meus lábios, aprofundando o beijo. Suas mãos foram direto para a minha cintura, me colocando em cima do balcão, e me abraçando. Puxei seu cabelo com a mão direita, enquanto a esquerda acariciava seu abdômen incrivelmente não tão magro.

– Eu te perguntei se você queria passar a noite comigo. – ele disse separando o beijo. – Quer mesmo? – assenti.

Eu não conseguia falar nada. Apenas deixei que Keith me levasse para o segundo andar de sua casa novamente, me tacando em sua cama de casal bagunçada. Nem para arrumar aquilo ele servia. Ele não tinha empregados?

Eu não sabia se eu deveria ou não contar á Keith que ele seria o meu primeiro. E olha que eu nem me importava. Por isso, decidi não dizer nada. Para mim, virgindade sempre foi uma coisa relativa. Nem sempre o seu “primeiro” seria o seu último. E talvez, este mesmo “primeiro” menino dos sonhos, seria o seu pior pesadelo alguns meses, anos, ou mesmo dias depois.

Por isso, sempre sonhei que minha primeira vez fosse com um amigo. Era tão difícil um amigo decepcionar alguém, e bem, de um amigo você não esperava tanto. De Keith eu não esperava nada. O que tivesse que vir de bom, era lucro. O que tivesse que vir de decepção, eu não ligava.

– Você tem belos seios. – Keith disse olhando descaradamente para os meus seios. Céus! Eu me distrai por tanto tempo assim? Maldita hora para ser uma rebelde que critica a sociedade por obrigar as mulheres a usarem sutiã. Poderia ser um obstáculo a mais.

– Muito obrigada, você também. – falei sem pensar e o mesmo riu.

Keith já estava sem camisa, e eu também. O que nos separava era sua calça de estampa psicodélica e minha saia rodada vermelha.

– Eu posso tirar esse negócio? – ele apontou para minha saia. O olhei confusa.

– A menos que você tenha superpoder e consiga atravessar roupas, eu acho que pode. – sorri.

– Meu superpoder é outro. – ele sorriu malicioso. Diabo de sorriso irritante.

– Não repete isso, se não eu desisto. – ri alto.

– Eu não sei chegar em uma mulher como o Mick, facilita o meu lado, por favor.

Keith parecia estar lutando contra o botão de sua calça. E bom, resolvi facilitar. Saí de baixo dele enquanto ele me olhava curioso, e retirei minha saia, junto de minha calcinha. Foda-se os padrões da época, eu odiava aquelas calcinhas beges e grandes! Mas isso não me impedia de usar uma bela calcinha de ursos azuis. Que era o que eu estava usando naquele momento.

Keith finalmente conseguiu tirar a calça, e antes mesmo dele tirar sua cueca, apaguei a luz. Eu com certeza teria um ataque de risos, e a situação já estava constrangedora o suficiente. Por isso, sentei logo em seu colo sentindo Keith excitado por baixo de mim. Para não rir, beijei seus lábios finos, para dar um clima melhor.

Não foi a melhor ideia do mundo. E nem a pior. Foi a ideia ideal. Minha primeira vez foi com o guitarrista dos Rolling Stones, em sua casa, em sua cama, enquanto Anita Pallenberg gravava Performance com Mick Jagger. E sim, eu perdi a conta de quantas vezes eu ri com os comentários ridículos e “sem noção” de Keith durante o... Ato.

E só me lembro de ter acordado na “manhã” seguinte atrasada, para variar. E corri para o estúdio como louca.



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