História Ad Infinitum - Capítulo 8


Escrita por: ~

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Categorias EXO
Personagens Baekhyun, Chanyeol, D.O, Kai, Lay, Sehun, Suho, Xiumin
Tags Chansoo, Ko Ko Bop, Minhun, Realidade Paralela, Semin, Seseok?, The War, Xiuhun
Visualizações 62
Palavras 3.512
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ficção, Ficção Científica, Mistério, Romance e Novela, Sci-Fi, Shoujo (Romântico), Slash, Universo Alternativo, Yaoi
Avisos: Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


acabei de perder uma vida de nota inicial, explicando tudo do meu sumiço e por deus, tô muito triste pra escrever de novo aiai
basicamente, eu estava muito desanimada esses dias, fora vários outros problemas mais técnicos.
sei lá, eu sei que todo mundo tem essas bads e tal, mas nunca tinha me sentido tão down down baby antes (era uma piada infame, parecia legal na minha cabeça, agora nem tanto rs)
enfim, me desculpe por ter demorado.
até as notas finais...
boa leitura!

Capítulo 8 - Perdido e encontrado


Fanfic / Fanfiction Ad Infinitum - Capítulo 8 - Perdido e encontrado

 

Minseok nunca soube lidar com mudanças drásticas.  

Desde que os rumos de sua vida foram desviados da normalidade pacífica, a qual ele estava muito bem acostumado, ele se viu em vários espaços e momentos. Todos tão voláteis e igualmente confusos, também alinhados com a solidão. Por isso, ele simplesmente não conseguia mais pensar com cautela e agia por impulso, a cada tentativa de viagem. Se ele fosse pensar, provavelmente ficaria perdido dentro de si mesmo. 

Quando Kim Junmyeon lhe contou que um pequeno garoto iria morrer, por sua causa, meramente para garantir o destino solitário de Minseok, ele definitivamente não teve como parar para pensar. Como escutar algo assim e não fazer nada para impedir tal tragédia? 

Três Kim antes reunidos para uma conversa tranquila, em uma mesa num restaurante entre mundos, de repente começaram a se dispersar. Minseok fugiu para o passado, mas um que não era dele. Junmyeon foi para o futuro, esperando as mudanças que viriam. Nada jamais seria tão calmo, o caos tinha chegado ao Infinitum. 

Kim Jongin não estava tão presente assim na conversa, mas depois da partida súbita de Kim Minseok, ele decidiu prestar mais atenção naquele espaço e tempo. Algo estava prestes a mudar o equilíbrio das coisas e ele teria que agir, talvez mudar de vez sua existência para a realidade humana de Minseok.  Já Kim Junmyeon suspirou resignado, antes de pular na água, pois já suspeitava que Minseok nunca estaria totalmente dedicado ao Infinitum, quando soubesse de tudo. Foi totalmente impensado jogar todas as cartas na mesa, de um vez, mas era necessário para confirmar essa suspeita. 

Desde a primeira análise, Kim Minseok tinha se mostrado um potencial incrível para tentar a ultrapassagem. Ele vivia um momento de completa descrença dos sentimentos humanos, depois de viver várias decepções. Sempre se doou mais do que os outros, fazia tudo de acordo com as regras – não escritas – da vida, não tentava viver nada além do esperado e nunca sonhou nada impossível de se concretizar. Uma alma perdida, em sua melhor definição. 

Além de suas características pessoais ideais, ele tinha dois amigos que poderiam ser seus companheiros de viagem, caso ele se sentisse sozinho demais quando descobrisse que seu amor verdadeiro tinha morrido antes que ele o pudesse conhecer. Seriam esses dois amigos responsáveis por mostrar para ele, mesmo que ele nunca pudesse entender o sentimento, que o amor merecia ser vivido e sentido por todos. Mesmo que Kyungsoo fosse um candidato nada perto ideal, Chanyeol poderia compensar pelos dois. Seriam a tríade perfeita. 

Pensando melhor no que o levou a arrebatar Minseok para o Infinitum, Junmyeon percebeu que ele ainda era apenas um homem e a revolta era intrínseca de sua existência. Ele fugiu para evitar a morte de um garotinho, antes de saber as consequências desse ato. Não era como se Junmyeon fosse o impedir, até mesmo porque seria mais fácil remediar as coisas no futuro – ele tinha esse poder. Quem ultrapassava, se tornava um lorde do tempo. 

– Você contou tudo para ele? – Jongin finalmente tinha os olhos focados em Junmyeon, que se preparava para pular. 

– Sim, não sei bem porquê, mas senti que ele deveria saber. Quem não gostaria de saber porque nunca encontrou alguém para compartilhar o amor? – ele contemplou o filme de água, que começou a refletir a verdade em seus olhos. 

Ele não contou por piedade de Minseok, mas por piedade de si próprio. Junmyeon também nunca tinha encontrado o amor e nunca soube o porquê. 

– Você não pensou nas consequências? Achou que ele continuaria sendo seu aprendiz fiel? Há quantos anos você faz isso, Suho? Parece uma criança perdida e não um lorde guardião, sabia disso? – Jongin balançou a cabeça de um lado para o outro, em negação. 

– Você faz perguntas demais, Kai. Quem é você para me dar sermão? Volta logo pro Taemin e me deixa cuidar disso – Junmyeon disse, mas não ficou para a ouvir a resposta ácida e saltou. 

Ele se sentia culpado, projetou algumas de suas frustrações em Minseok e agora teria um belo trabalho para o trazer de volta. Além disso, foi Junmyeon, pessoalmente, que colocou Minseok ali dentro e foi ele também quem contou toda a história não vivida. A não ser que ele tentasse e conseguisse ultrapassar sozinho depois, aquela era uma oportunidade única para Minseok mudar seu destino e ele o faria sem pensar duas vezes. Por isso, ele saiu correndo para o passado. Seria difícil encontrar o restaurante certo, mas ele sabia que um dia ele conseguiria. Minseok sempre foi movido pelo fascínio. 

Quando se conhecerem, Junmyeon contou sobre o projeto e os olhos de lince brilharam instantaneamente. Minseok abraçou a causa completamente, como um bom potencial faria. Contudo, naquela mesma mesa, quando contou o destino trágico de Oh Sehun, ele possuiu a mente de Minseok com sentimentos opostos. Agora ele amava e odiava saber de tudo aquilo que o Infinitum implicava e por isso nunca mais seria uma pessoa normal. 

Junmyeon apenas esperava, como um bom líder, que conseguisse reverter as consequências desastrosas daquela saída quase inesperada. Talvez conseguisse manter Minseok por perto, se oferecesse as vantagens certas nos momentos certos. Ele trabalharia à sua maneira o coração torto dele, se espalhando ao seu redor como uma presença familiar. Isso envolveria projetar maços de cigarro em uma noite tranquila. 

Quando Yifan, Luhan e Tao saíram, ele ainda não estava preparado para contra-atacar. Mas aprendeu sua lição e se dependesse dele, Minseok seria o Soldado Perfeito de seu exército. 

 

 ∞

 

Eu queria fumar um cigarro. 

De repente, ao me ver contemplando meu computador, sem a mínima ideia de como começar a estudar, tive a súbita vontade de fazer algo completamente inesperado. Sem a limitação de morar com minha mãe e por consequência ter que pedir permissão para tudo, as vontades de saírem para fazer coisas erradas explodiam na minha mente. Sempre gostei de pesar os prós e os contras, antes de agir, mas aquilo estava me cansando. 

Naquele dia, por ser mais uma noite qualquer, eu decidi que queria fumar um cigarro. Fui atrás disso, como uma missão para me resgatar de uma vida medíocre. Andei a esmo pelas ruas, com pressa mas sem destino definido. Apenas uma certeza palpitante: eu precisava de um cigarro. 

Essa ânsia que tomou conta de mim me fez refletir sobre a minha vida, como nunca antes. Eu jamais quis fazer nada que fosse contra o padrão ao qual todo mundo estava submetido. Fumar não era bem visto, mas algumas pessoas o faziam, então algo de bom vinha daquilo e por isso eu queria tentar fumar um cigarro. Simples assim. Aquilo me faria mal, eu poderia engasgar com a primeira tragada, minha língua ficaria porosa e meu hálito ruim. Mas eu queria, mais do que qualquer outra coisa, fumar um cigarro. 

Eu nunca vivi algo assim antes, um sentimento que me fizesse querer, desejar, experimentar... Ninguém nunca me provocou em mim esses sentimentos lascivos. As pessoas passavam pela minha vida como sacos de plásticos vazios e a não ser por Kyungsoo e Chanyeol, eu não me sentia ligado a nenhuma. Nem mesmo à minha família, que cada vez mais eu gostava de culpar pelo marasmo da minha existência. 

Não era como se eu fosse um cara inerte para a vida, porque tudo era diferente quando se tratava do Universo. Quando eu olhava para o céu noturno, eu me sentia instigado a entender como cada estrela ainda brilhava para mim, mesmo tendo sumido, há vários anos-luz dali. 

Por isso eu queria tanto fumar um cigarro. Não porque eu queria me ver viciado em  algo. Na verdade, eu queria o sentimento futuro de ter feito algo que me fizesse mal, para finalmente experimentar o que era o arrependimento. Eu queria me libertar do desespero que me acometeu ao perceber que nunca fiz nada demais. Eu era muito comum e passaria minha existência no Universo sem nunca brilhar, como uma estrela. 

Parei em uma pequena loja de conveniência, ainda na rua do meu dormitório. Numa prateleira confusa, entre pacotes de café instantâneo, livros azuis e miojos de galinha, uma caixa de cigarros estava à venda. Ignorei a organização incomum das coisas, peguei o pacote e, sem pagar, saí correndo para a rua, em busca de um lugar escuro que escondesse meus atos impensados. Tão impensados e infantis, que não percebi que não tinha roubado nenhum isqueiro ou fósforo. Eu definitivamente tinha abandonado meu lado planejador. 

Corri por mais alguns metros, entrando no primeiro beco que apareceu. Minha mente gritava por algum sinal que pudesse me dar algum tipo de fogo. Eu estava tão disperso e perdido que não percebi que em condições normais, não seria fácil encontrar alguém com um isqueiro em um beco escuro. 

Tampouco percebi, em meio ao caos que vivia naquela noite, que encontrar Jongdae brincando com pontas de fios elétricos, implicaria na mudança completa que eu estava à procura. Não porque o curto-circuito fosse capaz de acender meu cigarro, já que eu nunca cheguei a fumar. Mas porque seria ele a me levar até Junmyeon. 

E seria Junmyeon a me levar até Sehun. 

 
 ∞ 

 

Minha respiração queimava e eu desejei não ser mais capaz de respirar. Tudo doía, até meus pensamentos. Eu não conseguia vislumbrar um futuro próximo em que eu já tivesse aprendido tudo sobre aquele projeto e assim pudesse parar de apanhar. Nunca entendi porque eu era tão requisitado e quis desistir na terceira ou quarta vez que falhei. 

No entanto, Junmyeon não desistia de mim, apesar de ter desconsiderado Kyungsoo antes mesmo de colocá-lo nos testes mais agressivos. Sempre vinha me buscar, pessoalmente, para tentarmos de novo. Eu já não conseguia esconder das pessoas que algo de errado me sondava, logo uma fofoca sobre máfia se espalhou pela faculdade. Eu não tinha tempo, nem energia, nem vontade de refutar tudo aquilo. 

Naquele noite, eu pensei nos cigarros que me fizeram sair de casa, meses atrás. O céu tinha estrelas que brilhavam do mesmo jeito, como se fosse possível existir o mesmo céu outra vez. Até o ar tinha o mesmo cheiro, de água e azul. Talvez porque estava chovendo. Algo novo estava chegando e sentir isso me deixava animado, apesar de desejar estar morto, por tantas dores. 

Por que aquela mulher tinha me dito que era melhor eu esperar meu Anjo naquela mesma esquina? Justo onde tudo começou... Do outro lado da rua estava mesma conveniência que eu tinha roubado o maço de cigarros. Nunca pensei em voltar ali, mas lá estava eu, talvez com um ombro deslocado e sangrando como um pedaço de carne mal passada. Meu Anjo teria algum trabalho para me ajudar. 

Eu ainda não sabia o que poderia vir de bom dali, mas confiei naquela mulher. Foi a melhor decisão da minha vida, porque de repente, uma presença salvadora entrou na rua. Eu o conhecia de algum lugar, talvez era um dos amigos dos vários amigos do Chanyeol, incrivelmente o mais bonito deles. Mas não era isso que estava me chamando a atenção, na verdade. Aquele cara brilhava diferente, seu contorno era vívido e toda sua altura me convida a me jogar em cima dele. Senti uma conexão instantânea e inexplicável. Se eu não estivesse a par do que era o Inifinitum, poderia taxar meu sentimento de amor à primeira vista. 

Porém, levando em conta que a velha me mandou esperar ali, alguma coisa a mais aquela criatura majestosa tinha. Ele nem mesmo se dignou a me ajudar, mesmo encarando meu estado lamentável. Eu tive que  o seguir, até a porta do seu apartamento. 

Estranhamente,  ele me deixou entrar, mesmo estando bastante assustado comigo. Decidi que não falaria nada, tive medo de o envolver em algo que não o faria bem. Qualquer dica que eu desse o colocaria na Lista dos indesejados e eu só precisava colocar meu ombro no lugar – talvez limpar alguns cortes. 

Ele tinha vários livros, bonecos e coisas fofas na estante, apesar de sua postura e expressão demonstrarem completa frieza. Seus movimentos eram precisos e ele não perdia tempo, nem mesmo para me avisar que iria doer. Não saberia explicar porque ele estava me ajudando, mas não iria perguntar. Era estranho, mas era a melhor opção. 

Se Chanyeol não fosse tão indelicado e desastrado, poderia continuar me ajudando nessa parte. Mas eu voltava ainda pior quando o encontrava, mesmo depois das melhores tentativas, então talvez eu voltasse até aquele apartamento novamente. 

Até porque ser tratado por aquela existência tão bela não era nada mal. 

 

∞  

 

Minseok estava parado no corredor do mercadinho, encarando com estranheza a fileira de pacotes de cigarro. Eu não conseguia parar de admirar seu perfil. À parte da luz azul que ainda o contornava, o que mais me interessava era o contorno perfeito de seu corpo. Eu definitivamente estava apaixonado por ele. E pensar que no começo, quando ele sumiu pela primeira vez, eu demorei tanto tempo para admitir que sentia saudades dele –  um sentimento tão simples de se perceber. 

Mas lá estava eu, contemplando meu único amor, que olhava concentrado para os cigarros. Eu ainda não sabia muitas coisas sobre ele, uma delas era se ele fumava ou não. Antes, isso me incomodava um pouco, mas depois de entender que nossa relação só existia por causa dos sacrifícios que ele tinha feito, eu deixei de me importar em saber seus gostos pessoais. Nunca seríamos como qualquer casal, eu ainda deveria estar morto e ele deveria estar cuidado do amor, de maneira mais genérica. 

Mas ele decidiu cuidar da gente. 

Minseok demorou 25 anos para conseguir me encontrar no meu passado. Quando finalmente o fez, ainda não foi fácil para ele mudar meu destino. Quase morreu tentando desviar o caminhão do carro da minha mãe e se machucou ao me tirar das ferragens. Caminhou por dez horas comigo em seus braços, até encontrar um hospital – e teve que voltar antes mesmo de me ver acordar. 

Tudo o que ele teve foram algumas horas andando comigo e eu era apenas uma criança desacordada. Quando finalmente voltou para sua linha do tempo, perdeu grande parte da mémoria e não me reconheceu quando fomos apresentados na faculdade. Ele ainda não sabe mais sobre sua própria história, porque não visitou Baekhyun comigo. 

O ruivo que havia me contado e finalmente me explicado tudo o que eu sempre quis saber. De fato, Baekhyun não estava infeliz, como eu pensava, e a realidade virtual que vivia o fazia muito bem. Lá, ele tinha Jongdae e aqui, ele não tinha ninguém. Eu percebi, durante a visita, a tinta usada para pintar o céu dele. Notei as nuances de todas as pinceladas de cores, usadas para disfarçar todo o artificial. Mas Baekhyun não percebia nada e estava bem assim. Eu ainda quis reverter tudo, resgatar Baekhyun e Jongdae, ao mesmo tempo. Era uma ideia que queria propor a Minseok. 

Mas antes de o fazer, eu quis continuar o observando, um pouquinho, de longe, enquanto me sentia completamente apaixonado por sua fisionomia intrigante. 

– Você quer um cigarro? – finalmente anunciei minha presença, parando ao seu lado e segurando sua mão fria. 

Minseok continuou encarando os cigarros por alguns segundos, antes de se virar para mim e sorrir. Seus dentinhos sempre fariam meu coração vacilar em suas batidas. 

– Estava te esperando, grandão. Esperei esse tempo todo – ele afundou o rosto no meu sobretudo e aspirou profundamente.  

Ele não estava se referindo ao tempo que passei indo visitar Baekhyun, é claro, pois não demorou mais que alguns minutos no nosso tempo. Eu ainda estava um pouco ressentido com ele, por várias coisas, e decidi que não iria mais guardar nenhuma frustração dentro de mim. 

– Desculpe, mas eu esperei bem mais – disse, empurrando gentilmente seu rosto com meu peito, para o afastar um pouco de mim – Minseok, sei que não é hora nem lugar certo, mas nunca vai ser, não para nós dois… Mas preciso saber… 

– Eu não vou embora, Sehun. Fiz muita coisa errada, mas não estava pensando. Tentei te proteger do perigo e não percebi que estava te colocando na beira do precipício. Estava perdido antes... – ele voltou a encarar os cigarros, antes de me encarar e completar sua fala – … Mas agora estou encontrado em você.  Vou ficar, não vamos mais nos separar. 

Meus olhos cerraram, quase involuntariamente, tentando avaliar se eu ainda conseguia confiar nele. Nem só de amor eu vivia, minha confiança nele estava muito abalada, ainda mais depois de tantos anos sem o ver, fisicamente. Seria difícil, mas poderíamos tentar ter uma relação comum e mundana, sem viagens ou sumiços. Nunca mais sofrer. Mas de certa forma, eu não conseguia evitar suspeitar dessa possível paz e não conseguia esquecer, quem em algum lugar, Baekhyun não passava de uma inteligência artificial. 

– Por enquanto, isso me basta. Mas ainda quero ajudar Baekhyun. 

– Ele vai sofrer se voltar, Sehun. Nunca mais vai poder encontrar o Jongdae… O carro dele pegou fogo – ele me puxou para irmos embora, como se tivesse encerrado assunto.  

– Podemos encontrar o Jongdae antes, então… Você sabe onde ou quando ele está? 

Ele parou no meio do corredor e desistiu de me arrastar. Novamente, contemplou os cigarros e minha mente não conseguiu disfarçar a coincidência desse gesto. Tinha alguma coisa ali, ou teve, ou teria.  

– Jongdae está com o Suho. 

– E o que esses cigarros tem a ver com isso? – ele fingiu não me ouvir e continuou andando pelo corredor – Olhe para mim, o que está acontecendo? 

– Jongdae está com o Suho – ele repetiu – Suho é o apelido do Junmyeon.  

Ouvir aquele nome me provocou uma série de sentimentos confusos. Eu me lembrava dele, mas a nostalgia era incômoda, como se algo pegajoso estivesse na sola dos meus pés.  

Minseok olhava a esmo. 

– E qual o problema? Por que esse olhar vago? 

– Junmyeon quer me tirar de você. 
 

∞ 

 

– Eu sabia que você iria voltar. 

Junmyeon estava sentado na beira da piscina, balançando os pés dentro da água, como se brincar com o Infinitum fosse refrescante. Eu pude sentir o ódio inflar minhas narinas, mas segurei minhas emoções dentro de mim  – e toda a vontade de estrangular seu pescoço. Eu ainda precisava de sua tutoria e matá-lo não me ajudaria em nada. 

Ele sabia que eu iria voltar pelo simples fato de ter ameaçado ir até o passado e garantir que Sehun sofresse o acidente que tiraria sua vida. Poderia ser um blefe, mas eu não sabia que consequências aquilo traria para os outros pedaços de Sehun que estavam espalhados por toda a existência e com certeza o Sehun, que me trouxe de volta a mim mesmo, deixaria de existir. Não pude ignorá-lo mais. 

Eu não tive tempo de deixar uma despedida e abandonei Sehun em um estado muito frágil. O grandão ainda não comia direito e tinha pesadelos todos os dias. Eu tinha certeza que se eu continuasse com ele, poderíamos reverter seu quadro em pouco tempo. Era só ele continuar dormindo no meu colo e eu seria sua cura. Agora, ele com certeza sofreria muito mais. Só pude esperar que um dia eu conseguisse explicar minha decisão. 

Havia apenas uma esperança para nosso futuro se manter intacto. Diante da ameaça de Junmyeon, eu fui forçado a pensar, como fazia antes, e cheguei nessa conclusão. Eu teria que ultrapassar, me tornar um lorde do tempo e romper com a dependência que Junmyeon exercia em mim. Só assim Sehun estaria seguro, só assim poderíamos tentar ser como qualquer casal. 

Por isso, resignado, eu me arrastei até o restaurante e, engolindo meu orgulho, me tornei novamente uma peça no tabuleiro dele. 

– Vamos logo com isso, Suho – as palavras saíram amargas. 

– Você está com raiva, Xiumin? Lembre-se do que o Kai disse: o amor é o caminho. 

Então meu caminho ficou dormindo na minha cama. 

– Talvez essa sua frustração ajude, tanta energia pode finalmente te conectar com o outro lado – eu odiava admitir, mas ele estava certo.

Minhas melhores tentativas vieram dos meus piores dias, principalmente os dias que eu queria me infiltrar debaixo dos lençóis de Sehun e ficar ao seu lado para sempre, mas tinha que ir embora na surdina. Mesmo que na época eu ainda fosse apenas um maluco que ele ajuda a colocar ombros no lugar, ele já provocava sentimentos calorosos em mim.

Junmyeon aproveitou meu pequeno desvio de atenção para se aproximar. Seu contorno era atraente em toda sua luminosidade e sempre foi motivação para que eu continuasse tentando. Queria brihar como ele. Mas eu não gostava mais tanto assim de Suho, depois daquela ameaça tão direta.

– Você pode me chamar de monstro, mas ainda vai me agradecer por o trazer de volta.

– Prove.

Talvez eu fosse fraco e egoísta, por cogitar me infiltrar na vida de Sehun, pelos sonhos ou por sopros em seus ouvidos. Afinal de contas, não conseguiria ficar totalmente longe dele e não saberia quanto tempo levaria para aprender a pular. Talvez tivesse sido melhor não ter abandonado seu corpo tão quente na minha cama e ter apenas saído para comprar rosquinhas outra vez. Eram tantos talvez e apenas cabia a mim resolver tudo. Tive que ser racional. Eu definitivamente precisava ultrapassar. E definitivamente voltaria para Sehun.

Um dia.


Notas Finais


será que finalmente vocês perdoaram um pouquinho o Minseok? hm. (de quebra meu atraso/ rs?)
então gente, minha dica para o próximo capítulo é: vejam o MV de Monster.
tipo, eu tinha a ideia de uma fic com aquele MV, mas nunca veio a inspiração real para escrever, até minha existência ter sido agraciada com Ko Ko Bop e The Eve. De repente, bum, o plot veio.
gosto das teorias de vocês, principalmente quando meus pequenos easter eggs são notados aiai, fico mto soft
me cobrem coisas (aka sumiços) no twitter, tô sempre lá: @tensaimands
obrigada por não desistirem de mim :D


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