História Ali - Capítulo 46


Escrita por: ~

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Categorias David Luiz, Edinson Cavani, Neymar, Thiago Silva, Zlatan Ibrahimovic
Personagens David Luiz, Neymar, Personagens Originais, Thiago Silva
Tags Bernard, Copa Do Mundo, David Luiz, Drama, Fisioterapia, Isis Valverde, Neymar, Oscar Emboaba, Romance, Seleção Brasileira, Thiago Silva
Exibições 464
Palavras 7.802
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Esporte, Famí­lia, Fantasia, Festa, Ficção, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Suspense
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


PARA COM A POKER FACE

TIRA A CARA DO SOL

ESSE É UM CAPITULO DA ALI, SIM

NÃO É MIRAGEM, GENTE.

CORRE PRA LER,

NOS VEMOS NAS NOTAS FINAIS.

Capítulo 46 - 45


Fanfic / Fanfiction Ali - Capítulo 46 - 45


 

"Porque a força de dentro é maior. Maior que todo mal que existe no mundo. Maior que todos os ventos contrários. É maior porque é do bem. E nisso sim, acredito até o fim."

—  Caio Fernando Abreu.

 

... 

 

 

Escarpas do Lago, Brasil. - 01 de Agosto de 2014 - 08:54 h

Era a primeira manhã nebulosa que eu enfrentava nas últimas semanas. E, conseqüentemente, está me recordou da pior manhã que já passei desde que David havia entrado na minha vida. Parecia que anos haviam se passado desde o jogo contra a Alemanha, quando na verdade não fazia nem um mês. A única coisa certa que eu podia ver no olhar do zagueiro, desde quando tudo começou, era como as coisas tinham se transformado a partir daquele jogo. Mesmo que ele não comentasse muito sobre isso.

Gotículas de água pesavam a superfície como vapor, meus sentidos detectavam-nas a cada resfolegar, a cada piscar de olhos. Não era só eu, os pássaros lá fora não gorjearam ao nascer do sol, como se uma nuvem agourenta os refugiassem em seus ninhos. O café da manhã foi de um silencio perturbador, como nunca tinha experimentado desde meus dias ao lado da família de David. Regina pouco falou e muito menos distribuiu suas famosas patadas entre os presentes. Abner parecia cansado, assim como todas as outras crianças. Não ouvi um pagode, sequer, escapando pelos lábios dos amigos de David ou vindo das várias caixas de som dispostas pela casa. Só que o mais perturbador foi que David não me tocou.

Seu corpo parecia o repelir de mim.

Seus olhos cruzaram com os meus poucas vezes, e não ter suas íris me banhando a qualquer gesto era aterrador.

Eu me sentia invisível, diminuída.

O engraçado é que eu não sabia mais quem eu era antes de David Luiz.

Como era a vida antes do amor.

A minha falta de respostas, meu desentendimento sobre mim me abafava o corpo e sufocava meus pensamentos.

Foi por isso que eu dei uma desculpa qualquer e voltei ao quarto, tinha vontade de voltar a dormir até que o dia terminasse. Sempre tive essa teoria de que se meu dia começava mal, o mais certo a ser feito era voltar pra debaixo das cobertas. Porque na pior das hipóteses, minha intuição não falharia, e aquele se tornaria o pior dia de todos.

Algo consumia meu peito a cada segundo, eu podia sentir uma grande mão estraçalhando meu timo com a ponta dos dedos. A sensação era tão forte que embrulhava meu estômago. Por duas vezes corri até o banheiro cuspindo a saliva que não descia corretamente e se instalava em minha boca. Na segunda vez, um livro sobre a estante da TV chamou minha atenção.

Uma bíblia.

Já disse algumas vezes que meu forte não era a religião. Só que sempre acreditei em algo, sempre fui fiel à essa vibração maior que nos dava a vida todos os dias, como a luz do sol. Corri os dedos pela capa dura, desenhando as letras bem desenhadas em dourado. Não custava nada deixar que Ele dissesse algumas palavras ao meu coração aflito. 

Só que Ele não teve tempo.

Ou quis o destino que não fosse preciso.

Ou, como eu preferi pensar: suas palavras não foram necessárias, visto que David as trazia consigo, chamando-me atenção.

- Thais? - A voz do jogador trouxe-me até a superfície, me permitindo vagar na imensidão clara de seus olhos, por um momento. - Carlos chegou! - Seus olhos me fitaram com curiosidade, estudando meus gestos. Eu deixei o livro sobre a cama e me dirigi até o jogador à passos lentos.

Algo me dizia que Carlos aqui mudaria tudo e eu preferia remediar nosso encontro o quanto pudesse.

Carlos aqui mudaria a história a partir de agora.

E a voz soturna e baixa de David concordava com meus pensamentos.

Quando a presença do jogador foi sentida por meu corpo, ao que seu calor e energia se propagavam pelo ar e agitavam os meus poros, tive plena certeza dos meus pensamentos. Talvez esse não fosse um bom dia pra se ter levantado da cama.

 - Obrigada por avisar. - Seus olhos não me deixaram, minha respiração mudou drasticamente, impregnada pela massa de ar que parecia tomar meu corpo. A presença de David danificava meus pensamentos letárgicos. Eu não me atrevi olhá-lo, talvez ainda aborrecida com seu tratamento distante hoje. Segui meu caminho passando à sua frente até que seus dedos, enroscados em meu braço, fizeram-me parar diante de si, onde ele repousava sobre o batente da porta.

- O que você tem? - Os olhos do jogador cruzaram com os meus pela primeira vez no dia e eu me arrependi por ter ficado minimamente chateada com ele. Eu sabia que dentro de si suas emoções borbulhavam, e não era de agora, às vezes ele só não gostava de demonstrar isso tudo. Segui o caminho de seus dedos até seu rosto algumas vezes, absorta com sua presença. O cheiro de David cravando severamente em minha memória, criando uma onda de libido imprópria para a hora, algo que foi mais intensificado ao que ele agarrou meu outro braço, trazendo-me pra perto. - Está tudo bem? - As íris saltitantes procuravam me decifrar e por um minuto eu vacilei, o torpor me estagnando, apagando a chama que David tinha acendido.

- Nada, estou bem. - Menti, vacilando ao deixar de encarar seus olhos, agora, verde mel. - Acho que não dormi muito bem essa noite. - A ruga em sua testa não pôs crédito no que eu disse. Por isso, apelei pra um lado em que eu sabia que o dobraria. Sorri com o canto dos lábios e me aproximei do seu peitoral. David sugou mais ar que o necessário, olhando-me com expectativa. - Acho que senti a sua falta. - Sussurrei contra seus lábios não permitindo que ele driblasse meus atos, sendo mais rápida que o jogador, depositei um beijo efêmero em seus lábios finos. Escapulindo de seus braços marotamente, ao final.

Eram em momentos assim que eu esquecia dos sentimentos ruins que me rondavam nos últimos dias. A risada de David podia ser ouvida quando atravessei o corredor, e por seus lábios meu nome era repetido em reprovação. Não demorou até que ele me alcançasse pra afundar o rosto em meu pescoço, me laçando pela cintura. Em silencio, caminhamos até a garagem.

Concerto minha postura e desço os braços pelo corpo, configurando as roupas em meu corpo. Meus pés não respondem meu comando assim que reconheço meu melhor amigo saindo do carro preto, seu motorista se dirige até o porta-malas, tirando de lá duas malas enormes. Lentamente o braço de David solta minha cintura, seu aperto quente não se faz presente e eu estranho essa nova sensação. Mas não demora até que os braços ossudos e magros de Carlos envolvam meu pescoço e eu me afunde em seu cangote bem perfumado. Parece que todas as flores de Paris estão ali. Ele ri e agita meu corpo ao que suas gargalhadas inflamem seu abdômen, contagiando-me. O coração parece duplicar de tamanho, a letargia em meu corpo se esvai, restando assim apenas as nossas risadas.

Por um segundo penso que todo o torpor em meu peito fosse saudades.

Mas isso dura apenas os milésimos de segundos entre nossas risadas. Carlos me gira e pego o olhar de David sobre mim, ao fundo percebo alguns de seus familiares observando a cena. Só que o sorriso de David me prende, faz o mundo parar por um instante. Eu me sinto a protagonista da nossa história, de alguma forma eu me tornei a sua musa.

Seus dentes brancos e bem alinhados contrastam com minha bagunça interior e eu recobro a consciência, me desfazendo do abraço do meu melhor amigo.

- Meu pai. - A voz é seca e sai de algum lugar ao fundo do meu estômago, como se ela não me pertence-se. - Ele está bem? Foi por isso que você veio até aqui? - Sinto o olhar de Carlos enrijecer-se, as duas bolas claras como gelo, seus dedos frios correm por meu antebraço e cruzam-se com os meus.

É isso.

É ele.

- Seu pai está bem... - David se aproxima de nós e Carlos perde a voz, suas pupilas se dilatam. Naquele instante sei que ele não olha pra David com desejo, mas sim com medo.

Há um segredo com ele.

 - Nós dois só precisamos conversar...  - Então ele sobe o olhar até um ponto as minhas costas e diz diretamente pra David. - À sós.

Um segredo que apenas eu posso saber.

Penso que o jogador vai se desfazer ao meu lado, como poeira, talvez envergonhado. É quando me lembro que estamos falando sobre David Luiz, um zagueiro, ele não fraqueja à menor ameaça, mesmo que sua tomada de atitude seja errônea por vezes.

- Você pode ficar no quarto da Thaís, já colocamos seu colchão lá. - Sinto seu corpo maciço às minhas costas, sua pose ereta, as pernas afastadas e o rosto fechado. A voz, ah... a voz, é séria e distante, um tanto rouca. Giro sobre meus calcanhares e observo o olhar verde-mel me observando, nem bravo nem distante, confiante. David é a muralha que está ali pra me auxiliar. Tento dar um passo até a porta, entretanto algo ao meu redor pede que eu olhe por mais um momento pro jogador com atenção.

Como se aquela fosse minha última oportunidade.

O motorista me entrega uma das malas e eu me encaminho até os quartos, sendo seguida pelo meu amigo magricela. Antes que meu corpo atravesse o batente da porta o timbre de David me atinge e eu reconheço meu nome vindo dos seus lábios. Eu volto meu olhar rápida como um tiro, o coração palpitando e o olhar perspicaz de Carlos me observando.

- E-Eu te... espero. - Juro que por um momento um frenesi diferente tomou meu corpo, como a lembrança de algo que nunca aconteceu. Não ainda. - E-Eu... te espero... lá fora. - Seus cabelos caem sobre a testa e ele bagunça os com os dedos, puxando os fios da nuca, completamente nervoso. - Espero vocês. - E sorri, simplesmente sorri e alastra toda a paixão de volta pra mim.

 

 

. . .

 

 

Puxo uma lufada de ar pelos lábios, me esgueirando pelo corredor. O calor está aumentando. Mal passou das 9h e o dia já está abafado, o ar pesado e úmido. Eu até poderia torcer pra chover, mas o céu está tão limpo, um azul pálido e aquoso. Enxugo o suor que se acumula acima do lábio e passo a frente de Carlos, pra guiarmos mais rápido pela casa, impaciente com o peso de sua mala. Seus olhos admiram tudo, e olha que não é fácil deixá-lo mudo. Carlos é a pessoa mais chique e requintada que eu conheço, não que seu sotaque não delegue nossa caipires. Não sem nenhum esforço, sei que ele dá seus pulos pra não deslizar no R em suas passagens pela França e Estados Unidos.

- Até que a casa é bem bonita, sabia? - Empurro a porta com os ombros, abrindo-a, soltando as malas do meu melhor amigo pelo chão. -  O jogador tem bom gosto, Tatá. - Ele se apressa em por suas coisas sobre minha cama e sinto seu olhar me repreendendo por meus atos.

- A mãe.

- Oi?

- A mãe dele tem. - Reformulo a frase pra que ele entenda, minhas têmporas doem e eu me jogo sobre o colchão no chão, buscando conforto. A respiração mais e mais ofegante, quase como se eu tivesse corrido uma maratona. - Quem fez tudo foi ela, David só assina o cheque.

- Ah... E... ela tá aqui? - Com o canto dos olhos percebo seus joelhos fraquejarem,e logo depois as malas em seus braços também vão parar no chão. A fisioterapia me treinou pra observar corpos, eu posso dizer clinicamente o que está acontecendo com seus membros inferiores, não fosse minha noção de que o emocional de Carlos está abalado. Seu movimento brusco se jogando sobre a cama me traz à tona, é quando eu aceno com a cabeça pra sua pergunta inicial. Seus olhos faíscam e ele morde os lábios, desviando os olhos do meu. - Ai meu Deus, ela é tipo uma bruxa não é? - Eu rio, porque por mais que Regina seja aquela fortaleza, ela não passa da mãe super-protetora, e eu não tiro esse mérito dela. Não quando sei que agiria da mesma forma. - Ai meu Deus! - O desespero de Carlos se torna palpável a cada exclamação, é quando eu tento amenizar o clima.

Uma técnica pra pegá-lo desprevenido sobre o que quer que ele tenha pra me contar.

- Ela é tipo o Ibra. - Espero a risada que não vem e subo minhas vistas pra olhá-lo, capturo com meus olhos a interrogação crescente entre suas sobrancelhas. Ele não sabe quem é Ibra, nem o quão temido o sueco é.  - Um jogador de futebol, era pra ser engraçado. Esquece. - Eu franzo o nariz levemente irritada e deixo meus olhos rolarem em suas órbitas, meus atos são instintivos e fazem Carlos rir. Não há nada que me tranqüilize mais do que o som de uma boa gargalhada, o som de sua risada sai do fundo da sua garganta, reverberando por todo seu corpo, e ele gralha curvando-se sobre seu corpo. Nesses pequenos instantes eu me acho dentro de mim, algo faz minha luz reverberar e posso me encontrar em minha própria escuridão, mas são segundos finitos e logo estou na escuridão, perdida.

- Depois dessa eu tô até com medo de fazer o que eu vim fazer... - Sua risada finda num instante e gradativamente a luz em seu rosto se esvai, e eu não tenho mais seu reflexo sobre mim. Demoro pra juntar as palavras dele em minha mente, ainda atordoada com a mudança repentina de comportamento.

- Espero que você não tenha a intenção de me assustar, porque se estiver, você está conseguindo. - Sento sobre meus pés numa pose de índio, girando o quadril pra ter uma boa visão do corpo de Carlos. Os globos cor de mel parecem alfinetar tudo ao seu redor, até que ele reconhece meu rosto e sua expressão se suaviza como se ele estivesse vendo todo o meu passado.

- Isso vai te deixar feliz, Thais. - Seu sorriso singelo acalma meus batimentos e aquieta meus pensamentos por segundos. Só que a nuvem de pesar que carrego nos ombros pesa como toneladas e eu retorno ao sentimento anterior, ainda mais desconfiada.

- Então... Qual o motivo de todo esse suspense? - Não comando meu próprio corpo, apenas o sinto se levantar e esgueirar-se sobre minha cama, me deixando próxima o suficiente de Carlos. Meu inconsciente quer desvendar os segredos em seu rosto.

- Porque você vai surtar comigo, Tha...

- Carlos... - Seu nome sai como um sussurro por meus lábios, assemelha-se com o rosnar de uma fera.

A situação é que meu orgulho me mantém retesada.Nesse momento estou a um passo atrás do meu amigo. Não gosto de saber menos que outra pessoa, gosto menos ainda quando penso que as pessoas têm vantagens quanto a mim. Não gosto de estar por fora da situação. E odeio não estar sobre o controle da situação.

Meu corpo se inclina mais pra perto de Carlos e eu me coloco na defensiva, esperando pelas suas investidas, mas pronta pra atacar quando for preciso. O nosso instinto não deixa nossa parte animal morrer dentro de nós.

- Calma, eu conto eu conto. - Meu maxilar doe na altura das minhas temporas, só então percebo que estou travando-o a mais tempo do que deveria, ainda arredia. - Só deixa eu explicar tudo direitinho? - Eu suavizo minha expressão e com um aceno de cabeça faço o olha de pânico de Carlos sumir. - Você se lembra quando eu te liguei e você estava na fazenda? - Ergo as sobrancelhas num gesto breve pra ele continue. - Você se lembra o que me pediu por telefone?

- Pedi que olhasse na caixa de correio... - Carlos torce o nariz e suspira profundamente, como se ele não quisesse que eu me lembrasse disso. - Conta logo. - Não crio mais possibilidades de acertar seus pensamentos, minha curiosidade se sobressai e eu aquieto minha mente.

- Eu me esqueci, Thaís. - Seus olhos esbugalham e as íris ficam brilhantes, se eu me esforçasse mais um pouco poderia ver gotículas pequenas de lágrimas se formando ali. - Eu me esqueci, me desculpe. Sai distraído com o Rodolfo e nem me toquei das coisas que havia me pedido. Eu pedi ao Seu João que cuidasse dos cachorros e num outro dia quando voltei pra pagar a ração que havia prometido ele disse que tinham cartas acumulando na sua caixinha. - Forço meus pensamentos pra tentar desvendar suas frases seguintes, porque ainda não sei o qual a gravidade de tudo isso. - Foi quando me lembrei...

- Carlos, eu não acredito que está aqui porque achou que ia ficar brava com umas contas atrasadas... Por favor... - Cruzo os braços e fecho os olhos, inquieta, recosto minhas costas sobre a cabeceira da cama. Não acredito que toda a amargura que eu remoi até agora vem de algo tão pequeno.

Nem mesmo eu acredito em minhas palavras. A verdade era que eu só estava tentando enganar minha própria consciência. Afugentando as sensações ruins que alastravam-se por minha pele como  coceira.

- Po#$%, Thaís, não é por isso. - A educação á la francesa de Carlos se esvai e ele fala um pequeno palavrão, que o deixa surpreso por um curto espaço de tempo. Depois ele volta sua atenção até mim, seus olhos são límpidos como água e eu finalmente posso ver, enxergo o que ele passou nessas últimas 24h, num típico flashback de filme.

É quando os pontos se unem: havia algo nas minhas correspondências que era do meu interesse. Algo importante o suficiente pra fazer Carlos vir até aqui. Algo tão importante para mim que eu simplesmente surtaria se eu deixasse a oportunidade passar. E depois de David Luiz, só há uma coisa que eu queria mais do que tudo. Algo que eu lutei durante toda a minha vida até o momento presente. Algo que se transformou quando conheci David Luiz  e ali.

- Não me diga que era uma carta da... - Não consigo falar porque meu coração para, ouço batidas rápidas e seqüenciadas em minha cabeça e de repente não sou mais capaz de percebê-las, as pupilas de Carlos se dilatam e o esverdeado some das órbitas. - Não. - Meus lábios formigam e eu trago meus dedos até a boca. - Não pode ser verdade... Eles nunca... - Não sei como vim parar de pé no meio do cômodo, mas eu sinto meus braços irem até a cabeça e as pernas moverem-se como se aquele espaço não tivesse fim. Eu só preciso me sentir viva pra tornar tudo mais real. - Eu nunca... Ah, Carlos...

- Eu disse que você surtaria, - Como um raio meu amigo está ao meu lado, ele tenta segurar meus braços pra que eu pare de me movimentar, mas não consegue. Seu corpo fica estático e seus olhos e braços dispersos sobre o ar, assim como a boca que parece uma metralhadora de palavras. - pelo amor de Deus, Thaís, não desmaia na minha frente senão eu vou desmaiar junto e ai nós vamos ficar desfalecidos aqui até alguém aparecer pra salvar a gente e se for tard...

- CARLOS! - Nãos sei o que ele está dizendo, nem sei o que eu estou dizendo. Eu simplesmente me sinto nula. Um complexo nada. Olho pro magricela ao meu lado à procura de respostas, seus olhos pedem desculpa por algo que não consigo identificar e acho que tem a ver com seu surto de segundos atrás. - O que realmente estava escrito naquela carta? - Preciso de respostas, minha mente paira pra algum lugar pra longe de mim, como uma nuvem negra, meus olhos fixam-se nos ossos salientes do stylist.

- Eles queriam te ver, pra uma entrevista. - Sua mão é grande e ossuda, e está gelada o suficiente pra me despertar quando ele segura meus ombros com força, seus olhos vasculham o meu em busca de vida.

- E pra quando seria essa entrevista? - Há um sibilar profundo dentro da minha cabeça e eu me concentro nele, perdida entre os outros tantos pensamentos.

- Pra ontem, na verdade. - É quando eu sinto-as chegar. As lágrimas. Minha vista embaça e em meio aos vultos o rosto preocupado de Carlos é o mais presente. Seus braços me firmam até seu ombro e eu me permito molhar sua camiseta. Penso por um segundo na primeira vez que ajudei alguém e na última, e isso torna tudo mais doloroso. A sensação de desperdiçar uma oportunidade me deixa incompleta e esse pedaço aberto é o suficiente pra que as bactérias infiltrem lentamente pra dentro do meu coração. - Ei, ei, mocinha. - Carlos me carrega até a cama e se senta comigo, seus dedos correm até meu pescoço e ele me faz encará-lo. -  Você está achando que eu vim aqui só pra te dar essa má noticia? Justo eu, Thais? - Percebo sua voz falhar sonoramente e ele pigarreia, por mais que ele tente ser mais coração de pedra quanto eu, somos o calcanhar de Aquiles um do outro. - Você acha que eu seria capaz de estragar seu maior sonho?

- Eu não te culpo, Carlos. - Inflo a maior quantidade de ar que consigo antes de falar e falhar miseravelmente na missão de respirar. - Foi o destino... - Eu preciso me concentrar em minha respiração pra fazer os pensamentos se acalmarem em minha psique. - A casa era minha eu que deixei minhas coisas largadas lá por conta de um jogador. - Ralho comigo mesma em pensamentos, tentando apagar a lembrança boa daquele dia na praia. Mas não consigo. Há toda uma aura sobre David Luiz e sobre aquele dia e eu tropeço em seu sorriso. O que serve pra me deixar mais brava comigo mesma.

- Você tem uma entrevista marcada pra essa tarde.  - Seus dedos longos erguem um papel ao meu alcance. Meus olhos se arregalam e eu fico ereta, olhando-o. - Eu disse que era seu secretário, que você estava numa missão pessoal ajudando um amigo que tinha sofrido um acidente... - Meu amigo me fita com carinho e limpa os resquícios de lágrimas do meu rosto, soltando uma risada marota antes de terminar de falar. - No final, eu nem precisei inventar uma história muito longa porque eles te querem de qualquer jeito.

- Carlos, isso significa que... - Perco o ar e as palavras. Mas nossa conversa continua entre nossos olhares. Há, por baixo de toda a poeira, e depois do temporal, esperança, num pequeno pote de ouro ao final do arco-íris esverdeado de seus olhos.

- Agora, amiga, você entende que todo o seu esforço fez sentido? - Sua voz adocicada é calma e ele embala meus pensamentos como faria com uma criança ao contar histórias antes de dormir. - Esse é o fim da linha, seu sonho se realizou. - Num súbito, ele salta pra fora da cama e vibra com os braços pra cima, idêntico a quando eu comemoro um gol do Brasil. - Você faz parte do Medico Sem Fronteiras e vai poder ajudar quantas pessoas puder, mais até... você... - Não dou tempo pra que ele termine, antes disso pulo em seu pescoço e nós ficamos como doidos saltando pelo quarto. Por todos esses anos eu dei meu máximo. Não deixei de pensar em todas as pessoas que poderia ajudar a cada dia. Em cada manhã, em cada noite. Eu trabalhei duro. Fiquei longe da minha família, meus amigos, minha casa. Fui pra uma cidade desconhecida, uma cidade linda, porém perigosa, mas me mantive forte. Estudei, trabalhei e estudei. Eu chorei varias vezes achando que não ia dar. E o engraçado é que quando a gente consegue a gente não consegue acreditar. Quando tomo um tempo pra respirar Carlos aproveita pra falar, assim que me solta. - Eu arrumo suas coisas. Vai contar pro David.

David.

Pisco uma vez mais, pensando em acordar de mais um sonho.

David Luiz.

Dessa vez, forço as pálpebras com mais afinco, só que eu permaneço ali. E Carlos ainda está á minha frente.

Camisa 4.

Conto de um à dez pra saber qual o exato momento em que vou estar de volta à orla, me levantando pra voltar pra casa. Eu posso ver alguns meninos famintos às minhas costas. E quando volto do bar há um cara alto, sentado na areia, como se aquele lugar fosse tudo o que ele tivesse. O mar, a areia, o chinelos grandes e a touca sobre a cabeça. Pisco uma vez mais me lembrando dos cheiros que me rodeiam, dos sons e da minha pele grudenta pelo suor. Sugo uma lufada maior de ar, preenchendo meu peito, recordando das sensações maravilhosas que corriam por meu corpo, a eletricidade presente na atmosfera. Minhas órbitas rolam até o homem mais uma vez e meu coração pula uma batida.

Como agora, meu corpo todo treme, em rajadas de arrepios que mergulham em minha superfície como fogos de artifício  no céu.

David.

Tudo foi real.

Estou apaixonada por David. Não o David Luiz, apenas pelo David.

Meus olhos buscam a escuridão e eu ouço sua voz soturna, baixa, rouca sobre minha cabeça. A parede gelada contra minhas costas e seu corpo ao meu lado é quente e aconchegante, me faz arfar. Meus lábios doem e eu ergo os olhos até os seus. Suas pupilas estão dilatadas e refletem todo o verde do mundo. Por segundos, faíscas em suas órbitas me fazem acreditar que não é David quem está ali. Eu fecho meus olhos e no momento seguinte estou dizendo "sim" ao jogador. Estou embarcando nesse navio frágil que é o amor com ele. Contente como se essa fosse a primeira vez no Titanic. Meus olhos brilham e minhas retinas refletem um futuro que a verdadeira Thaís nunca imaginou. Não pra ela. Com filhos, família e cachorros. A Thaís de sempre só queria ajudar mais e mais pessoas, ser boa em salvar vidas, distribuir esperanças.

E no fundo, quando David a quis ao seu lado em Paris, foi isso que ela fez.

Ela deu esperança como se dá comida à um mendigo.

David Luiz.

O pacote de um futuro feliz não eram só pra ele. Eram pra ela também, ela, aquela Thaís perdida e apaixonada. A Thaís que só existia com David. Não que eu não goste dela, é que eu só amo ele. E no fim o que o fizer feliz, me fazia também.

Eu o amo, e amo quem eu podia ser com ele.

Em todos esses anos nunca pensei ter super poderes, só pude provar dessa experiência quando provei do amor.

Meu amor por David Luiz.

- Não posso. - Sopro as palavras para que elas cheguem até Carlos.

- Thais, - Seus dedos finos me agarram o rosto, ele não está mais gelado. Sua pele queima como fogo e isso me puxa do torpor momentâneo. -  você escutou o que eu falei? Entendeu o que eu disse? - Os olhos buscando o meu, fazendo arder minhas paredes internas quando eu os encaro.

- Sim, mas não posso. - Sibilo, com um fio de voz restante em mim. - Já prometi ao David que vou com ele pra Paris.

Paris é a palavra chave pra que meu melhor amigo me largue. Esse é o sonho dele. Essa é a sua cidade. Onde todos os sonhos poderiam se tornar realidades. Era o que ele sempre dizia.

- O QUE? - Ele retoma ao objetivo inicial: eu. E se esquece de Paris por instantes. - Fácil assim? Não... - Suas pernas magricelas caminham pelo quarto e seus dedos se afundam nos cabelos louros da região na nuca. -  Não é você. Não é possível. - Seus olhos me atingem e eu pelo em chamas, envergonhada.

Sei que essa não era uma atitude minha.

Mas a fantasia me encantou e o amor me levou, me laçou.

Me roubou de mim.

- Ah, Carlos, pelo amor de todos os Deuses... - Exclamo entediada do olhar confuso dele sobre mim. Os sentimentos em seus olhos em nada me agradam, se assemelham a pena. E não há nada que me irrite mais. - Queria que fosse você no meu lugar. Com ele todo entregue, carinhosos e carente pedindo pra que você fosse até Paris com ele. - Cruzo os braços sobre o peito e me sento na cama, é uma tentativa de fazer meu corpo parar de tremer.

- Bem é Paris, né... - Sua voz amansa e ele carrega o corpo até o meu, se jogando ao meu lado, assumindo a minha postura. - Eu sempre vou escolher Paris.

Nossos braços se tocando, e a sensação de aconchego começa a subir pelos meus pés. Pela primeira vez, quando o encaro ele parece calmo. Seus traços finos e a pele lisa me trazem conforto.

- Eu escolhi ele.

- Tá, - Suas bochechas inflam e seu pomo-de-adão faz movimentos ávidos na região. - mas tem Paris... Fica mais difícil assim. - Sua voz me conduz até uma escolha difícil, só que o que Carlos quer me mostra é que independente do que eu opte ele quer me ver feliz.

- Puff... - Paro pra pensar em quanto ele está certo. Paris é Paris. E David Luiz é David Luiz. É uma escolha óbvia. - até que você tem razão... - Eu deixo os moveis do quarto e olho pra Carlos que faz o mesmo trajeto que eu, e quando percebemos essa coincidência rimos, até que o riso se transforme numa gargalhada. Não porque o que dissemos foi engraçado. Na verdade, a situação toda é. Irônica em todos seus ângulos e constrangedora. Talvez reveladora e patética. Estou entre meu maior sonho e meu maior (e único) amor. A vida não podia ter escolhido hora pior pra ser generosa comigo. Ou esse fosse mesmo o seu dever, uma obrigação do destino.

E, então, entre as risadas e gargalhadas, a histeria, há uma rachadura sobre minha consciência. Depois da primeira lágrima, mais e mais lágrimas seguem seu curso. Eu não sei mais como me sinto. Feliz ou triste. A risada escandalosa e rouca de Carlos não se confunde mais com a minha, com o canto dos olhos vejo-o me encarar com dó e compaixão, apreensivo pra qual vai ser minha reação. Enquanto perco-me entre risadas e lágrimas, sinto seus braços finos abraçando-me de lado. A pequena barba sobre o queixo faz cócegas em meu ombro nu, quando ele me envolve e apóia o rosto sobre a pele exposta. E eu choro, me permito isso. É a única coisa que sei fazer nesse momento. No fundo, espero que em alguma de minhas lágrimas e risos haja uma solução, uma decisão pra minha vida.

Porque, no momento, não sei mais o que devo fazer. Ou como agir.

 

 

. . .

 

 

A tela do celular se apaga tão lentamente, contradiz-se com meus pensamentos e eu me perco da mensagem que deixei ao meu pai. Sou atingida por uma onda arrebatadora de lembranças que congestionam minha mente inconstante. Novamente sinto o torpor. Como naquele dia. Mas a multidão não está aqui. Nem o verde esmeralda do gramado. A bola não jaz sozinha mais. As crianças não choram. Nem eu. A minha psique vacila, levando meu corpo pra outra dimensão, porque não o sinto mais em mim, procuro uma explicação pra tudo o que vem me acontecendo durante esse último mês. Espero angustiada pra que em algum lugar dentro de mim as respostas escapem e surjam dos cantos mais obscuros da minha memória. Julgo-me louca por um instante pra depois acreditar na possibilidade de que tudo isso possa ser só um sonho.

Mas não é.

O amor não é um sonho.

Por mais que pareça.

Não é.

E você só descobre isso quando dói tanto que você nem consegue respirar.

É quando você sobrevive.

Volto a fitar a porta de madeira a minha frente como se ela fosse a coisa mais interessante do quarto. Carlos foi dar uma volta pela cidade. David e os amigos voltaram até o campo pra mais uma partida para promover sua ação social. A casa está silenciosa, tanto que posso ouvir meu coração tilintando pela caixa torácica. Calmo e severo. O sangue bombeando, atravessando meu corpo, minhas células recebendo o oxigênio necessário. Os olhos saltando das órbitas, a testa enrijecida e minha atenção total à porta. E à qualquer som que possa chegar até o quarto. Espero que as paredes conversem comigo e me ajudem a decidir quais palavras usar pra contar tudo ao jogador.

Instintivamente, pego-me imaginando-o. Seu rosto severo, os olhos gélidos e impassíveis o semblante sério e a boca em uma linha fina. É assim que sua imagem chega até mim, como quando o vejo em campo. Severo e estático. Um zagueiro. Se ele é a defesa, eu sou o ataque. E a melhor forma de lidar com um zagueiro é surpreende-lo de uma forma rápida e malandra.

Esgueiro-me até a sacada que presenteia o quarto com a atmosfera quente e abafada do dia. Sinto-me mais confortável com a brisa leve e fresca que vez ou outra banha meu corpo já pegajoso pelo suor. Não sei quanto tempo fico ali fora, escorada no parapeito de madeira, encarando a paisagem desigual de pedras e água que se estende desde abaixo dos meus olhos. É quase meio dia, julgando pela altura do sol, quando vozes espalhafatosas surgem no interior da casa, esgueiro os olhos até mais abaixo da sacada e posso contar um por um dos amigos de David. Mas eu não vejo o jogador, ou ouço sua voz arredia e irregular pelas risadas que lhe surgem. A ansiedade em vê-lo me toma, a ponto de me irritar quando o pagode costumeiro invade o ambiente, trago as solas dos pés até o chão, consertando minha postura, minha concentração nesta tarefa é um mecanismo de deixar-me menos ávida em vê-lo.

Cruzo um dos braços sobre o peito e levo o outro até acima da minha cabeça, choacoalhando os cabelos em minha nuca, amenizando o calor que se instala ali. Sigo em passos lentos para trás a espera de atingir a cadeira que eu sei que está às minhas costas. Flexiono os joelhos com a força necessária pra atingir seu encosto, já calculada previamente. Mas quando eu me permito, por fim sentar, não encontro-o no lugar esperado. Ao invés disso reconheço um corpo maciço sob mim. E não precisa de muito após meu susto e o movimento de seus braços ao meu redor forçando-me a continuar ali, pra que eu soubesse quem era.

- Você está suado... - Deixo minha voz elevar-se uma oitava, num fingindo tom de nojo, que termina com um risinho falho.

- Achei que você gostava. - David escorrega os dedos por minha cintura, forçando-me mais contra seu corpo e passa o rosto molhado por meus braços, provocando-me.

- Eu gosto de você suado, - Traço seu rosto com meu dedo indicador, delineando os ossos bem acentuados. Deixo que minha mão escorregue até a jugular, passe pelo pomo-de-adão e atinja a gola da camiseta suja. - não dessas camisetas molhadas. - E aproximo-me pra tocar-lhe os lábios num desejo lascivo que toma minhas entranhas. Fecho os olhos, pra não me perder até o caminho da sua boca, mas não chego até meu paraíso perfeito, permanecendo com a boca entreaberta ao léu.

- Melhor assim? - Espanto-me com o movimento brusco do jogador sob mim, e abro os olhos ao que ele fala. Encontrando seu corpo tingido de bronze pela luz do sol e molhado e levemente molhado, maciço aos meus olhos e desejos. É inevitável não prender a respiração ao que os olhos e os lábios curvam-se marotamente. Estamos ambos presos em nossa própria libertinagem, fazendo cálculos mentalmente se o que nossos corpos pedem é indevido ou não para o local e hora.

- Muito melhor. - Faço da sua brincadeira a minha e me concentro em seus olhos terríveis, pronta pra me afogar em seus lábios devassos. Fazendo deles minha escolha, não importasse as consequências, David Luiz sempre faria parte delas.

- Se eu dissesse que odeio suas camisetas... o que você faria? - David parte momentaneamente o começo de um beijo lento e indecente e eu tenho que respirar profundamente pra lembrar o sentido real das palavras.

- Eu não vou tirar minha blusa. - É tudo o que digo quando recobro a consciência, fazendo-o rir enquanto eu me jogo de volta ao seus lábios, porque pra mim não há mais tempo pra ser perdido. Sinto falta do seu corpo. E preciso dele.

Agora.

- Mas eu tirei por você, sua ingrata. - Agarro os fios da nuca de David quando ele se afasta da minha boca uma vez mais, fazendo-o arquear as sobrancelhas quando se dá conta da minha sofreguidão e me arrependo no mesmo instante. Isso dá à ele uma margem sobre mim, a qual eu não gostaria que ele usasse nesse momento.

- Eu não pedi pra você tirar, só disse que não gostava e a loira do Tchan ai não perdeu a oportunidade de mostrar o corpinho. - Desfaço meu nó em seu pescoço e cruzo os braços sobre o peito. Sei que seu próximo passo é me provocar e eu não vou dar mais brechas do que eu já dei.

- Loira do Tchan é? - Seu tom indignado sobe uma oitava e afina gradativamente, nos fazendo rir e eu desfaço a pose que sustentava, volvendo meus braços no seu pescoço, aproximando-nos.

- Só estou dizendo o que suas fãs dizem... - Dou de ombros e David precisa jogar o rosto minimamente para trás pra me observar, isso dá uma boa visão do seu queixo e eu mordo os lábios.

- Andou fuçando nas minhas redes sociais? - As vezes eu gostaria que David falasse menos e me beijasse mais, ou prestasse atenção ao fato de que estou me derretendo por ele aqui. Mas tudo o que faço é sorrir, respirar cada vez mais devagar e responde-lo.

- Queria saber como andava a concorrência. - É quando ele sorri fofo, destruindo as paredes que eu criei ao meu redor e com elas meu desejo acumulado, eu me lembro que estou a um passo de ir pra longe dele e do seu sorriso maior que o sol, desfaço o sorriso e ponho os pés no chão e David para com o principio dos beijos em meu ombro.  

- Ué? Por que essa cara? - Eu não o encaro, mas tenho consciência que tomo parte de sua visão, meticulosa.

- Eu preciso te contar uma coisa... - Começa sem olhá-lo pois não sei se eu o fizesse teria a mesma coragem.

- Então me conte. - Seus dedos embrenham entre minhas pernas e trazem-nas de volta ao seu colo e ele firma um carinho vistoso no local.

- Não quero que você fique chateado, triste ou com raiva e... - Pauso a fala pra, só agora, olhar em seus olhos e respirar. - Por Deus, David Luiz, se você gritar comigo eu juro que te viro do avesso, tá me entendendo?

- Tá bom, tá bom... - Sua boca forma um bico enquanto me ouve atentamente e então ele ergue os braços às minhas vistas e ri levemente, um tanto quanto nervoso. - Não vou gritar.

- Bom... - Eu hesito, mas seus olhos me pedem pra continuar. - É que tem um motivo pra Carlos estar aqui.

- Sei disso.

- Sabe? - Meu sobressalto o assusta também, levemente,  e David refaz o aperto contra meu corpo. Só então percebo que ele blefou pra me tranqüilizar, mas não funcionou.

- Sei. Seu amigo tinha um olhar estranho e não foi como da primeira vez, - David olha pros lados como se fosse contar um segredo e sussurra. - Eu não parecia um pedaço de carne pra ele dessa vez. - Não contenho a risada e percebo os lábios de David curvando-se como os meus, não importa se o assunto seja sério ou se minha psique parece entrar em pane, ele sempre vai ter esse efeito sobre mim. Isso é David Luiz. - Não me enrola, conta logo.

- Eu tinha pedido pra ele cuidar das coisas enquanto eu estivesse fora, eis que quando Carlos foi até o meu apartamento ele não deu a mínima pras correspondências e - Os olhos do jogador não me deixa em nenhum momento e eu encontro frangalhos da força que eu preciso em suas íris. - ontem ele descobriu uma carta da MSF. - Tento resumir todo o acontecido pra que ele me compreenda melhor e, se caso, David fique arredio eu possa usar qualquer carta que tenha na manga.

Quando eu falo MSF seus olhos continuam me fitando sem que isso lhe cause nenhuma lembrança. Por um segundo meu coração se aperta e antes que eu tome a iniciativa de explicar a sigla dos Médicos Sem Fronteiras seus olhos saltam das órbitas  e David se aproxima tão rapidamente de mim que eu jogo o tronco pra trás, pois penso que ele vá chocar sua cabeça com a minha. Não tenho tempo de processar o que está acontecendo até que seus braços me envolvem e me trazem pra dentro do seu corpo maciço, mesmo que não haja mais nenhum espaço entre nós.

- Você não quer saber o que estava escrito na carta, não? - A reação de David é inesperada pra mim, acho que ele ainda não compreendeu o que pode acontecer a partir de agora. Essa não é uma carta do Papai Noel.

- Na verdade, quero.

- Eles querem que eu vá até o Rio pra uma reunião. - Digo enquanto ainda o tenho engarrachado ao meu pescoço, me apertando contra si, sem ver seus olhos é mais fácil. Minha fala é rápida e eu espero pela tormenta que não vem, pra só depois me apoiar em seu peito pra buscar seu rosto.

- E isso vai ser quando? - Suas pupilas buscam às minhas e seus dedos fincam-se mais contra meus braços.

- Hoje pela tarde. - Fecho os olhos pra dizer e David finge não perceber meu nervosismo.

- Mas a gente ia pra Angra... - É o único momento que sua voz muda o tom, penso que o pavio se acendeu e tomo às rédeas pra da situação.

- É por isso que vim aqui te dizer, - Busco em meu peito a coragem e digo as palavras sem pensar. - Eu não vou poder ir pra Angra com você. Não hoje.

- Bom, somos dois. Eu vou pro Rio com você. E vou falar com eles também. - Não contenho a risada que inflama em mim. Mesmo que eu não saiba o motivo. Talvez pela reação calma e imparcial de David. Talvez pelo seu jeito de me encorajar. Talvez pela imagem de tê-lo à frente dos diretores da MSF. Talvez porque ele seja David Luiz e isso seja o suficiente pra me fazer rir e pirar ao mesmo tempo.

- Amor, acho que o zagueiro mais caro do mundo não faria muita diferença pra eles. - Uso a voz mais mansa que tenho, como se estivesse falando pra uma criança que ela não deve mais comer doces.

- Ah é? E pra você? - Sinto seus dedos trazendo-me mais pra perto. Sua voz é convidativa e meus lábios ardem ao imaginar os seus. Mas ele ainda não me beija, ao invés disso seus dedos caminham para o meu pescoço e ele me envolve fortemente. Os pelos da minha nuca se eriçando são a chave de acesso até seu joguinho. - Você fica linda com desejo, sabia? - A voz me encanta como o canto de uma sereia, e que peixão esse meu.

- Pra mim seria tudo de bom, David Luiz. - Escorrego as mãos por seu abdômen pegajoso pelo suor, aproveitando de cada curvinha desenhada ali, numa tentativa vã de contê-lo. - Mas eu prometi ao Thiago que esse fim de semana você seria todinho dele. - O zagueiro me espreme em seus braços e eu me aproveito disso pra roubar-lhe um beijo rápido, deixando-o fora do ar pra que eu escape, por milésimos de segundo, Esgueiro o corpo até a sacada, apoiando-me nela. Provoco David Luiz, pois esses joguinhos mantém nosso fogo acesso, mesmo que por debaixo dos panos. Não demora até que eu ouça a cadeira ranger e seu corpo de mármore me apertar contra a madeira, ele corre os dentes por meu ombro nu e beija o local. Meus músculos perdem o sentido e ele toma à frente, girando-me o corpo.

- Espero que a Belle esteja sabendo disso. - Quando ele se refere à nossa conversa anterior e a mulher de Thiago, com quem pude conversar na Copa, com os lábios tão próximos e as mãos em lugares indevidos eu enguiço bonito e perco os sentidos todos. - Quando eu vou te ver novamente?

- Vou pra Angra amanhã. - Apoio as mãos em seus ombros e David toca meus lábios, sugando-os, sem que torne isso um beijo. Eu me irrito e enquanto ele se distrai com meu lábio inferior eu afundo as duas mãos em seus cachos, puxando-nos no momento exato que ele solta minha boca. Seu grunhido me excita e eu o calo com um beijo de verdade, afundando minha língua em sua boca a procura da sua. Quando David compreende o que eu quero eu me permito soltar seus cabelos e aproveitar do seu corpo. Minhas mãos passeiam por todos os lugares e covinhas que há, matando a saudade. David não fica por menos e enquanto sua boca guerreia com a minha ele puxa uma das minhas pernas pra cima, e eu ofego devido a fricção que ele causa.

- Toma banho comigo? - Seus lábios se afastam quando ele também deixa-se grunhir de desejo. Busco seus olhos, ainda ludibriada pelas sensações, suas íris são verdes e seus lábios avermelhados tão convidativos me equivocam por um momento. Paro pra pensar por um momento e perco-me dos olhos de David, mas quando retorno à lucidez com beijos molhados que ele aplica em meu pescoço. Embora isso seja totalmente inconveniente, e eu tenha conhecimento disso, é inevitável meu ofego de sim quando ele me toma no colo numa facilidade imensa, carregando-nos pro banheiro do quarto.

 

 

. . .

 

 


Notas Finais


Oi oi galera que lê a Ali.
Nem sei por onde começar...
Vou pedir e perdão e mais paciência comigo gente linda.
Tô sabendo que eu tô um cadinho atrasada, já se passaram dois anos do momento da história até o agora.
Mas no futuro vocês vão entender porque eu não tneho tanta preocupação com isso.

Dois recadinhos (além dos habituais pedidos de "desculpa", "por favor não me abandona" e "esperem um cadinho que o próximo capitulo sai":
Primeiramente: FORA TEMER
(sempre quis fazer isso aqui)
Voltando... ah-ham
O próximo capitulo provavelmente será o último capítulo de ALI (ouço um coro de aleluias?)
Mas pra quem ainda lê a Ali e acredita nessa autora a quem vos fala (escreve) tenho planos pra segunda temporada.(MUITOS PLANOS)
mas eu gostaria muito de saber de vocês se um segunda temporada seria viável e tals (com promessas minhas de que a segunda temporada só sera postada quando eu tiver um número bom de capítulos pra que não fique desatualizada como tá a Ali), mas vamos pensar nisso só no próximo capitulo. Okay, ladies?


Beijos de luz,
mamãe ama vocês.
xoxo


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