História Ainda é cedo - Capítulo 1


Escrita por: ~

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Categorias Naruto
Personagens Hinata Hyuuga, Hyuuga Hiashi, Sasuke Uchiha
Tags Anjo, Automutilação, Demônio, Hinata, Morte, Sasuke, Sauhina, Suícidio
Exibições 55
Palavras 1.018
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Drama (Tragédia), Famí­lia
Avisos: Suicídio
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Eu precisa escrever algo assim, porque estava muito triste.

Capítulo 1 - Capítulo Único


 

Ainda é cedo

Hinata abriu os olhos, mas não quis se levantar, os fechou de novo. Os apertou, queria desaparecer, dormir para sempre e nunca mais ver o mundo a sua volta. Estava cansada de ser forte, de lutar uma guerra já perdida. Não podia levantar-se e ver o dia, ver que o sol brilhava, as pessoas lhe dariam bom dia e mesmo assim ninguém ligaria de verdade para o que estava sentindo.

 

O pai a olhava com os olhos frios, nada nele a confortava. Era de manhã e a vida mal havia começado, mas ela já estava desistindo. Ninguém a entendia, quem dizia que sim apenas fingia. Hinata queria saber o que havia de errado consigo, a médica disse que o problema era em seu cérebro, produz serotonina de menos.

 

Parecia simples quando explicou no diagnóstico, o pai achava que era apenas frescura de uma menina que sempre teve tudo. O que ela podia dizer, que ele lhe deu o que podia ser comprado, mas esqueceu se do essencial o amor.

 

Não podia falar, Hinata não conseguia. Não conseguia lidar com as emoções que as devoram  por dentro. Intensa demais para poder às dominar, sua única vontade é nunca mais acordar. Quer um sono sem sonhos, quer a escuridão que tem por dentro, quer apenas o fim.

 

Já não acredita no amor, na paz, na cura, na amizade em nada do que dizem. Está sempre sozinha, já tentou, não sabe quantas vezes conseguiu ficar de pé depois de achar que era o fim.

 

Está confusa quando segura a lâmina, a pequena lâmina muito bem guardada. Escondida do mundo, um segredo seu, um segredo que já foi revelado, que lhe rendeu olhares de nojo pelos corredores do colégio.

 

O que pulsa de si é a vida, é o sangue. Ainda não é a morte, é só a dor e confusão exposta em vermelho. Não gosta da cor, do cheiro, deita-se no chão do banheiro e chora. Chorar é tudo que tem, o que ninguém pode roubar.

 

Não aguenta mais os tratamentos que dão errado, as mentiras de que tudo passa. Quer voar, mas não tem asas. Quer deixar tudo para trás, mas não sabe onde ir. Doce menina, doce inocência perdida. Hinata segura o corte, vai esconder, vai lavar o rosto e ir para o colégio.

 

Tudo é como um borrão, a voz dos professores como gravadores. Está ali e não está presente, só ouve de verdade as ofensas contra si, em algum momento já aceitou que são verdades. Que não merece a vida, que as surras que leva no banheiro são porque merece e que os palavrões rabiscados junto ao seu nome na porta do banheiro estão certos.

 

O caminho de casa, a volta para outro lugar onde só a cama a ama de verdade. Desvia se para outro lugar, em busca de liberdade, de asas e de um voo que a leve embora. Está no viaduto, está olhando para baixo e tem certeza chegou ali em momento de devaneio.

 

Os carros não se importam com ela, ninguém nunca se importou. Porque continuar com a vida, não há motivos para acordar amanhã e sofrer tudo de novo. Dessa vez não pode errar, não pode voltar, dessa vez é para sempre.

 

Deixa a mochila cair do ombro. Sobe no parapeito, o vento bagunça seus cabelos. Não sabe se é coragem demais ou apenas medo da vida. Olha em direção a onde pensa que vai cair, sorri, não sorria a muito tempo.

 

O corpo está leve, respira fundo e sente a vida. O cheiro de pneu queimado, de sol quente, de fumaça, dos carros e de repente se lembra de tudo. Da época que era feliz, que ainda era uma menina, do gosto do sorvete, do abraço da mãe que se foi e quer aquele abraço de novo.

 

Abre os braços, quem sabe tenha asas, quem sabe a dor lhe ensine voar. Fecha os olhos e sente o vento, as vozes que gritam para que não faça aquilo são apenas sussurros. Quer a liberdade, quer ficar bem, quer acordar e não estar cansada.

 

一Ainda é cedo 一essa voz a entende, essa voz sabe suas feridas.

 

O mundo parou, as pessoas congelaram. Hinata não sabe o que está acontecendo, mas na sua frente há um homem com asas. Asas negras, pesadas, olhos ônix e profundos. Não há tempo para saber o que está acontecendo.

 

Pensa que talvez já tenha pulado e ele é um demônio que veio a buscar. Olha o próprio corpo e ainda se sente viva. Os coração que pulsa, o pulmão que trabalha e a cicatrizes do pulso que ainda estão ali.

 

    Até que ele se aproxima demais, mais do que qualquer garoto já tenha se aproximado. A pele que ela toca e fria, quente e não existe. Os lábios brancos de pouco sangue que tocam os seus não são para um beijo.

 

    São para a lembrar quem ela é. Hinata a garota que já teve sonhos, que acreditou em anjos, que já teve uma primeira paixão, que já conheceu o amor e que depois caiu. Caiu pela perda da mãe, pela solidão, pelos maus amigos, pela atenção que quer do pai e agora tem uma escolha.

 

    O anjo ou demônio a sua frente não vai a segurar. A decisão de descer ou pular e sua. Ainda sente o gosto dele na sua boca, mas ele já desapareceu. O tempo passou a rodar, as pessoas estão novamente gritando para que não faça aquilo.

 

    一Ainda é cedo 一desce da morte.

 

    As vozes e rostos ainda são borrões, está sozinha no mundo e não sabe o que fazer. Não sabe que se aquilo aconteceu ou se foi apenas uma ilusão, as pessoas tentam a segurar, mas escapa de todas as mãos.

 

    Caminha sozinha para a frente, caminha sem destino. Caminha e sente o calor do corpo, sede, fome e esta vida. Ninguém sabe quem ela é de verdade, é muito mais do que dizem, é forte. Uma guerreira, vai lutar, usar todas as suas forças para permanecer de pé e se cair vai lutar ainda mais para se levantar.

 


Notas Finais


Obrigado se você leu!!
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