História Addictive Life - Bechloe - Capítulo 94


Escrita por: ~

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Categorias A Escolha Perfeita (Pitch Perfect)
Tags Beca Mitchel, Bechloe, Chloe Beale, Pitch Perfect
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Palavras 3.690
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Romance e Novela
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Homossexualidade, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


E agora que a Chloe conta a versão dela das coisas.
Espero que gostem e aproveitem ♥

Capítulo 94 - Capitulo 86 Nas Memórias


Naquele dia sai contente do hospital. Bumper disse que era um bom sinal ter sentido Beca, significava progresso e quem sabe em pouco estaria recuperada. Segui até meu carro aproveitando o sol de final de tarde bater em meu rosto renovando minhas forças. Em tempos não consegui fazer aquilo, mas, naquele momento sentia-me relaxada ao fazê-lo. Aproximei do esportivo preto, abri a porta pensando no momento de voltar a ver Beca. Quando me sentei ao volante percebi, sobre o vidro, um bilhete preso ao para-brisas. Levantei receosa, não podia ser multa e pelo aspecto nem um informativo. Quando peguei o papel em mãos e abri-o, as suspeitas acabaram ao ver a letra garranchosa e com dizeres claros:

“Píer 406 às 22 horas. Sozinha.”

 

Era um encontro. Marcado e proposital. Theo. Quase não tive dúvidas que o informe vinha dele. Amassei o papel entre as mãos e soquei a capota do carro.

            — Droga! – reinei tentando conter a súbita raiva que crescia em meu peito.

Por algum motivo quis chamar Jesse, reformular um pequeno plano, mas tão rápido como veio, a ideia esfumaçou-se. Senti que deveria seguir a pequena regra e ir sozinha. Entrei no carro, liguei-o e esperei que meus nervos acalmassem. Num gesto de sobrevivência abri o porta luvas e retirei uma caixa moldada e pequena extraindo dela uma pistola automática. Tinha-a por precaução, tinha-a porque sabia que haveria um momento que não hesitaria em usá-la se alguém fizesse mal a quem amava, mas odiava aquele tipo de covardia. Podia sentir em meu braço o estrago que uma bala poderia causar. Respirei fundo e guardei-a sobre o cós da calça, olhei o relógio desposando de tempo para rondar a cidade até as 22 horas. Em meio aquele turbilhão de pensamento me vi passando na mesma rua que encontrara Beca. Parei o carro atônita observando aquele lugar e reunindo todas as lembranças de uma vez só. Era inevitável não reviver.

 FLASHBACK

            — Qual o seu nome? – perguntei sentindo um rugir em meu estomago.

            — Swanson... – estendeu a mão em cumprimento – Jesse Swanson!

Um frio arrepio passou por minha espinha ao constatar que o homem moreno a minha frente era o homem que fora destinado a procurar. Em seu olhar escuro senti as palavras que a mulher passara-me em agonia: “Confie nele!” – disse ela. Podia sentir o remorso naquela voz, do sangue que ainda manchava minha camisa.

            — Preciso falar com você, teria um momento? – perguntei – Longe daqui? – acrescentei.

O rapaz lançou-me um olhar preciso, analisando-me. O que eu poderia esperar dele afinal? Aquela boate significava orgias, drogas. Mesmo vazia o ambiente não passava confiança. Apesar disso o segurança trazia algo de diferente no semblante. Talvez precariedade.

            — Não sei se posso... – disse coçando a cabeça e posando uma mão na cintura – Preciso resolver alguns problemas...

Na testa franzida visualizei-os. Era uma proposição apenas, teria que arriscar.

            — Talvez seus problemas sejam os mesmos que os meus... – deixei a frase no ar tornando-o mais pensativo.

Naquele momento senti-o mais perto de ajudar-me. Olhou ao redor avaliando suas opções. No instante que seu olhar encontrou as escadas, uma figura magra e pálida passou rápido. Só vi o esvoaçar dos cabelos. Era Beca, mas eu ainda não tinha consciência daquilo naquele momento. Jesse mirou-a atônito depois de vê-la partir.

            — Te encontro no café Dunut’s em quinze minutos!

FIM FLASHBACK

Voltei ao presente consciente de tudo, de todos. Cada detalhe desde o início pareceu ser traçado como linhas de uma história. Sentia-me presa a ela, atada a aquele planejamento sem ter escolha de ficar ou não. E mesmo se eu tivesse esse poder não me afastaria, não me arrependeria de nada. Jesse fora só o começo. Apegar-me, confiar nele foi fácil. Estacionei o carro. O ponto era o mesmo de tempos atrás. Desci, mirei o céu enchendo-se aos poucos de estrelas brilhantes e uma nova torrente de lembranças invadiu-me.

FLASHBACK

Em pouco tempo descobri que havia muito mais coisas em comum com Jesse do que pensara. Soube que jogávamos no mesmo lado, que poderia confiar nele. Contei-lhe o que aconteceu, ouviu-me paciente e exaltou-se ao constatar a verdade.

            — O que está me dizendo? – sobressaltou assustado depois de cada revelação – Encontrou a senhora Rosie Mitchell? – sussurrou as últimas palavras.

Assenti com um gesto de cabeça.

            — Ela está... Morta! – disse incrédulo – Eu a vi ontem, cheia de sangue, na cama...

            — Não sei o que acontecera antes, mas encontrei ela em uma estrada distante muito perto do “morta”... Jorrava sangue, estava fraca e suplicava por sua filha!

Ele maneou a cabeça confuso.

            — O que fez com ela?

Suspirei nervosamente relembrando-me.

FLASHBACK EXTERNO

“Andava nervosa após uma longa e cansativa reunião. Depois de uma semana conturbada e irrevogavelmente estressante. Quis seguir até Riverdale e o fiz assim que sai da corporação. Aquele lugar aliviava as tensões, deixava-me pensar com mais clareza e calma. Era meu refúgio de solidão. Sentia-me ansiosa e preocupada por chegar logo, nos últimos dias um peso, uma sensação parecia ter tomado conta de mim. Já não entrava em minha cabeça a parede imaginaria que criara dentro de mim, que me protegia de desilusões. Algo estava faltando em minha vida e temia por saber o que é. A noite estava escura e fria, a estrada naquele ponto já estava deserta e por mais que eu negasse era assim que me sentia: fria, vazia. Mas como não me sentir assim se ninguém conseguira olhar a verdadeira Chloe? Viam na senhorita Beale apenas a diretora por trás da empresa, apenas o dinheiro. Ninguém conseguira deixar-me confortável para abrir-me, ninguém conseguia passar-me confiança. Desfiz-me do terninho, sem parar o carro, sentindo falta dos olhos da alma, por um segundo deixei de olhar a estrada e no outro voltei o olhar deparando-me com algo estranho. Freei bruscamente sentindo o coração partir pra boca. O carro parara em um instante. Abri a porta rápida e o silencio aterrador da noite escura preencheu meus ouvidos. Era demasiado longe da cidade, não havia nada nem ninguém.

            — Há alguém ai? – perguntei cautelosamente.

Minha voz ecoou pelo lugar até se perder no vazio. Controlei minha respiração, tentei analisar coerentemente os pontos banhados pela luz do luar minimamente refletido. Era mais escuridão do que luz. Voltei ao carro, abri o porta-luvas e tirei uma lanterna. Percorri-a de ponta a ponta da estrada sem encontrar nada.

            — Tem alguém ai?  – perguntei novamente afastando-me do carro.

Nada novamente. Parei, imóvel no lugar e tentei escutar algo. Talvez tenha sido um animal, era comum aquilo por ali, assustei-me com o vulto e foi só. Virei-me disposta a voltar para o carro, mas fui parada por um estalo adiante. Apontei a lanterna na direção do som sentindo a adrenalina subir por meu corpo. Foi então que percebi minhas inúteis suspeitas falsas e a aterradora verdade.

            — Soc...rro

Virei à lanterna de um lado a outro temerosa procurando por aquela voz fraca e agonizante.

            — Onde está! – falei mais alto – Quem está ai?

Sentia-me nervosa por ajudar o lamurio que alcançava meus ouvidos. Fora uma busca sôfrega, a luz da lanterna corria de um lado ao outro sem conseguir encontrar nada.

            — Soco...rro...

Dessa vez o som fez-se mais forte, captei-o vindo da minha diagonal, virei à lanterna e a luz encontrou o corpo imóvel. À medida que eu me aproximei daquela mulher e vi seu estado tive a certeza que, a partir dali, minha vida iria mudar, pra sempre.

FIM FLASHBACK EXTERNO

Voltei à imagem de Jesse parecendo pálido ao ouvir meu relato breve.

— Temo que ela tenha morrido! – disse-lhe com pesar – Fiz o que pude, chamei Bumper, um médico de confiança, mas... Não sei, realmente eu não sei se ela vai sobreviver.

Um suspiro longo proferiu-se dele.

            — Tudo é tão confuso! – anelou ele crispando os dedos sobre a mesa – Em uma momento ela está morta, em outro não está mais e...

            — Preciso de sua ajuda! – cortei-o – Essa mulher rogou em agonia pra proteger sua filha, disse-me seu nome e pediu pra confiar em você! – suspirei alterado – Sinto-me em uma tormenta e nem mesmo sei se eu... – dei ênfase apontando-me propriamente – Posso confiar naquela mulher!

            — Dona Rosie tem o maior coração que já vi na vida... – retrucou com raiva – Diga-me onde ela está e deixo seu traseiro rico e precioso longe dessa historia... – reerguia-se preparado pra sair.

Segurei-lhe o braço.

            — Você não entende... – obriguei-o sentar-se novamente – Foi a mim que ela fez prometer cuidar da vida de uma pessoa que nem mesmo sei quem é... – disse seria – Eu cumpro minhas promessas...

            — Você não conseguiria cumprir esta... – sorriu desdenhoso – Não se tratando de Beca...

            — Não importa, sinto que tenho necessidade de cuidá-la... De alguma forma... – parei pensativa guardando as palavras.

Queria completar dizendo que de alguma forma sentia-me ligado a ela. Era estranha aquela sensação, era incomum eu estar vivendo aquilo, mas sempre segui mais a intuição do que a razão. Meu coração em momentos como aquele tomava posse da minha decisão de escolha. Por mais que parte de mim dizia pra não entrar naquela enrascada, a outra parte relembrava a mulher em meus braços suplicando por sua filha, por quem a amava acima de tudo. E aquilo trazia a lembrança dos meus pais, e como eles foram tirados da minha vida, eu não queria isso pra ninguém.

            — Preciso fazer isso... – disse depois de refletir – Mas será necessário que confie em mim assim como posso intuir confiar em você.  

Swanson riu.

            — E qual é a minha garantia? Como posso saber as suas intenções com tudo isso?

            — Olhe pra mim... – insinuei-o – Na sua visão não tenho tudo? – forcei.

Esperei-o reagir, pensar. Não entendia porque estava fazendo aquilo, simplesmente poderia largar a mulher em suas mãos e cair fora da jogada como sugerira. Orgulho-me por não ter feito aquilo naquele momento. Sentia-me satisfeita com a decisão e que, fora a melhor decisão.

            — Certo... – maneou a cabeça afirmamente – Temos um trato Beale! – estendeu-me a mão.

Unindo a minha a sua fechamos um trato.  Não sabia por quanto tempo iria durar, se iria mesmo dar certo, mas depois daquele acordo passamos mais de uma hora trocando pensamentos, criando esperanças. Combinamos táticas, o que faríamos e percebia que Jesse ocultava algo da menina Beca. Em relação a ela não sabia o que pensar, não conseguia imaginar seu rosto, talvez esperasse a mesma intensidade dos olhos azuis de Dona Rosie.

            — Devemos manter isso em sigilo... – disse em últimas palavras – Para a segurança de Rosie! – ele assentiu. Fiz uma pausa consentindo.

Levantou-se e lançou-me um olhar astuto.

            — Cuidado com Beca, ela tem o dom de encantar as pessoas! – avisou-me antes de sair.

Naquele momento, aquelas palavras eram preocupação que Beca poderia me passar a perna. Jesse deixou-me sozinha rolando em pensamentos. Parecia um absurdo, mas hoje ela me encantara de outra forma que eu nem imaginava ser possível.

FIM FLASHBACK

Respirei fundo depois de mais uma tormenta de lembranças. “Cuidado com Beca” – as palavras dele retumbaram em minha mente por várias noites que passei em claro. No final, eu não conseguira evitar. Apaixonara-me por ela. Entendia Jesse por dizer que deveria ter cuidado, mesmo não sendo no sentido amoroso da palavra, Beca era viciada, frágil, precisava de alguém para estar ao seu lado a todo instante protegendo-a, alguém com o poder de amá-la não importando a circunstância. Dei-me conta de ser aquela pessoa quando a vi se drogando, quando descobri sua condição e meu peito desmanchara-se. Odiava vê-la daquela maneira, caindo em um abismo sem volta. Prometi a mim mesma que a protegeria, que rogaria até vê-la curada daquele maldito vicio.

Vi o tempo passar sobre meus olhos e aquela promessa ir se cumprindo aos poucos, desmoronando-se nos momentos baixos. Percebi também como Beca pouco a pouco foi conquistando meu coração, acabando com aquele vazio que aterrava-me a alma. A cada gesto ela tomava uma parte de mim, amava-a acima de tudo, acima do meu próprio bem-estar. Apaixonara-me por ela no momento que meus olhos bateram com os seus pela primeira vez, quando seus lábios tocaram os meus em um beijo ardente, quando nos entrelaçamos na cama e fizemos amor. Apaixonara-me mais cada vez que me olhava ou que me tocava acanhada. Ela me completava. Ela conseguia ver-me através das barreiras que eu mesma criara. Respirei fundo soltando todo o ar pregado em meus pulmões. Olhei o relógio dispondo ainda de tempo. Caminhei pelo lugar buscando algum conforto que não tinha, deparei-me ao longo com o mesmo banco que sentara com Beca naquela noite. Era a lembrança mais viva que possuía.

FLASHBACK

Sai do café depois de uma longa conversa com Jesse. Sentira nele meu aliado. Não sei se podia dizer-me arrependida da minha escolha, apenas a fiz e não queria pensar nela. Segui estrada a fim de alcançar meu apartamento. Um enorme congestionamento tomava conta das ruas, a policia fazia blitz parando todos os carros. Não poderia ser parada. Se vissem o estado da minha camisa embaixo do terninho, manchada de sangue, as perguntas indiscretas seriam feitas. Dei meia volta sem pensar e decidi tomar um atalho pelo subúrbio. Foi então que me lembrei de ter uma muda extra de roupa. Andei alguns quilômetros e parei numa rua, troquei-a. Joguei a suja atrás e vesti-me com a limpa deixando o terno de lado. Em pouco estaria em casa, fecharia os olhos e acordaria mais sã para pensar. Dei partida no carro lentamente. Fui ganhando velocidade e meus pensamentos corriam para horas atrás, as lagrimas daquela mulher faziam minhas mãos tremerem, suas palavras contorciam meu coração agoniado.

            — Minha filha... Oh cuide dela, cuide de Beca... – gemeu ela em meus braços.

No momento olhei-a atônita, sem saber o que respondê-la a não ser um sinal positivo de cabeça. Aquele nome acompanhou-me pela viagem inteira. Beca. Soava tão doce, tão enigmático ao mesmo tempo. Em meados pensei em como encontrá-la, em suas características que nem sequer mencionara com Jesse. Quantos anos tinha, qual era sua altura ou a cor de seus cabelos. Nada, nada sabia apenas tinha o senso de protegê-la. Mirei distraidamente a rua deixando um suspiro acido sair de meu peito.

Em um movimento, vi de relance, um vulto correndo em direção a rua, meus pés em conjunto alcançaram o freio rapidamente ao perceber que justamente se dirigia em direção ao carro. Freei, mas a batida fora inevitável. Não me dei conta do que acontecera por um milésimo de segundo, no outro eu abri a porta e corri em direção ao corpo frágil e pequeno a pouca distância. Abaixei-me até ele, de imediato percebi que a moça respirava, os cabelos escuros caiam sobre seu rosto tampando-lhe a expressão. Não ousei tocá-la, deveria ficar imóvel.

            — Hey! Fique parada! – disse sentindo a preocupação em minha voz.

Ela pareceu não ouvir, não sabia se estava consciente ou não, foi então que estendi a mão e retirei os cabelos do rosto. Fora como um choque, como um ato de iluminação transcendente de um mundo para outro. Meu corpo tremeu, meu coração palpitou mais forte. Mirei cada delicado traço de sua face, as bochechas claras, os lábios rosados e os olhos delineados. Uma mancha escura fazia contorno ali, lentamente ela foi chispando os olhos, não conseguira vê-los, mas algo ficou claro em minha mente. Eu tinha a impressão de conhecer aqueles olhos e surpreendi-me ao ligá-los a Dona Rosie. Penso que no momento, aquela história estava muito ligada aos meus pensamentos, talvez fosse um devaneio apenas.

            — Não se mova – falei ao ver seu movimento para levantar-se – Já vou chamar alguém...

            — Não... – sussurrou ela.

Senti o enfraquecimento em sua voz, o receio. Ao inclinar-se para arquear o corpo ela retrocedeu seu braço. Havia dor em sua expressão, estendi meus braços a ela no mesmo instante que seu corpo desfaleceu. De imediato senti seu aroma adocicado, pude avaliar melhor seu rosto através da luz de um poste que atingíamos. Ela era, simplesmente, a mulher mais linda que havia visto em meus dias.  

            — Por favor, você tem que ir para um hospital – disse tentando manter-me sã da hipnose que seus traços me causavam.

            — Não posso! – ela respondeu – Eu estou bem!

Para completar ela abriu seus imensos e profundos olhos: Azuis. Não me dei conta, mas mirei-a petrificada mesmo ela não me olhando. Tinha seu miúdo corpo entre os braços sentindo um conforto repentino. O que estava acontecendo? Nesse devaneio ela soltou-se de mim, levantou-se como se nada tivesse acontecido e se afastou.

— Hey espera você não pode sair assim! – levantei-me em seguida.

Segui-a em um passo largo e agarrei-lhe o braço delicadamente virando-a para mim.

            — Olha eu sei que me atropelou e está preocupada, mas eu estou bem entendeu? Não preciso de hospital!

            — Você não parece bem – disse calmamente analisando-a.

Finalmente ela pareceu encarar-me completamente. Analisou-me da mesma forma que fiz com ela. Aquela sensação agradou-me. Seus olhos batendo com os meus chocou-me tamanha intensidade. Uma magnitude apoderou-se do meu corpo, provocando um tremor involuntário. No mesmo momento ela me repeliu.

            — Por favor, você parece estar mal, precisa de um médico.

            — Não preciso – disse baixo – por favor, eu tenho que ir.

Deu-me as costas já distante de mim, por um momento fiquei estática atribuindo seu movimento a um adeus.

            — Espera! – gritei vendo-a cada vez mais distante. Ela parou e voltou a encarar-me de longe – Pelo menos me diz seu nome! Me chamo Chloe Beale. – disse-lhe – Há algum telefone que posso ter noticias suas?

Ela negou com a cabeça e antes que eu insistisse, ela desapareceu na escuridão levando consigo aquela energia avassaladora.

FIM FLASHBACK

Lembro-me de, naquele momento, ficar estática tentando visualizar o contorno de seu corpo entre a escuridão. Estava confusa, querendo ou não algo me dizia que ela poderia ser a Beca que eu procurava, mesmo não sabendo sequer o nome da estranha. Não era segredo pra mim que o que chamara-me a atenção fora seus olhos. Seus azuis e enigmáticos olhos que até hoje deixavam-me em um estado fora do normal. Recordavam-me Rosie e ali, naquela intensidade, eu pude ver toda sua alma, pude perceber que ela sofria, que levava a angustia em seu peito. Dias depois, apenas, dera-me conta que me apaixonara por ela ao mirar-lhe. Segui lentamente até o banco onde conversei com ela e sentei-me olhando para o nada. Mais uma vez as lembranças corroeram minha memória. Não estava mais naquele presente sozinha, voltara ao passado mirando as lagrimas que escorriam pelo rosto delicado.

FLASHBACK

Sentei-me ao seu lado tentando ignorar uma estranha sensação que me invadia ao vê-la chorar. Ela encarou-me, tentou afastar as lagrimas e mirou o chão ignorando-me.

            — Porque não me diz o que está acontecendo? – perguntei cautelosamente.

            — Talvez porque não seja da sua conta? – disse ela diretamente.

            — Você precisa ser examinada – insisti da mesma forma.

De alguma maneira não atribuía suas lagrimas a dor física, mas sim a emocional que deixavam seus olhos distantes dali. Ela virou para encarar-me.

            — Porque me seguiu?

            — Você não parece bem. – tentei ser moderada.

Em realidade segui-a porque queria descobrir o que seus olhos escondiam.

            — O que você tem a ver com isso, já disse que não sofri danos físicos.

Disse com a voz embargada confirmando suspeitas que já havia comprovado.

            — Escuta... – disse arqueando o corpo chegando mais próximo do seu – Vi uma louca correndo na frente do meu carro, se não estivesse parando você teria morrido. Por favor, só quero te ajudar.

            — Você não pode. Ninguém pode.

            — Não posso ao menos tentar?

            — Não quero sua ajuda.

            — Deixa eu te levar pra casa ao menos, é o mínimo que posso fazer.

Tentei insistir por um lado, ou pelo outro. Ela precisava realmente que alguém a cuidasse e se não conseguisse que um médico o fizesse eu mesma cuidaria disso. Foi então que ela me surpreendeu em sua resposta.

            — Não tenho pra onde ir – disse expressando sinceridade e acanhamento.

Baixou a cabeça e intuiu-me um desesperado desejo de pô-la em meus braços e retê-la ali por tempo indeterminável. Achei-me uma estúpida por sofrer aquela sensação. Ela era uma desconhecida afinal e eu era igual a ela. Mesmo assim ofereci-a ajuda.

            — Você pode vir para meu apartamento, é aqui perto. – disse.

Só então que me dei conta que a oferta refletia algo a mais. Vi o semblante dela pensativa e apressei-me em corrigir-me.

            — Não se preocupe, não sou nenhuma maníaca. Apenas quero te ajudar. O que você tem a perder?

Persuasão. Seria isso ou ela não aceitara. Por mais incrível que pudesse me parecer ela assentiu num gesto calmo de cabeça. Estrategicamente, ou mais inconvenientemente, abri-lhe um sorriso.

            — Poderia me dizer seu nome agora?

            — Beca Mitchell. – respondeu.

FIM FLASHBACK

Foi então que meu mundo virou de cabeça pra baixo. Que meus olhos tentaram não demonstrar o espanto e que meu coração errou algumas batidas. Descobrir que aquela, exatamente aquela mulher que atropelara era a mesma que fui destinada a proteger deixou-me eufórica, preocupada. Tentei não lhe demonstrar o quanto fiquei chocada, o quanto ao mesmo tempo aquela noticia animava-me. Sempre que pensava nesses momentos as palavras de Jesse me vinham à mente. Beca era bela, tinha a personalidade forte e revigorante, por trás daquele sofrimento existia uma formosa dama escondida, a que eu pude ver quando fomos à ilha. Naqueles dias eu senti-a completamente, como era a Beca antes das drogas, lamentei-me todos os dias por não ter conseguido impedir aquilo. Mais uma vez busquei o ar profundamente. Aquelas lembranças nunca me deixariam, poderia deixá-las em um canto escondidas, mas elas sempre estariam ali.

“           — Prometa pra mim que por mais que eu te magoe vai lembrar desses momentos. Só esses, os bons...

            — Todos são bons com você! Lembrarei de todos, dos velhos e dos que virão!

            — E se não vir?

            — Farei com que eles existam! “

A tormenta daquela promessa levou meus olhos a marejarem. Tão inutilmente me vi de volta ao carro querendo correr de volta ao lado de Beca, mas detive-me pelo tempo. Passara mais rápido agora. O relógio marcava dez para as dez. Dirigi até o píer 406 que não ficava muito longe dali e estacionei o carro nas travessas escuras. Sai do carro apreensiva tentando concentrar a mente no que encontraria a seguir. O silencio tomava conta do lugar, caminhei a passos rápidos até o numero 406. Ao aproximar-me vi a sombra de uma pessoa. Surpreendi-me ao me dar conta que não era Theo e sim... Jhon.


Notas Finais


E ai gente? Miesterios revelados? *-*


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