História Além do Invisível - Capítulo 7


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Ação, Além Do Desconhecido, Além Do Invisível, Aventura, Desconhecido, Fantasia, Magia, Midnightraveler, Mistério, Mundos Paralelos, Original, Série Meia Noite
Exibições 4
Palavras 1.792
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 12 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção, Ficção Científica, Luta, Magia, Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Saga, Shounen, Sobrenatural, Suspense, Violência
Avisos: Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 7 - Um Presente


Era uma manhã chuvosa.

Eu havia acordado assustada com outro sonho. Tentei lembrar sobre o que era o pesadelo mas para parecia impossível. A única certeza era de que havia sido algo horrível. Tentei acalmar um pouco meu coração observando os pingos de chuva escorrerem pela janela.

Resolvi novamente começar a manhã mais cedo, desci as escadas e encontrei o lobo sentado no sofá, observando a chuva pela janela. Não pude deixar de observá-lo enquanto passava pela sala em direção a cozinha. Sua aparência estava bem melhor que ontem.

Eliria também observava a chuva, sentada a mesa da cozinha enquanto tomava uma xicara de chá.

– Bom dia! – Ela sorriu assim que me viu. – Quer um pouco de chá?

Eu nunca havia provado chá antes, ao meu ver não parecia ser algo saboroso mas resolvi tentar. Concordei com a cabeça e Eliria me serviu uma xicara enquanto eu me sentava na cadeira ao seu lado.

– Como ele está? – Perguntei indicando nosso convidado na sala.

– Ele está bem melhor, quando fui trocar as bandagens essa manhã estava bem melhor, o inchaço diminuiu bastante. Acredito que em alguns dias estará completamente curado.

– Por falar nisso, como aprendeu tanta coisa sobre medicina?

– Ah, minha querida. Essa é uma paixão que eu tinha desde pequena, aprendi muito coisas com os livros.

– E você sabe o que pode ter acontecido com ele?

Eliria negou.

– Ele não me disse nada, na verdade. Talvez tenha brigado com outro de sua espécie, não sei...

Peguei minha xicara e assoprei um pouco para esfriar o chá. Tinha cheiro de algo que eu não conseguia distinguir, mas era muito bom. Dei um pequeno gole e então franzi a cara.

Era horrível.

Coloquei a xicara de volta na mesa, e então abaixei o tom de voz para falar.

– Você... Acha que ele pode contar para alguém sobre mim?

– Eu ainda não sei, minha querida. – Eliria ficou séria. – Mas... ele teria morrido se você não tivesse o encontrado, e acredito que ele tem ciência disso também. Além do mais, - Ela sorriu. – lobos são conhecidos por seu orgulho, eles nunca deixam uma dívida em branco.

Voltei a olhar para minha xicara e tentei beber um pouco do chá novamente.

Continuava horrível.

 

 

 

Como ainda estava cansada pela noite mal dormir, resolvi tirar um cochilo durante a tarde. Eliria disse que precisava ir na cidade, ela queria comprar algumas coisas para fazemos alguns doces juntas.

Depois de acordar, desci as escadas para ver se Eliria havia chegado mas não havia sinal dela. O lobo ainda estava sentado no sofá, observando pela janela. Decidi mudar meu caminho e sentei no mesmo sofá que ele, mantendo uma certa distância.

Fiquei em silêncio por alguns instantes esperando que ele se virasse, mas ele não mudou de posição, nem mesmo olhou para mim.

Esperei mais um pouco e então resolvi tentar começar uma conversa.

– Qual o seu nome?

Ele continuou calado. Já estava esperando um vácuo monstruoso quando ele disse por fim:

– Barloc. E você?

– Aylla.

Olhando mais de perto, pude ver o quão brilhante e espesso seu pelo era. O quão grande suas patas eram e o quanto seus olhos pareciam como ouro. Desviei a atenção para o curativo que Eliria havia colocado nele: uma atadura que dava a volta por todo o seu torso.

– O que atacou você?

Ele desviou o olhar da janela para mim, testa franzida.

– Eu... Não sei. Foi tudo muito rápido. Em um minuto estava tudo bem, e no outro... – Ele balançou a cabeça. – Eu posso jurar que pensei ter visto um par de olhos vermelhos. – Ele acrescentou baixinho, mais para ele mesmo.

– Isso já aconteceu antes? Quero dizer, com outros?

– Não.

Ele voltou a olhar a janela.

– Posso te perguntar uma coisa? – Ele não respondeu, mas mesmo assim continuei: – O que aconteceu? Com a família real? O que os humanos fizeram?

– Não sei realmente o que aconteceu. – Ele suspirou. – A família real quis manter a maioria das coisas em sigilo. Mas, pelo que fiquei sabendo, algum humano assassinou os reis, então a filha assumiu o trono e deu a ordem para que matássemos todos os humanos. Mas ai, ela sumiu. Simplesmente desapareceu e ninguém mais viu ela.

Franzi a testa.

– Eu não consigo entender, porque todos devem pagar pelo erro de um? É ridículo.

– Bem, diga isso para os humanos que mataram outros da minha família para fazer roupas com suas peles. – Ele falou rispidamente.

Foi meu momento de ficar sem palavras, eu não sabia o que dizer.

Barloc desceu do sofá e foi deitar-se no tapete.

Ele guardava rancor dos humanos por causa de sua família. Eu nunca havia perdido um membro da minha família, quero dizer, as pessoas que nasciam com sangue mágico tinham um tempo de vida um pouco mais longo que as pessoas normais, graças a isso, pude até mesmo conhecer meu tataravô em sua festa de 103 anos, além de uma dezena de primos distantes.

É claro, não éramos imortais. Não existe isso de imortalidade, um ferimento grave é capaz de matar qualquer um. Eu poderia não ser a melhor pessoa para entender o que Barloc sentia, mas eu podia imaginar o quão doloroso deve ser.

Resolvi deixa-lo sozinho e voltei para meu quarto.

Algumas horas depois, Eliria finalmente chegou, me chamando para preparar um bolo com ela. Eu não era boa na cozinha, para falar a verdade, eu não sabia de nada. Fritar um ovo e não atear fogo na frigideira já era uma vitória.

Mas Eliria me ensinou quais ingredientes colocar e a medida certa de cada, depois me deixou mexer a massa enquanto ela fazia a cobertura, quando tudo ficou pronto, nos sentamos na mesa da cozinha e comemos o bolo junto um copo de chocolate quente.

Tentei chamar Barloc para comer algo com a gente (lobos podem comer coisas com chocolate?), mas ele apenas resmungou um “não, obrigada” e continuou deitado no tapete da sala.

Talvez fosse melhor deixar ele em paz.

Na manhã seguinte, eu estava sentada à mesa da cozinha, frustrada depois de mais uma tentativa de conversar com Barloc. Porque eu ainda insistia mesmo?

Eliria havia ido mais cedo a Admon novamente, disse que não demoraria, então era provável que estivesse para chegar.

Deixei meus pensamentos vagarem até um certo alguém.

Alec não havia dado sinal de que estava atrás de mim. O que estaria esperando? Me peguei pensando se Eliria não estava indo até Admon para verificar isso. Eu perguntaria depois.

Então um pensamento me veio: qual seria o motivo de Alec?

Barloc odiava os humanos por causa de sua família, mas e ele? O que haviam feito a ele?

Suspirei e deitei a cabeça sobre a mesa, novamente pensei sobre a minha família. O que estariam fazendo agora? Me procurando? A essa altura a polícia ainda estaria trabalhando nas buscas ou já desistiram? Meu pai teria pedido ajuda aos seus amigos do Conselho Mágico?

Ouvi a porta abrir. Eliria havia chegado.

Olhei em sua direção, percebendo a caixa de cerca de trinta centímetros que ela carregava. Assim que me viu, veio sorrindo de orelha a orelha até mim.

– Eu tenho algo para você! – Ela disse, sem conter a euforia na voz, enquanto me estendia a caixa.

– Para mim? – Perguntei pendendo a cabeça para o lado, mas não pude deixar de sorri. Ela havia me trazido um presente? Isso era muito gentil. – Não precisava...

– Ora, não seja boba, minha querida. Tenho certeza que vai gostar. – Ela riu, enquanto se sentava na cadeira ao meu lado. – Vamos, abra!

Olhei para caixa, não era pesada. Ela tinha a cor cinza e havia um grande laço azul decorado na parte de cima. Sorri para Eliria e ela me devolveu gesto. Assim que abri a caixa arregalei os olhos.

De dentro da caixa, tirei uma cúpula de corpo alongado onde uma Flor Noturna descansava silenciosamente, brilhando uma fraca luz azulada. Sua base era de madeira negra, com algumas pétalas também azuis repousando ali.

– É... É incrível. – Foi tudo que eu consegui dizer.

– Você pode colocar qualquer memoria nelas, basta tocar a cúpula e imaginar a cena. Sinta-se livre para colocar o que quiser. – Eliria afagou minha cabeça. – Espero que isso possa aliviar um pouco a saudade de sua família.

– São lindas... Obrigada.

Não pude me impedir de abraçá-la. Senti vontade de chorar, seu abraço era tão reconfortante. Igual ao de uma mãe, que afasta todas as preocupações e medos.

Eu não queria larga-la, mas eu tinha certeza que se não fizesse isso, ia acabar caindo em lágrimas ali mesmo, e não conseguiria parar tão cedo.

Me afastei e agradeci Eliria novamente, então fui para meu quarto para guardar o presente.

Eu simplesmente não conseguia tirar os olhos da flor. Ela parecia ter ganhado ainda mais brilho dentro do quarto pouco iluminado graças as cortinas quase fechadas, seu azul estava tão vivido que era impossível desviar a atenção.

Resolvi que tentaria colocar uma memória ali.

Senti-me na cama e toquei a cúpula fria, imaginando uma cena de quando era criança: eu segurava as mãos dos meus pais, que me guiavam em meio a uma multidão, estávamos passeando. Fechei os olhos e mesmo sabendo que aquilo era apenas uma lembrança, pude sentir as emoções e as sensações de forma tão intensa que parecia que eu estava ali novamente. Os cabelos loiros platinados da minha mãe que caiam como ondas por seus ombros, a mão negra e áspera do meu pai contra minha pele.

Tentei me apegar a todas as sensações possíveis o máximo que podia. Queria cravar aquilo o mais fundo possível das minhas memorias. Cada toque, cada som, cada palavra...

Quando abri os olhos novamente, senti as lágrimas rolando pelo meu rosto.

Eu estava com tanta saudade da minha família, da minha mãe reclamando comigo por eu deixar meu quarto bagunçado, das minhas caçadas com meu pai, das minhas brigas bobas com o meu irmão.

Sentia saudades de tudo isso.

Há quanto tempo eu estava naquele mundo? Isso não importava, já que a essa altura eu me arrependia de ter entrado naquela floresta. Eu daria qualquer coisa, daria tudo para poder voltar para casa.

Mas, e se não houvesse um jeito de eu voltar para casa? Eu teria que viver ali para sempre? Daquela forma, sempre me escondendo de todos?

Me afastei da Flor Noturna e limpei as lágrimas. Não queria chorar, eu precisava ser forte.

Só mais um pouco.

Seja forte e corajosa, pensei.

Ouvi a porta se abrir e me virei pensando ser Eliria, mas ali estava Barloc. Seus olhos dourados sobre mim.

– Você está bem? – Ele perguntou.

– Sim... Estou.

– Sente falta da sua família também?

Desviei o olhar para a Flor Noturna.

– Sim.

– Espero que consiga encontra-los de novo.

– Eu também...

Me virei novamente em sua direção, mas ele já havia ido embora.



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