História Academia de Fadas - Capítulo 90


Escrita por: ~

Postado
Categorias Fairy Tail
Personagens Cana Alberona, Erza Scarlet, Gajeel Redfox, Gildartz, Gray Fullbuster, Jellal Fernandes, Juvia Lockser, Levy McGarden, Lisanna Strauss, Lucy Heartfilia, Natsu Dragneel, Sting Eucliffe
Tags Amizadecolorida, Amor, Beijos, Colegial, Drama, Gale, Gruvia, Hentai, Intrigas, Jerza, Lucy, Nalu, Namoro, Natsu, Romance
Exibições 504
Palavras 4.050
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Comédia, Drama (Tragédia), Escolar, Famí­lia, Hentai, Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


OIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII AMORES!
Eu não disse que voltava? hahahaha *000000*
Fiquei realmente comovida com o número de comentários no especial mesmo nesse curto período! Muito obrigada para quem pode aparecer para deixar meu dia mais feliz <3
Maaaaaas para a felicidade, ou infelicidade, de todos: a continuação.
O que adiantar desse capítulo?
Ele contém muitas cenas intensas e uma das cenas que acho mais "nobres" da fanfic.
Espero muito que gostem! *000*
Boa leitura ♥

Capítulo 90 - Capítulo 41 Conflitos Internos


 

Capítulo 41 Conflitos Internos

Há tantos pensamentos confusos dentro de mim que às vezes minha mente simplesmente fica em branco, cansada disso tudo. Uma parte de mim tenta negar esse acontecimento de todas as formas possíveis. Outra está tentando se conformar, mesmo que uma parcela de mim ainda está desesperada. E mesmo nessa confusão, ainda há um pedaço do meu coração muito feliz. Como pode haver tantas de mim, sendo eu apenas uma?

Um filho... quão grande é a responsabilidade contida nesse único substantivo?

São tantas e tantas consequências para isso. Aos poucos estou tendo noção disso. Como também percebo como era fácil falar de Levy, pois estar no corpo de uma grávida é completamente diferente.

As emoções ficam a mil por hora e você tem que replanejar sua vida do zero. Redefini-la por completo. Porque agora não seria apenas eu. Nada dos meus planos importam mais. A partir deste momento não seria mais a minha vida, é minha também, mas terei que partilhá-la. É incrível como tudo muda e não apenas os planos, sua visão sobre a vida é totalmente revertida.

Não sei se estou pronta para tudo isso.

Meu lado pessimista fica todo o tempo me lembrando de que estou sem emprego, que ainda tenho metade de uma faculdade para terminar e... que o pai dessa criança vai se casar com outra. Mas... tem um outro lado — muito mais fraco que o primeiro — que tem alterado meus conceitos: a sensação de ser mãe.

Talvez eu realmente goste de ser mãe. Eu sou muito nova, mas acredito em mim. Sei que serei capaz de passar por isso. Mesmo que minha vida esteja de cabeça para baixo, agora tenho uma motivação muito maior. Um filho meu e de Natsu crescendo dentro de mim. Toco meu ventre e sorrio discretamente.

Nosso amor, tão perto de mim.

— Sabe Lu-chan... — Levy puxa conversa assim que Sting se retira. E se ela esperou ele sair é porque o assunto é sério — Você... deveria mesmo contar para ele, sabe... o pai dessa criança — fala um pouco hesitante.

Depois de todo meu choro e inconformidade, acho que ela está com medo de como eu reagiria ao seu conselho.

— Levy-chan, você prometeu que não contaria a ninguém — recordo-lhe de alguns minutos antes.

Não é como se eu não confiasse nela, aliás, não deve existir alguém que eu confie tanto quanto ela. Como também sei que ela está apenas preocupada comigo. Mas isso é tudo tão... intenso para mim. Preciso cuidar disso sozinha.

— E não vou contar — defendeu-se rapidamente — Estou apenas te dizendo — continuou um pouco afobada e depois respirou fundo — Você não pode esconder isso para sempre. Um dia essa barriga vai aparecer, e aí? Você sabe que ele gostaria de saber...

— Não teria tanta certeza — Corto seu sermão ao meio — Eu comecei a pensar em tudo o que vivemos sabe? — tento controlar minha voz, mas ela logo começa a afinar por causa da vontade de chorar — Eu sempre sinto vontade de chorar, desculpe — respiro fundo para tentar continuar — Desde que ele se foi da primeira vez, eu alimentei esperanças dentro de mim. Você sabe disso Levy-chan. Então as coisas desmoronam de novo e de novo, eu fico arrasada sempre e ainda busco forças que nem tenho mais para continuar a lutar pela gente.

“Aquele dia do noivado da Erza, nem eu pude acreditar no que fiz e falei. Eu estava tão desesperada! Porque bem ali diante de mim, ele estava dando tchau de novo. Mesmo assim, eu briguei com meu pai. Foi por mim também, claro, mas... eu só queria que tudo isso acabasse para poder voltar com ele. E ele? Não estou dizendo que é para ele abandonar a família por mim. Nem eu aceitaria algo assim. Mas ele se conformou tão fácil... Ele... pediu para que eu desistisse... Talvez tudo aquilo que criei de ilusão para mim não fosse nada. ”

— E agora... não posso apostar todas minhas fichas em algo que nunca foi sólido. Preciso fazer as escolhas corretas porque não condiz apenas a mim — desabafo tudo o que estava entalado.

Estive pensando em tudo isso por muito tempo. Mas quando descobri sobre minha gravidez percebi como minhas escolhas interferem em todo meu futuro.

Desde que nos conhecemos, fui errando e acumulando arrependimentos. Eu fui fraca por não ter dito meus sentimentos logo de início. Fui idiota por não ter acreditado na armação de Lisanna e talvez ridícula por tê-lo ignorado por tanto tempo. Mas às vezes... só queria valer uma luta a mais. Acho que estou cansada.

Cheguei até aqui aos tropeços e choros. Agora preciso ser forte. Talvez já estivesse escrito há muito tempo nas entrelinhas tortas do destino: Eu e Natsu vamos ficar separados. Quem sabe ele tenha mesmo razão, não adianta lutar. Sinceramente... não tenho mais forças para tal. Precisamos aceitar as coisas como são e seguir em frente.

— Você não pode estar falando sério, Lu-chan! — Levy resmunga ao meu lado, indignada por minhas escolhas.

A porta se abre e a conversa cessa no mesmo instante. Sting olha de mim para Levy, estranhando nossas expressões sérias.

— Hm... querem que eu saia? — pergunta ainda na porta.

Não precisa de muito para reparar que o clima aqui dentro está um pouco tenso.

— Não — digo de prontidão — Fique.

Abro um sorriso fraco, fazendo com que ele entre ainda incerto sobre minha frase. Levy e eu nunca fomos as pessoas mais discretas do mundo. Mas não quero mais conversar sobre esse assunto: Natsu. Era sempre Natsu. A grande incógnita da minha vida. Será que até o fim dela vai ser assim?

Escuto um zumbido vindo da mesa ao lado da porta. Todos olham para o celular vibrando sobre a madeira. O meu celular. Sinto meu coração saltar só de olhá-lo.

Sting que se encontrava mais próximo, pegou o celular e o trouxe até mim. Ele olhou para tela antes de me entregar e me olhou um pouco angustiado. Só por sua expressão eu já soube, era ele. Saber disso foi o suficiente para fazer meu corpo petrificar. O que ele iria querer justo agora? Não temos nos falado há eras e bem neste momento ele me liga?

Os minutos se passam em câmera lenta enquanto o celular continua a vibrar. Levy e Sting continuam me olhando, esperando que eu reagisse. Engulo em seco e faço um sinal para que Sting atendesse. Ele relutou, mas logo se deu por vencido.

— Alô? — Sting atende e liga o viva voz. Olho confusa para ele.

Oi — a voz de Natsu soa pelo quarto, fazendo meu corpo estremecer — A Lucy está aí? — percebo a hesitação em sua voz por estranhar a voz que atendeu meu celular.

Aposto que deve ter olhado para tela apenas para conferir se ligou certo. Talvez não tenha mesmo ligado.

— Então cara, ela está... — começa a responder e me olha para saber o que falar. Apenas balanço a cabeça negativamente — ocupada — completa a frase em dúvida.

Sting? — Natsu pergunta com certa indignação e meu coração acelera ainda mais, lembrando de como foi quando Natsu descobriu que voltamos a namorar depois dele ter ido para Crocus.

— E aí? — responde de maneira descontraída.

Onde a Lucy está? — indaga um pouco irritado e até entendo o motivo. Sinto vontade de chorar sem motivo algum.

— Ela está bem e está comigo, é tudo o que precisa saber — Sting responde com a voz calma, provavelmente não querendo começar uma briga comigo ali.

Depois disso Natsu fica em silêncio e me pergunto no que poderia estar pensando. Nós três trocamos olhares e tenho certeza que estão com a mesma dúvida que eu. Então, sua voz volta a soar:

Lucy, está me escutando? — fala quase em um sussurro e olho para meu celular como se pudesse enxerga-lo através desta tela — Quero escutar sua voz.

Seu pedido faz algo queimar dentro de mim, e preciso sufocar um soluço para não me mostrar. As lágrimas escorrem sem permissão. Levy me olha e sei que está dizendo para eu falar com ele.

Mas não consigo. Eu nem sei... o que deveria falar.

“Quero escutar sua voz”.

Não peça por isso, por favor. Não peça por nada que seja meu. Porque dói tanto não te entregar.

Tudo bem — volta a falar após meu silêncio — Cuida dela para mim, por favor... e diz que estou preocupado, beleza?

Sua voz soa tão gentil nesse último pedido que meu coração se amolece, ao mesmo tempo que se despedaça.

— Beleza... — Sting responde um pouco surpreendido e desliga.

Ele está preocupado comigo... e mesmo que eu já tenha tomado minha decisão, queria que fosse mais simples não querer estar com ele.

—♥—

Natsu

Já sentiu como se desafiasse a morte? Bom, eu já.

Neste momento o clima dentro do escritório me faz duvidar de minha própria sanidade. Jude ainda parece incrédulo como nunca esteve, olhando para o contrato rasgado no chão. Só queria poder dizer que não me arrependo nem um pouco. Quem ele pensa que é para comprar os sentimentos dos outros? Prefiro estar na rua do que vender o que sinto por Lucy.

— Sabe o que é mais irônico? — começo a falar com um sorriso de lado, mas claro que não o espero responder — Vim aqui para pedir que aceitasse sua filha de volta, pensando que pudesse ser o melhor para ela. Mas... — desmancho o sorriso e o encaro sério — Ela não merece isso. Percebi que o senhor precisa muito mais dela do que ela precisa do senhor. Tentei encontrar seu lado paterno, mas sinceramente, acho que o senhor não tem um.

Eu sei. Eu deveria calar a boca depois do que fiz. Deveria ter rasgado este contrato sujo e ido embora daqui. Eu prometi a meu pai. Mas meu lado protetor simplesmente não resiste. As palavras estavam em minha garganta e queriam sair. Não sou eu quem iria impedir.

Jude ergue seu olhar do chão para mim. O olhar mais intimidador e irado que já imaginei presenciar na vida. Mas eu sabia que por trás de todo seu ódio, havia uma grande confusão. Da mesma forma que sei que ele nunca irá dar o braço a torcer... e que eu estava me metendo em uma briga sem volta.

— O que significa isso? — pergunta ainda se referindo ao contrato — Não terá outra chance como essa. Sua família estará arrasada!

Chance? — aumento o tom sem aguentar tamanho deboche — Acha mesmo que isso é uma chance? — ri por sua ignorância — Só posso lhe dizer algo, Jude. Se um dia chegar a perder tudo, só te restaria Lucy. Então te aconselho a mudar, pois assim, nem ela irá te receber mais. Acho que sabe disso.

Ao contrário do que imaginei, ele se calou. Ficou apenas me observando com um olhar marcado de raiva. Mas nada disso parecia me intimidar mais. As verdades na cara doem, não é? Já tive muito disso para saber como é a sensação.

Respiro fundo e começo a me tirar da sala, quando escuto sua risada. Viro-me para saber do que se trata e novamente estava ele com sua pose.

— Vai se arrepender por isso, Dragneel. Acho que nos veremos no tribunal então — volta a usar sua voz firme e com os braços atrás do corpo, como se não tivesse sido atingido.

Acho graça da forma que ele resolveu ignorar meu julgamento sobre sua pessoa. Sabe, tenho pena dele. Porque ele pode ignorar a mim, mas não ao julgamento da vida. Experiência própria.

— Até lá, senhor — respondo de forma sarcástica, fazendo uma reverência mal feita — Ah! — viro-me novamente — Aposto que sua esposa estaria muito orgulhosa de Lucy agora, aliás, ela se tornou uma grande mulher mesmo tendo que sobreviver sozinha — apresso-me em falar e sinto seu olhar congelado sobre mim. Eu posso me ferrar muito por falar isso, mas... — Sabe... às vezes tenho curiosidade em descobrir, o que ela diria vendo como você cuidou do presente mais valioso que ela lhe deixou. Porque o senhor sabe que o bem mais valioso que ela lhe confiou não está na empresa, certo? — pergunto apenas para provoca-lo — Mas bom, é só curiosidade.

Sorri da mesma forma cética que ele e me retirei. O silêncio irá perturbá-lo por mim.

Faço o mesmo caminho e entro no elevador. Só então a ficha cai sobre minha cabeça de forma drástica e começo a pensar em como eu estava fodido. De repente a voz de meu pai paira em minha mente “Não piore nossa situação”.

Hum... acho que não deu muito certo. Desculpe pai.

Tive que cuidar de Wendy por muito tempo. Quando minha mãe faleceu, eu sabia que mesmo sem palavras, ela estaria confiando em mim para cuidar da família que deixou. Mesmo com falhas, eu fiz o que pude. Devo ter um lado paterno maior do que esse idiota. Com todo respeito à Lucy, claro.

Falando em Lucy... eu queria muito vê-la agora.

Sting disse que ela está bem, mas não conseguirei acreditar enquanto não a ver sorrindo diante de mim novamente. Na verdade... sinto de alguma forma que ela não quer o mesmo. Talvez seja até melhor. Aliás, o casamento está se aproximando ainda mais. Não posso perder o controle agora.

Pelo menos, há uma sensação de satisfação dentro de mim... só por ter tentado um pouco mais.

—♥—

Assim que chego em casa, dou de cara com meu pai na sala. Queria muito não ter que falar com ele tão rápido. Minha mente ainda está em um turbilhão de pensamentos e me sinto cansado psicologicamente. Penso em apenas passar reto sem falar nada, mas mudo de ideia e dou meia volta. Meu pai desvia o olhar da TV para mim novamente.

— Desculpe pai — peço calmamente, fazendo ele arquear uma sobrancelha.

— O que você fez? — pergunta já preparado pelo pior.

Penso em toda a discussão, no acordo e em tudo o que houve mais cedo. Abro um sorriso fraco, mas logo o desmancho.

— Eu poderia ter tirado a gente dessa — digo, escolhendo bem as palavras e olhando para baixo. Ele não diz nada e espera que eu continue. Ergo a cabeça e o olho sério — Mas dessa vez... eu escolhi ela.

Meu pai claramente não entende o que estou falando e mesmo assim balança a cabeça devagar como se concordasse.

— Eu faria qualquer coisa por você e por Wendy — continuo a falar, sentindo necessidade de me explicar melhor — Mas... só dessa vez, me permiti ser um pouco egoísta. Então me desculpe.

Espero por algum reboliço de seu lado. Um sermão ou qualquer coisa, porém ele sorri. É um sorriso solidário e mesmo não demonstrando, vejo certo orgulho em seu olhar.

— Eu disse que confiava em você.

É tudo o que ele diz antes de voltar a prestar atenção no programa de televisão.

Fico parado esperando por mais alguma coisa e olho para os lados para ter certeza que já posso me retirar. Isso é tudo? Coço a cabeça ainda um pouco desconfortável e volto a ir em direção ao meu quarto.

As conversas com meu pai são sempre misteriosas.

É claro que ocultei a parte sobre ter dito muitas coisas que não deveria para o cara que está nos processando. E também que isso pode nos trazer consequências catastróficas. Seja como for, logo ele irá descobrir mesmo.

Pego algumas roupas no guarda-roupa e arrisco um olhar para a janela. É claro que ela não está ali. Droga, Lucy! Estou preocupado. Será que ela ainda está no hospital? Então não iria para a aula hoje? Estava com esperanças de vê-la ainda hoje. É assim tão ruim querer saber se ela está bem? Não me ignore dessa forma...

Suspiro fundo.

Meu olhar se prende na gaveta onde joguei a aliança.

Preciso deixa-la livre. Não era isso que eu havia decidido? Eu me casaria com Yukino e desistiria dela. Eu mesmo pedi para que ela desistisse de mim! Mas ainda assim... ela discutiu com o próprio pai.

Lucy está com Sting agora. E mesmo que eu não goste dessa ideia, naquele dia na cafeteria, ele estava sério. Ele se preocupa com ela de verdade. E tenho certeza que não a fará sofrer como eu sempre faço. Depois de toda a confusão de hoje... como aceitar estar concretamente perdendo a mulher da minha vida? Não deve ter um modo.

São apenas duas opções: aceitar ou sofrer. Como sou idiota, escolho o sofrer.

 [...]

Chegando na faculdade, confirmei minhas suspeitas: Ela não vem. Respiro fundo e me deparo com uma cena inédita e perturbadora. Loki com outra garota. Pelo jeito sou o único que insiste em viver do passado. Tento ignorar esses pensamentos e me sento. Olhando para a carteira vazia na minha frente e pensando... se ela também está pensando em mim.

—♥—

Lucy

Observo o quarto vazio, sentindo uma angústia crescer. Odeio ficar sozinha, apesar de não poder reclamar. Muitas pessoas gostariam de estar neste mesmo quarto que eu. Quero dizer, as pessoas que também se encontram internadas. Este quarto é bem aconchegante por causa do convênio. Só queria que ele também apagasse as frustrações dentro de mim.

A porta se abre para melhorar minha autoestima e vejo Sting aparecer com uma bandeja.

— E aí, está com fome? — pergunta, sorridente.

Ele puxa a mesa que ficava ali ao lado e colocou a bandeja sobre ela, bem diante de meus olhos. Sorri com seu ato e olhei para a comida, sentindo meu estomago revirar. É uma refeição saudável, cheio de legumes e verduras, acompanhado de um suco natural. Mas o cheiro faz a ânsia vir com tudo.

— Não sei não — digo afastando a mesinha — Acho melhor eu não comer.

Não é por pirraça, não costumo negar comida. Entretanto o aroma está me dando um enjoo terrível. Sting se senta ao meu lado e me olha se fazendo de bravo.

— Nem pensar, você tem que comer. Não escutou nada do que o médico disse? — bronqueou, empurrando a mesinha novamente para perto.

Olho para ele com certo encanto. Ele está o dia inteiro aqui comigo. Está faltando na aula, perdendo horas de serviço, só para cuidar de mim. Eu sinceramente achei que assim que soubesse sobre minha gravidez, viraria as costas no mesmo minuto. Mas pelo contrário, ele apenas se preocupou mais.

— O que foi? — pergunta sorrindo, percebendo meu olhar perdido sobre ele.

— Obrigada — digo um pouco emotiva e ele franze o cenho sem entender — Obrigada por estar aqui comigo.

Sting alarga o sorriso.

— Então me agradeça comendo, pode ser? — brinca, arrancando um riso fraco de mim.

Aceitei o desafio de uma vez por todas.

Ele tem razão, eu não tenho comido direito. Agora não é apenas para me sustentar, é por meu filho também. Essa palavra ainda me soa pesada, mas já estou me sentindo feliz. Eu escolhi cuidar bem dele e o amaria ainda mais do que amei o pai. Serei uma boa mãe como a minha foi, e se preciso um bom pai como o meu não foi.

Como vagarosamente, me acostumando com a sensação de ter algo preenchendo meu estomago vazio. Faz tempo que não como algo decente, não é à toa que o médico me passou tantas prevenções.

Sting ficou ao meu lado, mexendo no celular enquanto eu comia. Às vezes trocávamos algumas palavras entre colheradas. Mas ele tentou não falar muito, aproveitando que finalmente aceitei comer. Por último tomei o suco que estava delicioso, apesar do meu estomago ainda embrulhado.

— Para quem não estava querendo comer, até que você devorou a comida hein? — alegrou-se ao ver que comi tudo.

Na verdade, foi bem difícil. A cada mastigada, sentia que tudo queria voltar. Mas sei que fará mal à minha saúde se eu não me cuidar. Não posso arriscar.

— Confesso que a comida está boa — admito com um sorriso.

Sting retira a bandeja e a mesa, depois volta à poltrona do meu lado. É um pouco estranho, estar sozinha aqui com ele. Não acho que vá acontecer qualquer coisa aqui, mas não deixa de ser estranho. Eu não sabia o que falar. Era fácil enquanto Levy também estava presente. Porém ela teve que ir para a faculdade, claro, não antes de se certificar mil vezes que eu estava bem.

O silêncio se prolongou por alguns minutos.

— Então... — ele começa a falar — Não vai contar para ele?

Assusto-me com sua pergunta. Essa é a primeira vez que Sting fala sobre Natsu comigo. Eu não cheguei a dizer com todas as letras que o filho é de Natsu, mas acho que não precisou muito para ele reparar depois daquela ligação.

Mas por que todos insistem em ficar me lembrando disso? Quero dizer, dele. Não que ele tenha deixado meus pensamentos um segundo sequer, agora será pior, ele nunca, nunca irá me deixar em paz. Virá sempre com seu sorriso idiota, os cabelos bagunçados e a voz gentil para me atormentar.

— Eu... vou esperar um pouco — respondo sem pensar, apenas querendo acabar com o assunto.

— Esperar o que? — rebate em seguida — Ele se casar? — ironiza.

Lanço um olhar irritado em sua direção por me lembrar do meu segundo assunto mais odiado. Mas não parece ter causado nenhum efeito sobre ele.

— Qual o seu medo, Lucy?

— Medo? — repito sem entender, enquanto seus olhos me observam com atenção — Não estou com medo.

Sting suspira por minha resistência, vencido por meu orgulho e resistência. Depois voltou a me olhar, respirando fundo e com uma expressão um pouco hesitante.

— Sabe, eu acho que ele iria gostar de saber — volta a falar. Estou pronta para replicar, mas ele ergue um dedo, pedindo para que eu espere — Mas... eu realmente não ligo... de cuidar de vocês dois.

Sting termina a frase, olhando para mim e depois para meu ventre.

Hm...?

Cuidar de mim e do meu filho? O que ele... Fico paralisada olhando seus olhos tão cheios de ternura. Ele está sério e retribui meu olhar de forma profunda. Não pode ser isso que estou pensando...

—♥—

Natsu

A aula foi horrível.

As horas passaram devagar pra cacete! Além disso, Lucy não deixou meus pensamentos nem por um segundo. Cogitei severamente em pegar o carro e passar em cada hospital de Magnólia até encontrá-la. Mas acho que não seria uma boa ideia... até porque se ela quisesse me ver, não estaria me evitando tanto.

Antes de entrar em casa, peguei meu celular e olhei para a foto dela em minha lista de contatos. Fico com o dedo parado sobre a tecla de chamar, mas não o faço. Não adianta... tenho que esperar ela vir falar comigo. Qualquer um sabe que correr atrás dela feito cachorro louco nunca deu em nada.

Passo pela porta principal de casa e estranho o silêncio.

Não há Wendy gritando para cima de mim. Happy está deitado sobre sua almofada na sala e meu pai não está na sala como costume. Suspiro fundo. Ninguém para me receber mais. Começo a subir as escadas quando enxergo algumas luzes fracas vindo do meu quarto.

O que está acontecendo?

Abro a porta semiaberta vagarosamente com medo do que irei encontrar.

E sinto meu coração efetivamente parar com a cena da qual me deparo. Todo meu quarto está decorado com velas e incensos. Mas que porra é essa? Olho para os lados a procura de algum vestígio, quando a porta do banheiro se abriu. E de lá, Yukino aparece com um vestido preto agarrado ao corpo.

Pergunto-me quem se assustou mais, eu ou ela.

— Natsu, você já chegou! — diz surpresa com o rosto avermelhado.

— Ahm... é — respondo ainda perplexo.

O que está rolando... aqui? É algum tipo de ritual para o inferno e resolveram usar meu quarto sem avisar? Minha hora finalmente chegou? Penso passando meu olhar por todo meu quarto até parar sobre Yukino novamente. Fico esperando alguma explicação plausível para tudo isso.

— E-eu pensei em te fazer uma surpresinha — gagueja tímida e morde os lábios.

Fico olhando para ela, como se rolasse uma manivela em meus pensamentos.

...

Ah.

Surpresinha”. Engulo em seco assim que percebo a verdadeira intenção de todo esse cenário. Continuamos a nos olhar por mais algum tempo. Fiquei completamente sem reação. Aonde ela quer chegar com tudo isso? Quero dizer... pelas roupas dela, acho que sei bem aonde é. Sinto que essa tal surpresa... será bem intima.

— Surpresinha? — repito ainda perdido.

Ela sorri e se vira de costas para mim, mostrando-as nuas por causa do decote gigantesco. Então ela vira a cabeça apenas o suficiente para me olhar.

— Quer tirar?

Puta que pariu. Estou ferrado.


Notas Finais


~ desvia das facas.
Opa, opa! Parece que certa noiva resolveu partir para o ataque não é mesmo?
"MEU DEUS FAIRY RESPIRA ANTES DE DESPEJAR ESSE UM MONTE DE COISA PARA CIMA DE NÓS"
Ok. Foram realmente muitos acontecimentos, então vou listar aqui embaixo os principais fatos para vocês se localizarem melhor:
- Lucy não quer contar para Natsu e mini infarto quando ele diz que quer escutar a voz dela ;---;
- Natsu sambando na cara do Jude o/
- Para mim uma das cenas mais fofas do Natsu pedindo desculpas para o pai ;-;
- Sting se oferecendo para tomar conta da Lu e do bebê
- Yukino querendo avançar alguns estágios na relação :3
E aí? Boquiabertos? Com raiva? Com o core apertado?
Espero ainda merecer comentários! ;----;
Vejo vocês por lá?
Um grande beijo ♥


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