História Addict in you - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens J-hope, Jimin, Jin, Jungkook, Personagens Originais, Rap Monster, Suga, V
Tags Bangtan Boys, Hoseok!top, Lemon, Taehyung!bottom, Vhope¡taeseok, Yaoi
Exibições 35
Palavras 3.672
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Drama (Tragédia), Lemon, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Slash, Violência, Yaoi
Avisos: Álcool, Drogas, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Transsexualidade, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


EU DE NOVO! Meus queridos (as) leitores (as), estou iniciando mais um projeto que já estava há algum tempo na minha cabeça e quis muito postar. E finalmente estou dando início. Espero que gostem. Boa leitura e até às notas finais.

Capítulo 1 - O novato


“Eu não sou nenhum especialista em amor. Mas eu sei de uma coisa: o amor é imprevisível. Pode acontecer em qualquer momento, a qualquer hora. Até mesmo nas situações mais improváveis. Não adianta fugir e nem evitar, sempre seremos pegos pelo amor."

 

 

***

 

 

Mais uma vez naquela semana eu estava saindo de casa com o sangue fervendo. Estava em uma época chuvosa e fria, e eu não me importei em sair correndo de casa e pegar aquela chuva que caía forte. Pelo contrário, eu agradeci aos céus por está chovendo daquela forma. O fato era que eu realmente não me importava. Não importava se pegaria um resfriado no dia seguinte; não me importava se alguém ficaria preocupado (se é que realmente alguém iria ficar); não me importava se podia acontecer algum mal comigo por eu estar a essa hora na rua. Eu simplesmente não me importava com nada, a não ser com um único fator. 

Fechei os olhos brevemente e continuei correndo, lutando contra as gotículas de chuva que caíam como pequenas pedras machucando a minha pele. E incrivelmente, eu gostei daquilo. Gostei da forma que as gotas de chuva caíam contra a minha pele, me causando pequenas queimações devido a força que elas me atingiam. Meus pés já estavam começando a queimar; minhas pernas davam indícios de enfraquecimento, mas mesmo assim, não parei por nada. Já estava muito escuro, tarde da noite. As únicas luzes que eu conseguia enxergar eram dos postes e dos faróis dos carros.

Parei de correr quando avistei um parquinho. Então, lembrei de que vinha aqui com minha mãe e minha irmã quando éramos crianças. Mamãe comprava sorvete para nós e observava a gente brincar nos brinquedos. Me aproximei do local infantil e não havia ninguém além de eu mesmo ali. A chuva pareceu engrossar mais e eu apenas caminhei até o balanço, me sentando no mesmo e segurando nas correntes. A ideia era me balançar feito uma criança contente. Alto. Bem alto. Porém, eu não consegui. A única coisa que eu fiz foi explodir em lágrimas. Desabar. Um grito desesperado percorreu minha garganta e saiu alto de meus lábios, como uma libertação. Não liguei se alguém iria me achar um louco, eu apenas coloquei para fora o que eu segurava todos os dias.

E, incrivelmente, a chuva foi cessando. O céu se limpava e as estrelas não demoraram a aparecer. Calmaria. Meu choro melancólico e desesperado foi parando aos poucos. Logo, estava eu apenas parado, olhando para os brinquedos que pela manhã parecem tão divertidos e convidativos, e tão bonitos quando há crianças sorrindo e se divertindo neles. Mas naquela noite — ou melhor, em todas as noites —, eles pareciam tão tristes e abandonados. As cores tão foscas e nada parece divertido. Nada é bonito, tudo é triste e insuportavelmente calmo. Fechei os olhos e um longo suspiro escapou de meus lábios. A cabeça baixa e movendo os pés para que o balanço ganhe movimento.

Silêncio.

Calmaria.

Engoli em seco e levantei, saindo o mais rápido possível daquele lugar.

Não sabia que horas eram. Caminhei em direção dos carros, com as vestimentas encharcadas e os sapatos que pareciam lagos. As mãos dentro dos bolsos do moletom e o capuz da blusa na cabeça. Quem me visse pensaria que era algum garoto de rua, não que eu me importasse quanto a isso.

 

— Taehyung!

 

Uma voz conhecida chamou pelo meu nome. Me virei para ver quem eu já sabia que veria. Park Jimin. O ruivo estava dentro de um carro branco que logo percebi que era o seu próprio carro.

—  Taehyung, entra nesse carro. Agora.

Não dei ouvidos. Apenas continuei andando. Jimin me acompanhava. Como eu andava devagar, Jimin tinha que dirigir na mesma velocidade, o que começou a irritar os outros motoristas que estava logo atrás. Logo, uma coletânea de sons insuportavelmente irritantes e estridentes de buzinas encheu meus ouvidos, me dando uma leve dor de cabeça.

—  Entra logo, porra ! — Disse ele, irritado.

Entrei. Não porque ele mandou, mas porque eu não aguentava mais aquelas buzinas.

—  Posso saber que diabos você estava fazendo a essa hora da noite pelas ruas escuras de Seul e ainda por cima de baixo de uma chuva que parecia mais um dilúvio?  — Jimin falou tão rápido que demorei exatamente trinta segundos para responder.

— Eu só queria ficar sozinho. Fora que eu saio para onde eu quiser, quando eu quiser e dane-se se estiver chovendo ou não. Não é como se isso fosse da sua conta e que eu realmente te deva alguma satisfação  — Minha voz saiu calma, apesar do jeito rude que acabei soltando as palavras.

Jimin ficou calado. Eu sabia que ele compreendia tudo isso, que apesar da sua pergunta, ele já sabia da resposta. Sabia o que estava me acontecendo e o que eu enfrentava todos os dias, durante todos esses malditos seis anos. Por isso apenas se calou e continuou dirigindo em um silêncio absoluto. E eu, com a cabeça encostada no vidro da janela, observava o lado de fora do carro. As ruas escuras, as poucas pessoas ali passando, os carros correndo rápidos e como as pessoas se apressavam para chegar logo em suas casas aconchegantes, para as suas famílias. E então eu percebo: Eu não estou apressado para chegar em casa e tampouco para ver a minha família. Eu apenas estou ali. Tanto faz se estou indo para casa ver a minha família ou não. Na verdade, prefiro até ficar longe de casa.

 

 

 

 

▪▪▪

 

 

 

 

Naquela noite, eu realmente não voltei para a casa. Pedi para dormir na casa de Jimin e ele deixou numa boa. Já que estamos acostumados a dormir, com uma certa frequência, na casa um do outro.

Acordei exatamente 05:10, olhei no relógio de Jimin. Lembrei que teria aula em poucas horas e teria que ir em casa buscar meus materiais e trocar de roupa. Saí da casa do Jiminnie no mesmo momento, sem fazer barulho. Eu sabia que ele estava dormindo, então era bom não acordá-lo naquele horário.

Caminhei até a minha casa que não ficava tão longe, mas demoraria algum tempo até chegar lá. Percebi que não estava mais com as minhas roupas e sim com roupas do Jimin. Tentei forçar a memória para lembrar do momento em que troquei de roupas, mas foi em vão. Dou os ombros e continuo caminhando, olhando para o chão.

Chego algum tempo depois. Não me dei ao trabalho de bater na porta ou tocar a campainha. Apenas peguei a chave reserva que estava escondida em um vaso de planta e abri a porta. Engoli em seco. Convenhamos que eu não levo a melhor vida, não convivo com a melhor pessoa e tampouco sou feliz morando nessa casa. Mas não é como se eu tivesse alguma escolha. Eu continuava morando ali, aquela continuava sendo a minha casa, onde eu vivia.

Subi as escadas em silêncio e cauteloso. Abri a porta do meu quarto e entrei diretamente para o banheiro. Meu banho foi rápido. Eu ainda não sabia as horas e eu realmente não queria me atrasar para o colégio. Vesti normalmente o uniforme escolar e peguei a mochila. Não me dei ao luxo de arrumar os cabelos e nem nada disso. Saí exatamente do jeito que eu estava: cabelos não arrumados, cara de sono e o uniforme levemente amarrotado. Fora a minha expressão facial de sempre, que é de alguém que não se importaria se fosse atropelado ou vítima de um homicídio.

Desci as escadas e encontrei na sala de estar quem eu menos queria ver: meu pai.

 

—  Posso saber onde você passou a noite, moleque?

 

Eu já estava acostumado com o jeito que ele me travava todos os dias desde que eu tinha onze anos. No começo foi horrível, eu era apenas uma criança de onze anos que não entendia o comportamento rude do pai e que chorava todas as noites por conta dos maus tratos verbais. Mas felizmente eu tive a mamãe que cuidou de mim e me deu o máximo de carinho possível, porém, anos depois, infelizmente ela veio a falecer e eu tive que viver esse inferno dentro da minha própria casa. O que me deixava enraivecido eram os maus tratos verbais e físicos com a  minha irmã mais velha. Foi esse o motivo que fiquei fora de casa. Foi esse o motivo que me tornou o garoto mais infeliz da face da terra durante alguns anos. E o que me deixa mais irritado e com ódio de mim é que eu não posso fazer absolutamente nada. Se não fosse pelo Jimin ter a levado daqui para passar alguns dias na casa de uma amiga por ordens minhas, ela estaria acabada.

—  Não te interessa  — Respondi de forma rude e passei por ele, porém, meu braço foi segurado com força.

—  Cadê ela?

—  Para quê quer saber? Quer que ela fique nessa casa sendo mau tratada por você? — Meus olhos eram sanguinários e minha voz ficou incrivelmente rouca. Raiva.

—  Ela continua sendo a minha filha! Eu tenho direito de saber!

—  Você não tem direito a nada. A propósito, você perdeu qualquer direito sobre ela, sobre nós, desde que você começou com essa porra toda!

—  Você esqueceu que moram aqui sob as minhas custas? Você esqueceu que eu sou o pai de vocês? Esqueceu que estão sob os meus cuidados?

—  Se dinheiro é o problema, tudo bem. Eu arrumo um trabalho para ajudar nas despesas. E não, não esqueci. É por isso que logo eu irei sair dessa casa e levarei Hye comigo! Agora me solta que eu preciso ir para o colégio. — Minha voz saiu de forma seca. Ele me soltou e ficou me olhando, dando um sorriso filho da puta. Saí de casa batendo fortemente a porta.

Raiva.

Frustração.

O que me deixava mais calmo era saber que Hye estava segura na casa de uma amiga confiável. Porém, a calmaria se esvai em saber que ela não podia ficar lá para sempre. Fechei os olhos brevemente enquanto caminhava em direção à escola. Eu iria  dar um jeito. Eu só não podia deixar ela sofrer mais.

Saí tão de pressa de casa que esqueci que tinha bicicleta e podia chegar mais rápido no colégio caso eu estivesse com ela. Merda. De qualquer forma eu não irei voltar. Irei andando mesmo.

Coloquei os fones de ouvido e dei play na música que estava pausada. Soltei um longo suspiro e deixei que aquela música me distraísse.

 

“Todo o meu tempo está desperdiçado. Sinto meu coração estar equivocado, oh”

 

Presto atenção na letra da música. Levantei o olhar e observei o dia que por sinal estava bonito. O céu limpo, os pássaros cantando, o sol batendo de leve no meu rosto. As pessoas andando despreocupadas à caminho do trabalho ou colégio. É incrível como as pessoas conseguem camuflar a triste e a dor. Eu sabia que muitas daquelas pessoas eram tristes, mas ainda sim, elas conseguiam disfarçar aquilo. Logo, as pessoas andavam apressadas e os motoristas dos carros buzinavam irritados, xingando para que os carros da frente fossem mais rápidos.

Estresse.

Pressa.

Soltei um suspiro e andei rápido. Já devia ser tarde e certamente chegaria atrasado.

 

 

 

 

▪▪▪

 

 

 

 

Faltavam exatamente dez minutos para o início da primeira aula de História. Corri como louco para a minha sala. Subi as escadas correndo e vez ou outra esbarrava em algum aluno. 

—  Desculpe!

Respondia sempre que esbarrava em alguém sem querer.

Cheguei em frente à porta. Girei a maçaneta e todos os alunos estavam ali jogando conversa fora. Me aliviei por não ver o professor. Avistei Jimin e Yoongi conversando. Fui até eles.

—  ...e ela era bonita, mas não fazia o meu tipo. — Dizia Yoongi, continuando a conversa. Joguei a mochila na mesa a qual dividia com Jimin e me sentei.

—  Bom dia, achei que não viria. Nem vi quando você saiu de casa.

—  Infelizmente eu tive que vir, Jimin. E eu saí bem cedo. Ah! Obrigado por me deixar dormir na sua casa.

—  Não agradeça, você sempre dorme lá mesmo. É até estranho agradecer à isso. — Ele riu.

— E aí, Taehyung. Está tudo bem? — A criatura de cabelos verdes desbotados perguntou para mim. Ri internamente dessa pergunta porque eu automaticamente sempre respondia com a mesma resposta vazia e enganosa.

—  Estou sim  — Sorri. Ele deu tapinhas nas minhas costas e sentou-se no seu lugar ao lado da menina a qual ele dividia a mesa.

E ele sabia que eu estava mentindo, mas entrou no meu jogo. Ele sempre faz isso quando percebe que eu não quero falar sobre algum assunto.

Todos os alunos sentaram-se, avisando que o professor estava chegando. O homem rechonchudo de cabelos pretos com alguns fios brancos entrou na sala minutos depois.

O que me chamou muito a atenção não foi o fato de que o professor Jefferson, pela primeira vez, sorriu amigável para a turma; não foi a camisa vermelha com pequenos flocos de neve que ele usava. Foi um garoto. Um garoto que chegou acompanhando o professor. Um garoto alto, de cabelos escuros e lábios bem desenhados. Este garoto, que segurava alguns livros do professor, rodeava os olhos pela sala. Ele parecia tímido, não sei. Ou talvez estivesse tentando parecer normal diante de várias pessoas desconhecidas por ele.

O garoto caminhou até a mesa do professor e deixou os livros na mesma. Eu acompanhava cada movimento seu, e parecia que eu não era o único. Talvez aqueles olhares curiosos da turma estivessem o deixando desconfortável. O professor agradeceu baixinho à sua gentileza de ajudá-lo com os livros e acompanhou o garoto até a frente da sala.

—  Turma, nós temos um garoto novo conosco. Por favor, deem boas-vindas ao nosso novo amigo, Jung Hoseok.

Todos os alunos da turma  — exceto eu — se levantaram e se curvaram para Hoseok. “Seja bem-vindo, Jung Hoseok.” Eles disseram em coro. E eu, o único sentado, dei boas-vindas à ele somente mentalmente, mesmo que ele não soubesse. E não, não tinha nada contra ele. O fato era que eu estava cansado demais para me levantar e me curvar só para dar boas-vindas. De qualquer forma, ele já foi muito bem recebido. Não é como se um único aluno o fizesse se sentir o contrário.

O garoto deu um sorriso amarelo e curvou-se em agradecimento à turma.

—  Sente-se ao lado de Minjae. Ali — Disse o professor. Então eu acabei entendo o porquê que ele estava entrando na nossa escola logo agora que estávamos quase no final do primeiro semestre. 

No mês passado, Taeyang (o garoto que dividia mesa com Minjae) foi expulso por ser pego pinchando os muros do colégio e por tentar roubar provas. Fora que ele era considerado o pior aluno da escola e faltava apenas mais algumas travessuras para que ele fosse expulso da escola. Talvez Hoseok deu sorte e conseguiu ficar com a vaga dele.

 Incrivelmente, eu não consegui tirar os olhos dele. Não estava tentando intimidá-lo e nem nada do tipo, mas algo nele me chamava mesmo atenção e eu o olhava justamente para poder achar o que era. Ele se sentou e deu um sorriso para Minjae. Eu estava do outro lado da sala, três fileiras de distância. Virei o rosto rapidamente quando seus olhos encontraram os meus brevemente. Fiquei parado, olhando para o quadro.

—  Vamos começar a aula, turma. 

 

 

Agradeci à todos os deuses divinos existentes por ter tocado o sinal para o intervalo. Odeio História com todas as minhas forças. Mas percebi que o novato era muito bom nessa matéria e logo se destacou por isso. Em apenas três aulas ele conseguiu conquistar quase a turma toda. As garotas durante a aula sempre iam na mesa dele para “pedir ajuda” com o exercício e os garotos foram amigáveis porque Hoseok comentou que era bom em esportes e se destacava em basquete. Em apenas três aulas ele conseguiu ser sociável com quase a turma toda e eu fiquei mesmo admirado. Eu levei quase duas semanas para fazer amigos e olha que nem metade da turma fala comigo.

—  Vamos, o Jeon deve está nos esperando  — Disse Yoongi.

Saímos da sala junto com os outros. O corredor estava como sempre: agitado. Seguimos para a direção em que quase todos iam, o refeitório.

Nós éramos do segundo ano e o anteriormente citado, Jeon Jungkook, era do primeiro. Descemos as escadas e adentramos no refeitório que por sinal já estava movimentado. Avistamos Jungkook sentado na nossa mesa de sempre, comendo os seus biscoitos. Esperei que Yoongi e Jimin pegassem suas refeições. Eu não gostava de comer na escola, me fazia mal aquela comida. Então sempre comia os biscoitos que Jungkook deixava sobrando por não conseguir comer tudo.

—  E aí — Disse o mais novo assim que nos sentamos. Fizemos um aceno de cabeça. —  Soube que você sumiu ontem.

Olhei para Jimin com cara de poucos amigos. Não estou surpreso, se pudesse, Jimin colocaria no jornal tudo o que me acontecia.

—  Eu só queria ficar sozinho.

—  Você sempre quer ficar sozinho, esse é o problema — Disse Yoongi, sem olhar para mim.

Depois daquilo, parei para pensar um pouco. E involuntariamente, eu me senti mal.

—  Foi o seu pai de novo?

—  Jungkook, desculpa. Não quero falar sobre isso. Talvez outra hora.

—  Claro, tudo bem.

E então, ficamos em silêncio. Sempre que algo desse tipo acontecia, no dia seguinte sempre ficávamos em silêncio. Eu sei que eles queriam fazer algo por mim, sei que, como amigos, queriam me ajudar. O fato era que eu não queria a ajuda deles. Eu era grato por se importarem, mas sinceramente eles só iriam piorar as coisas. Meu pai é louco. Completamente louco. Às vezes ele está bem, nos tratando como seus filhos amados, mas outras vezes ele está completamente fora de si, agressivo, irreconhecível.

Olhei para o lado e vi o garoto novo sorrindo. Fiquei pensando, como ele pode ser tão sociável? Tão feliz? E por um momento, eu senti inveja. Inveja por eu não ser sorridente como ele. Inveja por eu não ser feliz como ele. Isso era um saco.

Ele sorria e conversava com os seus novos amigos. Era impressionante como ele se deu tão bem com todo mundo logo no seu primeiro dia de aula.

—  Ele realmente deve ser um cara muito legal  — Comentou Jimin.

—  Quem é ele?  — Perguntou o mais novo de nós. 

—  Aquele é o aluno novo. Ele está na nossa turma. Jung Hoseok  — Respondeu Yoongi.

E logo, nós três estávamos olhando para Hoseok. Admirando o quão legal e despreocupado ele era.

— É, ele parece ser um cara legal mesmo. Ei, hyung! Tome, não quero mais.

Jungkook colocou o pacote de biscoitos na minha frente e eu simplesmente comi. Eu agradecia logo nos primeiros dias que ele começou a me dar os biscoitos, agora não mais.

Olhei novamente para a mesa em que o aluno novo estava e peguei um leve susto por ele não estar mais lá. Dei os ombros. O sinal tocou minutos depois.

—  Eu levo você até a sua sala, Kook  — Yoongi se ofereceu, como sempre.

—  Ok. Obrig...

—  Eu irei também!  — Jimin cortou Jungkook.

E assim foi. Seguimos para fora do refeitório. Parei em frente ao banheiro porque, repentinamente, me deu uma vontade louca de me aliviar. Estranho porque nem tinha bebido água ainda.

—  Você não vem?  — Jimin perguntou para mim e eu neguei com a cabeça. 

—  Vou ao banheiro. Podem ir.

Os três deram os ombros e eu entrei no banheiro. Adentrei na primeira cabine desocupada que enxerguei, fechei os olhos e me aliviei. Saí da cabine e fui até a pia para lavar as mãos e então, um barulho um tanto ensurdecedor me assustou. Olhei para a porta e vi o novato. Prendi a respiração.

—  Desculpa, foi sem querer — Disse ele, se referindo ao baque forte da porta que ele causou.

Hoseok abriu uma torneira e lavou o rosto.

—  Sem problemas.

Peguei três toalhas de papel e sequei as mãos. Hoseok fez o mesmo. Era estranho ficar perto dele, ele me olhava da mesma forma como eu o olhei pela primeira vez. Um olhar curioso.

Andei até a porta e a puxei para ir embora, mas infelizmente ela não abriu. Franzi o cenho. Puxei novamente e não obtive sucesso. E quando me dei conta da situação, soltei um longo suspiro.

—  O que houve?

A voz de Hoseok soou atrás de mim. Fechei os olhos e mordi os lábios em preocupação. Virei para olhá-lo.

—  A porta. Acho que emperrou quando você bateu sem querer.

E foi naquele momento que a minha preocupação e pavor foram compartilhadas com o novato.

—  A gente está preso?!

—  Parece que sim.

Hoseok revirou os olhos e suspirou.

—  Droga. Droga! Desculpa, isso foi culpa minha.

—  Tudo bem. Só vamos torcer para que alguém tenha  uma vontade louca de mijar. — Falei e bati na porta.

E Hoseok riu.

Hoseok riu com vontade, como se tivesse ouvido a coisa mais engraçada do mundo. E eu, curioso, virei novamente para olhá-lo. 

—  Do que está rindo?

—  De você. Quer dizer, do que você falou. Eu achei engraçado  — E ele continuara rindo.

O seu riso era tão contagiante que acabei rindo também. Não porque eu achava que o que eu tinha dito era de fato engraçado. Não. Eu ria porque a risada dele me fazia rir. E logo, éramos dois idiotas presos no banheiro masculino rindo como loucos.

A risada foi cessando aos poucos. Mais tarde, éramos novamente apenas estranhos, desconhecidos. Silêncio. Aquilo de alguma forma me deixou esquisito. Virei para a porta e continuei batendo, chamando por alguém, pedindo para que alguma alma bondosa nos salvassem.

Hoseok suspirou. O vi sentando, recostando na parede. Aquilo me fez parecer um inútil batendo na porta sem receber respostas. Então a única coisa que eu fiz foi sentar do outro lado, ficando de frente para Hoseok.

 

E ali ficamos por um bom tempo presos, apenas olhando um para o outro como se tivéssemos algo para falar. Mas nenhum de nós falou absolutamente nada. E foi naquele momento silencioso e calmo que eu prestei mais atenção no seu rosto, nos detalhes dos seus traços faciais. 

Cheguei a conclusão de que Hoseok era o garoto mais bonito que eu já tinha visto.


Notas Finais


Projeto iniciado. Espero mesmo que tenham gostado do primeiro capítulo. Desculpem-me qualquer erro.
(A música que foi citada é Heaven - Troye Sivan)
Até o próximo!

Falem comigo no tt <3 https://twitter.com/KTAERUDE


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