História After - Camren - Capítulo 18


Escrita por: ~

Postado
Categorias Fifth Harmony
Personagens Camila Cabello, Dinah Jane Hansen, Lauren Jauregui, Personagens Originais
Tags After, Camila Cabello, Camren, Dinah Jane, Lauren Jauregui
Exibições 312
Palavras 1.726
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Romance e Novela, Violência
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 18 - 17


    Camila me dá uma encarada agressiva, mas ao mesmo tempo insegura. “Por que está me perguntando isso?”

  “Sei lá… porque sempre fui legal com você, e você só me trata mal.” Em seguida acrescento: “E achei que poderíamos ser amigas…”. Essa frase soa tão idiota que aperto meu nariz com força com o indicador e o polegar enquanto espero sua resposta.

   “Nós duas? Amigas?” Ela dá risada e joga as mãos para cima. “Não está na cara por que não podemos ser amigas?”

  “Pra mim, não.”

  “Bom, pra começar, você é certinha demais… Deve ter sido criada em uma daquelas famílias ideais, em uma casa igual a todas as outras do bairro. Seus pais deviam comprar tudo o que você queria e nunca deixaram faltar nada. E aquelas saias de prega… Fala sério, quem ainda usa isso aos dezoito?”

  Fico de queixo caído. “Você não sabe nada sobre mim, sua babaca arrogante! Minha vida não é nada disso! Meu pai é um alcoólatra que foi embora de casa quando eu tinha dez anos, minha mãe teve que se matar de trabalhar para eu poder entrar na faculdade, e eu arrumei um emprego assim que fiz dezesseis anos para ajudar a pagar as contas. E eu gosto, sim, das minhas roupas… sinto muito se não me visto como uma piranha, como as outras meninas que você conhece! Para alguém que faz tanta questão de ser diferente, você é bem preconceituosa com pessoas que não são como você!”, grito, sentindo as lágrimas se acumularem nos meus olhos.

  Eu me viro para que Camila não tenha a satisfação de me ver assim, mas percebo que ela está com os punhos cerrados. Como se sentisse raiva.

  “Quer saber, Camila, não quero ser sua amiga”, digo antes de pôr a mão na maçaneta da porta. A vodca, que me dá mais coragem, também torna mais aguda a tristeza de uma situação como essa.

  “Aonde você vai?”, ela pergunta. Tão imprevisível. Tão geniosa…

  “Pegar o ônibus pra voltar pro meu quarto e nunca mais pôr os pés aqui. Estou cansada de tentar ser amiga de vocês.”

  “Está muito tarde pra pegar o ônibus sozinha.”

  Eu me viro para encará-la. “Por acaso faz diferença para você se vai ou não acontecer alguma coisa comigo?” Dou risada. Não consigo entender aquelas mudanças de tom.

  “Não estou dizendo que faz… só estou avisando. Não é uma boa ideia.”

  “Bom, Camila, não tenho outra opção. Está todo mundo bêbado… inclusive eu.”

  Nesse momento as lágrimas começam a rolar. Sinto-me mais humilhada do que nunca porque, de todas as pessoas no mundo, é Camila quem está me vendo chorar.

  “Você sempre chora em festas?”, ela pergunta baixando um pouco a cabeça, com um sorrisinho no rosto.

  “Pelo jeito, sim, ou pelo menos quando encontro você. Como estava nas duas únicas que fui…”, respondo, já abrindo a porta.

  “Michelle”, ela diz tão baixinho que quase nem ouço. A expressão em seu rosto é indecifrável. O quarto começa a girar, e eu me seguro em uma cômoda perto da porta. “Está tudo bem?”, ela quer saber. Faço que sim com a cabeça, apesar de estar tonta. “Por que você não senta um pouco antes de ir pegar o ônibus?”

  “Pensei que ninguém podia ficar no seu quarto”, digo antes de sentar no chão.

  Solto um soluço, e ela me avisa imediatamente: “Se você vomitar aqui…”.

  “Acho que preciso beber água”, falo, e começo a me levantar.

  “Toma”, ela diz, pondo a mão no meu ombro e me entregando seu copo vermelho.

  Reviro os olhos e afasto o copo. “Eu disse água, não cerveja.”

  “Isso é água. Eu não bebo”, ela diz.

  Um barulho no meio do caminho entre um suspiro e uma risada escapa da minha boca. Nem acredito que Camila não bebe. “Que ironia. Mas você não vai querer ficar aqui de babá, né?” No estado patético em que estou, só quero ficar sozinha. O efeito da bebida está passando, fazendo com que eu me sinta culpada pela maneira como falei com ela. “Você desperta o que existe de pior em mim”, murmuro, apesar de não querer dizer isso. “Agora você pegou pesado”, ela falou, em um tom bem sério.

   “Mas, sim, vou ficar aqui de babá. Você está bêbada pela primeira vez na vida e tem mania de mexer nas minhas coisas quando não estou por perto.” Ela se senta na cama e estica as pernas. Pego o copo com água e dou um gole. Sinto um gosto de menta na borda do copo e me surpreendo perguntando a mim mesma qual seria o sabor da boca dela. Em seguida a água dilui o álcool no meu estômago, e o fervor diminui um pouco.

  Minha nossa, nunca mais vou beber de novo, lembro a mim mesma, sentada no chão.

  Depois de alguns minutos em silêncio, Camila finalmente resolve falar. “Posso fazer uma pergunta?”

  O olhar em seu rosto me diz para responder “não”, mas o quarto ainda não está totalmente imóvel, e acho que conversar um pouco vai me ajudar a recuperar o foco. “Claro.”

  “O que você quer fazer depois da faculdade?”

  Nesse momento eu a vejo com novos olhos. Aquela era a última pergunta que eu esperava. Pensei que fosse querer saber por que ainda sou virgem ou por que não bebo.

  “Bom, quero ser escritora ou editora, o que acontecer primeiro.” Provavelmente não é uma boa ideia me abrir com ela, porque isso pode acabar se voltando contra mim. Mas, como ela não diz nada, tomo coragem e faço a mesma pergunta, recebendo em troca uma revirada de olhos e nenhuma resposta.

  Por fim, apesar de saber que é inútil puxar conversa, decido perguntar: “Esses livros são seus?”.

  “São”, ela murmura.

  “Qual é seu favorito?”

  “Não faço listas.”

  Solto um suspiro e fico mexendo em um fiapo na minha calça.

  “O seminarista sabe que você saiu de novo?”

  “Seminarista?”, pergunto, olhando para ela, sem entender.

  “Seu namorado. O maior bobalhão que já vi na vida.”

  “Não fale assim, ele é… ele é… bonzinho”, respondo, hesitante. Camila cai na risada, e eu me levanto. Ela não sabe nada sobre Noah. “Você jamais conseguiria ser como ela”, faço questão de acrescentar.

  “Bonzinho? Essa é a primeira coisa que vem à sua cabeça quando fala do seu namorado? É só uma forma educada de dizer que ele é chato.”

  “Você não sabe nada sobre ele.”

  “Bom, que ele é chato eu sei. Dá pra dizer isso só de olhar pro cardigã e o mocassim que ele usa.” Camila cai na gargalhada, e suas covinhas imediatamente chamam minha atenção.

  “Ele não usa mocassim”, respondo, mas preciso pôr a mão na boca para não rir do meu próprio namorado. Dou mais um gole na água.

  “Bom, se vocês namoram há dois anos e ele ainda não comeu você, está na cara que é um trouxa.”

  Cuspo a água de volta no copo. “O que foi que você disse?” Quando começamos a nos entender, ela solta uma dessas…

  “Você ouviu o que eu disse, Michelle.” O sorriso no rosto dela é cruel.

  “Você é uma cretina, Camila”, falo com um grunhido e arremesso sobre ela o copo pela metade. Sua reação é a esperada: perplexidade absoluta. Enquanto enxuga o rosto, faço força para ficar de pé, apoiando-me na prateleira. Alguns livros caem no chão, mas nem dou bola e saio do quarto. Desço a escada com passos cambaleantes e vou abrindo caminho pela multidão que lota a cozinha. A raiva que sinto é maior que o mal-estar, e só quero tirar a imagem do sorrisinho presunçoso de Camila da minha cabeça. Consigo localizar os cabelos pretos de Zed na outra sala e vou até o local onde ele está sentado com outro menino bonito.

  “Oi, Lauren, esse é meu amigo Logan”, Zed nos apresenta.

  Logan sorri para mim e me oferece a garrafa que está segurando. “Quer um pouco?”, ele diz antes de passá-la para mim. A queimação produz uma sensação boa, reanimando meu corpo, e por ora me esqueço de Camila.

  “Você viu Dinah?”, pergunto, mas Zed faz que não com a cabeça.

  “Acho que ela foi embora com Tristan.”

  Ela foi embora? Como assim? Deveria ficar mais preocupada, mas a vodca altera meu juízo, e me pego pensando que ela e Tristan formam um belo casal. Alguns goles depois, estou me sentindo ótima.

  Deve ser por isso que as pessoas bebem o tempo todo. Eu me lembro vagamente de ter jurado a mim mesma que ficaria longe do álcool para sempre, mas no fundo não é tão ruim assim.

  Quinze minutos depois, estou rindo tanto com Zed e Logan que minha barriga dói. Eles são uma companhia muito melhor do que Camila. “Vocês sabem que Camila é uma babaca, né?”, digo a eles, que abrem um sorriso largo.

  “É, às vezes ela é mesmo”, admite Zed, passando os braços em torno de mim. Sinto vontade de me mover para me livrar de seu toque, mas sei que vai parecer estranho, já que para ele foi um gesto natural, sem segundas intenções. Pouco depois a multidão começa a se dispersar, e o cansaço bate com força. É quando me dou conta de que não tenho como voltar para o campus.

  “Os ônibus circulam a noite toda?”, pergunto de repente. Zed dá de ombros, e nesse exato momento os cabelos ondulados de Camila aparecem diante de mim.

  “Você e o Zed, então?” A voz dela sai carregada de um sentimento que não consigo identificar exatamente.

  Eu me levanto e passo por ela, que me segura pelo braço. A sujeita não tem limites. “Me larga, Camila.” Procurando outro copo para jogar na cara dela, digo: “Só estou tentando descobrir como voltar de ônibus”.

  “Desencana… são três da manhã. Não tem mais ônibus. Seu recém-descoberto gosto pela bebida fez com que ficasse presa aqui.” O brilho em seus olhos quando diz isso é tão zombeteiro que me dá vontade de bater nela. “A não ser que você queira ir pra casa com Zed…”

  Quando ela solta meu braço, volto para o sofá com Zed e Logan, porque sei que isso vai irritá-la. Depois de ficar parada por um momento balançando a cabeça, ela vira as costas, bufando. Na esperança de que o quarto em que dormi na semana passada esteja vago, peço que Zed vá comigo lá para cima para tentar encontrá-lo.


Notas Finais


Mais tarde tem mais :)


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...