História Acasos da vida - Capítulo 8


Escrita por: ~

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Categorias Naruto
Personagens Hinata Hyuuga, Madara Uchiha, Rin Nohara, Sakura Haruno, Sasori, Tsunade Senju
Tags Drama, Erro Medico, Gravidez, Madahina, Romance, Tecy_chan
Exibições 187
Palavras 4.853
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Bishoujo, Bishounen, Drama (Tragédia), Ecchi, Famí­lia, Hentai, Josei, Romance e Novela, Seinen, Shoujo (Romântico), Visual Novel
Avisos: Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 8 - O quarto do bebê... Passados dolosos.


Fanfic / Fanfiction Acasos da vida - Capítulo 8 - O quarto do bebê... Passados dolosos.

O quarto do bebê... Passados dolorosos.

 

Madara havia chegado apenas à página 2 de Criando um laço com o seu bebê, mas não precisou ir até o fim para saber que estava fazendo tudo errado.

 Era importante, diziam os especialistas, que se começasse a criar um vinculo com o bebê antes mesmo de ele nascer. As mulheres tinham uma vantagem sobre os homens, segundo o artigo, por desenvolverem aquele vínculo naturalmente com o bebê ao longo dos nove meses de gravidez. Os homens tinham que fazer mais esforço.

 Ele passou a mão no queixo. Não estava fazendo esforço algum. Havia feito tudo o que podia, no último mês, para evitar qualquer contato com a mulher que trazia o seu filho na barriga.

Só que Hinata não estaria mais por perto depois que o bebê nascesse. Ela nem mesmo queria aquele bebê. Era a última pessoa que estava criando vínculos ou fazendo conexões com ele.

Estava tão desligada daquela criança que nem mesmo quisera se envolver com a organização de seu quarto!

            Ele não tinha alternativa. Teria que se envolver mais em todo o processo e poderia muito bem começar com o quarto do bebê.

 — Você fez uma lista? — perguntou ele, ao conduzir o carro pela auto-estrada.

            — Sim e bem longa, mas ele não vai precisar de tudo agora. Algumas coisas podem esperar.

— Prefiro comprar tudo agora — disse ele. — Tsunade vai estar ocupada demais com o bebê depois.

— Tsunade vai cuidar do bebê? E ela sabe disso?

— A idéia foi dela. Você vê algum problema nisso?

 Ela tentou conter as suas objeções. Aquilo não era da sua conta. Mas mesmo assim...

— Você sabe que Tsunade faria qualquer coisa por você, mas ela já tem muitos afazeres. Como espera que ela dê conta de arrumar a casa, cozinhar e ainda cuidar do bebê?

— Achei que estava feliz em ir embora. Por que se preocupa com o que vai acontecer depois que partir?

— Eu não me importo — bufou ela, cansada do rumo que aquela conversa estava tomando. — Faça o que bem entender.

            Ela tentou dizer a si mesma que não se importava. Puxou o cinto de segurança, tentando desfazer parte de sua tensão, a fim de se afastar do sol e acariciou a sua barriga preguiçosamente com a outra mão. Estava ficando cada vez mais consciente do bebê que crescia ali dentro e do que ele gostava ou não.

            As mudanças em seu corpo eram inúmeras. Todo dia ela parecia notar algo novo, uma leve mudança em sua forma ou mesmo suas roupas ficando apertadas à medida que a sua barriga crescia e sua cintura engrossava.

            — Quem cuidaria desse bebê se ele fosse seu? Ela virou a cabeça na direção dele.

— Eu, é claro.

— Mas você nunca quis um bebê. Foi o que me disse.

 E daí?

            — Isso é mesmo relevante?

            Madara deu de ombros, olhou no retrovisor e mudou de marcha.

— Por que se casou com ele?

            — Por acaso eu deixei de ler alguma cláusula do nosso acordo onde lhe concedia o direito de saber dos meus mais profundos segredos e dos erros mais estúpidos que eu cometi?

            Ele lhe lançou um sorriso que transformou os ossos de Hinata em geléia e fez com que ela agradecesse aos céus por estar sentada. Madara nunca havia sorrido para ela antes.

— Cláusula 24, artigo C. Você deve ter pulado.

— Ótimo — disse ela, ainda abalada por aquele sorriso devastador. — Nesse caso, a culpa é da minha mãe.

— Está culpando a sua mãe por ter se casado com Sasori?

— De certa maneira. Nós não estávamos envolvidos há muito tempo quando soubemos que ela estava doente. Ele era bom para mim na época — para nós — e minha mãe queria me ver casada antes de morrer. Queria que eu casasse de véu e grinalda como ela nunca pudera fazer. Sasori pareceu entusiasmado com a idéia. — Ela deu de ombros. — Era o mínimo que ele podia fazer, naquelas circunstâncias. Tudo correu bem, por algum tempo. — Ela desviou o rosto. — Você já conhece o resto da história. — Hinata fechou os olhos com força, querendo se esconder antes do surgimento da dor e das lágrimas, mas surpreendentemente, nem uma nem outra deu sinal de vida. Ela soltou um longo e lento suspiro de alívio. Talvez já não estivesse mais sentindo pena de si mesma. Não fazia diferença, pois, a julgar pela falta de resposta da parte dele, não havia mais ninguém interessado naquele assunto. — Já dormiu?

— Não. Como foi que a sua mãe morreu?

Ela virou a cabeça, querendo escapar da pergunta. Onde ficava a tal loja de artigos infantis, afinal? E por que ele estava insistindo para que ela fizesse aquilo? Hinata não queria comprar coisas para um bebê que jamais conheceria. Não queria deitar em sua cama, à noite e imaginar que ele estava deitado num bercinho, e usando as roupinhas, ambos escolhidos por ela.

Será que ele não compreendia que aquilo ia dificultar ainda mais as coisas para ela?

            O que ele estava fazendo ali, afinal? Não havia demonstrado nenhum interesse no bebê até agora, além de exigir a sua paternidade.

            Ele a evitara durante todo o mês e agora queria ir às compras?

            — A menos que não queira me contar — disse ele.

            Hinata recostou a cabeça no assento e fechou os olhos.

— Câncer — disse ela, finalmente. — Quando ela o descobriu... — Ela apertou os olhos com mais força, mas daquela vez não teve como conter a dor ou as lágrimas ao se lembrar daquela cena, no restaurante, que todos supuseram se tratar de uma celebração. — Mamãe nos convidou a todos para um almoço de Natal. Havia ganhado algum dinheiro na loteria e queria compartilhar o prêmio conosco, Sasori e eu, os pais dele, e até os primos dele e suas respectivas esposas. — Ela se deteve. — Nós nunca havíamos tido uma refeição de Natal antes. Foi muito emocionante comer num restaurante de verdade. Foi o melhor Natal que já tivemos.

Ela respirou fundo. Devia ter notado o quão cansada sua mãe parecia, apesar de ela sorrir e rir tão valentemente. Devia ter notado as olheiras sob os seus olhos e o quão pouco ela havia comido.

— Minha mãe fez daquele, um Natal muito especial para todos nós. Até chegarmos em casa e ela confidenciar a mim e a Sasori a verdade. Que ela estava morrendo. Que tinha apenas algumas semanas de vida e que não havia nada a ser feito. A única coisa que ela queria era saber que sua filha estaria amparada.

            Hinata respirou fundo, rezando para ter forças para terminar.

Precisava fazê-lo, ainda que apenas para explicar como podia ter se casado com alguém que pudera decepcioná-la tão profundamente.

            — Nós só estávamos juntos há três meses na época, mas Sasori se ajoelhou e me pediu em casamento na mesma hora, em frente à minha mãe. O que eu podia fazer? Sabia que aquilo era uma loucura, mas como poderia negar o último desejo de uma pessoa à beira da morte? Nós nos casamos um mês depois, ao lado da cama dela, no hospital.

 Ela baixou a cabeça e cobriu a boca para abafar os soluços que já não podia mais conter.

 — Nós a perdemos no dia seguinte.

 A dor tomou conta dela. Pela perda que sofrera e pelo bem intencionado, porém apressado e mal concebido casamento.

Foi então que ela sentiu a mão de Madara em torno da sua, sem que dessa vez, porém, o seu toque lhe provocasse aquela corrente elétrica. Os dedos dele apertaram os dela, acariciando as costas de sua mão com o polegar, e ela sentiu um calor e uma profunda conexão com ele. Madara parou o carro e a puxou para junto de si. Hinata ainda tentou se afastar, mas acabou cedendo quando viu que não tinha energia para lutar contra ele.

— Ela foi a razão de eu sequer ter nascido! — exclamou ela, encarando-o por trás daquela cortina de lágrimas. — Quando o meu pai morreu deixando minha grávida meus avós quiseram que ela abortasse para evitar a vergonha de uma neta ilegítima e de ser mãe solteira. Minha mãe não lhes deu ouvidos. Deixou a tudo e a todos que um dia amou para trás a fim de me proteger. Ela me chamava de Hime – falou com um sorriso amarelo. – eu realmente me sentia com uma princesa, pois ela construí um castelo em volta de mim em que nada podia me machucar.

Os soluços dela abalaram o seu corpo delgado e ele a aninhou ainda mais em seu peito, surpreso com a facilidade com que ela se adequava ao seu corpo e como parecia certo abraçá-la daquele modo.

            Ela fez mais uma tentativa inútil de se desvencilhar dele, mas Madara não estava disposto a soltá-la por nada nesse mundo.

— Eu estou molhando você — protestou Hinata, mas ele continuou agarrado a ela.

Como poderia soltá-la?

            Subitamente tudo fazia sentido. Ele nunca havia compreendido por que ela havia recusado a solução proposta por seu marido e pela clínica.

            Ela jamais seria capaz de negar a alguém a oportunidade de viver que sua própria mãe lhe garantira a tanto custo.

 Ele pensou no acordo, no dinheiro que havia lhe oferecido e no modo como ela protestara contra tudo aquilo.

Ela merecia mil vezes mais pelo que estava fazendo, mas não quisera nada em troca e ele não havia acreditado nela.

 Ao menos não até aquele momento.

Madara a manteve junto a si até os soluços dela se abrandarem e sua respiração se acalmar.

— Eu sinto muito — disse ela. — Você não precisava ouvir tudo isso.

— Acho que precisava sim — disse ele, roçando os lábios nos cabelos dela e absorvendo o seu perfume. —Agora compreendo por que você é uma mulher tão especial.

Hinata voltou o rosto na direção dele e ele pode ver as perguntas cruzando a superfície daqueles olhos lilases. Seu rosto estava afogueado e banhado em lágrimas. Seu rímel estava borrado em ambos os olhos. Ele afastou uma mecha solta de cabelo do rosto dela, acariciou a sua bochecha e seu maxilar com a ponta dos dedos, até alcançar-lhe o queixo e inclinar o seu rosto como queria. Ela parecia tão triste que ele teve vontade de beijá-la até afastar aquela dor. Quis fazer com que ela soubesse que ele compreendia.

            Já havia desejado beijá-la antes, mas tinha contido aquele impulso, considerando-o uma aberração. Mas aquilo não fora aberração alguma, e sim, uma necessidade, um imperativo.

            Um imperativo que ele não estava disposto a deixar passar outra vez.

            — Você é especial — disse Madara, supondo que ela precisava ouvir aquilo, em parte porque era verdade, e em parte, ainda, porque queria fazê-lo. — Você é forte e linda e se me permite, muito, muito atraente.

            Sua arfada disse-lhe tudo o que ele precisava saber. Ela não acreditava naquilo, o que significava que ele teria que convencê-la.

— Acredite-me — disse ele, aproximando ainda mais os seus lábios dos dela, num sussurro praticamente compartilhado com ela e carregado de expectativa.

Os lábios dela seguiram os dele e ele sorriu. Ela o desejava e ele queria que ela o desejasse.

            Ele sabia que aquilo estava certo, ainda que estivesse em seu carro, no estacionamento de uma loja de artigos infantis, em meio a um dia extremamente ocupado.

Os lábios dele pairaram sobre os dela, até que o desejo se tornou mais urgente e a atração que ela exercia sobre ele, irresistível.

Sua boca se mesclou à dela, seus dedos se enterraram em seus cabelos, e ele a sorveu como se estivesse morrendo de sede.

Ao notar que ela respirava com dificuldade, ele interrompeu o beijo.

Estava respirando quase com tanta dificuldade quanto ela quando se afastou, com as mãos em seu maxilar e os polegares entre os lábios dela e as suas bochechas. Os olhos perolados dela estavam brilhantes e arregalados, repletos de perguntas, deslumbramento e medo.

 E foi o medo que ele viu neles que fez com que ele se desse conta do que havia feito.

— Sinto muito — disse Madara, soltando-a. — Eu não devia ter feito isso.

            — Está tudo bem — disse ela, secando os olhos com um lenço, parecendo ainda muito chocada, embora tentasse aparentar tranqüilidade. — Eu sei que isso não significou nada.

Ele saltou do carro, irritado por ela ter usado as palavras que normalmente seriam as primeiras a vir à sua mente.

— Significou sim — disse Madara, abrindo-lhe a porta, pouco depois. — Significou que eu sinto muito por tudo o que você passou, que eu sou grato pelo que está fazendo e também por ter me contado.

— Está tudo bem, então — disse Hinata, já recomposta, embora ainda muito cautelosa, tentando manter distância dele ao saltar do carro. — Talvez seja melhor simplesmente esquecermos o que aconteceu.

Esquecer o doce sabor dos lábios dela sob os seus?

O modo como ela parecia caber perfeitamente em seus braços?

 Como ele poderia fazer uma coisa dessas?

 As compras ajudariam. Só que não se tratava de simples compras, concluiu ele, mas de um pesadelo.

Como algo tão minúsculo como um bebê podia precisar de tanta coisa?

— Há algum jeito de fazermos isso rapidamente? — perguntou ele.

Hinata ainda parecia muito abalada.

— Podemos perguntar se eles tem algum tipo de consultoria.

            A idéia o agradou imensamente.

 Madara cortou caminho por entre a multidão de casais e foi falar com a mulher do caixa.

            — Em que posso ajudá-lo? — perguntou ela, com os olhos brilhando e sem fôlego, ávida por agradá-lo.

— Preciso de sua ajuda — disse Madara naquela voz ultragrave. A expressão da mulher deixava evidente que ele poderia ter o que bem entendesse dela. — Eu não tenho a menor idéia do que preciso comprar para o meu filho que vai nascer, nem tempo para tudo isso. Vocês fornecem algum tipo de consultoria?

Hinata quase teve pena da mulher. Ela estava quase hiperventilando enquanto conversava com ele.

Ele não é tão especial assim, pensou ela, e então olhou para os outros homens na loja. Havia muitos com uma aparência normal, outros poucos ainda melhores, e então, ela era obrigada a admitir, havia Madara.

            — Eu posso ajudar — disse ela, chamando uma assistente para assumir o caixa.

Hinata sorriu meio sem graça para as outras pessoas da fila. Por mais estranho que parecesse, apenas os homens pareciam ressentidos. As mulheres pareciam apenas ávidas ao olhar na direção dele, e evidentemente invejosas, ao olhar para ela.

Ficariam ainda mais se soubessem o que eles haviam acabado de fazer no carro. Ela estremeceu ao lembrar de como ele a havia aninhado junto a si, confortando-a, e de como tudo havia rapidamente se transformado em outra coisa. Os lábios dele haviam sido surpreendentemente gentis e seu sabor viciante. Ela não tivera como detê-lo.

            Que tola ela fora... Ele a havia beijado apenas porque tivera pena dela, e ela retribuíra estupidamente como se tudo aquilo fosse de verdade.

 Deus, como ela era idiota!

Ele a considerava o coco do cavalo do bandido, vinda dos subúrbios de Sidney, enquanto ele era um bilionário com uma mansão à beira-mar.

Ela havia visto os lábios dele se curvarem quando eles se conheceram. Lembrava da expressão estampada no rosto dele ao entrar na sua casa. Sabia que não pertencia ao mundo dele e que só havia um motivo para ela estar ali, que não era o de ser beijada por ele ou beijá-lo, nem imaginar que aquele era algum tipo de conto de fadas que teria um final feliz.

A consultora lhes mostrou o caminho, com uma prancheta no braço e uma lista quase duas vezes maior que a dela própria.

— É o seu primeiro filho? — perguntou ela, mas Hinata teve certeza de que ela não estava nem um pouco interessada na resposta. Tudo o que ela queria era continuar falando e desfrutar da sensação da voz profunda de Madara ressoando pelos seus ossos.

— Sim — respondeu ele secamente. Ela suspirou ao olhar para trás.

— Ouso dizer que será um lindo bebê, se puxar a vocês dois.

Madara fechou a cara e Hinata se contorceu. A mulher tinha razão, o bebê seria realmente lindo, mas não por causa dela.

Eles passaram a hora seguinte perdidos em meio a mostruários e esquemas de cores. Hinata se forçou a encarar aquilo como um trabalho, como o próprio Madara o chamara. Tinha que pensar naquilo de maneira funcional e não como os preparativos para o quarto do bebê que estava crescendo dentro dela. O bebê que ela nem chegaria a conhecer...

Aquilo, porém, estava ficando cada vez mais difícil.

Ela olhou para aquela loja enorme com todas aquelas pessoas fazendo compras para os seus respectivos bebês e sentiu inveja deles. Tinha imaginado que seria mais fácil entregar o bebê. Nunca se dera conta de que aquele estranho que crescia dentro dela seria tão interessante, nem que exigiria tanto de sua atenção. Nunca se dera conta de que teria a sensação de que ele realmente fazia parte dela.

Que ele era seu...

Ela se permitiu imaginar, apenas por um momento, como as coisas seriam diferentes se aquele bebê fosse realmente seu e ela estivesse fazendo compras ao lado do homem mais devastadoramente bonito de toda a loja, de toda Sidney, para o filho de ambos.

Ela balançou a cabeça para afastar aqueles pensamentos. A realidade era dura e fria e a encarava toda vez que ela se lembrava de como ele a havia tratado por causa de quem ela era e de onde tinha vindo.

            Não havia lugar para fantasias românticas naquela situação. Ela não passava de um meio para Madara alcançar o seu fim. Uma barriga de aluguel. Uma inconveniência temporária.

— O que acha desse? — perguntou Madara, interrompendo os seus pensamentos com uma fotografia de um quarto vivamente colorido e temático, repleto de bugigangas e uma cama vermelha em forma de uma Ferrari.

— É só um bebê, Madara. Pode até não gostar de carros. Pode até ser uma menina.

Ele a olhou como se ela tivesse enlouquecido.

— É claro que é um menino.

Ele falou tão sério que ela teve que rir. Finalmente, depois de passar por dezenas de opções, eles escolheram as cores do quarto. Paredes num tom de azul com uma faixa de bichinhos, terminando com nuvens brancas. Os móveis eram igualmente brancos, com acessórios que serviriam para os dois sexos. Eles ainda teriam tempo de sobra para acrescentar toques de cor ao lugar depois que o bebê nascesse.

            Madara estava feliz da vida. Se aquilo não fosse estabelecer um vínculo com o seu bebê, ele não sabia o que era. A consultora lhe chamou a atenção para um fraldário que se transformava em banheira, garantindo-lhe que aquilo era o epítome da eficiência, e com eficiência ele sabia lidar. Ao procurar por Hinata, para lhe mostrar o artigo, porém, ele não a encontrou.

Onde ela estava?

 Como ele podia ter se perdido dela? Foi então que ele a viu na seção de roupas, a poucos metros de distância.

            Aquela roupinha minúscula parecia ter sido feita para uma boneca. Mais macio que o veludo, o tecido branco parecia um beijo de borboleta sobre a sua pele.

Hinata sorriu. O bebê certamente teria as cores de seus pais, cabelo preto e pele branquinha.

Menino ou menina, seu bebê ficaria lindo de branco.

Não que ela jamais viesse a ver aquilo.

A idéia a dilacerou por dentro, fazendo com que ela pendurasse a roupa de volta na arara. Não fazia sentido ficar escolhendo roupinhas para aquele bebê, nem pensar em sua aparência. Ela secou uma lágrima. Não deveria ter permitido que ele a convencesse a fazer aquilo.

— Encontrou alguma coisa?

 — Não — disse ela, fungando para conter as lágrimas e se afastando dele. — Estava só dando uma olhada.

 — Você está bem? — perguntou ele, para então olhar o relógio. — Meu Deus, nós estamos aqui há horas. Você deve estar exausta.

            A consultora pareceu preocupada. — Eu posso mandar entregar as suas compras em casa em uma semana, se vocês quiserem.

Aquilo era exatamente o que Madara queria ouvir.

            — Voltem quando o bebê tiver nascido:— disse a consultora depois de ter pegado os dados do cartão de crédito dele. — Nós adoramos rever as famílias felizes.

Ele ainda estava com uma cara feia devido àquele último comentário quando abriu a porta do carro para ela.

— O que você esperava que ela pensasse? — disse Hinata, aliviada por ter chegado ao fim daquela jornada. — É claro que eles acham que nós formamos um casal.

            Madara não disse coisa alguma. Apenas deu a partida e ligou o ar-condicionado.

— Mas ela estava certa a respeito de uma coisa.

Dessa vez ela havia conseguido chamar a sua atenção.

— Do que você está falando?

 — Vai ser um lindo bebê. Haruko era linda, Madara. É tão injusto que não esteja viva para conhecer o próprio filho...

Madara não respondeu e ela também se calou. Ele já deveria estar arrependido daquele e beijo e ela ainda mencionava a sua falecida esposa. Será que ele estava com a sensação de ter traído Haruko por ter beijado a mulher que estava esperando o seu filho? Será que ele desejava que fosse Haruko, ali sentada, ao seu lado, e não ela?

— É claro que sim.

            E agora ele estava preso a ela. Mas pelo menos era apenas por alguns poucos meses. Depois ele ficaria com o filho de Haruko e ela se veria livre dos hormônios da gravidez e de todos aqueles pensamentos e fantasias tresloucadas que não tinham lugar na realidade.

Ela mal podia esperar que aquilo acontecesse.

Madara, porém, não foi direto para casa como ela havia esperado.

— Para onde está indo? — perguntou ela.

— Achei que gostaria de dar uma volta.

Ela deu de ombros, surpresa. Não tinha motivo algum para voltar logo para casa, mas achara que depois daquele beijo, ele ia querer se livrar dela o mais rápido possível. Na certa, já havia até se esquecido daquilo.

 — Claro.

 Ele acionou um botão e baixou o capô do carro, tomando o caminho da cidade.

Ele parecia saber onde estava indo, de modo que ela achou melhor não aborrecê-lo com perguntas, desfrutando simplesmente da sensação de estar no banco do carona enquanto ele trafegava pela cidade. Viu os olhares de inveja vindos dos outros veículos, os homens ansiando pelo seu carro, e as mulheres, por Madara.

Ele não era dela. Um beijo não lhe garantia propriedade alguma sobre ele, especialmente um beijo dado por pena, e trazer o filho dele em sua barriga não o tornava dela, mas era ela que estava sentada ali, naquele momento, desfrutando daquela situação. Tudo, porém, mudaria completamente depois que aquele bebê nascesse.

            Sua vida anterior já lhe parecia um tanto estranha. A pequena casa que ela ainda não sabia se conseguiria manter, as ruas empoeiradas e o calor abrasador. Ela ia sentir falta do cheiro limpo do mar e de ver o sol surgindo em sua janela quando a noite se transformava em dia.

Mas ela teria que voltar. Havia assinado um acordo para tanto e jurado que iria embora assim que o bebê nascesse.

Ela não queria ficar. Assim como nunca quisera ter um filho...

 O vento soprou sobre as suas cabeças, brincando com as pontas dos cabelos dela. Aquilo não era verdade. Ela o desejara, pensara que se fosse capaz de dar a Sasori o filho que ele tanto queria, seu casamento finalmente se transformaria naquilo pelo que sua mãe tanto ansiara para ela, o que sua mãe nunca tivera.

E por um momento, apenas, por algumas poucas semanas, ela chegou a imaginar que seus sonhos haviam sido realizados. Não sabia, então, que seu casamento já tinha terminado há muito tempo.

Foi então que eles descobriram a verdade e o alívio a tomou de assalto. Um enorme alívio. Ela não estava esperando o filho de Sasori. Era o filho de Sasori que ela não queria.

            Mas será que poderia querer aquele?

 Não. Ela nunca havia desejado aquela criança. Nunca, e enquanto continuasse dizendo aquilo a si mesma, tudo ficaria bem.

Madara notou os olhares dos homens ao seu redor, invejando a mulher que ele tinha ao seu lado, com seus cabelos dançando ao sabor da brisa e não pode culpá-los. Ela estava muito diferente da primeira vez em que ele a havia visto.

Tinha ganhado peso nos lugares certos, suas bochechas estavam mais cheias e seu rosto havia adquirido um equilíbrio maior. Seus longos membros estavam tonificados devido à natação e sua pele por mais que estivesse exposto ao sol continuava branquinha e macia como seda. Como ele havia podido pensar que ela era anoréxica?

 Ele a havia julgado muito mal. Ela não era o que ele havia imaginado. Era... Muito melhor.

 Pelo menos poderia ser. Ele se lembrou da relutância dela em fazer compras para o bebê e de como ela ficara irritada na loja, como se mal pudesse esperar para ir embora de lá.

 E nada daquilo fazia sentido porque ele também se lembrava de quando ela estava em seus braços, quente e feminina, entrando em seu sistema nervoso como uma droga...

Madara não gostava nada de coisas que não faziam sentido. Perguntando-se o que estava fazendo ali, afinal, ele estacionou o carro numa vaga recém liberada.

— Chegamos — anunciou ele, levantando o capô. — Bem-vinda a Coogee Beach. Está com disposição para caminhar um pouco?

Ela assentiu, desfrutando daquela rara chance de passear, apesar dos pensamentos conflitantes em sua mente. Eles caminharam pelo parque, entre a praia apinhada de nadadores e gente fazendo piquenique e churrasco, deixando um aroma delicioso no ar. Depois pararam para tomar um sorvete, antes de seguir lentamente pelo caminho do penhasco e se detiveram para apreciar a vista.

— Minha mãe costumava me trazer aqui — disse ele, olhando para o horizonte — quando eu ainda era criança. — Ela viu a expressão tensa no rosto dele e percebeu o quanto estava lhe custando dizer aquilo. — Aoi e Hiroíto, os meus avós, vinham também. Nós fazíamos piqueniques na praia e depois caminhávamos por aqui pensando em como seria morar tão perto do mar.

E agora ele morava. Suas vidas haviam sido muito diferentes, pensou ela.

            Eles admiraram o mar silenciosamente, olhando as ondas baterem nas pedras logo abaixo.

            — Eu fiquei arrasado quando os meus avós morreram — disse Madara. — Nós não tínhamos muita coisa, mas éramos uma família. Tínhamos um ao outro. Até que um trem bateu no ônibus em que eles estavam. Eles deveriam ter sobrevivido. Eu achava, do fundo do coração, que meu amor por eles deveria ter sido suficiente para salvá-los. Se eles pudessem ter comprado um carro...

Hinata o ouviu em silêncio, compadecida pela dor contida em suas palavras, lutando contra a vontade de estender a mão e confortá-lo.

            — Eu levei muito tempo para compreender que o amor não era nem de longe suficiente; que era preciso ter dinheiro caso se quisesse salvar e proteger os entes queridos. — Seus olhos estavam tão negros, sombrios e sem vida quanto uma floresta devastada pelo fogo. — A sua mãe morreu de câncer — prosseguiu ele. — A minha também. Um tumor no cérebro que sugou a sua vida. Como não tínhamos dinheiro para pagar por um tratamento particular, tivemos que esperar por meses na fila até ela poder fazer os exames. Meses até ver um especialista, e quando finalmente pudemos fazê-lo, já era tarde, não havia mais nada a ser feito. Foi então que eu aprendi que só o dinheiro pode lhe dar o que você quer quando você realmente precisa.

A voz dele sumiu por um momento, carregada pelo vento e pelas ondas.

— Mas eu não pude salvar Haruko— retomou ele, com a voz rouca e densa de angústia, e o olhar fixo no mar. — Nem todo o dinheiro do mundo, médicos e hospitais particulares puderam salvá-la. — Ele respirou fundo. — Quando você chegou, foi como se o destino estivesse rindo de mim, fazendo com que eu me lembrasse do quanto era impotente. Eu a odiei por isso, odiei o que você representava, odiei a sua fragilidade e o fato de estar esperando um filho meu.

            Hinata mal conseguia respirar devido ao aperto em seu coração.

— Mas eu estava errado. Você não se parece em nada com Haruko. Achei que precisava lhe dizer disso. Eu estava errado e sinto muito por isso.

 Madara baixou a cabeça, respirou fundo e finalmente se voltou para ela, sem expressão alguma em seu rosto.

— Vamos para casa.

Ele parecia tão arrasado que ela não ousou fazer as perguntas que se agitavam em sua mente a respeito da morte de Haruko. Não podia fazer com que ele passasse pela angústia de escavar ainda mais fundo naquele passado obviamente doloroso. No trajeto de volta, porém, Hinata se pôs a digerir tudo o que ele havia lhe dito, sem compreender por que ele havia se sentido impelido a lhe dizer aquelas coisas, embora Soubesse que aquilo a ajudaria muito a compreender aquele homem.

 A temperatura esfriou quando as nuvens encobriram o sol, mas nem mesmo o ar mais frio foi capaz de extinguir a minúscula chama que as palavras dele haviam ateado dentro dela. Ele a havia odiado, antes, como ela já sabia, mas não a odiava mais, chegando a nutrir um certo respeito por ela. "Você não se parece em nada com Haruko.” Ela ficou repassando aquelas palavras repetidas vezes em sua mente. Se não soubesse o quanto Haruko era bonita e perfeita para Madara, ela quase poderia ter imaginado que aquilo era uma coisa boa.

 

 

..........CONTINUA..........



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