História Aesthetic - Capítulo 3


Escrita por: ~

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Categorias EXO
Personagens Baekhyun, Chanyeol, Chen, D.O, Kai, Kris Wu, Lay, Lu Han, Personagens Originais, Sehun, Suho, Tao, Xiumin
Tags Exo, Fanfic, Kpop, Romance
Exibições 34
Palavras 2.292
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Drama (Tragédia), Famí­lia, Romance e Novela, Universo Alternativo
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Suicídio, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Oe
Voltei para vocês ♡
Finalmente, o capítulo no qual esses dois vão de falar pela primeira vez.
Boa leitura.

Capítulo 3 - III


Gerful

(Adj.) Selvagem, desobediente

***

Os olhos de Hyerin fitavam uma folha amarelada caída sobre a calçada, que dançava no ritmo do vento, um pouco afastada das demais folhas amareladas. O outono em Seul havia chegado com mais força do que o usual, e a temperatura estava anormalmente baixa para o início de setembro; a garota estava satisfeita com isso. Gostava do frio. Achava que o cinza da cidade combinava muito bem com o dourado opaco das folhas mortas.

Se perguntassem à ela o que estava fazendo ali, sentada nos degraus da entrada da escola, responderia que estava se esperando.

Se perguntassem pelo que exatamente, ela não saberia responder.

Estava exausta; observava o cenário levemente melancólico do pátio externo da escola sem realmente enxergar muita coisa, o queixo apoiado nas mãos, as pálpebras pesadas; o colégio coreano drenava todas as suas forças. A Escola Secundária JaYeon era um contraste nítido com a instituição que frequentava no exterior, uma sombra opaca e inflexível em comparação com a tradição delicada e artística da LaDainian Academy.

A menina não fazia ideia de como ainda se sustentava de pé, na verdade; entre as longas sessões de estudo - as quais ela precisava se quisesse manter sua média - , as oito horas que passava no colégio e mais as sessões de terapia diárias, ela mal tinha tempo se alimentar direito, muito menos de dormir.

E, quando tinha tempo, raramente conseguia.

Gostaria de poder aproveitar aquele momento sozinha para fechar os olhos, deitar a cabeça em algum lugar e parar de pensar por alguns segundos. Queria esvaziar sua cabeça, seu coração, e descansar, mas tinha que aguentar mais um pouco. Só mais um tempinho, só até aquele dia acabar, aquele mês, aquele ano.

Só até ela não conseguir mais.

Não havia mais ninguém ao seu redor. Os outros alunos já foram para suas casas, ou estavam na biblioteca, estudando, mas ela ainda estava ali, sozinha, esperando pela sua mãe, pela próxima hora que passaria sentindo-se cansada, pelo próximo desenho que rabiscaria durante as aulas. Tinha a sensação de que passava uma quantidade absurda de tempo sozinha e esperando desde que voltara para a Coreia.

Era estranho que, de todas as pessoas, Hyerin era quem estava solitária quando costumava distribuir tanta atenção aos outros. Supunha que o universo deveria ser justo. Supunha que ela deveria receber o que dava.

Bem. Ela havia dedicado uma parcela quase maior do que possuía de carinho e amor à todas as pessoas erradas.

Onde estava o carinho e amor destinados à ela?

Talvez por isso ela estivesse tão ligada às suas obsessões estranhas naquele momento de sua vida, especialmente à sua obsessão por Park Chanyeol: era o único modo dela sentir que não estava sendo abandonada de alguma forma. Desenhar, ou escrever, ou até mesmo admirar algo bonito fazia Hyerin sentir-se rodeada de arte e beleza, e assim ela não se sentia sozinha.

O som distinto de passos ecoando atrás de si a despertaram de seu estupor melancólico e ela imediatamente endireitou a coluna, imaginando que provavelmente era um funcionário da escola questionando o motivo dela ainda estar ali, ou até mesmo um aluno indo embora, mas ao virar o corpo e constatar quem era, quis soltar uma risada, porque além de injusto, o universo também era bastante irônico.

Chanyeol parou há alguns degraus de Hyerin, os olhos intensos fitando a garota semicerrados. Se ela era pequena em comparação a ele quando estavam ambos de pé, agora o menino parecia um arranha-céu, e parecia muito irritado, também.

-olá. - murmurou ela, com um sorriso leve nos lábios, observando enquanto a irritação na expressão dele se transformava em dúvida e então em raiva.

-Você. - rosnou ele, cruzando os braços, a testa franzida para ela.

-Eu…?

-Você. O que tem de errado com você?

O sorriso de Hyerin morreu. Perguntava a mesma coisa já fazia algum tempo, e ainda não tinha a resposta.

-Um monte de coisas. Você vai ter que ser mais específico.

A resposta dela não agradou o menino.  De fato, Hyerin tinha a nítida impressão de que ela não o agradava.

-Você estava me desenhando.

A garota reprimiu um suspiro. Já havia esquecido daquele último rascunho apressado que fizera no último período, assim como havia esquecido de ter sido tão óbvia. Lembrava, é claro, da expressão intensa e fervente nos olhos de seu modelo preferido, e lembrava da necessidade de registrar aquela expressão, de tentar entender, de ficar olhando até que o fogo naquelas íris escura derretessem tudo o que havia dentro dela. Estava muito preocupada com a poesia sem palavras que enxergava nos traços daquele garoto para se importar em ser discreta.

Claro, agora ela teria que arcar com as consequências.

Considerou fingir que não sabia do que ele estava falando, contar uma ou duas mentiras para acalmar o espírito indignado de Chanyeol, mas estava cansada demais para isso, então apenas deu de ombros.

-Eu estava.

Chanyeol abriu a boca para falar algo, mas logo a fechou e encarou Hyerin com surpresa em seu rosto.

-Estava mesmo?

A menina assentiu, se divertindo com a maneira com a qual ele olhava para ela, como se tentasse resolver um cálculo de física moderna ou ler um livro escrito em alemão. Supunha que não eram muitas as meninas no mundo que, de modo tão aberto e claro, admitiriam o que ela admitiu, e supunha também que ele não esperava dela sinceridade. Supunha um monte de coisas, na verdade, e fitava a face bonita de Chanyeol na tentativa de saber se alguma de suas proposições estariam corretas.

Talvez ela estivesse equivocada em tudo, e Deus sabia que ela já esteve errada sobre as pessoas muitas vezes na sua vida. Talvez ela realmente estivesse enganando a si mesma, como Chaemi disse, em seu desespero de encontrar algo inspirador no meio da monotonia que sua vida se tornara desde o final do segundo ano do Ensino Médio.

-Por que? - ele voltou a franzir a testa para ela - E, por favor, não me diga que é secretamente apaixonada por mim. Isso seria constrangedor para nós dois.

Hyerin sorri automaticamente. “Apaixonada” poderia sim, descrever o sentimento, embora não fosse exatamente apaixonada por Chanyeol, e sim pela inspiração que ele lhe proporcionava.

-Não é por isso. - responde ela.

-Então por quê? - insiste o outro.

-Por que você ainda está no colégio, afinal de contas? - rebate a menina, sem vontade de explicar sua própria loucura para alguém que provavelmente a julgaria.

-Por que está mudando de assunto?

-Será que estava estudando, Park Chanyeol?

O tom de voz dela era zombeteiro, assim como seu rosto. Ficou de pé e tomou alguns passos, observando quando a postura de Chanyeol tornou-se defensiva conforme ela se aproximava, parando apenas quando estava um degrau acima dele, o rosto de ambos quase na mesma altura.

-Será que você é mais psicótica do que eu imaginei, Lee Hyerin? - ele ergue o queixo e suas íris perfuram as dela com sua intensidade, o maxilar travado, exibindo orgulhosamente aquela atitude desafiadora que ela achava tão superficial, que parecia ocultar tanta coisa.

Hyerin sentiu uma risada escapar por entre seus lábios.

-Não, acho que você não estava estudando.

As bochechas claras do garoto ficaram vermelhas e, por um segundo muito breve, a sombra de algo além de irritação passou pelo rosto dele, mas a menina não tinha certeza. Sentia que não tinha certeza de nada quando se tratava de Chanyeol, e, no fundo, sabia que achava o incerto muito atraente.

Deveria se afastar. Deveria abaixar a cabeça, pedir desculpas se ela o fez sentir desconfortável, talvez até mesmo prometer que não o desenharia de novo. Deveria manter distância do incerto.

“Não se envolva com Park Chanyeol a não ser que você queira que a sua vida mergulhe em um espiral de caos”, não foi o que Chaemi disse? Não era essa a regra número um?

-Pois eu acho que você é psicótica. - foi a resposta dele, em uma voz baixa e um timbre carregado de fúria, as palavras saindo acompanhadas por um suspiro leve e quente que soprou alguns poucos fios dos cabelos de Hyerin.

“Você não faz ideia”

-E eu acho que você foi chamado na sala do diretor. - assistiu o semblante de Chanyeol tornar-se mais obscuro e os lábios rosados contraindo-se. - E também acho que foi merecido. Sua atitude na aula de matemática foi muito desrespeitosa.

Assim que as palavras deixaram sua boca, ela soube que deveria ter ficado quieta, mas era tão interessante observar a sucessão das reações no rosto dele, em parte porque elas eram tão intensas, e em parte porque eram tão rápidas que era quase como se as expressões nem estivessem ali. Se Hyerin não estivesse olhando tão de perto e não fosse tão boa em analisar as pessoas em geral, provavelmente não teria percebido quando ele arregalou os olhos de leve, ou quando ele engoliu em seco, ou quando recuou alguns centímetros como se ela estivesse o estapeado. Se ela não tivesse visto tudo isso, provavelmente teria achado que o único sentimento que suas palavras causaram foi indiferença.

-Eu acho que você não tem nada com isso. - respondeu ele, seco.

A pequena inclinou a cabeça para o lado, tinha certeza de que ele via a diversão em seus traços, mas ele jamais poderia ver o quão maravilhada ela estava. Chanyeol era tão cheio de conflitos. Tão cheio de segredos. Se antes Hyerin sentia-se atraída pelo que poderia haver por trás daquelas íris castanhas e daquela postura indiferente, agora ela sentia-se desesperada para tentar entender, tentar conhecer, tentar transcrever em palavras rimadas, ou em traços leves sobre uma folha em branco.

E ainda não era o suficiente.

Por que ela tinha que ser assim? Por que tinha que querer conhecer as pessoas, provocar, pressionar? Por que tinha que ter aquela ânsia justamente pelas personalidades mais perigosas?

Hyerin deveria ter aprendido a lição da última vez. As marcas dos seus erros ainda estavam gravadas em sua pele, onde ninguém enxergava, e mais profundo do que isso, em seu coração. As cicatrizes, físicas e psicológicas, de deixar-se levar por coisas caóticas e bonitas, ainda doíam.

“Não faça isso, Hyerin” pensava ela. “Não faça isso. Não faça isso”.

-Você quer ajuda?

“Droga, eu fiz isso”

As palavras deixaram sua boca sem autorização, e atingiram Chanyeol com mais força do que ela esperava.

-Como? - ele parecia acreditar que não ouvira direito.

Ainda dava tempo de retirar a oferta, de jogar uma outra frase que soasse parecida, mas que tivesse um sentido diferente. Ainda dava tempo de consertar o erro épico que ela estava prestes a cometer, mas não foi isso que ela fez:

-Ajuda. Com matemática. Eu posso te ensinar a matéria, se você quiser.

Chanyeol abriu a boca, mas nenhum som saiu de seus lábios. Dava a impressão de não saber o que falar e, sendo sincera consigo mesma, tampouco ela sabia; estava tão chocada quanto ele com suas próprias palavras, e, mais do que isso, com sua própria inconsequência.

-Eu…- o som estridente de uma buzina interrompeu a frase do garoto. Ambos viraram o rosto para ver um sedã prata parado perto ao meio-fio, a janela com película negra impossibilitando a visão de quem estava dirigindo, mas Hyerin reconheceu o carro e, ao mesmo tempo que sentiu-se aliviada por ser obrigada a sair de perto de Chanyeol, quis ficar mais um tempo e ouvir a resposta dele.

Mais uma chance de reparar seu equívoco. Uma chance de fugir e deixar para trás aquele momento constrangedor e, no dia seguinte, poderia evitar o menino pelos corredores, coisa que ele provavelmente também faria.

Mais uma chance para proteger a si mesma.

Mais uma chance para não quebrar as regras.

A decisão certa a ser tomada brilhava em sua mente com luzes néon coloridas.

E, como já era de praxe, Hyerin a ignorou completamente.

Puxou do bolso lateral de sua mochila uma caneta preta, a qual mantinha sempre ao alcance das mãos para o caso de precisar anotar algo, e em seguida segurou o pulso de Chanyeol, sentindo os músculos de seu antebraço se contraírem e a pele queimando sob seus dedos gelados. Antes que ela ou ele entendessem o que estava fazendo, escreveu uma sequência de números sobre a palma macia de suas mãos.

-Você sabe onde me encontrar, se precisar. - guardou a caneta, achando engraçado a maneira como Chanyeol aparentava estar completamente ultrajado pela proposta, alternando o olhar entre o número de telefone e o rosto da menina, a face ardendo e uma raiva quase homicida brilhando em seus traços.

Hyerin imaginava que não estava sendo exatamente conveniente, muito menos que sua ações tivessem algum sentido para Chanyeol, mas seus motivos e desejos estavam muito claros estavam muito sua mente : ela queria aquilo que ele não mostrava para mais ninguém. Ela queria aquele Chanyeol caótico escondido sob a máscara de pirralho mimado, queria conhecer a extensão de seus conflitos, a profundidade de sua imprevisibilidade.

E, na verdade, era bem provável que ela jamais chegasse a conhecer tudo aquilo, mas não custava nada tentar.

Embora talvez custasse para conseguir.

“O que diabos eu acabei de fazer?”

Virou as costas para Chanyeol, sentindo algo entre a incredulidade e a vergonha esmagando o seu peito, mas, incrivelmente, não conseguia sentir-se arrependida. No curto caminho entre a escadaria de entrada do colégio e o carro de sua mãe, tentou encontrar qualquer pedaço dentro dela que enxergasse a razão, que a repreendesse por, mais uma vez, caminhar diretamente para o instável e imprevisível, mas não havia uma voz sequer em sua cabeça lhe dizendo para correr.

Claro, Hyerin tinha o pressentimento de que quebrar a regra número um poderia acabar muito mal, mas, ao invés de temer pela própria segurança, ela estava animada para ver quão longe ela poderia ir daquela vez.

“Para alguém tão inteligente,” suspirou ela, internamente “eu até que sou bem burra”.


Notas Finais


Ok, talvez eu tenha uma queda por personagens psicologicamente danificados, eu admito. Talvez eu tenha passado um pouco dos limites com a Hyerin akajjskw.

Mas, enfim, essa fanfic está claramente caminhando para um desenvolvimento bem dramático. Eu espero, sinceramente, que seja do agrado de quem ler.

Kisseus, e até o  próximo capítulo 😘


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