História AFTER 2 • Depois da Verdade ∞ CAMREN - Capítulo 28


Escrita por: ~

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Categorias Camila Cabello, Fifth Harmony
Personagens Ally Brooke, Camila Cabello, Dinah Jane Hansen, Lauren Jauregui, Normani Hamilton, Personagens Originais
Tags After, Camila Cabello, Camren, Depois Da Verdade, Lauren Jauregui
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Palavras 2.661
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Romance e Novela
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 28 - Vinte e Sete


CAMILA


Quando abro os olhos, fico momentaneamente confusa com o teto de tijolos em cima de mim. É estranho acordar aqui depois de passar uma semana dormindo em hotéis. Saio da cama e vejo que o chão está vazio e o cobertor e os travesseiros estão empilhados perto do closet.

Pego minha nécessaire e vou até o banheiro. Ouço a voz de Lauren na sala de estar: “Não, mãe, ela tem que ir hoje. A mãe dela está esperando”.

“Será que a mãe dela não pode vir para cá? Eu adoraria conhecê-la”, responde Clara.

De jeito nenhum.

“Não, a mãe dela… não gosta muito de mim”, diz Lauren.

“Por que não?”

“Ela diz que não sou boa o suficiente para Camila, acho. Talvez por causa da minha aparência.. e por ser uma menina.”

“Qual o problema com a sua aparência? Lauren, nunca deixe ninguém fazer você se sentir insegura. Achei que você gostava do seu… estilo?”

“E gosto. Quero dizer, não dou a mínima para o que as pessoas pensam. Menos a Camz.” Fico boquiaberta, e ouço Clara dar risada.

“Quem é você, e o que fez com a minha filha?” Em seguida, ela acrescenta, com um toque genuíno de felicidade na voz: “Nem me lembro da última conversa que tivemos em que você não me chamou de um monte de nomes. Faz anos e anos. Isso é bom”.

“Já chega… Já chega…”, murmura Lauren, e eu rio escondido, imaginando Clara tentando abraçar a filha.

Depois do banho, decido me arrumar por completo antes de sair do banheiro. Sei que é uma covardia da minha parte, mas preciso de um pouco mais de tempo antes de colocar um sorriso falso no rosto para a mãe de Lauren. O sorriso, no entanto, não chega a ser completamente falso… E isso é parte do problema, me lembra meu inconsciente. Me diverti bastante ontem, e tive a melhor noite de sono em uma semana.

Assim que os cachos do meu cabelo estão quase perfeitos, guardo os cosméticos de volta na nécessaire e ouço um leve toque na porta. “Camz?”, pergunta Lauren.

“Já acabei”, respondo e abro a porta, e a encontro encostada no batente, vestindo um short mais comprido cinza de algodão e uma camiseta branca.

“Não queria apressar você nem nada, mas estou apertada.” Ela me dá um sorrisinho, e eu aceno com a cabeça.

Tento não notar o caimento do short em sua cintura, deixando as letras cursivas tatuadas na lateral de seu corpo ainda mais visíveis sob a camiseta branca.

“Vou me vestir e já vou embora”, digo a ela.

Ela olha para o lado, concentrando-se na parede.

“O.k.”

Vou para o quarto, me sentindo terrivelmente culpada por mentir para a mãe dela e sair tão cedo. Sei que ela estava muito animada para me conhecer, e estou indo embora logo no segundo dia.

Ponho o vestido branco e umas meias pretas por baixo, já que está muito frio para ficar sem elas. Na verdade seria melhor só colocar uma calça jeans e uma camiseta, mas adoro este vestido, ele me dá uma estranha sensação de autoconfiança, algo que realmente preciso hoje. Guardo as roupas de volta nas malas e penduro os cabides no closet.

“Quer ajuda?”, pergunta Clara atrás de mim. Dou um pulo, deixando cair o vestido azul-marinho que usei em Seattle.

“Só estava…”, gaguejo. Seus olhos examinam o closet semivazio.

“Quanto tempo está pensando em ficar com a sua mãe?”

“Hã… Eu…” Sou mesmo uma péssima mentirosa.

“Parece que você vai ficar fora um bom tempo.”

“É… Não tenho muitas roupas”, invento.

“Eu ia perguntar se você queria fazer compras comigo enquanto estou aqui. De repente se você voltar antes de eu ir embora… Que tal?” Não sei se ela acredita em mim ou se desconfia que não pretendo voltar.

“Sim… claro”, minto de novo.

“Mãe…”, diz Lauren em voz baixa ao entrar no quarto. Noto seu cenho franzido ao fitar o closet vazio, e espero que Clara não esteja observando a filha como eu.

“Estou só terminando de arrumar minhas coisas”, explico, e ela assente com a cabeça.

Fecho a última mala e olho para Lauren, sem saber o que dizer.

“Vou descer as malas para você”, Lauren avisa, pegando minhas chaves na cômoda e desaparecendo com as minhas coisas.

Quando Lauren sai, Clara envolve meus ombros num abraço. “Estou muito feliz de conhecer você, Camila. Você não tem ideia do que significa para uma mãe ver a única filha desse jeito.”

“De que jeito?”, pergunto.

“Feliz”, responde ela, e meus olhos começam a arder.

Se essa é uma Lauren feliz para ela, não quero conhecer a sua Lauren normal.

Me despeço de Clara e me preparo para sair do apartamento pela última vez.

“Camila?”, a mãe de Lauren me chama, numa voz controlada. Eu me viro para encará-la novamente. “Você vai voltar para ela, não vai?”, ela pergunta, e meu coração se derrete.

Tenho a sensação de que não está se referindo só às festas de fim de ano. Não confio em minha voz. Simplesmente aceno com a cabeça e saio o mais rápido que
posso.

Quando chego ao elevador, decido descer de escada, para não ter que ver Lauren. Enxugo os cantos dos olhos e respiro fundo antes de sair na neve.

No meu carro, noto que ela limpou o
para-brisa e que o motor está ligado. Prefiro não ligar para minha mãe para dizer que estou a caminho. Não estou com vontade de falar com ela agora. Quero usar a viagem de duas horas para tentar limpar a cabeça.

Preciso fazer uma lista mental dos prós e dos contras de reatar com Lauren. Sei que estou sendo idiota de sequer contemplar a ideia — ela fez coisas horríveis comigo. Mentiu para mim, me traiu e me humilhou.

Até agora, na lista dos contras, temos as mentiras, o lençol, o vibrador, a aposta, o temperamento explosivo, seus amigos, Alexa, o ego, a falta de educação e o fato de ter destruído minha confiança nela.

Na lista dos prós, temos… bem… eu ser apaixonada por ela. Ela me faz feliz, mais forte, mais autoconfiante. Geralmente quer o melhor para mim, a não ser, claro, que seja ela quem esteja me prejudicando à sua maneira toda impetuosa… O jeito como ri e sorri, como me pega e me beija, como me abraça, e a maneira como está tentando mudar por minha causa.

Sei que a lista dos prós está repleta de coisas pequenas, sobretudo se comparadas com a enormidade dos pontos negativos, mas as pequenas coisas são as mais importantes, não?

Não sei se estou completamente maluca de mesmo pensar em perdoá-la ou se estou seguindo os ditames do amor. Qual o melhor guia nos caminhos da paixão, meus sentimentos ou minha razão?

Por mais que tente lutar contra isso, não consigo ficar longe dela. Nunca consegui.

Este seria um bom momento para ter uma amiga com quem conversar, alguém que já tenha passado por isso antes. Queria poder ligar para Nath, mas ela também mentiu para mim o tempo todo. Poderia ligar para Ally, mas ela já me disse o que pensa e, às vezes, é melhor ouvir a opinião de alguém que entenda melhor a situação.

A neve está grossa, e o vento é forte, batendo contra o meu carro nas estradas desertas.

Devia ter ficado no hotel… Não sei o que me deu para querer vir para cá. Ainda assim, apesar de alguns momentos assustadores, a viagem é muito mais rápida do que previ, e antes que me dê conta a casa da minha mãe aparece diante de mim.

Estaciono na frente da garagem, onde a neve foi cuidadosamente escavada, e depois de três batidas ela finalmente abre a porta, de cabelo molhado e usando um roupão. Posso contar nos dedos da mão quantas vezes na vida vi minha mãe sem o cabelo e a maquiagem impecáveis.

“O que está fazendo aqui? Por que não ligou?”, dispara ela, hostil como sempre.

Entro em casa.

“Não sei. Estava dirigindo na neve e não queria me distrair.”

“Você devia ter me avisado para eu me arrumar.”

“Você não precisa se arrumar, sou só eu.” Ela bufa.

“Não existe desculpa para o desleixo, Mila”, ela repreende num tom acusatório que parece se referir ao meu estado atual.

Quase dou risada de seu comentário ridículo, mas prefiro ficar quieta.

“Onde estão suas malas?”, pergunta ela.

“No carro, pego mais tarde.”

“O que é isso… que vestido é esse?” Seus olhos avaliam o meu corpo, e eu sorrio.

“Uso para trabalhar. Gosto muito dele.”

“É revelador demais… mas a cor é boa, acho.”

“Obrigada. Então, como vão os Porter?”, pergunto. Sei que falar da família de Nico vai distraí-la.

“Estão ótimos. Com saudade de você.” E, no caminho da cozinha, acrescenta casualmente me olhando por sobre o ombro: “Talvez seja bom convidá-los para jantar hoje à noite”.

Eu estremeço toda e corro atrás dela.

“Ah, acho que não é uma boa ideia.”
Ela me olha e pega uma xícara de café.

“Por que não?”

“Não sei… ia ser estranho para mim.”

“Camila, você conhece os Porter há anos. Adoraria que eles vissem você, agora que está num estágio e na faculdade.”

“Ou seja, você quer me exibir?” Esse pensamento me irrita. Ela só quer convidá-los para ter algo do que se gabar.

“Não, quero mostrar a eles as coisas que você conquistou. Isso não é exibicionismo”, retruca ela.

“Melhor não.”

“Bem, Camila, a minha casa é minha, e se eu quiser convidá-los é isso o que vou fazer. Vou terminar de me arrumar e já volto.” E, com uma virada dramática, ela me deixa sozinha na cozinha.

Reviro os olhos e vou até o meu antigo quarto. Cansada, deito na cama e espero minha mãe terminar seus extensos rituais de beleza.

“Camila?” Desperto com a voz da minha mãe. Nem me lembro de ter pegado no sono.

Ergo a cabeça de Buddha, meu velho elefante de pelúcia, e respondo, um tanto desorientada: “Já vou!”.

Sonolenta, arrasto os pés pelo corredor. Quando chego à sala de estar, Nico está sentado no sofá. Não é a família Porter inteira, como minha mãe ameaçou, mas é o suficiente para me acordar.

“Olha quem passou aqui quando você estava dormindo!”, diz minha mãe, abrindo seu sorriso mais falso.

“Oi”, cumprimento, mas na verdade estou pensando: Sabia que não devia ter vindo.

Nico responde com um aceno de mão.

“Oi, Mila, você está ótima.” Claro, não tenho nenhum problema com Nico — gosto muito dele, como se fosse um membro da família. Mas preciso de uma folga de tudo que está acontecendo na minha vida, e a
presença dele aqui só aumenta a culpa e a dor. Sei que não é culpa de Nico, e que não é justo da minha parte ser grossa com ele, sobretudo considerando sua postura gentil durante toda a separação.

Minha mãe sai da sala, e eu tiro os sapatos e sento no sofá, ao lado de Nico.

“Como está indo o recesso?”, pergunta ele.

“Bem, e para você?”

“Tudo tranquilo. Sua mãe disse que você foi para Seattle?”

“Fui, foi ótimo. Fui com meu chefe e uns colegas de trabalho.” Ele balança a cabeça, animado.

“Que bom, Mila. Fico feliz que esteja indo bem no mundo editorial!”

“Obrigada.” Abro um sorriso. Isso não é tão estranho quanto achei que seria.
Depois de um momento, ele olha para o corredor por onde minha mãe saiu, depois se aproxima.

“Bom, então, sua mãe anda meio tensa desde sábado. Quer dizer, mais do que o habitual. Como estão as coisas?” Arqueio as sobrancelhas, numa interrogação.

“Como assim?”

“Essa história do seu pai”, ele comenta meio de passagem, como se eu soubesse do que está falando.

O quê?

“Que história do meu pai?”

“Ela não contou?” Ele olha para o corredor vazio. “Ah… Não me diz que fui eu que falei.”

Antes que ele possa terminar, estou de pé, pisando duro pelo corredor, indo até o quarto dela.

“Mãe!” Que história do meu pai? Faz oito anos que não o vejo nem tenho notícias dele. A seriedade no tom de voz de Nico… Será que ele morreu? Não sei como me sentiria sobre
isso.

“O que aconteceu com o papai?” Levanto a voz ao invadir seu quarto. Seus olhos se arregalam, mas ela se recompõe depressa. “Hein?”, exclamo. Ela revira os olhos.

“Mila, você precisa falar mais baixo. Não foi nada, nada com que você precise se preocupar.”

“Isso sou eu que decido. O que está acontecendo? Ele morreu?”

“Morreu? Não. Quem me dera”, ela diz com um aceno desdenhoso.

“Então o que foi?” Ela suspira e me fita por um segundo.

“Ele voltou. Se mudou para não muito longe de onde você está agora, mas não vai entrar em contato, então não se preocupe com isso. Pode deixar que eu cuido dele.”

“Como assim?” Com toda essa confusão com Lauren , minha cabeça está mais do que cheia, e agora meu pai ausente está de volta a Washington. Agora que penso no assunto, não sabia que ele tinha ido embora, para começo de conversa. Só sabia que não estava perto de mim.

“Como assim nada. Eu ia contar quando liguei na sexta à noite, mas você não se dignou a atender o telefone, então lidei com a situação sozinha.”

Eu estava bêbada demais para atender naquela noite — ainda bem que não fiz isso. Jamais poderia lidar com essa situação embriagada. Mesmo agora não me sinto capaz.

“Ele não vai incomodar você, por isso pode desfazer essa cara triste e se arrumar, porque nós vamos às compras”, ela comunica, indiferente.

“Não quero fazer compras, mãe. Isso é importante para mim, sabia?”

“Não, não é”, ela responde, cheia de aborrecimento e veneno. “Faz anos que ele não aparece. E vai continuar não aparecendo, nada mudou.” Minha mãe entra no closet, e me dou conta de que não adianta discutir com ela.

Volto para a sala, pego o telefone e calço os sapatos.

“Aonde você vai?”, pergunta Nico.

“Sei lá”, respondo e saio para o ar frio.
Desperdicei um tempo enorme vindo para cá, duas horas dirigindo na neve, só para a minha mãe agir feito uma bruxa completa… bruxa não, uma vaca. Ela é uma vaca. Limpo a neve do para-brisa com o braço; uma péssima ideia, já que me deixa com ainda mais frio. Entro no carro, cerro os dentes enquanto giro a chave e espero um pouco o carro aquecer.
Saio dirigindo aos berros, chamando minha mãe de tudo que é nome sujo que consigo lembrar. Quando perco a voz, tento descobrir o que fazer em seguida, mas as lembranças do meu pai inundam minha mente, e não consigo me concentrar em nada. As lágrimas encharcam meu rosto. Pego o telefone no banco do carona.

Em poucos segundos, a voz de Lauren reverbera no pequeno alto-falante.

“Camz? Você está bem?”

“Estou…”, começo, mas minha voz me trai, e eu engasgo com um soluço.

“O que foi? O que ela fez?”

“Ela… Posso voltar?”, pergunto, e ela solta um suspiro profundo.

“Claro que pode, linda… Mila.” Ela se corrige, mas me pego desejando que não tivesse feito isso. “Onde você está?”, pergunta.

“Chego em vinte minutos”, respondo chorando.

“Certo, quer ficar no telefone?”

“Não… está nevando”, explico e desligo.

Não devia nem ter ido, para começo de conversa. Que ironia estar correndo de volta para Lauren, depois de tudo que ela fez.

Muito tempo depois, quando entro com o carro na garagem, ainda estou chorando. Limpo os olhos o melhor que posso, mas minha maquiagem borrada suja meu rosto todo. Quando saio do carro, vejo Lauren de pé junto da porta, coberta de neve. Sem pensar no que estou fazendo, praticamente me jogo em cima dela, envolvendo-a com os braços.

Lauren dá um passo para trás, sem dúvida surpresa pela demonstração de carinho, mas em seguida passa os braços em torno de mim e me deixa chorar em seu moletom molhado de neve.


Notas Finais


E então finalmente o plot da segunda temporada vem à tona! 👏 Vocês acham que a Camila vai aguentar tudo isso? Todas essas pessoas para perdoar de uma só vez? Parece que todos que estão ao redor dela sempre estão mentindo e escondendo alguma coisa "para o seu bem". Mas com a volta de Alejandro, talvez a Camz precise mais que nunca de um.porto seguro. Quem ela será capaz de perdoar?


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