História Águas de Março - Capítulo 20


Escrita por: ~, ~gimavis e ~vonKaiser_5H

Postado
Categorias Fifth Harmony
Personagens Camila Cabello, Lauren Jauregui, Normani Hamilton
Tags Camren
Exibições 3.460
Palavras 9.438
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Famí­lia, Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


OI, GENTE! LEIAM AQUI, POR FAVOR!

Então, boa noite! Primeiro eu gostaria de dar uma informação. O Carnaval de 2016 foi no início de Fevereiro, mas aqui na fic nós colocaremos que será no início de Março, okay? Deixamos passar a data verdadeira sem perceber e enfim! Só pra vocês não ficarem confusos quando for citado na fic lá na frente.
Segundo: Eu gostaria de pedir por respeito em determinada parte desse capítulo, mais para o final dessas quase 10K palavras. Há pessoas que desgostam e etc, mas o mais importante é o respeito, sim? É um assunto que faz parte da minha vida, da vida de muitas pessoas e é claro, parte da vida da nossa querida Camila de Águas de Março. Quem não gosta, tem implicância ou algo assim, é só não ler ou respeitar. Nada de ofensas. Eu espero que vocês gostem, se divirtam, se emocionem com nosso casalzinho, se identifiquem com o que tiver para se identificar e que se sintam felizes. Eu estava com saudade.
Qualquer erro, conserto depois.

Capítulo 20 - Meu Pavilhão.


Fanfic / Fanfiction Águas de Março - Capítulo 20 - Meu Pavilhão.

Camila POV

“Aqui é o Rio, da chapa quente ao puro suco, quem é daqui tá ligado, os gringos ficam malucos. Eterna inspiração de canto em verso e prosa, do subúrbio à Zona Sul, Cidade maravilhosa... É que a Cidade tá no sangue, é que o sangue é Carioca.”

Rio – Marcelo D2.

 

Eu ainda podia sentir o movimento das ondas contra o meu corpo, a água salgada que escorria na minha pele não me deixava esquecer a delícia que se encontrava o mar naquela manhã de Sábado. Água cristalina, praia lotada, o sol brilhando forte e tão quente que a Cidade fazia jus ao “Rio 40 graus” sem esforço.  

A ressaca desgraçada que me sacudiu ao acordar, me obrigou a descer e dar um mergulho para me livrar daquela energia pesada depois de uma noite de bebedeira. Normani e Taylor me acompanharem muito a contragosto, coloquei as duas para fora da cama antes das nove. Não era nem paga e muito menos obrigada a esperar as duas levantarem depois do meio dia.

Como Lauren tinha que ir até a Microsoft fazer hora extra junto com Dinah, por conta das grandes demandas de Carnaval, e o fato de meu pai estar de folga, eu havia dormido sozinha aquela noite depois da nossa ida a Feira dos Paraíbas. Bem, sozinha não é bem a palavra, pois Mani fez o favor de se encaixar de conchinha em minhas costas, como sempre, e me tarar em meio ao sono. Para a minha sorte, meu pau não subia diante das carícias, ou eu ficaria sempre em maus lençóis ao dormir com ela. Nem dormindo aquela desgraçada deixava de ser uma vadia. Por isso era uma de minhas melhores amigas. De quem mais poderia ser, afinal?  

: - Camila, se tu demorar na porra desse banho, eu entro no banheiro e te afogo no chuveiro.  Seja rápida porque quero tomar o meu.

Normani resmungou enquanto deixava o corpo cair sobre umas das poltronas em meu quarto, toda suja de areia. Se eu não a amasse o bastante, com certeza tacaria a primeira coisa que encontrasse no caminho na cara dela.

: - Me erra, hein?

Revirei os olhos, levando as mãos para trás e desfazendo o laço que prendia a parte de cima do meu biquíni, o deixando cair no chão, ao lado da pequena cama amarela onde Elis dormia toda encolhida.  

Nós havíamos acabado de subir para o meu apartamento, depois de passarmos pouco mais de uma hora na praia. Foi o bastante para me deixar bem bronzeada e com as bochechas vermelhas. Meu rosto ardia um pouco e as minhas costas também, mas nada que eu não resolvesse com uma boa camada de hidrante.  

: - O que nós vamos almoçar? – Taylor perguntou ao sentar-se sobre a minha cama, ao contrário de Mani e eu, seu corpo estava seco e limpo, ela escolheu por não entrar no mar aquela manhã.  – Poderíamos comer no shopping, ou em Santa Teresa mesmo, no restaurante de sempre.

: - Eu tenho que almoçar com o meu pai, Tay.

Comentei com um pouco de desanimo, levando as mãos as laterais da parte de baixo do meu biquíni, o descendo por minhas coxas e ficando completamente nua na frente das duas. Normani ergueu as sobrancelhas e o dedo indicador, fazendo movimentos circulatórios com ele, para que eu virasse de costas para ela.

: - Você é muito lésbica, Normani, puta que pariu!

Taylor soltou uma risada incrédula e eu gargalhei, virando de costas e olhando Mani por cima do meu ombro esquerdo.

: - Graças a Deus, né Tay? Já pensou se eu fosse muito hétero, tipo você? Seria uma derrota.

Normani respondeu Taylor sem nem ao menos olhar para ela, me avaliando de cima a baixo e fazendo sinal de positivo com os dedões. Ela sempre fazia isso quando voltávamos da praia, para avaliar se as boas horas embaixo do sol haviam dado o resultado esperado.

: - E aí, tô marcadinha?

Perguntei sacudindo de leve o quadril, fazendo-a sorrir animada.

: - Pra caralho! Tá uma loucura isso daí. Diga a Lauren que eu já vi e já aprovei. Selo Normani de qualidade.

: - Tu é uma babaca mesmo.

Fiz um movimento de negação ainda rindo, virando de frente e me curvando um pouco para pegar as partes do meu biquíni no chão. Taylor se jogou em minha cama e fechou os olhos, suspirando, fazendo Normani sacudir as sobrancelhas para mim, indicando a cama com a cabeça. Dei de ombros e sorri para ela, vendo-a me olhar com cumplicidade. Eu não tinha culpa de Tay ainda se sentir incomodada com a questão que envolvia sua irmã e eu, né?

: - Vai logo pra esse banho, viado!

: - Já vou! Chata pra caralho. – Fui andando na direção do meu closet, puxando o cabelo para cima e o prendendo em um nó no alto da cabeça. – Posso pegar uma roupa, pelo menos?

Falei mais alto, a ouvindo responder qualquer coisa. Depois de escolher uma roupa, voltei para o quarto, peguei meu celular e mandei um beijo para Normani antes de me trancar no banheiro. Coloquei as coisas sobre a grande bancada de mármore e soltei o cabelo, encarando a minha imagem no espelho. A área ao redor da marca do biquíni se encontrava em um vermelho leve, minha pele estava quente e molhada. Mordi o lábio enquanto me olhava, deixando que a imagem de Lauren e suas mãos em meu corpo passeassem em meus pensamentos. Lauren. Só de falar nela, eu me sentia arder ainda mais. Precisava fazê-la se sentir da mesma forma o tempo todo.

Estiquei a mão e peguei o celular, colocando na câmera. O que ela acharia de receber um nude de bom dia?

Sorri maliciosa e me virei de costas, deixando a cascata de cabelo castanho cair por minha coluna e tocar a minha cintura quando olhei por cima do ombro direito, verificando a minha imagem nua através do espelho. Eu amava a minha bunda, preciso dizer, e Lauren, bem... Lauren amava também. Se havia algo que a enlouquecia em mim, era aquela parte do meu corpo em especial. Por isso, mordi o lábio inferior e fiz a cara mais safada que eu consegui, capturando a imagem no celular.

Soltei uma pequena risada animada e joguei a foto na janela de Lauren, no wpp, digitando uma mensagem logo abaixo:

“Pra você pensar em mim enquanto trabalha e se sentir inspirada.  Tô toda quente, sabia? Acabei de voltar da praia e vou tomar um banho pensando em você. Ah, já estava me esquecendo... Bom dia!” 10:20

Abri um sorriso de canto e enviei a mensagem, travando o visor e largando o celular de volta na pia. Se eu conhecia aquela mulher o suficiente, tinha certeza que ela explodiria dentro da roupa no momento em que abrisse a foto. E havia coisa mais gostosa no mundo do que deixar Lauren explodindo de tesão? Não mesmo.

Sorri para a minha imagem no espelho e deslizei os dedos pelo cabelo, entrando no box para um banho bem relaxante. E relaxar nunca foi tão bom.

 

[...]

: - Você vai desfilar esse ano, Mila? Não te vi falando nada até agora, tô achando até estranho.

Taylor perguntou deitada ao meu lado na cama, enquanto Normani mantinha as pernas dobradas sobre a poltrona ao lado. Depois de tomar banho e beliscar algo na cozinha, nós voltamos para o quarto e começamos a conversar sobre coisas aleatórias. Eu estava um pouco sonolenta, não parava de bocejar, mas não havia maneira alguma de tirar um cochilo antes do almoço com elas ali.

: - É claro que eu vou. – Respondi me virando de lado, apoiando minha cabeça na mão. – Você sabe que prometi a minha mãe que não deixaria de desfilar em nenhum Carnaval.

: - Camila vai desfilar no Salgueiro comigo também, Tay!

Mani comentou orgulhosa, abraçando os joelhos dobrados. Taylor se sentou na cama e me encarou, fazendo uma expressão de choque. Rolei os olhos para aquela reação, soltando uma risada.

: - Você, desfilando em uma Escola além da Beija-flor? Meu Deus! Esse não é o meu mundo.

: - Se tu atacar o Salgueiro, eu vou te atacar, sua branquelinha azeda e hétero.

Normani rosnou, jogando uma almofada pequena na cara de Tay, que não conseguiu desviar.

: - Ei, sem agressão. – Eu disse enquanto ria, me sentando e apoiando as costas na cabeceira de couro branco da cama. – Eu vou desfilar no Salgueiro também porque esse ano o enredo é sobre o povo de rua, Tay, e eu não posso deixar de saudá-los. E além do mais, é a minha segunda Escola.

: - Que traição a nação Nilopolitana.

Taylor torceu o nariz, deitando a cabeça em minhas coxas depois de tacar a almofada de volta para Normani. Eu e ela éramos Beija-flor doentes, torcíamos juntas e chorávamos juntas todo Carnaval na apuração.

: - Para de drama, Taylor Chata Jauregui. – Mani resmungou, sorrindo ao ver Tay rolar os olhos. – E você precisa ver a roupa da Camila. Eu fui ao barracão semana passada e olha, tá um lacre só. Ela vai arrasar como destaque da minha Escola do peito. Não é, bunduda? Vai chegar derrubando todo mundo e cantando: “É que eu sou malandro, batuqueiro, cria lá do morro do Salgueiro. Se não acredita, vem no meu samba pra ver, o couro vai comer”.

Mani se levantou e sambou no meio do meu quarto como uma passista, com direito a quebradinha e tudo. Nós rimos de sair lágrimas dos olhos.

: - É claro que tá um lacre só. Que mundo seria esse se a roupa de Padilha não fosse um lacre?

: - Ah, tia Sinu ia morrer de emoção se estivesse aqui. – Taylor choramingou, enchendo o meu peito de nostalgia. Sorri emocionada e concordei com a cabeça, iniciando uma pequena carícia em seu cabelo loiro. – Só a imagino fumando e bebendo champanhe a doidado te vendo desfilar para o povo de rua.

: - Representando bem, né?

Mani disse divertida, mas seu tom também era de quem morria de saudade.

Ah, minha mamãe... Queria tanto que você estivesse aqui.

Soltei um suspiro, voltando a encarar Taylor deitada em meu colo.

: - Hoje terá uma festa na quadra da Beija-flor, por que não vamos? Quero levar a sua irmã.

: - Lauren numa quadra de Escola de Samba? – Taylor soltou uma gargalhada e Normani a acompanhou. Apenas sorri. – Essa eu quero ver.

: - Ela vai amar, você vai ver. Vou apresentá-la a Nilópolis.

: - Se eu não tivesse marcado de sair com Dinah para outro lugar, bem que ia com vocês.

Mani lamentou tristonha, soltando um suspiro longo.

: - Eu queria muito ir, mas acho que terei que fazer companhia pra minha mãe mais tarde em um daqueles jantares insuportáveis que ela costuma ir. Mas te aviso depois das quatro da tarde.

: - Certo! – A dei um tapinha na testa e vi seus olhos se fecharem. – Meu pai vai enfartar quando eu disser a ele que vou desfilar pelo Salgueiro também.

: - Tio Alejandro é bem radical mesmo, pior que Taylor. Cruz credo! – Normani esticou as pernas na direção da minha cama, apoiando os pés no colchão. – Acho que seria o mesmo que chegar para o pastor de uma igreja evangélica e dizer que vai entrar pra macumba.

: - Ele me criou para ser hétero, filha de santo e fluminense, né Mani? Mas eu só segui as duas últimas, a primeira esqueci como que funciona. Nem lembro mais o que é ser hétero e pretendo não lembrar nunca mais.

: - Assim que se fala, garota!

Normani esticou a mão aberta e eu bati com a minha de volta.

Nós continuamos o assunto entre risadas, e eu estava gargalhando de algo que Taylor disse quando senti meu celular vibrar ao meu lado. Era Lauren, eu tinha certeza, por isso me apressei em pegar o meu aparelho e destravado o visor. Era hora de ver sua reação diante do nude que eu lhe mandei há algum tempo atrás.

Mordi o lábio inferior e senti um reboliço no ventre ao ler sua resposta.

“Holy shit, Camila! Você me deixou tremendo de tesão com essa foto, não consigo parar de olhar. Não acredito que terei que me masturbar no trabalho pela primeira vez em minha vida. Olha as coisas que você faz comigo... ” 11:02

“É mesmo, é?  Eu quero fazer muito mais. O que você achou da minha marquinha de biquíni? Gostou dela?” 11:02

Adorava provocar Lauren, amava mais do que tudo deixá-la louca. Me excitava demais e deixava meu ego lá em cima.

Ela levou apenas alguns segundos para responder, imaginei que estava com minha janela aberta depois daquele presentinho de bom dia.

“Camila, você não está entendendo o jeito em que me deixou. Eu estou latejando por você, louca para ver essa marquinha de perto e dar muitos tapas nessa sua bunda gostosa.” 11:03

“Você vai me bater? Eu fui uma garota má?” 11:04

“Foi, foi muito má. God damn it! Minha calcinha molhada pode te dizer com clareza o quanto você foi má.” 11:04

Porra! Senti minhas bochechas esquentarem e uma pontada forte no meio das pernas, melando a calcinha. Me ajeitei desconfortável sobre a cama, ouvindo as risadas de Taylor e Normani no meio de uma conversa animada ficarem longe, como se eu estivesse me trancando em um mundo paralelo. Imaginar Lauren toda excitada, sentada em sua cadeira, estava me deixando nervosa.

“Você vai se masturbar pensando em mim? Vai abaixar a sua calcinha em suas coxas?”11:05

“Vou... Em alguns segundos.” 11:05

“E vai fazer isso em que lugar? Vai ficar olhando a minha foto enquanto usa os seus dedos para se aliviar?” 11:06

“Sim! Sentada na minha mesa, e vou te imaginar de joelhos entre as minhas pernas, com sua boca na minha boceta.” 11:07

“Porra, sim!” 11:07

Eu respirei fundo, erguendo a cabeça rapidamente, verificando se a conversa ao meu redor ainda acontecia. Eu só queria sair dali e me trancar no banheiro. A cabeça de Taylor sobre as minhas coxas me deixava mais desconfortável ainda. Só podia ser castigo de Deus aquele momento. Mas era culpa minha afinal, né? E eu estava adorando.

“Você gosta do que causa em mim, não é?” 11:07

“Gostar é pouco... Me mande uma foto sua, me deixe ter algo para imaginar também.” 11:08

“O que você quer ver? Me peça algo fácil, pois Dinah pode bater aqui a qualquer momento e me pegar em uma situação vergonhosa. Você me enlouquece, Camila. Por que me faz isso?” 11:09

“Porque eu gosto, e você também... Abra os botões da sua blusa e me deixe ver o há por baixo dela, vai.” 11:10

Deslizei a mão por minha nuca sentindo o suor se concentrar ali. Meu coração batia acelerado, de repente o ar pareceu acabar naquele quarto. Eu fiquei ansiosa enquanto esperava, minhas mãos tremiam um pouco e eu concordava com tudo o que as meninas diziam, sem realmente prestar atenção em nada. Três minutos depois, Lauren me enviou a foto que eu havia pedido, e eu quase desfaleci naquela cama, e mordi o lábio inferior com força para não soltar um gemido de satisfação.

A foto que Lauren me enviou enquadrava de sua boca até o começo de sua barriga. Sua blusa estava aberta e sua pele estava exposta, seus seios apertados de uma forma deliciosa dentro de um sutiã de renda vermelha, e eu tive certeza que se encontravam loucos para serem libertos daquele aperto e massageados pelas minhas mãos.  A saia social em cinza lápis abraçava a metade de seu abdômen, completando aquele look erótico em que ela estava vestida. Mas o que me enlouqueceu de verdade, junto com a imagem de seus seios fartos naquele sutiã, foram os dentes impecavelmente brancos mordendo a pontinha de uma caneta adornada em metal. Seus lábios avermelhados e abertos ao redor, davam o toque final a aquela imagem que terminou de destruir, literalmente, a minha calcinha.

“Porra! Eu quero te dar tanto agora, tanto, que eu vou gozar umas três vezes seguidas só de te imaginar me fodendo de quatro com essa blusa aberta. Você é muito gostosa. Só de olhar os seus peitos apertados nesse sutiã me dá vontade de gemer.” 11:15

“Me fale mais, Camila... Me diga mais sobre o que queria que eu fizesse com você. Me ajude a acabar logo com o meu problema aqui embaixo. Cinco minutinhos, vamos!” 11:16

Puta que pariu! Respira, Camila! Respira, porra! Eu comecei a repetir aquilo mentalmente mil vezes seguidas. Ela iria se tocar naquele momento pra mim, falando comigo, sentada em sua cadeira de CEO. Era demais pra mim. O tesão queria ultrapassar o limite da minha cabeça.

: - Entendeu, Mila?

“Eu estou tão molhada na minha cama. Você pode imaginar isso? Pode me imaginar quente e escorregadia pra você?” 11:17

Enviei tremendo tanto que me segurei para não gemer de novo. Acabei apertando as coxas da forma mais discreta que eu consegui. Sua resposta demorou mais um pouco para ser escrita, e eu sabia que naquele momento ela estava digitando com uma mão só.

“E aberta também, na minha mesa, nua e suada, me pedindo pra te chupar bem gostoso...” 11:19

“Gemendo como a boa putinha que você adora enquanto a sua língua me fode bem devagar. Você gosta, Lauren? Gosta de me foder assim?” 11:19

: - Camila?

“Amo, eu amo quando você fica assim... Estou tão excitada, Camila. Posso sentir seus dedos ao invés dos meus. E a sua boca quente...”11:21

Eu estava digitando uma resposta apressada, louca dentro das minhas roupas, suando como se fizesse 50 graus dentro daquele ambiente, quando levei um dos maiores sustos da minha vida.

: - CAMILA, CARALHO!

Eu dei um pulo na cama, sacudindo a cabeça de Taylor. Olhei para elas espantada, arfando, enviando a mensagem que mal acabei de escrever de forma rápida.

: - Porra! Quer me matar?

Perguntei passando a mão pelo rosto, vendo Normani me encarar com olhos estreitos. Taylor apenas me olhava confusa.

: - Entendeu o que a gente disse?

: - Claro... Eu concordo com tudo.

Respondi fazendo um sinal de positivo exagerado com a cabeça, voltando a prestar atenção no celular e a ajudar Lauren a chegar onde eu queria que ela chegasse. Ela me disse que estava quase lá, e eu também estaria se estivesse trancada dentro do meu banheiro. Mandei mais algumas mensagens bem sujas, ela respondeu com mais algumas. Quando Lauren me avisou que estava prestes a gozar, eu pedi para ela me mandar um áudio daquele momento e ela mandou, poucos segundos depois. Eu me vi mole sem nem ao menos ouvir, só em ver os segundos de duração daquele áudio, indicando o tempo em que ela ficou ali gemendo e gozando pra mim. Só queria expulsar todo mundo do meu quarto e ouvir repetidamente. Mas teria que esperar até que estivesse sozinha mais tarde.

: - Camila, presta atenção aqui...

“Você é muito safada. Me fez gozar muito gostoso.” 11:30

Ela respondeu depois de um tempinho, e imaginei que estivesse se recuperando.

“Eu vou ouvir esse áudio sempre que estiver sozinha, eu te juro. Estou toda dolorida de tesão.” 11:30

“Queria um beijo agora bem lento, daqueles que me arrepiam inteira. Não sei se vou me concentrar novamente no trabalho depois de gozar assim.” 11:32

Acho que, no momento seguinte, eu consegui ver a minha vida inteira passar diante dos meus olhos em fração de segundos. Um movimento rápido e o meu celular foi arrancado da minha mão, e eu soltei um berro estridente que fez Taylor cobrir os ouvidos.

: - NORMANI!

Ela pulou para longe da cama, me deixando apavorada.

: - LARGA ISSO, CARALHO! – Ela gritou de volta. – ESTOU FALANDO CONTIGO HÁ MIL ANOS E VOCÊ CAGANDO.

: - Normani, se você tem amor a sua vida, me devolve esse celular.

Eu disse séria, a encarando com o rosto pegando fogo. Eu estava de pé na frente da minha cama, ela ao lado da porta do meu banheiro, do outro lado do quarto.

: - Não vou devolver nada, agora você vai ficar sem ele até a gente ir embora.

Passei a mão pelo cabelo, ofegante, desejando que o chão se abrisse e Normani caísse até o centro da Terra.

: - É melhor você me dar esse celular, ou eu juro que coloco teu nome na primeira encruzilhada que eu encontrar.

: - Não fica me ameaçando com a tua macumba não, hein? – Ela ergueu o nariz, mostrando que estava cagando para o meu desespero. – Eu bato em você e na entidade ruim que vier me atentar.

: - Mani, sério... – Fiz cara de dor quando ela ergueu o celular e olhou para a tela. – Mani...

Gemi frustrada, vendo-a arregalar os olhos e abrir a boca em um O perfeito enquanto rolava o dedão pela tela.

: - Eu sabia que você estava de putaria com a Jauregui mais velha nesse celular, sua ridícula do cacete! E eu aqui falando e falando à toa.

: - O quê?

Taylor perguntou quase chocada, sentando-se na cama. Olhei para ela sorrindo amarelo.

: - Ai, Normani! Puta que pariu, cara! Porra! Que merda! – Comecei a xingar um palavrão atrás do outro, cobrindo o rosto com as mãos e caindo em uma gargalhada ainda excitada e envergonhada. – Para com isso!

Implorei, me aproximando para tentar pegar o celular outra vez.

: - Minha nossa senhora da putaria liberada. – Normani me olhou com os olhos arregalados e depois voltou a olhar para o celular. – Que peitos são esses, senhor Jesus! Olha, com todo o respeito, bunduda, mas que delícia essa gringa, hein!

: - Eu vou te matar. – Eu rosnei enfurecida. – Normani, eu vou te jogar daqui de cima em três segundos. Não fale desse jeito da minha mulher.

Eu parti pra cima dela, ouvindo-a soltar uma gargalhada tão alta que me deixou mais brava ainda.

: - Não encosta em mim que você tá morrendo de tesão, sua ridícula. – Ela correu na direção da minha cama em desespero, rindo e deixando Taylor apavorada. – Vai se masturbar no banheiro ou vai acabar gozando aqui.

: - CALA A BOCA, NORMANI! – Pulei em cima dela, sentando em seu quadril e enchendo de tapas os braços em que ela usou para proteger o rosto. – EU VOU TE MATAR SUFOCADA PRA MORTE SER BEM LENTA.

: - Vai nada, leoa. Tu rosna, mas não morde.

Ela colocou o celular embaixo das costas e segurou os meus punhos, me fazendo parar e a encarar com a respiração agitada. Não aguentei e acabei gargalhando, negando com a cabeça e me jogando de costas ao seu lado.

: - Nossa! Como eu te odeio.

Resfoleguei, sentindo meu peito subir e descer rapidamente. A olhei e ela me olhou de volta, jogando o celular sobre a minha barriga.

: - Eu que te odeio por ter me deixado com tesão lendo essa putaria aí. Af! – Normani se sentou e saiu da cama. – Vagabunda nojenta!

: - Ai, gente, não sei por que ainda me choco com vocês.

Taylor riu constrangida e eu sabia que era porque Lauren estava envolvida.

: - Héteros se impressionam fácil demais, Tay tay. – Mani provocou, sorrindo de canto.

: - Ah, vai se foder, Mani! – Taylor pulou para fora da cama, ajeitando o cabelo nos ombros enquanto ria. – Vou pra casa tomar banho e dormir, cansei de vocês por hoje. Se ficar aqui, vou acabar me contagiando com essa sapatonice.

: - Isso, vai mesmo antes que eu te coma.

Normani ameaçou andar na direção da Jauregui mais nova, que de uma corrida até a porta mais rápido que o Diabo fugindo da cruz. Eu só sabia rir.

: - Cruz credo! – Ela me mandou um beijinho. – Tô vazando. Amo vocês!

: - Também te amo.

Mani e eu respondemos ao mesmo tempo, e fomos deixadas a sós por uma Tay mais vermelha que tomate.

Rapidamente peguei o celular para responder Lauren, que ficou falando sozinha por causa da brincadeira de Normani.

“Me perdoa pela demora, ok? Normani pegou o celular da minha mão e leu a nossa conversa. Odeio essa vagabunda.”  11:43

Digitei bufando e observando Mani se dirigir ao banheiro, sem fechar a porta.

“Normani leu o que acabamos de fazer? Como vou olhar pra ela agora, Camila? Eu estou morrendo de vergonha. Isso é culpa sua, está vendo?” 11:45

“Carregarei essa culpa com gosto.” 11:45

“Eu vou te pegar de jeito, Camila, quando você menos esperar. Estou te avisando.” 11:46

“Eu amo suas ameaças, fico toda excitada.” 11:46

Mani saiu do banheiro, caminhando na direção da minha cama de forma preguiçosa, soltando um bocejo e outro. Ela subiu de joelhos no colchão e se deitou ao meu lado, verificando algo em seu celular.

“Sua putinha gostosa. Cale a boca antes que eu morra de tesão outra vez. Preciso continuar a trabalhar agora. Você me tira do eixo.” 11:48

“Amo quando me xinga... Mas okay, vou te deixar trabalhar, mas só porque estou satisfeita por agora.” 11:48

“Você não cansa de surpreender. Vou me limpar e voltar ao trabalho, sweetie. Te ligo depois do almoço. Até mais tarde!” 11:49

“Até! Tô com saudade, muita... Saía logo daí! <3 ”11:50

“Também estou morrendo de saudade de você, e amo quando ficas assim, cheia de dengo. Me espere, logo estaremos juntas.” 11:51

“Não farei mais nada a não ser te esperar.” 11:52

“My girl. <3” 11:53

Eu abri um sorriso tão besta ao ler aquilo, que não pude impedir o meu coração de acelerar. A cada dia que passava, eu só me apaixonava cada vez mais por aquela mulher, pela forma em que me tratava, como conduzia tudo para me agradar, como demonstrava o que sentia por mim. Lauren era única, e era minha.

: - Você está tão apaixonada que estou ficando melancólica.

Ouvi a voz de Normani soar baixa ao meu lado, e sabia que ela encarava o meu perfil.

: - Estou. Isso é ruim? – Perguntei ainda encarando o teto.

: - Não mesmo, isso é ótimo. Pedi muito a Deus para lhe ver assim um dia.

Sorri consciente, suspirando.

: - Sua mãe me pediu para conversar com meu pai hoje, o que você acha? Acha que devo contar logo, ou que devo esperar?

Mani virou de lado para me olhar melhor, e apoiando sua cabeça na mão direita.

: - Acho que deve esperar mais um pouco, Mila. Não creio que essa seja a hora certa.

: - Por quê?

: - Seu pai é meio doido, né? Vamos combinar. – Ela riu divertida, mas preocupada. – É melhor esperar até que tenha algo mais do que fixo com a Jauregui mais velha, para que possa contar com ela ao lado.

: - Nós temos algo fixo. – Dei de ombros, virando a cabeça para vê-la melhor.

: - É, mas não ouvi ninguém falar em namoro até agora. E seu pai vai logo supor que vocês apenas se comem, do jeito que é. Vai xingar a Lauren de tudo quanto é nome e falar que isso é uma pouca vergonha.

Rolei os olhos, Mani estava mais do que certa.

: - Sei bem... – Mordi o lábio, me sentindo tensa. – Não queria expor Lauren a isso, mas... Uma hora terá que ocorrer.

: - Que seja depois dela te pedir em namoro e colocar uma aliança bem cara de compromisso nesse seu dedinho.

Soltei uma risada, a empurrando de leve pelos ombros, fazendo-a cair de costas na cama.

: - Tu não perde a chance mesmo. – Ela sorriu para mim, me fazendo um carinho rápido no alto da cabeça. – Te amo muito.

: - Também te amo, bunduda. – Me estiquei e beijei sua bochecha, voltando a deitar. – Mas agora, tenho uma pergunta que estou para fazer há alguns dias.

: - Faça.

A encarei curiosa. Normani mordeu o lábio, parecia buscar as palavras para entrar no assunto. Ela nunca tivera receio em falar sobre alguma questão comigo, mas aquela parecia incomodá-la.

: - Então...

: - Diga! – Insisti.

: - A Lauren já tentou foder a sua bunda?

Ela estreitou os olhos e no momento em que a ouvi, comecei a rir feito uma hiena louca e deixei minhas costas caírem de volta na cama.

: - Porra, mani!

Minha barriga doía de tanto que eu ria de sua expressão.

: - Para de rir, sua piranha maldita, e me responde logo. Tentou ou não tentou?

Busquei meu fôlego e respirei fundo, sentindo lágrimas nos olhos.

: - Não... Bem, não ainda. Mas ela sempre me dá uns beijos gregos maravilhosos. Eu fico louca.

Mani coçou a nuca, me encarando.

: - Mas e se ela tentasse, tu ia dar?

: - Eu ia. Por que não daria? Eu faria qualquer coisa para deixá-la enlouquecida.

Ela soltou um suspiro longo, encarando o teto.

: - Ah, sei lá! Dinah tentou tem alguns dias, mas eu fiquei um pouco nervosa. Ainda tô pensando se libero ou não.

Eu voltei a rir, tomando ciência de que aquela era a grande questão da vida de Normani, naquele momento.

: - Libera logo. Não vai querer ir pro caixão virgem ai atrás, né? Imagina que morte horrível.

Me sentei na cama, puxando o cabelo para cima e o prendendo em um nó.

: - Tu não vale nada. Se eu fosse a minha chefinha, tentava foder esse seu rabo o quanto antes.

: - Pode tirando o olho.

Fiz minha melhor cara de cínica e me levantei, andando e rebolando até a cômoda do outro lado para sacanear com ela.

: - “Kiko lindo, Kiko maravilhoso. Kiko bonito, ai Kiko gostoso”.

Mani cantou divertida, me fazendo rir e me sentir leve, como sempre em sua companhia. Eu ainda não tinha visto intimidade em uma amizade como a que nós tínhamos, não mesmo.

O dia passou rápido, depois de uma da tarde, meu pai, eu e Sofia estávamos sentados na grande mesa de jantar, que ficava localizada perto da porta da varanda. A tarde lá fora estava calma e quente, e eu me sentia desconfortável na presença daquele homem que passou a ser um pouco desconhecido para mim.

: - Como estão as coisas no colégio, Sofia? Sua irmã tem lhe ajudado com os trabalhos?

Alejandro perguntou depois de mastigar um pedaço do frango, o mesmo que tia Drea havia preparado especialmente para ele aquela manhã. Suspirei, limpando a boca com um guardanapo de pano.

: - Mila sempre tira as minhas dúvidas, papai. Mas eu quase não tenho nenhuma, presto atenção na aula.

Eu sorri orgulhosa, minha irmã era o meu maior orgulho na vida, e aquela educação toda era metade culpa minha.

: - Muito bem, fico feliz em saber disso. – Ela me olhou e abriu um sorriso pequeno, me fazendo desviar o olhar. – Camila sempre foi muito bem no colégio, quero que seja dedicada como ela é aos estudos.

: - Eu sou, papai. – Sofi respondeu animada, me olhando, como se me agradecesse por ensiná-la tudo o que eu sabia. – Mila é a melhor irmã do mundo.

: - Eu sei... – Ele sussurrou, como se fosse para si mesmo. Tomei um gole do suco laranja em minha taça. Ficamos em silêncio por alguns minutos quando voltamos a comer, e logo ouvi sua voz mais uma vez. – Me preocupa que não esteja indo ao ilê, Camila. Precisa cumprir com suas obrigações. O que tem desviado você?

: - Como sabe que não tenho ido ao ilê?

Perguntei curiosa depois de engolir mais um pouco de arroz.

: - Eu ligo para lá sempre que me sobra um tempo para saber como andam as coisas. Esqueceu que eu sou amigo de anos da sua Yalorixá?  – Suspirei um pouco irritada, detestava quando ele me fiscalizava. - Você nunca deixou de comparecer. O que está havendo? Você quer que venham te buscar em casa? Você está sendo cobrada lá, sabe que é alguém de importância dentro do terreiro.

: - Eu sei, pai. Sei de minhas obrigações, só estou com a cabeça cheia ultimamente e não posso realizar minhas funções assim. – Sofia abaixou o olhar, voltando a comer um pouco constrangida. Ela sabia com o que minha cabeça estava cheia. – Vou o mais rápido que eu puder.

: - Cheia de quê? – Ele largou o garfo e pegou sua taça, bebendo um gole. Apenas me observava, seus olhos tentavam me decifrar, e eu me senti intimidade diante de seu olhar. – Há algo ocorrendo que eu não saiba? Algum problema?

: - Não... – Desviei o olhar, bufando.

: - Então o que há?

: - Questões da faculdade, de coisas novas que quero fazer. Apenas isso, nada demais. – Bebi o resto do meu suco. – Eu vou essa semana ainda.

: - É pra ir mesmo. – Ela me avaliou mais um pouco, voltando a comer. – Suas responsabilidades primeiro, o resto vem depois.

Normani estava mesmo certa, não existia maneira alguma de contar naquela hora para ele sobre quem estava mexendo com a minha cabeça e me deixando ocupada, muito menos de fazê-lo acredito que nunca me senti tão bem antes em minha vida. A grande conversa teria que esperar.

Eu tinha consciência de que estava em falta com meu o Orixá, com o ilê e tudo o que envolvia a minha religião... Mas Oxum sabia, ela sabia. Ela quem colocou Lauren no meu caminho, eu tinha certeza que me perdoaria por estar demorando tanto a voltar a sua casa. Eu sempre fui uma boa filha, afinal, eu sempre a amei com todas as minhas forças. E Oxum é amor, é acolhimento, é bondade e compreensão. Dona das águas doces que dão vida a esse mundo, que me acolhem como braços quentes quando me deito em seu leito. É minha mãe, a quem dedico toda a minha fé e a minha alma. Quem me guia e me cuida, quem me protege de todo o mal e me mostra a luz. Meu amor mais bonito, minha rainha soberana, minha guerreira eterna. Aquela em que eu confio mais do que tudo e a quem entreguei a minha vida nas mãos. Eu sabia que ela nunca me deixaria sozinha, ainda que eu acabasse falhando alguma vez em minha jornada.

Ora yê yê ô!

 

 

[...]

Quando acordei do meu cochilo depois do almoço, recebi uma ligação de Lauren dizendo que já estava saindo do trabalho. Eu disse a ela para que me esperasse na porta da Microsoft, que eu passaria para buscá-la e irmos juntas para seu apartamento. Arrumei minhas coisas em uma bolsa de mão e sai, me despedindo de Sofia com um beijo na testa. Meu pai não fez muitas perguntas, apenas me pediu para avisar se fosse dormir fora. Era melhor assim.

Pelo incrível que pareça, as ruas estavam sem trânsito. Eu dirigia calmamente pela orla, com os vidros do carro abertos, deixando que a brisa fresca da praia acariciasse a minha pele. Meu cabelo, preso em um nó, soltava suas mechas aos poucos em meu rosto, sobre os óculos escuros que descansavam diante dos meus olhos. Aquela era a melhor sensação, sentir o vento e não impedir que ele bagunçasse o que fosse para ser bagunçado.

“Sinais de fogo – Preta Gil”, rolava no som, e eu cantava me embalando no ritmo daquela música que tanto me lembrava Lauren e eu, nos imaginando correndo pela Lapa, ou pela Guanabara, nos beijando em cada canto e em cada esquina daquele Rio de Janeiro.

: - ... “Você deve saber o quanto me ama.”

Cantei e mordi os lábios, sorrindo sozinha, me sentindo boba o suficiente para sentir o coração acelerar apenas com a imagem de nós duas vivendo todo aquele sentimento. Nada me parecia melhor que aquilo.

Estacionei algum tempo depois em frente ao grande prédio da Microsoft, na praia de Botafogo. Saí do carro e me encostei na porta, enfiando as mãos nos bolsos da frente do short jeans que eu vestia. Pela hora em que falamos ao celular, já era para Lauren estar ali, mas não me preocupei com a sua demora, eu não tinha nada mais para fazer além de esperá-la.

Fiquei ali em pé, encostada em meu carro, mais ou menos uns dez minutos. Havia sombra onde eu estava, mas o suor deu sinal de vida em minha nuca. Estava muito quente, e eu louca para tomar uma cerveja gelada. Logo vi Lauren cruzar a porta de entrada do grande prédio com Dinah ao seu lado, e abri um sorriso enorme ao vê-la, que foi morrendo aos poucos ao notar uma mulher ruiva junto, mais perto do que o necessário, fazendo mais gestos do que deveria, tocando o que não podia, sorrindo mais do que sua boca permitia, e me irritando mais do que era seguro. Estreitei os olhos e abaixei o ray-ban até a ponta do meu nariz, observando. Quem diabos era aquela criatura que estava rondando a minha mulher?

: - Ah, Lauren Jauregui...

Sussurrei como se ela pudesse me ouvir. Lauren ainda não tinha me visto parada ali, e conversava animadamente com a mulher desconhecida para mim e Dinah. Esperei paciente até que ela se despedisse das duas mulheres, e prestasse atenção ao seu redor. Quando me viu, Lauren abriu um sorriso enorme e ajeitou a bolsa em seu antebraço, começando a caminhar na minha direção. Não pude impedir o suspiro de sair por minha garganta, ela parecia uma modelo na passarela, desfilando sobre seus saltos Padra e sua roupa social quente como o inferno. Tão sexy a filha da puta. Seu cabelo voava por conta do vento, e os óculos de grau em seu rosto quase me fizeram fraquejar quando ela parou na minha frente. Eu disse quase.

: - Olá, linda!

Ela disse toda charmosa, curvando-se para baixo apenas um pouco para selar os meus lábios. Não descruzei os braços debaixo de meus seios, e ela ergueu os óculos em meu rosto até a minha cabeça, encarando os meus olhos.

: - Oi!

Respondi enciumada, tentando não me deixar afetar por seu olhar destruidor.

: - O que foi? Por que esse biquinho lindo? Eu demorei demais?

Ela me analisou, colocando uma mecha solta do meu coque atrás da minha orelha.

: - Quem era aquela ruiva? – Perguntei com as sobrancelhas erguidas, erguendo o meu nariz em desafio. – Estava cheia de assunto com você, te tocando.

Lauren abriu um sorriso no cantinho dos lábios, me irritando mais ainda. Que mulher absurda, não dava nem para ficar brava sem se excitar. Maldição!

: - Ciúmes, sweetie?

: - Ah, vá pra merda, não me chama de sweetie. Estou zangada. – Bufei, jogando minhas mãos ao ar. – Responde logo quem era.

: - Minha secretária. Amanda.

: - Humm...

Desviei nossos olhares, olhando para o lado, na direção da praia.

: - Você fica linda com ciúmes e faz eu me apaixonar mais ainda.

Ela tocou o meu rosto com a mão direita, acariciando minha bochecha.

: - Fica me provocando só pra você ver, fica me provocando... – Rosnei, desviando de seu toque e me afastando, dando a volta no carro e abrindo a porta. – E entra logo nesse carro que eu tô com pressa.

Lauren só sabia rir, aquele sorriso irritante e sexy não saía de seus lábios. Ela abriu a porta e sentou do lado do carona, e eu logo tomei o meu lugar. Coloquei os óculos escuros no rosto de novo.

: - Eu amo mulheres ciumentas, sabia?

Rolei meus olhos, bufando. Estava mais com meu ego ferido do que qualquer outra coisa.

: - Ah é? Que interessante pra você, Lauren.

Dei partida no carro, pegando a orla. Ela soltou uma risada longa, largando sua bolsa no banco detrás.

: - Inclusive uma mulher em especial.

Não olhei para ela, meus olhos estavam fixos na estrada. Eu sabia se a olhasse, não poderia manter minha birra por muito tempo. Ciúmes era algo que realmente me tirava do sério.

: - Qual?

: - A minha. – Senti sua mão tocar a minha coxa, e seus dedos delicados enfeitados por anéis me arrepiaram ao entrarem em contato com minha pele quente. – Uma carioca dengosa e muito sexy, que me deixa louca de paixão cada vez mais, em cada dia que passo ao lado dela. E ela precisa saber que, não importa quem apareça na minha frente, eu não tenho olhos para mais ninguém além dela. Ela é mais do que eu poderia querer, a mais linda das mulheres, a mais quente e inteligente. Quem eu tenho o prazer de enaltecer e agradar em todos os momentos porque ela merece. Ela é uma rainha, a minha rainha.

Eu só faltei bater com o carro ao ouvir aquilo, e sua mão quente me acariciando a coxa me deixou em desespero. Meu coração batia como se eu tivesse corrido uma maratona, e eu encostei o carro da forma mais rápida que eu pude no primeiro acostamento na beira da praia.

: - Você não quer matar a mim e a essa mulher maravilhosa, não é?

Lauren perguntou ofegante por conta da forma com a qual eu parei o carro, e me encarou com aquele olhar que me derretia inteira.

: - Cala a boca e me beija logo.

Eu me curvei para frente e estiquei a minha mão, a puxando pela nuca na minha direção. Sua risada encantada morreu em meus lábios, e eu afundei a minha língua em sua boca com toda a saudade, paixão e desejo que eu sentia. Ouvi-la dizer aquelas coisas fez qualquer rastro de ciúme sumir da minha mente, deixando apenas o pensamento do quanto ela me venerava.

Nos beijávamos com intensidade, deixando que nossas línguas se embolassem uma na outra buscando por mais, muito mais. Suas mãos femininas ao extremo foram parar nas minhas costas, por dentro da minha regata branca, me apertando e me instigando. Joguei seus óculos de grau em qualquer canto do carro e enfiei meus dedos entre as mechas de seu cabelo, puxando e acariciando, prendendo seu lábio inferior entre os dentes e chupando. Lauren suspirou, estava ofegante, e nós separamos nossas bocas depois de longos minutos em um beijo desesperado.

: - Odeio sentir ciúmes, odeio que cerquem o que é meu.

Sussurrei contra seus lábios avermelhados e levemente inchados, ganhando uma mordidinha no cantinho da boca. Suspirei.

: - Você disse bem, eu sou sua. – Ela acariciou o meu rosto, colando nossas testas. – Não há nada para você se preocupar. Eu sou sua.

: - Minha. – Afirmei.

: - Completamente.

Se ela estava dizendo que era minha, quem era eu para dizer ao contrário?

 

[...]

Ao chegarmos na cobertura que Lauren mantinha em Copacabana, eu corri para tomar um banho gelado enquanto ela terminava algumas planilhas no notebook. Não demorei muito embaixo da ducha, e sai vestindo apenas um conjunto vermelho de calcinha e sutiã. Estava calor demais e eu amava ficar pelada. Quanto menos roupa, melhor.  

Lauren estava sentada na varanda, o notebook no colo, pés descalços, a blusa com os botões abertos, exatamente igual a foto em que me mandou mais cedo. Soltei um suspiro longo, caminhando até a cozinha sem que ela me visse, abrindo a geladeira e pegando uma das garrafas de Heineken presentes ali. Abri a mesma e voltei para a sala, caminhando na direção da varanda.

Coloquei a garrafa de cerveja na mesa de vidro redonda ao seu lado, fazendo-a erguer os olhos para me olhar.

: - Já terminou? Nem vi o tempo passar.

Ela disse com um sorriso de canto, me olhando por trás das lentes dos óculos de grau que usava para trabalhar, me avaliando de cima a baixo em alguns segundos.

: - Você se perde quando está trabalhando. – Devolvi seu sorriso, me encostando na mesa, e empurrei com as pontas dos dedos a garrafa suada de Heineken na sua direção. – Toma! Está calor e imaginei que pudesse querer algo para matar a sede.

: - Leu os meus pensamentos, hum? – Lauren me piscou um dos olhos e esticou a mão para pegar a garrafa, levando-a até a boca e tomando um grande gole. Minha garganta ficou seca, e desejei beber um pouco daquele líquido direto de seus lábios. – Amei essa lingerie. É nova?

: - Sim! Comprei essa semana, e aparentemente você conhece todas as minhas lingeries favoritas. Isso significa que temos fodido demais.

Sacudi as sobrancelhas e Lauren soltou uma risada gostosa, deixando a cabeça cair para trás.

: - Estou feliz com isso, não quero foder menos com você.

Eu mordi meu lábio inferior ao vê-la tomar outro gole, e automaticamente fiz uma carinha de cachorro sem dono.

: - O que houve? – Sua pergunta saiu cheia de ternura, e ela devolveu a garrafa a mesa. – Esse biquinho de novo.

: - Quero colo.

Choraminguei, fazendo manha, sabendo o quanto aquilo tocava o ponto fraco dela.

: - Ah, quer colo, é? – Balancei a cabeça em positivo, suspirando, observando seu rosto se contorcer em uma expressão regada a carinho. – Eu vou te dar colo, sweetie.

: - Quero agora... - Choraminguei outra vez, piscando os olhos lentamente.

Lauren pegou o notebook com cuidado e o colocou sobre a mesa de vidro, virando a cadeira em que estava sentada na minha direção. Retirou os óculos, os colocou também sobre a mesa, e bateu com charme e suavidade sobre suas coxas cobertas pela saia social justa.

: -  Vem aqui, vem. – Meu corpo se aqueceu inteiro, e meu coração bateu acelerado, enchendo minhas bochechas de calor. – Vou te dar carinho.

: - Sim...

Eu quase gemi de prazer só com a menção daquela palavra. Não era nada sexual, mas uma sensação tão boa de ser cuidada, protegida.

Me sentei de lado sobre suas coxas, e Lauren envolveu o meu corpo em seus braços quentes com ternura, me apertando contra o seu peito. Deitei minha cabeça na curva de seu pescoço, deslizando uma de minhas mãos até a sua nuca. Ela chegou para trás e nos acomodou melhor na cadeira, iniciando um carinho gostoso e suave perto das minhas costelas.

: - Eu gosto de carinho. – Comentei baixinho contra a pele de seu pescoço, e ganhei um beijo delicado na testa. – É tão bom.

: - E eu gosto de ter você assim, querendo ganhar carinho. – Eu sorri com preguiça, me sentindo mole. Lauren tinha um efeito devastador sobre mim. – Manhosa!

: - Eu sou... Eu sou carente, sabia? – Comentei e a ouvi rir baixinho, acariciando minhas costas. – Mas só por você.

: - My sweet girl... Just mine.

Lauren sussurrou em meu ouvido, me arrepiando. Sorri e me apertei mais contra ela, e ficamos daquele jeito abraçadas por longos minutos. O pôr do sol ia surgindo em Copacabana, o mar lá embaixo brilhava sob as luzes alaranjadas que o céu exibia, as ondas batiam calmas, relaxando tudo ao redor. Eu poderia ficar ali por muito tempo.

: - Eu iria contar para o meu pai hoje sobre nós, mas desisti. – Comentei, correndo meus dedos por sua clavícula. – Ele ia reagir mal, e não quero isso.

: - Creio que ele vai reagir mal de qualquer forma. – Lauren suspirou, deitando a bochecha contra a minha cabeça. – E isso me preocupa um pouco. Tenho certeza que ele não vai apoiar o que nós temos por ainda te sustentar. Os pais são assim.

: - Ele não me sustenta, Lauren. – Assegurei, erguendo a cabeça para olhar seu rosto. – Eu recebo pensão vitalícia da minha mãe, eu e Sofia.

Lauren ergueu as sobrancelhas, parecendo confusa pelo o que eu disse. Suas mãos subiram por minhas costas em uma carícia gostosa.

: - O que seria vitalícia? Não estou familiarizada com essa palavra. – Ela corou, eu sorri, selando seus lábios.

: - É uma pensão para o resto da vida.

: - Uau! – Seus olhos se arregalaram brevemente, e ela riu parecendo surpresa. – Isso é bom, muito bom. Quer dizer, isso é tudo o que alguém poderia querer, não é?

Sacudi a cabeça confirmando, rindo da carinha que ela fazia. A beijei de novo, me ajeitando em seu colo.

: - É sim. – Suspirei, torcendo os lábios. – Mas eu quero ganhar meu próprio dinheiro, entende? Digo, não que a pensão que eu recebo não seja minha, ela é. Mas não fui eu que trabalhei para tê-la, entende? Foi minha mãe. Eu quero trabalhar para ter o meu, com o meu esforço, mas a minha faculdade me impede no momento. Eu passo o dia inteiro lá, só saio à noite. Fica complicado.

: - Eu entendo. Mas ao menos você não precisa se preocupar no momento, agora você não precisa. Mas quando se formar, vai ganhar todo o dinheiro por esforço próprio, isso que importa. – Lauren segurou meu rosto e beijou minha boca com carinho, colocando uma mecha do meu cabelo atrás da minha orelha. – Mas me responda, qual era a profissão da sua mãe? Você nunca me disse.

: - Ela fazia parte do oficialato superior do Exército, Tenente-Coronel. Uma das únicas mulheres a alcançar uma patente tão alta dentro do Exército Brasileiro. Inclusive, foi lá que ela conheceu o seu pai e nossas famílias ficaram amigas.  

Contei com orgulho, porque era daquele jeito que eu me sentia em relação a minha mãe. Ela lutou muito para chegar onde chegou, e nada mais juto do que ser reconhecida por seus méritos.

: - Nossa! Eu nunca iria imaginar. Que honra, Camila! – Seus olhos brilharam e ela abriu um sorriso enorme, soltando um suspiro. – É lindo saber que ela chegou tão longe e teve o reconhecimento que mereceu. Quem dera se isso ocorresse com todas as mulheres, independente da profissão.

: - Sociedade machista é isso aí. O que impede as mulheres de chegarem tão alto é a falta de oportunidade. Quase nunca se tem, mas assim como minha mãe, você também conseguiu.

: - E você também conseguirá. – Com calma e carinho, ela acariciou o meu rosto, me fazendo fechar os olhos. – Eu tenho certeza.

: - Você vai estar comigo?

Perguntei com um pouco de timidez, algo novo para mim. Lauren me puxou para seus braços outra vez, e me apertou do jeito que eu mais gostava.

: - Se depender de mim, eu sempre estarei ao seu lado.

Aquela frase era exatamente o que eu precisava ouvir.

 

[..]

No caminho até Nilópolis, eu fui mostrando a Lauren todos os cantos que eu amava da Baixada Fluminense, contando histórias importantes, sempre lembrando que ali estavam os locais mais gostosos de frequentar no Rio. Ela estava encantada, conhecendo um lado diferente, outro Município, completamente oposto daquele em que estava acostumada. As pessoas precisam saber que, Rio de Janeiro, não é e nunca será só Zona Sul. Há muito mais para se ver.

Quando o Uber em que estávamos parou na porta da quadra da minha Escola do peito, eu me deixei cair naquela antiga euforia. Já fazia um ano em que eu não pisava ali, e sempre me emocionava ao estar de volta. Segurei na mão de Lauren e a puxei na direção da entrada, passando pelo grande portão azul depois de poucos minutos na fila, entrando naquele enorme ambiente sendo preenchido pelo som potente dos instrumentos que formavam a bateria. Eu me arrepiei dos pés à cabeça. A minha raiz estava ali naquela gente, no som do tambor, nos enredos. Eu era o samba, o calor humano, a tradição. Eu fui criada como membro daquela Escola, no berço do samba, com a força de todos os Orixás e a beleza da boemia Carioca.

Apresentei Lauren a todo mundo que eu conhecia, ela virou a graça no meio daquelas pessoas. Eles adoraram o seu sotaque gringo carregado, e colocaram um copo da boa e velha cerveja na mão dela, a vestindo com uma camisa da Escola. Lauren ficou encantada com a recepção que teve, e eu podia ver seus olhos brilharem cada vez que ela olhava a blusa que abraçava o seu peito. Aquele calor humano, você pode apostar, ela jamais receberia em outro lugar.

: - Eu nunca me senti assim antes. – Ela comentou ao pé do meu ouvido em um tom alto, por conta do barulho da bateria. – Animada por ver a animação dessas pessoas, me sentindo parte dessa gente. A simplicidade, todo o amor que eles possuem por essa Escola e por quem chega. Isso me emociona.

Eu a olhei com carinho, erguendo a mão para acariciar o seu rosto com suavidade. Ela sorriu com timidez e bebeu um pouco da cerveja em seu copo.

: - Isso que é felicidade de verdade, Lauren. A felicidade está nas coisas mais simples, no sorriso dessas pessoas, na forma em como elas conduzem a vida com humildade. Você pode notar aqui, parece que há tristeza? Não há. Todo mundo aqui está feliz, e não importa a pobreza, não importa a riqueza. Isso aqui é viver, isso faz parte de todas as coisas que eu quero te mostrar por todo o tempo que eu puder. Eu quero que você prove do outro lado da moeda e que descubra que há felicidade nele.

: - Eu sou feliz aqui. – Ela disse perto o bastante para a sua respiração se misturar na minha, e eu envolvi a sua cintura com os braços, sem me importar com nada e nem ninguém. As pessoas estavam preocupadas em curtir sua própria alegria, sem ligar para o resto. – Sou feliz aqui com você.

: - A minha intenção é apenas essa, te fazer feliz. Do subúrbio à Zona Sul, em qualquer lugar que em possamos estar. Eu só quero isso, fazer você feliz.

Ela me beijou, e aquele beijo foi cheio de um sentimento enorme que me puxou pelos pés e me virou de cabeça para baixo. Era um beijo diferente, profundo e intenso, um beijo que clamava por algo que nós nunca havíamos experimentado. Um beijo que preenchia por dentro e enaltecia a alma, um gesto puro e antigo que nos elevou a outro patamar.

Quando nos separamos por falta de ar, ficamos por um curto tempo com nossas testas coladas, desfrutando daquele momento restaurador. Dentro de mim tudo estava em histeria, e eu sabia que para a noite começar de verdade, só precisava apresentar Lauren ao coração daquela Escola, de toda aquela comunidade.

A levei até a porta-bandeira número um da Beija-flor, a maravilhosa e única Selminha Sorriso. A abracei com força, minha mãe e ela eram bastante próximas. Fui criada ali dentro, desde pequena sambava no meio de todo mundo ao som da bateria. Era toda a minha vida em um só Pavilhão.

O Pavilhão é o símbolo maior de uma Escola de Samba. Jamais pode ser chamado de bandeira, muito menos de pedaço de pano. É onde está representada toda a comunidade, toda a história e todas as conquistas. Assim como a cruz é sagrada para o Catolicismo e os búzios para o Candomblé, o Pavilhão é sagrado para uma Escola de Samba.

Peguei aquele manto sagrado nas mãos com todo o cuidado, e o pressionei contra a minha testa com todo o respeito que eu tinha. Aquele gesto sempre me emocionava, ali estava toda o enredo de centenas de anos.

: - Você pode tocar nele se quiser. – Eu disse para Lauren, olhando-a com lágrimas nos olhos. Ao fundo, o meu samba enredo favorito era cantado com toda a emoção, e eu queria ter a certeza que a mulher por quem eu era alucinadamente apaixonada, seria consagrada oficialmente como parte daquele povo, como parte de quem eu era. – Da mesma forma que eu toquei.

Lauren me olhou com uma enorme admiração, aquele sorriso lindo jamais saíra de seus lábios. Ela pediu licença a Selminha, que segurava o manto, e o pegou com delicadeza entre as mãos, repetindo o meu gesto. Aquela cena foi uma das mais bonitas que eu já vi. Ver aquela mulher saudando uma das coisas mais importantes existentes em mim me levou as lágrimas. Eu chorei diante daquela visão, sob o som da bateria e abençoada pelo meu Pavilhão. A felicidade do mundo inteiro parecia estar dentro de mim.

“O reino de todas as águas Brasil. A semente brotou, com ela, redenção e paz. Poços de Caldas, tu és Minas Gerais, derrama sobre a terra suas águas milagrosas. Preservação, oh sinfonia da vida! Ouça o lamento da natureza que chora, e o clamor que vem das águas. A eternidade pode começar agora. Sou Beija-flor, Poços de Caldas é a referência do caos inicial a explosão da vida. Sou água, a nave mãe da existência.”

G.R.E.S. Beija-Flor de Nilópolis.

 



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