História Adolescente em crise - Capítulo 9


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Adolescente, Crise, Drama, Fase, Romance, Vida
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Palavras 2.893
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Escolar, Esporte, Festa, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Suspense, Violência
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Suicídio, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 9 - Lobo e cordeiro - parte 2


Fanfic / Fanfiction Adolescente em crise - Capítulo 9 - Lobo e cordeiro - parte 2

Último capítulo

– Pai? Mãe? – procurando em todo canto possível para se esconder no local, inclusive no escritório deles, nada achou, então voltou à cozinha para verificar o que já sabia: um bilhete colado na geladeira, e, pegando-o, o leu. – Sozinho e louco. – disse, tendo apenas achado que ouviu a voz de alguém que não estava nem ali.

Agora

Não podia chamar aquilo de visita social, não estava indo à casa de uma amiga, mas a conhecia bem o suficiente, muito mais que a maioria da cidade. Por ser como era, sabia de coisas que muitos outros não sabiam, e claro, a vida alheia era uma delas. Tinha certeza que os donos da casa não sabiam de nada, como que não eram a propaganda que a cidade vendia.

Se havia uma coisa que aprendera em seus quarenta e cinco anos de Haven Hill fora que todos eram falsos naquele lugar.

– Seamus. – o fato de ser chamada pelo sobrenome não deixava dúvida mesmo com a fala tendo saído como um cumprimento casual. – O que posso fazer por você? – ela perguntou.

– Poupe-se, Casper. – respondendo-a no mesmo tom, fez o mesmo com relação a como tratá-la, independente da mesma ser mais velha. Olivia estava com quarenta e oito anos, era mediana, pele branca, cabelo castanho e olhos castanhos claros. – Ouvi seus gritos com seu marido daqui, sei que estavam brigando.

– O que quer? – ela desfez a máscara, e sorriu por ver a face que ela não revelava para ninguém.

– Nada demais. – deu de ombros, o que a deixou mais irritada do já parecia.

– Veio tentar roubar meu marido? – ela perguntou ácida, sorrindo.

– Ah, lembrei. – disse fingindo. – Vim perguntar se sabe que seu filho está na casa da professora dele. – contou, para surpresa da mulher. Havia o visto entrar, e confirmara, por isso tivera a certeza de ter o endereço, só não conseguindo ir mais fundo. – Mas é besteira minha, tenho certeza que sabe que seu filho está tendo reforço até essa hora na casa da professora de espanhol dele.

– O que está dizendo? – a mulher perguntou, descendo um pouco de seu pedestal de superioridade. – Está insinuando algo do meu filho, é isso? Você não é nem...

– O meu filho, eu sei onde está, mas e você? – a pergunta a desarmou. – Caso queira saber – retirando um papel da bolsa, estendeu para ela –, vá atrás dele. – ela pegou o papel de forma brusca, e sorrindo para a mesma, deu as costas para ela, indo embora com o sorriso em seus lábios por ter conseguido o que queria.

× Haven Hill ×

Já estava tarde, o que significava que era hora de ir. Passara o dia inteiro com Sarah, e entre filme, pipoca e beijos, conversaram tanto e aproveitaram a companhia um do outro que podia dizer que gostara de ter o primeiro encontro de sua vida. Já tivera muitos momentos, muito sexo, com diversas garotas, mas nunca chamara nenhuma delas para sair, afinal não fazia o tipo namorador, mas estava ali.

Havia um sorriso em seu rosto que não saía, e não era por saber que seus pais nem notaram sua ausência, mas por ter realmente gostado do dia.

Abrindo um pouco a porta, inclinou-se para um beijo de despedida e, enquanto o dava, a porta foi empurrada, como si, que cambaleou até ficar ao lado de Sarah. Confuso sobre o que acabara de acontecer, olhou para a porta – a qual estava sendo fechada –, arregalando os olhos ao ver o homem de quarenta e sete anos, uma estatura maior que a sua, pele branca, cabelo loiro e olhos castanhos claros.

– Então é verdade. – seu pai falou, e sentiu algo se apertar dentro de si. – Estava realmente aqui.

– O que faz aqui? – se pronunciou antes que aquilo virasse um julgamento e apenas ouvisse, sem ter a chance de falar.

– O que você faz aqui? – ele retornou a pergunta. – Eu não acreditei quando sua mãe ficou tagarelando na minha cabeça, enchendo meu saco dizendo que meu filho estava nessa casa, que meu filho estava se envolvendo com uma velha.

– Não fala assim dela. – seu tom de voz não aumentou, mesmo que houvesse se imposto.

– Olha o respeito. – ele o recordou.

– Para que se acabou de admitir que só veio porque a minha mãe estava o perturbando? – perguntou abusado. Não era um hábito discutir com os pais ou respondê-los, mas não havia sentido levar bronca se o homem em sua frente não estava ali por si, mas por ele mesmo. – Pra que veio aqui, afinal? Pode voltar para sua briga.

– Quero saber como acabou aqui? – ele perguntou, e tratou de acalmar os nervos. – Por que se envolveu com ela?

– Porque eu gosto dela. – respondeu honesto. – E foi muito fácil, na verdade, vocês estão sempre ocupados demais se importando com suas brigas que acho que esqueceram que eu existo.

– E você? – percebendo que a pergunta não era para si, olhou por cima dos ombros, vendo Sarah logo atrás de si. – Vai ficar escondida atrás do meu filho sem falar nada?

– Eu...

– Não a envolva nisso. – defendeu-a.

– Ela já está desde o momento em que o seduziu. – retrucou.

– Não foi isso que aconteceu e sabe disso. – disse.

– Não, não sei, porque até à uma hora atrás não sabia que você estava tendo relações sexuais com sua professora de idioma. – tentando pensar em algo, nada veio em sua mente. Vendo-o pegar o celular no bolso, estranhou.

– O que vai fazer? – perguntou desconfiado.

– Ligar para a polícia. – com aquela simples frase, o pai trouxe um clima diferente para a casa.

– Não. – Sarah se manifestou.

– Não pode fazer isso. – o pior era saber que sim e que não havia como impedi-lo.

– Eu posso, vou e estou fazendo. – ele garantiu. – O que está fazendo se chama pedofilia.

– Eu quis tudo isso, então não é crime.

– Você é de menor, não responde por si mesmo ainda, então, meu filho, lamento, mas é crime. – com o aviso, sua mente nublou, não sabendo o que fazer.

– Já chega. – ela ditou, recebendo a atenção de ambos. – Ficará satisfeito se nos afastarmos? Se eu for embora?

– O quê? – perguntou surpreso. Uma voz vinda do celular os fez perceber que a ligação foi atendida.

– Amanhã de manhã. Esse é o seu prazo. – ditou desligando o aparelho. – Vamos, Ollie. – seu pai o chamou, mas ignorou.

– Não!

– É melhor você ir, Ollie. – ela falou, e sentindo-se sem chão a olhou.

– É isso que quer? – perguntou tocando o rosto dela. – Quer mesmo que nos separemos?

– É o melhor para ambos. – Sarah respondeu retirando sua mão do rosto dela e, sendo puxado de leve pelo pai, soltou-se do mesmo, marchando irritado para fora.

× Haven Hill ×

Parando o carro do outro lado da casa de Gwen por estarem evitando que o pai dela os visse, não demoraria ali, então não desligou o carro. Haviam o seguido, de novo, o dia todo até ele voltar para casa, e só precisavam esperar um tempo para que não parecesse que ela chegara logo após ele. Não haviam visto nada de estranho ou errado, nenhuma visita a uma mulher jovem e bonita, o que os deixava com a opção de que, provavelmente, o pai da garota não mantinha nenhum contato com a ex-esposa.

– Obrigada por abrir mão do seu sábado por mim. – ela agradeceu sorrindo.

– Foi divertido, se tirarmos o fato de que estamos quebrando a lei seguindo alguém. – porque, provavelmente, era contra a lei, não que Lawrence estivesse considerando stalker.

– Até que é divertido, agora entendo um pouco esses malucos por aí. – ela brincou, e sorriu. – Obrigada de novo. – a viu abrir a porta, colocando o pé para sair.

– Estou sempre aqui pra você usar e depois jogar fora. – estranhando a fala dele, a mesma fechou a porta.

– É isso que acha que eu fiz? – ela perguntou séria.

O clima mudara rapidamente, e nem mesmo Lawrence sabia o motivo que o levara a falar tal coisa. Talvez o clima de paz entre ambos o estivesse incomodando, afinal já não eram como antes, e por mais que aceitasse que ela mudara, era cada um em seu canto, não precisava ser como o antigo Lawrence perto dela, pois ela não era a antiga Gwen.

Na verdade, não havia um antigo seu para ser, continuava o mesmo, mas popular, e o que o irritava mesmo era que sentira, metade do dia todo, que seria apenas usado mais uma vez. Que a ajudaria e, quando ela não precisasse de si, o descartaria, como antes. Iago podia tê-lo aconselhado por julgar que seria bom que tentasse se reconciliar com seus velhos amigos, mas ele não sabia a fundo como se sentira quando se percebera sozinho.

– Não foi? – perguntou retórico. – Também não foi por eu ser mais fácil de convencer que o Ollie?

– Não, claro que não.

– Conta outra, Gwen. – retrucou. – Você sabia o que eu sentia por você, sabia e mesmo assim me largou pela popularidade. – suspirando por ter falado além da conta, olhou para frente, sentindo o peso do olhar dela.

– Sentia? – a garota perguntou confusa.

– Não sou fã de piada com as coitadas, mas você devia ser loira. – ele comentou, ainda olhando a rua. – Sim, eu sentia algo por você. – não tendo mais motivo para esconder, recostou, virando a cabeça para ela. – Eu gostava de você, e achava que você gostava do Ollie e que viveríamos em um clichê romântico de triângulo amoroso, onde o Ollie gostaria de outra pessoa, ou talvez até mesmo de você. – riu da própria desgraça.

– Eu não sabia. – pela cara, ela realmente estava surpresa com o fato.

– Claro que não. – concordou. – Mas não aconteceu. Em vez de ficarmos os três juntos, o trio que se dizia imbatível, vocês se afastaram um a um.

– Por causa da popularidade. – ela concluiu.

– Pra que ela serve mesmo, não é? – perguntou retórico. – O Ollie se tornou jogador no primeiro ano, mas ainda andou com a gente, mas quando você se tornou popular, foi cada vez mais difícil estar perto de você com seus novos amigos, até o dia em que andávamos pelo corredor e éramos completos estranhos.

– Eu não sabia que você... passou e sentiu isso. – ela confessou.

– Claro que não, estava ocupada desfrutando de ser princesa. – ironizou.

Foram dias realmente tristes, afinal tinha vários outros amigos, mas nenhum deles fazia parte de seu trio, nenhum deles era Ollie ou Gwen, e ficar sem ambos o fizera passar por um momento difícil.

– Não vou mentir, é muito bom ser popular, os benefícios e tudo, e até onde sei, você aproveita também, mesmo que seja considerado do contra pelos outros. – ela contou, e podia ter um argumento bom, mas não era como se não soubesse o que os outros diziam de si.

– Isso por que não sou como vocês, porque não tenho um amigo capacho que serve para me idolatrar ou então ando com pessoas falsas, mesmo sabendo que elas não vão com a minha cara. – falou.

– Não é bem assim. – a garota tentou retrucar, mas não tinha argumentos.

– Gwen, eu não tiro notas boas ou ganho outras coisas por ser popular, e você não deveria o fazer, porque até onde eu lembro, você era quase tão inteligente quanto eu. – argumentou.

– Você disse que gostava de mim, mas eu não gostava do Ollie, não... dessa forma. – esclareceu. – Por que não se declarou?

– Sério? – rindo, percebeu que ela falava sério. – É? – o olhar dela dizia: “por que não?” – Ninguém se declara pra ninguém só por que gosta da pessoa. Tem todo o lance de perder a amizade caso não seja correspondido e tudo mais. – explicou.

– Então o Ninguém é idiota. – ela falou, e era incrível como agora se sentia mal.

– Do que isso adianta agora? – perguntou. – Já passou, e não vai voltar.

– Adianta de tudo caso você ainda sinta o que sentia, caso saiba que fiquei triste por termos nos afastado. – ela falou, e sentir um lampejo do que sentia era algo extremamente doloroso de se suportar. – Então, ainda sente? – ela perguntou, e, por estarem encostados, se olhavam nos olhos, e aquilo já estava profundo demais.

– Sabe como é difícil afogar sentimentos para deixá-los subir agora? – perguntou.

– Não, não sei.

Em um ato impulsivo e totalmente fora de controle, não sabiam se fora o calor do momento – o fogo dentro deles – ou então os sentimentos revividos que os levara a cortar a distância, começando a se beijarem, só sabiam que era bom. Era, também, meio estranho, afinal foram grandes amigos, se afastaram e agora, mau se falando, estavam se beijando, então era, de fato, estranho, quase como beijar alguém tão próximo que você nem conseguia imaginar o ato.

Imaginando que aquilo demoraria um pouco mais, esperando que sim, desligou o carro sem parar o beijo, apalpando o painel para subir o vidro escuro. Uma vez levantado, se afastaram um pouco, com Gwen dando um jeito de chegar à parte de trás e, trancando o carro, foi puxado por ela para lá, onde voltaram a se beijar.

As coisas esquentaram ali no carro, roupas foram parar na frente e os vidros ficaram um pouco embaçados.

× Haven Hill ×

Era difícil tirar o sorriso do rosto, não, difícil era pouco. Estava tão feliz que, enquanto ia para casa, quase furara um sinal por estar nas nuvens pensando em Gwen. Gostava dela há tanto tempo, tempo demais para que só agora tivesse conseguido beijá-la, mesmo tendo tido a felicidade de ir além.

Passando pela porta de casa, mesmo que devesse tirar o sorriso do rosto para não ter que explicar o motivo que o levava a tal, não conseguia, simplesmente não conseguia parar de pensar o quão feliz aquele dia havia conseguido o deixar.

– Se divertiu hoje? – a voz da mãe o surpreendeu e, olhando para a sala, a viu sentada na poltrona, olhando em sua direção.

– Muito. – ah, e como. – Jogamos bastante e eu venci todas às vezes. – lembrou que precisava sustentar a mentira.

– Sério, por que o Iago esteve aqui para jogarem, mas eu disse que você havia ido a casa dele para isso. – pego, o sorriso sumiu quase que instantaneamente de seu rosto, e precisava pensar, e rápido, em uma mentira. – Onde esteve?

Suspirando, começou o show que fazia sempre que precisava enganá-la.

– Com uma menina. – confessou.

– Até essa hora? – ela perguntou séria. – O que faziam desde manhã até quase as oito?

– Mãe querida – caminhou na direção dela –, existe coisas que um filho não pode dizer para a mãe, nem mesmo para o pai. – acrescentou a fim de evitar qualquer mal-entendido. Deixando um beijo no rosto dela, deu as costas para a mesma, caminhando até a escada. – Preciso de um banho, e comida. – confessou subindo.

– Espero que esteja se precavendo. – ela gritou.

– Não se preocupe, não será avó tão cedo. – respondeu.

× Haven Hill ×

Todo o percurso até o carro estacionar na garagem de casa fora uma tortura de silêncio, não que se incomodasse. Preferia a paz e o silêncio a ouvir a voz e lição de moral do pai, o homem que, por mais que devesse, não conseguia ouvir uma só palavra do que ele dissesse. Fazia tanto tempo que seu lar passara a ser uma casa de gritos e deixara de ser uma casa de sossego que já perdera a vontade de ficar fora do quarto sem os fones com a música alta, e, claro, não era só culpa do pai.

Às vezes só gostaria de entender, saber o que causava toda aquela desgraça dentro de casa, e às vezes se perguntava se valia a pena mesmo saber, descobrir o motivo – o verdadeiro – que fazia os pais serem do jeito que eram. Não queria problemas para sua vida, só queria o que todo ser humano queria, ser feliz, mas a situação dos pais afetava a sua, direta ou indiretamente.

– Ollie. – seu pai falou enquanto saía do carro.

– Não fala comigo. – ignorando-o, bateu a porta do carro sabendo que aquilo o irritaria, e se colocou a entrar em casa. Vendo a mãe enquanto passava pela sala, se adiantou: – Vou me trancar no meu quarto, assim podem brigar em paz. – não que aquilo fizesse tanto sentido.

Subindo, querendo esquecer tudo e todos, querendo esquecer que nunca mais veria Sarah, fechou a porta atrás de si com um pouco mais de força do que o necessário, sentindo a estrutura tremer de leve, sendo o bastante para demonstrar sua insatisfação com toda aquela situação. Levantando o olhar, olhou para a cama à direita, com a televisão em frente, o armário à esquerda, e a janela do outro lado.

Seus olhos esquadrilharam as outras coisas no quarto, como o despertador retangular marrom, cujos números eletrônicos mostravam a hora, também havia um quadro de uma bicicleta, um cesto com uma bola de basquete e uma de futebol americano, uma almofada com o tema de música repousava sobre a cama, um fone de ouvido estava sobre a escrivaninha ao lado, de frente para o armário, e um relógio guardado na gaveta embaixo do computador.

Sorrindo de canto, olhou todos os presentes que conseguira ganhar da ex-professora.


 

Era preciso ter cuidado, pois, no jogo da enganação e sedução, nem sempre o rosto mais bonito e inocente era o certo.
Ass.: Ollie


 

No dia seguinte, Sarah Macey sairia da cidade ao mesmo tempo em que sua carta chegaria à mesa do diretor. A professora de idiomas iria para longe, outra cidade, uma a qual pudesse dar suas aulas, e continuar a ensinar garotos de forma extracurricular.



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