História Aeternum - Capítulo 3


Escrita por: ~

Postado
Categorias Girls' Generation
Personagens Taeyeon, Tiffany
Tags Drama, Girls' Generation, Snsd, Taeny, Taeyeon, Tiffany, Yuri
Visualizações 60
Palavras 4.381
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), FemmeSlash, Ficção, Mistério, Romance e Novela, Universo Alternativo, Yuri
Avisos: Álcool, Homossexualidade, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Advinha quem apareceu.
Eu mesma, muito orgulhosa por estar postando em um dia 11.

Já descobri o que estou escrevendo?
Muito provavelmente sim.

Rain é o concept theme dessa história sim, não gostou pode reclamar com a produção.

Capítulo 3 - Roads Untraveled


Fanfic / Fanfiction Aeternum - Capítulo 3 - Roads Untraveled

 

 

Parabéns Taeyeon, você estragou tudo.

Passo as mãos pelos cabelos nervosa, encarando a direção que Tiffany havia tomado para se trancar em um cômodo, até então, desconhecido por mim. Estou andando no meio da sala de um lado para o outro já faz um bom tempo, repensando cada palavra que eu disse em meio a nossa discussão. Isso faz com que eu me arrependa mil vezes mais das coisas que eu disse e até a forma com que eu disse.

Isso está completamente errado.

Eu preciso tentar entender o que está acontecendo e não piorar toda a situação, eu realmente quero, mas isso também não é fácil.

Agora eu estou em frente a porta, pensando se devo bater e tentar conversar ou se o impecável silêncio daquele lugar grita para que eu suma dali o quanto antes. Eu decido por bater na porta, tão levemente que penso que ela possa não ter escutado, então uso a voz em seguida.

— Tiffany…

Espero por alguns segundos, remexendo as mãos em nervosismo, mas não há resposta. Algo dentro de mim começa a me deixar inquieta, começo a me perguntar se ela ficaria mais brava ainda se eu simplesmente entrasse. Eu acho que ela ficaria sim, então bato outra vez para me certificar.

Tiffany me devolve silêncio e eu não consigo dizer nada contra isso, então eu me afasto arrastando os pés pelo corredor. Um sentimento covarde começa a me consumir por dentro dizendo que se ela não quer me ouvir então o problema é todo dela.

Mentira.

Uma grande mentira.

A culpa de tudo isso é minha e, se eu não consigo encontrar uma solução, isso também é um problema completamente meu.

Eu não consigo pensar em nada que eu possa fazer em relação à isso, e esse fato me frustra tanto quanto o silêncio de Tiffany e o silêncio da minha mente.

Volto para a sala totalmente perdida e, quando me dou conta, me vejo em frente a janela observando o mundo através dela. Uma rua agitada, um café na esquina, um carro vermelho e um azul e outro em seguida... Desvio o olhar. Não é o que eu quero ver.

Sopro um novo suspiro frustrado, toda essa agitação acaba me deixando meio zonza. Balanço a cabeça tentando me livrar dessa sensação e volto em passos apressados para a porta de Tiffany naquele corredor.

Toc toc.

— Tiffany, por favor.

Toc toc toc toc toc toc toc...

— Para com isso. – a voz de Tiffany interrompe minhas incessantes batidas na porta e eu suspiro surpresa e um tanto aliviada por ela finalmente ter me respondido.

— Podemos conversar? – Sugiro e consigo imaginar ela torcendo os lábios em desconforto do outro lado da porta. De alguma forma eu sei que é assim que ela se comporta; imagino ela negando.

Pareço estar certa.

— Não. – Ela diz, simplesmente.

— Mas nós precisamos, – apelo levando minha mão a maçaneta da porta só para constatar que ela está trancada. – esse assunto não pode encerrar assim.

— Ele não está encerrando, Taeyeon. – ela suspira como se estivesse sem paciência – Vou tomar um banho e me acalmar, você deveria fazer o mesmo.

— Mas eu queria entender porquê-

— Nós não vamos conversar sobre isso agora. – Ela diz.

Aperto as mãos em punhos e soco a porta, frustrada com a sua resposta. Eu quase grito, porque não lembro de dor alguma e faço isso com a mão direita, dói como o inferno.

Ouço seus passos se afastarem dali e eu sei que perdi a tentativa.

Arrasto meus pés de volta para a sala enquanto tento massagear o pulso dolorido, sentindo-me completamente derrotada com toda a situação. Eu estou ciente de que a única coisa que eu posso fazer é esperar. Hoje é o mesmo dia de ontem, mas nesse hoje Tiffany não vai me escutar.

Depois conversamos com calma.

Eu me agarro à esse pensamento porque ele é tudo que eu tenho, a única coisa que me separa do completo desespero.

Também porque eu não sei o que fazer além disso.

Eu sinto meu corpo inteiro pesar junto com a minha mente, como se eu não tivesse dormido nada em muito tempo, o que eu sei que não é verdade, porque também parece que a única coisa que eu fiz em todas essas horas fora dormir e ficar confusa.

Eu vou para a cozinha meio que automaticamente e tomo um copo de água gelada que desce queimando todo o caminho pela minha garganta até o estômago, isso deixa um gosto estranho na minha boca. Tudo o que eu arrumo com isso é uma careta.

Na porta da geladeira tem alguns imãs de Totoro segurando algumas anotações, eu sei que esse é o nome porque ele está escrito em um deles. Eu sinto vontade de tirá-los dali, pelo simples motivo de não gostar de não lembrar de ter uma infância para ter assistido esse tipo de coisas. Para mim é um motivo suficientemente plausível para que eu pegue cada imã daquele e arremesse pela janela, mas não o faço.

Uma das notas na geladeira é o horário marcado para pegar o carro na oficina, a outra sobre compras, uma delas é apenas uma data e a última tem algo sobre um projeto, nenhuma delas me interessa.

Nada disso consegue chamar minha atenção.

De alguma forma isso me frustra.

O silêncio volta a me deixar inquieta, então eu saio dali, novamente procurando a certeza de alguma coisa. Tentando provar para mim mesma que Tiffany não pode ser a única coisa que me liga à esse lugar, que eu existo independente da existência dela.

E é durante essa procura que eu vejo algo que não tinha notado naquela sala antes.

Há uma estante perto da janela com alguns livros e decorações com plantas de plástico quase posso ter certeza de que não fui eu quem escolhi. Ali também encontro dois porta retratos, mas apenas um deles consegue despertar meu interesse. Reconheço Tiffany nele e assumo que seja uma foto consideravelmente antiga porque ali ela não tem cabelos tão longos e nem uma franja cobrindo a testa. Também há essa outra garota de cabelos castanhos, ela sorri abertamente enquanto Tiffany parece não estar ciente de que está sendo fotografada.

A outra foto é semelhante a fotos de viagens, daquelas que você tira sozinha em frente a um lugar que acha interessante, às vezes só para lembrar que você foi lá, mas essa não. É tão casual, eu poderia dizer até íntimo.

Eu me aproximo da estante e arrasto meus dedos sob a moldura que enquadra a fotografia, tento analisar os seus detalhes, procurando essa outra garota em minha lembrança, considerando a possibilidade de conhecê-la. O cabelo castanho, a marquinha perto do olho, o sorriso engraçado.

Há algo familiar ali.

Estreito o olhar um tanto intrigada, até mesmo frustrada por não encontrar nada sobre ela em minha mente. Eu não deveria me surpreender com a falta de resposta, mas não consigo evitar, desvio o olhar para a janela fechada ao meu lado, pensando. O vidro me mostra um reflexo um pouco translúcido do meu próprio rosto quando olho para ele, toco delicadamente o band-aid colorido perto do olho sentindo aquela parte ainda sensível ao toque.

Por quê?

Eu quero me perguntar.

Mas balanço a cabeça de um lado para o outro impedindo o meu subconsciente de tentar encontrar uma resposta para esses machucados porque, sem dúvida, eles são algumas das coisas mais intrigantes no meio de toda essa confusão.

Eu sei que não vou ter uma resposta.

Olho nos meus próprios olhos através do reflexo na janela e é apenas por um relance de tempo, mas o suficiente para me fazer arfar surpresa. De alguma forma eu me dou conta de que a garota de cabelos castanhos ao lado de Tiffany sou eu.

Engulo em seco voltando o olhar para o enorme sorriso que eu exibia naquela imagem e sinto minha cabeça dar voltas e mais voltas. A confusão é totalmente real.

Eu não lembro de ter tirado essa foto e esse sentimento é tão estranho, eu fecho os olhos tentando imaginar o que poderia ter acontecido naquele dia, porque é inevitável a vontade de ter essa lembrança pairando em minha mente.

A vontade de saber como é estar feliz.

É claro que eu não consigo lembrar ou sentir nada disso. Passo as mãos pelos cabelos nervosamente e olho mais uma vez para o vago reflexo na janela só para ter certeza do meu cabelo curto e loiro acinzentado.

Ele não é nada igual a foto.

Mas o cabelo não deveria ser mudança suficiente para me impedir de reconhecer minha própria aparência e só de pensar na dificuldade que eu encontrei nisso, me dá vertigem. A situação de uma hora para outra acaba de parecer ainda mais grave, como se a que eu tivesse já não fosse preocupante o bastante.

Eu apoio minhas costas na parede entre a janela e a estante e fecho os olhos por alguns segundos, deixando meu corpo escorregar lentamente até que eu esteja sentada no chão. Cubro meu rosto com as mãos esperando que a sensação passe.

No meio de todo aquele silêncio, quase consigo sentir um falso conforto, como se tudo estivesse calmo, como se tudo estivesse no seu devido lugar.

Mas isso não é verdade.

 

 

(…)

 

Eu não sei o que pensar sobre, mas começa a ficar praticamente impossível de ignorar.

Essas dores de cabeça repentinas começam a me deixar apreensiva, elas vêm do nada e somem igualmente, de uma forma que não parece nada certa ao meu ver.

Eu tento de toda forma não me preocupar com todos os problemas que eu encontro porque eles são tantos que acabam me deixando desnorteada, mas a cada momento parece que eles só crescem ao meu redor. Como se tudo que eu tocasse criasse um novo dilema a ser resolvido.

O cansaço mental é tão grande que acaba afetando, também, o meu corpo.

Cansada, eu estou cansada.

Nesse meio tempo, Tiffany finalmente sai do que eu mentalmente assumi ser um quarto. Ela passa por mim em seu caminho, mas não nos falamos. Eu sinto seu olhar me evitar e não sei como me sentir em relação à isso.

Eu quis pará-la, dizer alguma coisa, mas não consegui.

Continuo sendo covarde.

No fim daquele mesmo corredor havia algumas outras portas, dentre elas, um banheiro. Depois de pensar sobre a situação por algum tempo eu acabo decidindo que, como Tiffany sugeriu mais cedo, um banho poderia aliviar o peso que eu sinto em meu corpo.

Não iria resolver os meus problemas, mas pelo menos iria me ajudar a pensar melhor sobre eles.

Esse é o meu pensamento.

Inicialmente eu fico tão aliviada quando a água morna do chuveiro toca o meu corpo, relaxando-o, que acabo suspirando pesadamente. Fecho os olhos por alguns segundos, apenas deixando a água cair sistematicamente sobre mim.

Eu pretendo me sentir melhor com isso e pareço estar conseguindo, mas só até certo ponto.

É totalmente inesperado quando, a partir do momento em que fecho os olhos, imagens de quando eu estava correndo em meio a chuva são jogadas em minha mente. De repente, volto a ficar tensa.

Eu começo a ofegar como se tivesse corrido uma maratona, mesmo estando completamente parada debaixo da água do chuveiro. Eu posso ouvir a agitação, mesmo estando sozinha, e eu não gosto nem um pouco dessa sensação.

Isso não é nada bom.

Desligo o chuveiro declarando para mim mesma que essa foi uma péssima ideia. Eu não consigo me limpar, nem relaxar como pretendia, totalmente pelo contrário. Eu balanço a cabeça, tentando espantar a visão da noite chuvosa em minha mente, mas tudo o que consigo é ficar tonta com esse movimento.

Quando abro os olhos novamente me vejo sentada no meio alameda que meus sonhos criaram, me deixando ser encharcada pela chuva forte.

Não.

De novo não.

Ouço um trovão soar bem perto de onde eu estou e puxo a blusa que veste o meu corpo para cobrir os olhos, espero sair dali ao retirá-la de minha visão, mas isso não acontece. Claro que não acontece e eu me sinto estúpida por tentar. Tudo o que eu consigo é girar meu olhar ao redor de mim mesma, assustada com os carros parados no meio do caminho, as luzes incomuns e os olhares confusos das pessoas que me encaram naquela rua. Cada uma delas com o seu guarda-chuva, protegendo-se do tempo ruim, algumas parecendo até mais assustadas do que eu naquele momento.

Engulo em seco.

Uma dessas pessoas desce do seu carro e corre em minha direção como se não ligasse para a chuva forte molhando toda a sua roupa, e eu não entendo porquê. Os olhares sobre mim me assustam.

Não deveria haver pessoas aqui.

Eu tento me levantar.

Tento.

Eu dou um passo na alameda chuvosa só para me dar conta de que ainda estou no banheiro, e ao tentar me mover acabo tropeçando na saída do box, por muita sorte eu consigo me apoiar na parede antes que caia.

Meus olhos pesam junto com meu corpo e eu ofego ainda mais do que antes, como se toda minha energia houvesse sido retirada de mim.

Péssima idea, Taeyeon.

Péssima ideia.

Minha mente continua me repreendendo a medida que volta a me entregar imagens minhas sozinha na chuva, chorando, confusa. Balanço a cabeça outra vez, fechando os olhos fortemente.

Pare.

Eu não quero pensar nisso.

— Tiffany. – Eu tento chamá-la, não tenho ideia do porquê, mas minha voz não me ajuda.

Eu não sei o que vestir para sair dali e não quero colocar as mesmas roupas, nem sei se conseguiria nesse estado. Por isso, com alguma dificuldade, eu acabo dentro de um roupão que eu encontro pendurado ali dentro.

Eu saio do banheiro me apoiando na parede em apenas uma das mãos, uma vez que a direita ainda dói misteriosamente, e é mais como se meu pulso estivesse torcido ou quebrado do que como se eu houvesse apenas dado um jeito na mão. Eu já nem considero mais a possibilidade de isso ter acontecido por eu estar supostamente digitando.

Meu cabelo molhado pinga no chão a medida que eu me arrasto pelo corredor, lentamente.

— Droga… – Minha visão gira mais uma vez na minha frente e eu fecho os olhos, tentando não olhar para o chão, levanto a cabeça e uso os dois braços para me apoiar na parede.

Suspiro algumas vezes antes de tentar voltar a me mover.

— Taeyeon, eu vou buscar o car… – Ouço a voz confusa de Tiffany se interromper no meio da sentença e ergo o olhar para encontrá-la me encarando com o cenho franzido. – O que está f-

Dessa vez eu a interrompo.

— Eu não estou me sentindo bem. – Digo sinceramente e ela não pensa duas vezes antes de apressar seus passos em minha direção.

Ela me afasta da parede e me apoia em seu próprio corpo.

— O que aconteceu com o seu rosto? – Ela pergunta de repente tocando o local referido, talvez percebendo que eu havia tirado o band-aid antes de entrar no chuveiro e eu não entendo porque ela acha os pequenos arranhões tão preocupantes assim.

Eu não consigo responder e encontro alguma dificuldade em manter o olhar nela.

Tiffany parece notar isso e me ajuda a andar, lentamente. Primeiro eu penso que ela está me arrastando para a sala, por isso me surpreendo quando ela abre a porta do, agora confirmado, quarto apenas há alguns passos de onde estávamos.

Quando nos aproximamos da cama de casal ela pega minha mão para me ajudar a deitar, e é um aperto tão firme na mão direita que eu sinto lágrimas em meus olhos. — Por favor, n-não aperta…

Eu deito um tanto relutante e Tiffany me olha sem saber o que fazer, ela encara minha mão preocupadamente, parecendo só ter notado agora as manchas avermelhadas na base do pulso.

— Taeyeon, me diga o que aconteceu. – Ela pede e é quase como se estivesse me implorando.

Tiffany senta na cama ao meu lado e pega meu rosto com uma das mãos, fazendo uma careta, como se eu devesse estar sentindo algum tipo dor. De fato, eu estava, mas não aí.

— Por que está tão preocupada com isso? – tento me desvencilhar do seu toque, mas ela não deixa, insistindo em cutucar a minha bochecha. – É só um arranhão.

Ela arfa como se eu estivesse lhe dizendo um absurdo.

— Como é só um arranhão, Taeyeon? Isso não estava sangrando assim antes. – Eu abro a boca para dizer alguma coisas, mas nenhuma das palavras que eu conheço parece fazer sentido na hora de respondê-la. – Você caiu no banheiro ou coisa assim?

Acabo franzindo o cenho sem entender o que ela quer dizer com isso.

Toco onde deveria estar o suposto corte e minha mão volta com alguns vestígios de sangue, realmente sangue. E, de alguma forma, minha mente confusa não me permite ficar assustada com isso.

Tiffany vê surpresa em meu rosto e não entende como posso não saber de onde o machucado saiu, tanto quanto eu não entendo. Se eu houvesse me machucado novamente eu saberia.

Eu saberia?

Eu…

— Eu… não. Só me sinto tonta. – Passo a mão esquerda pelo rosto e acabo fechando os olhos ao sentir algumas pontadas de dor na testa. – Minha cabeça dói tanto.

Fecho os olhos, também, na tentativa de evitar seu olhar.

A verdade é que eu quero chorar, mas de frustração porque eu não sei como assimilar tudo o que está acontecendo. Nada faz sentido na minha cabeça e eu não sei como escapar disso, toda essa situação é uma droga.

— Você está me deixando preocupada. – Tiffany levanta da cama determinada a fazer algo a respeito, posso saber disso antes mesmo dela continuar sua fala. – Eu vou buscar o carro e vou te levar no hospital.

Ela fala essa última frase tão rápido que sua preocupação e nervosismo ficam claros como vidro em sua voz.

— Não. – Seguro sua mão antes que ela me dê as costas e ela se volta pra mim com a preocupação gritando dentro de seu ser quando seu olhar encontra o meu. – Não me deixe sozinha.

Eu peço, porque não acho que vou conseguir ficar sem ela nessa situação.

Minha mente confusa repete isso constantemente, lembrando-me de que ela é a única parte disso tudo que faz sentido e também a única que pode tentar me entender, tentar me ajudar. Eu sei que preciso dela.

Sei que preciso dela perto de mim.

Eu tenho esse sentimento ruim só de pensar nela se afastando, eu não entendo, mas aperto sua mão.

— Me desculpa p-por ter brigado com você. –Sinto uma ou duas lágrimas molharem o meu rosto sem aviso, além de preocupação o olhar de Tiffany agora me mostra surpresa. – Não vá.

Ela faz menção de protestar, mas sua voz não vem e eu sei que o que eu disse a atingiu de alguma forma.

— Eu… – ela tenta e logo completa. – Você não está bem, Taeyeon.

O aperto de Tiffany é inseguro, mas sua mão é quente sobre a minha e isso é o suficiente para me trazer um pouco de confiança, não sei se apenas uma ilusão dela, mas eu a tenho e é o que importa.

— Eu vou ficar. – Tento soar convincente, mas a dor de cabeça fazendo caretas em meu rosto não ajuda em nada.

Tiffany percebe, mas não comenta sobre isso. Seu olhar viaja do meu rosto até nossas mãos ainda em contato uma com a outra, ela suspira relutante, mas acaba me soltando.

— Me deixa ao menos procurar um remédio pra essas dores.

Eu sei que ela está fazendo mais um comunicado do que um pedido, por isso eu apenas fecho os olhos, tentando acalmar os meus pensamentos da agitação de minutos atrás. Eu tento de toda forma afastá-los por que só a ideia deles me assusta.

Eu não vejo, mas ouço os passos de Tiffany se afastarem rapidamente e eu deduzo que ela saiu do quarto.

Minha cabeça dói como o inferno, eu mal consigo me mover sem piorá-la de alguma forma. Passo a mão pelos cabelos molhados e não sei onde encontro tempo para me sentir culpada por estar deitada na cama com ele assim.

Ela acaba voltando um pouco mais rápido do que eu esperava fazendo-me suspeitar que ela tenha corrido em alguma parte do caminho. Tiffany senta novamente na cama, de frente para mim e me entrega um comprimido me ajudando a levantar a cabeça para tomar água logo em seguida.

Pensei que fossem as únicas coisas que ela havia trazido, isso até ela começar a limpar o meu rosto com alguns pedaços de papel higiênico. Eu quero dizer que posso fazer isso, mas ela fala no meu lugar.

— Eu não entendo. – Ela aproxima o olhar do meu rosto e aperta gentilmente alguns partes, fazendo-me gemer de dor. Ela parece notar meu olhar curioso lhe questionando e logo completa. – O corte não está aberto, esse sangue todo não faz sentido.

Ela diz ainda preocupada, mas esse arranhão é a última coisa que me importa.

— Não se preocupe com isso. – Resmungo, tirando sua mão de meu rosto.

Um silêncio estranho paira entre nós.

Surpreendentemente, isso me deixa tímida. Desvio o olhar do seu e sinto-a tocar minha testa por baixo da franja molhada. Eu deduzo que ela queira conferir se estou com febre e aparentemente não estou, uma vez que ela apenas volta a me observar.

Seu olhar sobre mim é tão hesitante, me pergunto se é apenas preocupação ou se ela ainda está desconfortável por causa da nossa discussão.

Eu quero perguntar e o faço.

— Você… ainda está com raiva de mim? – Mordo o canto do lábio e Tiffany franze o cenho, ela não espera que eu lhe fale algo assim.

Isso me leva a perguntar se eu me importaria em perguntar algo assim se ainda tivesse todas as minhas memórias, o pensamento pesa em minha mente, começo a me sentir enjoada.

Eu não me importaria de estarmos brigadas?

— O que houve com você, Taeyeon? – Ela não me responde e se aproxima mais de mim na cama, tanto que eu posso sentir seu calor tocar meu corpo. – Você esteve agindo estranha o dia todo, tão desligada… mais que nos outros dias, quero dizer.

Eu não sei se tentar explicar novamente é uma boa ideia.

— Eu não quero que a gente brigue… – Nego com a cabeça também.

— Nós não vamos, eu só estou tentando te entender.

Eu penso em qualquer outra coisa para dizer e não acabar preocupando-a mais ainda e não encontro nada. Não sei como conversar com ela, como poderia fazê-la acreditar em outra coisa e isso não me dá outros caminhos.

Suspiro pesadamente.

— Eu não sei se... eu conheço você, Tiffany. – Eu falo, tão baixo, tão incerta sobre começar esse assunto novamente, mas eu não sei mais o que tentar.

Meu olhos procuram os seus com expectativa e o que sai de seus lábios não passa de um sussurro.

— Em que... Sentido…

Talvez ela também não entenda porque eu quero falar disso outra vez, eu quero pensar dessa forma também, mas eu sei porque eu estou fazendo isso.

Estou fazendo porque preciso dela.

— Eu não lembro de ter te conhecido. – Vejo-a se remexer onde está sentada perto de mim, desconfortável, eu lembro de quando ela tentou me fazer falar sobre isso "ontem", da forma que ela segurou minha mão antes de me dar a certeza de seu nome. Pego a sua mão com uma delicadeza que não foi calculada. – Eu não tenho certeza nem mesmo de quem eu sou.

Mordo os lábios quando ela me devolve silêncio.

Tiffany permanece em silêncio encarando minha mão na sua por longos dois minutos que parecem a eternidade para mim. Ela está pensando e eu sei que quer acreditar em mim ao mesmo tempo que não quer. Eu sei que não faz sentido o que eu estou tentando lhe dizer.

Talvez ela ache que estou delirando.

— Você não sabe quem eu sou? – Sua voz invade meus sentidos e não é como uma pergunta exatamente para mim, mas para ela mesma.

Eu continuo insegura, tento escolher as palavras em minha mente confusa, mas todo o meu planejamento some quando seu olhar volta ao meu. Ela espera uma resposta de mim.

— Eu sei q-que você é Tiffany… sei que você é importante pra mim, mas ainda não sei dizer como. – Eu tento ser sincera.

Um longo suspiro escapa de seus lábios e ela parece tão insegura quanto eu. Tiffany me solta para passar as mãos pelos cabelos nervosamente, pensando, tentando acreditar em minhas palavras. Estamos chegando a alguma conclusão.

É só o que consigo pensar.

— Isso não está certo… – ela me olha sacudindo a cabeça negativamente antes de completar – Quero dizer, como algo assim pode acontecer?

"Essa é uma boa pergunta", eu quase digo para ela, eu também não sei.

— Eu simplesmente acordei e percebi não lembrava mais. – Pisco algumas vezes sentindo meus olhos pesarem sob o efeito do cansaço, talvez até do medicamento também, passo a mão pelo rosto tentando não fecha-los. – Eu estou t-tão assustada.

Realmente estou, depois do que aconteceu hoje eu não sei se consigo mais levar esses dilemas adiante sem recorrer a alguém que me ajude a entender o motivo disso estar acontecendo. Uma forma de parar.

— Você agiu diferente hoje o tempo todo… – ela diz, parecendo ligar os pontos para uma conclusão. – Não parecia você.

Eu quase digo "ontem também" antes de lembrar que esse ontem só existiu para mim.

— Eu sinto muito. – Sussurro, fechando os olhos quase involuntariamente antes de voltar a abrir.

Ela torce os lábios inconformada e parece notar a minha luta interna.

— Nós vamos falar sobre isso mais tarde. – Tiffany toca meu rosto suavemente, sua mão quente me trazendo boas sensações, suspiro. – Você se agitou muito, durma um pouco.

Eu tento protestar, mas meu corpo está tão cansado que me deixa lenta até para isso. Os lábios de Tiffany me calam antes que eu possa dizer alguma coisa, é apenas um selinho no canto da boca, mas isso mostra que ela me entende de alguma forma. Ao menos não acha que é uma brincadeira.

Talvez nenhuma dessas coisas, talvez ela só se importe comigo.

Isso me conforta, porque agora eu tenho uma saída para toda essa confusão de sentimentos e lembranças.

Eu não quero mais estar confusa.

Eu quero que isso pare.

 

 


Notas Finais


Está na hora de começar a prestar atenção nos detalhes sutis porque a história é essencialmente confusa.

Me deixem saber se estiver confusa de um jeito ruim, questionem à vontade.

Até a próxima.


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