História Ages Ago - Capítulo 2


Escrita por: ~

Postado
Categorias Justin Bieber
Personagens Justin Bieber, Personagens Originais
Tags Justin Bieber, Romance
Exibições 554
Palavras 6.186
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Festa, Hentai, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


"Se atrever à desafiar"

Surpresa, surpresa!
Espero que gostem <3
Boa leitura!

Capítulo 2 - Dare to challenge


Meu escritório era grande, eu gostava dele. Eu também tinha algumas fotos por ele. Fotos de casa, fotos da família. Fotos dos amigos, do que eu amava. Meu celular estava em minha mão, então sendo colocado na minha mesa, comigo me apoiando nela. Paredes brancas, quadros, porta-retratos, janelas grandes o suficiente para eu ver parte de Seattle.

E sempre faltava algo.

Soltei um suspiro, encarando Adam. Ele apenas revirou os olhos para mim, então me encarando ao se aproximar, colocando a mão em meu ombro, as sobrancelhas levantadas.

Adam, o braço direito. E muitas outras coisas, inclusive.

Apesar de tudo, eu sentia falta de casa.

— Vá logo, Annie. — Levantei as sobrancelhas para ele. — Há quanto tempo você não tira uma folga? — Fiz uma careta para essa. — Cinco anos? — Ele não tinha errado tanto.

Só por dois anos.

Um canto de minha boca foi repuxado por mim mesma, aumentando a careta.

— Quase sete.

— Viu? É disso que eu estou falando. — Os olhos verdes me encaravam, atentos. Adam estava nos seus trinta e cinco anos de idade, era dedicado, atento, preocupado com o trabalho, meu braço direito, e extremamente alerta a qualquer problema na empresa.

Assim como era meu ex-namorado.

Cabelos pretos, barba rala, academia frequente, cérebro ótimo.

E não tinha sido o suficiente.

— Vá logo, seu pai não vai viver pra sempre, você tem todo o tempo do mundo pra voltar para a empresa, mas não tem a vida eterna com seu pai. Aproveite, tire o verão de folga, só... — Ele passou a mão por meu rosto. — Se divirta, Annie. Vai te fazer bem.

Soltei um suspiro.

Éramos grandes amigos, ainda. Mesmo que tivesse sido difícil, no início, manter tudo, no final ele entendeu. Bom, acho que tinha entendido, não era problema meu me preocupar com isso quando ele havia declarado que sim, estava tudo certo. Então estava tudo certo.

— É. — Eu odiava admitir. — Eu sei.

Mas era adulta o suficiente para fazê-lo. Eu tinha dado meu sangue naquela empresa, suor, dia a dia. Ia apenas passar o natal em casa, com meu pai e meu irmão, nunca mais que isso. Nem meus aniversários eu ia pra casa. Passava a tarde no Skype com meu pai e meu irmão, e então ia aproveitar a noite com alguma antiga colega da faculdade, ou sei lá. Alguém que eu chamava de amigo.

Era difícil admitir que, quando você está nos trinta, a definição de amigo se torna aquela coisa que... sei lá. Eu preferia meus amigos do ensino médio, mas só falava às vezes, como quando estava indo pra casa, pra sairmos. Como eles tinham suas próprias vidas, nem sempre dava certo.

Eu esperava rever eles dessa vez, ao menos.

No natal anterior, dois anos atrás, eu descobri que meu irmão estava namorando.

Matt namorava Jack. Um homem. No caso, meu irmão era gay, e eu achava isso incrível. E ele não era uma pessoa em conflito. Meu irmão sabia o que queria, e era por isso que havia se casado com o mesmo cara por quem tinha se apaixonado — e ajudado a sair do armário.

Em menos de meses namorando — oficialmente namorando, já que eles estavam juntos há anos, escondidos —, descobrimos que eles tinham ido num feriadão à Vegas...

E casaram.

Era louco imaginar que meu irmão, que sempre foi mais certinho que eu, tinha virado a casaca e invertido o jogo.

Era divertido, também.

Meu pai, inclusive, tinha aceitado até melhor do que imaginei ser possível. Tanto o casamento quanto o namoro.

Mas aí vinha a parte difícil.

Pouco depois de meu irmão assumir o namoro para nós... Pouco depois do ano novo, descobrimos que meu pai tinha um câncer maligno que já havia se apossado de dois órgãos de seu corpo.

Sem cura, apenas tratamento. Podíamos lutar contra o tempo para que meu pai ganhasse mais uns anos, e com sorte nesse tempo uma cura fosse desenvolvida. Eu, inclusive, entrei em contato com mais de dez firmas médicas nos Estados Unidos e Europa. Nenhum deles tinha interesse em desenvolver uma cura sem patrocínio, como funcionava todo o mundo, e eu não tinha grana o suficiente pra investir em um patrocínio.

A vida real era uma merda. Às vezes era divertida, nem sempre.

Felizmente, a empresa já estava quase toda desenvolvida, e eu tinha mais de dez mil dólares guardados para emergências, fosse qual fosse. Investi tudo no tratamento dele, lhe dando mais um ano além do esperado, que era de semanas. No máximo isso, na época. Nesse meio tempo eu investi mais vinte mil, cuidando para que ele fosse bem cuidado, tratado e tivesse todos os medicamentos necessários — além de todo o resto que ele possivelmente poderia precisar. Quatro meses atrás o médico confirmara que o câncer passou a regredir novamente, e alcançara outros dois órgãos. O esperado de vida era de dois meses. Investi mais de o dobro de dinheiro dessa vez, garantindo que meu pai realizasse um sonho antigo dele e de minha mãe. Garanti um tratamento em movimento. Minha mãe já havia falecido muito tempo atrás, por um enfarto, eu era bem nova, mas meu pai queria garantir que o sonho deles fosse realizado: viajar para a Nova Zelândia. Como ele não podia ir desacompanhado, paguei a viagem para meu pai e meu irmão. Eles ficariam dois meses fora, mas tiveram que adiantar um mês sua volta por um único motivo.

O câncer piorou.

Então, o médico buscou um novo método. Cada dia mais difícil de encontrar uma solução, mas não impossível.

Todos os dias eu acordava esperando pela má notícia.

De dois anos, apenas um dia eu tinha acordado com uma boa notícia, e fazia mais de um ano. Meu pai tinha conseguido passar bem pelo tratamento inicial.

E então só regrediu.

Só más notícias.

Eu tinha grandes esperanças, pra ser sincera, esperava ao menos mais um natal com meu pai.

Mas não era isso que ia acontecer. Estávamos no verão, início dele, ao menos mais seis meses para o natal.

Meu pai não tinha nem seis semanas.

Nem seis dias.

Uma semana atrás eu recebi uma ligação. Era de meu pai. Ele queria se despedir, e pediu para que eu parasse de gastar milhares de dólares com ele, porque não havia mais solução. Ele literalmente quebrou toda a esperança que eu pudesse ter.

Meu irmão havia me ligado ontem durante a noite, quarta-feira. Ele achava que meu pai não durava até amanhã, sexta.

Era doloroso.

Meu pai estava morrendo, e eu estava correndo contra o tempo. Iria visitá-los apenas em duas semanas, mas... Era difícil pensar que eu estaria dando adeus. E agora eu tinha menos de vinte e quatro horas pra isso.

Adam me abraçou, piscando para mim antes de fazê-lo, apertando meu corpo contra o dele com força. Ir para casa me trazia dor, agora. Eu sentia saudade de lá, mas sabia que era a última vez que estaria indo e veria meu pai. Eu sabia e sentia isso.

— Você sabe que ajudou ele o quanto podia, Annie.

— Eu sei. — Suspirei. — Só queria poder fazer mais.

Ele sorriu, se afastando.

— Você gastou quase cem mil em menos de dois anos. Você literalmente fez o que poucas pessoas fariam.

Concordei com a cabeça, respirando fundo. Adam sorriu ao ver o olhar decidido.

— E mande notícias do Matt. Quero saber como estão indo as coisas, fora o Jack. Matt me prometeu que iria trazer Jack um dia para Seattle, mas até hoje não o fez.

Dei de ombros, apertando seu ombro, me afastando e dando a volta por minha mesa.

— Você sabe como o Matt é. E ele ama aquele colégio, não deixaria lá por nada.

Adam sorriu.

— Eu sei.

— E por favor, Adam, se você precisar de mim, me chame. — Ele revirou os olhos, como se fosse óbvio que faria isso. — E eu quero relatórios diários.

Ele concordou com a cabeça, então batendo continência.

— Sim, senhora, chefa.

Abri um sorriso fraco para ele, com ele retribuindo.

— Quer que eu dê uma olhada no apê?

Concordei com a cabeça, pegando minhas pastas de documentos e meu notebook.

— Você ainda tem as chaves reserva, então... — Ele revirou os olhos para mim, obviamente nada feliz com a confiança depositada que tínhamos terminado fazia mais de um ano. — Ah, você dá uma volta com meu carro de vez enquanto?

Ele concordou com a cabeça, indiferente.

Ele avaliou meu escritório e então me encarou.

— Se precisar, Annie, é só me ligar. Você sabe que pode contar comigo.

Abri um sorriso fraco, concordando com a cabeça.

— Eu sei, Adam. Eu sei. E obrigada por isso.

Ele concordou, dando um beijo em minha bochecha antes de abrir a porta do escritório. Passei por ela, então trancando-a e lhe entregando a chave.

— Até daqui uns meses.

Ele deu de ombros.

— Aposto que te vejo antes.

Ri fracamente.

— Não coloque fogo aqui.

Ele revirou os olhos para mim.

— Foi você quem colocou fogo na copa, Annie.

Dei de ombros.

— Não me lembro disso. — Me fiz de desentendida.

Qual é, eu não sabia que não podia colocar aquela merda na torradeira, não era culpa minha. Ninguém tinha me avisado.

Ele riu fracamente antes de acenar para mim, comigo seguindo até o elevador.

Entrei lá, avaliando o corredor da empresa. Paredes também brancas, mas metade delas tinha detalhes em madeira, entalhado em sua maioria. Abri um sorriso orgulhoso conforme as portas se fechavam.

O lado positivo é que, por mais que meu pai não estivesse saudável, ele tinha algo a se orgulhar.

Eu tinha realizado um sonho.

Logo eu me via entrando em meu apartamento, jogando as chaves no mesmo e avaliando minhas malas.

Meu apartamento era aconchegante, todo em bege, mel e marrom. Eu gostava da combinação das cores.

Conferi o resto das coisas, então conferindo as janelas uma última vez, fechando as persianas e respirando fundo, vendo tudo quase escuro. Quase como noite.

Passei os dedos pela bancada que separava a cozinha da sala, analisando a madeira.

Meu pai que tinha ajudado a escolher a madeira do apartamento.

Ele que tinha ajudado, também, a escolher a localização, por mais que conhecesse ainda menos de Seattle que eu.

E era para ele que eu estava indo dizer adeus.

Respirei fundo, então pegando minha mala e minha bolsa de ombro, assim como a nécessaire.

Acho que não havia nada no mundo que não acabaríamos dizendo adeus.

Carolina do Norte, então.

Uma hora depois eu já havia feito o check-in no aeroporto e esperava pelo meu voo.

Analisei Seattle enquanto sobrevoava, abrindo um sorriso fraco.

Meu pai já tinha seus setenta anos, e mesmo assim eu não conseguia vê-lo longe dali.

Infelizmente, às vezes as pessoas acabavam morrendo, e...

Era a vida.

Diziam que a única certeza que temos durante nossa vida toda é que vamos morrer.

Talvez estivessem certos.

Cochilei enquanto via e-mails da empresa, então acordando apenas quando o avião pousou, esfregando meus olhos e então me espreguiçando.

Assim que pisei fora do avião, senti o calor. Caramba, era bem mais quente que em Seattle.

No momento em que saí da sala de desembarque, vi meu irmão, que esperava com uma plaquinha em mãos toda rosa, escrita em caneta vermelha, com corações em sua volta.

“Amor da minha vida.”

Não pude conter a risada.

Larguei tudo no chão, correndo até ele. Ele me pegou no meio do caminho, me abraçando com força enquanto girávamos no meio do aeroporto. Ele ria, animado. Puxei o ar, respirando seu perfume antes de encará-lo. Ele tinha os olhos verdes, mas era um verde tão vivo que me fazia perder o fôlego sempre que eu olhava. Os cabelos dele eram ainda mais loiros que os meus, quase brancos.

— E aí, pirralha?

Abri um sorriso ainda maior.

— Senti sua falta, mano.

Ele beijou minha testa.

— Nem parece a empresária bem sucedida que fode com a vida de milhares.

Ri fracamente, apertando ele e colocando minha cabeça em seu ombro.

— Eu não fodo com a vida de milhares. — Ele riu, concordando.

— Eu sei. Não deixaria você fazer isso.

Ele passou as mãos por meu cabelo, também respirando fundo.

— Como ele está, Matt? — Perguntei, me afastando, então seguimos até minha mala, com ele dando de ombros, os olhos tristes.

— Muito mal, Ann. Muito.

Soltei um suspiro, pegando minha bolsa e nécessaire, com ele levando minha mala.

— Você acha que...?

— Que tem solução? — Ele supôs pelo meu olhar esperançoso, então negando. — Não dessa vez. — Chegamos em seu carro, com ele abrindo o porta-malas, colocando minha mala e nécessaire ali. — Foi... Tão rápido. — Ele franziu o cenho. — Elena está dando o seu melhor depois que ele pediu para ser transferido pra casa — duas semanas atrás ele havia pedido para levarem-no e deixarem morrer em casa (eu não tinha gostado da expressão, mas não era eu quem mandava...), e eu tinha contratado uma enfermeira particular, Elena. —, mas ela mesma me alertou que se ele chegar a domingo é muito. Ela acha que é essa noite.

Concordei, entrando no carro, e logo já me via andando pelas ruas que eu havia crescido rondando. Caramba, CN só crescia, eu chegava a ficar chocada cada vez que vinha pra cá.

Eu adorava minha cidade natal, amava ela, se pudesse viveria ali pra sempre, mas eu tinha escolhido ser uma empresária, então ou eu escolhia a poluição de NYC, ou iria para Seattle, que pelo menos tinha um pouco de natureza. Bem pouco, mas era melhor que Nova Iorque.

— Pega meu isqueiro pra mim? — Matt, meu irmão, pediu, comigo revirando os olhos ao pegar o isqueiro e o maço de cigarros. Ele piscou, sorrindo. — Vai me dizer que parou de vez?

— Pretendo.

Ele deu de ombros, comigo acendendo o cigarro para ele, então guardando novamente.

Ele avaliava a rua enquanto dirigia. Já era noite, quase oito da noite. Eu estava cansada, mas animada em estar em casa. As casas estavam acesas, os prédios tinham suas luzes completamente ligadas.

— Eu e Jack estamos adotar uma garotinha. — Matt soltou, comigo arregalando os olhos, sorrindo logo em seguida, animada.

— É sério? — Ele concordou, animado.

— Ela está com Jack na casa do nosso pai, ele ama ela, cara, você tem que ver.

— Jack ou nosso pai? — Matt sorriu.

— Ambos. Mas sei lá, sei que ele sempre quis netos, e lhe dei dois.

Franzi o cenho.

— Dois? Duas garotas?

Ele negou.

— Nosso pai adorou o irmão mais novo de Jack.

— O irmão mais novo dele? Aquele de treze anos? — Fiz uma careta, com Matt coçando a nuca, comigo confusa. Até onde eu sabia, o garoto deveria estar em LA com o pai.

— É. E, na realidade, ele tem dezesseis, Ann, já faz três anos que eu falei que ele tinha treze.

Revirei os olhos para ele.

— Obviamente, não acha?

Ele sorriu, comigo franzindo o cenho.

— Como eu nunca conheci ele? E como diabos nosso pai está adorando ele?

— No natal Justin estava com o pai dele na Califórnia, não com a mãe dele em Carolina do Norte, então... E ele se aproximou do nosso pai quando descobriu que ele adora basquete. Foi nos últimos meses, ele gostou bastante do nosso pai, e nosso pai gostou dele. Sei lá, o garoto gosta da atenção, também.

Concordei com a cabeça, surpresa.

— Você anda esquecendo uns detalhes nos e-mails. — Provoquei, com ele dando de ombros.

— Tem coisas que a gente só consegue falar ao vivo.

Concordei com a cabeça.

— Ah! — Lembrei. — Adam quer notícias suas, e quer que você e Jack vão logo à Seattle. Ele realmente faz questão, Matt.

Matt fez uma careta.

— Parece tão estranho, digo, vocês não estão mais juntos, é...

— Estranho? Superamos isso. Sério, ele gosta de você, mesmo que não tenhamos dado certo, é justo que você mantenha uma relação amigável com ele, se você quiser.

Matt concordou com a cabeça.

— Eu sei, ele parece ser um cara legal.

Concordei como resposta.

— Ele é.

Matt me deu uma olhada de rabo de olho.

— Você também não conta tudo por e-mail. — Dei de ombros, respirando o ar abafado da noite.

— Claro que não, certas coisas só se falam ao vivo. — Pisquei para ele. — Mas... E então, como estão as coisas?

Ele deu de ombros.

— Bom, está difícil de adotar Erika. — Parei, pensativa, com ele suspirando. — Digo, CN só agora passou a começar a aceitar o casamento, estão legalizando nossa situação, e.. Sei lá, sabe? Estamos levando a garotinha lá pra casa, mas estamos levando só no meu nome, como se só eu quisesse adotá-la.

Olhei para ele, triste.

— Sinto muito, Matt, mesmo. — Ele suspirou. — Se precisar, também, posso fazer uma carta de recomendação, sei lá. Quem cuida do orfanato?

Ele riu, sem jeito.

— Não tem essa, Ann, eles sabem que eu sou gay e sabem que quero adotar ela pra criar com o J, então... Eles... Sei lá, sabe? É tão difícil.

Abri um sorriso para ele.

— Quando foi fácil? Se você quer isso, você vai atrás, é esse o lema.

Ele sorriu para mim.

— Eu sei, é por isso que não desisti. E eu adoro ela, entende? Realmente adoro, ela é tão... Cheia de vida.

Sorri para essa.

— Então não desista dela, tenho certeza que vai dar certo.

Ele me encarou rapidamente, concordando.

— Seja o que Deus quiser, pirralha.

Sorri, piscando para ele, então notando que ele estacionava, parando no meio fio em frente à nossa casa. Bom, à casa de meu pai.

Encarei meu irmão, brincalhona.

— Pega minhas malas? — Ele concordou com a cabeça, enquanto eu abria a porta do carro e corria pela entrada de casa, subindo a entrada de dois em dois degraus, abrindo a porta tranquilamente, então. A casa tinha dois andares, era aconchegante. Quatro quartos, cinco banheiros, uma sala de estar, sala de jantar, cozinha, garagem dupla... Tinha até uma piscina.

Soltei minha bolsa na mesa na entrada num som alto, pouco me importando para isso, então olhando em volta, vendo a TV da sala ligada em algum canal infantil. Fui até lá, vendo Jack e uma garotinha negra rindo, ela devia ter uns três anos de idade, e parecia um amor.

Jack sorriu quando me notou na porta.

— Annie! — Ele se levantou, comigo vendo a menininha me encarar.

Virei o rosto, fingindo choque.

— Quem é essa garotinha? — Ela sorriu, sem jeito. Ela não tinha um dente no canto da boca, parecendo ter perdido ele recentemente. Tão novinha? Caramba.

— É Erika. — Ela falou baixinho. Abri a boca.

— Erika? — Bufei, fingindo inveja. — Eu queria ter esse nome. — Me abaixei, abrindo os braços. — Vamos lá, Eri! Me dê o abraço! — Jack sorriu abertamente para isso, dando um tapinha nas costas dela.

Ela riu enquanto saltou do sofá, então pulando em mim, me abraçando. Jack sorria abertamente ao ver isso, comigo levantando-a do chão, dando um giro pela sala antes de parar, com ela rindo, animada.

Foi quando notei um corpo cochilando no sofá. Era um garoto, tinha os cabelos castanhos claro, estava quase se sufocando dormindo com a cabeça virada pra baixo, e ele inclusive tinha uma tatuagem nas costas. Jack revirou os olhos, sussurrando um “desculpa”. Ele deu um tapa na nuca do garoto, que xingou.

— Justin, acorda. — O garoto piscou, levantando o rosto, piscando outra vez e olhando em volta, tentando se situar, parando seus olhos em mim.

Ele piscou, então olhando em volta, parando os olhos em mim.

— Ah. Oi. — Foi o que ele falou. — Justin. Prazer.

Acenei com a cabeça.

— Anne. — Ele voltou a dormir assim que terminei meu nome, comigo então encarando Jack. — Meu pai está aonde?

Matt passou pelas portas da casa nesse instante, com Erika sorrindo.

— Matt! — Ele riu, esticando os braços, oferecendo seus braços como apoio.

A garota voou para seus braços, comigo olhando em volta, esperando pela resposta de Jack.

— Lá em cima. — Respondeu. — Elena pediu para esperarmos enquanto ela troca a roupa dele.

Concordei com a cabeça, franzindo o cenho, sentindo meu coração apertado.

— Ele... — Minha boca vacilou, com Jack sorrindo.

— Ele está feliz, Annie. Não tem porque se preocupar. — Soltei um suspiro, com ele concordando, brincando com os dedos de Erika, que ria com as cócegas de leve. Ela era um amor.

Suspirei, concordando e olhando as escadas.

Ouvi alguns passos por elas, então vendo Elena surgir. Ela sorriu ao me ver.

— Anne! Seja bem vinda de volta, querida.

Sorri fracamente, com ela fazendo um gesto com a cabeça, então me parando, me puxando para o canto.

— Você se importa se eu passar a noite fora? Como todos vocês estão aqui... Minha filha está quase em trabalho de parto, queria estar com ela.

Levantei as sobrancelhas, surpresa.

— Claro que não me importo, Elena! Já devia ter ido.

Ela sorriu, me dando um abraço.

— Seja forte por ele, querida. É uma situação delicada.

Concordei com a cabeça.

— Eu sei, obrigada. Amanhã de manhã te ligo, pode ser? E qualquer coisa me avise, e não hesite em pedir o dia de folga, só vou precisar da sua ajuda mesmo pra trocar a roupa dele e ver a medicação.

Ela concordou, sorrindo.

— Não se preocupe, mesmo, Anne.

Concordei, com ela se despedindo do casal na sala, assim como dando um beijo estalado na bochecha da garotinha.

Matt apertou a bochecha de Erika logo em seguida.

— Quer ver o tio, amor?

Ela concordou, animada, com meu irmão me deixando ir na frente.

Parecia ser uma cena nada importante, podia ser qualquer coisa, mas não era. Eu havia notado o termo exato. Matt não disse para ela chamar meu pai de avô porque ela ainda não era filha deles. Eles estavam garantindo que ela não criasse laços familiares para que, caso a adoção não funcionasse, ela não perdesse tanto do que havia conquistado.

Eu precisava fazer meu irmão adotar aquela garota.

Passei pelo corredor, então vendo a porta do quarto de meu pai entreaberta, parando na mesma e encarando meu pai. Ele sorriu ao me ver.

— Meu bebê voltou mesmo, afinal.

Sorri para meu pai, caminhando até o mesmo e abraçando-o apertado, com ele retribuindo o mesmo, mas pude ver que ele já estava fraco. Muito mais fraco.

Me sentei na beirada da cama, com Erika parando ao meu lado, pedindo para levantá-la. Sentei-a em minhas pernas, com meu pai puxando uma trancinha do cabelo dela.

— Já falei que adoro seu cabelo, Erika? — Ela concordou.

— Sim. Duas vezes hoje. — Sorri para isso, com meu pai colocando sua mão na minha. Ele deu um beijo na testa dela antes de olhar para Jack.

— Jack, poderiam nos dar licença? Eu gostaria de falar com meus filhos.

Jack concordou com a cabeça, então saindo dali. O irmão dele, que até então na minha cabeça tinha continuado dormindo, se desencostou do batente da porta, vindo até nós.

Meu pai sorriu para ele, lhe dando um abraço.

— Se cuide, garoto. Não apronte mais.

Ele riu.

— Garanto que eu vou.

Meu pai negou com a cabeça, balançando seu cabelo.

— Até amanhã.

Justin encarou ele, concordando e saindo dali, fechando a porta.

Voltei meus olhos para meu pai, com Matt pedindo espaço.

Passei por cima de meu pai, indo para o lado vago da cama e cruzando as pernas em baixo de mim.

— Você parece bem, pai. — Ele concordou com a cabeça, avaliando seus dedos conectados ao aparelho.

— E eu estou, querida. — Ele me encarou. — Eu só sei que as coisas serão diferentes a qualquer momento, e estou feliz por isso. Estou em paz, sabe? Não há o que me preocupar ou se preocupar.

Encarei ele, meus olhos tristes.

— Você... Você poderia ficar mais?

Ele negou com a cabeça, parecendo divagar. Meu pai parecia beirar a loucura, saindo da lucidez, mas ainda parecia bem.

— Eu não te chamaria aqui se não soubesse que não há mais o que segurar, querida. Ann, Mattie, eu amo vocês, mesmo, mas está na hora de me deixar ir. Eu vivi o suficiente, e graças a você — ele me encarou —, eu pude realizar o nosso sonho. — O sonho dele e de minha mãe. — É o suficiente, querida, e creio que seja o que é justo. É justo para todos nós. Vocês dois deram o seu máximo para que, mesmo com um câncer como o meu, eu pudesse viver, e obrigada por isso, vocês fizeram muito, mas vocês precisam me deixar ir. Agora é você — ele olhou para meu irmão — e você. — Então olhou para mim. — É só vocês dois, e vocês precisam se apoiar. É assim que a família funciona, lembrem-se disso nos melhores e nos piores momentos, porque vocês são tudo de apoio um para o outro.

Concordei com a cabeça, limpando o canto do rosto, que insistia em fazer as lágrimas caírem.

— Você sabe que... — Franzi o cenho. — Eu não... — Soltei um suspiro. — Eu só não queria que você fosse agora, tem tanta coisa que você deveria ver.

Ele riu, tossindo, então tossindo novamente várias vezes antes de continuar.

— Eu sei que queria, meu amor, sei mesmo, mas... Não há mais o que ver.

Meu irmão concordou, limpando os olhos.

— Nós te amamos. — Foi ele quem falou, comigo concordando.

— Muito. — Acrescentei.

Ele riu, tossindo outra vez.

— Eu sei que sim, criei duas pessoas incríveis. Continuem sendo assim incríveis, lutem pelo que acreditam e terminarão tão bem, ou melhor, que eu.

Ele me encarou, sorrindo, parecendo querer mudar de assunto.

— Como está a empresa, querida?

— Ganhamos um prêmio local mês passado por sustentabilidade.

Ele sorriu, então encarando meu irmão.

— E a aula de literatura inglesa?

— Consegui fazer todos os meus alunos passarem sem sequer pegarem recuperação. Foram as melhores médias da disciplina em anos.

Ele aumentou o sorriso ainda mais.

— Viram? Vocês fazem o que amam e tem um ao outro.

Eu sorri para isso, então segurando sua mão.

— Eu não quero que isso seja uma despedida.

Meu pai sorriu, negando com a cabeça.

— Não é uma despedida, querida. — Ele apontou com a cabeça para um remédio na mesa de cabeceira. — É só um boa noite, por hoje. — Ele piscou para mim.

Analisei ele por um instante antes de ver meu irmão pegar o remédio, então lhe entregando um copo de água logo em seguida.

— Querem dormir comigo essa noite? Faz tempo que não fazemos isso.

Ri fracamente, engolindo o choro.

— Fazem mais de quinze anos, pai.

Ele deu de ombros.

— Nunca é tarde pra voltar aos velhos hábitos, é?

Sorri para isso, então concordando. Tomei um banho, com Jack informando que já tinha arrumado dois quartos para eles, já que passariam a noite ali para apoio. Eu sabia que ele estava preocupado com Matt.

Logo em seguida eu me via me deitando entre meu pai e meu irmão, eu e meu irmão no canto da cama, com meu pai já cochilando.

Encarei ele, analisando o medidor de batimentos ao seu lado, com os bips frequentes.

Passei meus dedos pelos seus, vendo a aliança de casado ali, mesmo após mais de vinte anos.

Matt me abraçou quando deitei.

Quando acordamos, o bip era constante.

Ele sabia que morreria naquela noite. Sabia perfeitamente disso. Eu não sabia como, mas ele sabia.

Jack estava na porta do quarto, encarando a cena conforme notávamos o que havia acontecido.

Meu pai tinha morrido enquanto dormia. Completamente indolor.

Era o melhor que ele teria, é verdade.

Ele já tinha sofrido o suficiente nos últimos dois anos.

Matt me abraçou, com nós dois respirando fundo.

— Estava na hora. — Foi o que ele falou em meu ouvido, comigo concordando.

Analisei o corpo de meu pai, concordando.

É. Estava na hora.

Muitas coisas estavam na hora e... Era isso.

— Eu vou sentir falta dele. — Falei, com Matt rindo fracamente.

— Eu também, Ann.

Olhei para meu irmão, com ele piscando outra vez.

Em menos de vinte e quatro horas, com tão pouco tempo para me despedir, eu ainda assim consegui me despedir.

Era difícil deixar algo assim importante para trás, mas...

Às vezes era necessário. E às vezes a vida te obrigava a isso.

Matt me ajudou a levantar da cama, então encarando o corpo de meu pai, me abraçando.

— Você vai ficar quanto tempo?

— Até o verão acabar.

Ele concordou com a cabeça.

— Então temos muito tempo pra garantir que nossas vidas valham juntas antes de nos separarmos novamente, pirralha.

Sorri para ele, respirando fundo, sentindo o peso do mundo sair de meus ombros.

Era incrível como, em minutos, uma vida podia mudar.

E eu realmente não fazia ideia do quanto aquilo era verdade.

Respirei fundo, deixando Jack entrar ali, abraçando Matt, enquanto eu ouvia meu irmão fungar.

Respirei fundo outra vez, limpando meu rosto enquanto descia as escadas, indo até a cozinha.

Parei na mesma, confusa, olhando em volta. Ok, onde ele...

Subi no balcão, tentando alcançar o que queria. Me levantei, então finalmente alcançando as bebidas, colocando-as na pia e então pulando para o chão novamente, pegando um copo e virando a garrafa de uísque. Eu era uma adulta há anos, então nada no mundo me impedia de beber.

Eu tinha tomado dois goles quando Jack entrou ali, então me encarando e desviando, saindo dali.

Eu tinha lágrimas descendo pelo rosto. Doía, doía muito. Pra caramba.

Tomei o copo todo antes de respirar fundo, fechando os olhos. Alguém tirou o copo de minha mão, comigo vendo Matt. Ele me encarou, negando com a cabeça.

— Você beber jamais vai trazer ele de volta, Ann.

Dei de ombros.

— Ajuda a esquecer tudo que perdi. Eu perdi dois anos da vida dele que poderia ter ganhado, Matt.

— Você não era obrigada a ter perdido. — Ele apontou. — Foi uma escolha sua.

Me afastei dele, incrédula.

Escolha minha? — Minha voz subiu, com ele bufando. — Escolha minha, Matthew? — Eu estava incrédula. — Eu GARANTI nos últimos dois anos que ele vivesse, mas tive que me ausentar da vida dele por causa disso, enquanto você teve tudo!

Ele apontou o dedo para mim.

— Você não tem noção de tudo que eu perdi!

— E eu? — Aumentei o tom. — Eu perdi tudo! — Falei acima do tom que ele tinha usado, vendo Justin parar na porta da cozinha, confuso. Jack entrou ali, entrando entre nós dois.

— Qual é, pessoal, Erika está dormindo lá em cima.

Respirei fundo, passando a mão no rosto, então tentando me acalmar.

— Você não tem o direito de me dizer que foi uma escolha minha. — Falei para meu irmão. — Porque não foi!

Ele bufou, saindo da cozinha pela porta lateral. Tenso, passando a mão pelo rosto.

Respirei fundo.

— Vai piorar. — Falei para Jack o óbvio antes de seguir para fora da cozinha, vendo Matt na sala.

Vi Jack apenas puxando o irmão para o segundo andar.

— Você não tem o direito de me magoar só porque está magoado! — Apontei. — Porra, Matt, você tem uma vida incrível! Eu tentei garantir isso.

— É, mas falhou na família! — Ele retrucou, me encarando.

Parei, estacada no meio da sala.

Ele realmente tinha dito isso?

— Falhei na família? — Levantei as mãos. — Eu garanti que ela ficasse de pé!

Ele bufou.

— É mesmo, Anne? Então porque você não esteve aqui em todas as noites em claro que passei ao lado dele, ein?

— Porque eu estava cuidando que ele conseguisse TER as noites em claro, caramba!

Ele bufou, irritado, comigo sentindo as lágrimas.

— Ele disse para ficarmos juntos e você... — Falei, irritada. — Você...

Matt bufou, comigo ouvindo a porta da casa ser fechada.

— Você simplesmente esqueceu disso? De tudo que foi ensinado? — Continuei.

Abracei meu corpo, com ele negando, bufando.

— Óbvio que não. Só não acho certo você ficar se afogando em lágrimas ou bebida quando passou. — Abri a boca, chocada. — Tivemos ótimos momentos, ok, você não fez parte de todos, ok — outch —, mas então pelo menos você pode fazer parte agora! — Frisou. — Ele ia adorar estar aqui e saudável, mas não está. Pare de reclamar disso. Ele morreu, Annie!

— Eu estou aceitando da minha maneira, mas aparentemente você já aceitou há muito tempo. — Retruquei, fria. Minha voz saiu mais nojenta do que eu gostaria, mas puta que... Que merda ele tinha falado?

Ele bufou, estreitando os olhos.

— Não, Anne. Eu não aceitei, mas eu tenho que fingir que sim porque tenho uma garotinha pra explicar o que aconteceu, como um adulto, ao invés de brigar e acordar ela assim.

Bufei.

— Muito gentil da sua parte me tratar como criança. — Abri um sorriso falso, negando com a cabeça enquanto saía dali.

Passei por ele, subindo as escadas pesadamente, respirando fundo ao passar em frente à porta do quarto de meu pai, fechada. Eu tinha que ligar para os legistas, mas eles podiam esperar por uma hora, foda-se, também.

Fui até minha bolsa, abrindo-a e vendo o restante de um maço de cigarros.

Tinham dois.

Peguei um cigarro, então procurando pelo isqueiro que eu sabia que tinha ali dentro.

Passei firme por meu irmão, ignorando-o completamente, o mesmo estava sentado na sala, apenas encarando a janela.

Bati a porta da casa, me sentando nas escadas e respirando fundo várias vezes pra me acalmar, olhando o jardim antes de acender o isqueiro.

Ou ao menos tentar acender o isqueiro.

Meu isqueiro não acendia, ótimo. Incrível! O que mais podia piorar?

Joguei o isqueiro o mais longe possível, vendo ele passar certeiramente por entre duas árvores, comigo soluçando alto, chorando.

Eu encarava o nada, já acalmando o choro, quando, minutos depois, Matt se sentou ao meu lado, oferecendo seu isqueiro.

— Pazes? — Ele abriu um sorriso sem jeito. — Não gosto de brigar.

Revirei os olhos para ele.

— Eu também não, mas você que começou.

— Você pediu.

Bufei, pegando o isqueiro, com ele me abraçando, quase me derrubando enquanto tentava fazer cócegas, me fazendo sorrir.

— Não tem como ficar irritada com você.

Ele deu de ombros.

— Eu sei. E... Me desculpe. Eu não queria dizer o que disse.

— É, acho que eu também não.

— Acha? — Ele estreitou os olhos, comigo dando de ombros enquanto colocava o cigarro entre os lábios.

— É. — Falei com o cigarro na boca, com ele me ignorando.

Eu já estava na metade do cigarro quando Jack voltou, dessa vez sozinho.

— Onde está Erika? — Matt perguntou, preocupado.

— Deixei ela no orfanato, vai ser melhor por hoje.

Concordei com a cabeça, com ele suspirando.

— Deixei Justin em casa também, ele parecia afetado pela morte, sei lá, ele se apegou.

Jack se sentou ao lado de Matt, comigo dando de ombros.

— Acontece. Nos importamos, nos apegamos e nos fodemos. — Matt riu.

— Tinha esquecido do seu senso de humor.

Dei de ombros.

— É um dom inato. — Abri um sorriso brincalhão para essa.

Ele riu mais alto.

— Fazem quantos anos, Annie?

Dei de ombros.

— Doze, se eu ainda souber matemática.

Matt concordou com a cabeça, analisando o caminho até a calçada.

Eu e Jack tínhamos nos formado juntos no ensino médio, doze anos atrás. Bom, quase doze. Faltavam uns dias pra fechar certinho.

Ele soltou um suspiro.

— E então, o que vão fazer? — Ele olhou para o marido e para a cunhada (eu, no caso), curioso.

Dei de ombros, dando uma tragada no cigarro. Matt passou a mão por meus ombros, também indiferente.

— Sei lá, ele queria que fôssemos felizes.

Concordei com a cabeça, encarando o céu limpo, o verão óbvio.

— Vamos ser felizes, então.

Matt concordou, me avaliando.

— Nível fazer uma festa de arromba que nem aquela que...

Arregalei os olhos, tapando a boca, meu rosto ficando vermelho.

— Jamais toque no assunto novamente, Jackson!

Ele riu alto, com Matt parando, confuso.

— O que?

Jack me olhou, surpreso.

— Você nunca contou pra ele?

Cocei minha nuca.

— Então, certas coisas não se falam, J.

Ele abriu um sorriso encapetado.

— Sua irmã quase matou metade de um bando de adolescentes em uma festa. — Obviamente o marido de meu irmão não conhecia o significado de “certas coisas não se falam”.

Fiz uma careta, com meu irmão me olhando, curioso e brincalhão.

— Como?

Abaixei a cabeça entre minhas pernas, fingindo chorar.

— Ela drogou todo mundo com maconha.

Fingi um choro mais alto.

— Não foi todo mundo, qual é, foi só umas vinte pessoas.

— A festinha tinha trinta, Anne. — Dei de ombros.

— Não é todo mundo.

Ele riu.

— Eu perdi mais de duzentas pratas, cara, foi meu pior investimento. E, além do mais, eu ofereci pra quem queria, não obriguei ninguém a usar.

Ele concordou com a cabeça.

— Justo, mas convenhamos que foi épico ver a River chapada.

Ri fracamente com essa, concordando.

— Bons tempos. — Falei, com ele dando de ombros, fingindo levantar um cigarro de maconha invisível.

— Bons tempos nunca morrem, Annie. — Fiz um gesto de mais ou menos com a mão, levantando um canto da boca.

Dei mais um tragada no cigarro antes de encarar ele.

— Isso é um desafio, querido J? — Falei ao notar seu olhar.

Ele levantou uma mão, a outra entrelaçada na de Matt.

— Se você faz tanta questão, meu amor.

Ele tinha um sorriso brincalhão no rosto enquanto me encarava, esperando por algum medo.

Matt negou com a cabeça.

— Eu obviamente sou o mais adulto nessa casa.

Apoiei minha cabeça em seu ombro.

— Todo mundo sabe que você é o mais criança.

Ele me olhou, fingindo estar ofendido.

— Qual é.

Dei um tapa em sua cabeça, com ele revirando os olhos.

— Bêbado na piscina, Matt? — Jack puxou o ar.

— Essa foi funda. — Me falou.

Matt estreitou os olhos para mim.

— Você realmente começou um desafio, pirralha.

Levantei as mãos no mesmo gesto de Jack.

Se você faz tanta questão, meu amor.


Notas Finais


Eu não sei nem o que dizer, porque... bom, é muito estranho escrever algo que não envolva sangue ou tiros ou sei lá, vocês entenderam HAHAHAH Mas espero que estejam gostando!

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Grupo das minhas fics no fb: https://www.facebook.com/groups/1507397299492399/

Vejo vocês no próximo e nos comentários! Obrigada por todo o apoio, suas lindas/seus lindos! Significa muito <3


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