História Águas de Março - Capítulo 24


Escrita por: ~, ~gimavis e ~vonKaiser_5H

Postado
Categorias Fifth Harmony
Personagens Camila Cabello, Lauren Jauregui, Normani Hamilton
Tags Camren
Exibições 1.730
Palavras 9.693
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Famí­lia, Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Boa noite, amores! Olha quem apareceu. <33
Bem, tenho duas indicações de músicas para o capítulo. No início, “Oceano – Djavan”, no final, “Codinome beija-dlor – Cazuza”. Eu escrevi ouvindo, vai dar um clima legal. Espero que vocês gostem e amem. Surtem, me diga o que acharam e sejam felizes.
Peçam para Hannah não demorar a postar o próximo. HAHAHA. Amamos vocês! Quaisquer erros, conserto depois.

Capítulo 24 - Codinome Beija-flor.


Camila POV

“E cada verso meu será pra te dizer que eu sei que vou te amar, por toda a minha vida.”

Eu sei que vou te amar – Vinicius de Moraes.

 

Não havia nada que pudesse explicar aquele momento, nem a forma em que eu estava me sentindo. Nada do que eu dissesse ou tentasse dizer, chegaria perto do que realmente me dominava. Ah, aqueles dias em que queremos dizer tudo e nem mesmo sabemos por onde começar. Mas devemos tentar, precisamos arriscar. O tempo passa e nos leva as oportunidades, e se você tiver a chance hoje de dizer algo que queira muito a alguém, não deixe para depois, o amanhã pode não existir.

Os braços dela ao meu redor me seguravam como se fosse o último dia de nossas vidas, e se fosse, eu realmente não me importaria. Eu a tinha bem ali, comigo, não havia nada que eu pudesse temer, tinha apenas a dizer.

Afastei minha cabeça de seu peito quente, erguendo meus olhos até seu rosto de traços marcantes e celestiais. Seus olhos verdes brilhavam mais que a luz da lua sobre nossas cabeças, e naquele momento de uma entrega mútua e intensa paixão, me pareceu a coisa mais linda do mundo. E era. Ela sorriu, transbordando lágrimas de felicidade naquele oceano profundo e verde que eu tanto amava. E como amava. Me senti desnuda, e não era nada sexual, mas sim em alma. Ali, de frente para ela, sob o céu do Rio de Janeiro e sobre o mar calmo de Copacabana, eu tive a certeza de que ela era o meu destino. Não existe nada mais íntimo do que desvendar alguém em espírito, que conhecer, verdadeiramente, toda a sua aura. E Lauren conhecia a minha, como nunca ninguém conheceu.

: - Sabe o que eu sinto quando olho pra você? – Perguntei em um tom de voz baixinho, erguendo a mão para acariciar com suavidade a sua bochecha quente. - Plenitude. Eu paro e digo para mim mesma “eu não preciso de mais nada”. E eu não preciso, eu tenho tudo. Eu tenho agora, aqui, exatamente tudo o que nunca pensei em ter. Você é o diferente, aquele algo novo que me fez desejar coisas diferentes. E o diferente é tão bom, me sentir diferente é extraordinário. O dinheiro, o status, as vantagens que sempre tive em minha vida nunca me fizeram sentir do mesmo jeito que me sinto agora. Nenhuma dessas coisas foi capaz de fazer com que eu me sentisse plena. Mas você faz. Você é a materialização do incomum, tudo em você é incomum. Sua beleza, sua bondade, sua mente, sua alma, nada pode ser rebaixado ao nível de comum. É incomparável. É elevado. O que você é e que faz com que eu queira ser, é sobrenatural. Você trouxe a novidade pra minha vida, trouxe a verdade, trouxe o que é raro, Lauren, trouxe o que me transborda e me deixa ser a melhor Camila que eu posso ser.  – Seu sorriso branco e doce recebia as lágrimas que escapavam de seus olhos, em uma emoção tamanha que jamais tive a chance de ver. Meu coração batia com pressa, e eu trouxe o seu rosto para mais perto do meu antes de dar continuidade. - Você, desde o primeiro dia em que pisou nessa Cidade, invadiu a minha rotina com paixão, ternura, carinho e amor. Você deveria saber ao olhar para mim, mas eu faço questão de dizer; eu te amo! Essas palavras adoçam tanto a minha boca que eu posso repeti-las a noite toda, pelo resto da semana, mês e ano. Eu te amo! E é um amor tão grande que foge do tempo. Ele apenas está aqui, dentro de mim, me consumindo inteira, me afogando em felicidade infinita. E eu não me importo se é uma semana ou dez anos de convivência, o meu amor por você é a coisa mais intensa que já senti em toda a minha vida. Quem é o tempo para dizer algo? Quem pode dizer que eu estou amando errado? A única coisa que eu sei, Lauren, é que nada pode ser mais certo do que o amor que eu tenho por você.

Declarei, e senti meu corpo inteiro transbordar em uma sensação de calmaria, como as ondas que quebravam no mar lá embaixo. Meu coração foi preenchido por calor, um calor gostoso que relaxou todos os músculos do meu corpo. Com carinho, limpei com os dedões as lágrimas que escorriam por suas bochechas, e beijei cada um de seus olhos com o máximo de delicadeza que eu consegui. Chorei, e aquele choro veio repleto de prazer e alegria. Ela era a felicidade para mim e nada mais me importava.

: - Diga outra vez. – Ela pediu, segurando o meu rosto com as duas mãos e me encarando com a mais profunda admiração. Eu sorri, descendo minhas mãos por suas costas. – Por favor!

: - Eu te amo! – Repeti com toda a certeza em mim, depositando um pequeno beijo na ponta de seu nariz e deixando que minhas próprias lágrimas de alegria molhassem meus lábios. – Meu amor.

: - Meu amor... – Lauren choramingou, me chamando da mesma forma carinhosa, e meu coração bateu tão forte que chega perdi o fôlego. Como era bom ouvi-la me chamar de amor, como era bom ser amada, como era bom ter Lauren pra mim. – Meu doce e mais bonito amor.

Nos abraçamos, e era um abraço diferente de todos os outros. Me agarrei a ela como se quisesse fundi-la em mim, enterrando o meu rosto na curva de seu pescoço enquanto nos perdíamos no choro quase silencioso que nos dominava. Meu coração estava em prantos, até mesmo o céu deveria estar. Quem não estaria, afinal? O amor recíproco é a personificação da felicidade. Não existe nada nesse mundo melhor do que amar e ser amada.

: - Eu vou proteger você por todos os dias, sweetie. – Ela beijou a minha cabeça, e roçou o nariz entre as mechas do meu cabelo para aspirar o meu cheiro. – Eu te prometo, ninguém fará mal a você enquanto eu estiver por perto. Serei tudo o que você precisar que eu seja, amiga, amante ou apenas um colo para deitar a cabeça em dias ruins, sem nada falar. Eu serei para você tudo o que nunca fui para ninguém. Por todos os dias, Camila, todos os dias em que permanecer ao meu lado. Jamais esqueça, minha garota dengosa. – Eu sorri entre lágrimas, quase ronronando como uma gatinha manhosa, esfregando minha cabeça em seu peito no mais profundo conforto. Ela sorriu, eu podia sentir. – Jamais esqueça.  

: - Não irei me lembrar de mais nada.

Respondi baixinho, sentindo seus braços me apertarem ainda mais forte, antes de sua mão esquerda subir e se perder entre as mechas do meu cabelo. Aquele gesto era um pedido mudo para um beijo, e não havia o que eu pudesse querer mais do que beijá-la naquele momento.

Colei nossos lábios, e o suspiro que soltamos juntas deixou claro o quando estivemos esperando por aquele contato. De início, apenas um roçar, um louvor, uma adoração a aquela maciez, aquele calor, aquele sabor. Depois, um enroscar de línguas, devorando e lambuzando na mais intensa paixão, ardendo por dentro e por fora. Seus dedos se embolavam em meu cabelo, puxando e clamando, me amolecendo e aquecendo. Seus dentes mordiscaram o meu lábio inferior e eu gemi perdida em seu gosto, apertando sua nuca, a forçando mais contra mim.

: - Tão linda. – Ouvi sua voz, um tom rouco e baixo, e seu hálito quente e cheiroso banhando todo o meu rosto. – So beuatiful and mine.

Eu sorri, não havia como não sorrir, não havia como não desejar que aquele momento durasse toda a eternidade.

: - Me beije! – Implorei e me coloquei nas pontas dos pés para ficar na altura dela, esfregando nossas bochechas e narizes, cravando minhas unhas em sua nuca. – Me beije até me tirar o fôlego, até me amolecer. Me beije, Lauren, em todos os momentos, por todos os dias. Quando não houver o que dizer, ou depois que tudo for dito. Me beije, por favor, em todas as circunstâncias, em todos os lugares. Apenas me beije e tudo estará bem, tudo estará certo. Só me beija e nada mais me importará, nada mais me afetará. Enquanto você estiver me beijando, esquecerei de todo o resto, só enxergarei você e o nosso amor. Seu beijo pode me curar de tudo, e eu tive a certeza disso desde a primeira vez que senti o gosto dos seus lábios. Então, só me beije e tudo valerá a pena. Sua boca sempre será a minha maior salvação.

Não havia nada mais para ser dito e ela me beijou, me beijou a alma, o coração, todo aquele conjunto de sentimentos que nós compartilhávamos. E todos aqueles dias em que me senti sozinha foram esquecidos, eu não me lembrava mais da solidão desde o dia em que Lauren chegou. Tudo floresceu com a sua chegada, tudo cresceu em mim.

Como dizia Djavan com sua doce voz na música que tocava ao fundo, preenchendo o apartamento com a melodia de “Oceano”:

“Vem me fazer feliz porque eu te amo, você deságua em mim e eu oceano, e esqueço que amar é quase uma dor. Só sei viver se for por você.”  

 

O domingo amanheceu com o céu mais bonito que eu já havia visto, o sol mais ardente, o mar mais limpo, o ar mais fresco, ou talvez fosse apenas eu me sentindo a mulher mais feliz do mundo. E realmente estava.

Sai da cama nas pontas dos pés para não acordar Lauren, que dormia de bruços, as mãos sob o travesseiro macio e o lençol de seda vermelha cobrindo apenas sua bunda. Tão linda! Soltei um suspiro enquanto a admirava dormir, descendo os olhos por suas costas marcadas suavemente por minhas unhas. Mordi o lábio inferior, controlando a vontade de voltar e me juntar a ela, mas me forcei a seguir para o banheiro e tomar um banho quente e relaxante.

Quando sai do banheiro meia hora depois, ouvi meu celular tocar de forma irritante sobre uma das poltronas presentes no quarto, e corri para atender antes que o toque acabasse acordando Lauren. Enrolada em uma toalha e com o cabelo e pés molhados, levei o celular até a orelha com pressa, sem nem ao menos olhar quem era no visor?

: - Alô?

Sussurrei, passando os olhos pela cama antes de entrar no banheiro novamente e fechar porta.

: - Tá sussurrando por que, caralho? Tu sabe que sou meio surda, porra! Fala alto.

: - Tu me ligando uma hora dessa, Normani. – Resmunguei, mas sem conseguir prender a risada. Tirei a toalha do corpo e alarguei sobre a pia de mármore. – Por que não está dormindo?

: - Porque eu acordo cedo, não tenho a tua vida não, rapaz. – Prendi o celular entre a orelha e meu ombro esquerdo para poder vestir a calcinha. – Mentira! Acordei cedo hoje porque quero ir à praia e vou passar aí pra te arrastar comigo.

: - Eu estou na Lauren.

Avisei, ajeitando a calcinha rendada vermelha na minha bunda. Virei de um lado e depois do outro na frente do espelho.

: - Jura? Estranho seria se não estivesse. – Ela riu e eu rolei os olhos. – Tô nem aí, larga essa mulher um pouco e desce pra praia comigo, tô com saudades. Três dias que a gente não se vê.

: - E se eu não quiser?

Provoquei, segurando uma risada, e deslizei uma escova de dentes abertos pelo cabelo, desembaraçando.

: - Você não tem querer comigo não, querida. E se ficar de graça te dou um tapa só e resolvo essa porra. – Soltei uma risada conformada, Normani não tinha jeito mesmo. – E veste logo o biquíni, tô com pressa, não quero perder minhas horas de sol por tua causa.

: - Você vai ter que subir aqui na Lauren um pouco, eu vou preparar um café da manhã pra ela antes da gente ir.

Larguei a escova sobre a bancada, deslizando os dedos da mão livre pelos fios molhados logo depois.

: - Tu tá uma retardada apaixonada mermo, hein? Puta que pariu, mermão! – Fiquei sorrindo enquanto me olhava no espelho e a minha cara, realmente, deixava claro que eu era uma idiota apaixonada. Mas quem liga? – E só de lembrar que no passado tu só faltava correr dos caras na manhã seguinte. Tô gostado de ver.

: - Ai, me deixa em paz, viado. – Ri sem graça, abrindo a porta do banheiro um pouco e voltando a falar baixo. – Vou desligar, Lauren ainda tá dormindo e não quero acordá-la. Vou te esperar aqui. Te amo!

: - Okay, Bella Swan, até daqui a pouco. Também te amo!

Ergui as sobrancelhas.

: - Bella Swan? – Normani era doida.

: - Sim, tu tá igualzinha a Bella de Crepúsculo, toda mongoloide pelo vampiro lá, e Lauren de vampira tem tudo, né... Tô começando a achar que se ela sair sob o sol, vai se desfazer em cinzas em cinco segundos.

: - Normani, sério... – Comecei a gargalhar, levando a mão até a boca para abafar o som. – Cala a boca vai tomar no cu!

: - Tchau, piranha!

Ela ria daquele jeito escandaloso de sempre, e eu desejei tacar uma almofada naquela carinha bonita. Nem me dei o trabalho de responder, apenas finalizei a ligação e neguei com a cabeça. Amava Normani demais, nem sei o que seria dos meus dias se ela não fizesse parte deles.

[...]

Graças ao dom que herdei da minha mãe, eu sabia cozinhar muito bem, nunca tive dificuldades na cozinha. Inventava minhas próprias receitas, e pelo incrível que pareça, sempre ficava bom.

Preparei para Lauren ovos com bacon, coisa que ela estava acostumada a comer nos EUA e deveria sentir muita falta. Também fiz panquecas com mel, e derreti meia barra de chocolate no creme de leite para que ela pudesse jogar por cima. Cortei morangos e uvas. Assei torradas, separei fatias de queijo branco, queijo suíço e peito de peru em um prato. E espremi laranjas para fazer uma jarra média de suco bem fresquinho. Arrumei tudo em cima da mesa, e deixei os ovos com o bacon em um compartimento que os mantinha bem quentinhos. Estava com uma cara ótimo e gosto também, pois fiz questão de provar. O cheiro era melhor ainda. Cobri os alimentos com papel filme, para não posar mosca, e coloquei uma rosa vermelha em um pequeno copo com água, no centro da mesa. Em um papel branco que achei em uma das gavetas, escrevi um recado:

“Tomara que esteja com muita fome, pois como pode ver, preparei um banquete. Fiz com carinho, espero que goste. Desci para a praia com Normani, não devo demorar. Você estava dormindo tão linda, não quis te acordar. Volto logo para os seus braços.

‘É você, só você que na vida vai comigo agora, nós dois na floresta e no salão, nada mais, deita no meu peito e me devora. Na vida só resta seguir, um risco, um passo, um gesto rio a fora.’

Com amor,

sua garota.”

Sorri sozinha e mordi o lábio inferior, onde coloquei o papel aberto embaixo do copo com água, ouvindo a campainha tocar no segundo depois. Com certeza era Normani, ela tinha passe livre para subir sem que fosse preciso usar o interfone.

Quando abri a porta do apartamento, Mani praticamente pulou no meu colo, me fazendo tombar para trás por conta do peso de seu corpo contra o meu.

: - Normani! – Eu disse sufocada por seus peitos na minha cara, tentando segurá-la pela bunda. – Vai me ma...

Nem consegui terminar a frase.

: - Que saudade, vadia! Cala a boca e me abraça. – Ela me apertou mais forte e eu ri do jeito que pude, colocando-a no chão e a abraçando apertado pela cintura. Mani encheu as minhas bochechas de beijos. – Não fica mais tanto tempo longe de mim assim.

: - Foram só três dias, dramática.

Beijei sua bochecha e ela me deu um selinho, me fazendo rir. Dei um tapa em sua bunda, fechando a porta atrás de nós.

: - Foda-se! Deixa eu sentir saudade em paz, troço. – Ela largou a bolsa de praia sobre o sofá em L que enfeitava a enorme sala, e me acompanhou para a cozinha. – Cadê Lauren, ainda dormindo? Tu sentou na cara dessa mulher ontem? Porque não é possível esse cansaço todo.

: - Mani, ainda são oito da manhã de um Domingo, nós que pulamos da cama mesmo.

Mordi uma torrada com queijo que havia separado para comer, me encostando na bancada americana que cortava a cozinha ao meio.

: - Eu só queria saber se você sentou na cara dela. Por que tu nunca responde o que eu quero?

Ela rolou os olhos e eu comecei a rir, tomando um gole do suco de laranja.

: - Sentei não, ontem nós fizemos amor.

Respondi com um sorriso bobo e senti minhas bochechas corarem. Normani me encarou com uma cara incrédula e se debruçou na bancada, me analisando.

: - Fizeram amor? Que porra é fazer amor, viado? Que brisa é essa?

: - Normani! – Resmunguei, largando o copo no mármore e me virando de frente pra ela, comendo mais da minha torrada. Limpei a boca com as costas da mão e voltei a falar. – Fazer amor é... ah, não sei explicar, é algo mais suave, mas igualmente intenso, sabe? É outro lance, e foi tão bom.

Contei suspirando, encarando um ponto fixo na parede atrás dela. Só de lembrar da forma em que Lauren me tocou na noite passada, fiquei toda arrepiada.

: - Que maconha foi essa que tu fumou, cara? – Ela me perguntou com uma expressão de “que porra tá acontecendo?”, e depois soltou uma risada, me encarando. Senti minhas bochechas arderem. – Me dá um pouco dessa erva aí, quero fazer amor também.

: - Para de palhaçada, não fumei nada, só...

Mordi o lábio inferior, estendendo minha mão direita para ela, mostrando o anel de compromisso que Lauren havia me dado, no meu anelar.

: - Mentira?

Ela deixou a boca abrir alguns centímetros, encarando o meu anel.

: - Verdade! – Sorri.

: - Mentira!

: - Verdade! – Repeti rindo, recolhendo minha mão e encolhendo os ombros.

: - CARALHO, VIADO! – Ela gritou, praticamente dando pulos de alegria em seu lugar. Em dois segundos, Mani deu a volta na bancada e agarrou minha mão de novo, quase a colando em seu rosto. – FINALMENTE NAMORANDO. CACETE! VAMOS BEBEMORAR.

: - Para de gritar, maldita! – A dei um tapa no ombro, fazendo-a se encolher. – Vai acordar Lauren.

: - Ai, tô nem ai, finalmente ela te pediu em namoro e olha esse anel. – Normani suspirou, tocando a pedrinha amarela e delicada com a ponta do dedo indicador. – Deve ter custado mais do que a minha casa inteira. Vamos vender isso, Mila.

Eu caí na gargalhada, vendo-a fazer o mesmo. Neguei com a cabeça, a empurrando pelos ombros.

: - Tu é ridícula.

: - Sou. – Com o braço direito, Mani me puxou contra o seu corpo, me abraçando com força. – E estou muito feliz por você, Mila, você merece ser feliz.

: - Obrigada, nêga. - A abracei de volta, me pendurando em seu pescoço e beijando sua bochecha. Ficamos daquele jeito um tempinho, e eu sorri antes de voltar a falar. – Ela disse que me ama.

: - Disse? – Mani me olhou, abrindo um sorriso doce e cúmplice. Sacudi a cabeça em positivo. – Ah, Mila... ah, droga! Vou chorar.

: - Sua boba!

Eu disse a ela rindo, mas me sentia completamente emocionada.

: - E você, disse o mesmo? Você a ama, eu sei. Mas você disse a ela com todas as letras?

: - Disse, e ela chorou tanto. Nunca me senti assim antes, não quero perdê-la.

: - Você não vai perdê-la, nem pense nisso. – Mani me abraçou de novo e beijou meu rosto. – Vai é casar com essa mulher ainda, tu vai ver.

Acabei sorrindo diante de sua fala, querendo ficar naquele abraço mais um pouco.

: - Será?

: - Tenho certeza, bunduda. Pode apostar.

Mani e eu ainda ficamos conversando mais um pouco, ela me encheu de perguntas sobre a noite passada e não tive como fugir. Depois de vestir o biquíni e um vestidinho de praia branco, voltei para a sala e encontrei aquela vadia que eu chamava de amiga, roubando o café da manhã de Lauren.

: - Vagabunda! – Dei um tapa em sua mão, fazendo-a levar um susto e resmungar. – Pode largando isso.

: - Ai, Mila, é só um pedaço de queijo. Credo!

Ela comeu o pequeno pedaço que roubou, desviando quando tentei dar outro tapa.

: - Não é pra comer merda nenhuma, não posso nem fazer um agrado pra mim mulher que tu quer estragar.

: - Lauren não vai sentir falta de um pedacinho de queijo, deixa de ser ruim. Ela pode comprar até as vacas pra dar o leite.

Mani fez beicinho e eu quase cedi a sua chantagem emocional. Eu disse quase.

: - Não! – Cobri o prato outra vez, a puxando pela mão para longe da mesa sob suas reclamações. – Peça para Dinah fazer um pra você. Vambora!

: - Tomara que tua bunda fique presa na privada quando tu for mijar. Filha da puta! Ridícula!

Normani pegou a bolsa sobre o sofá e abriu a porta, me olhando por cima do ombro com cara de esnobe. Eu soltei uma gargalhada, negando com a cabeça e a dando um tapa na bunda, empurrando-a para fora. Ela, definitivamente, melhorava os meus dias.

[...]

Nós ficamos na praia por bastante tempo, perdemos a hora conversando e comendo qualquer besteira que alguém passava vendendo. Eu não conseguia resistir as empadas, nem aos espetinhos de queijo coalho, e muito menos ao famoso biscoito Globo. Comi uns três sacos e, se Normani não me impedisse, comeria mais.

De volta a cobertura, encontramos Lauren sentada na mesa perto da porta da varanda, onde eu havia arrumado o café da manhã. Ela abriu um sorriso ao me ver, e deixou de lado o jornal que lia. Estava linda coberta por um roupão preto, o cabelo molhado e tão cheirosa que pude sentir de longe.

: - Pensei que não voltaria mais para casa, sweetie.

Ela comentou sorridente, arrastando a cadeira para trás e percebendo de maneira perfeita o que eu faria a seguir.

: - A praia estava boa demais, perdemos a hora. – Meu corpo ainda estava molhado pela água salgada do mar, mas eu não me importei com isso e me sentei de lado sobre suas coxas, abraçando seu pescoço. – Bom dia!

: - Bom dia, linda!

Trocamos um sorriso apaixonado e um selinho, logo mais outro selinho e outro e outro, e quando iríamos aprofundar o beijo...

: - Gente, eu ainda estou aqui, okay? Nada de dar uma sentada nervosa agora.

Ouvimos a voz da Normani e caímos na gargalhada, vendo-a se sentar no braço do sofá.

: - Desculpe, Normani!

Lauren pediu corando nas bochechas, me rendendo um suspiro.

: - Bom dia pra você também, chefinha!

Mani acenou despreocupada, abrindo um sorriso pequeno.

: - Onde está Dinah? Não foi à praia com vocês?

: - Não. – Respondi e a dei mais um selinho, pulando de seu colo. – Dinah é sua irmã gêmea, acha mesmo que ela iria à praia essa hora da manhã?

Comi um pedaço de queijo que havia sobrado no prato, levando as mãos até a borda do vestido de praia e o retirando, ficando apenas de biquíni. Vi os olhos de Lauren rolarem desde os meus pés até a minha cabeça, e fiz questão de abaixar um pouco a parte de cima para que ela visse a marquinha feita em meu seio esquerdo. Ela engoliu a saliva com dificuldade, visivelmente agitada. Sabia que ela queria me tocar, mas a presença de Mani a impedia. O que era bom, pois tudo o que eu queria era provocá-la.

: - So... I don’t... – Lauren deslizou a mão pela nuca e sacudiu a cabeça, como se tentasse clarear seus pensamentos. Eu ri de jogar a cabeça para trás, ouvindo a risada de Normani soar alta atrás de mim. – Shit! Vá para o banho, Camila. Você está coberta de areia.

: - Eu vou, e te espero lá. – Peguei um morango no pote e mordi, me virando de frente para Mani. – Por que não almoça comigo e Lauren hoje? Acredite, ela cozinha melhor do que eu.

Mani desceu do braço do sofá, pegando sua bolsa.

: - Bem que eu queria provar a comida da minha chefinha, mas não vai dar, Mila. Já marquei com Dinah hoje. Preciso ir, falando nisso, estou atrasada.

: - Ah... tá bom, então! – Resmunguei entristecida.

: - Você vai de ônibus pra Botafogo, Normani?

Lauren perguntou se levantando, apertando o nó que prendia o seu roupão.

: - Vou sim, pego ali no calçadão.

: - Vou pedir um uber pra você, assim chega mais rápido.

: - Não precisa, Lauren, sério... – Ela respondeu sem graça, fazendo um gesto rápido com a mão. – Botafogo é aqui do lado, não se preocupe.

: - Precisa sim e já pedi. – Lauren mexia no celular concentrada, e eu amava aquela expressão que deixava seu maxilar rígido. – Chega em cinco minutos, ele está aqui perto. E eu vou te fazer um cadastro no uber amanhã, no meu cartão da empresa, e você pode usar quando quiser. – Mani iria protestar, mas Lauren foi mais rápida e ergueu o dedo indicador, em advertência. – E nem adianta discutir. Agora vai.

: - Só não vou discutir pra você não me demitir. – Eu ri de sua resposta e sua cara contrariada. – Mas obrigada, de verdade.

: - Não precisa agradecer.

Lauren sorriu com ternura. Ela gostava muito de Normani, e aquilo me deixava feliz.

: - Tchau, Mila!

A abracei apertado, beijando a pele salgada de sua bochecha.

: - Tchau, nêga! Me avisa quando chegar.

: - Pode deixar. – Ela me deu um beijo na bochecha e sussurrou em meu ouvido. – Agora pode dá uma sentada daquela nervosa nessa gringa.

Acabei gargalhando, a empurrando na direção da porta.

: - Eu te amo, sua escrota!

: - Também te amo, bunduda. – Mani segurou a porta e me mandou um beijinho no ar, acenando para Lauren. – Tchau!

Acenei de volta, vendo-a fechar a porta. Ela não tinha jeito.

Me virei nos calcanhares com calma, encontrando o olhar doce de Lauren sobre mim. Fui caminhando na direção dela com leveza, enroscando meus braços em seu pescoço quando fiquei perto o bastante.

: - Gostou do café da manhã?

Perguntei com um sorriso de canto, beijando o cantinho de sua boca.

: - Adorei! – Ela selou meus lábios, depois a minha testa. – Não vou me importar se quiser fazer sempre. Estava uma delícia.

: - Eu farei, com certeza. Mas falando em delícia... – Mordi meu lábio inferior, descendo as mãos pelo tecido macio de seu roupão. – Bem que a gente podia...

: - Camila... – Lauren suspirou, seu tom de voz ficando mais rouco, daquele jeito que eu amava. Com calma, desfiz o nó de seu roupão, abrindo e afastando as laterais para deixar a mostra seu corpo nu e perfeito. Meus olhos se perderam ali por longos segundos, admirando desde a clavícula saliente, até as coxas grossas e definidas. Mas meu olhar insistiu em focar no meio de suas pernas, e eu amava o quão lisa ela sempre estava ali. E rosada. E quente, porque eu coloquei a mão para constatar o quão quente ela estava. – Não faça isso.

Ela soltou um pequeno gemido, e eu sorri com o lábio inferior mordido com força, dando dois beijinhos molhados em seu pescoço.

: - Vem me dar um banho, vem, preciso de ajuda para me ensaboar.

: - Precisa, é?

Ela me olhou com malícia, já visivelmente excitada, abrindo aquele sorriso no canto dos lábios que me deixava louca.

: - Uhum... – Segurei em seu roupão com a mão direita e a puxei, levando-a comigo pelo corredor. – Eu tenho muita dificuldade em lavar as costas, sabia? E acho que mais embaixo também.

: - Sua provocadorazinha. – Lauren me abraçou por trás e começou a beijar o meu pescoço, me arrepiando. Adorava aqueles joguinhos baratos. – Vou te dar um banho bem gostoso.

: - Oh, sim, eu sei que vai.

E ela deu. Ensaboou cada canto do meu corpo, enquanto suas mãos deslizavam em minhas coxas cobertas pela espuma do sabonete, ela lambia e chupava os meus seios molhados pela água quente que caia da ducha. E fez isso em várias outras partes, até me deixar dolorida e encharcada de tanto tesão.

O amasso que estávamos dando dentro daquele box era delicioso, eu adorava me esfregar nela, amava a sensação de tê-la toda melada contra a minha bunda, ficava alucinada com as putarias que ela sussurrava em meu ouvido, e já estava gemendo toda dengosa antes mesmo de seus dedos deslizarem para dentro da minha boceta sensível. Ela deu três estocadas bem fundas, lentas, e eu me preparei para pedir contra a sua boca que me fodesse com força, quando fui drasticamente interrompida pelo barulho irritante de seu celular tocando sobre a bancada da pia.

: - Caralho! Não!

Eu rosnei quase em desespero, cravando as unhas sobre os ombros dela, de pé contra a parede.

: - Holy shit! – Lauren xingou na minha boca, apertando com força a minha coxa que ela segurava contra a sua cintura. – Eu vou...

: - Se você parar e atender esse celular... Eu juro que... Eu te jogo daqui. – Eu ia dizendo e gemendo, empurrando o meu quadril para baixo, contra os seus dedos, literalmente sentando, para que ela continuasse a se mover. – Faz.

: - Fuck!

Ela xingou novamente, irritada e excitada, me beijando com força e voltando e meter dentro de mim. Quase louvei aos deuses, me abrindo mais para que pudesse recebe-la tão fundo quanto era possível. O toque irritante do celular não parava, e eu tentava me concentrar apenas nela e esquecê-lo.

: - Sim... mais forte, mete mais for... aah!

Gemi mais alto com as novas estocadas, rápidas e certeiras, batendo direitinho no ponto que deveria. Tão bom, tão gostoso e intenso. Seus lábios beijavam o meu pescoço, chupando a pele molhada, e eu enrolava seu cabelo em meus dedos em desespero, puxando a cada nova investida.

: - Gostosa! – Ela mordeu minha boca, metendo uma, duas, três vezes. Rápido, devagar, rápido, devagar. – Eu amo a sua boceta, tão apertada...

: - Laureen! – Gemi sentindo meu ventre apertar, eu estava lá, quase lá, eu iria ter um orgasmo delicioso. – Eu vo...

Eu só iria mesmo, fiquei naquela de só ir, porque o orgasmo que sairia glorioso, foi embora com rapidez quando o celular voltou a tocar estridente naquele cômodo abafado.

: - Ah, caralho, vai se foder. – Eu gritei realmente zangada. – Puta que pariu! Não acredito.

: - Porra! Não é possível. – Lauren rosnou, socando a parede atrás de mim com raiva, retirando seus dedos da minha boceta e se afastando. – Go to hell! I can’t believe it.

Ela saiu do box molhada e xingando, e eu me enfiei embaixo da ducha quente para tentar acalmar os ânimos. Em vão.

: - Não se pode nem foder em paz, porque... – A vi levar o celular até a orelha, se apoiando na pia. – Alô? Quê? – Ela estava irritada, e eu me deixaria rir da situação se não estivesse realmente brava. – Ah... oi, mãe!

Af! Rolei meus olhos. Não tinha outra hora pra ligar, sogra?

: - Aham... ér, eu estou bem, mãe... sim... o quê? – Lauren coçava a nuca, mudava o peso das pernas, suspirava. – Está aqui sim, por quê? – Ela olhou para mim, as sobrancelhas erguidas. – Falar com ela? Está bom, espera aí!

Lauren se aproximou do box e eu fechei a ducha, abrindo o vidro.

: - O quê?

Perguntei quando ela me estendeu o celular.

: - Ela quer falar com você.

Não bastava interromper minha trepada, ainda queria falar comigo quando eu ainda estava excitada. Boa, sogra!

: - Oi, Clara!

Tentei fazer a minha voz mais doce para que ela não percebesse o que eu fazia antes.

: - Olá, querida! Está tudo bem?

: - Ah, tudo ótimo! – Lauren prendeu o riso. – E por aí?

: - Tudo bem também, mas pode melhorar... – Poderia mesmo, se eu gozasse tudo iria melhorar. – Venha almoçar aqui em casa hoje com Lauren, faremos um almoço de domingo especialmente pra você. Pudim, como você ama, de sobremesa.

Ah, tinha como ficar brava com ela? Ela estava me oferecendo comida, não tinha mesmo como me irritar. Acabei sorrindo.

: - Claro que eu quero, faz tempo que não como pudim, me deu até fome. – Lauren soltou uma risada, negando com a cabeça. – Nós vamos sim, pode deixar. Que horas?

: - Daqui a pouco sai, é bom que venham agora, aí podemos conversar um pouco antes do almoço.

: - Está bem então, logo estaremos aí.

: - Isso, querida! Até daqui a pouco. – Pude ouvir um barulho estalado de beijo. – Esperando vocês.

Nós nos despedimos e finalizamos a ligação, onde eu devolvi o celular a Lauren e tornei a ligar a ducha.

: - Eu amo a sua mãe, sabe... Mas ela as vezes liga em uns momentos...

: - Ela está animada com o fato de estarmos juntas. – Lauren entrou no box outra vez, fechando o vidro atrás de si. – Vai querer te ouvir chamando ela de sogra.

Eu ri, envolvendo seu pescoço com os braços.

: - Ah, com certeza irei chamar. – Beijei sua boca. – Mas agora, vamos lá... Só me beija e me faça gozar.

: - Com todo o prazer, baby.

E coloca prazer nisso. Não foi preciso nem dez minutos para ela me fazer gozar tão forte, que eu gemi seu nome incontáveis vezes e ainda continuei murmurando enquanto aproveitava o resto daquela sensação.

O almoço na casa dos Jauregui’s foi ótimo, comi tanto que chega fiquei passando mal depois. Conversamos muito, Clara fez questão de me mostrar todas as fotos de Lauren quando pequena, o que a deixou morrendo de vergonha. Eu me derreti inteira, ela era a coisinha mais fofa do mundo. Em nenhum momento saiu do meu lado, ficou o tempo todo segurando a minha mão, me abraçando, ou beijando a minha testa. Meus sogros, como assim passei a chamar, ficaram imensamente feliz em ver a filha feliz. E, o que mais poderia importar além daquilo?

[...]

Foi uma quarta-feira à tarde que eu escolhi para conversar com o meu pai sobre o meu relacionamento com Lauren, ele estava de folga e eu não queria perder tempo. Não vou mentir, estava nervosa, com medo, até. Nunca me importei muito com a opinião dele em outros assuntos, mas apesar de tudo, o amava, e estava receosa com sua reação diante daquela situação. Queria seu apoio.

No telefone com Lauren, deixava transparecer toda a minha insegurança, e já fazia mais de vinte minutos que ela tentava me acalmar de qualquer forma.

: - Eu não sei como começar a falar.

Eu disse a ela, roendo o resto das minhas unhas.

: - Apenas seja sincera, diga que está apaixonada, conte a ele como se sente.

: - Ele não vai reagir bem, amor, eu sei.

Choraminguei, me afundando no colchão.

: - É a segunda vez que me chama assim, e eu gosto tanto. – Sua voz saiu tão carinhosa que não pude evitar um sorriso. Senti minhas bochechas corarem. – Eu fico toda boba.

: - Não me deixa com vergonha.

Cheguei a cobrir o rosto com a mão livre, não podia evitar me sentir daquela forma diante dela.

: - Me desculpa, sweetie. – Queria que ela estivesse na minha frente, e que me beijasse até ficar tudo bem. – Não precisa sentir vergonha de mim... Mas voltando, diga o que tem que dizer, vá com calma. Se ele não quiser entender, não fique se desgastando, okay? Finalize a conversa.

: - E depois?

Perguntei abraçando os joelhos com o braço livre, encarando a porta do meu quarto.

: - O depois nós resolveremos juntas. Agora vai. – Suspirei. – Eu estarei aqui esperando. Qualquer coisa me ligue e eu saio do trabalho na mesma hora para ver você.

: - Okay! – Respirei fundo e coloquei os pés para fora da cama, me levantando. – Estou indo, me deseje sorte.

: - Boa sorte, minha menina! – Meu coração bateu forte, seu tom era puro carinho e eu desejei um abraço. – Vai ficar tudo bem.

: - Espero! – Ficamos em silêncio por alguns segundos e eu alcancei a porta. – Lauren?

: - Oi!

Respirei fundo, dizendo baixinho.

: - Eu te amo!

Aquela era uma certeza, e diante dela eu não deveria temer nada.

: - Eu também te amo! – Ela respondeu no mesmo tom que o meu, e pude sentir o a emoção em sua voz. – E estarei aqui.

: - Até mais tarde.

: - Até!

Ainda demorei mais alguns segundos para finalizar a ligação, e quando o fiz, joguei o aparelho sobre a cama e sai do quarto.

Encontrei meu pai sentado na sala, diante da enorme televisão acoplada na parede. Nela, um jogo de futebol passava, e eu nem me preocupei saber qual era de tanto nervosismo. Sofia ainda estava no colégio, e eu agradeci a Deus o fato dela não presenciar aquela conversa.

: - Pai?

Chamei, parada um pouco distante, enfiando as mãos suadas nos bolsos traseiros do jeans que eu usava. Alejandro me olhou por cima do ombro, as sobrancelhas erguidas.

: - Oi, filha. – Ele estava incrivelmente acessível aquele dia, e aquilo só me deixou mais nervosa ainda. – O que houve?

: - Podemos conversar? – Pressionei os lábios.

: - Claro! – Ele tirou os pés de cima da mesinha de centro enquanto eu me aproximava. – Aconteceu algo no ilê? Está tudo bem por lá?

Me sentei ao seu lado, esfregando as minhas coxas em um nítido sinal de ansiedade.

: - Está tudo bem no terreiro e com todo mundo lá, não se preocupe. Não é sobre isso que eu quero conversar.

: - Então diga de uma vez, me deixou preocupado.

Respirei fundo, tomando nota mental de me lembrar de engolir um calmante da próxima vez que fosse dar alguma notícia bombástica a alguém.

: - Pai...

Comecei, travando quando ele ergueu as sobrancelhas. Ah, qual é? Eu nunca havia sido daquela forma, nunca fui de enrolar em nada e muito menos de agir como uma verdadeira frouxa. Então, o que diabos estava acontecendo comigo? Medo da rejeição? Ser rejeitada dói, não dói? Eu não queria sentir essa dor.

: - Eu...

Mordi o lábio com força, escolhendo as palavras.

: - Você...

Ele incentivou, coçando a barba rala em seu rosto.

: - Eu estou apaixonada.

Disse a melhor coisa que veio na minha mente naquele momento, e o vi me encarar com uma expressão séria por alguns segundos, antes de abrir um sorriso pequeno.

: - Apaixonada? – Confirmei e ele respirou fundo, coçando a nuca. – Bem... nunca imaginei que você me diria isso um dia. Sempre agiu como se paixão não fosse pra você. Mas isso é bom, muito bom, filha. É por isso que tem se distraído tanto, não é?

: - É sim, mas... – Apertei a ponta do meu nariz entre o dedo indicador e o dedão, um pouco mais agitada. – Tem outra coisa que eu quero falar.

: - O quê? Ele não é um cara bacana? Espero que sim, quero conhecê-lo, quero saber com quem minha filha anda, saber mais da família dele. Não te quero metida com gente sem princípios.

Ah, Oxum, me dê coragem. Pedi mentalmente incontáveis vezes, tomando uma respiração longa antes de voltar a falar.

: - É isso que eu quero falar, pai, não é ele... – O encarei, segurando seu olhar confuso. – É ela.

Era como se tudo tivesse passado a girar em câmera lenta, até mesmo o som do mar lá embaixo chegou devagar até os meus ouvidos. Ficamos nos olhando por minutos, o que me pareceu horas, sem dizer nada. Ele tentando assimilar o que eu disse, eu tentando manter a minha postura. Eu já estava ficando incomodada com aquele silêncio, detestava o silêncio.

: - Quem?

Foi o que ele perguntou, quase petrificado, parecia que estava com dificuldade para falar. Lá iria eu, mais uma vez...

: - Lauren.

: - Lauren? – Ele perguntou com um tom de voz que nunca ouvi antes, e senti um medo terrível de que ele explodisse bem ali, na minha frente. – Lauren Jauregui? A filha mais velha de Michael e Clara?

Engoli a saliva amarga que se formou em minha boca.

: - Sim.

: - Você só pode estar brincando comigo, Camila.

Me senti ofendida quase que automaticamente, e me controlei para não me alterar.

: - Estou com cara de quem está brincando?

Minha expressão dizia tudo, e vi Alejandro se levantar do sofá, dando passos pesados até o meio da sala, de costas pra mim. Respirei fundo, fechando os olhos por alguns segundos. Havia tirado um peso das costas de certa forma, mas eu sabia que teria que enfrentá-lo se quisesse limpar de vez a minha consciência e manter o meu relacionamento.

: - Desde quando? – Ele não me olhou, e eu também nem queria que o fizesse. – Desde quando anda tendo... isso com ela?

Eu sempre fui alguém bem sensitiva, e não era preciso muito para notar que ele sentia nojo daquela situação, e medo também.

: - Desde quando ela chegou, desde sempre.

: - Tem se encontrando com ela aqui debaixo do meu teto?

: - Não!

Respondi um tom mais alto, começando a me irritar, e deslizei os dedos pelo cabelo, buscando controle e rezando para os meus orixás mentalmente.

: - Eu nem consigo dizer o tamanho do absurdo que... – Ele se virou de frente pra mim, fazendo um gesto com as mãos. - ... que isso é. Você... Camila, você tem noção do que você está fazendo? Você perdeu o juízo?

Lá estava. Respirei fundo outra vez, me sentando na ponta do sofá.

: - Nunca estive tão certa de algo antes. – Ri contra a minha vontade. – E por que é um absurdo? Amar é um absurdo pra você?

: - Por Deus! – Ele levou as mãos ao ar. – Isso não é amor não. Você não percebe? Olha pra você, Camila.

: - O que tem? Que merda tem?

Me levantei, ficando de frente pra ele, e todo o controle que eu tentei manter se foi em dois segundos.

: - Você só tem vinte anos e Lauren... Pelo amor de Deus! Quantos anos Lauren tem?

: - O que importa a porra da idade dela?

Meu rosto começou a esquentar.

: - QUANTOS ANOS ELA TEM?

Quando ele gritou, eu soube que aquilo não daria certo.

: - Trinta e três.

Respondi com raiva, querendo sair dali sem nem ter começado direito.

Alejandro soltou uma risada de indignação, negando com a cabeça e levando as mãos até a cintura, andando de um lado para o outro.

: - Por que você se envolveu com essa mulher? Olha pra esse absurdo, minha filha, você não pode estar tão cega assim. – Cega? Que porra ele estava falando? – Ela tem trinta e três anos, é uma pessoa vivida, formada, acha que ela vai levar uma menina de vinte anos a sério? Ela só quer brincar com você, se divertir. Você é uma garota linda, e tenho certeza que é só isso o que ela vê. Conheço esse tipo de gente. Eu duvido que ela queira ter algo sério com você.

: - Nós estamos namorando. – Eu disse por trás dos dentes, sentindo as lágrimas de raiva brotarem em meus olhos. – Isso não é sério o bastante pra você?

: - E quem te garante que ela vai levar isso como deve ser levado? – Seu rosto estava vermelho, e ele se aproximou de mim mais um pouco, completamente enfezado. – Quem te garante que ela não fala de você rindo para as amigas dela? Quem te garante que você não vai sair dessa machucada? E eu ainda estou passando por cima do fato dela ser uma mulher e... É coisa demais pra assimilar, Camila!

: - Você vai começar um discurso homofóbico? Porque se for, me avisa que eu finalizo essa conversa agora, pois nem sou obrigada. – Eu não era obrigada a nada, muito menos a ouvir aquele bando de merda. – Você não conhece Lauren, você não sabe nada sobre ela. Não fale como se a conhecesse.

: - Você era pequena quando ela já deveria estar na faculdade, Camila. – Ele apontou o dedo pra mim. – Você era uma criança.

: - Você disse bem, eu era. – Deslizei as mãos pelo rosto, tentando controlar a minha respiração rápida. – Não sou mais, não sou há muito tempo e não há nada de errado no nosso relacionamento, não tente fazer isso.

: - Você só tem vinte anos.

: - E daí, porra? – Estourei, elevando tanto a minha voz que senti as veias em minha cabeça latejarem. – E daí que eu tenho vinte anos? Eu sou adulta, eu sei da minha vida, eu sei o que eu faço. Qual é a merda do problema de eu ter vinte anos e ela trinta e três? Não estamos cometendo nenhum crime. O que nós sentimos uma pela outra nunca será questão de vergonha.

: - Você não pode estar achando que isso é normal, porque não é. Todo esse conjunto não é normal.

Seu olhar era de reprovação total, e eu só queria sair dali pra não ter que olhar pra cara dele.

: - O que não é normal é esse teu preconceito. – Rebati, negando com a cabeça em desgosto. – Anormal é esse teu pensamento antiquado, anormal é essa escrotidão, anormal é o que você está me falando porque Lauren e eu, nós não temos nada de anormais.

: - Michael e Clara estão de acordo com isso? Estão de acordo com essa merda?

: - Por que não estariam? São pessoas sensatas, ao contrário de você.

Sentia vontade de chorar. Já sabia que ele não iria reagir bem, mas estava me afetando mais do que achei que afetaria.

: - Não fale comigo desse jeito, Camila, eu ainda sou o seu pai. Me preocupo com você, com as coisas que faz. Você agiu assim sua vida toda, por que não para? Pare de fazer como se não houvesse problemas, como se o mundo fosse bom porque ele não é. Está entendendo? É esse tipo de exemplo que você quer dar a sua irmã?

Ele estava perto demais, e eu não gostei nenhum pouco de ouvi-lo dizer aquilo. Não era justo comigo, não comigo que sempre me dediquei completamente na educação de Sofia, e se ela era uma criança exemplar, era graças a mim e a minha mãe.

: - Não fale de Sofia. – Limpei a lágrima que escorreu quente por minha bochecha. – Não fale dela, sabe por quê? Porque você não conhece quase nada sobre ela. Mas eu sim. Eu sei que faço o meu melhor, eu sei que sou boa para ela, e ela também sabe. Menos você, você não está aqui o tempo todo para ver, para nos enxergar como deveria.

Ele se afetou, seus olhos marejados me mostraram que minhas palavras tocaram bem no fundo do seu consciente, e era aquela a minha intenção, fazê-lo ver que estava errado sobre muitas coisas, ou sobre tudo.

: - Eu sei que sou ausente, mas me esforço o tempo todo para dar o melhor a vocês, a melhor educação. Eu dei, tudo isso. Melhores colégios, melhores brinquedos, melhores viagens.

: - E amor? – Perguntei, o encarando debaixo, sentindo meus olhos embaçarem por conta das lágrimas. – E amor, pai? Até quando me deu amor? Eu já me esqueci qual foi a última vez que você disse que me amava, quando foi a última vez que saímos juntos, que você me chamou para deitar no seu colo e me contou uma estória pra dormir. Eu tô falando de amor. Qual foi a última vez que você realmente me deu isso? Sou difícil, Alejandro, eu bem sei. Mas tudo o que eu queria de você era que me consolasse quando minha mãe se foi, e tudo o que você fez foi se afastar de nós, de mim e de Sofia, como se não fôssemos duas crianças sofrendo pela perda da mãe. Você nos deixou da pior maneira que uma pessoa pode deixar a outra. E está me deixando agora, mais uma vez, quando eu só quero que você me apoie e me entenda. Eu só queria que me amasse como eu sou, porque independente de tudo o que já fiz na vida e do que faço, sou uma boa pessoa. E você, pai, jamais enxergou isso.

Nem me dei conta de que já estava chorando enquanto desabafava, e me senti envergonhada. Uma sensação de terror ao mostrar fraqueza na frente dele, de chorar a perda de algo que me doía todos os dias, mesmo que eu fizesse questão de esconder.

: - Não é verdade. – Ele disse parecendo desolado, pressionando os lábios, os olhos vermelhos. – Não fale assim.

: - Como eu deveria falar? – Eu ri, jogando minhas mãos ao ar. – Olhe ao seu redor, faz tempo que não somos família. – Meu coração doía como nunca, sentia saudade da minha mãe, e disse isso. – Sinto falta da minha mãe, queria estar contando sobre quem amo a ela, queria poder dizer tudo o que sinto e ouvi-la falar que está feliz por mim, por Lauren, por tudo. Sinto falta dela. As vezes só queria que fosse como ela. Por que simplesmente não pode me apoiar, pai? Ao menos uma vez. Me ajude a pensar diferente sobre você.

: - Eu não posso concordar com isso, Camila, não posso simplesmente aceitar que você se entregue ao desconhecido, a alguém que mal conhece. – Abaixei a cabeça, chorando, sentindo um gosto amargo na boca. E doía tanto, toda aquela dor da rejeição que implorei para não sentir. – É isso que você sempre fez de errado, ser impulsiva, se entregar sem pensar duas vezes, sem medir as consequências, sem raciocinar. Você precisa crescer, Camila! Você precisa crescer. Só pare de me decepcionar e seja a mulher que sua mãe queria que você fosse.

Nada me machucou mais do que ouvir aquelas palavras, nada me parecia mais errado do que aquele momento. Era errado, tudo estava errado ali, mas uma coisa era certa, e eu jamais abriria mão dela.

: - Você está certo, sou impulsa, me entrego sem pensar duas vezes, não penso nas consequências, me arrisco, e foi me arriscando que eu encontrei quem hoje me mostra o que é felicidade. Foi me arriscando e sendo impulsiva que eu descobri o que é amar, o que é ser amada, que eu entendi o que é felicidade plena. Não importa a quanto tempo eu conheço Lauren, eu sei quem ela é, eu sei o que ela tem aqui dentro. – Coloquei minha mão trêmula sobre o meu peito, sentindo meu coração bater forte como nunca. – E ela tem amor, ela me dá amor, é tudo o que ela faz, me dar amor a todos os momentos desde que nos conhecemos. Ela me ama e isso é o bastante pra mim. Você pode dizer absurdos sobre ela, pode pensar o que quiser sem procurar conhecê-la, mas jamais, jamais fará com que eu me afaste dela. Ela é a mulher que eu amo, quer você goste, ou não. Ela é uma pessoa fantástica, com a alma limpa e um coração bom. E a melhor parte, ela me ama e me trata como ninguém antes tratou. E quer saber de uma coisa? – Me aproximei mais dele, o encarando de igual para igual, sentindo as lágrimas caírem furiosas. - Minha mãe, aonde quer que ela esteja, tenho certeza de que está muito feliz por mim. Ao contrário de você, pai, ela sempre confiou em mim e na boa educação que me deu. Ela me apoiaria e saberia entender que esse é o grande momento da minha vida.

Não esperei que ele respondesse, eu não poderia, não queria escutar mais nada, já havia sido o bastante. Sequei meu rosto e o deixei para trás, andando com passos largos na direção do meu corpo e tendo a certeza de que ele não viria atrás de mim, não naquela hora, talvez em momento algum.

Entrei no meu quarto com pressa e arrumei uma bolsa de roupas, colocando o suficiente para mais ou menos uma semana. Eu tinha pressa, pressa em sair dali e respirar ar puro, respirar Lauren.

Peguei um papel e escrevi um bilhete para Sofia, o deixando sobre sua cama.

“Ei, meu amorzinho, eu vou passar uma semana fora, okay? Mas olhe, eu venho te buscar para passear, podemos fazer o que quiser. Se comporte com o papai e com María esses dias. Logo estarei de volta. Me ligue a hora que quiser. A irmã te ama muito, mais do que qualquer outra coisa no mundo.”

Reli umas três vezes, e suspirei antes de deixar seu quarto. Peguei Elis, que dormia toda encolhida em sua caminha, e lhe beijei entre as orelhas. A segurei contra o meu peito, coloquei a bolsa em um dos ombros e sai, passando pela sala vazia, batendo a porta logo depois.

Entrei no elevador sem olhar para trás, precisava ficar longe dali o mais rápido possível, me sentia sufocada, pressionada, magoada, decepcionada. Quando entrei em meu carro, coloquei Elis já desperta no banco do carona com cuidado, pegando o meu celular e ligando para o único número que eu precisava. Ela atendeu no terceiro toque, e ao ouvir sua voz, desabei.

: - Lauren...

Chorei, encostando a testa no volante. Nunca fui dramática, nunca me senti vivendo um drama além da morte da minha mãe, mas eu me sentia completamente perdida naquele momento por milhares de motivos, e me permiti chorar.

: - Shiiu, meu amor, vai ficar tudo bem. – Ela sabia, eu nem precisava dizer, e era por isso que eu a amava. – Vá para o apartamento, estou indo te encontrar.

: - Não demora. – Funguei, apertando os olhos com força. – Por favor!

: - Não irei. – Ouvi alguns barulhos, e sabia que ela estava se movendo. – Estou saindo, já irei lhe abraçar. Apenas respire fundo e vá ao meu encontro.

: - Estou indo.

Sussurrei, e nos despedimos da forma que deu.

O caminho até Copacabana durou mais do que já durou alguma outra vez, parecia que tudo estava indo contra mim. Peguei trânsito, quase atropelei alguém que nem mesmo pude ver quem era, e quando finalmente cheguei ao prédio de Lauren, subi quase correndo com Elis assustada em meu peito. Ela estava lá quando eu entrei, parada de pé, no meio da sala, e tudo o que eu fiz foi colocar Elis e minha bolsa no sofá, antes de me jogar em seus braços.

: - Estou aqui... Shiiiu! – Ela beijou a minha testa, me abraçando com força. – Vai ficar tudo bem, confia em mim... vai ficar tudo bem. Só não chore, eu não posso aguentar, sweetie.

: - Foi horrível. – Eu disse contra o seu peito coberto pela blusa social de seda, molhando o tecido todo, enrolando os meus dedos na gola perfeitamente arrumada. – Ele me disse absurdos, nunca me senti tão perdida desse jeito. Só queria que ele me apoiasse, amor.

Eu me sentia indefesa. Apesar da minha relação com o meu pai sempre ter sido de altos e baixos, saber que, mais uma vez ele não iria me apoiar em algo na minha vida, me deixava totalmente sem esperanças, magoada. Eu só queria que ele fizesse o seu papel de pai, e que me amasse independente de qualquer coisa.

: - Ele vai entender, tenha calma. – Ela beijou a minha cabeça, me abraçando com tanta força e carinho. Queria ficar naquele abraço pra sempre. – Você foi sincera, disse o que tinha para dizer. Deixe ele assimilar tudo e irá entender.

: - Ele não vai, eu conheço ele, sei como ele é. – A olhei, o rosto banhado em lágrimas, e ela o segurou entre as mãos, seus olhos brilhavam úmidos. Doía nela quando doía em mim. – Ele acha que tem razão sobre tudo, disse que nem mesmo conheço você, que só quer brincar comigo, que você não vai me levar a sério, que eu só o decepcionava. Cheio de preconceitos nojentos, como se o que eu sinto não valesse nada.

: - Vale muito. – Ela sorriu triste, limpando minhas lágrimas, acariciando minhas bochechas. – O que você sente vale tudo pra mim, é o que mais importa na minha vida. O que nós sentimos é valioso demais, nem ele e nem ninguém pode dizer ao contrário, Camila. – Com suavidade, ela beijou os meus lábios molhados, logo depois a minha testa. – E ele vai entender isso.

: - Como? – Enterrei meu rosto em seu pescoço, sentindo seus braços me envolverem outra vez. – Ele é cabeça dura demais pra isso. O orgulho é maior do que o amor que deveria sentir por mim.

: - Ele vai entender tudo o que tiver para entender, pois eu vou até lá conversar com ele. – Lauren acariciou o meu cabelo, afagando sem pausa. – Vou mostrar a ele quem eu sou, vou deixar que ele veja em meus olhos o tamanho do sentimento que eu tenho por você, que tudo o que eu quero é te fazer feliz. E vou repetir até que ele compreenda, que eu te amo e te protegerei com a minha vida se for preciso. Nada te fará mal, nunca... Eu não vou deixar, vou cuidar de você.

Ela não deixaria, eu sabia. E me protegeria contra tudo e contra todos, e tudo isso em nome do amor.

“Eu protegi o teu nome por amor, em um codinome beija-flor”.



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