História Além da Vida - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias Fairy Tail
Personagens Erza Scarlet, Jellal Fernandes
Tags Erza, Jellal, Jerza, Jerza Fanfic, Reencarnação
Exibições 119
Palavras 4.049
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Misticismo, Musical (Songfic), Shoujo (Romântico), Sobrenatural, Universo Alternativo
Avisos: Heterossexualidade, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Oláaaaaaaaaaaaaaaaaa, bem essa fic é meu presente de aniversário meeeeeeeeeeeeeeeeega atrasado para a Nekochibiwalker, desculpa nenis e não desiste de mim, eu sou ridícula por dar um presente mil e quinhentos anos depois do seu aniver, mas :c yo te amo heuehushuhuehu

Eu espero do fundo do meu coração que goste desse humilde presente, é bem humilde meeeeesmo com relação ao que eu queria fazer, mas tem todo o meu carinho, admiração, amizade e amor colocados na pontinha dos dedos rsrsrs O carinho que eu sinto por vocÊ na verdade é beeeeeeeeeeeeeeeem mais que isso, mas foi o que eu pude fazer diante das minhas dificuldades atuais para escrever. Mas enfim, eu te desejo novamente todo o amor do mundo pq vc merece por ser uma pessoa, que não tem nem dimensão em entender e compreender o quanto é maravilhosa. Você é, sim, maravilhosa, meu amor, uma pessoa generosa, carinhosa, amiga, e que merece ter toda a felicidade do mundo. Te admiro muito como escritora desde que li ND, a primeira fic jerza q li, e te admiro como pessoa desde que tive a honra de te conhecer um pouquinho melhor quando vc me mandou aquela mensagem aqui no ss a pedido da Nyx heuehushuhuheue
Enfim, eu te amo muito <3 e sou gay msm então falo gayzisse sem problema nenhum heuehushuheu

Espero q goste na medida do possivel do presente, e espero q todos q lerem gostem tb, o presente é pra Neko, mas é pra cada um q quiser ler tb heuehushuheu amodoro a todos <3

Capítulo 1 - Capítulo Único - Este não é o último adeus


Eu jamais vou esquecer da primeira vez em que vi aqueles cabelos vermelhos dançando com o vento. Eu saía da minha cafeteria preferida quando ela cruzou a porta do lugar em sentido contrário ao meu. Nem mesmo o meu aroma preferido no mundo, o aroma de café, pôde competir com o perfume de morangos silvestres que eu senti naquela fração de segundo em que ela passou por mim.

E naquele momento toda o vazio que eu sempre senti no meio do peito, toda a sensação de saudade do que eu nunca vivi, do que eu nunca conheci, pareceu desaparecer por completo... Era ela, era ela tudo o que eu sempre procurei, tudo o que eu sempre ansiei sem nem ao menos saber, ela era tudo que eu nunca soube que precisava; e eu tive certeza pela cor de seus cabelos.

Expressei-me mal quando os descrevi como vermelhos, eles eram bem mais que somente vermelhos, eram de um vermelho tão vívido, assim como o sangue que nos traz à própria vida, que seriam melhor descritos como escarlates. Estranhamente, um escarlate com o qual eu sempre sonhei, desde a infância, sem entender o porquê, sem entender porque aquela cor parecia tão importante para mim. De repente o escarlate dos meus sonhos estava bem ali diante dos meus olhos... e já não me faltava mais nada.

Não consigo entender o porquê de eu ter feito o que fiz, mas era fato, eu havia sido completamente atraído por aquela mulher de cabelos escarlates de uma maneira inexplicavelmente arrebatadora. Era como se eu já a conhecesse, era como se ela fosse o meu lar; eu até mesmo tive vontade de deixar algumas lágrimas escorrerem pelos meus olhos, mas como explicar para mim mesmo tal coisa? Em todo caso, fiz o que meu coração pediu, ou melhor, ordenou: Esperei por ela do lado de fora da cafeteria, sentado no banquinho da praça que ficava em frente ao estabelecimento. Eu apenas esperei que ela saísse dali, sem saber muito bem o que faria quando os meus olhos a vislumbrassem novamente.

Ansioso, eu olhei do meu relógio, que marcava as dezessete horas e trinta e três minutos do dia 14 de outubro de 2016, para a porta do charmosinho café onde eu tomava um cappuccino sempre ao final do meu expediente de trabalho. E o meu olhar ganhou brilho novamente quando eu a vi cruzar a porta, e no meu rosto se desenhou um sorriso feliz, que logo fechou-se ali trazendo consigo a preocupação no olhar. Ela estava distraída enquanto folheava um pequeno exemplar de Marília de Dirceu ao ponto de não perceber o carro que não respeitou o sinal vermelho.

A mulher de cabelos escarlates caminhava até mim, caminhava até a praça, e por um milésimo de segundo eu pude ver o escarlate do seu sangue escorrer pelo asfalto da barulhenta São Paulo, eu pude ver seu rosto pálido empalidecer ainda mais e o brilho dos seus olhos perderem a vida junto de seu último suspiro; mas eu não vi nada disso, eu fui mais rápido que o carro, e antes que eu pudesse refletir sobre o que estava fazendo, era o meu sangue que escorria pelo asfalto da barulhenta São Paulo, eram os meus olhos que se fechavam lentamente ao ponto de a última coisa que conseguiram ver ter sido o rosto da mulher a chorar desesperadamente. Eu havia me jogado contra o carro e salvado a vida daquela mulher. Não sei explicar o porquê, mas eu tinha, eu devia fazer aquilo, era como se tivesse vivido a vida inteira apenas por aquele momento. Então eu não sofri, eu consegui esboçar um sorriso para ela antes de apagar completamente.

― Rápido, rápido, verifiquem os batimentos, está tudo preparado na sala de cirurgia? O anestesista está pronto? ― dizia uma mulher vestida de branco, talvez uma médica, enquanto eles corriam pelos corredores de um hospital empurrando uma maca. Eu sentia uma dor lancinante na cabeça, e sentia o sangue me escorrer pelo crânio. Pedia socorro, gritava por ajuda, eu estava num hospital afinal, mas ninguém parecia me ver, ninguém parecia me ouvir, ninguém parecia me dar atenção.

Eu já estava desesperado e corria por todo o hospital quando a vi. A mulher de cabelos vermelhos, ela falava com uma recepcionista e chorava.

― Por favor, me ajude, me ajude! ― gritei para ela e por um momento pude vê-la erguer a cabeça em minha direção, mas logo tornou a falar com a recepcionista e me ignorou assim como todos os outros. Minha cabeça doía, meu corpo doía, eu precisava de água.

A ruiva sentou-se em uma das cadeiras da sala de espera e eu pude vê-la rezar enquanto algumas lágrimas silenciosas lhe banhavam a face. Segui até ela pedindo por ajuda, era como se ela me sentisse, mas não me via, não me respondia.

― Vai ficar tudo bem ― ela disse baixinho a sorrir, mesmo com lágrimas nos olhos.

E nesse momento um homem vestido de branco veio até mim.

― Jellal Fernandes, venha comigo ― disse o homem desconhecido, de forma gentil.

― Vai me ajudar? Sinto dor, doutor, muita, é como se fosse morrer.

― Não tenha medo, vou lhe mostrar algumas coisas ― ele disse e então como em um passe de mágicas eu vi o meu próprio corpo, era o que eu vi sendo carregado na maca anteriormente, na sala de cirurgia.

― Não se preocupe, os médicos cuidarão disso ― disse o homem, que me tocou a face carinhosamente e como que magicamente eu não senti mais dores. Assisti por poucos minutos à cirurgia, quando o homem me convidou a ver algumas coisas que me fariam entender melhor tudo o que estava acontecendo. E quando ele tocou a minha mão, eu não estava mais no hospital, eu estava em uma enorme fazenda, bem em frente a uma imensa plantação de café.

Duas crianças corriam pela relva verde ao redor da plantação enquanto homens e mulheres, negros, trabalhavam na lavoura. Ninguém parecia nos ver.

― Somos apenas expectadores aqui, ninguém pode nos ver, tudo isso é apenas uma imagem mental, e você só pode vê-la porque essa imagem está gravada em você ― disse o homem vestido de branco, que ainda não havia me dito o próprio nome. ― Bem aqui ― ele concluiu a tocar meu peito com o indicador e o dedo médio.

Dei de ombros mesmo que não houvesse entendido muito bem o que ele disse. E parei meus olhos nas duas crianças que brincavam.

“Papai me disse que não devia brincar contigo, Elza. Por isso, não podemos nos aproximar da casa grande, temo desobedecê-lo, papai é muito severo, mas ainda quero ver o pôr do sol contigo...”

“Não te preocupes, Gerardo, teu pai apenas não entende o quanto somos amigos. Mamãe me disse que eu também não deveria aproximar-me de ti, todavia eu não me importo com o que pensam. Sei que sou apenas uma escrava, mas sei também que não me farão mal, ouvi mamãe dizer outrora na senzala que o português de cabelos vermelhos, aquele que vinha visitar teu pai de quando em vez e que me ensinou a ler e escrever, não permitiria que nada de mal me acontecesse”

E os dois subiram correndo a colina, após darem as mãos. Sentaram-se ao ponto mais alto e de lá vislumbraram o sol se pôr. Eu pude sentir no meu peito uma pontada quando a garotinha, uma peculiar caboclinha de cabelos vermelhos, tocou a mão do menino, que estranhamente possuía uma marca igual a minha ao redor do olho direito, e lhe sorriu timidamente. Os dois observaram o pôr do sol em silêncio, e eu me senti abençoado em ver aquele céu tingido em um quase vermelho antes do sol se esconder atrás das nuvens.

― Por que estamos aqui, quem são essas crianças? ― perguntei.

― Não sabes? Vamos ver mais... ― respondeu o homem de branco.

Dessa vez estávamos atrás de um grande galpão, de onde exalava um cheiro forte de café.

“Tornar-me-ei dama de companhia de tua prima Kagura, isso é bom, pois irei me livrar dos trabalhos causticantes da lavoura, entretanto sinto que tua prima me tem desgosto.”

A ruivinha já não era mais tão criança, aparentava agora ter por volta de treze anos, assim como o garoto que tinha a minha marca no rosto.

“Estaremos mais próximos contigo vivendo na casa grande” ― o garoto tocou as mãos da ruivinha e beijou-lhe os dedos. Pude vê-la enrubescer e desviar o olhar tentando esconder um sorrisinho.

“Tu não me achas impura por ter esta cor de pele?” ― ela questionou. Não era negra, mas também não era branca.

― Esta garota... É filha de uma escrava com o tal português? ― interroguei.

― Sim ― respondeu simplesmente o homem de branco.

“Tu não és impura em nada, Elza, eu... eu te acho a mais pura dos seres, bem no teu coração, tu tens a bondade e a pureza que eu jamais vi em nenhum branco. Papai diz que os negros não têm alma, mas o único desalmado que vejo é o próprio...”

O menino tinha o olhar tão triste ao dizer tais palavras sobre o pai, que talvez por isso eu mesmo tenha querido chorar também, aquilo doía em mim de forma tal que parecia que era eu mesmo a falar de meu próprio pai. E o garoto chorou, embora eu tenha segurado as minhas lágrimas.

“Não faças essa expressão, Gerardo, e nem chores por teu pai, sei que ele não age conforme tu gostarias, mas continua sendo o teu pai... Queria eu ter conhecido o meu”

A ruivinha enxugava as lágrimas que banhavam o rosto extremamente branco do senhorzinho. E eu senti meu coração acelerar, e meu estômago servir de palco para uma apresentação de balé de borboletas. Mas o que diabos era isso? Era como se eu sentisse o que o garoto sentia.

Eu ainda tinha em meu íntimo as reminiscências do sentimento juvenil quando adentrava a casa grande, um lugar amplo, ao qual me senti familiarizado. As janelas brancas da sala abertas davam a visão da enorme relva que rodeava a casa e dos cafezais bem ao fundo. Mulheres negras, escravas, iam e vinham nos afazeres domésticos enquanto um homem imponente lia o jornal sentado em uma cadeira patriarcal no meio da sala de estar.

“Malditos ingleses! O que querem intrometendo-se nos assuntos de nossos escravos? As fazendas de café... a economia do Brasil não pode permitir um ultraje como esses! O que o Imperador pretende fazer?!” ― dizia o homem, que conversava com o garoto que possuía a mesma marca que eu, ele parecia mais velho agora, por volta dos dezesseis anos talvez.

“Sabes como penso acerca da abolição da escravatura, papai. É possível que ganhemos mais consumidores com isso, mais pessoas com poderio de compra” ― respondeu o garoto.

“Não sejas estúpido, Gerardo! E quem cultivará as terras? Precisamos afastar qualquer tipo de revolta entre esses malditos negros!”

“Irei até a cidade, titio. Preciso encomendar chapéus novos” ― uma moça de cabelos negros e pele acetinadamente branca interrompeu a conversa dos dois. Não pude deixar de notar a troca tímida de olhares entre o tal Gerardo e a mucama da moça, a mesma ruivinha que vira anteriormente. A meu ver seu olhar era tímido, mas também carregado de ternura e... tristeza. “Que tipo de cores para os chapéus tu preferes, meu noivo?” ― questionou a senhorinha dirigindo-se a Gerardo.

“Tanto faz... Kagura” ― foi tudo o que ele respondeu enquanto o meu próprio coração parecia se esfarelar no meio do peito. Naquele momento eu fitei a ruivinha, que àquelas alturas já se fazia uma moça extremamente bela, e entendi o que eu sentia...

Os cabelos dela... eram tais quais os cabelos da ruiva desconhecida pela qual dei a vida.

“Esta mucama está a cada dia mais encorpada, entendo porque tu gostas tanto de te embrenhares com ela. Irei procurá-la qualquer noite dessas, ao menos para isso estas malditas negras têm de servir” ― disse o mais velho após as mulheres se retirarem enquanto eu sentia o meu estômago revirar e todo o ácido ali presente subir pelo esôfago. Senti vontade de vomitar aliado à coisa mais parecida com ódio que já senti nesta vida.

“Mas que espécie de absurdos tu estás a dizer?!” ― o garoto bateu com força o punho na mesinha de madeira que separava o sofá onde estava sentado da poltrona que acomodava o seu pai. “Odeio-te! Odeio-te com todas as minhas forças! Eu não sabia o que sentia por ti verdadeiramente, meu pai, mas hoje eu entendi, é a coisa mais parecida com ódio que já senti em toda a minha vida!”

O meu coração batia descompassado, assim como o peito do garoto subia e descia, e eu finalmente deixei escapar juntamente com ele lágrimas volumosas, que me banharam todo o rosto.

“Moleque maldito!” ― ouvi o senhor da fazenda gritar enquanto Gerardo correu da casa rumo a sabe-se onde.

― Entendes agora, Jellal? ― questionou o meu guia.

― E-esse garoto... Esse garoto sou eu? ― perguntei, incrédulo, e fui respondido apenas com um sorriso.

Era noite alta, meu peito ainda batia em ódio e minhas lágrimas ainda corriam pelo rosto quando avistei a ruivinha a bater suavemente, por três vezes, a porta do que parecia ser um dos quartos do enorme corredor do andar de cima da casa branca. Entrou como um gato astuto tão logo ela foi aberta. Atravessei a porta com a ajuda do meu guia, não pude deixar de me sentir completamente estranho.

“Tu precisas te apressar em fugir daqui, Elza”

“Como fugir? Como posso fugir e deixar-te aqui? E-eu...”

“Meu pai está se tornando perigoso. Acreditas que ele pensa que ando embrenhando-me contigo? Ele te deseja carnalmente... E eu não posso nem pensar em algo assim, eu prefiro ver meu sangue manchar este chão de madeira a ver-te deflorada por ele! E-eu... posso fugir contigo, Elza”

“Fugir comigo?! Mas que espécie de absurdos dizes? Estás de casamento marcado com a tua prima, tens uma posição social, tens fortuna, Gerardo, não podes simplesmente dizer que vais fugir com uma escrava que não te é nada”

“Como podes dizer que tu não me és nada?! Tu para mim és tudo!” ― ele hesitou com o rosto pálido completamente tingido de vermelho. E dessa vez eu sabia o que ele sentia, eu sentia o mesmo, ele tinha o peito aos saltos, a fala presa na garganta e uma dor tão grande no peito que mais parecia que o coração se esvairia em mil pedaços se não extravasasse o que sentia, ele a amava, a amava com tudo o que tinha, e sempre a amou. “Para mim tu és absolutamente tudo, Elza... Amo-te, amo-te como jamais amarei Kagura ou qualquer outra que seja, és tu a minha predestinada, e mesmo quando criança, quando eu nem entendia dos meus sentimentos, eu sentia que tu eras o que me faltava, hoje eu sei, tu és a minha alma gêmea”

Ele se permitiu chorar, e nem ao menos viu o rosto da escrava enrubescer enquanto ela sorria e chorava ao mesmo tempo.

“Eu sinto o mesmo, amo-te com tudo o que tenho, Gerardo. Pensei que era uma boba a sonhar com um amor proibido e platônico, mas fato é que te amei desde que entendi o que era isso. E é justamente pelo amor que te devoto que não posso permitir que fujas comigo. Fugirei mesmo que me doa até o fundo das entranhas deixar-te, mas por amá-lo é que o farei”

“Não! Eu irei contigo para onde fores! Odeio meu pai, odeio estes cafezais, odeio tudo isto aqui! Eu...”

“Não fale mais nada!” ― ela pôs os dedos sobre os lábios do garoto. “Faça-me tua de fato pelo menos esta noite...”

Senti uma palpitação além do normal. E de repente não estava mais no quarto.

― Consumaram seu amor naquele momento ― disse o homem de branco. ― Mas não nos cabe assistir ― ele riu e eu enrubesci.

Eu assistia a mim mesmo naquele corpo diferente, mas que em comum tinha a marca de nascença, a correr pela Mata Atlântica como se não houvesse amanhã. Ele ofegava, e até mesmo eu começava a sentir-me cansado também. Senti uma pontada na cabeça, como se serrassem meu crânio, mas logo passou e pude voltar a observar Gerardo.

“Precisais ir embora daqui! Os jagunços de papai e os feitores! Não sei como, mas descobriram onde estão! Por tudo o que há de mais sagrado, fugi! Sereis levados de volta à fazenda e açoitados até a morte se vos pegam!”

Em poucos minutos o quilombo se desfez e por onde se olhava se via negros a correr pela mata debandando-se como animais de caça, como bichos sem direito à vida.

“Temo que possa ter sido minha culpa, Elza... Se não tivesse vindo constantemente ao quilombo ver-te não teriam sido descobertos. Agora foge tu também, por Deus”

“Não irei fugir, Gerardo... Precisam de um bode expiatório, eu irei proteger os meus irmãos, eu ficarei aqui. Não irei morrer por umas chibatadas”

“Elza! Filha! Vamo!” ― gritou uma negra mais velha a puxar a ruiva.

“Vai mamãe! Vai e eu te alcançarei. Eu te amo, nunca te esqueças disso, e não penses que foi uma fraca ao deitar-te com um branco, foi ele a te enganar, não penses que eu desprezo a vida que me deste, não penses que a odeio por ter-me posto meio branca neste mundo. Eu irei lutar para viver com tudo o que tenho. Foge! Foge e eu prometo encontrar-te”

“Nunca! Eu nunca vô te dexá pa trás, minha filha!”

E nesse meio tempo, eu senti meu coração falhar uma batida e quase parar. Os feitores haviam chegado ao local. E espingardas apontadas para os três, eu senti que viver aquilo por duas vezes seria insuportável demais para mim.

“Se quiserdes pegá-las terão de passar por cima de mim primeiro” ― disse Gerardo pondo-se à frente das escravas enquanto eu me desesperava querendo apenas poder fazer alguma coisa que não fosse somente assistir.

“Teu pai nos deu as ordi de ti matar se preciso for, sinhôzin”

“Deixa, Gerardo! Não precisais fazer nada disso, eu irei, irei de bom grado, voltarei à fazenda, mas por tudo o que há de mais sagrado, deixai que minha mãe vá, faço qualquer coisa” ― a ruivinha pôs-se à frente novamente, mesmo que Gerardo tentasse impedi-la.

Entretanto, nada se pôde fazer. Os feitores capturaram os três. Eu assisti duas vezes entre gritos e um pranto desesperado à Elza ser chicoteada no tronco, assim como sua mãe.

“Não deixeis a nova morrer” ― foi tudo o que disse o pai de Gerardo enquanto elas eram açoitadas.

No fim da noite, quando a ruiva agonizava à beira do tronco, e chorava a perda de sua mãe, o senhor da fazenda foi procurá-la enquanto Gerardo observava com uma tina de água que fora buscar para ela.

“Vem pro meu quarto, escrava” ― disse o homem a desamarrar as cordas que a prendiam no tronco. Naquele momento eu senti o ódio tomar conta de mim, e eu já sabia exatamente o que Gerardo fazia, mesmo que eu nem mesmo visse, eu me lembrara de absolutamente tudo depois de assistir tudo aquilo. Ele apenas correu para dentro da casa grande, pegou um objeto da gaveta da escrivaninha do escritório de seu pai e voltou apontando uma arma para ele.

“Vais matar o teu pai, filho ingrato? Por conta de uma escrava imunda?”

Gerardo tremia e chorava. E por vacilar, seu pai, que jamais vacilava, conseguiu tomar-lhe das mãos a pistola que antes era apontada para si. Chorei de antemão porque naquele momento eu veria pela segunda vez a cena mais dolorosa de toda uma vida.

O senhor mirava a arma para Gerardo, prestes a atirar, mas ela fora mais rápida, a ruivinha. Jogara-se entre a bala e o amado, que foi empurrado por ela, caindo ileso no batente da casa, vendo o sangue escarlate de sua amada esvair-se e manchar o chão em um doloroso vermelho que ele não pôde suportar. Eu, e ele, sentimos o mesmo sufocar na garganta, o mesmo peso nos ombros, a mesma dor lancinante no estômago, deixamos escapar as mesmas lágrimas aterradoramente desesperadas. Eu vi pela segunda vez a minha amada ser levada deste mundo. E naquele momento, Gerardo prometeu que jamais veria novamente o sangue, a vida dela, se esvair. E chorou pensando em como não pôde salvá-la, e chorou pensando em como ele jamais deixaria a vida dela escapar por entre os seus dedos novamente. Ela havia dado a vida por ele, quisera ele ter dado a vida por ela. Aquele era o seu adeus.

Acordei com uma leve dor de cabeça, olhei ao meu redor e quando a minha vista se acostumou à luz eu pude entender que me encontrava em uma cama de hospital. Tudo que eu lembrava era de ter me jogado contra um carro para salvar a vida da desconhecida de cabelos escarlates. Lembrava de ter tido um sonho estranho, mas não conseguia me lembrar de absolutamente nada do sonho. Tudo o que eu conseguia pensar era que estava feliz, estava feliz porque eu sentia que de uma forma ou de outra pude fazer o que não consegui no passado, mesmo que isso não fizesse sentido nenhum na minha cabeça.

― Graças! Finalmente acordou, Jellal Fernandes! ― disse uma enfermeira, quando me viu de olhos bem abertos a fitá-la questionador. ― Não tenha medo, está no hospital. Saiu da UTI há dias, mas continuava em coma, mesmo que tuas funções vitais fossem perfeitas. Que bom que acordou, ela tinha muita fé que acordaria. Vou chamar o médico para te examinar.

“Ela?” ― foi o que me perguntei.

O médico me examinou e, segundo ele, eu estava bem. Eu realmente me sentia bem. Mas ainda ficaria alguns dias no hospital para plena recuperação.

Olhei ao meu redor e em cima da mesinha do lado do meu leito havia um vaso com uma rosa vermelha. Sorri a pensar nos cabelos da mulher que vira na cafeteria. E quando ouvi passos vindo até mim eu olhei em sua direção e me deparei com aquele vermelho novamente. Era ela, que trazia consigo uma rosa vermelha.

― Fiquei muito feliz quando cheguei hoje aqui e recebi a notícia de que tinha acordado. Tenho vindo todos os dias trazendo uma rosa vermelha para ti como agradecimento ― ouvi pela primeira vez, eu acho, o timbre de voz dela. Meu coração bateu mais forte do que jamais batera em todos os vinte e seis anos em que eu estive vivo. E eu senti vontade de chorar, e de abraçá-la. Por Deus, eu devia estar ficando louco.

Mas antes que eu me sentisse completamente perturbado por tais pensamentos, foi ela mesma que uniu seu corpo ao meu em um abraço delicado e carinhoso, um abraço com gosto de lar, um abraço que eu tinha certeza que já conhecia... que eu tinha certeza que já amava.

― O meu nome é Erza... Erza Scarlet ― uma lágrima muda escorreu pelo rosto pálido dela emoldurado pelos mais belos cabelos desse mundo. E ela me estendeu a mão, me estendeu a mão enquanto me sorria, parando a lágrima que escorrera anteriormente, através do sorriso, no alto da bochecha.

Naquele momento eu soube que ela não mais choraria. Cada lágrima pararia no meio de um sorriso.

The Last Goodbye (O último adeus)

Me leve por este caminho
Eu já estive aqui uma vez
Me leve por este caminho
Mais uma vez, nunca mais de novo, para sempre mais
Me leve por este caminho mais uma vez

Pegue este amor
Pegue esta vida
Pegue este sangue
Eles nunca morrerão
Pegue este amor
Pegue esta vida
Pegue este sangue
Eles nunca morrerão
Este não é o último adeus

Me leve por este caminho
Apenas para ver um sorriso no seu rosto
Me leve por este caminho
Tudo que é e tudo que foi não pode ser substituído
Me leve por este caminho mais uma vez

Pegue este amor
Pegue esta vida
Pegue este sangue
Eles nunca morrerão
Pegue este amor
Pegue esta vida
Pegue este sangue
Eles nunca morrerão
Este não é o último adeus


Notas Finais


Link da música:
https://www.letras.mus.br/black-label-society/788892/traducao.html
OUÇAM A MÚSICA PQ ESSA MUSICA É A COISA MAIS LINDA DESSE MUNDO <333333

Espero q tenham gostado *-* deixem comentários p eu saber.
Bjinhosssss e até outra fic, quem sabe ;***


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