História Adaptação -THE FIRST CHANGE - Capítulo 8


Escrita por: ~

Postado
Categorias Fifth Harmony
Personagens Camila Cabello, Lauren Jauregui
Exibições 53
Palavras 3.540
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Romance e Novela
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Intersexualidade (G!P), Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Bom este é o último de hj amanhã tem mais bjo amores até amanhã

Capítulo 8 - Maratona


POV Camila

Até que o almoço transcorreu de forma agradável.

Mas  eu  não  repetiria  aquilo  tão  cedo.  Não  estava  pronta  para  confiar  em

ninguém  no momento.  Era  temporário, mas,  por mais  legal  que  fosse  ter  um

amigo, Austin  não  parecia  querer  parar  na  amizade. Cedo  ou  tarde,  desejaria

mais.

Saí do clube e segui para o carro. Não estava a fim de jogar golfe. Só queria

ler e fugir dessa bagunça em que meu pai tinha me enfiado. Precisava encontrar

algum  parque  onde  pudesse  me  sentar  sob  uma  árvore  e  ler.  Eu  mal  podia

esperar  para  começar  a  leitura de  dois  livros  que  eu  havia  adicionado  ao meu

leitor  digital.

Foi então que eu o vi. Longos cabelos escuros, meio ondulados apenas para

parecerem  desgrenhados,  presos  num  rabo  de  cavalo. O  chapéu  de  caubói  na

cabeça. Camisa xadrez  azul  ajustada nos ombros  largos  e nas  costas  conforme

ele se apoiava no meu carro, com os braços cruzados. A empolgação  fervilhou

dentro  de mim, mesmo me  perguntando  o motivo  de  ele  estar  aqui.  Corri  na

direção dele.

O  som dos meus passos chamou  sua atenção e ele  se virou para mim. Um

sorriso  lentamente  se  abriu.  Havia  tanto  de  nosso  pai  nele.  Costumava  me

perguntar se meu pai  teria sido parecido com ele se não  tivesse aquele estilo de

vida deprimente, regado a sexo e drogas. Mase era saudável e forte.

Abracei-o ao mesmo tempo que ele abriu os braços.

– O que você está fazendo aqui? – perguntei, apertando-o forte. Lágrimas se

formavam  em  meus  olhos.  Eu  não  tinha  me  dado  conta  de  como  me  sentia

sozinha. Só o fato de Mase estar aqui, alguém que me amava, já era um alívio.

– Fiquei sabendo que nosso querido pai jogou você aos lobos e quis ter certeza de  que  estava  bem.  –  Ele  arrastava  as  palavras  com  seu  sotaque  sulista  que

sempre me fizera rir.

Ainda  não  sabia  dizer  se  estava  bem  ou  não.  Se  ele  visse  como  eu  estava

Emocionada , me obrigaria a fazer as malas e me levaria para o Texas. Engoli o

nó na garganta.

– Não é tão ruim. Hoje tive um dia bom.

Mase  resmungou e se afastou um pouco para me analisar.

– Pelo que papai me contou, Sofi é uma vadia. Depois, fico sabendo que ele

mandou  você  morar  com  ela.  Estou  achando  tudo  isso  um  pouco  difícil  de

engolir. – Ela me odeia. Vai odiar você  também. Mas Harry e a esposa dele, Taylor,

estão  aqui.  Você  vai  gostar  dela.  É  muito  legal.  Não  estou  completamente

sozinha.

Mase franziu a testa e a covinha de sua face esquerda desapareceu.

– Harry se casou? Merda, estou desatualizado.

–  Sim.  Eles  têm  um  bebê  também.  Nate.  É  uma  graça,  mas  o  Harry  é

mesmo... Bem... Harry e Taylor  são lindos.

–  Minha  nossa.  O  garanhão  se  casou.  Não  o  vejo  há  mil  anos,  mas  não

esperava por isso.

– As pessoas mudam. Harry mudou.

Mase concordou com a cabeça.

– É, as pessoas mudam mesmo.

Perdi a vontade de ler. Queria passar o tempo com meu irmão.

– Por quanto tempo vai ficar aqui?

Mase curvou a sobrancelha e esfregou o queixo com a barba por fazer.

– O tempo que precisar de mim, irmãzinha.

Nove meses, então, mas não diria isso.

– Onde você vai ficar?

Mase riu.

– Vou ficar naquela casa grande e bonita que meu pai comprou.

Fiquei  boquiaberta. Ele  devia  saber  que Sofi morava  lá. Ela  não  o  deixaria

nem entrar.

– Mas Sofi... – Não consegui terminar a frase.

Mase me deu uma piscadela e se aproximou.

– Liguei para o Alejandro. Ele  sabe que estou aqui. E avisou que,  se a vadia me

causasse  problemas,  ela  teria  que  se  entender  com  ele. Ele  resolveria.  – Mase

deu um sorrisinho. – Não que eu precise disso. Vou levar minhas coisas para lá e

escolher um quarto. Ela não vai me impedir. Pensei na reação de Sofi e já imaginava quão grande seria o escândalo.

– Sofi vai enlouquecer. Ela é louca.

Mase passou o braço pelos meus ombros.

– Ótimo. Preciso me distrair um pouco. Por que não me mostra o caminho e

me  ajuda  a me  instalar? Depois  vamos  procurar  um  bar  decente  para  tomar

umas  cervejas  e  jogar  uma  sinuca.  Um  lugar  que  não  tenha  essas  malditas

camisas  polo e carros de luxo. – Ele olhou para o estacionamento com repulsa.

Mase podia ser o único filho homem do roqueiro mais infame do mundo, mas

ainda assim  fora criado no  interior. Sua enorme picape Dodge preta  tinha  lama

nos  pneus  e  manchas  de  terra  na  carroceria.  Ele  não  estava  nem  aí  para  as

aparências.

– Certo. Vou dirigindo e você me segue?

– Sim. Precisamos deixar o seu carro em casa antes de sair à noite. Abri a porta e olhei para trás, vendo-o caminhar até sua picape e entrar nela.

Meu  irmão  estava  aqui.  Ele  ia  morar  conosco.  Os  três  filhos  de  Alejandro  na

mesma casa. Isso seria... um desastre. 

POV Lauren

– Preciso  que  você  venha  aqui  agora! Agora mesmo,  droga!  –  gritou Sofi  ao

Telefone . Mantive  o  fone  longe  do  ouvido  para  que  ela  não  arrebentasse meus

tímpanos.

– Pare de gritar! – vociferei.

– Ele não quer  ir embora! Preciso de ajuda. Não consigo falar com o  idiota

do meu pai! Preciso de você. Por favor! Venha aqui me ajudar!

– Quem está aí?

– Venha logo! – berrou ela, desligando o telefone na minha cara.

Merda.  Eu  não  pretendia  me  aproximar  nem  um  pouco  de  Sofi.  Mas

Camila...  Se  “ele”  incomodava  Sofi,  poderia  machucar  Camila?  Será  que  a

vadia  irresponsável  levara  um  desconhecido  para  casa?  Será  que  era  alguém

perigoso? Porra! Peguei  as  chaves do  carro  e  saí  correndo. Eu  iria  até  lá, mas

não por Sofi. Queria me certificar de que Camila estava segura.

Uma  picape Dodge  preta  com  cabine  estendida  que  parecia  ter  andado  na

lama estava estacionada atrás do carro de Camila. Quem Sofi  tinha levado para

casa desta vez? A ideia de Camila estar em perigo fez a raiva que havia dentro de

mim começar a  ferver. A segurança de Camila não poderia ser garantida com

aquela  louca  da  irmã  dela  sob  o mesmo  teto.  Camila   precisava  de  um  lugar

seguro  para  morar,  e  agora  Sofi  me  aparecia  com  um  cara  que  tinha  uma

picape  Dodge.

Passei rapidamente pelos degraus da entrada e escancarei a porta sem bater.

Foi  fácil seguir o grito agudo de Sofi. Subi as escadas até o primeiro quarto, no

segundo andar.

– Você NÃO  vai morar  na minha  casa! Arrume  suas malas  e  saia  agora!

Não  foi  esse  o  acordo  que  fiz  com  Alejandro.  –  O  rosto  de  Sofi estava  vermelho

quando  eu  entrei  no  quarto.  Ela  me  viu  e  disparou  na  minha  direção,  me

abraçando. – Você veio! Obrigada, obrigada. Preciso da sua ajuda. Olhei  para  Camila.  Seus  olhos  estavam  arregalados,  com  uma mistura  de

emoções. A única que eu decifrara era a mágoa. Tirei os braços de Sofi do meu

corpo e a afastei de mim, sem parar de olhar para Camila. Não queria que ela

pensasse que eu estava preocupada com Sofi.

– Você  ligou  para  a  sua  namorada? Que  engraçado.  – O  sotaque  arrastado

Chamou  minha atenção. Desviei o olhar para o cara ao lado de Camila. Seu tom de  voz  parecia  relaxado,  mas  sua  postura  rígida  na  frente  dela  denunciava

proteção.

–  Quem  é  você?  –  perguntei,  passando  por  Sofi  e  me  aproximando  de

Camila. Não  sabia quem esse cara queria proteger, mas não o deixaria chegar

mais perto dela.

– Ele acha que pode se mudar para esse quarto! Diga que não! – exigiu Sofi.

Ele acha o quê?

Camila deu um passo na direção do sujeito e pegou no bíceps dele com sua

mão pequena. Não gostei daquilo. Nem um pouco. Fitei a mão dela no braço do

cara e voltei a olhar para ela. Camila estava ali com ele? Ela já tinha seguido em

frente?

– Quem é ele, Camila? – perguntei. Precisava ouvi-la dizer.

Camila  olhou  para  o  cara,  depois  para mim.  Percebi  a  indecisão  em  seu

rosto. Ela não confiava em mim. Eu odiava aquilo. Tinha me esforçado  tanto e

agora ela estava abraçada a esse homem, como se ele fosse parte da cavalaria

que viera resgatá-la.

– Não acredito! Você vem até aqui e pergunta para ela quem ele é? Qual é o

seu  problema? Ele  está  na minha  casa  e  quero  que  vá  embora.  Agora.  –  Sofi

segurou meu braço e o puxou, tentando chamar minha atenção. Simplesmente a

ignorei. Mantive o foco em Camila.

– Lauren, este é o meu irmão, Mase Colt Cabello. Mase, esta é Lauren Jauregui.

Ela é a melhor amiga do Harry e namorada da Sofi.

Quando  ouvi  “meu  irmão”, meu  corpo  relaxou.  Irmão.  O  aperto  no meu

peito desapareceu e pude respirar novamente. Nada mais que ela pudesse ter ditoimportava. Mase Colt-Manning. O  único  filho  homem  de Alejandro Cabello. Fiquei

imaginando  se meu suspiro de alívio não tinha saído muito alto.

Mase deu um passo na minha direção e estendeu a mão.

– Muito prazer – disse ele com um sotaque sulista carregado.

Cumprimentei-o. Seu aperto de mão estava mais para um alerta, na verdade.

–  Igualmente  –  respondi.  A  ameaça  velada  em  seus  olhos  não  passou

despercebida. Ele notou que eu havia me preocupado com Camila. A mensagem

que ele capturou ali não era a correta, e eu queria corrigi-la, mas não por ele.

Por Camila.

–  Que merda,  isso  é  sério?  Você  está  apertando  a mão  dele?  Ele  quer  se

mudar para a minha casa! Sem ser convidado! – berrou Sofi.

Eu me afastei e olhei para Sofi pela primeira vez desde que entrei naquele

quarto.

– A casa é do Alejandro, Sofi. Se ele quiser colocar outro  filho para morar aqui,

tem todo o direito. Não vejo como você possa impedir.

O rosto de Sofi  ficou quase roxo. Ela bateu o pé e fez um ruído  tão alto que

parecia uma criança de 5 anos dando chilique. – Não que seja da minha conta, mas como você aguenta? – perguntou Mase.

– Não  aguento. Ela  não  é minha namorada. Camila  não  entendeu  algumas

coisas e não me deixa esclarecer – respondi, olhando para ela. Camila baixou a

cabeça e ficou olhando para os pés.

–  Entendo  –  respondeu Mase,  e  eu  tive  a  impressão  de  que  ele  realmente

entendia. Muito mais do que Camila. Ele era homem e minha atitude dizia tudo.

Só  queria  que  ela me  perdoasse  e  soubesse  que Sofi não  era  importante  para

mim. Não mais.

– Caia fora – ordenou Sofi, apontando para a porta. O brilho de raiva em seus

olhos se dirigia a mim. – Agora. Saia da porra da minha casa. Você é alguém que

eu posso colocar para fora. Então rua! Não devia ter ligado.

–  Eu  o  convidaria  para  ficar, mas Camila  e  eu  temos  planos. Certamente

vamos nos esbarrar por aí – disse Mase. – Pode sair do meu quarto agora, Sofi.

Quando se virou e saiu do quarto, ela contorceu o rosto numa careta furiosa

que quase me fez rir. Mase não daria folga para Sofi. Era por isso que ele estava

aqui?  Será  que  tinha  vindo  por Camila? A  forma  como  ele mantinha  o  corpo

discretamente na frente dela, como se estivesse pronto para atacar qualquer um

que chegasse muito perto, revelava claramente seus motivos.

– Obrigado – respondi antes de sair.

– De nada. Mas por que está me agradecendo? – perguntou ele.

Virei-me,  mas  não  olhei  para  ele.  Meus  olhos  estavam  concentrados  em

Camila.

– Por ter vindo protegê-la. Vou dormir tranqüila  à noite sabendo que ela tem

você. – Não esperei que ele fizesse mais nenhuma pergunta. Simplesmente saí. 

POV Camila

Eu não conseguia encarar Mase. Mas ele não tirava os olhos de mim. Dava para

sentir  sua  curiosidade.  Tomava  conta  de  todo  o meu  quarto.  O  que  tinha  sido

aquilo?  Lauren  invadira  o  cômodo  como  se  estivesse  pronto  para  salvar  Sofi.

Depois basicamente a empurrou para longe. Quase senti pena dela. Ontem ela a

fizera gritar durante o orgasmo, mas hoje não queria nem que ela a tocasse.

–  Faça  o  favor  de  explicar  toda  essa  merda.  Porque,  maninha,  estou  me

esforçando  para  entender  essa  porra  toda  –  disse Mase  ao  se  sentar  na  cama

king-size ao meu lado.

– Não sei do que está falando – respondi, ainda sem olhar para ele.

Mase riu.

– Aham. Desembuche logo. Ou eu vou lá perguntar para ela.

Não.  Eu  não  podia  deixá-lo  falar  com Lauren. Nem  sabia  direito  o  que  ele

achava que sabia.

– Não sei bem. Lauren e Sofi dormem  juntos, mas parece que é só  isso. Ela

estava aqui ontem à noite.

– Ele transa com ela? Sério? Com você aqui na casa?

Dei de ombros.

– Ele não sabia que eu estava aqui ontem à noite.

Mase  não  respondeu  de  imediato.  Eu  não  tinha  ideia  do  que  passava  pela

cabeça  dele,  mas  pela  primeira  vez  desde  que  havia  chegado  desejei  ficar

sozinha por alguns minutos.

–  Você  percebeu  que  ela  gosta  de  você,  não  percebeu?  –  concluiu Mase

finalmente.

Balancei a cabeça.

– Não, não gosta. Ela quer que eu a perdoe por... – Parei de falar. Não podia

contar  a  verdade.  Meu  irmão  iria  atrás  de  Lauren  com  uma  daquelas  armas

grandes  que ele usava para caçar.

–  Por...?  – Mase  perguntou  com  as  costas  eretas,  o  corpo  tenso. Droga. Eu precisava consertar isso.

– Eu e ela ficamos amigas há alguns meses. Comecei a gostar dela. Nós nos

beijamos. Então  um  amigo  dela morreu  e  ela  voltou  para Rosemary. E  nunca

mais me  ligou. Achei  que  estivesse  de  luto  pelo  amigo  e  só  precisasse  de  um

pouco mais de tempo. Depois descobri que ela estava transando com a Sofi.

Mase soltou um resmungo desagradável e cruzou os braços diante do peito.

– Foi só isso que ela fez? Beijou você? Alguma promessa? Balancei a cabeça em negação, porque mentir para Mase era o único jeito de

manter Lauren viva.

– Se serve de consolo, ela está se torturando por tê-la magoado. Não está nem

um pouco a fim da Sofi. Meu palpite é que ela quer você e sabe que está fodida.

Fique  bem  longe  dela.  Não  se  amarre  em  garotas  fracas  assim.  Quando  uma

mulher consegue  a  atenção  de  alguém  como  você,  deve  entender  a  sorte  que

teve.  E  não  jogar  tudo  fora.  Ela  não  entende.  Encontre  um  homem  que  a

valorize.

Sorri e finalmente olhei para Mase.

– Isso é um conselho de irmão mais velho? – perguntei.

– O melhor. Estou  cheio  deles. Agora,  ande,  vista um  jeans  e  arrume  uma

daquelas  botas de caubói que lhe dei de presente de Natal. Vamos para um lugar

com gente comum – respondeu com uma piscadela.

Fui até ele e o abracei.

– Obrigada – sussurrei.

– Não me agradeça por cuidar de você.

O bar que Mase encontrou ficava a uns bons vinte minutos de Rosemary. As

luzes  de neon nas  janelas e as picapes estacionadas bastaram para animar meu

irmão.

–  Se  tem  lama  nos  pneus  é  porque  a  cerveja  daqui  é  boa  –  explicou  ele,

Abrindo  a porta da picape. Fiz uma careta de desdém e abri a porta para descer

do carro.

Caminhamos na direção da entrada e Mase parou, depois voltou a olhar para

mim.

–  Tente  não  parecer  muito  atraente.  Só  quero  jogar  sinuca  e  tomar  uma

cerveja.  Passar  um  tempo  com  a minha  irmã. Não  estou  a  fim  de  bater  em

nenhum cretino que der em cima de você.

Eu  ri, depois concordei. O que ele achava que eu  ia  fazer? Entrar  lá e  ficar

Piscando  para todos que olhassem para mim? Mase  abriu  a porta  e nós  entramos. O  ar  estava  empesteado de  fumaça de

cigarro. O cheiro do tabaco era familiar para mim. Ele respirou fundo e sorriu.

– Dá para sentir o cheiro do malte daqui. O chope é bom – reconheceu antes

de  se  dirigir  ao  bar.  Fui  atrás  dele. Dei  uma  olhada  no  grande  salão  enquanto

Mase pedia cerveja para nós dois. Não disse nada sobre ser menor de 21 anos.

Simplesmente deixei que trouxesse as bebidas.

A maioria das mesas de sinuca estava  lotada. Tentei não fazer contato visual

com ninguém. Mas acabei vendo um rosto conhecido. Ela não estava olhando na

minha direção. Fitava  sua bebida  sobre  a mesa. Vi um homem  abordá-la, mas

ela  respondeu  sem  olhar  para  ele. O  cara  balançou  a  cabeça  e  foi  embora. A

tristeza em seu rosto e seus ombros caídos me deixaram de coração partido. – Conheço uma pessoa que está aqui – falei, me virando para Mase. – Você

ficaria chateado se eu  fosse  lá  falar com ela sozinha? Volto em alguns minutos.

Ela parece estar precisando de uma amiga.

Mase olhou para a multidão e eu vi quando  seus olhos pousaram em Bethy.

Ele concordou.

– Claro. Vou ficar bem aqui.

– Está bem – respondi, e fui até  lá. Bethy  não ergueu o rosto até que eu me

sentasse na frente dela.

A confusão em seus olhos se transformou em surpresa.

– Camila? – perguntou, depois olhou em volta para ver se eu estava com mais

Alguém . Notei o momento de pânico. Ela não queria que as pessoas soubessem

que estava bebendo para esquecer a dor.

– Estou  aqui  com meu  irmão. Mais ninguém.  – Garanti  a  ela,  que  voltou  a

olhar para mim, aliviada.

– Ah – murmurou, simplesmente.

Eu  não  era  boa  nisso.  Já  tinha  lidado  com  perdas.  Perdera minha mãe,  de

quem agora eu mal lembrava, e depois minha avó, mas nunca alguém por quem

estivesse  apaixonada.  Nunca  alguém  tão  jovem  e  com  uma  vida  inteira  pela

frente.

– Quer conversar? – perguntei.

Bethy  franziu a testa e olhou para o copo.

– Não sei. Acho que não.

Eu nunca havia sido amada nem tinha amado ninguém, então não sabia muito

bem qual era a sensação. Quanto a pessoa se sentia vulnerável. Só conhecia a dor

de  ter  confiado  em  alguém  que  me  traiu.  Havia  sido  doloroso,  mas  não  se

comparava a isso.

–  Às  vezes  acho  que  vou  acordar  e  isso  tudo  não  vai  ter  passado  de  um

pesadelo  –  disse  ela,  olhando  para  o  copo  como  se  ele  contivesse  todas  as

respostas. Decidi que era melhor permanecer em silêncio e deixar que ela falasse. Eu

era uma boa ouvinte. Podia ajudá-la assim.

– Mas  então  eu  acordo  e  ele  não  está  lá. Não  está  ao meu  lado. Não  está

sorrindo  para mim  com  aqueles  lindos  olhos. Não  tenho mais  seu  corpo  para

abraçar e planejar o resto da vida. Ele era meu porto seguro. Eu nunca havia tido

um porto seguro antes. Mas Jace foi isso para mim. Ele cuidou de mim... e eu...

eu não o merecia.

Tentei dizer que aquilo não era verdade, mas ela continuou falando.

–  Ele  nunca  soube  a  verdade  a  meu  respeito.  Nunca  conheceu  meus

segredos. Eu queria contar tudo. Mas sabia que se fizesse isso poderia perdê-lo. E

eu não queria perdê-lo. Então... então Shawn veio me visitar, e eu perdi o controle.

As  lembranças,  as  mentiras,  era  muita  coisa.  Bebi  aquela  noite  porque finalmente  tinha me convencido a contar a verdade ao Jace. Ele merecia saber

quem  era  a  pessoa  que  amava.  E,  por  ser  covarde,  eu  bebi.  E  depois...  eu  o

matei.

Estendi o braço sobre a mesa e peguei na mão dela.

– Você não o matou – garanti a ela. Disso eu sabia. Jace havia se afogado.

Ela ergueu os olhos e as lágrimas que se acumulavam rolaram por seu rosto.

– Jace tentou me salvar. Eu entrei na água e quase me afoguei. Devia ter sido

eu. – Ela engoliu em seco. – Devia  ter sido eu. Ele devia  ter me  largado lá e se

salvado, mas  não.  Ele me  salvou, mas  eu  devia  ter morrido.  Eu  é  que  era  a

mentirosa. Não o merecia.

Não  era  da  minha  conta.  Eu  não  conhecia  os  segredos  dela  nem  queria

conhecer. Mas  sabia  que  Jace  a  teria  salvado  independentemente  de  qualquer

coisa. O  amor  não  desaparecia  de  repente. Eu  amava  o meu  pai,  e  ele  estava

longe de ser perfeito.

– Ele a  teria salvado mesmo que você  tivesse  lhe contado esses segredos. O

amor não se esvai de uma hora para outra. Ele podia ficar magoado. Podia até

não  ser  capaz  de  confiar  em  você  novamente.  Mas  teria  ido  atrás  de  você,

porque é isso que o amor faz com as pessoas.

Bethy  chorou um pouco e cobriu a boca.

– Ele merecia viver. Ter uma vida plena e feliz – disse ela assim que soltei sua

mão. – Eu tirei isso dele.

Eu não tinha como ajudá-la a se perdoar. Isso levaria tempo.

– Mas você errou. Jace apenas quis proteger você. Um dia você vai conseguir

parar de se culpar. Até lá, tente pensar na parte boa. Não se atenha às ruins.

– Mas o Shawn está na cidade agora. Ele me  faz  lembrar. Vê-lo de  longe  já

me faz lembrar.

Eu não tinha ideia de quem era Shawn nem por que ela o mencionava o tempo

todo.  De  novo,  não  era  da  minha  conta.  Ele  era  obviamente  uma  parte  do passado que a atormentava.

– Sei que muitas coisas fazem com que você se lembre dele e do passado que

tiveram juntos. Com o tempo, vai ficar mais fácil.

Bethy  fechou bem os olhos.

– Espero que sim – sussurrou ela.

Eu não queria deixá-la.

– Por que está aqui sozinha? – perguntei.

Ela franziu a testa.

– Eu gosto. Não quero encontrar as pessoas. Mas acho que já está na hora de

voltar para casa.

Apertei a mão dela e voltei a colocar a minha na lateral da mesa.

– Se precisar de alguém para conversar, alguém que não esteja relacionado à

situação, pode contar comigo – falei enquanto me levantava. Bethy  deu um sorriso fraco.

– Obrigada, Camila. Significa muito para mim.


Notas Finais


Ai a Camila como sempre muito fora dr preocupando com os outros queria ter alguém assim


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