História Alice e os Deuses Gregos - Capítulo 43


Escrita por: ~

Postado
Categorias Mitologia Grega, Os Heróis do Olimpo, Percy Jackson & os Olimpianos
Personagens Afrodite, Annabeth Chase, Apollo, Ares, Artemis, Atena, Calipso, Cimopoleia, Clarisse La Rue, Connor Stoll, Dionísio, Eros (Cupid), Frank Zhang, Hades, Hazel Levesque, Hefesto, Hera (Juno), Hermes, Hylla Ramírez-Arellano, Íris, Jason Grace, Leo Valdez, Nêmesis, Nico di Angelo, Niké (Nice), Percy Jackson, Perséfone, Personagens Originais, Piper Mclean, Poseidon, Quíron, Rachel Elizabeth Dare, Reyna Avila Ramírez-Arellano, Thalia Grace, Tique, Will Solace, Zeus
Tags Acampamento Meio Sangue, Deuses, Frazel, Jasiper, Mitologia Grega, Olimpo, Percabeth, Percy Jackson, Perlite, Poseitena, Semideuses, Solangelo
Visualizações 210
Palavras 6.805
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Ficção, Harem, Hentai, Lemon, Luta, Magia, Orange, Romance e Novela, Shonen-Ai, Shoujo (Romântico), Shoujo-Ai, Slash, Suspense, Universo Alternativo, Violência, Yuri
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Intersexualidade (G!P), Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Spoilers, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir culturas, crenças, tradições ou costumes.

Notas do Autor


Eu sei, vocês estão esperando essa atualização faz um tempo... mas eu fiquei mais doente e acabei viajando também, daí piorou as coisas. Antes de viajar eu já tinha mais da metade pronto, mas acabou a inspiração.
Enfim, o cap não tá muito do meu agrado, pq eu escrevi em diversos momentos diferentes, com ânimos diferentes e inspirações diferentes, mas eu não iria deixar vocês mais tempo sem...

Sem mais delongas: ~MclBessaS2, desculpa a demora, more!!! >>>> ~RedCrone, demorei mas cheguei com o novo cap pra tu!!! >>>> ~eulove, preparada para a bomba, Vi??? Enfim, obrigada amores!!!!! <3 <3 <3

Olha, só digo uma coisa: Peguem os coletes e se preparem!
E desculpa se não estiver o melhor cap... mas é a vida. Prometo fazer os próximos ainda melhores!!!
<3

Capítulo 43 - Des... culpe


Fanfic / Fanfiction Alice e os Deuses Gregos - Capítulo 43 - Des... culpe

Alice: 

Segunda (28/06) - 08:37am 

 

 

-Estão todas prontas? -Perguntei, parada no meio da grande sala dos tronos, enquanto esperava que as garotas se arrumassem. -Não podemos demorar muito.  

Todas estavam com cara de sono, o rosto amassado, os cabelos desgrenhados e as roupas amarrotadas. Não tinha visto Perséfone desde quando acordei no colchão atirado em um canto daquela sala. Minha noite tinha sido incrível, ainda conseguia sentir o toque da pele de Perséfone na minha e, enquanto dormia, não tive nenhum sonho. Infelizmente, não poderia dizer o mesmo das meninas, a maioria estava com olheiras e bocejava a cada três minutos. Certo, talvez eu estivesse sendo egoísta, pois a única coisa em que pensei enquanto vinha para cá foi em Perséfone, sem contar que esse lugar parecia não me afetar em nada. Olhei para o vaso de flor em um dos cantos da sala, o girassol esteve desativado desde o momento em que colocamos os pés em solo subterrâneo.  

-Eu estava pensando. -Comentou Brenda, fazendo-me virar subitamente a cabeça em sua direção. -Não havia um mito sobre comer no Mundo Inferior? Algo sobre ficar preso para sempre.  

Automaticamente, todos os pares de olhos se viraram para mim.  

-Bom, se você comer algo do Mundo Inferior, no Mundo Inferior, é obrigado a ficar. -Respondi, dando de ombros. -Essa seria a real história. Por isso Perséfone está aqui. Bom, por isso e porque ela foi sequestrada.  

Ninguém falou nada, ficamos trocando olhares apreensivos, enquanto meu cérebro processava a informação que ele mesmo tinha concedido. Antes que eu pudesse me pronunciar, escutei uma delicada e linda voz vindo de trás de mim.  

-Não se preocupem, nenhuma daquelas comidas vieram do Mundo Inferior. -Garantiu Perséfone, caminhando até parar ao meu lado, repousando a mão na base da minha coluna. -Vocês estão livres para ir, a flor irá se ativar assim que saírem do subterrâneo.  

As garotas assentiram e logo voltaram a organizar as mochilas. A mão de Perséfone desceu mais um pouco e pousou na minha bunda, apertando-a com força. Tentei evitar dar um pulinho de susto, mas foi impossível. Virei-me de lado para encarar Perséfone, ela estava com um lindo e tímido sorriso nos lábios, olhando-me com devoção e admiração. Como ela conseguia ser tão sexy e fofa ao mesmo tempo? Sua mão estava agora na minha cintura, levei minha mão até seu rosto e a mantive fazendo carinho em sua bochecha. Quando ela fechou os olhos e inclinou a cabeça na direção da minha mão, não pude evitar de sorrir, mas isso mudou rapidamente quando lembrei dela gemendo meu nome logo após tirar a última de minhas "virgindades". Tive que balançar a cabeça para afastar as lembranças dela rebolando aquela bunda maravilhosa, enquanto meus dedos estavam atolados em seu sexo.  

-Liz? -Nos afastamos bruscamente quando escutei a voz de Julia. -Vamos?  

Assenti, pegando minha mochila do chão e a colocando nos ombros. Respirei fundo e fiz sinal para que elas se aproximassem, Brenda vinha trazendo o vaso de flor em mãos. Quando me virei para Perséfone novamente, ela estava sentada no trono menor.  

-Certo, é o seguinte. -Comecei, tentando pensar em algo sensato para dizer. -Se alguma coisa acontecer, se nos separarmos, quero que voltem para o acampamento.  

-Mas, Alice, não podemos voltar sem as armas! -Exclamou Mariana, ela não era a única surpresa com as minhas palavras.  

-Nessa altura do campeonato, acho que nossa inimigo está apenas nos fazendo perder tempo. -Falei, cruzando os braços abaixo dos seios, adotando uma postura firme.  

Ninguém disse mais nada, acho que a maioria nem sabia o que dizer, embora eu acreditasse que todas concordaram. Eu precisava dizer aquilo, estava com uma sensação estranha desde o momento em que lembrei que teria de sair dali, encontrar aquelas armas talvez não fosse uma real missão. Estava começando a acreditar que aquele era apenas um bom motivo para nos manter fora do acampamento, o que não fazia sentido, já que nós não faríamos muita diferença em uma batalha. Tentava juntar as peças uma nas outras, encontrar um motivo para Anfitrite querer devolver as armas, ou nos tirar do acampamento. E se ela não quisesse a todas nós? E se esse fosse um modo de me tirar de perto dos Deuses? Eu tinha noção de que uma hora ou outra ela iria me chamar, tinha concordado em lutar com ela.  

-Só... prometam, se algo acontecer, voltem para o acampamento. Pedi, praticamente implorei. -Mesmo que tenha de ser em duplas ou trios, apenas voltem para o acampamento.  

-Mas e você? -Perguntou Julia, seu cenho estava franzido. -Acha que vou... vamos deixar você para trás?  

Revirei os olhos, maldita mania que as pessoas tinham em questionar tudo o que eu dizia.  

-Vou fazer o mesmo, se nos separarmos, irei voltar para o acampamento. -Afirmei, torcendo para que minha voz não demonstrasse o meu tédio. 

Elas não disseram mais nada, apenas assentiram. Nos viramos para Perséfone, esperando por ordens.  

-Irei transportá-las de volta a porta de Orfeu. -Comunicou ela, cruzando as pernas que estavam apertadas no jeans. -Se sentirem fome, procurem em suas mochilas. Agora, fechem os olhos.  

Antes de fechar os olhos, observei as meninas fazerem o mesmo. Permaneci calada, pois não sabia o que fazer e imaginei que aquele não fosse o momento de abrir os olhos. Senti alguém se aproximar de mim e logo em seguida o familiar perfume floral adentrou minhas narinas, senti os lábios carnudos e macios de Perséfone se juntar aos meus. No fim do beijo, ela sugou meu lábio inferior para dentro de sua boca, soltando-o com um estalo.  

-Boa sorte. -Sussurrou ela, logo depois senti o clima mudar e os sons do trânsito de Nova York preencherem meus ouvidos.  

 

 

---------(...)--------- 

-É impressão minha ou essa porcaria de flor está nos fazendo andar em círculos? -Perguntou Brenda irritada, ela parecia querer arrancar as pétalas uma por uma.  

Mais duas pétalas tinham caído, agora nos restava apenas seis. Estávamos no Central Park há dez minutos, o único problema era que já tínhamos passado por uma macieira três vezes.  

-Estamos fazendo algo errado. -Declarei, parando de repente e obrigando que elas fizessem o mesmo. -Vamos sair dessa clareira e procurar um campo aberto, acho que o girassol vai funcionar melhor assim.  

Ninguém discordou, portanto seguimos em linha reta até encontrar o mesmo campo aberto de ontem à noite. No meio do caminho outra pétala caiu. Foi nesse momento que os vimos, os cinco cães infernais restantes dos que nos atacaram ontem. Nós tínhamos matado três, apenas dois deles nos encontraram depois, porém agora estavam todos os cinco juntos novamente. O girassol estava virado para Noroeste, mas era de lá que estavam vindo os monstros. Ninguém teve tempo de pensar direito, a única clareza era correr, pois não daríamos conta de todos eles juntos. Infelizmente, nossas habilidades em combate não tinha melhorado, portanto o mais sensato seria fugir.  

-Corram! -Gritei, o que não esperava era que elas iriam se espalhar em diversos grupos diferentes.  

Antes de correr para o lugar de onde tínhamos vindo, pude ver Laurin, Julia e Isabelle correndo para o leste, Mariana e Brenda foram para o Sul e Nathália e Aryane correram para Sudeste. Eram cinco cães infernais e quatro direções para seguir, dois vieram atrás de mim. Minhas experiências com cães infernais não foram boas, sabia que correr não adiantaria, pelo menos a maioria tinha ficado comigo. Uma hora ou outra teríamos que parar e matá-los, como as meninas estavam divididas em duas duplas e um trio, aquilo me deu esperança de que elas conseguiriam fugir. Assim que entrei em uma parte fechada do parque, com árvores altas e grandes, completamente vazia, os dois cães infernais se desintegraram sem explicação alguma. Parei abruptamente e me virei, não havia nada em local algum, eu estava sozinha. Foi então que senti o mundo parar e tudo ficar escuro, logo depois fui tomada pela escuridão e apaguei.  

 

 

 

 

Julia: 

 

Fomos o terceiro grupo a chegar ao acampamento, depois do que imaginei ter sido meia hora correndo e vinte minutos em um táxi. Acabei servindo de isca para matar o cão infernal que nos seguia, enquanto Isabelle se escondia em uma árvore com o arco e Laurin se escondia atrás de uma rocha com a sua espada. O cão veio direto para cima de mim, e então elas atacaram pelos lados. Quando atravessamos a fronteira mágica do acampamento, descobrimos que Brenda, Mariana, Nathália e Aryane já tinham chegado, e estavam esperando por nós. Não demorei a perceber que mais alguma coisa estava errada, pois os campistas estavam separados em grandes grupos ao redor do perímetro da fronteira, todos de armaduras e armas em punho.  

-Está começando. -Assim que nos juntamos com os outros conselheiros, Percy se pronunciou. -Nosso inimigo está vindo pelo mar e Poseidon não tem condições de impedi-lo, ele precisaria do tridente.  

Todos se viraram para nós, provavelmente se perguntando por que estávamos de mãos vazias. Foi então que notei a ausência dos Deuses, havia somente os semideuses gregos e as caçadoras. Eu não tinha conversado com as outras garotas ainda, por isso estranhei Brenda não estar com o vaso de flor.  

-Certo, vamos por partes. -Falei, levantando as mãos em sinal de pare. -Onde está a flor? Onde estão os Deuses? O que está acontecendo?  

Brenda foi a primeira a responder.  

-Depois que nos separamos, Mariana e eu corremos por uns dez minutos, quando as pétalas restantes do girassol caíram e ele se desintegrou junto com o vaso. – Respondeu ela, cansada, havia um corte pequeno em seu queixo.  

Assenti, embora não tivesse entendido o por quê daquilo.  

-Os Deuses voltaram para o Olimpo logo após a saída de vocês. -Respondeu Percy, parecendo abatido, sua espada estava apoiada no ombro.  

Estava prestes a repetir a terceira pergunta, quando a outra filha de Zeus, Thalia, tenente de Ártemis tomou a frente.  

-Lady Ártemis quis ficar para lutar, assim como muitos outros Deuses, mas Zeus não permitiu. -Comentou ela, enquanto mexia em uma flecha com ponta de prata. -Há barcos inimigos no mar, porém eles não nos atacaram ainda, é como se estivessem esperando por algo.  

O silêncio se fez presente, ninguém parecia ter o que dizer, dava para sentir a tensão de longe. O acampamento estava agitado, campistas dando ordens à outros, sátiros trotando de uma lado para o outro, não havia nenhuma ninfa a vista.  

-Onde está a minha irmã? -Perguntou Percy repentinamente, trazendo-me de volta à realidade.  

Mal sabia ele que eu estava me fazendo aquela pergunta desde o momento em que cheguei ali, mas parecia que ninguém tinha a resposta.  

-Nós nos separamos no Central Park, o combinado era que caso isso acontecesse, todas voltaríamos para o acampamento. -Respondi, sentindo minha mochila pesar nos ombros. -Era para ela estar aqui, ou ter chegado até agora.  

Ninguém disse nada, o medo estava estampado no rosto de Percy, e não duvido que estivesse no meu também. Tantas possibilidades, realmente não queria ter de pensar em nenhuma delas, pois todas eram ruins. Um garoto magricela e muito branco corria na nossa direção, não demorei a notar as pernas peludas e os cascos de bode. Eu o conhecia, era... Gove? Não. Grover?  

-Percy! Rápido! Eles estão começando a se aproximar! Acho que estão preparando-se para atacar. -Informou o garoto assim que chegou até nós, com certa dificuldade para respirar.  

O nosso inimigo se aproximava e Alice ainda não tinha voltado, tentei não pensar naquilo como algo negativo. Talvez ela tenha tido certos problemas no caminho, talvez tenha lutado com mais monstros e por isso estava demorando. Percy respirou fundo e estava pronto para voltar para a praia, mas o som de centenas, talvez milhares, de passos ao redor do acampamento o fez travar no lugar. Em questão de segundos, a fronteira mágica estava cercada por diversos tipos de monstros, o exército inimigo tinha nos cercado e já não existia mais nenhuma possibilidade de Alice se aproximar. Gritos vindos da praia foram se aproximando de nós e segundos depois os campistas que estavam lá apareceram, com o resto do exército inimigo em seu encalço. Em questão de segundos, todos os campistas estavam concentrados no centro da área dos chalés, olhando para todos os lados possíveis, esperando que o inimigo atacasse. Nós éramos muitos, mas o exército inimigo nos ultrapassava em questão de quantidade sem dificuldade alguma. Eles não fizeram menção de se mexer, continuavam parados nos encarando, como se esperassem por algo, porém mantendo uma distância grande de nós. Foi então que o exército vindo do mar se dividiu em dois, surgindo entre eles uma peque a passarela. Passando por eles vinha uma mulher alta, de cabelos negros, corpo mediano, vestindo uma armadura azul-marinho completa. Ela caminhava calmamente, passando pelas fileiras de monstros, os quais a maioria eu não reconhecia, sem medo, segurando o que imaginei ser o tridente supremo de Poseidon. Parecia ter outra pessoa logo atrás dela, mas do ângulo que eu estava não consegui ver. Assim que ela se aproximou da frente do exército, a outra pessoa saiu de trás dela e ficou ao seu lado direito. Era Circe, vestida com uma calça jeans preta e um manto cinza que chegava até a sua cintura na parte da frente e até os tornozelos na parte de trás, com o arco de Apolo atravessado no corpo. Escutei Percy arquejar perto de mim, talvez soubesse quem era a mulher de cabelos pretos.  

-Anfitrite? -Perguntou ele, só nesse momento que percebi a gravidade da situação. -Mas... você... o quê? Por quê?  

A mulher se limitou a revirar os olhos, uma expressão de tédio tomou conta de seu rosto.  

-Eu não fui sequestrada, se é essa a pergunta que você está tentando fazer, pirralho. -Declarou ela, colocando o cabelo que estava em seu ombro, nas costas. -Eu simplesmente abandonei o castelo, não foi culpa minha Poseidon ter tomado isso como um sequestro.  

-Claro, afinal, quem iria querer sequestrar você? -Perguntei em voz alta, chamando a atenção de todos. -Você não é importante, é uma simples  Nereida.  

Escutei uma risada vindo de trás de Anfitrite, que lançou um olhar para trás e calou a pessoa. Ela voltou a olhar para mim com fúria, mas se limitou a esboçar um sorriso sarcástico.  

-Eu sou a rainha dos mares! Rainha do reino de Poseidon. -Declarou ela, abrindo os braços enquanto falava. -Sou muito mais importante que todos vocês, meros semideuses.  

Circe revirou os olhos discretamente, evitando que Anfitrite visse, o que me deixou confusa, mas não disse nada.  

-O que você ganha com tudo isso? -Perguntou Annabeth, ficando lado a lado com Percy.  

-Poder, obviamente. Meu marido era quem deveria comandar os Deuses, ele é o mais forte! -Ela deu de ombros, respirando fundo. -Mas ele não quer trair os irmãos, não quer mais poder. Garanto que boa parte da culpa é daquela Deusa ridícula, e dos três bastardos que ele chama de filhos. Você sendo um deles.  

Ela apontou com a cabeça para Percy, vi ele fechar a mão com força ao lado do corpo. Fiquei pensando em quem poderia ser essa Deusa de quem ela falava, somente uma me veio a cabeça. Atena, a mãe de Alice.  

-Poseidon não precisa disso, por isso ele não quer trair os irmãos. -Disse Percy irritado, dando um passo a frente. -Alice estava certa em dizer que ele não deveria ter se casado com você.  

Ela riu alto, o som era escutado sem dificuldade alguma, mesmo estando a uns trinta metros distância. O tom de deboche era claro em sua voz.  

-Ah é? Pois diga isso à ela, então. -Falou ela, levando a mão até as costas e puxando quem estava ali.  

E então, surgindo ao seu lado esquerdo, estava ela, a filha de Poseidon e Atena. Vestindo uma armadura de bronze celestial, com um capuz acoplado, era o casaco que ela tinha ganhado de presente do próprio pai. Em seu pulso havia uma pulseira de bronze celestial com rubis em forma de coração, imaginei que aquela fosse a arma de Afrodite, a única que faltava. Muitos arquejaram, sem saber como reagir e em que pensar. Apenas uma perguntava passava pela minha mente: 

-Por quê?  

 

 

 

 

Alice: 

(Minutos antes) 

 

 

-Acorde logo!  

A voz que me chamava parecia estar nervosa e impaciente, como se estivesse com pressa. Minhas narinas foram invadidas pelo aroma de alecrim que eu bem conhecia, o que me fez abrir os olhos devagar. Sentei-me no que percebi ser o sofá da casa de Circe, esta andava de um lado para o outro com os braços cruzados abaixo dos seios.  

-O que está acontecendo? -Perguntei, coçando meus olhos para me acostumar com a claridade. -Onde estão as meninas?  

Ela parou abruptamente e me jogou minha mochila, não tinha percebido que esta não estava em meus ombros.  

-Está na hora. Anfitrite quer invadir o acampamento agora. -Declarou ela, olhando para o chão enquanto esfregava os braços, como se estivesse com frio. -Está apenas esperando por nós.  

Levantei-me rapidamente e me coloquei a sua frente. 

-Como assim invadir o acampamento? Isso não era parte do plano, era? Ela não pode fazer isso! -Esbravejei, passando as mãos pelo cabelo.  

-É tarde demais para mudar de ideia, Alice. -Disse ela, olhando-me nos olhos.  

Respirei fundo e andei até minha mochila, procurei pelo colar e o peguei, voltando até a Deusa. Peguei a mão dela e pousei o colar em sua palma, aguardando pela sua reação. Ela me olhou sem entender. 

-Não é tarde demais, nunca é. -Falei, fazendo sinal para que ela colocasse o colar. -Quando tiver certeza de quê isso não vai dar certo, quando perceber que você não precisa obedecer à ela, segure isto e pense em um lugar para ir onde ninguém a encontre.  

Ela continuou estática, o cenho franzido em direção ao colar. Peguei o objeto de sua mão e o coloquei em seu pescoço, escondendo entre seu manto cinza-claro. Estávamos muito próximas, a ponto de nossas respirações se confundirem numa só, mas eu não tinha vontade de beijá-la, pelo menos não dessa forma, não agora que eu tinha... Perséfone. Encurtei a distância entre nós e beijei sua testa, algo que para mim era uma grande forma de demonstrar amor e carinho. Quando me afastei, Circe estava com os olhos fechados e uma pequena lágrima escorreu de um deles, rapidamente a sequei e beijei o local onde tinha caído. Um fraco sorriso surgiu em seus lábios e seus olhos se abriram, fixando nos meus.  

-Obrigada. -Sussurrou ela, surpreendendo-me ao se aproximar e me envolver em seus braços, abraçando-me com força. -Eu irei lutar ao lado dela, mas torcendo para ser derrotada. Você ainda tem chances de fugir, Alice.  

-Não, Circe, eu não posso. -Separei-me delicadamente dela para olhar em seus olhos. -Eu fiz tudo isso, talvez eu tenha chance de concertar. Posso garantir que irei morrer tentando.  

Ela não respondeu, pois bem nessa hora Anfitrite surgiu no corredor, parando na sala. Ela estava vestida para a batalha, o tridente supremo de Poseidon em mãos. Circe se afastou visivelmente de mim, como se não quisesse mostrar o quão próximas éramos, embora eu acreditasse que Anfitrite já suspeitava disso.  

-Vou fingir que não escutei nada sobre fugir, pois não quero ter que desintegrar ninguém. -Ameaçou ela, a mão que estava no cabo do tridente apertou com mais força o objeto. -Posso destruir qualquer um a qualquer momento, com vocês não será diferente. Digam-me, o que os Deuses fizeram por vocês? Por quê ficar ao lado deles?  

Nenhuma de nós duas respondeu de imediato, acho que Circe nem iria responder. Uma coisa era fato: os Deuses não fizeram nada por ela. Disso eu tinha certeza, nem mesmo a mãe. No momento em que ela decidiu lutar contra eles, todos se voltaram contra ela. Ninguém, em nenhum momento, tentou convencê-la a ficar do lado dos olimpianos. Quanto à mim? Bom, talvez eu devesse rever meus conceitos. A maioria dos Deuses nem mesmo olhava para mim, mas os que sabiam da minha existência costumavam até mesmo a falar comigo. Poseidon até me presenteou com algumas coisas, Atena tentou se aproximar mas eu não deixei. As coisas estavam complicadas, e provavelmente só melhorariam com a volta de minha memória. Mas isso não significa que eu deva ser má com aqueles que são legais comigo, esse era o mínimo que se esperava de alguém com educação.  

-Nada. -Respondi, dando de ombros. Precisava fingir indiferença, meu pescoço e o de Circe ainda estavam em jogo. -Não estamos do lado deles, nunca estivemos. Disso você pode ter certeza.  

Ela pareceu pensar um pouco, analisando-me dos pés a cabeça, sem nem dar atenção a Circe. Ao que tudo indicava, Anfitrite tinha escutado apenas parte da conversa, mais precisamente, apenas da parte em que Circe disse que eu poderia fugir em diante. Por fim, ela assentiu lentamente, depois fez um sinal para Circe que não entendi. Esta apenas suspirou e voltou o olhar para mim, chegando mais perto e pousando a mão em meu ombro.  

-Está na hora, vista seu casaco e vamos. -Ordenou ela, seu tom de voz tinha mudado completamente.  

Peguei o casaco dentro da mochila e o vesti, assim que fechei o zíper ele se tornou em um peitoral de bronze celestial com capuz, que logo seria meu elmo. Circe fez sinal para que eu fechasse os olhos, assim que o fiz, senti uma claridade tomar conta do local e logo depois o clima mudou. Quando abri os olhos novamente, estávamos na praia do acampamento meio sangue.  

 

 

 

Narrador: 

(Agora) 

 

Todos os olhares estavam voltados para a ruiva trajada com um peitoral de bronze celestial e uma calça jeans, nada de muito extravagante se comparada com a rainha dos mares. Ela tinha plena consciência dos olhares inquisidores e, principalmente, da pergunta jogada ao ar pela amiga. Alice respirou fundo, ergueu a cabeça e deu um passo a frente.  

-Ela quer Poseidon no poder, Jackson. Que mal há nisso? -Percy estava prestes a respondê-la, mas esse não era o objetivo da garota. -Melhor que seja ele, afinal, o irmão não está fazendo um trabalho muito bom.  

-Quem você pensa que é para falar assim de Zeus? -Perguntou a filha deste, Thalia, a tenente de Ártemis. -Ele pode não ser o melhor do mundo, mas ainda é o rei dos Deuses.  

Alice apenas revirou os olhos, era inacreditável para ela como alguém ainda poderia defendê-lo. Ignorando a interrupção de Thalia, Percy continuou a conversa. 

-Nosso pai não quer isso, Alice! Quem quer é ela! -Exclamou ele, o pobre garoto ainda acreditava que a irmã poderia ficar do lado deles. -E mesmo que quisesse, por quê atacar o acampamento? Os Deuses estão no Olimpo!  

Anfitrite se remexeu desconfortavelmente, e esse movimento não passou despercebido pela ruiva. A mente da garota já trabalhava em busca de respostas: queria ela lutar contra os Deuses? Afinal, quem colocou na cabeça dela que teria alguma chance? Mesmo com um exército relativamente grande, Anfitrite estava destinada ao fracasso. Por incrível que pareça, a Nereida conseguiu disfarçar muito bem.  

-Que jeito melhor de acabar com o poder dos Deuses, do quê acabar com os filhos destes? -Perguntou ela, inclinando levemente a cabeça. -Sem vocês, eles não são nada.  

Até que aquilo fazia sentido, muito sentido para a ruiva. A verdade era que os semideuses eram meros peões para os Deuses, a maioria nem saberia dizer o nome completo dos próprios filhos. Alice se remexeu desconfortável no lugar, para ela aquilo não fazia parte do acordo. Circe e Anfitrite queriam mais poder, mas em nenhum momento falaram em destruir os semideuses. O silêncio estava incomodando a garota, mas ela nada falaria.  

-Isso não importa. Vamos acabar logo com isso. -Falou Circe que em um rápido movimento do braço direito fez surgir uma espada preta e roxa, sua lâmina era curvada como uma cimitarra, e o punho era completamente roxo.  

Aquilo não intimidou os semideuses, pelo menos não todos. Alice girou o anel da mão direita, logo este tomou a forma de uma lança de duas pontas de bronze celestial com haste de ouro imperial. Julia deixou que uma lágrima caísse ao ver a cena, mas respirou fundo e ergueu o bastão de beisebol. Percy deu um passo à frente, mas Anfitrite não deixou que ele se aproximasse mais do que isso. Em um movimento rápido, a Nereida girou o tridente e bateu com a ponta de baixo no chão, foi o suficiente para que um forte tremor na terra jogasse todos os semideuses para trás.  

-Ataquem! -Ordenou Anfitrite, aproveitando o momento de distração dos campistas. -Menos vocês.  

Ela apontou para Circe e Alice, fazendo sinal para que as duas a seguisse enquanto o exército de telquines, ciclopes, centauros e outros monstros corria em direção aos campistas que já estavam de pé. Anfitrite e Circe se colocaram a cinco metros uma do lado da outra, novamente a Nereida usou os poderes do tridente para fazer o chão se elevar sobe os pés de ambas, deixando-as a pouca mais de três metros do chão, enquanto Alice ficou entre as duas no chão.  

-Não quero ninguém no meu caminho. -Disse Anfitrite para Circe, depois voltou o olhar para a garota. -Só saia daí quando eu mandar.  

Os gritos de guerra e o tinir das espadas era o som de maior poder ali, o exército inimigo tinha grande vantagem contra os campistas, mas isso não os abalou. Eles lutavam com fervor, pois tinham pelo quê lutar. Foi então que o primeiro tiro foi dado, Anfitrite tinha novamente usado o tridente para lançar uma bola de energia esverdeada em direção ao caos onde todos estavam se encontrando. O tiro acertou tanto os campistas quanto os monstros, matando e ferindo, mas esse não era um problema para a Nereida, ela não se importava com nenhum deles.  

 

 

--------(...)--------- 

 

Tudo estava um caos, os campistas tinham matado muitos dos monstros, mas também tiveram várias baixas. Circe e Anfitrite usavam os próprios poderes contra os semideuses, usando da magia para dificultar o contra-ataque. No meio de toda essa algazarra estava Alice, observando tudo sem poder fazer nada, o que não era de todo ruim, já que esta não sabia realmente o que fazer e quem ajudar. Do outro lado da área de chalés, Percy enfrentava mais de dez telquines ao mesmo tempo, não muito longe dele Julia tinha problemas com dois ciclopes, Laurin e Isabelle tentavam se defender dos golpes insistentes de uma Dracaena sem muito sucesso, enquanto Anfitrite lançava explosões na direção deles. Os filhos de Apolo e as caçadoras de Ártemis conseguiram um modo de subir nos telhados dos chalés, de lá eles tinham uma melhor visão e mais espaço para atacar o inimigo por cima, Thalia estava no comando deles.  

-Isso é loucura. -Sussurrou a ruiva para si mesma, passando as mãos pelo cabelo com aflição.  

Foi então que ela escutou, o grito foi alto o suficiente para soar por cima dos outros sons, era possível sentir a dor de quem tinha gritado apenas por ouvir. Alice buscou freneticamente pelo campo, tentando descobrir de onde vinha o som, embora ela já soubesse de quem era, só tinha medo da verdade. Atirada ao chão, tentando se arrastar para longe de um enorme ciclope, Julia parecia ter torcido o pé, talvez até mesmo quebrado. O monstro parecia achar aquilo divertido, pois caminhava na direção dela rindo. Foi naquele momento que a garota de lindos olhos turquesa-neon entendeu que ela não precisava daquilo, contanto que ela tivesse o amor daqueles que ama, ela ficaria bem. Sim, ela amava Julia, amava Percy, as garotas e estava até mesmo começando a amar certas Deusas, e ela sabia que se fizesse a coisa certa, eles a perdoariam e então seria como se nada tivesse acontecido. Alice sabia que podia viver com isso, só precisava ignorar certas coisas e tentar deixar o passado de lado, embora isso ela duvidasse que fosse conseguir. A ruiva olhou para cima, no seu lado esquerdo, examinando a feiticeira, torcendo para que ela seguisse seu conselho. O olhar das duas se encontraram, e Circe soube que não tinha mais volta, depois Alice se virou e correu.  

-Ei, feioso! -Gritou a ruiva enquanto corria em direção ao ciclope.  

Este nem teve tempo de se virar, pois a garota se jogou em suas costas enquanto agarrava seu pescoço com um braço só. Em um movimento rápido, que já estava se tornando rotineiro para a ruiva, ela transformou o anel em uma adaga de bronze celestial e cravou no único olho da criatura, não demorou muito para que o ciclope se transformasse em pó. Ela caiu de pé em frente a Julia que a olhava perplexa, Alice estendeu a mão para ela e esperou.  

-Você realmente achou que eu fosse ficar ao lado daquela piranha? -Perguntou a ruiva, com um sorriso de canto querendo brincar em seus lábios. -Por favor, só... me desculpa?  

Julia revirou os olhos e fez uma careta, mas pegou a mão da ruiva que a ajudou a levantar. As duas ficaram se olhando por alguns segundos, depois se abraçaram fortemente.  

-No momento eu não me importo com seus motivos, mas você me deve muitas explicações. -Declarou Julia, agarrando a cintura da ruiva. -Mas agora, temos uma guerra para ganhar.  

A morena mal terminou de dizer isso quando uma bola verde de energia atingiu o solo a poucos centímetros delas, jogando-as para o lado pelo ar. Alice ignorou a dor e se levantou, ajudou Julia a se levantar novamente e partiu para a luta. Com uma espada de quinze centímetros em punho, ela atacava do melhor jeito que conseguia os monstros que se colocavam em seu caminho. Como não tinha muito treinamento, ela simplesmente inventava os golpes, o que gerou diversos cortes pelo seu corpo, onde não estava sendo protegida pelo peitoral de bronze celestial. Ela perdeu a conta de quantas vezes teve de desviar da espada ou da lança de um semideus, gritando para eles que estava do lado deles, alguns pareciam ter dificuldade para entender, mas acabavam aceitando depois de vê-la matar um ou dois monstros. Em um desses encontros, ela deu de cara com Percy, e o mundo pareceu parar quando os olhares de ambos se encontraram.  

-Eu... -Ela começou, mas o garoto não a deixou terminar, puxando-a para uma abraço apertado. -Desculpe! Prometo que há uma explicação!  

-Eu imagino qual seja, mas no momento não me importo. -Declarou ele, soltando ela para se defender do ataque de um ciclope que vinha da esquerda. -Preciso da sua ajuda para dar um fim nisso, Alice! Qual o ponto fraco do exército dela?  

Alice olhou em volta, procurando por uma resposta que ela não tinha, mas tudo o que encontrou foram mais monstros chegando. Ela observou os semideuses os recebendo com bons ataques, liquidando com a maioria, e teria continuado assim se Anfitrite e Circe não os tivesse atacado com magia. Foi então que ela percebeu, elas eram o problema. Os campistas poderiam dar conta do exército, caso as duas Deusas não estivessem os atacando freneticamente.  

-Precisamos distraí-las. -Murmurou a garota, fixando o olhar no chão enquanto diversas coisas passavam pela mente dela.  

-O quê? -Perguntou Percy, puxando-a para longe de uma bola de fogo roxa jogada por Circe.  

-Os campistas podem dar conta do exército se as distrairmos! -Explicou ela, desviando de uma flecha jogada por um centauro. -Elas são o problema maior.  

Antes que um deles pudesse falar qualquer coisa, dois ciclopes vieram correndo em direção à eles lado a lado. Alice olhou para Percy que se abaixou e juntou as mãos como um apoio, quando a ruiva achou ser a hora certa, ela colocou o pé ali e Percy a impulsionou para cima. Em um movimento rápido, a espada virou lança de duas pontas, Alice girou no ar e acertou uma ponta na cabeça de cada um deles, caindo entre os dois que logo se transformaram em pó.  

-Certo. Então, o que vamos fazer? -Perguntou o garoto assim que a ruiva se aproximou novamente.  

-Você, nada. Apenas volte a lutar. Fique de olhos nas garotas para mim, por favor? -Pediu ela, torcendo para que o irmão não discordasse.  

-Mas, Alice... -Ele se interrompeu quando viu expressão de pidona no rosto da irmã, então ele soube que quando ela fizesse aquilo, nunca conseguiria lhe negar nada. -Tudo bem. Só tome cuidado, ok?  

Ela sorriu sem graça, vendo o irmão dar meia volta e se afastar.  

-Percy? -Chamou ela, vendo-o transformar um telquine em pó e depois se virar. -Eu te amo.  

-Eu também te amo, Alice. -Falou ele, sorrindo de leve.  

Depois a garota correu para perto da fogueira de Héstia, onde estava o chalé de Hécate e Íris protegendo lado a lado o local, impedindo que qualquer um se aproximasse. Alice parou não muito longe deles e se concentrou, transformando a lança em um arco e o outro anel virou automaticamente uma aljava, atravessada em seu tronco. Mal sabia Percy que ele deveria ter contestado o pedido da irmã, ela estava decidida a fazer o que fosse preciso.  

-Eu fiz isso, eu conserto. -Murmurou a garota para si mesma, levantando o arco e colocando uma flecha na haste.  

Ela mirou a flecha em Anfitrite, e torceu para que ela fosse o suficiente para dar tempo aos semideuses. Ela soltou o fio e viu o pequeno pedaço de madeira voar em direção à testa da Nereida, mas a esperança de acertar durou pouco, pois no último minuto a mulher desviou o objeto com a mão e seu olhar se fixou na garota. Em um movimento rápido, Anfitrite pulou para o chão e fez sinal para que Circe fizesse o mesmo. Lado a lado, as duas começaram a caminhar em direção à ruiva, e esta andava em direção à elas.  

-Você deveria tê-la matado quando teve a chance! -Esbravejou Anfitrite enquanto se dirigia até a garota. -Mas tudo bem, agora poderei matá-la na frente daquela Deusa que ela chama de mãe.  

Circe se encolheu enquanto andava, torcendo para que a ruiva soubesse o que estava fazendo, ou que pelo menos tivesse o bom senso de fugir. Para infelicidade de todos, Alice começou a correr com a lança de duas pontas em punho, pulando e girando no ar ao tentar acertar as duas ao mesmo tempo. Ambas desviaram sem dificuldade, parando uma de cada lado da garota, que pousou em pé com a lança em mãos apontando para ambas.  

-Espero que sua mãe esteja vendo, bastarda. -Declarou Anfitrite, segurando com mais firmeza o tridente. -Não quero que ela perca nada. 

Mal sabia ela que não muito longe dali, no Olimpo, tanto os Deuses menores quanto os olimpianos assistiam a tudo. 

Alice não esperou que ela dissesse mais nada, e atacou.  

 

 

Julia: 

 

Eu estava fora da luta, Percy tinha me puxado para a varando do chalé seis depois de examinar meu tornozelo, agora quebrado. A coruja de Atena no topo da construção era minha única companhia, com exceção de alguns telquines que vinham me atacar de vez em quando. No momento, minha total atenção estava na loucura que Alice fazia. Ela lutava contra Circe e Anfitrite ao mesmo tempo, duas Deusas que apesar de não serem muito conhecidas, eram mais forte que qualquer semideus ali. Tirando os filhos dos três grandes, provavelmente. Tudo bem, Alice também era forte, mas no momento ela não tinha habilidade nem poderes para isso. Tive de me defender de um outro telquine, o que me fez parar de prestar atenção nelas e, quando olhei novamente, Alice tinha sido jogada no ar em direção ao chalé de Ares. Ela bateu com força na parede da construção e depois caiu, rolando pelo arame farpado e perto das minas terrestres. O rosto dela se contorceu de dor e pude ver sangue escorrer de diversos cortes diferente pelos braços e rosto. Ela se levantou com dificuldade e respirou fundo, apenas para fazer outra careta, como se respirar fosse difícil.  

Anfitrite andava para perto dela, enquanto Circe se mantinha estática no lugar, ela a pegou pelo longo cabelo vermelho-vivo e começou a arrastá-la de volta para perto da feiticeira. Largando-a de qualquer jeito no chão, Anfitrite acertou um forte chute na barriga de Alice, jogando-a novamente alguns metros para trás, aos pés de Circe. Alice tentou se levantar novamente, conseguindo depois de muito esforço, a Nereida observava a tudo com uma falsa pena estampada no rosto. A ruiva se aproximou correndo, mancando, até ela, tentou cravar a espada em uma abertura na lateral de seu peitoral, mas Anfitrite defendeu com o tridente e girou no lugar, usando o impulso para jogá-la ainda mais longe. Alice foi parar depois da fogueira de Héstia, não muito atrás de onde Nathália lutava contra dois ciclopes. A garota praticamente cuspiu sangue puro, sua lança tinha ficado perto de Circe, e ela mal fazia menção de se levantar.  

Desviei minha atenção para a Deusa quando a vi pegar o arco de Apolo com Circe, ela deu uma rápida olhada em volta e engoliu em seco. Segui o seu olhar, somente nesse momento percebendo a quão pouco o exército dela tinha se resumido. Com Alice as distraindo, os campistas conseguiram se concentrar em acabar com os monstros, restando menos de cinquenta. Quando voltei a olhar para Anfitrite, ela puxava o fio do arco e mirava para cima, a flecha era feita de pura luz. Imaginei que ela estivesse mirando em Alice, mas quando vi a garota começar a se levantar desesperada eu vi que estava errada. Mesmo fraca, Alice correu em direção à Nathália que estava abaixada pegando flechas. Só tive tempo de ver Alice pular por cima dela e dar uma cambalhota, quando ficou de pé novamente, algo passou por ela e atingiu Nathália.  

Demorei a entender que Anfitrite tinha atirado, a flecha de luz tinha atravessado Alice no meio da barriga e acertado Nathália em cheio na testa. O grito de horror que saiu por minha garganta ao ver o sangue e os pedaços do cérebro da garota voar por todo o lado foi o suficiente para chamar a atenção de todos. Não sei quando Alice caiu no chão com força e Circe correu até ela desesperada, só percebi quando os campistas começaram a se reunir mais para perto da fogueira de Héstia. Levantei-me desajeitada e comecei a pular em um pé só até elas, pude ver de onde estava que Circe parecia falar com Alice, segurando a mão dela com firmeza. Pensei que estava sonhando quando vi lágrimas escorrerem pelo rosto da feiticeira, mas enquanto chegava mais perto notei que era verdade. Ouvi Percy gritar ao longe, Circe olhou desesperada em volta, percebendo a aproximação de todos os campistas, depois Alice pareceu sussurrar alguma coisa e ela agarrou algo no pescoço. Percy estava chegando perto quando ela desapareceu na névoa.  

-Alice! -Gritou ele, tínhamos chegado ao mesmo tempo.  

Sangue escorria da boca dela, seu peitoral estava com um buraco enorme na barriga e litros de sangue pareciam escorrer dali, inundando todo o chão a sua volta. Annabeth não demorou a se reunir a nós, mas não se abaixou.  

-Anfitrite fugiu. -Declarou ela, mas Percy parecia não prestar atenção.  

-Liz, por favor! -Choraminguei, ajoelhando-me perto de sua cabeça e a colocando em minhas coxas.  

Ela pareceu tentar dizer algo, mas mais sangue escorreu de sua boca. Em segundos as outras garotas estavam ajoelhadas em volta dela, algumas chorando e outras em um estado de choque grande demais para isso.  

-Des... culpe. -Sussurrou ela, tendo dificuldades para manter os olhos abertos.  

-Néctar! -Berrou Percy, olhando em volta desesperadamente, os olhos cheios de água que escorriam aos montes pelo rosto. -Annabeth, por favor!  

Ela não fez nada, ninguém fez, não havia como, Néctar nenhum funcionaria em uma ferida como aquela. Não sei quando aconteceu, só senti braços fortes tomarem o corpo de Alice de mim, e em seguida Atena estava com ela nos braços. Quando olhei em volta sem entender, vi que a maioria dos Deuses estava ali. Íris estava agarrada à Hécate, havia lágrimas em seus olhos. Afrodite chegava a soluçar de tanto chorar, Perséfone estava abraçada à ela também soluçando. Poseidon estava ao lado de Atena, abraçando ela e a filha de um jeito desengonçado, enquanto permitia que as lágrimas caíssem por suas bochechas. 

-Vocês precisam sair daqui. -Escutei Zeus ordenar, surgindo de repente.  

Foi nesse momento que meu cérebro voltou a funcionar de verdade, pude ver as lágrimas de Atena ficarem mais constantes e ela virar o rosto para o pai.  

-Eu não vou sair daqui. -Declarou ela, Zeus parecia querer discutir. -Ela é minha filha!  

O grito dela foi o suficiente para fazer todos se calarem. E eu permiti que meus olhos derrubassem as lágrimas que não notei estar segurando. Senti braços ao meu redor, era Laurin também chorando. Isabelle estava entre Alice e Nathália, chorando por ambas.  

Nós estávamos ali, na área de chalés que tinha se tornado nosso campo de batalha, e a filha de Poseidon e Atena se encontrava morta nos braços dos pais. 


Notas Finais


Só digo uma coisa: NÃO ME MATEM!!!!

Próximo capítulo é o último!!! (da primeira fase)
AMO VOCÊS!!!! AMO QUANDO VOCÊS COMENTAM, BOLINHOS!!!! AMO OS COMENTÁRIOS DE VOCÊS!!! SÃO OS MELHORES!!!! AMO MUITOOOOOO!!! (RUMO AOS 150 FAVORITOS)


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...