História Abstinência - Capítulo 3


Escrita por: ~

Postado
Categorias Boku no Hero Academia (My Hero Academia)
Personagens Aizawa Shouta, Asui Tsuyu, Bakugo Katsuki, Lida Tenya, Midoriya Izuku, Mineta Minoru, Todoroki Shouto, Uraraka Ochako, Yagi "All Might" Toshinori
Tags Deku, Romance, Shoto, Tododeku, Yaoi
Visualizações 258
Palavras 4.608
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Colegial, Drama (Tragédia), Lemon, Romance e Novela, Shonen-Ai, Universo Alternativo, Violência, Yaoi
Avisos: Álcool, Drogas, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Mutilação, Sexo, Suicídio, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Gente, lá no meio do capitulo tem uma musica que o Shoto tava ouvindo é linda demais, é só sugestão, mas se quiserem, escute enquanto ler p cap, a experiência é muito boa 😍

O nome é I'll be good do cantor Jaymes Young!!!!!!

Entes que eu esqueça, lá vai a advertência, o capítulo contém cenas fortes de auto-mutilação, se você é afetado muito facilmente, sugiro que pule essa parte.

Por último, tenham uma boa leitura 🤗

Capítulo 3 - Há Malês que vem para o Bem...


Fanfic / Fanfiction Abstinência - Capítulo 3 - Há Malês que vem para o Bem...

Com cerca de meia hora ao lado de Todoroki ao caminho de sua casa, Izuku podia defini-lo em exatas três palavras, essas quais faziam total sentindo, na concepção do Peliverde, por exemplificar toda a personalidade do meio ruivo.

Ele era sério, em momento algum em todo o caminho Shoto falou algo de inútil relevância e também não havia tocado no assunto mais polêmico — para os dois, claro — do ocorrido há algumas horas atrás, e Izuku dava graças aos céus por ele não tocar no assunto, era sempre direto nas respostas e não tinha barreiras para fazer perguntas, seria quase espontaneidade se Todoroki fosse mais articulado e solto, o que Izuku tinha que ressaltar, não significava que ele era arrogante ou grosso, apenas que eles não tinham uma amizade aprofundada.

Todoroki também era muito discreto, ele tentava não chamar a atenção para si, não falava alto como alguem que Izuku conhecia — vulgo Katsuki —, muito menos parecia arrogante, era deverás uma pessoa única, e Izuku gostava disso, gostava de como Shoto era único.

E por fim, ele era muito atencioso, isso Midoriya deduziu pelo acontecido mais cedo — e lembrar disso fez as maçãs do rosto dele arderem de vergonha — onde Todoroki quando o flagrou não gritou, ou o agrediu, o modo como segurou seu pulso sequer podia ser classificado como força, foi tão sútil que surpreendeu o Peliverde.

Enquanto acompanhava o Peliverde, Shoto o analisava também, viu todas as olhadas de canto de olho que ele lhe direcionava, deixava nítido que ele também era avaliado, Izuku era como Todoroki, perceptível.

E o meio ruivo era tão perceptível que notou quando o rosto do outro avermelhou, e para Shoto, era óbvio o motivo.

Izuku tinha lembrado do flagrante.

E mais uma vez, a curiosidade de saber o que aconteceu naquele momento abateu o meio ruivo.

E Todoroki era direto como o próprio Izuku tinha percebido.

— Midoriya, posso perguntar uma coisa? — o som da voz mansa de Shoto atingiu o Peliverde de repente, ele não espera uma conversa.

— Eh... Ah, claro, Todoroki-kun — sorriu meio desconcertado.

— Por que hoje de manhã você estava mexendo no meu cabelo? — mais uma vez, curto e direto, o que fez Izuku engasgar com a própria saliva.

Afinal, devia falar a verdade? Obviamente... Mas será que conseguiria?

— Eu... Er... Eu... Bem, como vou dizer — sem jeito, coçou a nuca, não fazia ideia de como dizer, mas tentaria — É que, tinha umas pétalas de flor no seu cabelo, sabe, e eu... Eu só queria tirar — disse corando, era tão vergonhoso que sequer ele conseguia olhar para o meio ruivo, ainda mais sabendo que ele estaria o encarando fervorosamente — Eu... Me desculpe por ser invasivo... Não  era a minha intensão te aborrecer...

Com a cabeça abaixada Izuku não pode ver, mas Todoroki estava sorrindo discretamente, quer dizer, ele não estava bravo, nem quando ele pegou o Peliverde em flagrante ele ficou irritado, mas era engraçadinho ver Midorya todo acanhado como ele estava alí.

Por tal, Shoto sentiu a necessidade de aliviar o seu mais novo companheiro.

— Eu não estou bravo — disse, o que chamou a atenção do Peliverde, e ele se deleitou com o sorrisinho de lado de Todoroki — É só que... Você me surpreendeu...

E toda a tensão foi quebrada com aquelas palavras, a partir daquele segundo, uma conversa sútil surgiu entre os dois, fazendo com que chegassem à casa de Midoriya sem sequer notarem.

Izuku abriu a porta de sua casa vagarosamente.

Deu passagem para Todoroki e que, ao tirar os sapatos, pedindo licença entrou na casa.

Reparando agora, puxando na memória, aquela devia ser a primeira vez que eles estariam sozinhos, ou mesmo se quer juntos, em um cômodo.

E o pensamento de se enturmar com Shoto não desagradava nem um pouco Midoriya, mesmo que ele nunca tivesse tido uma aproximação amigável com Todoroki, Izuku sabia que ele era gentil, era um bom amigo para Momo, e de algum jeito, Midoriya queria ser amigo daquele Todoroki quieto e gentil.

Quando Izuku fechou a porta de sua casa, pode ouvir cochichos vindo da cozinha, sabia que sua mãe estaria em casa, mas não que teriam visitas, e por tal, a curiosidade abrangeu o Peliverde.

Seguiu para a cozinha com o meio ruivo em seu encalço. 

Ao chegar na cozinha pode ver  sua mãe sentada à mesa conversando com um homem.

E Izuku conhecia muito bem aquele homem. Ele estava de costa, seu cabelo loiro arrepiado como sempre e a magreza estava mais nítida do que da última vez que o tinha visto.

Quando sua mãe finalmente notou a presença de Midoriya, lhe dirigiu seu mais amável sorriso costumeiro.

— Izuku, querido, bem vindo de volta — se levantou da cadeira e foi em direção do filho lhe dando um abraço, o homem loiro se virou e quando viu o Peliverde, o sorriso foi grande.

— Midoriya, Meu garoto, é muito bom te ver — o homem se levantou e abriu os braços, ele esperava um abraço também.

Izuku estava extasiado com ele, fazia anos que não via o homem que admirava, fazia anos que não via aquele sorriso largo, fazia anos que não ouvia alguem chama-lo de Meu garoto, e toda a animação de Midoriya não podia ser contida, não tinha como, tanto que seu corpo se moveu sozinho, e quando notou já estava nos braços do outro, recebendo o tão esperado abraço.

— Tio All Might — disse em meio aos sorriso, a alegria se espalhou pela cozinha e todos no ambiente via a diferença das expressões do Peliverde, havia contagiado a todos.

Quando Inko se deu conta que havia alguém mais com eles, tratou de correr para cumprimentar o meio ruivo.

— Oh querido, você trouxe um amigo — a mulher disse se encaminhado para o ruivo.

Izuku se soltou do seu velho tio e olhou para sua mãe, tinha se esquecido de que Todoroki estava ali também.

— Mãe, esse é o Todoroki-kun — o apresentou e logo em seguida continuou — Ele veio fazer um trabalho comigo.

Inko sorriu, era o primeiro amigo que Izuku trazia em casa, e por tal, tinha que ser atenciosa.

— Desculpe os nossos modos, querido, eu sou a mãe do Izuku... Pode me chamar de Inko.

Todoroki olhou o sorriso da mulher e o retribuiu minimamente com outro.

— Eu sou Todoroki Shoto, senhora, é um prazer conhece-la, Sra. Midoriya — reverenciou e em seguida estendeu a mão em um cumprimento formal, este qual foi encarado por Inko.

— Oh, não precisa dessa formalidade toda, menino... Venha me dar um abraço — e tudo foi tão rápido que Todoroki não pode assimilar.

Em um mísero segundo ele ja estava sendo apertado pelos braços da mulher e qual não foi seu embaraço por isso.

Seu rosto avermelhou e quando Izuku notou, teve que conter o riso divertido, era estranho ver Shoto envergonhado.

Quando Inko soltou o meio ruivo, Izuku apresentou a ele All Might, que era seu tio — de consideração, já que não havia laços sanguíneos entre eles — e assim continuaram a conversar.

Quando os dois subiram para o quarto do Peliverde, Todoroki tomou coragem de perguntar se o nome do tio de Izuku era mesmo All Might.

Com um riso contido, Izuku explicou que na verdade ele se chamava Yagi Toshinori, All Might era só apelido dele por ele ser um grande herói da literatura, ele era um autor e seu apelido na mídia era All Might porque ele tinha o poder de fazer as pessoas se envolver com suas histórias, elas choravam com os personagens, riam com eles e toda a dor que transmitiam podia ser sentida. All Might era a lenda que todos admiravam, e isso incluía o próprio Midoriya no fã-clube do autor.

Os dois continuaram a conversar durante um bom tempo, estavam interessados um no outro e nem viram o tempo passar.

E assim se seguiu a noite até que Shoto fosse embora​ e durante uma semana, esse foi o roteiro dos dois.

Nesta uma semana, Izuku não tinha ido um dia sequer a casa do meio ruivo ainda, era sempre em sua casa que estavam, não era desagradável, na verdade sua mãe o adorava, como a própria disse, ela sentia certo apreço pelo meio ruivo, o achava um menino dócil, gentil e educado, que conquistou Inko em um olhar só, tanto que Inko já tratava-o como um filho.

Nesse tempo, coisas foram descobertas um pelo outro, Izuku contou um pouco sobre sua família, isto é, falou sobre sua mãe e All Might, contou sobre o abandono de seu pai e o quanto não sentia falta dele, contou sobre como foi sua infância — tirando a parte do bullying — e sobre como não sabia o que faria no futuro, contou sobre varias coisas e ouviu sobre outras também.

Shoto contou que sua família era composta por sua mãe, irmã e pai, contou que sua mãe estava internada em um hospital mas não deu detalhes de tal e Izuku não o pressionou para saber, se Todoroki não queria dizer, ele não insistiria. Poucas coisas foram ditas sobre a família do meio ruivo, mas dava pra notar que havia uma tensão quando o assunto era o pai dele.

A experiência da troca de vida um com o outro estava fazendo bem a Midoriya, afinal, de algum modo o Peliverde se identificava muito com o Todoroki, não tinham a mesma família ou experiência, mas ainda assim, havia uma sintonia entre os dois.

Tanto era que quando Izuku acordou cedo seu humor estava ótimo, tinha uma leveza em seus pensamentos e nem se quer lembrava mais sobre seus temores.

Mas era algo passageiro e Midoriya deveria lembrar-se disso, tanto que quando se deu conta da realidade o impacto foi forte demais.

Quando ele desceu as escadas e caminhou para a cozinha naquele dia, teve a surpresa de encontrar a sua mãe vendo um álbum de fotos.

Ela estava sentada a mesa com um olhar caído, Inko estava triste e aquele mexeu com Izuku, afinal, sua mãe evitava ao máximo demonstrar tristeza, e era tão estranho vê-la cabisbaixa que o primeiro impulso do Peliverde foi chegar para conversar com sua mãe.

— Mãe?! — chamou-a se sentando na cadeira a frente dela, a mulher levantou o olhar e sorriu abatida para o filho — Ta tudo bem, mãe? Aconteceu algo?

Com cuidado Inko fechou o velho álbum de fotos e olhou fundo nos olhos verdes do filho. Ah, como ela queria evitar o que estava prestes a contar, sabia que se estava sendo difícil para ela, para Izuku seria muito pior.

Sabia bem como o filho iria reagir, mas precisava contar, afinal ele seria o mais afetado depois de tudo.

— Izuku, querido, eu preciso te contar algo.

Com aquelas palavras foram o suficiente para que Izuku tremesse e o ar ficasse tenso.

Algo ruim estava por vir...

(...)

Todoroki acordava todos os dias as seis da manhã, acordava na intensão de não ver ninguém de manhã, nem sua mãe, que as vezes voltava do hospital ou sua irmã e muito menos queria ver a cara do homem que se dizia seu pai.

Então todos os dias, ele pegava seu moleton, colocava o tênis de corrida, e partia para uma longa corrida de uma hora, era fascinante como o exercício fazia bem ao corpo do meio ruivo, era exaustivo, mas o trazia uma paz que era inalcançável quando estava preso em casa.

E por tal, quando saiu de casa, colocou os fones de ouvido e começou a sua caminhada, tinha que acelerar o passo dessa vez por estar começando a chuviscar.

Enquanto corria, sua mente começou a viajar com a musica que tocava.

A música era a I'll be good, e como Shoto amava aquela musica, tinha uma parte da letra que o descrevia de tal forma que nem ele conseguia colocar em palavras, todos os seus sentimentos eram expostos em cada palavra que ouvia.

A musica falava como uma pessoa queria mudar por outra, que esse alguém valia o suficiente para ser bom novamente, e que amar o mundo era lindo, era algo que a pessoa expressada na musica queria fazer pelo outro.

E esse era o próprio Todoroki, mesmo que no momento ele não tivesse alguém pelo qual lutar e amar, mudar e avançar, era esse o desejo do próprio Shoto, ele queria ser Bom para os outros e queria amar o mundo como deveria, apesar de não saber como... Ele queria.

Por isso a musica refletia o âmago dele, porque ele queria ser bom como o que é descrito na musica, ele não queria ser mais o demônio da manhã.

Enquanto pensava em si e nos seus desejos, ao longe ele viu uma cabeleira esverdeada e o meio ruivo não precisava chegar perto para saber que era Midoriya ali.

Como sempre que via o Peliverde, o interior de Todoroki se revirou, podia não dizer, mas tamanha era a curiosidade que ele sentia só em pensar em Izuku, e mais ainda depois de conversar com o próprio durante uma semana, ele era tão calmado, tão distante, que fazia Todoroki sentir o mistério que tinha ao redor do Peliverde.

Ele descobriu tantas coisas sobre o outro que não sabia, descobriu tantas dores passadas daquela família, cada mínima palavra do Peliverde era carregada com emoção, o altruísmo dele era tanto que fazia o coração de Todoroki se encher de alegria, a todo momento Midoriya tentava ajudar os outros, e não era uma obrigação, era voluntário, era o jeito do próprio de agir.

E com esses pensamentos acabou por seguir o menino por entre as ruelas daquela cidade, não queria ser invasivo, mas a curiosidade de saber o porquê Midoriya estava andando as seis da manhã pelas ruas no meio da garoa era grande demais.

O seguiu até o rio da cidade, viu quando o Peliverde se sentou ao pé de uma árvore em frente ao riu, observou de longe as costas do outro, o viu revirar o próprio bolso e retirar algo metálico de lá, ficou alguns segundos analisando se era uma boa idéia se aproximar até realmente ir falar com o Peliverde.

— Midoriya?! — chamou, o que pegou desprevenido Izuku, o assustando, mas era o esperado.

— Ah... Todoroki-kun?! — com rapidez, o menino mexeu abaixando as mangas de sua blusa e escondeu o tal objeto embaixo de si, coisa que deixou o meio ruivo desconfiado — O-o que faz aqui, T-Todoroki-kun?

O sorriso era falso, não havia felicidade ali e Shoto podia perceber aquilo, era uma tentativa de engana-lo.

Mas Todoroki não era tolo, não sabia o porquê do falso sorriso, mas com certeza descobriria.

— Eu corro todas as manhãs — respondeu sem rodeios enquanto analisava o Peliverde, ele estava nervoso demais — E você? O que faz na rua uma hora dessas?

Ele viu o momento que o nervosismo transpassava, Midoriya sequer conseguia falar, apenas apertava o braço fortemente, o que não passou despercebido por Todoroki, que focou o olhar nos braços cobertos do Peliverde

Antes de qualquer palavra ser proferida por Izuku, os olhos afiados de Todoroki viram os filetes de algo vermelho começarem a sujar a manga da blusa do Peliverde.

Izuku estava machucado e todo o corpo de Shoto reagiu a esse pensamento.

Isso é sangue?! — o que aconteceu no minuto seguinte foi rapido demais para qualquer um dos dois assimilar.

Em uma fração de segundo, Todoroki ajoelhou a frente de Izuku e puxou seu braço, antes do outro ter tempo de protestar, seus braços já foram descobertos, e quando Shoto visualizou a extensão da pele alva dos braços de Izuku todos os seus sentido aguçaram, todo o seu corpo se arrepiou.

Ao longo do braço esquerdo de Izuku estava vários cortes a sangrar, eram tantos que fazia o braço todo de Midoriya se encharcar, eram fundos e precisos, eram o tipos de cortes que se faz com intenção, mas o mais assustador eram as incontáveis cicatrizes que os dois braços tinham, linhas retas que delineava os calculados cortes, eram cicatrizes perfeitamente retas, tantas e tantas.

O que significava aquilo?

Todoroki estava atônito.

Quando finalmente Izuku se deu conta da situação puxou o braço com rapidez e puxou as mangas para cobrir os cortes novamente.

Tudo que sempre evitou estava acontecendo naquele momento.

Alguém tinha descoberto seu mais profundo segredo.

E esse alguém era logo a única pessoa no mundo que Izuku não conseguiria driblar.

— Eu... Isso... — tentava começar a se explicar, mas... O que explicaria?! Estava tudo ali, as evidências falavam por si só, e o próprio Todoroki já tinha compreendido tudo, seu momento atônito deu lugar para as perguntas emergentes.

— Midorya, isso é... — e quem disse que a palavra saia, ainda não dava para acreditar, então apenas sobrou uma pergunta... — Por que?

E nada nunca havia deixado Izuku mais confuso na vida, afinal, por que?!

— Eh?! — como responderia se sequer ele entendia, tanto que a sua fala saia fragmentada — E-eu não sei... Eu só... Precisava disso — por algum motivo, Izuku se sentia envergonhado, mais por estar sobre o olhar inquisitivo do meio ruivo.

E mais e mais perguntas surgiram, o motivo tinha que estar claro.

— Me diz o que aconteceu... Me diz... — pediu e pegou as mãos de Midoriya o fazendo o olhar — Por que estava se cortando?

Dessa vez Shoto pode contemplar quando o ar falto nos pulmões de Izuku, todo o seu semblante se estremeceu, dor era o que ele demonstrava.

— O All Might... Meu tio... Ele... Ta morrendo... — e todo o mundo de Midoriya desabou ao dizer em voz alta aquelas três palavras, era como se a ficha finalmente caísse, nesse segundo, Shoto abaixou as mãos dos dois apenas segurando cuidadosamente a mão do Peliverde — Eu descobri hoje... Minha mãe me disse quando acordei... Foi por isso que ele veio aquele dia em casa... Ele estava fazendo o testamento dele, Todoroki-kun — os olhos verdes brilhavam em agonia, e Shoto podia entender aquela dor, já tinha passado por ela.

Com cuidado, ele esperou, sabia que Izuku diria tudo com o seu devido tempo, era só esperar... Ele apenas precisava esperar que o Peliverde tomasse coragem para dizer.

— Eu... Eu não suportei a idéia dele... Morrer... — continuou aos poucos e mais uma vez, abaixou a cabeça, sentia que se continuasse a olhar os olhos heterocromaticos sua alma seria toda avaliada, Todoroki tinha esse estranho poder sobre ele.

Shoto encarou o topo do cabelo verde enrolado, agora sabia o porquê dos cortes recentes, mas as cicatrizes eram antigas, os cortes estavam perpetuando pelo tempo, não era a primeira vez que aquilo acontecia, tinha certeza, e se Shoto não fizesse nada agora, tinha consciência de que não seria a última.

— Mas as cicatrizes... Midoriya, elas não são de agora — disse e dessa vez Izuku puxou suas mãos e as apertou em punho, estava frustado por ser exposto daquela forma.

— Quer saber mesmo, Todoroki-kun?! Tem certeza disso?! — exclamou afoito, afinal, por que de tanta insistência por parte do meio ruivo? O que ele queria? — Isso não é algo que vai te dar alívio, não vai te trazer paz ou prazer, então, POR QUE VOCÊ SE IMPORTA?!

Eram perguntas que até Shoto queria saber, mas não sabia como responder, quer dizer, ele se importava com Izuku sim, eles eram amigos agora, tinha uma empatia entre eles, os dois gostavam da companhia um do outro, havia uma amizade ali, pequena e nova, mas boa, então Todoroki se preocupava sim como Midoriya.

E essa seria sua resposta, mesmo que não fosse a definição exata para o que sentia, até porque o próprio não sabia direito o que sentia, mesmo assim, Izuku era seu amigo.

— Eu me preocupo com você, Midoriya, você é meu amigo — tais eram as palavras, mas não era só isso, ele queria dizer mais, mas não podia, não ainda, porém o efeito delas fez com que Izuku olhasse para Todoroki de novo — Eu sei que é difícil pra você, mas não é com cortes que vai resolver isso, Midoriya, tem outros jeitos de encarar isso.

Pronto, estava feito, tais palavras foram o suficiente para fazer Izuku se exaltar.

— Então me diz como, Todoroki-kun? Porque eu realmente não sei como aliviar isso — era tão nítido o conflito nos olhos verdes que o próprio Shoto quase podia sentir o que Midoriya sentia, ele estava tão perdido e não sabia como melhorar — Você viu, não é? Ele é o único que sempre esteve comigo, nem minha mãe me fez sentir tão vivo quanto All Might fez... Ele é o meu herói... E está morrendo... E eu não tenho poder algum para ajudar... Ele definha cada dia mais na minha frente e tudo que posso fazer é apenas sentar e assistir... Isso é doloroso demais.

Como era possível Todoroki se sentir tão fragilizado vendo Midoriya daquele jeito?! Como aquele menino conseguia mexer com o âmago dele daquela forma.

Tudo aquilo só fazia que Shoto ficasse mais preocupado com o Peliverde.

— Midoriya, isso é loucura, não é com cortes que você se sentira aliviado — Todoroki tentava argumentar, mas Izuku não queria ouvir, ele estava cego naquele momento, tanto era sua confusão interior — Ele não vai melhor vendo você se destruir... Só vai causar mais dor para ele.

Ouvir isso só fez Izuku se irritar, não era como se ele não soubesse que os cortes não iriam ajudar, mas ele só não conseguia evitar.

A verdade era que Midoriya já estava dependente demais daquilo.

— O que você acha que sabe, hein?! — disse e se levantou do chão, não tinha como se sentir calmo naquele momento — Isso não depende de mim, Todoroki-kun, é pior do que qualquer coisa, quando eu sinto a ansiedade, os meus temores voltam, e toda vez é mais forte que a anterior, eu não consigo parar isso... Mas eu quero que acabe...

O Peliverde estava desesperado, quando começou a falar, nada podia ser parado, e agora, até os seus mais profundos pensamentos estavam sendo expostos para o outro, agora era nítido o abismo que havia embaixo dos pés de Midoriya.

— Eu sei que pode ser difícil, mas tem que ter um jeito de parar isso, Midoriya.

— Se eu tivesse alguma forma de evitar isso, eu evitaria, mas... Não tem... Eu... Eu não consigo me conter — franziu o cenho, aquilo machucava mais do que qualquer coisa, para Izuku admitir aquilo para outra pessoa só o fazia ver o quão perdido ele estava, o quão dependente de um pedaço medíocre de metal ele estava — Quando a ansiedade volta, eu me sinto horrível, é como... Como... Como parar de respirar, entende — tentava buscar formas de explicar o que sentia, o que buscava sentir — Se eu não sinto a endorfina, eu começo a sufocar, é deseperador... Me faz querer morrer...

Tudo saía em disparado por sua boca, Midoriya não conseguia conter a voz, ele estava desabando ali, depois de anos sem ninguém para escuta-lo, finalmente poder dizer o que sentia o estava deixando louco, cada sentimento conflituoso que guardou finalmente estavam surgindo e a explosão que fazia dentro do âmago do Peliverde deixava nítido o estrago de anos suprimido aquilo, aos olhos de Todoroki, Izuku estava sofrendo como um condenado, a dor estava palpável, transpassava pelos olhos verdes doloridos.

Era tanta confusão que ele podia ver, era tanto sofrimento escondido que fazia o meio ruivo se desesperar também, estava o atingindo também, e tudo o que ele queria era ajudar Midoriya a passar daquele ponto, e o faria da forma que conseguisse, nem que para isso, precisasse se sacrificar por ele.

— Midoriya, se acalme — pediu se levantando finalmente e indo em direção do Peliverde, ficando a sua frente, encarando os olhos verdes — Não precisa ser assim, me deixe te ajudar.

E Izuku riu.

Não era por ser engraçado, ele riu de amargura, riu de si mesmo, riu de sua desgraça, a situação estava tão crítica que ele precisava de ajuda.

— Me ajudar?! — ele não queria maltratar o meio ruivo, longe disso, muito menos magoa-lo, mas tudo que Izuku via era o branco de sua mente, ele não controlava as próprias palavras naquele momento — Como vai me ajudar, Todoroki-kun? Você, por um acaso, vai estar aqui quando a abstinência voltar? Vai me consolar quando tudo estiver errado de novo? Vai conseguir suprimir meus desejos depressivos? Você pode me abraçar quando eu... Precisar? — perguntou e não houve respostas do meio ruivo, tudo o que fez Izuku se desesperar, afinal o que Midoriya estava tentando ali?! — Ninguém pode me ajudar, nem você pode, Todoroki-kun, eu to sozinho nessa, então não venha dizer que não precisa ser assim, porque eu... Eu não sei como.

Todos os sentimentos do Peliverde estavam sendo enxotados para fora, era mais forte que si, a dor era tanta depois de anos, que os olhos de Midoriya estavam pesados, ele queria chorar, mas não o faria, não na frente de Shoto, não queria que o meio ruivo visse mais de sua decadência.

Tentando se esconder de alguma forma, Midoriya abaixou a cabeça, podia ver embaçado os pés de Shoto, este qual deu um passo a frente, e sem que pudesse assimilar direito o que estava acontecendo, os braços do meio ruivo já o rodeavam.

Depois de tanto tempo, Izuku sentia o calor de um abraço de conforto.

E não era só um abraço, como os de comprimento, era aconchegante, caloroso, tinha sentimentos e emoções envoltos ali, e tudo isso só acarretava em mais compaixão.

Todoroki estava sim abraçando Midoriya com todo o seu coração.

Era alma com alma, dor com dor, não tinham barreiras naquele momento.

Eu vou ajudar, Izuku... Eu prometo que vou — sussurrou calmamente para ele, não era da boca para fora, Todoroki estava disposto a enfrentar o céu e inferno por aquela pessoa — Eu vou estar aqui quando precisar, como estou agora, quando sentir que está sozinho de novo, dessa vez eu vou estar do seu lado, quando tudo estiver errado, vou te confortar... E quando seu mundo desmoronar de novo, eu vou estar te abraçando, como agora... — as mãos de Todoroki acariciavam as omoplatas de Izuku, o que contribuiu para o abraço ser recíproco, Midoriya também estava abraçando o meio ruivo, suas mãos seguravam o tecido da camisa com tamanha força que os nós de sua mão estavam brancos, Todoroki estava se tornando a tábua de salvação de Izuku, e se dependesse dele, nunca soltaria — Eu estou aqui agora, não é por nada que digo isso, eu não tentarei te ajudar, eu vou te ajudar... Vou te mostrar que tem outro jeito...

Ele tentava segurar as lágrimas, mas não dava, Izuku se sentia tão quente naquele momento que seu choro foi inevitável, seu coração chorava mais que seus olhos, aquela dor transbordando o estava sufocando antes, mas agora, tudo estava mais leve.

E por minutos, palavras não foram mais necessárias para que eles se entendessem, para que Shoto entendesse o pedido mudo de ajuda do outro, também não eram necessário palavras que demonstrasse que Todoroki estava sério em sua decisão, o abraço falava por si só.

Tantas eram as duvidas dos dois jovens naquele momento, para Todoroki que não entendia o porquê de estar tão mexido com o estado do Peliverde, não sabia porquê queria ajuda-lo, muito menos porque aquela confusão de sentimentos explodiam dentro dele, estava aflito ao ver aquelas cicatrizes, pensar no sofrimento de Izuku fazia ele próprio se angustiar.

Já Izuku estava se sentindo mais leve com o abraço, seu coração parecia finalmente respirar, tudo parecia fazer sentido agora, sua visão turva pelas lágrima via melhor do que antes tudo ao seu redor, tudo começava a ganhar cor e o sol brilhava mais forte, as gotículas da chuva refletiam o olhar de Izuku e tudo estava parecendo mais vivo.

Naquele deslumbre de realidade, Izuku admitiu a si mesmo que precisava de Shoto para seguir em frente, mesmo que não dissesse, ali estava a prova que jamais Izuku poderia viver sem aquele abraço.

Era o novo vício de Midoriya.

O abraço de Todoroki era mais viciante que qualquer corte que já fez na vida.

E Izuku estava adorando isso.


Notas Finais


Espero que tenham gostado, porque eu to amando escrever essa fic, ta sendo libertador ❤️

Até o próximo, bebes ❤️


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