História Alguém Como Você - Capítulo 2


Escrita por: ~

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Categorias Naruto
Personagens Gaara do Deserto (Sabaku no Gaara), Ino Yamanaka, Sakura Haruno, Shikamaru Nara, Temari
Tags Gaaino, Gaara, Ino
Visualizações 180
Palavras 2.609
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Hentai, Josei, Romance e Novela, Universo Alternativo
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 2 - Alguém como meu vizinho


Ino

Após dar de cara com o representante do capeta, nem esperei-o se recuperar da surpresa e – assim que retomei minha consciência – entrei correndo em meu apartamento, colocando minhas malas no chão e trancando a porta logo em seguida.

Escorei minhas costas na mesma e coloquei uma mão sobre o peito, tentando acalmar minha respiração, pensando no que havia acabado de acontecer.

Ah não... Não mesmo!

Então aquele palito de fósforo era o meu vizinho?!

Sério isso universo? Tenho tanto karma acumulado assim?

— Ah… Que droga! — Disse com uma voz chorosa.

Dentre tantas pessoas moradoras de Konoha, o cara do apartamento ao lado tinha que ser meu inimigo de infância. Que ótimo!

Cocei nervosamente a cabeça, suspirando em seguida. Nossa convivência com certeza seria conturbada, eu e Gaara no mesmo ambiente não ia dar certo. Ele sempre tinha que me provocar ou algo do tipo, e é óbvio que eu devolvia na mesma moeda.

Nos conhecemos quando ambos tínhamos doze anos e – por ironia do destino – ele e sua família haviam se mudado a alguns dias para a casa ao lado da minha.

Eu e sua irmã ficamos amigas logo de cara. Como Temari era três anos mais velha que eu, não frequentamos a mesma escola, mas isso não nos impediu de ficarmos próximas. Ela era o tipo de pessoa enérgica que se dava bem com qualquer um, se não fosse contrariada, é claro.

O irmão do meio deles era o típico valentão e – acredite se quiser – popular. Alto e forte, estava sempre cercado de gente e vivia fazendo piadas ridículas. Ainda reviro os olhos só de lembrar as pérolas que Kankuro soltava.

E muito diferente de seus irmãos extrovertidos, havia o caçula, Gaara. Aquele ruivo magrelo que sequer olhava direito para as pessoas.

Nós éramos meio que indiferentes um ao outro, até nossa primeira “briga”.

Após algumas semanas de convivência com os irmãos Sabaku, percebi que a loira mais velha estava a fim do meu melhor – e mais preguiçoso – amigo.

Em um domingo à tarde chamei-a para ir ao shopping comigo, e chamei o Shikamaru também – não faz mal dar uma de cupido vez ou outra. Mas para a minha infelicidade, ela levou seu irmãozinho de brinde.

Nos encontramos na entrada do Konoha’s Garden, o mais movimentado shopping da cidade. E após um pequeno passeio por entre as lojas, resolvemos ir comer algo. Estava tudo muito bem, até que meu mais novo paquera resolvera dar as caras.

Shisui era um primo distante de Sasuke – o namorado da Sakura, minha melhor amiga – fomos apresentados em um aniversário dele, mas isso não vem ao caso. Ele chegou de surpresa e logo se juntou a nós na mesa. Ou seja, o ruivinho ficou sobrando, acho que esse foi o motivo dele ter ficado tão irritado.

Ficamos apenas flertando um com o outro, quando ouvimos a voz baixa do Sabaku soar.

— Por que vocês não vão pra um motel?

— Como? — Perguntei ainda sem entender, virando o rosto para encará-lo. Shikamaru e Temari estavam quase se agarrando ao lado dele, e isso o incomodou? Claro que não, a birra dele era comigo!

— Isso o que você escutou. Em vez de ficarem se esfregando na frente dos outros, vão pra um lugar apropriado. — Disse, enfatizando o cinismo em sua voz. O Nara e a loira antes alheios a discussão voltaram a atenção para nós, Shisui continuou calado e imóvel ao meu lado. Ao escutar sua fala, meu sangue ferveu na hora. Levantei da mesa e apontei o dedo pra ele.

— Escuta aqui seu ruivo desbotado, o que eu faço ou deixo de fazer não é problema seu, então vai cuidar da sua vida! — Falei firme, mas ainda sem gritar. Eu tinha que manter a classe, não é?

— A partir do momento em que você age igual uma cadela no cio na minha frente e em um espaço público, eu posso sim expressar o meu incômodo. — Proferiu, rindo debochadamente em seguida, me olhando com superioridade.

Se eu queria gritar e espancar aquele projeto de chuck? Queria e muito! Mas, como a dama que eu sou, apenas peguei meu refrigerante e joguei todo o líquido na cara daquela peste, deixando todos da mesa e o mesmo, estáticos. Virei as costas e sem dizer uma palavra, fui em direção à saída do shopping. Escutei-o falar ou gritar algo, mas não ouvi direito, a raiva havia me deixado surda momentâneamente.

Bem, após esse dia, começamos a nos infernizar sempre que nos víamos. Como ele e seus irmão estavam no meu grupo de amigos e Temari começou a namorar o preguiçoso, isso era frequente. Ele ficava me importunando sobre quem era a pobre alma da semana, a qual eu havia me apossado para sugar sua energia vital, já que pra ele, eu era algum tipo de demônio e nunca ficava com alguém por muito tempo.

Tudo bem que a última parte era verdade e que eu não tive um exemplo muito bom a ser seguido, visto que minha mãe trocava de marido como trocava de roupa. Isso não influenciou em nada a minha educação ou algo do tipo, mas modificou minha maneira de enxergar o mundo e os relacionamentos.

Mas o que ele tinha a ver com isso? Pelo amor de Deus, nem namorar em paz eu podia! E outra, eu não tinha culpa se ele era um anti social que não se relacionava com ninguém. O que nunca soube o porquê – nunca me interessei, na verdade.

E eu, além de arrumar diversos apelidos pra ele, ficava o importunando também, perguntando quando ele assumiria a grande paixão que nutria por mim, já que essa era a única explicação para tamanha implicância para comigo. E claro, ele ficava com raiva e dizia que não seria mais uma das minhas vítimas. Como se eu fosse uma serial killer.

Isso perdurou até nossos dezoito anos, quando terminamos o colegial e cada um seguiu com sua vida. Sair de casa, faculdade e afins. Eu não o via desde então e agora, cinco anos depois, nos reencontramos da maneira mais inusitada o possível.

Depois do choque inicial e já mais calma, me desencostei da porta e recolhi minhas malas do chão, indo em direção ao cômodo que seria meu quarto, para organizar minhas coisas. Coloquei toda a minha bagagem em cima da cama e peguei meu celular, enviando uma mensagem para minha mãe e para Sakura, avisando que já estava em meu novo apartamento.

Ainda mexendo no aparelho, coloquei uma playlist do Ed Sheeran pra tocar. Precisava de animação pra arrumar tudo e como ainda era de manhã se mantivesse o ritmo, provavelmente à noite tudo já estaria em seu devido lugar. Abri todas as malas e comecei a arrumar minhas roupas e sapatos no guarda-roupas ao lado da cama de casal dançando ao ritmo da música que começara a tocar.

Enquanto dispunha as roupas em ordem de uso, cor e tipo, voltei novamente meus pensamentos para meu vizinho. Pensando bem, já haviam se passado cinco anos daquela época. Quem sabe, nossas diferenças ficaram no passado e nossa rivalidade infantil já não existia mais. Era uma hipótese muito boa, já que nós viramos adultos.

[...]

Após a arrumação das minhas roupas e sapatos – que eram muitos, admito – e de organizar meus produtos de higiene no banheiro da suíte, fui para a cozinha, fazer um lámen instantâneo que havia comprado anteriormente. Coloquei a água para ferver e após ela ebulir despejei todo o líquido no recipiente de plástico, próprio para o preparo do lámen.

Mais feliz depois de alimentada, comecei a arrumar meu escritório, que seria no cômodo em frente ao meu quarto. Ele já estava equipado com uma escrivaninha, e dois gaveteiros, precisava apenas de um toque pessoal.

Peguei minhas maletas e pastas, começando a dispor meus artigos já escritos e publicados nas gavetas do gaveteiro preto, deixei o vermelho para guardar meus materiais de pesquisa. Finalizei o escritório com um porta-lápis colorido, uma planta perto da porta e outra pequena em cima da mesa, uma luminária bem bonita e um porta-retratos onde aparecia eu e minha mãe sorrindo pra câmera.

Coloquei mais alguns porta-retratos e plantas pela sala, joguei algumas almofadas de cores vibrantes no sofá preto e na poltrona de mesma cor, encaixei a cortina branca acima da grande janela de vidro que ocupava quase a parede toda da sala, pendurei alguns quadros e arrumei as coisas da cozinha. Pronto! Casa nova toda organizada e decorada.

Suspirei cansada e desanimada, jogando meu corpo em cima do sofá, lembrando que ainda tinha que trabalhar em pleno sábado à tarde. Não que eu não gostasse do meu trabalho, isso era uma das coisas que eu mais amava na minha vida! Ele só ficava atrás da minha mãe, da testuda e do preguiçoso.

Me formei em jornalismo na Sunagakure University, ela ficava na cidade vizinha de Konoha. E no último ano de faculdade consegui um estágio na Senju’s Upper, a revista de moda, relacionamentos e fofocas mais pop do país. Se tive sorte? Só um pouco, já que a diretora da revista era a madrinha de Sakura, e me deu um empurrãozinho.

Mas foi só isso, o resto consegui por esforço e talento próprios. E com a junção desses dois, consegui o cargo de escritora para a coluna relacionamentos, com o codinome de Wonder Blonde, e eu era muito popular entre as leitoras, modéstia parte.

Me espreguicei no sofá, tentando espantar a preguiça. Me levantei e fui para o escritório, sentando na cadeira e ligando o notebook. Olhei alguns de meus e-mails e logo abri o que Tenten – a editora chefe – havia mandado, contendo o tema do meu próximo artigo. O tema seria “Amor e Amizade” e mais abaixo no corpo do e-mail estava a pergunta de alguma leitora que seria respondida:

“De K. A.

Oi, Wonder! Já tentei várias vezes me declarar para o meu melhor amigo, mas na hora H sempre perco a coragem. Além do medo de ser rejeitada, fico muito assustada em pensar de perder sua amizade, o que eu faço?”

Após ler tudo, abri a ferramenta para textos, estalei os dedos e me pus a digitar. Com certeza faria todas as amigas apaixonadas se declararem!

•••••

Gaara

Isso só podia algum tipo de brincadeira com a minha cara não é?

Não… Não podia ser verdade!

O ser mais irritante e supérfluo da terra estava morando ao meu lado. Argh! Que inferno de vida!

Depois da diaba ter entrado como um raio em seu apartamento, fiquei um tempo parado fitando a porta fechada, assimilando os acontecimentos.

Ino seria minha vizinha, puta que pariu!

Passei uma das mãos nervosamente pelos cabelos, lembrando do porquê de ter saído de casa – Bóris estava sem ração. Caminhei distraidamente até o pet-shop que ficava a um quarteirão do meu prédio, e pedi por 2kg de ração para gatos.

Enquanto esperava o atendente pegar meu pedido, comecei a pensar sobre como seria a minha convivência com a loira endiabrada.

Eu e Ino éramos totalmente opostos, não tínhamos nada de similar, como fogo e gelo. Ela era uma garota fútil, que parecia não se importar com os sentimentos de ninguém, e cada semana tinha um namorado diferente. Sério, eu não sabia o que aquela menina tinha na cabeça.

Bem, a verdade é que eu não entendia como ela conseguia se envolver  e se apaixonar tão facilmente. Já que eu nunca me envolvi com alguém, além de casos de uma noite.

Meu real problema era ter medo de ser abandonado, assumi isso pra mim mesmo. Afinal, minha mãe abandonou a mim e meus irmãos com meus tios, após ter se casado novamente ir ter ido morar com o novo marido em outro país. Se minha própria mãe me deixou por um novo relacionamento, qualquer mulher poderia fazer o mesmo não é?

Suspirei com as lembranças dolorosas. Porém, se eu reclamasse dos meus tios, eu seria um hipócrita. Asuma e Kurenai fizeram de tudo para nós três, nos deram casa, comida, atenção e carinho, talvez bem mais do que nossa mãe teria nos dado. Mas ainda não consigo esquecer do dia em que eu, com seis anos, chorava pedindo para que ela não fosse embora, mas mesmo assim, ela foi.

— Deu 1763 ienes* senhor. — O atendente me falou, estendendo o embrulho com a ração.

Paguei-o, pegando o embrulho e decidi tomar um café antes de voltar para casa. Depois de andar mais um quarteirão, cheguei até Kurama Express, a cafeteria do meu amigo mais idiota.

Entrei no local, que era decorado tão expressivamente, quanto a personalidade do dono.

— Yo! Gaara!

— Oi Naruto. Me vê um expresso duplo, e extra forte, por favor. — Disse desanimado, sentando em uma das banquetas em frente a bancada de madeira escura.

— É pra já! Dattebayo! — Falou, indo até uma das máquinas para preparar meu pedido.

Após ter preparado o café, entregou-me a xícara, apoiando os cotovelos sobre a bancada e me encarando.

— Que cara de enterro é essa?

Na verdade, a razão para minha cara de desânimo, era sobre minha mãe, mas não iria falar sobre isso com ele. Naruto já havia me ajudado muito a superar – mesmo que minimamente – esse trauma, então resolvi só falar parte da minha preocupação.

— Você lembra que o apartamento ao lado do meu estava vago? — Ele assentiu com a cabeça. — Então, o novo inquilino se mudou hoje.

— Tá, mas o que isso tem a ver com essa cara de cachorro morto?

— Minha nova vizinha é a Ino! — Respondi, fazendo-o arregalar os olhos pra em seguida explodir em uma gargalhada.

— Ino? Yamanaka Ino? Eu não acredito nisso! — Continuou rindo, enquanto eu o olhava com tédio e uma gota de irritação.

— É, ela mesma.

— Nossa, o destino é mesmo interessante. Mas por que você está se preocupando com isso?

— Naruto, você não se lembra de como nós brigávamos quando adolescentes? Do nosso ódio mútuo?

— Claro que eu lembro Gaara, como esquecer dos apelidos que ela te deu, hein foguinho? — Franzi o cenho, fazendo o loiro parar de rir. — Fica de boa Gaara, essa briguinha de vocês já era, todos nós crescemos, você mudou e ela também.

A fala dele me deixou surpreso, nunca, em meus 24 anos de vida, imaginaria Uzumaki Naruto falar algo tão sensato.

— Nossa, eu não sabia que você podia ser tão maduro Naruto. — Arquei uma sobrancelha, terminando de beber o café.

— Acho que isso é influência da Hina-san, dattebayo! — Ri levemente, instigado pelo bom-humor do loiro. Conversamos sobre mais algumas coisas corriqueiras e logo me encaminhei para casa.

É… Acho que foi exagero meu pensar que morar ao lado da Yamanaka iria ser um inferno, como Naruto disse, aquela briga era coisa de criança e outra, nós nem nos veríamos muito afinal. Não iríamos ter problemas, a menos que… Ah não!

Tudo bem sermos adultos, mas se Ino continuava igual quando adolescente, a casa dela seria pior que um bordel! Não levei em conta isso!

Apressei o passo, pisando firme e decidido. Deixaria as coisas bem claras pra ela, e se fosse uma boa vizinha, não a faria ser expulsa do condomínio por má conduta.

Entrei no prédio, indo direto ao elevador, esperando ansioso o mesmo chegar ao meu andar. Saí depressa, entrando em minha casa e colocando rapidamente a ração de Bóris em seu potinho. Ouvindo o barulho de comida, ele veio ao meu encontro, miando e se esfregando em minhas pernas.

— Pronto, agora pode se matar de comer aí, que eu tenho umas coisas pra resolver.

Saí de casa novamente, tocando a campainha de Ino, esperando-a atender.

A porta se abriu, revelando uma loira entediada, e que prontamente mudou sua expressão para surpresa.

— Olá? — Ela disse, não disfarçando a sua confusão.

— Há quanto tempo Ino.


Notas Finais


*Aproximadamente 50 reais.

Bem, é isso. Espero que estejam gostando, beijo ;)


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