História Além do Invisível - Capítulo 5


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Ação, Além Do Desconhecido, Além Do Invisível, Aventura, Desconhecido, Fantasia, Midnightraveler, Mistério, Mundos Paralelos, Original, Série Meia Noite
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Palavras 2.198
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção, Luta, Magia, Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Saga, Seinen, Sobrenatural, Suspense, Universo Alternativo
Avisos: Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 5 - Flores Noturnas


– Quer parar de ficar fazendo isso? Você quase me matou de susto.

Ele riu.

– Desculpe. – Ele colocou as mãos nos bolsos. – Mas fala ai, está perdida de novo, pirralha?

Franzi a testa para o novo apelido, eu não era uma criança para ser chamada desse jeito e Alec não parecia ser assim tão mais velho do que eu. Eu não me incomodava que Eliria me chamasse de "criança", mas "pirralha" já era demais. Porém resolvi ignorar, já que não parecia que Alec estava tentando ser maldoso.

– Não, não estou. Eu sei voltar para casa daqui. E você, o que faz aqui?

Ele deu de ombros.

– Ah, só dando uma volta. O que anda aprontando? – Ele foi sentar-se sob o grande carvalho de folhas amareladas que Barloc estava da última vez. Eu o segui.

– Eu não apronto.

Ele sorriu.

– Então, a mulher que mora com você sabe do lobo?

Franzi a testa, abri a boca para falar mas eu não sabia realmente o que dizer, então a fechei novamente.

– Foi o que eu pensei. – Ele disse.

Eu o encarei.

– Como sabe do que eu fiz pelo lobo? – Ele deu de ombros. – Espera um pouco, andou me espionando?

– Não deveria esquecer suas coisas na floresta, sabe.

– Você... – Arregalei os olhos. – Foi você que colocou as flores próximo a escada!

Ele sorriu preguiçosamente.

– De nada, pirralha.

– Como fez aquilo?

– Heh, eu tenho meus truques. Mas sério, foi bem legal o que você fez por aquele cara, ele iria morrer se não fosse por você. E acho que ele sabe disso também.

Ele se recostou mais na arvore e fechou os olhos, como se estivesse aproveitando o clima agradável para tirar um cochilo.

– Hm... Ei, Alec, você sabe algum jeito para eu voltar para casa?

Alec abriu um olho para analisar meu rosto.

– Olha, eu até que queria ajudar mas não faço a mínima ideia, pirralha.

Suspirei, estava começando a ficar com um pouco apreensiva. A ideia de nunca mais voltar para casa começava a me assustar de verdade. Sentei ao lado de Alec e me recostei na arvore como ele.

– Ei, eu tenho uma pergunta para você, pirralha. – Ele falou depois de um momento em silêncio. – Você disse que não sabe usar sua habilidade mágicas, então como pretende sobreviver por aqui? Contra os que odeiam humanos e tal.

– Sobreviver? – Ri. – Colega, eu sou uma verdadeira máquina mortífera, eu...

Ele apontou para os meus sapatos.

– Sua bota está desamarrada.

Olhei para baixo, realmente um deles estava com um nó desatado.

– E daí? Seus tênis também.

– Ei, isso aqui – Ele indicou seus sapatos – faz parte do meu charme, pirralha.

Revirei os olhos, rindo.

– Então, o senhor, grande e poderoso, teria dicas para me dar?

– Ah, claro, eu sei muitas coisas.

– Sério? – Cruzei os braços. – Para mim você só parece um cara preguiçoso.

Ele deu de ombros e depois colocou as mãos nos bolsos do casaco novamente. "Contra os que odeiam humanos", eu havia até me esquecido deles. Acho que eu estava segura com Eliria, Alec havia dito que quase ninguém mora na floresta então talvez eu ficasse bem. Ainda assim...

– Talvez eu possa te ensinar um truque ou outro, pirralha. – Ele falou, quebrando minha linha de pensamento. – O que sabe fazer?

– Hm... Nada.

– Wow, você tem um leque de possibilidades bem grande.

– Ha há, pena que eu não te perguntei.

Seu sorriso se alargou.

– Caramba, é assim que quer sobreviver? Matando seus inimigos com sarcasmo?

– Na verdade eu...

– Eu fui sarcástico.

Olhei para ele e não pude conter o riso. Ele parece ter ficado satisfeito com isso.

– Ok, certo. Porque não me fala o que você sabe fazer? – Eu disse.

Ele me encarou com seus olhos claros, por um momento nada aconteceu e até cheguei a pensar que ele estivesse brincando comigo, mas ao meu lado surgiu um graveto que flutuava no ar.

Arregalei os olhos, então esse era o poder dele? Psicosinese? Isso era bem legal, para falar a verdade. O graveto caiu no chão.

– Wow... Isso, isso foi...

– Incrível, eu sei.

Sorri.

– Pode me ensinar? – Perguntei.

– Por que, não? – Ele deu de ombros.

Ele ficou de pé e fez sinal para que eu fizesse o mesmo, logo ele pegou o mesmo graveto de antes e o jogou para cima, o objeto ficou flutuando sobre sua mão.

– A coisa com a psicosinese é que você precisa aprender a se aprofundar.

– Aprofundar?

– Sim, aprofundar. – Ele prolongou a palavra para dar mais ênfase. – Imagina que todos estamos em um grande oceano, a maiorias das pessoas, as que não sabem usar suas habilidades - você - estão boiando na superfície. E o que você aprender, pirralha, é parar de boiar e se deixar afundar até a profundeza.

– Falando assim até parece fácil.

Ele riu.

– Tudo que você tem que fazer é relaxar, psicosinese exige, tipo, estar 100% focado.

– Hm. Ok. – Alonguei meus braços e pescoço, depois estalei os dedos e respirei fundo em uma tentativa de me acalmar. – Relaxada.

O sorriso dele se alargou. Ele jogou o graveto para frente, que caiu no chão próximo a meus pés.

– Porque não tenta com isso?

Olhei para o graveto sem saber muito bem como agir, o que eu deveria fazer agora? Falar palavras mágicas? É claro que não. Resolvi estender minhas mãos para frente, como se fosse pegar o objeto, olhei de relance para Alec, ainda inserta se estava fazendo isso da forma correta. Ele ainda tinha aquele sorriso torto na cara. Ok, então.

Respirei fundo e tentei imaginar o objeto flutuando.

Não aconteceu nada. Na verdade, nada aconteceu durante um bom tempo.

Depois de vários minutos falei:

– Você não está fazendo piada comigo, está?

– Por que eu faria isso? – Ele levantou as mãos como se eu o estivesse acusando.

– Ah, sei lá, por alguma razão acho que você tem cara de quem gosta de fazer esse tipo de coisa. Tirar uma com a cara de alguém, sabe?

Ele riu.

– Tem razão, eu gosto. Mas esse não é o caso, pode acreditar.

Resolvi dar credito para ele, eu não tinha o que fazer mesmo. Fechei os olhos e respirei fundo várias vezes, depois fixei o olhar no graveto, decidida que iria conseguir. Mas, mesmo depois de quase uma hora de treino o máximo que consegui foi sentir frustação.

Olhei para Alec e ele deu de ombros.

– Não é todo mundo que consegue de primeira. – Ele se aproximou, dando tapinhas nas minhas costas. – Exceto as pessoas que conseguem de primeira.

Senti vontade de pegar o graveto e jogar na cara dele, mas acho que ele seria capaz de pará-lo no ar, então desisti de um ataque violento.

– Acho que vou para casa. – Eu disse.

Ele me encarou.

– Ei, pirralha, não precisa se preocupar, você consegue. Você pode tentar mais tarde de novo com algum pedaço de papel se quiser. Só não força muito, vai ficar com dor de cabeça do caramba, digo isso por experiência própria.

Balancei a cabeça concordando, ele colocou as mãos de volta nos bolsos e sorriu.

– Vejo você por aqui, pirralha. – Ele disse antes de se afastar e desaparecer em meio a vegetação da floresta.

Suspirei e segui a trilha até em casa, estava começando a reconhecer o caminho sozinha, sem precisar olhar as marcas que Eliria havia feito nas arvores para em guiar.

Quando cheguei em casa, Eliria estava sentada em sua poltrona, ela costurava alguma coisa.

– Ah, você voltou! Estava começando a ficar preocupada, onde estava?

Ela não parecia zangada por eu ter saído sem avisar, e isso fez eu me sentir ainda mais culpada por não contar para ela sobre incidente com Barloc.

– Eu fui dar uma volta, desculpa se te deixei preocupada. – Falei com sinceridade.

– Tudo bem, ei, lembra que eu lhe disse que tinha uma surpresa para você? - Concordei com a cabeça, Eliria colocou o que costurava de lado e pegou uma caixa que estava escondida ao lado da poltrona.

Ela me entregou a caixa, que devia ter uns 20 centímetros mas não era pesada, ela tinha a cor cinza e havia um grande laço azul decorando a parte de cima. Sentei no tapete e Eliria me acompanhou, sorri para ela e ela me devolveu o gesto. Logo que abri a caixa arregalei os olhos.

Tirei de dentro da caixa uma cúpula de vidro alongada, a parte inferior dela havia um montinho de terra coberto com grama azul tão escura que quase parecia preta, de dentro dela estava uma das flores que Eliria havia me pedido para pegar, suas pétalas brilhavam uma fraca luz azulada como se fosse uma estrela presa a um caule.

– É... É incrível. – Eu disse.

– Sabia que iria gostar. – Eliria riu. – Essas flores são maravilhosas, sabia? Toda vez que são regadas, suas pétalas brilham. Quando você colhe elas e coloca as coloca em cúpulas iguais a essa, elas passam a brilhar incessantemente, principalmente à noite. Elas são chamadas Flores Noturnas. Mas a coisa mais peculiar sobre essas flores, é que elas podem armazenar memorias e emoções.

– Como?

Eliria pediu para eu estender minha mão sobre a cúpula e fechar os olhos, obedeci e no momento que fiz isso, senti memorias invadindo minha mente junto a uma forte sensação de tranquilidade e alegria. As imagens de uma garota surgiram, ela tinha longos cabelos negros e pele pálida adornada por algumas sardas escuras. Seus olhos acinzentados, que lembravam olhos de gato devido a heterocromia central, pareciam estar verdes nesse momento. Ela sorria enquanto comia um prato enorme de comida em uma noite escura.

Essa era a memória de Eliria da noite em que jantamos juntas pela primeira vez.

– Você pode colocar qualquer memoria nelas, basta tocar a cúpula e imaginar a cena. Sinta-se livre para colocar o que quiser. – Eliria afagou minha cabeça.

– São lindas... Obrigada. – Eu a abracei e senti vontade de chorar, o abraço de Eliria era tão reconfortante, igual ao de uma mãe, que afasta todas as preocupações e medos. Eu não queria larga-la mas se não fizesse isso ia acabar caindo em lágrimas, e se eu fizesse isso, não conseguiria parar tão cedo.

Me afastei e agradeci Eliria novamente, então fui para meu quarto para guardar o presente.

Quando a noite chegou, eu não fui capaz de tirar os olhos da flor. Ela parecia ter ganhado ainda mais brilho, seu azul estava tão vivido que era impossível desviar a atenção. Resolvi que tentaria colocar uma memória ali. Toquei a cúpula fria e fechei os olhos, imaginando uma cena de quando eu era criança: eu segurava as mãos dos meus pais, que me guiavam em meio a uma multidão, estávamos em um festival. Mesmos sendo uma lembrança, pude sentir as emoções e as sensações de forma tão intensa que parecia que eu estava ali novamente. Os cabelos loiros da minha mãe que caiam como ondas por seus ombros, a mão áspera do meu pai contra minha pele.

Quando abri os olhos novamente, senti as lágrimas rolando pelo meu rosto. Eu estava com tanta saudade da minha família, da minha mãe reclamando comigo por eu deixar meu quarto bagunçado, das minhas caçadas com meu pai, das minhas brigas bobas com o meu irmão. Sentia saudades de tudo isso.

Me afastei da Flor Noturna e limpei as lágrimas. Não queria chorar, eu precisava ser forte agora.

Respirei fundo e peguei um papel, iria continuar o treinamento de Alec.



 

Na manhã seguinte, acordei com batidas na porta. Eu estava com a cara em cima de um pedaço de papel, havia passado a noite treinando mas não tinha tido sucesso algum, devo ter ficado tão exausta que havia caído no sono sem perceber.

– Pode entrar. – Disse enquanto me colocava de pé.

Eliria entrou, carregando o que pareciam ser roupas perfeitamente dobradas.

– Bom dia, dormiu bem?

– Sim, obrigada.

– O inverno está chegando, e creio que teremos muita neve. Então fiz algo para protege-la do frio daqui.

Ela me entregou as roupas, e logo percebi que era uma blusa branca e um suéter cinza com uma pequena estrela bordada sobre o peito.

– A senhora que fez isso para mim?

– Claro! Não quero que pegue um resfriado. – Ela riu.

Eliria afagou minha cabeça e saiu para me dar um pouco de privacidade, então tratei de tirar a blusa azul escura que usava para vestir a roupa que havia ganhado. Elas serviram perfeitamente e no momento que desci as escadas agradeci mentalmente por Eliria ter me dado elas. Estava bem mais que os outros dias.

– Ficou ótimo em você. – Eliria disse assim que me viu.

– Obrigada.

Sorri, Eliria parecia ter bom gosto em relação a roupas. Ela estava sempre bem arrumada, seus cabelos perfeitamente penteados, presos em uma longa trança que terminava no final de suas costas, sua maquiagem sempre impecável, da mesma forma que seu vestido preto e branco.

Perguntei para ela se eu podia ir dar uma volta e ela concordou, pedindo apenas que eu não vá muito longe e que volte antes do almoço. Então peguei minha capa e fui para a clareira do carvalho. No momento que cheguei ali, meus olhos pousaram sobre um rapaz de cabelos branco acinzentado.

Alec estava ali, sentado sob o carvalho, parecia estar dormindo. Me aproximei e cutuquei seu rosto. A reação que ganhei foi um sorriso preguiçoso.

– Pronta para continuar, pirralha?



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