História Against All Odds - Capítulo 22


Escrita por: ~

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Categorias A Origem dos Guardiões, Como Treinar o seu Dragão, Enrolados, Frozen - Uma Aventura Congelante, Valente
Personagens Anna, Elsa, Flynn Rider, Hans, Jack Frost, Mérida, Personagens Originais, Rapunzel, Soluço
Tags Elsa, Frozen, Jack, Jelsa, Kristanna, Universo Alternativo
Exibições 78
Palavras 4.728
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Festa, Ficção, Mistério, Romance e Novela, Universo Alternativo
Avisos: Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


VOLTEEEEEEI
com um dos capítulos (e que enorme) mais esperados, quase matei vcs do coração no último hahauhja
ok, esse é oficialmente o capítulo mais triste da fic....to aqui com o coração na mão. já vou avisando que vai ser dolorido. talvez vcs ainda riam em meio às lágrimas pelo pov da Anna, que tá maravilhoso ASHUHAUHS
masssss não me matem, ainda não acabou!
veijo vcs nas notas finais. xoxo

Capítulo 22 - Honest


Fanfic / Fanfiction Against All Odds - Capítulo 22 - Honest

                                                       I wish you could be honest with me.

 

[Pov Elsa]

 

— Meu Deus, quem é... você? — perguntei pausadamente, respirando fundo.

No início, achei que ele ia continuar calado. Jack parecia estar querendo escolher bem as palavras, mas mesmo assim ainda estava assustado pela minha aparição surpresa.

— Elsa? O quê... o quê você está fazendo aqui?! — perguntou; impaciente, falei:

— Isso não interessa, eu é quem estou te perguntando — respondi séria. — Eu ouvi o que você falou no telefone, seja lá com quem fosse. E vou te perguntar só mais uma vez — falei, aproximando-me dele — quem diabos é você?

Outro silêncio. Jack ficou me penetrando com aqueles olhos muito azuis, sem saber exatamente o quê dizer.

— Isso é mais complicado do que pensa. — falou, vazio; cruzei os braços impaciente.

— Você... você disse que foi contratado para a segurança dela — repeti, hesitante — estava falando de mim, não é?

— É — respondeu — Na verdade, sua e da sua irmã.

— Eu não tô entendendo nada — falei, bagunçando os cabelos com a mão — Que inferno! Eu já cansei disso, Jack. Cansei das tuas respostas vazias. Já to cheia! — explodi, irritada — Meu pai chegou a falar de você, mas não tive chance de escutar o quê era — comentei — acho melhor me falar isso agora. Porque sinceramente, eu tô farta disso. Chega!

A irritação minha e dele pareciam crescer a cada frase dita. Internamente, eu queria socá-lo, socar seu rosto e todo o silêncio que fazia, mas me mantive no mesmo lugar.

Jack virou-se e começou a procurar alguma coisa em meio às caixas do quarto e à bagunça. Eu, impaciente, alteei a voz pra ele:

— Você não me escutou? Estou falando contigo, não vire as costas pra mim!

— Cala essa boca, eu já tô ficando sem paciência — respondeu ele, sem virar o rosto, ainda remexendo nas coisas. Mas que diabos ele estava fazendo?!

— Acho melhor você ir começando a... — parei, quando ele se virou de volta segurando um pedaço de papel amassado nas mãos. — ...o quê é isso?

Jack colocou o papel na minha mão, e quando o desdobrei, vi que não era só um papel, mas uma foto. Tirada há anos atrás, parecia estar bem desgastada, e nela vi um homem com uma barba branca, cheio de tatuagens, tinha um cigarro no canto da boca. O olhar era igualzinho ao do Jack; daí olhei ao lado e vi que tinha um garotinho sorrindo, também tinha cabelos brancos.

 A julgar pela aparência, não demorei a deduzir que aquele era o Jack quando criança. Só não tinha reconhecido quem era o cara ainda, apesar de achá-lo estranhamente... familiar.

— Esse é... — comecei, e Jack me completou:

— Sim. Sou eu, quando tinha uns 5 anos, eu acho. — falou ele.

— E quem é o homem? — perguntei, curiosa, mas ainda sem entender o porquê disso agora.

— Meu pai, North, numa das poucas fotos que nós temos juntos. — respondeu suspirando. Eu estava começando a ficar incomodada, por achar aquele cara familiar. — Você já deve tê-lo visto em algum lugar, mas acho que com outro nome...

Uma luz acendeu-se de repente na minha cabeça, e finalmente lembrei de onde já o havia visto. Faz algum tempo, mas eu ainda reconhecia. Os jornais.

— Espera, chamavam de... de o Rei do tráfico? — perguntei, contemplando a foto, numa voz baixíssima devido à surpresa. Eu sabia que já tinha visto o rosto dele várias vezes nos jornais, algumas revistas, principalmente depois daquele dia em que ele foi encontrado... morto. Caramba. Dei um passo para trás. — Meu Deus, você...

— É — respondeu ele, sorrindo de canto, como se lesse meus pensamentos. — Sou o filho dele, como você já deve ter percebido.

Olhei para Jack assustada. Fiquei por um minuto imaginando como não deveria ter sido crescer naquele... nesse ambiente. Era tudo muito assustador, e o quê eu queria fazer no momento era sair correndo e gritando imediatamente desse lugar.

— Espere, o quê isso tem a ver com o fato de terem contratando-o pra ser meu... “segurança”? — perguntei confusa, ainda não entendendo quem tinha contratado quem, muito menos a relação daqueles fatos, só sabia que estava assustada.

Jack mordeu o lábio inferior por alguns segundos e então respondeu:

— Existe uma rivalidade enorme no mundo do narcotráfico. — realmente; eu vivia vendo sobre esses casos na TV. Vivíamos uma guerra, e a polícia parecia não ter ideia de como pará-la. Todo mundo sabia disso. — Seu pai... conheceu o meu há alguns anos. Ele quem nos financiou e ajudou por muito tempo, não é à toa que a fortuna dele cresceu tanto em tão pouco tempo...

Então era verdade. Aquilo que estavam acusando sobre meu pai. Burra, eu já deveria ter me dado conta disso, mas ainda tinha um fiozinho de esperança de que ele fosse inocente.

Agora, o problema era outro, e estava parado à minha frente.

— Isso é ridículo. — interrompi, enraivecida — Tem ideia de quantas pessoas inocentes morrem só por cruzar o caminho de vocês? Isso aparece no jornal todos os dias. Essa cidade tá tomada pelo tráfico. Tenho repulsa só de lembrar que meu pai resolveu fazer parte disso, eu...

— Sim, eu tenho ideia — falou ele em seguida — E realmente, não é bonito.

— Mas... — comecei, mas Jack continuou:

— E além de não ser bonito, é perigoso. Como você disse, muitas pessoas inocentes morrem. Você e Anna poderiam ser uma delas.

Mesmo já tendo ideia disso, pelo meu pai já ter me falado uma vez na delegacia, aquilo me assustou de verdade.

— O-o quê? — pisquei os olhos, atordoada. Jack se aproximou.

— Vocês sempre correram perigo desde o dia em que o pai de vocês resolveu entrar nisso. — falou ele, suspirando — O que nos leva à melhor parte da história: eu.

— Como assim? — perguntei de novo, sem entender.

— Você falou que escutou eu dizer no telefone que fui contratado para a segurança de alguém — explicou — no caso, da sua. É verdade que não foi pra cursar Astronomia que eu entrei na West Side University. Muito menos sou de Massachusetts. Eu tinha que ficar de olho em vocês, caso fossem sequestradas, ou mortas, por mais que agora isso não faça muita diferença, já que seu pai, bom...

— Estou torcendo para que isso seja uma brincadeira, mesmo sabendo que não é. — interrompi-o, exasperada e emocionalmente desequilibrada. — Você mentiu esse tempo todo? Não acredito, primeiro meu pai, agora... — falei, empurrando-o, que o fez dar um passo pra trás. — ...agora você, Jack Frost? Ou será que esse é mesmo o seu nome? Eu... — falei, com a voz embargada, tentando achar um caminho entre as mil coisas que estava pensando nesse momento. — E como você pôde? Como pode participar disso, dessa vida horrível? — A não ser que ele gostasse de viver assim, pensei entre calafrios.

Perdi a voz, sem saber exatamente o quê falar. Não queria chorar, mas sentindo os olhos úmidos, vi que estava a pouquíssimos passos de fazer isso.

Fiquei pensando em quanto eu fui idiota. Burra, burra demais! Eu, que sempre me julguei tão esperta, como foi que eu não percebi isso antes?!

Senti come se eu estivesse me afogando em mentiras. Como se a minha própria vida fosse uma mentira.

E o pior de ser enganada era justamente saber que você foi enganada. Não só pelo seu pai, mas pelo cara que você julgava ser... que você julgava como... Ah, não, dane-se.

Jack continuou em silêncio, ao passo em que eu estava explodindo. Queria uma explicação, qualquer que fosse.

— Você não vai falar nada?! — perguntei, empurrando-o outra vez — INFERNO, JACK, ME RESPONDA!

— E O QUÊ? O quê quer que eu diga?! — bradou, irritado, alguns segundos depois. Dava pra ver o ódio nos seus olhos, misturado ao rancor, tristeza, agonizavam. — Que eu sinto muito por isso? Puta que pariu! — falou — Talvez não entre na sua cabeça, Elsa, talvez sua vida tenha sido fácil demais no teu castelo de cristal. Sabe alguma coisa sobre sofrimento? — perguntou, sarcástico — Pois acredite, eu sei. Minha vida já foi um inferno várias vezes. E sei que nem sempre fazemos as escolhas que queríamos fazer.

— Não aja como se isso não fosse culpa sua, porque não vou acreditar — falei por entre os dentes — Você mentiu pra mim, Jack. Você mentiu! — repeti — Por que... por que fez isso comigo? — sussurrei baixo, apesar de ter achado que ele conseguiu escutar.

— Eu não sabia que as consequências iam acabar sendo tão drásticas — confessou, com a voz fraca, o que fez minha raiva aumentar mais.

Agora que caí na realidade que eu estava me envolvendo com um... narcotraficante. Pior. Eu já tinha me envolvido completamente. Tinha me jogado num abismo sem asas e agora não sabia voltar.

— ...quantas pessoas você matou? — perguntei baixo, num ímpeto curioso, apesar de saber que a resposta poderia me assustar mais. Jack suspirou.

— Eu sei que fiz coisas horríveis, Elsa — falou ele — Sou uma pessoa ruim. E não tenho como desfazer isso.

Olhei para a janela, querendo fitar qualquer coisa que não fosse seu rosto. Eu estava com raiva, assustada, me sentindo fraca e excepcionalmente tola.

Mexi no cabelo bagunçado, massageando as têmporas. Voltei a encará-lo.

— A pior parte, e incrivelmente irônica, é que foi uma mentira. Santo Deus, eu não sabia nem quem você era até hoje — falei rindo sem humor, mais surpresa comigo mesma que com tudo. — Eu juro que preferia saber da verdade desde o começo, Jack.

— ...você iria se desesperar se soubesse a verdade desde o começo.

— NÃO IMPORTA! — exaltei-me — Você sempre mentiu, não foi? Isso fazia parte do jogo, me fazer de idiota?

Pensei comigo mesma se tinha sido uma mentira todas as vezes que ele tinha me tocado, de todas as formas. As imagens iam e voltavam como flashes incessantes. Alguns sorrisos, risadas e olhares sarcásticos cheiravam à álcool e nicotina. Da praia em Southland, de uma racha no Porto... Do quarto 102 de um motel beira de estrada. Uma dança de country no Red Club. Tudo ia e voltava. Estava doendo tanto. E eu só queria morrer.

— Eu nunca disse que tudo foi uma mentira — respondeu ele — Me apaixonar por você não fazia parte do plano.

Novamente, o silêncio.

Tentei digerir as palavras, mas tudo que vinha na minha mente era ódio e mais ódio e meu estômago estava revirado.

— Você está mentindo outra vez — acusei, afastando-me. Jack instintivamente diminuiu a distância, me fazendo ficar mais perto dele.

— Juro que gostaria de estar mentindo agora — falou ele, com olhar pesado, desesperado. Dei mais um passo pra trás pra me afastar, mas ele fez um movimento para tocar no meu braço e explodi.

— NÃO ENCOSTE EM MIM! — gritei, e ele afastou o braço surpreso. Mais que surpreso, seu olhar tinha algo a mais. Tristeza mútua.

— Está com tanta raiva por eu ter mentido pra você? — perguntou.

— Não! — respondi com a voz embargada, limpando uma lágrima irritante que insistia em sair. — Não estou. — repeti, respirando fundo. — Mas eu te odeio, eu juro por Deus que te odeio, Jack Frost! — exclamei, caindo em mim segundos depois da frase dita. — Meu Deus, eu te amo — sussurrei em desespero pra mim mesma, virando o rosto, tão baixo que dessa vez acho que nem ele pode escutar.

E isso era verdade. Eu estava com tanta raiva não era por ele ter mentido, mas por me ter feito amá-lo em uma mentira. E amá-lo demais.

E eu só consegui me dar conta disso agora. Estava tão confusa, tão farta, não sabia o quê fazer, pra onde ir. Só queria sair dali o mais rápido possível.

— Elsa, eu nunca pedi pra nada disso acontecer — falou Jack — Nunca tive escolha. Por favor, me perdoe, por favor...

— Cale a boca, Jack — pedi, com um nó gigantesco na garganta. — Só cale a boca.

Jack permaneceu no mesmo lugar em silêncio. Eu sentia que esse lugar estava me sufocando.

— Eu preciso ir embora, não consigo ficar aqui — anunciei, mas meus pés pareciam não quererem locomover-se do chão.

— Pelo amor de Deus, Elsa, não vá embora achando que eu... — começou, aproximando-se mais uma vez, e fiz questão de chegar mais perto da porta, andando de costas e esbarrando nela. Queria fugir.

— Sério, Jack, eu não quero mais ver você na minha frente — pedi pausadamente, sentindo meu coração se dilacerar feito vidro e meu pulmão arder. — Não me procure outra vez. Por favor. — falei com a voz falha, abrindo a porta e saindo finalmente apressada, sentindo meus olhos liberarem todas as lágrimas que estavam guardadas.

— ELSA! Por favor, espere! Elsa... — gritou ele, desesperado, da porta, mas a essa altura eu já estava descendo o quinto degrau. E corri, querendo, sobretudo, abrir um buraco negro no espaço e me enfiar nele.

 

O céu era azul e a cidade toda era cinza quando eu deixei aquele lugar. Os carros e as pessoas continuavam transitando na rua, chegava a ser engraçado e solitário como tudo era caoticamente organizado e programado para seguir em frente, apesar da dor no meu peito.

Minhas mãos estavam tremendo, meu rosto estava molhado e eu tentava limpá-lo com as mãos. Peguei as chaves do meu carro e liguei-o apressada antes que Jack me encontrasse — quando estava virando a rua, vi-o em frente à entrada. Mas não dava pra voltar.

Eu estava incrivelmente rasgada, dilacerada e partida em mil pedaços, mas não dava pra voltar. A raiva ainda estava me consumindo como fogo e tudo que eu queria era sair dali.

Quando o carro parou no primeiro sinal vermelho, deixei-me extravasar porque não aguentava mais.

Deixei-me esvaziar e chorei, chorei mil e uma lágrimas encolhida no banco, soluçando como uma garotinha de seis anos. Olhei pelo retrovisor e me vi no espelho: eu estava parecendo à própria morte.

Meu celular tocou, ainda jogado no banco, e li pelo identificador de chamadas que era Rapunzel. Eu ainda não sabia direito o quê ia fazer, mas não quis atender ninguém.

Eu estava chegando em casa; estacionei em frente à casa perto do campus e coloquei o único óculos de sol escuro que encontrei na bolsa, tampando os olhos inchados e vermelhos. Não estava nem fazendo sol, mas não queria que minhas amigas me vissem naquela situação.

Abri a porta sem tocar a campainha, já sabendo que as meninas deveriam ter esquecido-a destrancada outra vez.

Merida estava toda jogada no sofá, dormindo; a TV ainda estava ligada. Passei pela sala e vi que Anna estava na cozinha; quando ela me notou e fez menção de sair dali, saí praticamente correndo subindo as escadas e trancando minha porta do quarto.

Fiquei encostada na porta, descendo e deslizando-a até sentar no chão e abraçar meus joelhos. Suspirei.

Era a primeira vez na vida em que eu realmente não sabia o quê fazer. Mas eu sabia de uma coisa: não conseguia ficar aqui.

Eu precisava fugir.

 

[Pov Anna]

 

Já fazia umas horas que Elsa tinha saído na sua empreitada de descobrir o que Jack estava fazendo, e eu estava ficando preocupada.

Rapunzel e ela juntas são duas loucas, viu?! Onde já se viu ficar seguindo outra pessoa? Aquilo era loucura!

Não adiantava eu reclamar pra Rapunzel, pois ela sempre se gabava como os planos dela sempre davam certo. Já Merida não estava nem neste planeta, começou a ver um canal de receitas em coreano e estava dormindo até agora.

Meu celular vibrou e eu o atendi. Kristoff amorzinho, mas ninguém precisava saber que o nome dele estava gravado daquele jeito. Quê foi?! Me deixa, eu hein!

Hey! — falou ele, alegre — Não falei com você o dia todo, Anna-banana. Como você tá?

— Tô bem, Kris. — respondi, sentando num dos banquinhos da cozinha. — Só tô um pouco preocupada.

Com o quê? — perguntou apreensivo, e nesse momento agradeci a Deus por não estar vendo ele pessoalmente, pois não saberia mentir.

Puta merda, Anna, não seja burra! Os meninos não sabem sobre o que a Elsa tá fazendo. Caralho, quase que a Rapunzel me matava agora se soubesse que eu ia abrir o bico.

— Ah! — falei, sem graça — Não, nada não. Só as provas finais — ri nervosa; Kristoff murmurou algo e eu resolvi mudar de assunto logo. — Mas, hey, como vocês estão aí? — perguntei, referindo-me aos outros garotos.

A gente? — perguntou confuso — Ah, como sempre, amor, você sabe. Pelo menos não é meu dia de lavar a louça.

— Até parece que vocês lavavam. — falei rindo, e ele meio que assentiu.

Ok, é verdade... — respondeu ele — Mas agora está mais quieto, sabe. Jack foi embora hoje de manhã. — Opa! Chegamos num assunto interessante agora.

— Ah... mesmo? — perguntei, torcendo para não parecer que já sabia. — Estranho. Ele disse o porquê?

É, eu também achei. — respondeu Kris — Não, na verdade não disse. Falou algo sobre resolver as coisas e só. Bem, eu nunca entendi muito bem o Jack.

— É verdade — murmurei rindo, pensando que talvez só Elsa fosse entender.

Mas é uma pena, sabe — continuou falando — Ele é um cara legal. Espero que volte um dia.

— É, sim... — murmurei, e já ia começar a falar sobre um assunto aleatório que me veio na cabeça quando ouvi o som da porta se abrindo. Caramba, a gente tem que aprender a trancar essa porta, meu Deus.

Estiquei um pouco a cabeça e vi que era Elsa. Porra, finalmente né...

Saí dali pra ir falar com ela, mas quando me viu correu em disparada em direção ao quarto. Quê que tá acontecendo? Subi as escadas pra ir a seu quarto, mas quando ia abrir a porta, estava trancada. Bati na porta três vezes, chamando-a, mas a menina parecia que tinha evaporado.

— Elsa! — falei mais alto, impaciente. — Abre a porta pra mim, por favor. Eu tô ficando preocupada.

Ainda nada. Esmurrei mais, começando a perder a paciência.

Rapunzel saía de seu quarto, com a toalha enrolada ao cabelo e outra ao corpo, com cara de poucos amigos.

— Mas que barulheira doida é essa? Não tem como terminar meu ritual de beleza desse jeito — falou emburrada, vendo-me em frente à porta da loira.

— É a Elsa! Ela chegou agora, se trancou aqui e não quer falar comigo. — respondi, irritada.

— Elsa, meu amor... — disse com voz doce, parando em frente à porta. — TU QUER FAZER O FAVOR DE ABRIR ESSA MERDA? — gritou, batendo mais forte na porta e forçando a fechadura. Caramba, se a Elsa não abrisse ela ia derrubar. — Se não abrir eu vou derrubar, esteja avisada! Um...dois — falou, e foi mais que suficiente para que alguns segundos depois a porta fosse destrancada. — Obrigada.

Entramos, e Elsa estava apressada, usando uns óculos escuros — dentro de casa (?) —, tinha várias coisas jogadas no chão e uma mala incompleta em cima da cama. Pera aí, quê que é isso?

— Quê que tá acontecendo aqui? — perguntou Punzie, lendo meus pensamentos. Elsa mal deu atenção, estava ocupada colocando coisas dentro da mala. — Elsa?

Merida chegou e parou em frente à porta, com a cara amarrotada de sono. Ficou com a mesma expressão da Punzie, deve ter acordado com a gritaria.

— Ai, porra. Eu tava dormindo. — disse, dando um bocejo, como se fosse novidade. — Ei... quê que tá acontecendo aqui?

Rapunzel, impaciente, aproximou-se de Elsa fazendo-a parar. Abaixou um pouco a cabeça e Punzie perguntou.

— Elsa, o quê foi? — perguntou, repousando as mãos em seus ombros. — Estamos preocupadas. O quê você descobriu? E por que diabos está usando esse óculos tão old?

Punzie, mesmo ainda confusa, parecia estar sacando as coisas mais rápido que eu. Elsa suspirou, cansada, e retirou os óculos. Tinha olheiras horríveis e seus olhos estavam vermelhos, de quem estava chorando. E eu ainda não entendia nada junto com Merida.

Elsa desviou os olhos para a mala incompleta. Um silêncio um pouco constrangedor tomou o quarto enquanto uma encarava o rosto da outra. Punzie tornou a perguntar e a loira finalmente disse:

— Punzie, eu... — começou — o quê descobri sobre Jack foi... muito pior do que eu queria saber.

— Como assim? — perguntei, confusa. Elsa parecia estar com dificuldade pra falar.

— Não sei como vou explicar... — disse ela — Mas foi horrível. Eu não tô aguentando isso, quero ir embora. — disse, voltando a procurar coisas no guarda-roupa.

Ir embora?

— Pelo amor de Beyoncé, mulher, explica isso direito. — insistiu Punzie.

— O Jack sabia! — gritou ela, o que me assustou um pouco, dei um passo pra trás. — Ele sabia, Rapunzel. De tudo... Jack faz parte do narcotráfico.

O QUÊ?!?!

Meu queixo caiu instintivamente ao ouvir essa frase. Eu ouvi direito mesmo? Estava louca? Acho que as meninas estavam tão surpresas quanto, já que o silêncio voltou.

— Não pode ser — disse Meri, desacreditando. — Mana, como assim? Isso é loucura.

— Não, era verdade, e eu... — falou Elsa — Eu me enganei tanto, e... Não posso.

— Isso não está fazendo sentindo algum, pelo amor de Deus! Elsa, tem certeza de que está sóbria? — perguntei, torcendo para que não fosse verdade.

— Não estou pirando, ele acabou me contando tudo, desde o início. Ele foi pra Universidade pra ser meio que nosso guarda-costas, já que nosso pai tinha se envolvido com o tráfico e tudo mais, disse que nós corríamos perigo. Por isso ele me conheceu. E daí, depois que aconteceu aquilo com o papai... bem, já sabe dessa história — disse ela, apressada.

Caramba... agora fazia algum sentido.

Aaah, por isso ele tinha corrido atrás daquele cara armado na minha festa! Preferi não pensar no papai outra vez. Estava tudo muito complicado ultimamente.

— Ele era filho daquele cara que apareceu no jornal algum tempo atrás, o North.

— Quem? — perguntou Punzie — Céus, Elsa, eu não assisto jornal. — disse, impaciente.

— Tanto faz, isso não importa agora! — falou a loira, colocando últimas coisas na mala e fechando-a. — Anna, pega isso. Preciso que faça algo pra mim — disse Elsa, entregando-me seu cartão. Oi? Perdi algo?

— Por que está me dando seu cartão? — perguntei sem entender.

— Abra o notebook, compre uma passagem pra mim — pediu — O mais rápido possível.

— Passagem?! Você ficou louca, quê está fazendo? — perguntou Punzie, assustada.

— Vocês não entenderam? Eu preciso ir embora! — gritou ela, e comecei a ficar realmente assustada. — Eu... preciso só de um tempo. Tem muita coisa acontecendo. Preciso de um tempo pra mim — completou, com o tom de voz mais normal, depois de sua explosão.  

— Você vai viajar? Pra onde? Elsa, eu não acho que... — disse Meri, confusa.

— Não sei, só quero ir pra longe. Algum lugar na Europa, Inglaterra talvez — interrompeu a loira. — Anna, por favor, compre uma passagem pra mim de preferência para hoje. — disse, dirigindo-se novamente a mim e ao cartão.

— Não, Elsa, você não pode ir embora! Por favor, Elsa... — falei, quase chorando, porque a última coisa que queria era que ela fosse.

— Anna, é só um tempo — insistiu ela. — Por favor, estou te pedindo.

— Você vai fugir? — interpelou Punzie, meio irritada. — Sabe que isso não vai adiantar, não é? Sabe que seus problemas vão continuar aqui quando você voltar, não sabe? Pelo amor, Elsa, não faça besteira...

— Não importa! — disse a loira — Por favor, vocês não entendem... Eu só quero ir embora dessa cidade... — falou, sentando-se na cama, encolhendo-se e escondendo o rosto por entre as mãos.

Acho que na vida toda, nunca tinha visto minha irmã tão frágil. E olha que ela geralmente era minha referência de uma pessoa forte. Meu coração estava apertado ao vê-la naquela situação.

— Tudo bem. Eu vou comprar. — falei por fim, pegando o notebook. — Mas você vai falar melhor com a gente depois. — E eu ainda teria que falar com papai sobre isso, apesar de que não faria diferença já que é todo mundo maior de idade mesmo.

Elsa levantou o rosto e esboçou minimamente um sorriso. As meninas ainda não estavam satisfeitas, mas não me impediram.

— ...obrigada. Eu amo vocês, amo mesmo — disse ela, levantando-se para nos dar um abraço em grupo. Ficamos alguns segundos assim até que nos soltamos, e abri a página para comprar a droga da passagem.

 

[Pov Jack]

 

Fiquei completamente destruído depois que Elsa deixou esse lugar. Não havia palavras pra descrever o quanto tudo me quebrou por dentro. Como eu deixei as coisas chegarem a esse ponto?

Eu sempre soube que havia a possibilidade de um dia ela descobrir, Breu sempre me falava isso e eu nunca dei real atenção. Mas nunca pensei que seria assim.

Eu estava me sentindo tão estranho... nunca havia me sentido assim antes. Parecia que um órgão vital estava faltando. Parecia que Elsa havia ido embora e levado um pedaço de mim consigo quando passou por aquela porta.

Não dava. Breu me disse pra ficar aqui, mas na primeira oportunidade eu saí. Precisava encontrá-la a qualquer custo, e estava pouco me fodendo para as consequências. Nada, absolutamente nada fazia sentido sem ela.

O problema é que eu não tinha ideia de por onde começar a procurar. Não achei que seria uma boa ideia pisar em sua casa, por isso liguei pra Anna; sabia que era arriscado, mas era minha única chance.

Demorou um pouco, mas ela atendeu.

— Anna? — perguntei apressado.

Jack? — perguntou de volta, quase num sussurro. — Droga, você não deveria estar me ligando! Eu sei o que aconteceu. Como sei o que você fez!

E lá se iam minhas chances de procurar Elsa.

— Anna, por favor, não desligue — implorei — É muito importante. Você sabe onde a Elsa está, não?

Ah, não, Jack, por favor! — disse ela, irritada — É sério? Não posso te dizer isso. Não quero que ela fique pior do que está.

— Anna, é a última coisa que irei te pedir na vida! — implorei mais uma vez, e quando achei que ela ia desligar, suspirou.

Mas que ódio de você, garoto — falou, ainda irritada. — Olha, não vai fazer diferença. Estamos no aeroporto e daqui a pouco o vôo dela sai.

Aeroporto?!

— Como assim “aeroporto”? Ela vai viajar? — perguntei desesperado.

É, Jack, não óbvio? Caramba. Elsa vai pra Inglaterra. Eu não queria, mas se ela acha que é melhor assim, então...

— Anna, pelo amor, não pode deixá-la ir.

O quê, você não está pensando em vir pra cá, está? — perguntou; fiquei em silêncio. — Não, Jack! É melhor nem... — ia continuar falando, mas nessa hora já tinha desligado o telefone e partido (com a moto, pela rapidez) para o aeroporto.

 

Por quê diabos tinha tanta gente no aeroporto a essa hora? Que inferno! Empurrava os outros sem me importar com os xingamentos, corri os olhos pelos inúmeros portões do aeroporto e não encontrava ninguém em lugar algum.

Fiquei chamando e repetindo o nome de Elsa mesmo sabendo que provavelmente ela não iria escutar. Reconheci os cabelos ruivos e cacheados de Merida e corri até onde elas estavam, apesar de não ver a loira em lugar nenhum. Estava começando a me desesperar, meu coração estava comprimido, não ia conseguir encontrá-la. Olhei o relógio e vi que eram exatamente 23h03min.

Anna foi a primeira a me avistar. Tinha incredulidade e um pouco de raiva no rosto, mas mesmo assim não me importei quando corri para perguntar a ela:

— Onde ela está? — falei ofegante, me agarrando às esperanças à frente do portão 5.

— Não acredito, o quê você está fazendo aqui? — Rapunzel foi a primeira a falar, mas Anna fez um sinal com a mão para que ela nos deixasse e a loira ficou com uma cara enraivecida. Merida não estava diferente, mas eu não podia culpá-las. Era tudo culpa minha.

— Jack... — começou Anna, hesitante — Desculpe. Ela acabou de entrar.

Não pode ser. Olhei, desesperado, as portas de vidro, guardadas pelos seguranças do aeroporto e ia tentar ultrapassá-las, se Anna não tivesse puxado imediatamente meu braço quando percebeu que eu iria me mover.

— Ela não pode ter ido, Anna, por favor — falei, encarando-a — Ela não poderia...

— Jack, deixe-a — pediu ela. — Elsa precisa ficar sozinha. Entenda! E você também já está com problemas sérios demais.

— Eu não consigo... — falei, caindo de joelhos no chão, me sentindo dilacerado e com os olhos úmidos. — Eu não... — minha voz ia morrendo, passei os dedos por entre os cabelos e sentia minha cabeça doer.

— Me desculpe. — disse ela, por fim, olhando-me condolente e depois dirigindo o olhar às amigas. — Eu... tenho que ir agora.

Merida e Rapunzel afastaram-se mais, e Anna iria segui-las, mas virou-se novamente dizendo:

— E, Jack — falou, me fazendo levantar os olhos para a ruiva. — Boa sorte. — disse sincera, sorrindo fraco; assenti e esbocei um sorriso de volta, ainda no chão do aeroporto.

Eu estava completamente perdido, não tinha ideia do quê faria. E tudo doía tanto.

Ela estava me deixando, e eu não consegui dizer sequer uma palavra.

Ela estava me deixando, e eu não conseguia ao menos levantar do chão.

Eu achava que já havia chegado ao fim do abismo diversas vezes, mas depois disso... vi que a realidade conseguia, de fato, ser muito pior.


Notas Finais


OK NÃO ME MATEEEEM
foi triste? foi
chorei? talvez
oq vcs acham que o jack vai fazer agora? a elsa vai mesmo embora? oq acharam do momento da verdade??
drama e dor, eu sei :v mas o pov da anna me fez rir bastante HAHAH não se preocupem, o próximo não vai deixar ninguém na bad.
vou dizer q adorei os comentários de vcs no último, quero ver oq vão dizer agora hahahha comenteem por favor, façam uma autora feliz hoje!!! <3
ps.: estamos nos aproximando do fim, meu coração dói :(
ps2.: honest, do the neighbourhood, é a música que define esse cap.
ps3.: mais uma vez, COMENTEMM!
xoxo, até a próxima


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