História After The Show - Norminah - Capítulo 16


Escrita por: ~

Postado
Categorias Fifth Harmony
Personagens Ally Brooke, Camila Cabello, Dinah Jane Hansen, Lauren Jauregui, Normani Hamilton
Tags Ally, Camila, Dinah, Lauren, Normani, Norminah
Exibições 504
Palavras 4.248
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Famí­lia, Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 16 - Be Strong, Dinah.


DINAH POV

1 mês depois...

Los Angeles, Califórnia. 

 

Continuei com os olhos fixos no quadro contendo uma foto minha e de Normani, sentadas sobre a parte superior do iate que havíamos alugado para passar alguns dias isoladas de todo esse mundo conturbado. Apenas eu, ela e o nosso amor. Meus lábios se curvaram num sorriso involuntário ao me lembrar desse exato momento, ao sentir a mesma sensação de conexão que tínhamos, da felicidade que inundava-nos de tal forma que qualquer um de fora podia sentir. 

Toquei com o polegar a parte onde ela estava, vendo aquele sorriso tão largo preencher o seu rosto e iluminar a foto. O óculos escuro protegendo seus olhos daquele sol forte, o biquíni preto juntamente de um vestido de renda branca cobrindo o seu corpo moreno sobre o iate.

:- Pronto! Acho que essa era a última. — Virei-me, largando o porta-retrato em cima da mesa de canto, vendo o meu pai entrar e largar mais uma das enormes caixas de mudança. — Tenho alguns pregos, martelo e furadeira, caso queira pregar a estante para colocar os seus prêmios.

Limpou as mãos na calça jeans, fazendo alguns vestígios de poeira surgir. 

:- Acho que vou deixar todos lá na casa da vovó. Não estou com cabeça para pensar sobre isso ainda.

:- Pensei que fosse contratar alguém para mudar suas coisas da antiga mansão. — Meu pai abriu uma lata de refrigerante, bebericando-a de uma vez para matar sua sede.

:- Do jeito que essas pessoas são, eu contrataria e de brinde viriam os paparazzis para inventar coisas inexistentes, ainda mais com tudo o que está acontecendo. Não quero ter mais dores de cabeça.— Suspirei exausta. 

:- Concordo! Melhor ficar na surdina mesmo. — Tomou mais um pouco de seu refrigerante. — Está preparada para a audiência? 

:- Sendo sincera? Nenhum pouco! Ainda estou parada no ar, sem acreditar no que está acontecendo. — Massageei minhas têmporas, sentindo-as pulsarem de nervosismo novamente. 

:- Você falou com ela por esses últimos tempos? 

:- Não, estou atendendo aos pedidos dela, pai. Talvez seja melhor mesmo. 

:- Inacreditável. — Respondeu incrédulo, negando com a cabeça em reprovação. — Não dá para acreditar que tudo isso esteja acontecendo com vocês duas. Por mais que de começo eu tenha sido contra, acabei mudando de opinião quando vi ao longo do tempo o quanto vocês se amavam. 

:- Pois é, para o senhor ver o quão complicado está sendo tudo isso pra minha cabeça e coração. — Rasguei a primeira caixa, contendo as diversas coleções de bolsas que eu comprava ou ganhava das lojas para divulgá-las. Muitas eu nem cheguei a usar, e várias vezes pensei na possibilidade de doar para algum lugar, ou vender e mandar o dinheiro para as instituições em que sou madrinha.

:- Mas eu sei muito bem que você tem uma culpa no cartório com isso. 

Parei o que estava fazendo, erguendo o olhar para o senhor encostado na mesinha de canto e de braços cruzados. 

:- Qual é, Dinah, ficar meses sem vê-la e deixá-la sozinha com uma criança?! Tudo bem que o seu trabalho é puxado, mas qual não é? Isso não é motivo para você não dar um jeito de ir até ela. Com o dinheiro que você têm, pode se deslocar até a lua em meia hora. 

Enruguei a testa, voltando a posição ereta, cruzando os braços abaixo dos seios e me concentrando no senhor à frente. Conversávamos sobre muitas coisas, muitas mesmo, mas nunca paramos para conversar sobre a minha vida profissional solo ou o meu casamento, isso era mais com a minha mãe. Lógico que ele se interessava para saber onde exatamente poderiam estar me levando no começo, mas depois ele ficou mais tranquilo em questão disso, afinal, fui crescendo e pegando muita experiência. 

:- Mamãe te contou sobre, não foi? 

:- Você e Normani estão se separando, de qualquer forma teriam de me contar mais detalhadamente. — Largou a lata vazia em cima da mesa onde estava escorado. — Sabemos que ser famoso tem o seu lado bom e ruim, principalmente quando duas pessoas de sucesso, que cresceram diante das câmeras, começam a se relacionar. Isso acaba atrapalhando bastante coisa, mas não é porque ela é cantora também, que vai entender as suas faltas de comprometimentos. 

Soltei um riso nasal totalmente incrédula, negando com a cabeça ainda não acreditando que ele estava puxando a minha orelha. A minha. Eu que sou sua filha, preciso receber um apoio, e ele resolve puxar a minha orelha. 

:- Eu fui atrás dela no Brasil. — Rebati. — Eu fiz o que pude para salvar o nosso casamento, e sabe o que ela me falou? 

 Retirei o retorno em meus ouvidos, enquanto caminhava em passos rápidos pelo longo corredor na parte lateral do show, que dava diretamente ao camarim de Normani. Quando ela correu para longe, a única coisa que pensei foi em ir atrás, independente do que fossem falar sobre o show, sobre mim, sobre qualquer outra coisa, eu apenas queria ir atrás dela e salvar o nosso casamento o quanto antes. 

Quando entrei na sala, ela estava sentada no sofá, encolhida como uma criança amedrontada e chorando baixo. Aproximei-me, sentando ao seu lado, toquei seu ombro, fazendo-a virar o rosto e assim que me ver, cair sobre o meu corpo para me abraçar e chorar contra o meu peito. 

:- Shh! Vai ficar tudo bem. — Sussurrei contra o topo de sua cabeça, acariciando com a mão o seu dorso curvado pra frente. 

:- Porque você só fez isso agora? — Perguntou entre soluços. — Porque fez essa maldita surpresa só agora? Depois de tanto tempo.

Continuei estática, olhando-a secar o rosto rapidamente enquanto se separava brutalmente de mim. Levantou-se em um solavanco do sofá, e eu a acompanhei, ficando em sua frente. 

:- O... Que?

Franzi o cenho, ainda processando mentalmente o que poderia estar acontecendo naquele exato momento. Ela continuava ali, parada com um semblante irritado e choroso, os braços cruzados e a respiração tão pesada quanto a minha consciência.

:- Eu pedi pra você vir o quanto antes lutar pela sua família, o quanto antes mesmo. Você saiu porta à fora naquele dia, dando a entender que não queria esse casamento, aceitou pelo telefone o divórcio. — Disse totalmente irritada. Engoli em seco com a minha mente forçadamente me fazendo lembrar de cada cena que falara. — Eu pedi o maldito divórcio achando que você fosse discordar e vir conversar, como sempre fez quando éramos mais novas. Você corria até mim, provando que independente de qualquer coisa, mesmo que mínima possível, você não me deixaria ir. Eu achei que apelando ao divórcio, faria você se tocar e tomar vergonha na cara de ir até a casa da minha mãe para conversar como um casal adulto, porque se você não lembra, temos um filho, e ele precisa de mim tanto quanto precisa de você, Dinah. 

:- Eu tentei te ligar!

:- Para conversar no celular como sempre? Eu queria a sua presença, poder matar as saudades que eu sinto até hoje de você. — Secou o canto dos olhos que começara a escorrer lágrimas novamente. — Achei que você não fosse deixar a fama subir acima da sua família. 

:- E eu não deixei! Eu não deixei, Normani. Vocês são tudo pra mim, eu to fazendo tudo o que posso, de alguma forma, para ter vocês de volta. 

:- E resolveu agir hoje? Só agora?! 

:- Eu precisava de um tempo para pensar, ver como eu faria isso ao certo, houve tantos desencontros nossos, então resolvi vir até aqui pra tentar alguma coisa. 

:- O que você fez hoje foi lindo! Eu fiquei sem palavras, de verdade. Acho que foi uma das coisas mais lindas que você já fez pra mim. Mas porque não fez uma surpresa o quanto antes? Antes de tudo isso se alastrar, do nosso casamento estar nessa situação? Não somos mais adolescentes, Dinah, nem tudo se resolve a base de conversas com brincadeiras ou bem depois a hora que quisermos porque estamos "aprendendo" .  

:- Eu sei, eu sei! — Respondi de olhos fechados, sentindo minha cabeça dar pontadas. — Eu poderia ter pegado o primeiro vôo para ver vocês, ou talvez, vocês dois pudessem me ver, mas você não o fez. 

:- Eu não tinha como saber onde você andava, porque não atendia as minhas ligações, não respondia as mensagens... Como eu podia adivinhar? 

:- Ver aquelas fotos sua com Thomas me deixou cega de ciúmes, raiva... — Respirei fundo. — Você sabe o quanto sou orgulhosa. 

:- Ele apenas estava querendo ajudar, porque como eu disse, estava sozinha e precisava fazer muitas coisas. Claro que Jilly me ajudou bastante, ele apenas ficava com Norman para que eu pudesse fazer as minhas coisas e as coisas da festa. — Jogou os cabelos para um lado só. — Você não acha que eu também fico enciumada com algumas coisas? Estávamos a milhas de distância, eu só te via por fotos em um aplicativo, com tantas mulheres a sua volta, tantos homens, incluindo aquele Alfredo. 

:- Eu e o Alfredo somos apenas amigos, e ele foi no meu show me prestigiar. Só isso. 

:- Vocês ficaram uma vez quando ainda estávamos no grupo. Acha que quando vi a foto não enlouqueci? Aquela after no show que todos foram pro restaurante, tiraram fotos de vocês conversando animadinhos demais, acha que gostei? No outro dia você me ligou só de tarde, eu conversei normalmente, deixei o meu orgulho de lado pra matar a nossa saudade, porque eu confio em você. Você não confia em mim? 

:- Claro que confio! Mas as fotos de vocês de mãos dadas foi a gota d'água. 

:- Aquilo foi montagem. Deus! Você não confia em mim, então. — Senti-me culpada por fazê-la chorar novamente. — Todos esses anos de casamento foram em vão pra você? Porque, se eu estivesse no seu lugar, teria lutado muito mais antes para não complicar. Eu te amo, muito, mais do que amei qualquer outra pessoa na minha vida, e eu não tenho olhos algum para outro que não seja você, ninguém tem o que você tem.

Respondeu chorosa, secando as laterais dos olhos, enquanto olhava-me firmemente, sabendo que aquilo estava me desmoronando por dentro. 

:- Hoje, naquele palco, você surgiu no piano e eu fiquei imensamente feliz, emocionada, mas logo passou, porque só nós sabemos o que estamos passando. E tudo isso só está acontecendo por causa de algo fútil, algo que nenhum casal que se ama tanto como a gente, que passou por tudo o que passamos, por tanto tempo juntas, conhecendo tantas coisas uma da outra, poderia afetar da forma como está afetando. 

Ela abaixou a cabeça, respirando fundo e fungando mais algumas vezes. Continuei sem palavras diante de todo aquele desabafo, afinal, ainda não havíamos parado definitivamente para conversarmos como deveríamos conversar. 

:- Acho que será bom darmos um tempo mesmo, sabe, para você pensar se ainda quer estar comigo mesmo, se todas essas atitudes suas são realmente de alguém que queira estar ao meu lado ou tenha se cansado disso. Também será bom pra mim, cuidar das coisas em que me comprometi com os meus fãs, chegar até o fim com a tour, cuidar do nosso filho, para que ele não fique confuso com nada. Não quero parar a sua vida profissional, continue com ela tranquilamente, vamos seguir os nossos caminhos, se for pra ser, uma hora ou outra será. 

:- Não! Não mesmo! A gente vai passar por tudo isso ainda juntas, casadas, como sempre passamos. 

Ela olhou para o alto, segurando a vontade de chorar. Com o polegar eu sequei o canto do meu olho direito, meu coração batia tão rápido que parecia que à qualquer momento sairia de dentro do peito.

:- O pedido de divórcio foi aprovado hoje, antes do show começar. O meu advogado ligou. Terão três audiências para saber sobre a guarda do nosso filho também, eu sinceramente não achei que fossem ver isso, mas, sim, irão. Estou me sentindo um pouco culpada por levá-lo, sem querer, dentro de tudo isso. Pensei que fosse apenas divorciar e fim, como você pareceu querer. 

:- Eu não... Eu não queria! Eu não quero. — Respondi num tom mais alto. 

:- Então porque resolveu assinar os papéis?! — Ela deu mais dois passos até onde eu estava, com o tom de voz ainda mais alto que o meu.— Porque assinou os malditos papéis sabendo que viria atrás de mim? 

Com as duas mãos, espalmou-me o peito, fazendo com que eu desse um passo desalinhado para trás. 

:- Porque eu achei que quem queria era você! Eu pensei que não me quisesse mais e queria o divórcio para ficar com Thomas. Fiquei cega achando que estava sendo traída, por isso não fui atrás antes, por isso assinei o divórcio, por isso sumi e sofri quieta, porque não queria estar perto, não queria ouvir da sua boca que podia estar com outro.

:- Sua idiota! — Espalmou-me acima do peito novamente, obrigando-me à dar mais um passo para trás e tentar segurar suas mãos. — Se eu quisesse ele, não teria terminado o namoro para ficar com você. Nos separamos no papel porque você teve um orgulho de merda que te impediu de conversar como uma pessoa normal conversa num casameno.

Começou à espalmar mais forte e incontáveis vezes o meu peito, empurrando-me mais vezes, eu tentava falhadamente segurar as suas mãos, enquanto continuava ouvindo-a chorar, agora mais alto. 

:- Mani, espera... Calma... — Falava enquanto recebia os tapas. 

:- Eu te odeio! Eu aguentei tantas coisas sérias por você, para a primeira oportunidade do ciúmes te cegar e do orgulho lhe consumir, você desistir assim da gente. — Ela dizia alto entre os soluços do choro, suas mãos tremiam, enquanto eu tentava apartar aquela sessão de tapas. — Não tem uma pessoa no mundo que não saiba do quanto eu te amo, e a idiota aí sendo a única a duvidar. A época de dúvidas já passou há muito tempo, sabia? Você tem um filho comigo, você se casou comigo, você teve a sua primeira vez comigo, todas as suas loucuras foram realizadas comigo, pensei que não duvidasse mais disso. 

:- Mani... Mani...

Tentei segurar seus punhos para pará-la de se debater contra o meu peito, ela apenas deitou a cabeça na curva do meu pescoço e continuou a chorar, afaguei seus cabelos, sentindo suas mãos trêmulas tornarem o meu pescoço e seu peito subir e descer por conta da respiração pesada. A abracei forte ao ponto de nossos corpos quase se misturarem e virar um só, depositei um beijo no topo de sua cabeça, deixando mais algumas lágrimas escaparem. 

:- Acho melhor ficarmos um tempinho no nosso canto, e nos encontrarmos só nos dias que forem as audiências. Deixa rolar, não é? — Separou-se um pouco do meu corpo para me olhar nos olhos. — Em momento algum vou te separar de Norman, mas precisamos ter um tempo até resolvermos melhor. Também quero provar à mim e para todos que não preciso estar ao seu lado para ganhar reconhecimento, que não foi o nosso namoro que me levou ao sucesso ou algo do tipo. 

:- Não... Não fala assim! — Respondi chorosa. — Você sabe que as pessoas só falavam aquilo para ganharem manchete, puro dinheiro sujo em cima de mentiras. Você é talentosa o suficiente para ter o reconhecimento que tem, não precisou de mim, apenas de fifth harmony, como eu também precisei para estar aqui...

:- Então, é melhor darmos um tempo, antes que estraguemos mais algo que é tão lindo, fora que não quero ficar brigada com a mãe do meu filho, porque quem acabará sofrendo será ele. É melhor acabarmos assim do que pior, não é? 

:- E se eu discordar de tudo isso e querer continuar indo atrás de você?

:- Dinah, nós realmente precisamos de um tempo, sozinhas, pensando um pouco no que podemos melhorar. Vamos provar uma pra outra que confiamos o suficiente ao ponto de saber que não vamos procurar ninguém. Quando tudo estiver no seu devido tempo e lugar, recomeçamos de novo. 

:- Promete? 

:- Prometo! — Mordeu o canto da boca, deixando um suspiro escapar. — Bom... Vou voltar para o hotel, cuidar de Norman e descansar um pouco. Estou te dando o tempo que precisar, sem pressão, independente do resultado, te esperarei e amarei para sempre. 

Depositou um beijo demorado em minha bochecha, seus olhos não queriam sair dos meus, nem suas mãos queriam soltar-me, era como se ela estivesse travando uma guerra dentro de si. 

:- Até logo, Dj! 

:- E... Ela saiu porta à fora, sem olhar para trás. Depois de tudo aquilo, a minha ficha finalmente caiu e eu chorei muito, pai. 

:- Então esse tempo para que tudo se encaixe foi ela quem pediu?!? — Perguntou pensativo, passando os dedos no queixo. 

:- Sim, foi ela. — Suspirei, lembrando de suas palavras. — Achei melhor pegar as minhas coisas da mansão e comprar esse apartamento, pelo menos para ficar no meu canto e terminar o que tenho para terminar.

:- Se ela achou melhor dar um tempo distante, é para você mudar esse comportamento, para ver se você vai sentir falta dela, do filho, de tudo, se vai lutar, ou se apenas vai seguir sua vida e esquecer de tudo, porque daí vai provar que você estava cansando do casamento. 

:- Como o senhor entende tanto a visão dela? — Torci o nariz em confusão.

:- Sou casado com uma mulher tão complicada, que aprendi, mesmo com os tropeços, a lidar com cada mulher. Sua mãe é de fases, parece até que me casei com várias em uma só. 

Soltei uma risada nasal e ele negou com a cabeça enquanto mexia em sua aliança dourada. Meus olhos automaticamente correram até o meu anelar esquerdo, apenas contendo a marca que a aliança havia deixado. Aquela sensação do peito se apertar novamente se fez presente, deixando-me com mais vontade de ir para qualquer lugar do mundo que ela estivesse no momento. 

:- A complicada na história aqui sou eu. 

:- O sangue não nega, filha.

Revirei os olhos. 

:- Vou falar pra mamãe que o senhor está nos chamando de complicadas. 

Agora ele quem revirou os olhos, fazendo-me rir.

:- Vocês não levam nada na esportiva. Vamos terminar de pendurar as últimas coisas antes que ela chegue com o restante.

[...]

Depois de desempacotar todas as caixas, meus pais resolveram dar uma saída para conhecer a noite de LA, resolvi continuar a organizar toda aquela bagunça com tantos objetos que eu tinha, incluindo algumas coisas que eu gravava as musicas; notebooks, tablets, mixers, teclados, microfones e etc...

Retirei algumas caixinhas contendo CD's, alguns eram presentes que eu recebia, vinham até autografados pelos cantores. Quando mais nova, sonhava em ter tantos CD's, normais, nem precisavam ter autógrafos, eu apenas queria comprá-los, ter o mesmo gostinho que os adolescentes restantes que compravam tinham. E hoje em dia, eu ganho tantos, de diversos cantores, que até perdi a conta de quantos tenho.

Retirei um que a capa estava totalmente branca, sem o encarte que todos tinham de seus devidos cantores. Arrastei o notebook aberto sobre a cama, abrindo a gaveta para cd's e colocando-o. Continuei com os olhos fixos na tela que carregava o player principal, uma janela totalmente branca logo se abriu e uma música qualquer iniciou-se. Arqueei as sobrancelhas quando pude perceber ser um daqueles vídeos que fãs fazem em homenagem aos casais que gostam, mas, esse era bastante logo, talvez o mais longo que eu já pude ver, contando sobre a nossa vida desde o começo. Novamente, uma imensa saudade inundou-me por inteiro, deixando meu peito mais apertado do que o normal e aquela mesma vontade de ir atrás dela, vir à tona. 

Fiquei tão ligada no video, relembrando, sentindo a nostalgia de cada foto e video, que nem percebi o meu celular vibrar ao lado. O nome de Normani se fez presente na chamada em video, deixando-me extremamente nervosa por dentro. Respirei fundo algumas vezes antes de aceitar a ligação  enquanto ajeitava alguns fios bagunçados em meu cabelo. 

:- Ahm... Oi? — Perguntei em dúvida por conta da tela totalmente preta, mas podia-se ouvir vozes. — Normani?!

:- Ah! Está pegando... Oi. Não é ela. — A escuridão sumiu, dando a imagem completa de mama Dre juntamente de Norman sentado ao seu colo. — Diga olá para a Dj, meu amor. 

Senti um misto de desapontamento com felicidade. Desapontada por não ser ela no lugar de sua mãe, e feliz por finalmente ver o meu filho depois de uma semana em que nos vimos por video. Normani parecia estar evitando conversar em todos os lugares comigo, inclusive, comentar sobre o nosso casamento em entrevistas. As pessoas, incluindo os nossos fãs, acham que só estamos afastadas pela agenda lotada de shows de Normani e que estou focada em gravar o próximo álbum. Eu acho.

:- Que surpresa boa! Pensei que fossem me ligar daqui três dias. 

:- Mani achou melhor ligar hoje para ele se acostumar, ela não quer quebrar essa reaproximação entre vocês dois. — A senhora alisou os cachinhos do garoto, enquanto ele não parava de acenar pra mim e eu pra ele.

:- Diz à ela que eu agradeço muito. — Podia sentir os meus olhos brilharem intensamente com o garoto interagindo comigo, hora ou outra sorria, dando-me a imagem de seus dentinhos tão parecidos com os meus. — Estão por onde agora? 

:- Alemanha. Daqui a pouco começa o show, Mani deve estar se arrumando. — Norman se curvou para frente, ficando mais próximo do celular para me mandar beijos. Se eu sorri?! Acho que rasguei a boca de tão boba que fiquei com aquela cena. 

:- Ei, grandão, sinto a sua falta. — Toquei a tela do celular, acariciando a imagem do garoto ainda rindo e mandando beijos.

:- Ele virou um beijoqueiro agora, se não beija Mani, fica mordendo-a. 

:- Ele está crescendo rápido demais. — Lamentei e em seguida soltei um suspiro. 

:- Está! E é melhor registrar tudo, porque quando menos esperar, ele estará um homem. Foi assim comigo, ontem Mani estava em meus braços, precisando de mim, e hoje quem está é o meu neto. 

Ela acariciou os cabelos dele novamente, fazendo-o balançar a cabeça e rir alto achando aquilo divertido. 

:- Falando nela... Como está? Não esconda nada de mim!

:- Bem! No começo ela ficou meio assim, se culpando por tudo, mas agora está mais tranquila. Deixou os problemas de lado e está se dedicando ao trabalho. 

Umedeci os lábios com a ponta da língua. 

:- Ela merece o reconhecimento que está ganhando com a tour. Torço sempre por ela.

:- Sim, merece...

:- Ahm... Dona Andrea, sabe se ela saiu para algum lugar... ou com alguém... ou que ela tenha lhe dito sobre ter conhecido outra pessoa? 

A senhora jogou a cabeça para trás, gargalhando gostosamente com aquela pergunta. Encolhi os ombros totalmente sem graça e idiota, afinal, eu disse que confiava nela. 

:- É... Até que ela conheceu. Um francês, lindo por sinal. 

:- E a senhora sabe se... sei lá, aconteceu algo entre eles? 

:- Pelo que vi, eles se beijaram bastante. 

:- Ahm... — Suspirei pesado, sentindo desde já os meus músculos se intensificarem. — É... Tudo bem. 

:- Você realmente acreditou?! Não acredito. — Arqueou uma sobrancelha e riu. — Bom, realmente teve um francês, ele era gerente do hotel onde ficamos hospedados, sempre dava um jeito de conversar com ela, até ela dizer que era casada e amava a esposa. 

:- Deus! — Respirei mais aliviada. — Como ele não sabia quem era?

:- Nem todo mundo gosta de pop. — Deu de ombros. — Depois de eu ter lhe contado isso, pois eu não podia, faça o possível e o impossível pela minha filha. Você já deixou o casamento passar, não deixe-a escapar por coisa boba, seja segura, ela te ama muito, não duvide disso. 

:- Eu sei... Já estou cuidando disso. 

:- Mamãe! Mamãe! Vovó, a mamãe! — Ele gritava animado, apontando para a tela e tentando chegar mais perto. 

:- Acho que ele viu uma foto da Mani nesse video atrás de você.— Martirizei-me ao lembrar de não ter dado pausa no video, apenas abaixado o volume. Puxei o notebook para pausá-lo, colocando-o para longe da câmera do celular. — Está com saudades da minha filha? 

:- Era um video... Um cd perdido que achei aqui. — Expliquei-me, ela soltou uma risada nasal, provavelmente estava rindo da minha cara. 

:- Eu perguntei outra coisa. — Remexeu-se diante a câmera, arrumando Norman que não parava quieto um segundo. 

:- A senhora sabe qual é a resposta. — Pigarrei várias vezes sentindo um incomodo em minha garganta.

:- Está bem, não vou perturbá-la com isso. É apenas um video de fã. — Disse entre risos debochados, rolei os olhos tediosa. — Agora, eu e essa coisinha gostosa aqui, precisamos nos despedir, pois temos que nos arrumarmos para o show da mamãe. 

:- Ah, mas já?! Nem aproveitamos direito. 

:- Eu queria muito que ficássemos mais tempo, para ele se familiarizar, mas eu preciso ir. Na próxima poderá ser mais longo. 

:- Na próxima semana temos a primeira audiência. 

:- Ah, verdade! Então na próxima vocês estarão pertinho, aproveita mais. Bom, até semana que vem, Dinah, boa sorte por aí. Manda beijos para a sua mamãe, Normi.

Ela segurou em seu punho, fazendo-o acenar pra mim, acenei de volta com um largo sorriso. 

:- Nos vemos em breve, grandão. Mamãe ama você.

:- Tau! — Ele disse, ainda acenando pra mim. 

:- Tchau, meu pedacinho! 

Esperei a chamada ser desligada para largar o celular sobre a cama, suspirar e deixar-me ser levada ao choro. Pela quinta no mesmo dia.



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