História Acompanhante de Aluguel - Capítulo 5


Escrita por: ~

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jungkook, Personagens Originais
Tags Bts, Imagine Bts, Imagine Jungkook, Jeon Jungkook, Jungkook, University!au
Visualizações 1.051
Palavras 4.805
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Colegial, Comédia, Fluffy, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Oie, tudo bom com vocês???

Hoje é uma atualização especial por dois importantes motivos:
1) a fanfiction alcançou (e passou) dos 200 favoritos!!!!!!
2) É MEU ANIVERSÁRIO!!!!!!!! BOOM BOOM BOOM YEY YEY YEY PA PA PA WOP WOP WOP

Eu to amando receber tanto carinho assim nos comentários, de verdade! To me sentindo muito feliz por vocês terem chegado aqui e terem dado essa oportunidade pra Acompanhante de Aluguel. Então como forma de agradecimento, tanto pelos comentários como pelos favoritos também, trouxe esse presentinho pra vocês que é o capítulo 05!

Espero que gostem e se divirtam muito!

Capítulo 5 - Turbo Boost de mais de 3 GHz


Fanfic / Fanfiction Acompanhante de Aluguel - Capítulo 5 - Turbo Boost de mais de 3 GHz

— O notebook dele não era tão caro assim. — Haneul estica a sacola a contragosto, o rosto contorcido em uma careta visivelmente irritada. — Era um comum, tenho certeza.

— É pelo tempo que você levou para se redimir.

— Eu não estou me redimindo, _____, isso é um acordo. Você me deve um encontro.

— Não é um encontro! — Protesto, olhando para ele com convicção para lhe dar certeza disso e pego a sacola de suas mãos. — Nós vamos sair para conversar e só.

Confiro o produto recém-adquirido, uma ansiedade estranha me rondando o peito. É mesmo o modelo que pesquisei na internet.  O melhor equipamento para produção de jogos. Pelo menos era o que diziam os tantos blogs que visitei a caminho da loja em Hongdae.

— Qual é a de você com esse cara?

Levo um tempo para entender que ele se refere a Jungkook.

— Estamos namorando.

Ele bufa alto, suas sobrancelhas se erguendo enquanto um riso debochado escapa por sua boca. E isso me irrita, porque o deboche vem com a única intenção de me ridicularizar. Os velhos tempos caindo sobre meus ombros e me fazendo respirar fundo.

— Você sabia que eu conhecia ele, não é? Fez isso para me irritar.

— Do que você está falando?

— Você sabia que eu ia acompanhado à festa de Eubin, então se envolveu com esse cara de propósito, não foi? — À medida que as palavras vão saindo de sua boca, minha aversão aumenta. — Quis se vingar por eu ter seguido em frente.

Aperto o punho em volta da alça da sacola. Como Haneul ousa pensar que tudo foi uma vingança para afetá-lo? Como ele ainda consegue pensar que minha vida gira em torno da sua estupidez? Tudo foi pensado para evitar uma vida cretina repleta de cobranças matrimoniais, ele sabe bem disso. Mas o fato dele ainda achar que perco tempo planejando formas de atacá-lo me deixa incomodada. Ainda mais que agora, pensando, consigo ver mesmo uma pontinha de vingança em ter desejado que ele se arrependesse de seu namoro relâmpago.

Urgh.

Não.

Não!

Eu odeio o fato dele sempre me convencer de suas ideias idiotas.

E eu não posso deixar que isso aconteça de novo.

— Em primeiro lugar, eu e Jungkook estamos juntos há meses. — Começo firme em meu pensamento. — E em segundo, quem parece que fez algo para se vingar aqui foi você e não eu.

Eu me vingar de você?

A forma como ele fala me traz ainda mais raiva. É como se eu não valesse a pena, como se eu fosse tão insignificante que nem isso eu seria capaz de ter dele.

— Levar uma namorada de duas semanas para uma festa em família me parece um grito de desespero, Haneul.

— Eu e Jieun estamos em um relacionamento sério, _____. Cresça, por favor.

— Eu e Jungkook também! — Rebato, meu peito borbulhando. — Não sei como você tem coragem de pensar que nosso relacionamento foi montado em cima de uma vingança idiota.

Ele ri aberto e eu sinto meus ombros tremerem de raiva, porque, de repente, talvez nosso relacionamento tenha sido mesmo montado em cima de uma vingança idiota.

— O que aconteceu com você? Você nunca me responderia desse jeito.

 — Eu saí da bolha que vivia.

Mas a resposta não parece o suficiente. Não parece o bastante pra saciar a vontade que tenho de arrancar ele do meu passado, de tirar ele da parte do meu cérebro que o coloca como o causador principal de toda a frustração que sinto.

— Sabe o que eu acho engraçado? Meses de namoro e vocês nunca conversaram sobre seu ex? Seu quase noivo? Acho um pouco provável, _____.

Sufoco um xingamento pesado, até porque eu sei que se meu namoro com Jungkook fosse real, nós teríamos sim conversado sobre isso. Mas eu não quero dar o braço a torcer. É como se eu tivesse esperado esse conflito durante anos. Eu não posso deixar que ele me coloque para baixo de novo.

Pode ser verdade que nosso relacionamento é um contrato amador, mas não é verdade que fiz por vingança. Eu preciso me lembrar disso. Toda essa palhaçada começou porque Haneul arranjou uma namorada antes. Eu estava conseguindo lidar com os sermões diários de meus pais sobre casamento, mas nunca conseguiria lidar com isso, com a faculdade e com o novo acontecimento de ser a única a não seguir em frente. Não que eu me importe de ser passada para trás em uma situação dessas, mas meus pais se importam. E se os sermões já eram intensos com Haneul solteiro, imagine só com ele namorando?

É por isso que fiz o que fiz. Apenas por isso.

Respiro fundo, repassando mais uma vez as reais razões para ter tomado as atitudes que tomei. Repassando tudo mais uma vez para ter certeza dos meus próprios pontos.

— Haneul, você consegue se ouvir? Não tem cabimento algum as coisas que você está falando.

— Só admita que você arranjou esse cara de última hora para me irritar!

— Não tem sentido eu fazer algo para irritar você! — Falo brava, tentando ignorar a verdade sobre encontrar Jungkook há poucos dias da festa. — Nós não estamos mais juntos.

— Não estamos mais juntos porque você não quer! Isso que não faz sentido, _____, você terminou o namoro comigo e começou a sair com esse cara só para...

— O nome dele é Jungkook! Não é esse cara, é Jungkook!

Olho para ele por algum instante, vendo como seus lábios estão espremidos em uma linha fina de raiva e penso que poderia vomitar dezenas de insultos raivosos. Insultos dos mais variados. Mas penso também que não vale a pena, por mais que sua desfeita com os detalhes de minha vida me dê um reboliço no estômago, eu sei que não vale a pena. Não só porque isso lhe daria confiança na sua insistência para me culpar, mas porque eu não tenho tempo para isso. Nem hoje e nem nunca.

— Eu preciso ir.

— Você está fazendo essas coisas para se vingar, sendo que foi você quem terminou dizendo não tinha tempo pra mim, mas agora tem para ele? Para Jungkook?

O nome desliza por sua língua de forma errada, suja, impura no mesmo argumento do outro dia. Um argumento idiota e infantil. Seu corpo se remexe no lugar, inquieto, o vento de fim de tarde passando por nós dois e remexendo nossas roupas em um detalhe perdido. Sua pergunta vem como o gosto azedo em meio ao doce, um contraste errado, preto em uma palete de cores pastéis.

É desonesto e irritante.

E aqui, olhando para Haneul agora, eu percebo que nossa história parece ter existido em uma vida passada, longínqua, em um universo paralelo que ainda me sinto estranhamente presa. Mas por mais que ele tente fazer com que eu me sinta culpada como antes, eu não me sinto como antes. Eu não sou como antes. Eu sou melhor.  

— Eu preciso ir.

Minha voz repete em meio ao vento e enfio as mãos no bolso do casaco. Eu tenho muitas coisas para dizer e não digo. Queria dizer que não tenho tempo para alguém igual a ele, que aprendi a dar valor para minhas ambições, que aprendi a me ouvir e me cuidar. Que aprendi principalmente que não posso me submeter a algo que faz eu me sentir esgotada, a algo ruim por medo de nunca ter algo bom.

— Eu vou mandar mensagem para marcar nossa conversa.

Franzo a testa consideravelmente, olhando uma última vez para ele antes de entrar no táxi:

— Nós já tivemos ela.

[...]

As poças espalhadas pelo chão do campus denunciam a pancada de chuva rápida no fim da tarde. A brisa gelada que veio junto a ela parece ainda rondar as árvores, prédios e estudantes, pegando minhas bochechas e fazendo meus ombros se encolherem de frio em uma reação instantânea. Enquanto sinto a vibração em minhas coxas de meus passos irritados, tento pela vigésima vez ligar para Jungkook. E por mais que eu saiba que cairei em seu atendimento eletrônico como todas as outras vezes, não consigo não repetir o ato logo em seguida.

A vida parece cretina demais hoje, me levando para lá e para cá em uma correnteza insossa, tornando a missão de encontrar esse maldito acompanhante de aluguel a minha única certeza do dia.

Ao mesmo tempo em que pressiono o celular contra meu ouvido, seguro com firmeza a sacola com o pagamento de Jungkook. Ela não parecia tão pesada no início, mas era de se esperar que, depois de caminhar por mais de quinze minutos em meio ao frio imprevisto e carregando uma raiva crescente no peito, seu peso triplicaria. E, apesar de por um instante - apenas por um instante -, eu me ver satisfeita por perceber que Haneul será mesmo o responsável pela contratação de meu namorado falso, eu estou sendo movida por um sentimento amargo.

Haneul.

Seu nome me toma os pensamentos em rancor, a discussão fresca na cabeça ainda me deixa brava. Embora eu saiba que não valha a pena, eu queria mesmo dizer muitas coisas; tantas coisas que se embaralhariam no ar, enrolariam minha língua em agitação e o raciocínio seria intenso demais para organizar. Há muitas coisas que ainda pesam em meus ombros, pesam muito mais do que a sacola com a melhor versão do MacBook Pro dentro.

Oi, aqui é Jungkook, no momento eu não posso fa-

Desligo o telefone e disco seu número de novo. Começando a subir as escadas para o prédio dos dormitórios, as pernas doendo nas juntas pelo frio e pelo esforço de caminhar o campus inteiro. Paro, entretanto, nos primeiros degraus, um borrão laranja me chamando a atenção. Meus olhos se voltam para os bancos de pedra perto do chafariz, entre cerejeiras e um caminho de terra batida. A luz do poste dançando sobre um grupo de amigos, facilitando a identificação de Jimin no meio de tantas cores neutras.

Oi, aqui é Jungkook, no momento eu não posso falar. Deixe seu recado.

A mensagem acaba e consigo ouvir o pib, mas não digo nada e nem desligo. Estou ocupada demais procurando incessantemente o rosto de Jungkook nos ocupantes do banco de pedra. Um por um. Olhando e olhando de novo. Mas nada. Ele não está ali. Solto um suspiro contrariado, encerrando minha mensagem e enfiando o celular no bolso do casaco.

É óbvio que ele não podia facilitar as coisas para mim. Óbvio demais

E com um suspiro saindo por meus lábios, minhas pernas se movem subitamente em direção ao grupo de amigos. Não é como se eu tivesse algo a perder, é? Ou me envergonhar. Porque, bem, enquanto me aproximo, percebo que Jimin ainda parece fofo e doce, mas talvez seja a raiva recente que não deixa eu me sentir ansiosa perto dele. Ou talvez seja o frio que não deixa com que eu me sinta abraçada por sua presença veranil.

Eu quero acreditar nisso, pelo menos.

Oi, desculpa incomodar. — Digo assim que me aproximo. Oito pares de olhos voltando-se para mim de imediato e a conversa entusiasmada morrendo no mesmo minuto, apenas um murmuro em resposta se é ouvido. — Você sabe onde está Jungkook? Eu estou tentando falar com ele, mas seu celular está desligado.

Ah, ele está no segundo andar! — Jimin solta prestativo, saltando do banco em seguida. Ele tem um sorriso simpático no rosto que alcança os olhos. — Segundo andar dos dormitórios, passou a tarde inteira lá desenvolvendo um projeto.

— Na verdade ele está na biblioteca. — Um dos garotos fala e tanto eu quanto Jimin o olhamos. — As mesas do segundo andar hoje estavam lotadas, então ele precisou ir para a biblioteca.

Minha boca se abre em um pequeno “o” de entendimento. O garoto afundado em uma jaqueta de nylon dá um meio sorriso, os cabelos escuros chegando às sobrancelhas com leveza.

— Em qual andar, Jin?

— Ele estava no terceiro até pouco tempo, ainda deve estar lá. Bem ao fundo do lado direito.

— Ele não parou nem para comer? — Uma nova voz brota, dessa vez é do garoto com óculos redondos e suéter bege.

Todos estão o olhando, sua pergunta sobrevoando nós cinco por poucos segundos enquanto a resposta parece ser processada. E, nesse tempo, eu me sinto esquisita por estar em meio à vida pessoal de Jungkook. A vida pessoal que ele tanto odeia falar. Parada aqui, em frente aos seus amigos, é como se eu estivesse entrando em uma casa sem aviso, entrando em uma festa sem convite.

— Acho que não.

— Jungkook deve mesmo estar desesperado. — O garoto faz uma careta em desaprovação. — Esse projeto é pra quando, afinal?

— Hoseok hyung, — Jimin chama, olhando dele pra mim por algumas vezes, parecendo desconfortável — ele sabe se cuidar...

Mas sua voz sai tão baixa que ninguém além de mim o ouve.

— Sexta.

— Para essa sexta? — O menino na ponta do banco, até então afundado em pensamentos, se manifesta. Quando Jin confirma, ele solta um suspiro arrastado. — Ele nunca vai conseguir.

Argh, Yoongi, tenha um pouco de fé nele.

O nome me faz saltar, meus olhos correndo com mais atenção para a figura de boné escuro e jaqueta caramelo, o rosto parcialmente coberto por uma máscara cirúrgica preta. Yoongi. Eu lembro dele. Ele joga basquete aos fins de semana com Jungkook, e é também o amigo do maldito Jisoo. E o fato deu me lembrar disso parece errado. A sensação de invasão de privacidade dobrando de tamanho.  

— O problema não é ele. — Yoongi se defende, as mãos apoiadas nos joelhos para olhar para o resto. — É o cara quem ele aluga o notebook, ele fica todo o tempo ao lado do Jungkook para vigiar os programas que ele usa e dar palpite.

A lembrança de Jungkook reclamando sobre o garoto me vem à mente e eu me encolho entre os ombros por me lembrar de mais uma coisa.

Ah, aquele cara é mesmo complicado. — Hoseok fala, a língua estalando em insatisfação. — Jungkook tem passado por poucas e boas esse semestre, não é? Teve o incidente com o notebook, o projeto perdido, esse garoto otário...

— Não esqueça da Minju!

Hyung! — A voz de Jimin salta desesperada, repreendendo Jin. Os três garotos olhando para ele de prontidão dessa vez. — Cuidado com as coisas que vocês falam, por favor.

E assim que a frase deixa sua boca, toda a atenção é voltada para mim como se um aviso silencioso os alertassem de minha presença. Os quatro me medindo cautelosos, talvez pensando em todas as informações que deixaram escapar. O desconforto de Jimin só deixa mais evidente o quanto eu não deveria estar aqui, o quanto eu não deveria estar ouvindo essa pequena parte da vida de Jungkook.

Mas embora a sensação seja errada, não consigo não gostar dela. É como se mais um detalhe viesse à tona, como se mais uma vez eu estivesse o redescobrindo por inteiro, mas de uma maneira diferente agora. Um segredo aqui e outro lá. De novo.

— Você é Minju? — Hoseok é quem pergunta.

— Não.

— Você é uma cliente?

E dessa vez é Yoongi, ele abaixa a máscara cirúrgica como se isso fosse tornar sua pergunta mais audível. Quando minha cabeça se move em afirmativa, as caretas em arrependimento são a reação direta que recebo.

Ah, o Jungkook vai nos matar! — Jin é o primeiro a reclamar. — Por que a gente é assim?

— A gente não falou nada demais. Só da Minju.

É, Hoseok tem razão, nós só falamos da Minju.

— Parem de falar da Minju, por favor. — Jimin solta exasperado e tudo se torna silêncio outra vez.

O pequeno grupo de amigos parece viver um caos sombrio e eu me vejo curiosa, a pergunta quase escapando da ponta de minha língua e se verbalizando entre nós. Quem é Minju? Mas sei que eu nem sequer deveria estar aqui. Pelo menos não até agora. Eu deveria ter saído no instante seguinte em que Jin me informou o paradeiro de Jungkook. E por mais que eu ainda queira ficar e tentar pegar o máximo de informações contrabandeadas de sua vida, eu sei que essa deve ser a segunda hora certa para ir embora.

Limpo a garganta em um pigarreio estranho, chamando a atenção dos quatro com facilidade. Eles ainda parecem pensar nas coisas que falaram e na possível consequência disso.

— Eu estou indo. — Um sorriso rápido de gratidão move os cantos de minha boca para cima. — Muito obrigada pela ajuda.

E antes que qualquer coisa seja dita ou que o clima se transforme em desconforto e vergonha, eu giro nos calcanhares e apresso o passo pelas escadas. O grupo no banco de pedras sendo deixado para trás em poucos segundos e a ideia de superar Jungkook me surgindo traiçoeiramente nos pensamentos, se mesclando com todas as informações recentes adquiridas. A sensação de apego a algo inexistente me toma o peito em comodidade mais uma vez e eu realmente me odeio por isso. Porque, de repente, eu me vejo querendo saber mais sobre Jungkook, mais descobertas, segredos ou fatos bobos; detalhes supérfluos, irrelevantes. Qualquer coisa que me faça invadir seu mundo de novo, qualquer coisa.

E por mais que a ideia de superação tenha sido deixada de lado a partir do instante que soube sobre Jisoo, agora ela me parece uma atitude, no mínimo, sensata. Até porque eu estou criando uma imagem de Jungkook que não existe, eu sei disso. Ela não existe. Ela poderia existir? Quer dizer, estou criando um perfil equivocado baseado em mentiras e informações filtradas, não é? É claro que é. E é por isso que preciso superar. Preciso.

Eu.

Preciso.

Superar.

Mas no instante que meus olhos encontram sua figura no exato lugar que me indicaram, meu corpo todo entra em combustão. E isso é ridículo. O que aconteceu com o frio que não me deixou sentir o verão de Jimin? O que aconteceu com ele? Eu devo ter enlouquecido de vez. Se antes eu acreditava estar no fundo do poço, agora eu me sinto enterrada nele. Eu estou completamente maluca. Essa é a única explicação.

Sinto-me balançar para os lados involuntariamente, meu corpo cambaleando para dentro de um dos corredores e se encostando a uma das prateleiras. Meus olhos buscando Jungkook entre as estantes e livros sem qualquer cerimônia. E eu volto a me sentir absurda, ultrapassada. O que eu estou fazendo? Foi só a droga de uma resposta inventada e uma jaqueta de couro. Só isso. Não teve nada de mágico ou extraordinário. Foi isso.

Solto um grunhido irritado. Isso é tudo culpa de Haneul! As coisas não estariam desse jeito se ele não tivesse arranjado aquela droga de namoro. Se as coisas fossem diferentes, eu estaria em meu quarto agora, finalizando o resumo de Antropologia e repassando a matéria pela quinta vez. Eu estaria concluindo uma tarde de estudos intensos, uma tarde produtiva e um tempo bem gasto.

Eu poderia estar fazendo qualquer coisa no mundo.

Qualquer coisa.

Mas não. Eu estou aqui, parada contra livros da sessão antiga, encarando Jungkook à distância e pensando em quão bonito ele fica usando jaqueta jeans clara. E eu me sinto tão desnorteada e afundada nele, que por pouco não percebo a presença inconveniente do garoto ao seu lado. Enquanto Jungkook tem os olhos fixos na tela do notebook em sua frente, o que parece ser o dono do computador está inclinado em sua direção tagarelando sem parar. E eu logo me questiono sobre a bagunça nos cabelos do acompanhante de aluguel, talvez suas mãos tenham passado ali repetidas vezes com a intenção de arrancá-los de raiva, afinal.

Aperto a sacola com mais força, não evitando pensar em como mais uma vez a vida foi sacana. Se as coisas tivesse dado certo, eu não precisaria mais vê-lo, não estaria passando por isso de novo, é verdade. Mas agora parece mesmo que estamos amarrados juntos nessa armadilha por um longo tempo.

Saio detrás da prateleira, ultrapassando as cadeiras vazias e contornando as mesas ocupadas, levemente incomodada por Jungkook ter escolhido ficar tão longe assim do restante do mundo. A parede de vidro em suas costas serve como um espelho agora à noite, apesar de dia ser uma perfeita tela para a paisagem lá fora. Ao redor do notebook há uma mochila preta e dezenas de papéis amassados, além de uma garrafa d’água vazia, carteira e fones de ouvido. Quando paro perto o suficiente para ser notada, o garoto ao lado de Jungkook me olha. O rosto redondo contorcido em confusão e prepotência.

— Quem é você?

Mas não respondo, uma vez que não demora muito para o rosto do Jungkook se erguer também.

_____? — Sua voz é quase um sussurro. — O que você está fazendo aqui?

— Eu preciso conversar com você.

— Como você me achou?

— Falei com seus amigos. — Diminuo o tom de voz subitamente. — Jin me disse onde você estava.

— Você estava com Jin?

— Com Yoongi também. — Falo surpresa por lembrar os nomes. — E Hoseok e Jimin.

Sua cabeça se inclina lentamente para o lado, como se o que acabou de ouvir não fizesse o menor sentido. E talvez não faça. Pelo tanto de horas que ele passou aqui dentro, seu cérebro deve estar terrivelmente danificado. Ou talvez realmente não faça o menor sentido eu ter invadido sua vida privada da forma mais desavergonhada possível, invasiva ao extremo...

Ele chacoalha a cabeça brevemente.

— Isso não importa agora. Eu estou ocupado.

— É urgente.

Ele respira fundo, inquieto.

— Não tem a menor condição d’eu fazer isso para você. Nem sei porque você insiste. — Fala e eu sei que ele se refere ao contrato exclusivo. — Eu preciso de dinheiro para o notebook, não consegui nem 20% ainda. Está fora de questão.

Quando estou prestes a abrir a boca para dizer que eu tenho a solução para seus problemas, o garoto ao seu lado dispara:

— Falando em notebook, eu preciso do meu. — Sua voz é um disco quebrado, irritante do início ao fim. — Já disse que quero usar.

— Eu já vou devolver, Hyunwoo. — Jungkook diz em uma voz estrangulada, seus olhos na tela mais uma vez. Ele parece no limite de um surto psicótico. — Eu pago a mais se você quiser, eu só preciso finalizar essa edição.

— Cara, eu preciso dele agora.

Vejo Jungkook fechar os olhos em irritação, os dedos saindo do teclado alguns segundos apenas para tamborilarem sobre o HD externo. As veias do seu pescoço estão visíveis e seus dentes cravam em seu lábio inferior por puro ódio.

— A gente acertou pro dia todo, — fala — o dia ainda não acabou.

— É, mas eu lembrei que preciso dele.

Jungkook, — chamo apelativa — a gente precisa conversar.

Seu rosto vai de mim ao garoto ao seu lado várias vezes, seu peito inflando em descontentamento, eu sei que sim. Ele solta mais um suspiro longo e impaciente, e eu me sinto verdadeiramente mal por ele.

— Eu só preciso de dez minutos, por favor.

Mas eu não faço ideia para quem ele disse isso, como também não sei se isso valeu de algo. Até porque o dono do notebook parece imbatível ao soltar uma risada debochada.

— Você não vai conseguir terminar esse projeto nunca até sexta-feira, não sei porquê você ainda não desistiu.

Eu sinto um baque estranho no peito, uma frustração enorme ao perceber que Jungkook também acredita nisso. O modo como sua boca se espreme e como seus olhos se estreitam para a tela só me dá certeza. Engulo a seco, eu não planejava ter que fazer isso na frente de outro alguém, eu planejava ter esse tipo de conversa a sós. Mas há algo na forma como Jungkook não rebate o comentário maldoso, há algo em como seu nervosismo é palpável o bastante para que ele sucumba a esse tipo de tratamento, há algo em sua submissão que me faz mudar de ideia. Talvez ele tenha se mantido calado por medo de rebater e nunca mais conseguir alugar o notebook. Há algo nisso que me faz falar.

— Jungkook. — Falo, a voz mais firme que antes, saindo do sussurro. Mas o único que me olha é o maldito garoto ao seu lado. — Isso é seu.

Ergo a sacola para o alto e coloco em cima da mesa, abaixando a embalagem para que o produto seja completamente exposto; meus olhos esperando os dele se elevarem, mas isso não acontece. Ele parece completamente absorto.

Uau! — Hyunwoo solta chocado, inclinando-se sobre a mesa de forma espontânea. — Isso é o novo modelo do MacBook Pro?

E outra vez não respondo, porque me sinto ansiosa demais ao ver os olhos de Jungkook finalmente se erguerem. Tento de forma involuntária pegar qualquer possível reação no ar, qualquer coisa que me dê indícios do que ele esteja sentindo. Mas ele parece imerso em um universo paralelo. 

— O que é isso?

— É o melhor modelo de notebook da Apple até agora! — Hyunwoo responde por mim, sua mão pairando sobre a caixa em uma animação infantil. — 15 polegadas, i7 com armazenamento de 512 GB, touch Bar e touch ID! Sem contar nas quatro portas pra Thunderbolt 3 e Turbo Boost de mais de 3 GHz.

Os olhos negros de Jungkook piscam uma, duas, três vezes, toda sua inexpressão se transformando em uma feição puramente confusa.

— Por que você... — Mas para, a voz um fiapo inaudível. Ele pigarreia só para assim olhar para mim. — Pra quem é isso?

— É seu. É meu pagamento.

— Você tá falando sério?

— Sim.

Seu corpo cai lentamente sobre a cadeira, sua cabeça inclinando-se outra vez para o lado ao passo que ele examina a caixa intocada sobre a mesa. E ficamos assim pelo que parecem ser horas. O garoto ao seu lado parece tão concentrado em tentar ler as especificações de longe que nem percebe a situação ao seu redor.

— Isso é meu mesmo? — A voz de Jungkook pergunta outra vez e eu assinto. — Sério?

— Contanto que eu seja exclusiva, essa é a condi-

— Eu sei. — Diz, de repente inclinando-se sobre a mesa também. Ele arrisca um olhar de canto a Hyunwoo, que parece realmente aéreo demais para prestar atenção. — Mas eu tenho alguns clientes que pagaram adiantado.

 — Achei que era contra pagamento adiantado.

— Eles foram o motivo por eu ser contra pagamento adiantado.

Ergo as sobrancelhas, vendo-o morder o canto interno de suas bochechas em aflição.

— Quantos?

— Dois.

— E quantos encontros?

— Três no total.

Olho dele para a embalagem mais uma vez e eu me sinto satisfeita por ver finalmente um brilho na imensidão negra de seus olhos. E acabo de perceber, da maneira mais vergonhosa possível, que estava ansiosa por sua reação desde o início. Tamborilo meus dedos sobre a caixa algumas vezes até empurrá-la em sua direção.

— A partir de agora nós namoramos.

O quê? — De repente Hyunwoo desperta, os olhos arregalados de pavor. — É assim que as pessoas pedem as outras em namoro agora? Comprando um notebook de 3 milhões e meio de wons?

Mas Jungkook está entretido demais em desligar o notebook emprestado e arrancar o HD externo em um puxão vitorioso. Ele enfia o último dentro da mochila junto com a garrafa d’água vazia e todos os papéis amassados sobre a mesa, junta também sua carteira e fones de ouvido antes de se erguer subitamente.

— Ele é todo seu. — Ele diz a Hyunwoo e me sinto bem por isso, é como se eu pudesse ver todo o peso das costas de Jungkook indo embora no ar. É como um filme adolescente tocando The All-American Rejects ao fundo. Vejo-o então pegar a sacola com seu presente com cuidado da mesa e olhar para mim. — Você está com fome?

E todo o clima adolescente explode no ar.

Levo um tempo para assentir, porque, de modo repentino, ele está contornando a mesa e parando ao meu lado. E eu sei que eu deveria estar trabalhando no lance da superação, mas, porra, ele está sorrindo. Sorrindo. Eu estou recebendo um sorriso completo de Jungkook, todos os dentes à mostra e sua pintinha debaixo da boca como uma estrela solitária no céu. Será que ele sabe que conseguiria qualquer coisa com esse sorriso? Eu me sinto tentada a aceitar tudo o que ele me propor a fazer. E eu sei que é humilhante. Mas tudo bem enquanto isso se manter em segredo, não é?

Merda.

Eu posso sentir meu estômago se revirar todo em meu ventre em um nervosismo estranho e desconexo.

O que está acontecendo?

Eu só quero voltar ao normal. Eu só quero não ter que reparar em como seus brincos balançam enquanto ele caminha. Ou em como suas pernas são longas e dão passos espaçados demais, mas que diminuem o ritmo para me acompanhar. Não quero notar a calça jeans preta agarrada as suas coxas ou como seu perfume parece a própria esperança no meio de crises existenciais.

É só a droga de um sorriso. Um sorriso acompanhado por um nariz enrugado como de uma criança e os olhos tão pequenininhos que mal se podem ver as irises. Mas, mesmo assim, um sorriso. um sorriso.

É só um sorriso, não é?


Notas Finais


PRONTO! FINALMENTE NAMORADOS POR UM LOOOOOOONGO PERÍODO! HAHAHAHAHAHHA
Parece mesmo que vocês não vão se livrar do Jungkook tão cedo, né? (Como se vocês quisessem...)
Espero que tenham gostado da aparição do Yoongi (descoberto recentemente um fofoqueiro nato), Jin e Hobi, como também espero que tenham gostado de entrar um pouquinho na vida do Jungkook. Porém, gente... Quem é Minju????????????

Amores, espero que tenham aproveitado tanto o capítulo quanto o fim de semana de vocês!!!
Obrigada de novo pelos comentários que to recebendo, eu fico toda boba lendo eles <3

Beijinhos

Pra quem quiser ler mais histórias minhas:
- Apartamento 303 [Yoongi]: https://spiritfanfics.com/historia/apartamento-303-9235148
- Clair de Lune [Taehyung]: https://spiritfanfics.com/historia/clair-de-lune-6856003
- Era fim de outubro [Jimin]: https://spiritfanfics.com/historia/era-fim-de-outubro-6891725
- Tu volta na sexta, né? [Yoongi]: https://spiritfanfics.com/historia/tu-volta-na-sexta-ne-6981248

- JK Appa Meme [Tumblr de histórias]: https://www.jkappameme.tumblr.com


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...