História AFTER / Depois da Verdade • Camren - Capítulo 25


Escrita por: ~

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Categorias Camila Cabello, Fifth Harmony
Personagens Ally Brooke, Camila Cabello, Dinah Jane Hansen, Lauren Jauregui, Normani Hamilton, Personagens Originais
Tags After, Camila Cabello, Camren, Depois Da Verdade, Lauren Jauregui
Visualizações 303
Palavras 3.929
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Romance e Novela
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 25 - Vinte e Quatro


CAMILA 


Quando chegamos à sala, a mãe de Lauren está sentada no sofá com o cabelo molhado preso num coque. Parece bem jovem para a idade, e muito bonita.

“A gente devia alugar uns filmes, e eu posso preparar um jantar!”, exclama ela. “Você não sente falta da minha comida, docinho?”

Lauren revira os olhos e dá de ombros. “Claro. Melhor cozinheira do mundo.”

Isso não poderia ser mais estranho.

“Ei! Não sou tão ruim assim.” Ela ri. “E acho que com isso você acabou de assumir o papel de responsável pela cozinha esta noite.” Me mexo de um lado para o outro, pouco à vontade, sem saber como lidar com Lauren
quando não estamos juntas ou brigando.

É uma novidade para nós, mas de repente me dou conta de que se trata de um padrão: Patrícia e Mike acharam que estávamos namorando antes de o namoro começar de verdade.

“Você sabe cozinhar, Mila?”, pergunta Clara, quebrando minha linha de raciocínio. “Ou é Lauren que cozinha?”

“Hã, nós duas cozinhamos. Talvez eu ‘prepare’ mais do que cozinhe”, respondo.

“Bom saber que você está cuidando da minha menina. E este apartamento é tão bom. Imagino que seja Mila quem faz a limpeza”, brinca ela.

Não estou “cuidando da menina dela”, já que é isso que ela está perdendo por me magoar.

“Pois é… ela é uma porquinha”, respondo.

Lauren me olha com um pequeno sorriso nos lábios. “Não sou uma porquinha, ela é que tem mania de limpeza.” Reviro os olhos.

“Ela é uma porquinha”, Clara e eu dizemos em uníssono.

“A gente vai ver um filme ou vocês vão ficar pegando no meu pé a noite toda?” Lauren faz um bico.

Sento antes de Lauren para não ter que tomar a decisão desconfortável sobre onde ficar. Ela fica olhando para o sofá, silenciosamente pensando no que fazer. Depois de um tempo, ela senta ao meu lado, e sinto o calor familiar de sua proximidade.

“O que vocês querem ver?”, sua mãe pergunta.

“Não importa”, responde Lauren.

“Você pode escolher”, tento suavizar sua resposta.

Ela sorri para mim e escolhe Como se fosse a primeira vez, um filme que tenho certeza de que Lauren vai odiar.

E não dá outra — assim que começa, Lauren reclama. “Este filme é mais velho que a minha vó.”

“Shhh”, eu faço, e Lauren bufa, mas fica quieta.

Enquanto Clara e eu rimos e suspiramos com o filme, percebo Lauren me olhando vez ou outra. Na verdade, estou me divertindo e, por alguns momentos, quase me esqueço de tudo o que aconteceu entre nós. É difícil não me encostar nela, não tocar suas mãos, não ajeitar seu cabelo quando ele cai em sua testa.

“Estou com fome”, ela murmura quando o filme termina.

“Por que você e Mila não cozinham alguma coisa, já que estou vindo de uma viagem tão longa?”. Clara sorri.

“Você está mesmo se aproveitando dessa história da viagem, hein?”, Lauren diz a ela.

Clara balança a cabeça com um sorriso irônico que já vi no rosto de Lauren algumas vezes.

“Tudo bem, eu posso cozinhar”, me ofereço, levantando do sofá. Entro na cozinha e me apoio na bancada. Me seguro à beirada de mármore com mais força do que o necessário,
tentando recuperar o fôlego.

Não sei por quanto tempo mais posso fazer isso, fingir que Lauren não estragou tudo, fingir que sou apaixonada por ela. Mas eu sou, desesperadamente.

O problema não são meus sentimentos por essa menina mal-humorada e egoísta. O problema é
que já dei chances demais a ela, apesar das coisas odiosas que diz e faz. Mas dessa vez ela foi longe demais.

“Lauren, seja gentil e ajude a Camila”, ouço Clara dizer e corro para o congelador para fingir que não estava tendo um pequeno colapso.

“Hã… Posso ajudar?” A voz dela atravessa a pequena cozinha.

“Tudo bem”, respondo.

“Picolé?”, pergunta ela, e olho para o objeto em minhas mãos. Queria ter tirado um frango do congelador, mas acho que me distraí.

“É. Todo mundo gosta de picolé, certo?”, respondo, e ela sorri, revelando suas covinhas malignas.

Eu consigo. Posso ficar perto de Lauren. Posso ser civilizada com ela, e a gente pode se dar bem.

“Você devia fazer aquele macarrão com frango que fez para mim”, sugiro.
Seus olhos verdes se concentram em mim.

“É isso que você quer?”

“É. Se não for muito trabalho.”

“Claro que não.”

“Você está tão estranha hoje”, sussurro para que nossa hóspede não ouça.

“Não estou, não.” Ela encolhe os ombros e caminha na minha direção.
Meu coração dispara quando ela se aproxima. Dou um passo para o lado, e ela abre a porta do congelador.

Achei que fosse me beijar. Qual o problema comigo?

Preparamos o jantar em quase completo silêncio, sem saber o que dizer. Meus olhos a observam o tempo todo, o modo como seus dedos compridos envolvem o cabo da faca para cortar o frango e os legumes, o jeito como ela fecha os olhos quando o vapor da água fervente atinge seu rosto e como sua língua limpa o canto da boca quando prova o molho. Sei que observá-la assim me impede de ser imparcial e não é nem um pouco saudável, mas não consigo evitar.

“Vou pôr a mesa. Avisa à sua mãe que está pronto”, digo quando ela finalmente termina.

“O quê? É só gritar para ela vir.”

“Não, que falta de educação. Vai lá chamar”, repreendo.

Lauren revira os olhos, mas me obedece, só para voltar segundos depois, sozinha.

“Dormiu”, ela informa.

Eu a ouvi, mas ainda assim pergunto: “O quê?”.

“Pois é, desmaiou no sofá. Chamo mesmo assim?”

“Não… Ela teve um dia cheio. Vou preparar um prato, e ela pode comer quando acordar. Já está tarde, de qualquer forma.”

“São oito horas.”

“Então… está tarde.”

“É.” A voz dela não demonstra emoção.

“O que você tem? Sei que a situação é desconfortável, mas você está tão estranha”, digo enquanto sirvo dois pratos sem pensar no que estou fazendo.

“Obrigado”, diz ela, pegando um dos pratos e sentando à mesa.

Pego um garfo na gaveta e decido comer de pé, junto da bancada. “Você vai me dizer?”

“Dizer o quê?” Ela dá uma garfada no frango e leva à boca.

“Por que está assim tão… calma e… gentil. É estranho.”

Ela demora um tempo mastigando antes de engolir, então responde: “Só não quero dizer nenhuma bobagem”.

“Ah”, é tudo que consigo pensar em responder. Bem, não era isso que eu esperava ouvir.

Então ela vira o jogo.

“E por que você está sendo tão gentil e estranha?”

“Porque a sua mãe está aqui, e o que passou, passou… Não posso fazer nada para mudar isso. Não posso continuar com raiva para sempre.” Apoio o cotovelo na bancada.

“E o que isso quer dizer?”

“Nada. Só estou dizendo que vou ser civilizada e não quero mais brigar. Isso não muda nada entre nós.” Mordo minha bochecha para não chorar.

Em vez de responder, Lauren se levanta e joga o prato na pia. A porcelana racha ao meio com um estrondo que me provoca um sobressalto. Mas ela não vacila nem por um momento nem olha para trás antes de sair da cozinha.

Dou uma espiada na sala para me certificar de que o gesto brusco de Lauren não acordou sua mãe.

Felizmente, ela ainda está dormindo, com a boca um pouco aberta, de um jeito que faz suas semelhanças com a filha ficarem ainda mais evidentes.

Como sempre, sou eu quem tem que limpar a bagunça de Lauren. Coloco a louça suja na máquina e guardo as sobras antes de limpar a pia. Estou exausta, mais mentalmente do que
fisicamente, preciso tomar um banho e dormir. Mas onde diabos vou dormir? Lauren está no quarto e Clara no sofá. Talvez eu devesse voltar para o motel.

Aumento um pouco o aquecedor e desligo a luz da sala de estar. Quando entro no quarto para pegar meu pijama, Lauren está sentada na beirada da cama, os cotovelos sobre os joelhos e a cabeça entre as mãos. Ela não ergue os olhos, então pego uma bermuda, uma camiseta e uma calcinha na mala antes de sair do quarto. Ao bater a porta, ouço o que parece ser um soluço abafado.

Lauren está chorando?

Não é possível. Não pode ser.

Não posso sair do quarto se ela estiver chorando. Na ponta dos pés, volto até a cama e paro na frente dela.

“Lauren?”, chamo baixinho, tentando tirar suas mãos do rosto. Ela resiste, mas eu puxo com mais força. “Olha para mim”, imploro.

Quando ela me obedece, fico completamente sem fôlego. Seus olhos estão vermelhos e o rosto coberto de lágrimas. Tento segurar suas mãos, mas ela me afasta. “Vai embora, Camila.”

Já a ouvi dizer isso muitas vezes.

“Não”, respondo e me ajoelho entre suas pernas abertas.

Ela enxuga os olhos com as costas das mãos. “Foi uma péssima ideia. Amanhã de manhã eu conto para a minha mãe.”

“Não precisa.” Já a vi deixar escapar algumas lágrimas antes, mas nunca de forma tão descontrolada, com o corpo convulsionado e o rosto encharcado.

“Preciso, sim. É uma tortura ter você tão perto, mas ao mesmo tempo tão distante. É o pior castigo possível. Não que eu não mereça, porque sei que mereço, mas isso é demais.” Ela
chora. “Mesmo para mim.” Ela inspira fundo, de forma desesperada. “Quando você concordou em ficar… achei que talvez… que talvez você ainda gostasse de mim do jeito que gosto de você. Mas eu já entendi, Camz, percebi o jeito como você me olha agora. Estou vendo a dor que causei. A mudança que provoquei em você. Sei que fui eu quem fez isso, mas saber que perdi você ainda está me matando por dentro.” As lágrimas vêm muito mais rápido agora,
pingando em sua camiseta preta.

Quero dizer alguma coisa — qualquer coisa — para fazer isso parar. Para fazer sua dor ir embora.

Mas onde ela estava quando eu chorava até dormir, noite após noite?

“Quer que eu vá embora?”, pergunto, e ela faz que sim.

Sua rejeição dói, mesmo agora. Sei que não deveria estar aqui, não deveria estar fazendo isso, mas preciso de mais. Preciso de mais tempo com ela. Por mais perigoso e doloroso que seja, é melhor que nada.

Queria não amá-la, preferia nunca ter conhecido Lauren.

Mas eu a conheci.

E me apaixonei por ela.

“Certo.” Engulo em seco e me levanto.
Mas ela me segura pelo pulso.

“Desculpa. Por tudo, por magoar você, por tudo”, Lauren diz, e percebo o tom de adeus em sua voz.

Por mais que eu resista, sei que no fundo não estou preparada para saber que ela desistiu de mim. Por outro lado, ainda não estou pronta para perdoá-la. Estou tão confusa há vários dias, mas hoje mais do que nunca.

“Eu…”

“O quê?”

“Não quero ir embora”, digo tão baixo que nem sei se ela ouviu.

“O quê?”, ela pergunta de novo.

“Não quero ir. Sei que é a melhor coisa a fazer, mas não quero. Não hoje, pelo menos.” Sou capaz de jurar que estou vendo os fragmentos da mulher na minha frente se recompondo lentamente, um por um. É uma cena bonita, mas também aterrorizante.

“O que isso significa?”

“Não sei, mas ainda não estou pronta para descobrir”, respondo, na esperança de entender tudo conversando a respeito.

Lauren me olha com uma expressão neutra, os soluços anteriores sumiram por completo.

Ela enxuga o rosto com a camisa num gesto mecânico e diz: “Tudo bem. Você pode dormir na cama, eu fico no chão”.

Enquanto ela pega dois travesseiros e uma manta, não posso deixar de pensar que talvez, de repente, todas aquelas lágrimas tenham sido fingimento. Ainda assim, de alguma forma, sei que não foi nada disso.CAMILA  


Quando chegamos à sala, a mãe de Lauren está sentada no sofá com o cabelo molhado preso num coque. Parece bem jovem para a idade, e muito bonita.

“A gente devia alugar uns filmes, e eu posso preparar um jantar!”, exclama ela. “Você não sente falta da minha comida, docinho?”

Lauren revira os olhos e dá de ombros. “Claro. Melhor cozinheira do mundo.”

Isso não poderia ser mais estranho.

“Ei! Não sou tão ruim assim.” Ela ri. “E acho que com isso você acabou de assumir o papel de responsável pela cozinha esta noite.” Me mexo de um lado para o outro, pouco à vontade, sem saber como lidar com Lauren
quando não estamos juntas ou brigando.

É uma novidade para nós, mas de repente me dou conta de que se trata de um padrão: Patrícia e Mike acharam que estávamos namorando antes de o namoro começar de verdade.

“Você sabe cozinhar, Mila?”, pergunta Clara, quebrando minha linha de raciocínio. “Ou é Lauren que cozinha?”

“Hã, nós duas cozinhamos. Talvez eu ‘prepare’ mais do que cozinhe”, respondo.

“Bom saber que você está cuidando da minha menina. E este apartamento é tão bom. Imagino que seja Mila quem faz a limpeza”, brinca ela.

Não estou “cuidando da menina dela”, já que é isso que ela está perdendo por me magoar.

“Pois é… ela é uma porquinha”, respondo.

Lauren me olha com um pequeno sorriso nos lábios. “Não sou uma porquinha, ela é que tem mania de limpeza.” Reviro os olhos.

“Ela é uma porquinha”, Clara e eu dizemos em uníssono.

“A gente vai ver um filme ou vocês vão ficar pegando no meu pé a noite toda?” Lauren faz um bico.

Sento antes de Lauren para não ter que tomar a decisão desconfortável sobre onde ficar. Ela fica olhando para o sofá, silenciosamente pensando no que fazer. Depois de um tempo, ela senta ao meu lado, e sinto o calor familiar de sua proximidade.

“O que vocês querem ver?”, sua mãe pergunta.

“Não importa”, responde Lauren.

“Você pode escolher”, tento suavizar sua resposta.

Ela sorri para mim e escolhe Como se fosse a primeira vez, um filme que tenho certeza de que Lauren vai odiar.

E não dá outra — assim que começa, Lauren reclama. “Este filme é mais velho que a minha vó.”

“Shhh”, eu faço, e Lauren bufa, mas fica quieta.

Enquanto Clara e eu rimos e suspiramos com o filme, percebo Lauren me olhando vez ou outra. Na verdade, estou me divertindo e, por alguns momentos, quase me esqueço de tudo o que aconteceu entre nós. É difícil não me encostar nela, não tocar suas mãos, não ajeitar seu cabelo quando ele cai em sua testa.

“Estou com fome”, ela murmura quando o filme termina.

“Por que você e Mila não cozinham alguma coisa, já que estou vindo de uma viagem tão longa?”. Clara sorri.

“Você está mesmo se aproveitando dessa história da viagem, hein?”, Lauren diz a ela.

Clara balança a cabeça com um sorriso irônico que já vi no rosto de Lauren algumas vezes.

“Tudo bem, eu posso cozinhar”, me ofereço, levantando do sofá. Entro na cozinha e me apoio na bancada. Me seguro à beirada de mármore com mais força do que o necessário,
tentando recuperar o fôlego.

Não sei por quanto tempo mais posso fazer isso, fingir que Lauren não estragou tudo, fingir que sou apaixonada por ela. Mas eu sou, desesperadamente.

O problema não são meus sentimentos por essa menina mal-humorada e egoísta. O problema é
que já dei chances demais a ela, apesar das coisas odiosas que diz e faz. Mas dessa vez ela foi longe demais.

“Lauren, seja gentil e ajude a Camila”, ouço Clara dizer e corro para o congelador para fingir que não estava tendo um pequeno colapso.

“Hã… Posso ajudar?” A voz dela atravessa a pequena cozinha.

“Tudo bem”, respondo.

“Picolé?”, pergunta ela, e olho para o objeto em minhas mãos. Queria ter tirado um frango do congelador, mas acho que me distraí.

“É. Todo mundo gosta de picolé, certo?”, respondo, e ela sorri, revelando suas covinhas malignas.

Eu consigo. Posso ficar perto de Lauren. Posso ser civilizada com ela, e a gente pode se dar bem.

“Você devia fazer aquele macarrão com frango que fez para mim”, sugiro.
Seus olhos verdes se concentram em mim.

“É isso que você quer?”

“É. Se não for muito trabalho.”

“Claro que não.”

“Você está tão estranha hoje”, sussurro para que nossa hóspede não ouça.

“Não estou, não.” Ela encolhe os ombros e caminha na minha direção.
Meu coração dispara quando ela se aproxima. Dou um passo para o lado, e ela abre a porta do congelador.

Achei que fosse me beijar. Qual o problema comigo?

Preparamos o jantar em quase completo silêncio, sem saber o que dizer. Meus olhos a observam o tempo todo, o modo como seus dedos compridos envolvem o cabo da faca para cortar o frango e os legumes, o jeito como ela fecha os olhos quando o vapor da água fervente atinge seu rosto e como sua língua limpa o canto da boca quando prova o molho. Sei que observá-la assim me impede de ser imparcial e não é nem um pouco saudável, mas não consigo evitar.

“Vou pôr a mesa. Avisa à sua mãe que está pronto”, digo quando ela finalmente termina.

“O quê? É só gritar para ela vir.”

“Não, que falta de educação. Vai lá chamar”, repreendo.

Lauren revira os olhos, mas me obedece, só para voltar segundos depois, sozinha.

“Dormiu”, ela informa.

Eu a ouvi, mas ainda assim pergunto: “O quê?”.

“Pois é, desmaiou no sofá. Chamo mesmo assim?”

“Não… Ela teve um dia cheio. Vou preparar um prato, e ela pode comer quando acordar. Já está tarde, de qualquer forma.”

“São oito horas.”

“Então… está tarde.”

“É.” A voz dela não demonstra emoção.

“O que você tem? Sei que a situação é desconfortável, mas você está tão estranha”, digo enquanto sirvo dois pratos sem pensar no que estou fazendo.

“Obrigado”, diz ela, pegando um dos pratos e sentando à mesa.

Pego um garfo na gaveta e decido comer de pé, junto da bancada. “Você vai me dizer?”

“Dizer o quê?” Ela dá uma garfada no frango e leva à boca.

“Por que está assim tão… calma e… gentil. É estranho.”

Ela demora um tempo mastigando antes de engolir, então responde: “Só não quero dizer nenhuma bobagem”.

“Ah”, é tudo que consigo pensar em responder. Bem, não era isso que eu esperava ouvir.

Então ela vira o jogo.

“E por que você está sendo tão gentil e estranha?”

“Porque a sua mãe está aqui, e o que passou, passou… Não posso fazer nada para mudar isso. Não posso continuar com raiva para sempre.” Apoio o cotovelo na bancada.

“E o que isso quer dizer?”

“Nada. Só estou dizendo que vou ser civilizada e não quero mais brigar. Isso não muda nada entre nós.” Mordo minha bochecha para não chorar.

Em vez de responder, Lauren se levanta e joga o prato na pia. A porcelana racha ao meio com um estrondo que me provoca um sobressalto. Mas ela não vacila nem por um momento nem olha para trás antes de sair da cozinha.

Dou uma espiada na sala para me certificar de que o gesto brusco de Lauren não acordou sua mãe.

Felizmente, ela ainda está dormindo, com a boca um pouco aberta, de um jeito que faz suas semelhanças com a filha ficarem ainda mais evidentes.

Como sempre, sou eu quem tem que limpar a bagunça de Lauren. Coloco a louça suja na máquina e guardo as sobras antes de limpar a pia. Estou exausta, mais mentalmente do que
fisicamente, preciso tomar um banho e dormir. Mas onde diabos vou dormir? Lauren está no quarto e Clara no sofá. Talvez eu devesse voltar para o motel.

Aumento um pouco o aquecedor e desligo a luz da sala de estar. Quando entro no quarto para pegar meu pijama, Lauren está sentada na beirada da cama, os cotovelos sobre os joelhos e a cabeça entre as mãos. Ela não ergue os olhos, então pego uma bermuda, uma camiseta e uma calcinha na mala antes de sair do quarto. Ao bater a porta, ouço o que parece ser um soluço abafado.

Lauren está chorando?

Não é possível. Não pode ser.

Não posso sair do quarto se ela estiver chorando. Na ponta dos pés, volto até a cama e paro na frente dela.

“Lauren?”, chamo baixinho, tentando tirar suas mãos do rosto. Ela resiste, mas eu puxo com mais força. “Olha para mim”, imploro.

Quando ela me obedece, fico completamente sem fôlego. Seus olhos estão vermelhos e o rosto coberto de lágrimas. Tento segurar suas mãos, mas ela me afasta. “Vai embora, Camila.”

Já a ouvi dizer isso muitas vezes.

“Não”, respondo e me ajoelho entre suas pernas abertas.

Ela enxuga os olhos com as costas das mãos. “Foi uma péssima ideia. Amanhã de manhã eu conto para a minha mãe.”

“Não precisa.” Já a vi deixar escapar algumas lágrimas antes, mas nunca de forma tão descontrolada, com o corpo convulsionado e o rosto encharcado.

“Preciso, sim. É uma tortura ter você tão perto, mas ao mesmo tempo tão distante. É o pior castigo possível. Não que eu não mereça, porque sei que mereço, mas isso é demais.” Ela
chora. “Mesmo para mim.” Ela inspira fundo, de forma desesperada. “Quando você concordou em ficar… achei que talvez… que talvez você ainda gostasse de mim do jeito que gosto de você. Mas eu já entendi, Camz, percebi o jeito como você me olha agora. Estou vendo a dor que causei. A mudança que provoquei em você. Sei que fui eu quem fez isso, mas saber que perdi você ainda está me matando por dentro.” As lágrimas vêm muito mais rápido agora,
pingando em sua camiseta preta.

Quero dizer alguma coisa — qualquer coisa — para fazer isso parar. Para fazer sua dor ir embora.

Mas onde ela estava quando eu chorava até dormir, noite após noite?

“Quer que eu vá embora?”, pergunto, e ela faz que sim.

Sua rejeição dói, mesmo agora. Sei que não deveria estar aqui, não deveria estar fazendo isso, mas preciso de mais. Preciso de mais tempo com ela. Por mais perigoso e doloroso que seja, é melhor que nada.

Queria não amá-la, preferia nunca ter conhecido Lauren.

Mas eu a conheci.

E me apaixonei por ela.

“Certo.” Engulo em seco e me levanto.
Mas ela me segura pelo pulso.

“Desculpa. Por tudo, por magoar você, por tudo”, Lauren diz, e percebo o tom de adeus em sua voz.

Por mais que eu resista, sei que no fundo não estou preparada para saber que ela desistiu de mim. Por outro lado, ainda não estou pronta para perdoá-la. Estou tão confusa há vários dias, mas hoje mais do que nunca.

“Eu…”

“O quê?”

“Não quero ir embora”, digo tão baixo que nem sei se ela ouviu.

“O quê?”, ela pergunta de novo.

“Não quero ir. Sei que é a melhor coisa a fazer, mas não quero. Não hoje, pelo menos.” Sou capaz de jurar que estou vendo os fragmentos da mulher na minha frente se recompondo lentamente, um por um. É uma cena bonita, mas também aterrorizante.

“O que isso significa?”

“Não sei, mas ainda não estou pronta para descobrir”, respondo, na esperança de entender tudo conversando a respeito.

Lauren me olha com uma expressão neutra, os soluços anteriores sumiram por completo.

Ela enxuga o rosto com a camisa num gesto mecânico e diz: “Tudo bem. Você pode dormir na cama, eu fico no chão”.

Enquanto ela pega dois travesseiros e uma manta, não posso deixar de pensar que talvez, de repente, todas aquelas lágrimas tenham sido fingimento. Ainda assim, de alguma forma, sei que não foi nada disso. 



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