História After - Camren - Capítulo 17


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Categorias Fifth Harmony
Personagens Camila Cabello, Dinah Jane Hansen, Lauren Jauregui, Personagens Originais
Tags After, Camila Cabello, Camren, Dinah Jane, Lauren Jauregui
Exibições 306
Palavras 1.687
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Romance e Novela, Violência
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 17 - 16


  “Desafio”, Camila responde antes mesmo que eu pergunte. Seus olhos castanhos se fixam em mim com uma intensidade que revela que quem está sendo desafiada sou eu.

  Fico sem reação, sem saber o que pensar, pois não esperava isso. O que poderia desafiá-la a fazer? Sei que faria qualquer coisa para não se sentir diminuído por mim.

  “Eu… hã… desafio você a…”

  “A fazer o quê?”, Camila questiona, impaciente. Quase peço para ela dizer alguma coisa simpática sobre cada um do grupo, mas acabo desistindo, por mais divertido que pudesse ser.

  “Tira a camisa e só ponha de volta depois que a brincadeira acabar!”, grita Molly, para minha alegria. Não porque Camila vá ficar sem camisa, claro, mas porque não preciso sugerir mais nada, e isso tira a pressão de ter que dar ordens a ela.

  “Que criancice”, ela reclama, mas tira a camisa pela cabeça. Contra minha vontade, meus olhos percorrem seu tronco, observando as tatuagens que cobrem sua pele surpreendentemente bronzeada. Sob os pássaros desenhados acima de seus seios, há uma árvore na barriga, com galhos desfolhados assustadores. A parte superior de seus braços tem ainda mais tatuagens do que eu esperava, e imagens e figuras pequenas e aparentemente aleatórias se espalham por seus ombros e sua cintura. Dinah me dá um cutucão e desvio o olhar, torcendo para que ninguém mais tenha percebido a maneira como eu a encarava.

  A brincadeira continua. Molly beija Tristan e depois Zed. Dinah conta sobre sua primeira vez que fez sexo. Nate beija a outra menina.

  Como vim parar no meio desse grupo de roqueiros universitários incapazes de controlar seus impulsos?

  “Lauren, verdade ou desafio?”, pergunta Tristan.

  “Precisa perguntar? Todo mundo sabe que ela vai dizer verdade…”, provoca Camila.

  “Desafio”, respondo, surpreendendo até a mim mesma.

  “Humm… Lauren, desafio você a… beber uma dose de vodca”, Tristan diz com um sorriso.

  “Eu não bebo.”

  “Por isso é que é um desafio.”

  “Escuta só, se você não quiser fazer…”, Nate começa a dizer, e eu vejo que Camila e Molly estão rindo de mim.

  “Certo, uma dose”, respondo. Fico pensando que Camila provavelmente vai fazer mais uma de suas caretas de desprezo, mas o olhar que vejo em seu rosto é um tanto estranho.

  Alguém me entrega a garrafa de vodca. Para meu azar, encosto o nariz no gargalo e sinto o cheiro forte da bebida, que queima minhas narinas. Torço o nariz, tentando ignorar as risadinhas ao redor. Tento também não pensar na quantidade de bocas por que aquela garrafa passou antes de chegar até mim, e a inclino levemente para dar um gole. A vodca desce queimando desde minha boca até meu estômago, mas consigo engolir. O gosto é horrível. O grupo aplaude e ri um pouquinho — todo mundo menos Camila. Se não a conhecesse, pensaria que está brava ou desapontada. Ela é muito estranha.

  Depois de um tempinho, sinto meu rosto ficar quente e, em seguida, o álcool se espalha pelas minhas veias à medida que me desafiam a tomar dose após dose. Eu aceito, e tenho de admitir que consigo relaxar pela primeira vez em muito tempo. Estou me sentindo bem. Em meio àquela sensação, tudo parece mais fácil. As pessoas ao redor parecem mais divertidas do que antes.

  “O mesmo desafio”, Zed diz dando risada, e dá um gole na bebida antes de passar a garrafa para mim pela quinta vez. Já nem me lembro mais das verdades e dos desafios das últimas rodadas. Dessa vez dou dois grandes goles na vodca antes de a garrafa ser arrancada da minha mão.

   “Acho que você já bebeu o suficiente”, diz Camila, e passa a garrafa para Nate, que dá mais um gole.

  Quem Camila Cabello pensa que é para me dizer se já bebi o suficiente? Está todo mundo bebendo, então eu também posso. Pego a garrafa da mão de Nate e bebo mais um pouco, dando um sorrisinho para Camila antes.

  “Não acredito que você nunca bebeu antes, Lauren. É divertido, não?”, comenta Zed, e dou uma risadinha. Os sermões da minha mãe sobre condutas irresponsáveis me vêm à cabeça, mas não dou atenção a eles. É só por uma noite.

  “Camila, verdade ou desafio?”, pergunta Molly. Ela responde “desafio”, obviamente.

  “Desafio você a beijar Lauren”, ela diz com um sorriso forçado.

  Os olhos de Camila ficam arregalados e, apesar de o álcool tornar tudo mais interessante, sinto vontade de sair correndo dali.

  “Não, eu tenho namorado”, respondo, fazendo todo mundo cair na gargalhada pela centésima vez na noite. O que estou fazendo aqui com essas pessoas que só sabem rir de mim?

  “E daí? É só um desafio. Beija logo”, pressiona Molly.

  “Não, eu não vou beijar ninguém”, protesto, e me levanto. Sem nem olhar para mim, Camila dá mais um gole da bebida em seu copo. Espero que esteja se sentindo ofendido. Na verdade, tanto faz. Cansei de me preocupar com o que ela pensa. Camila me odeia e é uma tremenda grosseirona.

  Quando fico de pé, o efeito do álcool se revela por inteiro. Saio cambaleando, mas consigo me recompor e me afastar do grupo. De alguma forma, consigo atravessar a multidão e chegar até a porta. Assim que saio da casa, sinto a brisa de outono no rosto. Fecho os olhos e inspiro uma boa lufada de ar fresco antes de ir sentar na já conhecida mureta de pedra. Sem nem me dar conta do que estou fazendo, já estou com o celular na mão, ligando para Noah.

   “Alô?”, ele atende. O som familiar de sua voz e a vodca no meu organismo fazem com que eu sinta ainda mais saudades dele.

  “Oi… gato”, respondo, e me sento, trazendo os joelhos junto ao peito.

  Ficamos em silêncio por um momento. “Lauren, você está bêbada?” Pelo tom de voz, dá para notar que Noah está me julgando. Eu não devia ter ligado.

  “Não… claro que não”, minto, e encerro a ligação. Em seguida, desligo o celular. Não quero que Noah ligue de volta. Ele está arruinando a sensação boa proporcionada pela vodca, ainda mais do que Camila.

   Volto cambaleando lá para dentro, ignorando os assobios de uns universitários bêbados. Apanho uma garrafa com uma bebida marrom no balcão da cozinha e dou um gole exagerado. O gosto é ainda pior que o da vodca, e minha garganta fica queimando. Minhas mãos saem à procura de alguma coisa para tirar aquele sabor da minha boca. Acabo abrindo um dos armários e pegando um copo de vidro, que encho com água da torneira, o que ajuda um pouco com a queimação, mas não muito. Abrindo caminho em meio à multidão, vejo que meu grupo de “amigos” ainda está sentado em um círculo, fazendo aquela brincadeira idiota.

  Aqueles são mesmo meus amigos? Acho que não. Eles só me querem por perto para ficar rindo da minha inexperiência. Como Molly teve a audácia de dizer a Camila para me beijar? Ela sabe que tenho namorado. Ao contrário dela, não saio por aí beijando todo mundo. Só beijei dois garotos na minha vida, Noah e Johnny, um menino sardento que estudava comigo no terceiro ano e me deu um chute na canela depois do beijo. Será que Camila teria topado o desafio? Duvido. Os lábios delas são rosados e carnudos. Na minha cabeça surge uma imagem de Camila se inclinando na minha direção para me beijar. Meu coração dispara dentro do peito.

  O que está acontecendo? Por que estou pensando nela dessa forma? Nunca mais vou beber.

  Alguns minutos depois, a sala começa a girar, e eu me sinto tonta. Meus pés me levam para o banheiro do andar de cima, e eu me sento diante do vaso, achando que vou vomitar. Nada acontece. Solto um resmungo e me levanto. Quero voltar para o alojamento, mas sei que Dinah só vai estar em condições de fazer isso daqui a algumas horas. Eu não devia ter vindo. De novo.

  Antes de me dar conta do que estou fazendo, abro a porta do único cômodo que considero até certo ponto familiar naquela casa imensa. O quarto de Camila se abre para mim sem resistência. Ela diz que sempre mantém a porta trancada, mas não parece ser bem assim. Está tudo como da outra vez, a única diferença é que o chão está se mexendo sob meus pés instáveis. O morro dos ventos uivantes não está mais na prateleira, mas o encontro sobre o criado-mudo, ao lado de Orgulho e preconceito. Os comentários de Camila a respeito do romance se repetem dentro da minha cabeça. Ela claramente já o leu — e o entendeu —, o que é raro entre as pessoas da nossa idade. Talvez ela tenha sido obrigado a ler por causa de um trabalho escolar. Mas por que o exemplar de O morro dos ventos uivantes não está na prateleira? Apanho o livro e sento na cama, abrindo-o na metade. Meus olhos percorrem as páginas, e o quarto para de girar.

  Estou tão perdida no mundo de Catherine e Heathcliff que não ouço quando a porta é aberta.

  “Que parte de ‘ninguém pode ficar no meu quarto’ você não entendeu?”, esbraveja Camila. Sua expressão furiosa me assusta, mas por algum motivo também me diverte.

  “D-desculpe. Eu…”

  “Sai daqui”, ela ordena, e faço uma careta. A vodca ainda está fazendo efeito, pelo menos o suficiente para eu não permitir que Camila me trate daquela maneira.

  “Por que você precisa ser tão babaca?”, rebato em um tom muito mais alto do que pretendia.

  “Você está no meu quarto outra vez, mesmo depois de eu ter dito que não quero você aqui. Então se manda!”, ela grita, chegando mais perto.

  Com Camila parada na minha frente, irritada, exalando desprezo e fazendo com que eu me sinta a pior pessoa do mundo, alguma coisa dentro de mim se transforma. Deixando de lado a compostura, faço a pergunta que ronda minha mente há um tempo, mas que não tinha coragem de encarar:

  “Por que você não gosta de mim?”, exijo saber, olhando-a nos olhos.

  É um questionamento justo, mas, para ser sincera, não sei se meu ego ferido aguenta ouvir a resposta



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