História Alice - Capítulo 1


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Categorias Alice no País das Maravilhas (Alice in Wonderland)
Personagens Alice Kingsley, Chapeleiro Maluco, Coelho Branco, Gato de Cheshire (Gato Risonho), Lebre de Março
Exibições 9
Palavras 1.336
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Ficção, Mistério

Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Hey, pessoal!
Eu sou ~Coyote!.
Essa é só uma das minhas histórias.
Espero que gostem!

Capítulo 1 - Capítulo único


O dia amanheceu mais uma vez.

Era uma manhã fria e sem vida. Pelo menos do lado de dentro do quarto de Alice. A garota, que ainda dormia, estava encolhida na minúscula cama encostada na parede. Um único lençol fino cobria o corpo magro e indefeso da menininha, que sonhava com a vida fora daquele quarto de hospício. Um alarme tocou, primeiro no corredor, depois, em cada um dos quartos.

Alice custou a acordar. Ouviu um barulho na porta, mas o ignorou completamente. Todo dia era a mesma coisa: Alice nunca acordava, e ignorava o chamado dos enfermeiros. A porta foi destrancada e um enfermeiro veio acorda-la. Alice teve que ser arrancada da cama.

Depois, vestiu-se e seguiu para o refeitório. Lá, ela encontrava seus “melhores amigos de hospício”, como eram chamados pelos enfermeiros do lugar. Sentados sempre na mesma mesa, a segunda da direita, estavam, todos os dias, o Chapeleiro, a Lebre e o Gato.

Ambos eram apelidos criados pela morena, em momentos que sua loucura se fundia com a imaginação.

O Chapeleiro era um homem um pouco mais alto que Alice. Aparentava ter entre 30 a 45 anos e tinha uma boa forma corporal. Alice o chamava assim, pois, o que havia o colocado no hospício, foi a paixão incontrolável por chapéus. A garota nunca soube se essa era realmente a profissão do rapaz, mas o acha engraçado e amoroso, um refúgio para essa triste vida que levava.

A Lebre era outro rapaz, talvez um pouco mais novo que o Chapeleiro, que possuía pernas pequenas e um longo tronco. Seus dentes da frente saíam para fora da boca, além de possuir orelhas bem maiores que de Alice. Tais características fizeram a garota imagina-lo como uma lebre.  Sua obsessão –ou loucura- era por chá. Estranhamente, para a Lebre, toda hora era a hora do chá. A bebida quente e doce fazia o dentucinho pular de alegria e, apesar de ser o mais maluco do grupo, sempre tinha ao alcance um bule cheio do líquido.

O Gato era o mais misterioso de todos eles. Ele encantava Alice de um jeito inexplicável. E ele gostava disso. Era um rapaz gordinho e baixo. Seus olhos eram penetrantes, contendo um tom de azul não muito comum para um ser humano. Alice acreditava que seus olhos poderiam “atravessar sua alma” e o medo era um dos sentimentos nutridos pelo Gato. Mas a parte mais encantadora do rapaz era o sorriso. Tão macabro e tão gentil. Tão doce e tão violento. Tão sútil e tão explícito. Sempre que exibia seus dentes perfeitos, Alice tinha a total certeza de que seu sorriso ia de uma orelha a outra. Independente disso, o principal motivo de ser chamado assim é sua sutileza. Uma hora, ele está do seu lado, noutra, já atravessou o corredor inteiro sem se notar sua ausência. A morena nunca soube ao certo o porquê de ele estar ali, já que para ela, o Gato parecia bem normal. Talvez, até mais que ela.

Do jeito mais maluco possível, aquele era o grupo mais completo do hospício. O Chapeleiro era o mais sábio, a Lebre, o mais louco, Alice, a mais doce e o Gato, o mais misterioso.

Naquela manhã, tudo estava normal, pelo menos por enquanto.

Quando Alice se aproximou da mesa em que os amigos estavam, o Chapeleiro se levantou e fez uma gentil e exagerada reverência. Alice respondeu o cumprimento com um sorriso e sentou-se à mesa.

Enquanto comiam e conversavam loucamente, Alice, distraída, viu um vulto branco correndo por entre as mesas. Intrigada, sem chamar atenção, Alice levantou-se e seguiu o vulto que não parava de correr. Quando a figura correu para o corredor, Alice, sem se preocupar com os guardas, a seguiu, correndo incansavelmente pelos longos claustros sem vida, tão pálidos quanto sua pele. A criaturinha, que na cabeça da garota parecia falar, de repente, parou, na frente de um corredor com um enorme espelho no final.

Engraçado, nunca tinha vindo a esse corredor, exclamou Alice, para si.

A pequena silhueta branca entrou novamente no campo de visão da morena, o que a fez perceber que se tratava de um coelho.

-O que está fazendo aqui, pequenino? Está perdido?   - perguntou a garota, sem esperar uma resposta.  

Os olhos brilhavam de animação e refletiam um pouco de sua loucura.

Para seu espanto, a coelho se aproximou e Alice notou que ele usava um lindo e pequenino terninho. Alice estava pronta para esticar a mão ao coelho e lhe acariciar, quando, de repente, exclamou:

-Perdoa-me, pequeno ser humano! –pediu, educadamente – Não quis te confundir! Estou aqui por outros motivos.

Alice deu um pulo. “Oh, o coelho fala” Pensou. Com curiosidade, Alice se aproximou e percebeu que o coelho era real demais para ser apenas um delírio. Então, agachando- se, pôs-se a perguntar:

-Fala-me, então, senhor Coelho: o que veio fazer aqui?

-Ora, Alice, vim te salvar, é claro! –explicou, com um tom óbvio na voz.

-Me salvar? Mas, senhor Coelho, não estou em perigo algum.

-Pode achar, Alice, mas o País das Maravilhas lhe quer bem. Por isso, fui enviado para salva-la. –explicou, elegante e atencioso.

A mente de Alice se focou em outra coisa, uma memória. Lembrou- se do sonho da noite passada, em que todos os seus “amigos de hospício” estavam sentados à mesa, bebendo chá. A garota recordou-se do lugar em que estava, além de perceber que seus amigos, tirando o Chapeleiro, transformaram-se em animais de verdade. “País das Maravilhas” não era um lugar desconhecido para Alice, o que a deixava mais confortável para confiar no elegante coelhinho a sua frente.

-Está pronta, Alice?

-Não posso me despedir de meus amigos antes? –perguntou, receosa.

-Eles estarão lá. Um dia estarão. –afirmou o coelho, tentando convencer Alice.

Sem entender muito bem a charada do coelho, a garota apenas sorriu e o coelho respondeu, mexendo alegremente os bigodinhos. O animal estendeu a mão para a morena, a qual a confiou instantaneamente, andando com ela em direção ao espelho.

-Alice, está pronta para dizer adeus ao seu mundo? –perguntou o coelho, com medo da resposta.

-O País das Maravilhas é o meu mundo. –afirmou Alice, fazendo o coelho sorrir.

Chegando na beirada do espelho, Alice respirou fundo, sentindo que sua vida mudaria para sempre a partir de agora. Então, o coelho a puxou delicadamente, fazendo-a escorregar para dentro do espelho, que se abriu como um portal. Alice viu-se em queda livre, suavemente deslizando pelo ar.

Quando sentiu um baque de suas costas no que lhe parecia o chão, sua visão escureceu-se e Alice caiu em um sono profundo.

 

Na manhã do dia seguinte, os enfermeiros encontraram Alice, na calçada, sem vida. A explicação com mais sentido que puderam encontrar foi a de Alice ter caído da janela. Em oposição a isso, a falta de sentido era totalmente presente, quando se analisava a janela do sanatório: tinham grades. Grades tão grande e tão grossas, que apenas um rato ou um pequeno coelho passariam por ela.

Mas isso não importava para os amigos da falecida garotinha. Eles sabiam onde Alice estava; sabiam que ela estava onde sempre deveria estar: em um lugar melhor, que valorizava toda a loucura presente naquele corpo frágil. Mas ainda era uma tristeza não a tê-la por perto.

E vendo toda essa confusão, uma voz, solitária, que vagava pelos corredores do hospício, dizia: “Alice está no País das Maravilhas, agora. Lá, ela descansará para sempre”.

A voz, que nunca souberam de quem era, estava realmente certa, porque, enquanto seu corpo era decomposto a sete palmos abaixo da terra, a alma de Alice repousava e divertia-se com os amigos, bebendo chá, no País das Maravilhas, eternamente grata ao coelho por ter a salvado.

 

 

O questionamento seria: o coelho era realmente real? A resposta? Não!

A mente de Alice apenas criou uma história menos assustadora para sua morte, mas seu coração sabia que ela sempre pertencera ao País das Maravilhas, e, assim, bebendo chá e mergulhada em loucura, sua triste morte foi sua salvação para a amarga vida. 


Notas Finais


Gostaram? Favoritem!
É o jeito de entender que gostaram.
Bom, até a próxima.
-FUI!


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