História Alegria roubada - Capítulo 3


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Categorias Os Heróis do Olimpo, Percy Jackson & os Olimpianos
Personagens Jason Grace, Nico di Angelo, Percy Jackson
Tags Jasico, Pernico
Exibições 91
Palavras 1.494
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Crossover, Fantasia, Ficção, Fluffy, Magia, Romance e Novela, Shoujo-Ai, Yaoi
Avisos: Homossexualidade
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Boa leitura pessoal!

Na capa, Dylan O'Brien como Percy.

Capítulo 3 - A profecia


Fanfic / Fanfiction Alegria roubada - Capítulo 3 - A profecia

Desci de Black Jack. Segurava meu braço onde um corte sangrava, ainda aberto.

Uma parte da manhã e a tarde inteira para chegar. Tivemos de parar em alguns lugares para que ele descansasse. Não era tarefa fácil quase cruzar o país, mesmo para um cavalo dos deuses.

Numa das paradas fomos atacados por uma dracaenae e ela abriu um corte profundo em meu braço antes que eu a fizesse explodir em pó dourado.  A ambrósia estava demorando para curar o ferimento. O rasgo queimava como as águas do Flegetonte, mas eu sinceramente não estava ligando muito. Finalmente havíamos chegado na campina Meio-Sangue, e era isso o que importava.

— Obrigado companheiro.

“Por nada, Boss”, seus grandes e espertos olhos de cavalo pousaram em meu corte. “Isso está feio, chefe”.

— Eu sei — inclinei a cabeça para ver direito meu braço. — Logo a ambrósia faz efeito.

“Se você diz... Tenho que ir também. Até mais, chefe”, assentiu para mim e eu lhe dei um sorriso. Bateu as asas e ganhou o céu.

Ajeitei minha mochila no ombro e me virei para ver o acampamento colina abaixo. Tudo a mesma coisa. Os chalés formando um Omega gigante, a casa grande, os campos de morango, o pinheiro de Thalia com o velocino de ouro no topo, o dragão Peleu ressonando ao pé da árvore...  Parecia que nada mudara desde minha última visita. Mas se você prestasse atenção, perceberia o acampamento quieto de um jeito incomum, como se uma névoa repousasse sobre todos e ninguém quisesse deixar seus chalés.

Suspirei e tomei o rumo da casa grande.

...

— Quíron — chamei diante da porta.

Ela se abriu quase que de imediato, mas quem me recebeu foi Jason, o ex-pretor romano que estava com os gregos por diplomacia. Seus olhos estavam cansados e menos brilhantes, os ombros caídos e os óculos desarrumados no rosto. Não parecia o poderoso filho de Júpiter que eu sabia que ele era.

— Eae...

— Oi, Percy — sorriu de um jeito forçado. — Quíron quer falar com você... E Afrodite também. Ela chegou há uma hora.

“Uma Olimpiana esperando para falar com alguém? A situação deve ser ruim mesmo...”

Passei por Jason e ele encostou a porta com um "click". Ao entrar na sala de estar, os olhares de senhor D, Quíron e de uma mulher realmente linda se voltaram para mim. A mulher sentada na cadeira de vime só podia ser Afrodite, tamanha beleza que a cercava.

...

— Senhor D, Quíron — abaixei a cabeça para o deus, e em seguida para meu professor centauro. — Senhorita Afrodite — assenti na direção dela. Não estava com paciência para me apresentar direito, principalmente para uma deusa que tinha por hobby arruinar minha vida.

— Bem vindo, Perry — Dionísio agitava uma taça de ice Cola entre os dedos. Como sempre, parecia entediado. — Agora só falta o filho de Hades, suponho.

— Que bom que chegou em segurança, Percy — Quíron, em sua forma humana, tamborilou os dedos no braço da cadeira de rodas.

Afrodite tossiu

— Não esperarei mais, e você também não, Dionísio. Temos que retornar o mais rápido possível para o Olimpo — disse ela. Sua ordem era forte, mesmo em tom calmo e melodioso. Talvez fosse seu charme. — Di Ângelo está no mundo inferior, não é o que você disse, Quíron?

— Sim. Chegará logo, mas penso que podemos fazer os comunicados apenas para Percy e Jason. Eles poderão repassar — respondeu ele.

A deusa assentiu.

— Pois bem — levantou-se, a expressão séria. — Imagino que vocês já tenham percebido o caos que se instalou no planeta, não?

— Sim — Murmurei.

Por um instante ela pousou os olhos multicolores em mim, continuando:

— Um crime foi cometido, e um acordo muito antigo quebrado. O sono que recaiu sobre todas aquelas que já amaram ou que foram amadas é fruto do sofrimento de Hipnos — começou ela. — Eufrosina, sua esposa e também deusa da Alegria foi sequestrada.

Grácia Pasitea? — perguntou Jason.

— Sim, vocês romanos a chamam dessa forma — Afrodite agitou a mão no ar, um sinal para não ser interrompida novamente. — Estou aqui para dar-lhes uma profecia. Não sou mensageira e não gosto de ser tratada como tal, mas o oráculo de Delfos se encontra indisponível — Raquel também dormia. — e Apolo está muito ocupado pra vir ele mesmo. E também, o problema tem a ver com um coração ferido, então sou eu quem mais tem respostas para suas perguntas.

Dei um passo a frente, ela me olhava fixamente.

— O que diz a profecia? — perguntei.

Afrodite sorriu. Estalou os dedos e um rolo de pergaminho surgiu em sua outra mão.

— Direto ao ponto — deu de ombros e desenrolou a folha. — Bem, vejamos... — começou a ler:

A alegria de um deus foi roubada 
E as amadas em sono profundo embaladas. 

No mar e sem esperança, chora a donzela 
E galgando as sombras, deverão salvá-la 
o filho da água, o do céu e o da treva.

 

Ao terminar de ler, o pergaminho se enrolou e sumiu com um “pop”, virando fumaça rosa.

— A primeira parte diz respeito ao que acabei de explicar, e a segunda fala como e quem irá resgatar a "donzela", que de certo é Eufrosina — Afrodite encarou Jason e depois eu, em sequência.

Todos sabiam os nomes dos "escolhidos" para a missão. Mais claro, impossível.

— Quem mantém Grácia... — Jason limpou a garganta. — Eufrosina como refém? 

Senhor D soltou um riso baixo.

— Não vai ser assim tão fácil, Jasper — bebeu de sua coca. — Não sabemos ainda, mas suspeitamos ser um deus poderoso.

Repassei a lista de deuses considerados poderosos em minha cabeça. Por que havia tantos suspeitos? Nosso trabalho seria mais simples se fossem, por exemplo, só uns cinco. Desisti dessa linha de raciocínio, até porque, mesmo se quisesse não conseguiria conferir a inocência ou a culpa de um por um.

Sensíveis e orgulhosos como eram, se eu os acusasse e estivesse errado acabaria jogado no Tártaro.

— Onde mora Hipnos? Talvez possamos falar com ele — sugeri. — Quem sabe ele mude de ideia e acorde todo mundo? — Eu era bem ingênuo de sequer considerar isso como possível. — ...Ou se não, pelo menos teremos um ponto de onde partir, dependendo do que ele nos contar.

Afrodite murmurava algo para si mesma, e senhor D deu de ombros. Será que eles poderiam ao menos fingir que ligavam para o mundo?

Foi Quíron que respondeu, alisando sua barba.

— Lemnos. Ele vivia com Eufrosina nessa ilha, que fica no mar Egeu.

Senti um arrepio subir por minha espinha. Egeu...

— Antiga Grécia? — Jason balbuciou. — Quíron, mesmo Nico demorou vários dias para fazer essa viagem! Ele não pode fazer isso de novo! Sim, porque essa profecia deixou bem claro que vamos precisar dos poderes dele!

Afrodite levantou a mão, tomando a palavra.

— Mas vão precisar usar as sombras de qualquer jeito. O convençam se for necessário — ditou ela. — Outro meio pode ser perigoso. Não obedecer a profecia ou tentar evitá-la sempre significa um final trágico, e vocês sabem disso.

Grunhi, frustrado.

— O.K. Considerando que Nico sobreviva e consiga nos levar até lá, isso ainda assim tomará dias — fiz contas rápidas em minha cabeça. — No mínimo uma semana!

Annabeth, minha mãe, Raquel... Metade do planeta não poderia dormir por uma semana inteira!

Como se lesse minha mente, Afrodite começou a falar novamente.

— Não se preocupe com o mundo, Perseu. Ainda há outros deuses — avisou ela. — Apolo, por exemplo, neste momento toca sua lira e o som é tão suave que deixa os homens em transe. As musas o ajudam, e portanto os homens não farão nada enquanto as mulheres dormem. Por interferência de Atena e Hefesto as cidades estão paradas, nenhuma máquina funcionando.  E se você, um mero mortal, ainda assim duvida do poder dos deuses, saiba que o transe da música de Apolo e o sono de Hipnos nem mesmo deixarão que os humanos sintam fome ou sede. Tudo está sob o controle, então só faça aquilo que lhe é dado.

Soltei o ar, aliviado. Aquelas explicações tiraram o peso do mundo de meus ombros e o devolveram para Atlas.

— Os outros deuses, incluindo eu, estão compensando o poder do deus do sono. Porém, não podemos resolver diretamente o sequestro. Como eu disse, uma das poucas coisas que sabemos é que o culpado se trata dum deus poderoso — suspirou. — Interferir ou tomar partido significaria cisão no Olimpo, e por consequência, outra guerra.

Outra guerra...

— Por isso, vocês resolvem — emendou Dionísio. — E um detalhe: mesmo o poder dos deuses têm limites. Dez dias é o máximo que poderemos manter a humanidade neste estado... vegetativo.  

Sem aviso, senhor D se levantou e se pôs ao lado de Afrodite. Os dois começaram a brilhar, e automaticamente Jason e eu fechamos os olhos.

— Quíron, deixo o acampamento sob seus cuidados — eu apenas escutava. — Peter e Junior, conversem com o Quico sobre a missão assim que ele chegar.

— Sim, senhor D — murmurei, ainda no escuro.

Um segundo de silêncio, e depois, mesmo que de olhos fechados, um clarão fez minhas pálpebras ficarem vermelhas e minha pele formigar.

Quando abri os olhos os deuses não estavam mais lá.



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