História Adventure Companions - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias EXO
Personagens D.O, Kai
Tags ?2concursoexofanfics?, Dtehospital, Exo!kid, Kaisoo, Kids, Sookai
Exibições 60
Palavras 4.800
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 12 ANOS
Gêneros: Famí­lia, Fluffy, Universo Alternativo

Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Eu postei fanfic anteontem e já to aqui de novo...

Então! Oi, gente. Como estão? Essa fanfic é para a primeira fase do segundo concurso de fanfics do EXO FANFICS! O tema dessa fase é Hospital, e então eu fiquei pensando no que poderia fazer; de início, minha ideia era fazer algo ambientado em guerra, enfermarias e tudo mais, só que eu não tava encontrando o tom certo pra fanfic, aí arquivei o plot e pensei em outra coisa. Eis que me veio a ideia de fazer "kid", e pensei por que não?

Eis que essa kaisoo nasceu e eu até que gostei dela, porque eu adoro essas coisinhas inocentes de criança, e meio que tira um pouco essa vibe de morte que todo mundo pensa quando plota com hospital. Então, espero que vocês gostem, e a gente se vê lá embaixo! <3

(Sim, a capa é bem fail porque eu tinha que postar hoje e não sei fazer _nada_ com editores de imagem. Não desistam de mim)

Capítulo 1 - Um fim de semana poderia ser o começo de uma amizade


Os dias no hospital eram realmente monótonos para Do Kyungsoo.

 

O garotinho não entendia porque tinha que passar seu fim de semana internado, já que não gostava do hospital em nada; a comida deles não era boa, não o deixavam comer doces e não passava desenho na televisão de seu quarto compartilhado. Sua mãe sequer o deixava sair do quarto! Kyungsoo podia entendê-la quando dizia que não queria o expor a riscos desnecessários, mas ele já estava ficando entediado.

 

Kyungsoo se detestou por ter dito a sua mãe que não estava se sentindo muito bem; se tivesse ficado quietinho, talvez o mal-estar passasse e sua mãe não o teria levado ao médico e, dessa forma, ele não teria recomendado que o rapazinho ficasse em observação pelo fim de semana pelo que ouviu comentarem ser intoxicação alimentar. O garoto não sabia o que poderia ter causado essa tal intoxicação, já que não tinha comido nada demais.

 

Bom, talvez o doce que queria tanto comer, mas sua mãe o alertou de que não deveria. Talvez ela também não precisasse saber disso.

 

O resultado é que, mesmo dizendo que estava bem, que já não doía mais e que poderiam ir para casa, a senhora Do foi irredutível junto ao médico ao dizer a seu filho que ele passaria seu fim de semana na ala de enfermaria do hospital, em estado de observação para saber sobre sua saúde. Segundo o médico, não era nada grave, mas Kyungsoo poderia ficar realmente desidratado caso fosse para casa e não se alimentasse direito, já que não conseguia fazer com que nada parasse em seu estômago.

 

Kyungsoo choramingou um pouquinho por seu fim de semana correndo por sua rua com seus amigos fosse perdido, mas acabou aceitando o fato de que não tinha o que fazer.

 

No começo estava tudo bem. Seu pai passou para visitá-lo já que era final de sexta feira e aproveitou para trazer algumas de suas revistinhas favoritas, para que tivesse com o que passar tempo. Infelizmente não era permitido que trouxesse nenhum aparelho para o hospital, então o videogame de Kyungsoo teria que ficar para outra hora. O garoto ainda estava feliz porque tinha muitas revistinhas para ler, e se soubesse dividi-las bem poderiam durar por todo o fim de semana e ele nem sequer veria o tempo passar.

 

As coisas começaram a ficar um pouco ruins quando a enfermeira chegou para pegar sua veia, onde colocaria o acesso para que tomasse soro. Kyungsoo não gostava de agulhas, definitivamente; não gostava daquela borrachinha que ficava apertando seu braço, tampouco de ficar abrindo e fechando sua mão ao comando da enfermeira, por mais que ela fosse uma pessoa muito gentil. Talvez o preparo para encontrar sua veia doesse mais do que o acesso em si, mas Kyungsoo preferia odiar o processo inteiro.

 

Diferente de outras crianças, Kyungsoo achava um ato de extrema coragem sua ficar encarando a agulha enquanto a enfermaria pegava seu acesso, mas não tinha coragem de continuar a olhar quando seu sangue voltava pelo escalpe. Sentia-se aliviado porque a enfermeira retirava a borrachinha de seu braço, mas isso não aliviava o incômodo que sentia pela agulha ainda conectada à sua veia.

 

“Você tomará soro durante sua estadia aqui, certo querido?”, a enfermeira disse com um sorriso bondoso nos lábios enquanto colocava seus materiais de coleta na bandeja ao seu lado. “Você nem vai se lembrar de que está com isso no seu braço.”

 

Kyungsoo acreditou na boa moça que não deixou de sorrir ao colocar uma bolsa de soro conectada ao escalpe que estava em seu braço. Lançou um sorriso adorável para ela também, vendo-a ajeitar o ritmo que o soro desceria, esperando que dessa forma ela gostasse mais de si e aumentasse o ritmo das gotinhas. Kyungsoo detestava esperar que aquelas bolsas terminassem; sempre que olhava para elas, pareciam ainda mais cheias.

 

O acesso em seu braço esquerdo não incomodou no início, quando estava deitado assistindo televisão com sua mãe, sem realmente se interessar pelo programa que passava. Kyungsoo só percebeu o real problema quando se cansou do tédio e resolveu apanhar algumas das revistinhas que tinha para ler, deixadas na cabeceira de sua cama. Assim que as apanhou com o braço livre, o garoto se ajeitou para ler finalmente, flexionando seus braços da forma mais confortável que conseguiu com a agulha em sua veia.

 

Kyungsoo percebeu que havia algo errado quando o sangue começou a voltar.

 

“Kyungsoo!”, sua mãe o chamou. “Deixe o braço reto, dessa forma o soro não vai chegar e só vai demorar mais.”

 

“Mas eu quero ler, mamãe”, Kyungsoo reclamou. “E não dá para ler com uma mão só.”

 

“Desculpe, querido, mas você sabe que é para o seu bem”, sua mãe tornou a falar com um sorriso terno. O sorriso de sua mãe, tão semelhante ao seu, sempre o acalmava, mas não naquele momento em que o acesso o impedia de ler sua querida revista. “Quando você não estiver com o acesso você pode ler o que você quiser!”

 

“Mas eu quero ler agora”, Kyungsoo reclamou, deixando a revista ao seu lado e voltando a estender seu braço.

 

A agulha também doía quando seu braço era flexionado, então pensou que seria melhor que realmente desistisse. Suas revistinhas se tornariam inúteis se não poderia lê-las, mas gostava menos ainda da ideia de estar perdendo sangue, mesmo que fosse uma quantidade tão pequena.

 

O médico apareceu na porta de seu quarto, chamando sua mãe, o que o deixou curioso. Será que tinha piorado? De alguma forma estaria pior sem ter feito nada e voltariam a espetá-lo? Kyungsoo desejava que não, um furo em seu braço já estava sendo o suficiente para incomodá-lo ao impedi-lo de ler suas histórias, seu único passatempo naquele lugar, e não seria a mesma coisa com sua mãe lendo. Kyungsoo queria poder ver o que estava lendo, afinal.

 

Continuou entediado observando as paredes brancas e lisas que o prendiam, sentindo falta de seu quarto onde há estrelas no teto e planetas ao seu redor. Se ao menos tivesse seus desenhos não se sentiria tão entediado, já que poderia imaginar várias situações para viajar.

 

Porém, lá estava ele preso em um quarto de hospital com uma agulha incomodando-o em seu braço.

 

Sua mãe voltou pouco tempo depois com semblante preocupado, o que só validou a Kyungsoo que estava realmente morrendo. A mulher sentou-se na poltrona ao lado de sua cama, olhando com apreensão para a cama ao lado vazia; o garoto se perguntou se sua mãe não queria descansar, mas estava curioso demais para sugerir antes de perguntar.

 

“Eu vou morrer, mãe?”, perguntou temeroso. “Eu só queria o doce, eu não sabia que podia piorar assim e...”

 

Sua mãe o interrompeu antecedendo o choro que sabia que viria. “Está tudo bem com você, querido; o médico apenas veio comunicar que você dividirá leito com um garoto da sua idade, e veio nos alertar para não sermos pegos de surpresa, mas ele não tem nada de grave, então não se preocupe. Ele pode ser um amiguinho.”

 

Por um lado, Kyungsoo ficava feliz por não ser nada relacionado a si e por outro sentia-se curioso a respeito de quem dividira o quarto consigo e se seria alguém legal ou se iria se tornar desconfortável para ambos durante sua estadia por ali. Se o garoto não tinha nada grave, talvez pudessem ler juntos, com ele passando as páginas de sua revista.

 

Kyungsoo já se sentia animado em conhecê-lo.

 

Sua ansiedade durou pouco, já que o novo paciente chegou pouco tempo depois, parecendo abatido ao lado de quem Kyungsoo supôs ser sua mãe; os olhos pequenos e fechados devido o cansaço e a lentidão de seus movimentos demonstravam que não estava tão animado assim em conhecê-lo de volta, mas não era nada que pudesse abalar Kyungsoo. Ainda tinha um longo fim de semana pela frente.

 

O garoto se acomodou na cama que jazia ao lado da sua, sem se importar com o olhar que o observava; parecia realmente cansado demais para se importar com qualquer coisa que não fosse o travesseiro que o aguardava. A mulher que o acompanhava ajeitou os lençóis para cobri-lo, já que não fazia frio naquela noite. Kyungsoo controlou o ímpeto de falar e apressar o contato com os novos residentes.

 

“Jongin, querido”, ouviu a mulher chamando o garoto, “não durma agora, você precisa cumprimentar as pessoas...”

 

O garoto resmungou, esfregando os olhos com os nós dos dedos. Kyungsoo riu baixinho porque estava claro que o garoto tinha mais ou menos sua idade, mas tinha manias realmente muito fofas quando estava com sono. Sua mãe continuou insistindo para que não dormisse, até que Jongin cedeu, apoiando-se no travesseiro para encarar as duas outras pessoas no quarto. Seus olhos demoraram a abrir realmente, até que Kyungsoo pôde vê-lo claramente.

 

“Meu nome é Kim Jongin...”, sussurrou sonolento. “Mamãe disse que tenho que ficar aqui esse fim de semana.”

 

“Meu nome é Do Kyungsoo”, Kyungsoo se apresentou sorridente. “Também tenho que ficar no fim de semana. Você gosta de revistinhas?”

 

Jongin concordou, com um aceno preguiçoso. Kyungsoo conseguia perceber que o garoto queria conversar, mas sentia-se sonolento demais para isso; a mãe de Jongin pareceu perceber também, já que permitiu que o filho voltasse a se deitar já que tinha se apresentado aos antigos ocupantes do quarto. Jongin sorriu e voltou a acomodar-se em sua cama, dando um boa noite sonolento para Kyungsoo.

 

“Jongin está sonolento por causa do anti-histamínico que aplicaram”, a mãe de Jongin explicou, passando a mão nos cabelos da criança. “Tenho certeza que ele irá adorar conversar com você amanhã, Kyungsoo.”

 

Kyungsoo também mal podia esperar.

 

. . .

 

No dia seguinte, Jongin realmente amanheceu mais animado, o que deixou Kyungsoo feliz. O novo ocupante do quarto ainda parecia sonolento ao acordar, mas com certeza estava mais disperso; Kyungsoo sentou-se na cama, tomando cuidado para não afetar seu braço recém reconectado ao soro pela mesma enfermeira gentil, chamando por Jongin aos sussurros já que suas mães dormiam nas poltronas ao lado de cada cama. Não era nada fácil cuidar de seus filhos doentes, afinal.

 

Jongin parecia um garoto legal. Kyungsoo achava muito fofo o biquinho involuntário que seus lábios formavam pelo sono acumulado e os olhos levemente inchados. Mesmo que já não estivesse mais com os efeitos colaterais de seu remédio, Jongin ainda parecia ser a personificação do sono ou talvez uma pessoa realmente preguiçosa.

 

Ao contrário de Kyungsoo, que se mostrava tão energético que a ideia de permanecer com o braço preso a uma agulha o agoniava constantemente.

 

Quando Kyungsoo o chamou até sua cama para que pudessem ler suas amadas revistinhas, Jongin não demorou muito a aceitar, já que também se sentia entediado e, se não encontrasse o que fazer, provavelmente voltaria a dormir e sua mãe brigaria consigo por estar dormindo demais novamente. O garoto parecia legal e estava dispondo de suas revistas para que pudesse ler também, não poderia fazer nenhum mal.

 

Jongin permaneceu na cama do novo amigo até suas mães acordarem com suas risadas em conjunto devido a história que liam. Nenhuma das duas teve coragem de brigar com os garotos por estarem fora da cama àquela hora, porque era uma cena realmente muito fofa; Jongin estava deitado ao lado de Kyungsoo, com a revistinha pairando em seus joelhos dobrados enquanto riam juntos de algo que apenas os dois achavam graça.

 

Passaram o restante da tarde dessa forma, com o médico vindo vez ou outra ver como estavam e se precisavam de alguma coisa. Kyungsoo reclamou da agulha em seu braço, fazendo o médico rir e prometer que em breve retirariam o cateter para que ficasse livre, apenas precisavam ter certeza de que não ficaria desidratado caso não conseguisse manter a comida que estava ingerindo. Ouviu um muxoxo ainda descontente de seu paciente, mas sabia que ele entenderia.

 

Como estavam se divertindo tanto lendo as diversas histórias juntos, não perceberam realmente quando as revistas acabaram e agora já não tinham mais o que fazer. Suas mães pareciam ter se tornado grandes amigas também, e não estavam no quarto já que tinham prometido que iriam se comportar e que elas podiam sair para tomar um ar ou algum café se quisessem. Não precisavam fazer plantão no quarto o tempo todo, afinal.

 

Era noite quando Jongin e Kyungsoo voltaram a conversar para passar o tédio.

 

“Por que veio para cá?”, Jongin perguntou. “Eu não preciso desse soro...”

 

“O médico disse que era intoxicação alimentar”, Kyungsoo disse, dando de ombros. “Acho que comi o doce que não era para comer, então minha barriga doía muito.”

 

Os olhinhos de Jongin aumentaram de tamanho em compreensão. “Mamãe disse que eu vim para cá por causa do gatinho”, Jongin contou. “Ele estava na rua e eu peguei para cuidá-lo, não podia deixá-lo jogado. Mamãe não estava em casa, então eu passei a tarde toda brincando com ele, mas depois eu comecei a me sentir um pouco mal, não conseguia respirar muito bem. Foi quando ouvi minha mãe dizer sobre reação alérgica e vim para cá.”

 

“Deve ser triste ser alérgico a gatos”, Kyungsoo comentou.

 

“Mas eu ainda tenho três cachorros!”, Jongin disse. “E mamãe prometeu que encontraria uma boa casa para o gatinho que não poderá ficar conosco.”

 

Jongin se empolgou contando a respeito de seus três cachorros e como se divertia sempre que saíam para passear, e Kyungsoo resolveu contar sobre a gatinha que tinha em casa e que era tão energética quanto ele. Jongin expressou seu lamento por não conseguir manter o gato de rua consigo, o que Kyungsoo prometer que pediria a sua mãe para que pudessem ficar com ele. Um gato a mais não faz muita diferença, não é?

 

Os dois garotos voltaram ao tédio mais uma vez, deitados em suas camas encarando o teto branco e o tique taque vazio do relógio de parede. Imaginaram que passariam seu sábado dessa forma, até Kyungsoo ter uma ótima ideia.

 

“O que acha de irmos explorar o hospital?”

 

“Eles disseram que não podemos sair daqui”, Jongin observou, mas havia uma nota de curiosidade em sua voz.

 

“Mas está tão chato!”, Kyungsoo reclamou. “Podíamos encontrar algumas cadeiras de roda e apostar corrida, não acha divertido?”

 

“Eu ganharia de você com esse soro no seu braço”, Jongin riu. “Nós deveríamos esperar mamãe chegar?”

 

“Minha mãe nunca me deixaria sair”, Kyungsoo disse num muxoxo baixo. “Vamos agora!”

 

Jongin ainda parecia levemente reticente quando aceitou que descessem de suas camas e caminhassem pelo hospital. Já passava do horário do jantar e a maioria dos enfermeiros responsáveis por aquela ala estavam ocupados ou alimentando algum paciente debilitado ou alimentando a si mesmo. Suas mães tinham sumido para um café e seu médico não aparecia fazia algum tempo; era a oportunidade perfeita.

 

Calçaram suas pantufas e saíram do quarto, com Kyungsoo arrastando seu suporte para soro ao seu lado. O equipamento atrapalhava o andamento dos dois garotos, mas se sentiam tão felizes por estarem quebrando as regras e fazendo algo divertido finalmente naquele dia que nem mesmo esse fato poderia atrapalhar o restante da diversão. Até se divertiam com o barulho que as rodinhas faziam ecoando seus passos pelo corredor vazio.

 

“Você sabe como voltar, não é, Soo?”, Jongin perguntou quando viraram mais uma esquina de corredores.

 

A verdade é que Kyungsoo não sabia, mas Jongin poderia confiar em si. Era o mais velho, afinal. “Nós chegaremos ao nosso quarto de novo sem problemas”, garantiu. “Não é assim tão difícil achá-lo.”

 

Os dois garotos continuaram a caminhar pelos corredores até encontrarem o objeto pelo qual estavam buscando. Duas cadeiras de roda estavam estacionadas rente à parede e não havia ninguém por perto que pudesse impedi-los de apanhá-las e saírem pelos corredores pelos quais vieram, dessa vez com uma cadeira de rodas.

 

“Você não vai conseguir fazer nada com esse soro do seu lado”, Jongin constatou, sentando-se em sua cadeira.

 

Kyungsoo olhou para seu braço e para o suporte de soro ao seu lado, decidindo que um passeio de cadeira de rodas pelo hospital era mais legal do que continuar com aquilo. Sendo assim, segurou próximo à agulha e puxou, retirando-a de sua circulação e cessando a distribuição do soro. Algumas gotas de sangue escorreram por seus dedos pela retirada brusca e inesperada, mas Kyungsoo não se importou tanto quanto imaginava que iria. Se tinha uma cadeira de rodas o esperando, não importava tanto assim.

 

Sentou-se à cadeira de rodas ao lado de Jongin e entreolharam-se por um minuto antes de rirem e saírem o mais rápido que seus bracinhos conseguiam impulsionar. Não era grande coisa, na verdade, porque não conseguiam fazer com que as cadeiras tomassem impulso, mas estavam se divertindo sinceramente enquanto viravam as esquinas dos corredores. Faziam ainda mais barulho agora além de suas risadas que não cessavam, mas já não se preocupavam em serem apanhados.

 

Tinham agora um veículo de fuga.

 

“Eu vou ganhar de você!”, Jongin garantiu, voltando a dar impulso com sua cadeira.

 

Kyungsoo sabia que estava em desvantagem já que seu braço direito ainda doía pela retirada do soro, mas não deixaria o mais novo ganhar. “É o que nós vamos ver!”, disse. “Você é muito confiante, Jongin.”

 

 Jongin olhou para trás com um sorriso que fazia seus olhares tornarem-se meias-luas, sem se importar em não estar olhando para onde ia. “Estou apenas dizendo a verdade, hyung.”

 

“E deveria olhar para a frente também!”

 

Jongin fez como comentado, precisando parar com sua cadeira já que estava muito próximo da parede e não conseguiria fazer a curva a tempo, diferente de Kyungsoo que agora estava à sua frente. Jongin logo voltou à corrida particular de ambos, tentando alcançar Kyungsoo e ouvindo sua risada espalhar-se pelo corredor. Não tinha problemas em alcançar o amigo, já que seus braços não sofreram qualquer perfuração diferente de Kyungsoo, mas deixaria que tivesse seu momento de vantagem por um instante.

 

“Eu aproveitaria a vitória enquanto posso se fosse você, Soo!”, Jongin alertou. “Quando chegarmos ao nosso quarto, eu vou ser o ganhador.”

 

“O que você me daria se eu ganhar?”, Kyungsoo perguntou. “Isso pode ficar mais legal!”

 

“Eu tenho a edição que você quer”, Jongin disse se aproximando do amigo. Continuava a dar mais impulso e suas mãos começavam a doer. “Se você ganhar, ela é sua. Mamãe pode te entregar.”

 

“Então se você ganhar eu te dou a minha revista favorita!”, Kyungsoo prometeu com o mesmo sorriso de coração que mantinha. Se tinha algo que Jongin achava bonito em seu novo amigo, com certeza seria seu sorriso de coração.

 

Naquele momento, estar em um hospital não parecia mais tão ruim assim, já que tinham um novo amigo e companheiro para aventuras das quais poderiam se orgulhar mais tarde, afinal, quem nunca quis roubar cadeiras de roda e correr com elas pelo hospital? A única coisa que os importava naquele instante era saber quem conseguiria chegar primeiro na linha de chegada imaginária que tinham estabelecido e suas risadas que continuavam a ecoar tornando-se o melhor som que podiam ouvir.

 

Kyungsoo pensou que teve realmente sorte em conhecer Jongin naquele lugar, onde nunca imaginaria que poderia encontrar um novo amigo. Conheciam-se há vinte e quatro horas e já era o suficiente para que se considerassem como se conhecessem desde a infância. Jongin esteve ao seu lado enquanto liam suas revistas e topou desobedecer uma das regras expressas por suas mães apenas para que ficassem livres do tédio.

 

Para Kyungsoo, aquele era o acordo de amizade mais sincero do mundo.

 

Continuaram sua aventura conforme planejado, não fosse um médico que estava virando o corredor no qual entrariam e acabou avistando-os. Os dois garotos pararam o mais rápido que conseguiam, olhando alarmados para o profissional que estava parado observando-as, como se soubesse que não deveriam estar ali, ainda mais com cadeiras de rodas que sequer precisavam usar.

 

Por alguns poucos segundos ninguém disse nada, até o médico começar a se aproximar, alarmando os dois garotos.

 

“Vocês não deveriam estar aqui, não é?”, perguntou. “Onde é o quarto de vocês?”

 

“Nós estávamos indo para lá”, Jongin disse, engolindo em seco.

 

“Eu aposto que não precisam dessas cadeiras de rodas”, o médico prosseguiu. “Sabem que estão errados, não sabem? Venham comigo, vou levá-los aos seus responsáveis.”

 

Kyungsoo arregalou os olhos, porque sua mãe não poderia saber que tinha desobedecido suas ordens expressas. Levantou-se da cadeira de rodas, fazendo um gesto para que Jongin o imitasse. O médico sorriu, satisfeito que as crianças estivessem obedecendo-o sem nenhum tipo de reluta, já que crianças conseguem ser bastante teimosas quando querem. Virou-se de costas esperando que o seguissem e foi a deixa que Kyungsoo esperava.

 

Apanhou a mão de Jongin e começou a correr na direção contrária, arrastando o amigo consigo e ouvindo as reclamações do médico atrás de si, sabendo que ele viria em seguida e por isso precisavam ser rápidos. Jongin reclamava às suas costas de que estava doendo seu braço pela forma como estava sendo puxado, mas Kyungsoo não queria soltar sua mão e ter a chance de perder Jongin no meio da corrida. Se fossem apanhados, seriam os dois, mas antes disso Kyungsoo faria tudo para que saíssem ilesos.

 

O plano das crianças não deu muito certo, na verdade, porque assim que contornaram mais um corredor pelo caminho que tinham feito seu médico responsável estava se aproximando, parecendo procurá-los exatamente como o outro médico fazia. Jongin olhou para trás enquanto ainda corriam, vendo que o outro médico ainda não tinha desistido e que agora não tinham mais escapatória. Estavam encurralados.

 

“Os dois mocinhos deveriam estar em suas camas”, o médico observou quando a dupla parou à sua frente. “Suas mães estão loucas de preocupação!”

 

“Nós só queríamos nos divertir um pouco...”, Kyungsoo resmungou. “Não gosto de ficar preso no quarto!”

 

“Você principalmente, Kyungsoo, arrancou seu acesso sem o mínimo cuidado, poderia ter estourado sua veia”, o médico brigou. “Não faça mais isso. Venha comigo, vou levá-los de volta ao quarto de vocês. Doutor Kim, obrigado por tentar levá-los também.”

 

Os dois garotos seguiram de cabeças baixas até o quarto, com o médico responsável por ambos os guiando à frente. Preparavam-se para a bronca que ouviriam de suas mães por terem saído sem qualquer cuidado, Kyungsoo principalmente estava à espera do maior sermão de sua vida sobre estar exposto em um hospital, mesmo que não tivesse feito nada demais.

 

Olhou para Jongin que caminhava em silêncio ao seu lado, tendo seu olhar retribuído com um sorriso gentil. Ambos sabiam que ouviriam bastante de suas mães, mas estavam sorridentes um para o outro porque a aventura valia a pena, não só pela adrenalina, mas também pela companhia. Sentiam-se felizes porque partilharam uma história que era deles, uma história que poderiam recordar para seus outros amigos como o fim de semana não tão tedioso assim em um hospital graças a um amigo.

 

Chegaram ao quarto onde estavam e encontraram suas mães esperando-os; Kyungsoo nunca viu sua mãe tão sério quanto no momento em que o avistou à porta do quarto, o que o fez se preocupar um pouco. Talvez sua mãe estivesse realmente preocupada e por isso estava tão brava, mas não tinha sumido por tanto tempo assim, não é? A senhora Kim correu até Jongin, abraçando-o e verificando se seu filho estava bem e sem nenhum machucado, mesmo com as confirmações de Jongin de que estava tudo bem.

 

A senhora Do, por outro lado, caminhou calmamente até Kyungsoo que voltou a sentar-se em sua cama. Sentou-se à poltrona ao lado da cama, encarando-o com um semblante sério que não durou muito, visto a preocupação evidente em seus olhos assim que vistoriou seu filho e ao encontrar o hematoma em seu braço direito.

 

“Kyungsoo!”, exclamou. “O que houve?”

 

“Eu arranquei o soro”, explicou baixinho, com medo de qualquer represália. “Nós queríamos correr com as cadeiras de rodas que encontramos, mas o soro estava atrapalhando então eu tirei...”

 

“Meu amor, você não podia ter feito isso”, a mulher suspirou. “Veja seu braço como está agora.”

 

“Desculpa, mamãe. A gente só queria...”, Kyungsoo começou, com os olhos marejados. Apesar de tudo, detestava que sua mãe brigasse consigo. “A gente só queria se divertir...”

 

“Vocês não podem sair dessa forma, ouviu?”, tornou a falar. “A senhora Kim e eu ficamos muito preocupadas! Nós voltamos do café e não tinha nem sinal de vocês no quarto e nenhum enfermeiro sabia do paradeiro de vocês, até encontrarem o suporte de soro abandonado em um dos corredores. Vocês têm noção do quanto nos preocupamos?”

 

“Desculpe”, Jongin disse atraindo atenção. “Não briga com ele, senhora Do, foi eu que o chamou para irmos...”

 

Kyungsoo arregalou os olhos pela confissão de Jongin, porque não fora ele que teve a ideia; percebeu que o novo amigo estava tentando tomar a culpa para si para que sua mãe não brigasse consigo, já que a senhora Kim parecia mais preocupada em saber que seu filho estava bem ao invés de brigar consigo. Kyungsoo sorriu, feliz pelo gesto de Jongin porque conheciam-se há pouco tempo para que se encobrissem dessa forma.


“A culpa é minha sim, mamãe”, Kyungsoo corrigiu. “Jonginnie não queria ir, mas eu o convenci porque achei que seria divertido. Ele só está tentando fazer com que não brigue comigo.”

 

As duas mães no local trocaram olhares com sorrisos mínimos pela amizade estabelecida por seus filhos em pouco tempo. Era comum que crianças encobrissem umas às outras para que não sofressem represálias, mas normalmente faziam isso quando possuíam algum vínculo. Sentiam-se felizes por seus filhos criarem um laço em pouco tempo, que parecia forte o suficiente para que estivessem protegendo um ao outro.

 

“O importante é que estão bem”, a senhora Kim disse. “Agora prometam que não farão isso de novo.”

 

“Nós prometemos”, disseram juntos, olhando para suas mães com olhares esperançosos.

 

“Não brigaremos mais com vocês, mas esperamos que tenham aprendido a lição”, a senhora Do disse. “O doutor Lee precisa conversar conosco agora, então por favor fiquem em suas camas.”

 

As duas senhoras saíram do quarto mais uma vez deixando seus filhos sozinhos. As crianças se entreolharam com sorrisos idênticos e aliviados, felizes por terem saído ilesos e sem nenhum castigo por terem saído sem avisar. Sabiam que estavam errados, não deveriam ter preocupado suas mães dessa forma, mas na hora parecia muito divertido para que dissessem não ao estímulo. Ao menos, entediados realmente não estavam mais.

 

Jongin desceu de sua cama, sentando-se ao lado de Kyungsoo. Olharam-se em silêncio aproveitando da cumplicidade recém estabelecida, encontrando os pequenos segredos que criaram nos sorrisos que ostentavam um para o outro. Jongin sentia-se feliz por ter encontrado em Kyungsoo o amigo que procurava, mesmo em situação tão adversa quanto um hospital, já que não se sentia tão confortável na presença de alguém há muito tempo. Kyungsoo, por sua vez, sentia-se feliz por ter Jongin ao seu lado como um novo amigo, talvez o melhor que tinha conhecido em muito tempo.

 

“Foi divertido, não foi?”, Kyungsoo perguntou.

 

“Sempre quis fazer isso”, Jongin confessou. “Mas eu tinha medo de ser apanhado...”

 

“Bom, nós fomos, mas é mais divertido quando não estamos sozinhos”, Kyungsoo sorriu. “Eu fico feliz que você seja meu parceiro de crimes hoje, Jonginnie.”

 

O apelido infantil soava bem aos ouvidos do mais novo.  Gostava que Kyungsoo tivesse uma forma de chamá-lo. “Nós continuaremos nos vendo quando sairmos do hospital?”, Jongin perguntou, seu sorriso murchando naquele momento. “Eu não sei onde você mora...”

 

“É claro que vamos!”, Kyungsoo disse. “Eu vou adotar o seu gatinho, lembra? Então, você tem que ir sempre lá em casa para vê-lo, senão ele vai sentir a sua falta.”

 

Jongin voltou a sorrir de imediato. “Mamãe ficará feliz com isso! Ela parece ter se tornado amiga da sua mãe também”, disse. “Eu também posso te apresentar aos meus cachorros!”

 

“Cachorros não gostam muito de mim”, Kyungsoo murmurou, levemente temeroso.

 

“É impossível não gostar de você, Soo”, Jongin disse, cutucando-o. “Nós podemos sair para passear com todos os bichinhos! Você não acha que seria divertido? Tem um parque muito legal perto de casa!”

 

“Contanto que você não chegue perto dos gatos, não é?”, Kyungsoo riu. “Eu gostei muito de conhecer você, Jonginnie.”

 

Jongin deu de ombros com um sorriso bonito, aproximando-se o suficiente para abraçar o novo amigo e dizer que também estava feliz por tê-lo conhecido. É claro que ninguém gosta de visitar hospitais ou de ter motivos para ir em um, mas, já que precisavam estar ali por um fim de semana, era mais divertido quando tinham uma boa companhia na cama ao lado, com quem estavam sempre prontos para fugir em mais uma nova aventura. No final das contas, o risco sempre valia a pena quando tinha alguém às suas costas que ecoassem suas risadas e piadas.

 

Kyungsoo pensou que os dias no hospital não eram tão ruins assim, se foi o lugar que conheceu Jongin.


Notas Finais


Eu espero que vocês tenham gostado~ Eu adoro kid, e precisamos povoar a tag de exo!kid nesse site. Me digam aí embaixo se vocês curtiram, ou podem me encontrar no @iambyuntiful no twitter para batermos um papo.

Até uma próxima~!


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