História Algumas cicatrizes nunca vão embora - Capítulo 1


Escrita por: ~

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Palavras 988
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 10 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Yaoi
Avisos: Suicídio
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Uma vez eu vi um post no tumblr que era tipo "nós estaríamos mentindo para nós mesmos se não admitíssemos que Nico provavelmente tentou tirar a própria vida em algum momento" isso ficou na minha mente DE UM JEITO que eu não sosseguei até escrever algo sobre isso. Já faz um tempo que escrevi isso, eu nem ia postar, mas me animei pra postar hoje.

Enfim, enfim, espero que gostem. Não é nada muito elaborado, só algo que eu achei necessário escrever.

Boa leitura <3

Capítulo 1 - Algumas cicatrizes nunca vão embora


— Você está me assustando. — Will disse.

Nico olhou para os lados, se sentindo incomodado.

— Desculpe. — ele murmurou, então suspirou. — Eu só... Quero ter certeza de que mais ninguém ouça.

Eles estavam nos campos de morango, porque era um lugar relativamente afastado e também porque Nico achava muito bonito.

Não tinha muita certeza do porquê estava fazendo aquilo, apenas achou que deveria. Quero dizer, ninguém nunca soube, não além de Hades, e não tinha muita certeza de que ele contava realmente. Eles nunca voltaram a falar sobre aquilo. Era como se fingissem que não aconteceu.

— O que é? — Will perguntou. Parecia impaciente, ansioso, nervoso, tudo ao mesmo tempo. — Aconteceu alguma coisa? Você não vai embora, não é? Por favor, eu achei que você tinha desistido disso.

— Não. — Nico negou. — Não é isso. — passou a mão pela nuca. Estava nervoso. Podia sentir seu estômago embrulhar. Havia grandes chances de vomitar ali mesmo.

Fazia quase cinco meses que a guerra acabou. Cinco meses e estava mais próximo de Will do que um dia pôde imaginar. Eles eram apenas amigos, nada mais do que isso, mas o problema é que Nico queria ser mais do que isso e sentia que Will também queria, e essa era a parte assustadora.

Talvez por isso estivesse prestes a contar sobre... Aquilo. Talvez assim Will se afastasse. Talvez assim Will finalmente percebesse como Nico era totalmente quebrado e não fazia o menor sentido toda aquela história que estavam tendo. Deuses, Nico saberia lidar com o próprio coração partido, mas partir o coração de alguém? Sem chances.

Will se aproximou, ficando a poucos passos de distância.

— Nico, o que é que...

— Eu nunca contei a ninguém. — Nico o cortou, então o encarou, como se precisasse de permissão para continuar. Will assentiu.

— Contou o quê?

Nico mordeu o lábio.

Droga, tinha planejado o que falar, mas por que é que nada de útil saia de sua boca?

Engoliu em seco e encarou o chão.

— Talvez seja melhor mostrar. — murmurou, mais para si mesmo do que para Will.

Will ficou em silêncio, talvez percebendo que aquilo era mais uma luta interna do que qualquer outra coisa.

Nico arregaçou as mangas da jaqueta, deixando o antebraço amostra. Então pegou o braço esquerdo e o levantou na altura do tórax. Hesitou por um momento, encarando os anéis em seus dedos, mas não era isso que importava. Focou nas cinco pulseiras que sempre usava naquele pulso. Aquelas malditas pulseiras. Provavelmente ninguém nunca havia notado que ele as usava todo dia. Por que é que alguém vai notar, afinal?

Will ainda o encarava, em silêncio, com cara de quem tentava entender o que estava acontecendo.

Nico tirou todas as pulseiras, uma por uma e as guardou no bolso do jeans. Com a palma da mão ainda virada para si, olhou para Will por um instante, avaliando se aquilo não era algo estúpido, até que enfim estendeu o braço para ele.

— O que...

Will deu dois passou para frente e segurou o pulso esquerdo de Nico, o olhando com atenção, o entendimento finalmente surgindo sua mente.

Ele é um curandeiro, é óbvio que vai entender o que significa.

 O rosto de Will se transformou em uma expressão que Nico não soube como interpretar. Com uma urgência meio assustadora, Will puxou o outro pulso de Nico para si, procurando por outra cicatriz, como se algo estivesse errado.

— Eu nunca... — Nico disse, sentindo a garganta seca. — Nunca cheguei a terminar.

Will o encarou, ainda segurando seus braços com força, como se temesse que Nico fosse sair correndo a qualquer momento, ou quem sabe simplesmente desaparecer. Nico não achou que ele pedia por uma explicação, mas decidiu que a daria mesmo assim.

— Eu tinha treze anos. — contou, sua voz saindo meio diferente, como se não fosse realmente ele, mesmo que soubesse que era sim. Talvez apenas fosse uma situação estranha para se estar. Por muito tempo aquele foi um segredo que jurou esconder de todos. — E e-eu estava em um hotel na Itália. Sozinho. A minha cabeça estava toda confusa. Com tantas coisas. Nada fazia muito sentido, sabe? Eu me sentia mais morto do que vivo. — precisou respirar fundo para continuar. — Não pensei por muito tempo, simplesmente me parecia a coisa certa a se fazer, então eu decidi, porque nada poderia ser pior do que tudo aquilo. Usei a primeira coisa afiada que encontrei. Foi quando... Meu pai apareceu. Eu não sei direito como, mas de repente ele estava lá. — Nico engoliu em seco, sentindo algo molhar seu rosto. Lágrimas. — Ele fez os pontos em mim. Depois fez sumir qualquer coisa afiada que estivesse naquele hotel inteiro. Eu senti que... Que a gente era uma família por uma noite. Então me contou sobre o acampamento Júpiter e sobre Hazel. Acho que ele queria me dar um propósito para viver. Deu certo, de alguma maneira. Depende do ponto de vista.

Will soltou seus pulsos bruscamente, como se finalmente tivesse processado tudo aquilo.

Eles se encararam por alguns segundos até que Nico deu um passo para trás, tentando limpar o rosto daquelas lágrimas.

Eu devo estar parecendo tão ridículo agora.

— Desculpe. — ele disse olhando para qualquer coisa que não fosse Will, a voz soando embargada. — Eu só... Senti que deveria contar. Ninguém nunca pareceu querer ouvir. Não realmente. Então eu só... Merda, me desculpe. Você pode fingir que eu não existo a partir de agora. Eu não me importo.

Era mentira, mas mesmo assim Nico deu meia volta e ficou de costas para ele. Tinha planos de quem sabe fugir correndo dali, mas Will agarrou seu braço novamente antes que sequer pudesse pensar em algo.

Nico se viu em um abraço apertado e aconchegante. Will não disse nada, talvez porque não tem nada certo para se dizer nessas situações. Nico não pensou muito, apenas seguiu o instinto: retribuiu o abraço.

Eles ficaram em silêncio e, pela primeira vez em muito tempo, Nico sentiu que tinha feito a coisa certa.



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