História All for your Blood - Capítulo 81


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Categorias Diabolik Lovers
Personagens Ayato Sakamaki, Azusa Mukami, Beatrix, Carla Tsukinami, Christa, Cordelia, Kanato Sakamaki, Kou Mukami, Laito Sakamaki, Personagens Originais, Reiji Sakamaki, Ruki Mukami, Shin Tsukinami, Shu Sakamaki, Subaru Sakamaki, Tougo Sakamaki "Karlheinz", Yuma Mukami
Tags Abandono, Amizade, Amnésia, Amor, Anemia, Anorexia, Ayato, Ayato Sakamaki, Caçadores, Colegial, Comedia Romantica, Contos De Fadas, Depressão, Desejo, Diabolik Lovers, Diabolik Lovers Lost Eden, Doenças, Drama, Espada, Família, Harém Inverso, Kanato, Kanato Sakamaki, Karla, Karla Tsukinami, Kino, Kino Sakamaki, Laito, Laito Sakamaki, Morte, Mukami, Ódio, Pedido, Reiji, Reiji Sakamaki, Romance, Sadomasoquismo, Sakamaki, Shin, Shin Tsukinami, Shoujo, Shu, Shu Sakamaki, Shuu, Shuu Sakamaki, Sobrenatural, Sonhos, Subaru, Subaru Sakamaki, Treta, Tsukinami, Vampiros, Vingança
Exibições 859
Palavras 7.051
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Colegial, Comédia, Crossover, Ecchi, Escolar, Famí­lia, Fantasia, Ficção, Harem, Hentai, Luta, Mistério, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Sobrenatural, Suspense, Violência, Visual Novel
Avisos: Adultério, Álcool, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Spoilers, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


"Shh... It's Okay." ~ Ayume Yoshida

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Esse é um capítulo mais longo por ser um especial, mas se você só tiver interessado na história em si, fique a vontade para pular esse capítulo!

Obrigada por proporcionarem para mim a oportunidade de escrever uma Fanfic para mais de 700 pessoas!
Sério! Obrigada mesmo!


Boa leitura!! ^-^

Capítulo 81 - Special.: Happy, Sad and Suicidal


Fanfic / Fanfiction All for your Blood - Capítulo 81 - Special.: Happy, Sad and Suicidal

** ~ All for your Blood – Capítulo Especial ~ **

 

Part one.: Depression

 

ON.: Ayume

 

Tudo vai ficar bem... Foi o que sempre disseram, e é o que eu mais odeio ouvir.

Batia o pé no chão várias e várias vezes, as batidas de meu coturno no chão eram simultâneas do ponteiro de segundos do relógio.

Tudo vai ficar bem... Tudo vai ficar bem...

Ri fraco enquanto o homem a minha frente que se dizia ser psicólogo acabava meu diagnóstico.

Nunca nada ficou bem, não existe uma frase menos motivadora que essa?

- Eu estou cansada. – comentei.

O mesmo ergueu o olhar em minha direção acabando algumas anotações.

- Toma algum medicamento? – perguntou se levantando de sua cadeira.

Revirei os olhos já entediada desse dialogo forçado.

- Tomo. Antidepressivos. – respondi.

- Hm... – folheou suas anotações um pouco – Você não anda tomando?

Neguei com a cabeça um pouco e logo me encolhi na poltrona que estava, colocando meus braços a frente de meu corpo.

- Sabe que na sua situação não pode fazer isso, né? – indagou – Teremos que aumentar sua dose.

- Eu não preciso disso. – disse sentindo meus olhos marejarem – Eu não sou louca.

- Depressão não é loucura, Ayume. – disse puxando um banquinho a minha frente e logo tentando olhar em meus olhos, que escondia olhando para baixo – Você sabe em que estado está, não sabe?

Senti uma lágrima escorrendo pelo meu rosto, pingando de meu queixo em minha coxa.

- E- Eu estou bem. – falei com um sorriso em meus lábios enquanto sentia as lágrimas descerem pelo meu rosto.

- Não, você não está, e antes de tudo, para você melhorar disso, tem que aceitar isso em você. – apontou para minha direção – Ayume você tem depressão, você precisa, necessita, de tratamento.

Neguei novamente com a cabeça agarrando com força meu pulso esquerdo.

Passei a unha com força sobre minha pele sentindo a ardência do momento. Mordia com força meu lábio inferior sentindo o amargo gosto de meu sangue.

Colocou sua mão por cima da minha direita, que arranhava meu pulso incontrolavelmente, puxou-a para o lado colocando-a por cima de minha coxa, se afastando de meu pulso.

- Vamos fazer um combinado? – perguntou colocando com calma sua mão em meu rosto e o levantando para sua direção – Tome os remédios direito e posso garantir uma melhora rápida.

Meu pulso estava repleto de marcas avermelhadas de minha unha, alguns sangrando um pouco e outros apenas marcados.

- A dor psicológica só se resolve com a dor física. – disse com os lábios trêmulos.

- Não é assim. – disse ele se levantando e pegando um copo descartável e o enchendo de água, deu um suspiro e voltou a minha direção – Sua depressão, o motivo dela, está perdido em sua amnesia, isso dificulta muito a terapia e você sabe, contanto que vem convivendo com isso a anos pelo o que li. – entregou o copo para mim – Mas gostaria de fazer uma pergunta.

Assenti com o silencio segurando com as duas mãos o copo de água e dando um gole.

- Já pensou em suicídio? – perguntou.

Parei qualquer movimento que estava fazendo, apenas pude sentir a água passando pela minha garganta. Abaixei a cabeça com minha franja caindo em cima de meus olhos e me coloquei a falar.

- Todos os dias. Toda hora. Ela me diz isso. Ela me diz para que acabe com as outras. – disse tremula sentindo as lágrimas cada vez mais escorrerem.

- Ela quem? – perguntou percebendo que estava chegando em algum lugar.

Me calei por um momento e direcionei o olhar para o psicólogo.

- Quem, Ayume?

Sinalizei para que viesse mais perto de mim, o que ele fez, e logo cochichei bem baixo em seu ouvido para que ela não escutasse.

- A outra eu. - o soltei.

- E o que ela diz? – perguntou.

- “Você é inútil” – comecei a copiar as frases que sempre me dizia – “Ninguém precisa de você” “Vamos pegue aquela faca e acabe logo com sua infeliz existência” “Você é um encosto na vida de todos”.

- Ela está sempre com você? – perguntou novamente.

Direcione meu dedo indicador a minha cabeça.

- Shh... – direcionei o mesmo dedo em meus lábios – Ela está ouvindo.

- Ela está ai? – continuava a me questionar.

Assenti com a cabeça.

- E o que ela está dizendo?

- “Apenas diga que está tudo bem.” – repeti suas palavras com um breve sorriso nos lábios – Eu estou bem.

 

ON.: Narrador

 

- Deve ter sido complicada essa sessão para você. – sorriu gentilmente o homem enquanto a morena ainda chorava incontrolavelmente – Deite e descanse um pouco. Se acalme enquanto direi aos seus amigos o que consegui analisar.

Arregalou os olhos.

- N- Não! – gaguejou pelo choro – Não diga tudo a eles! Por favor!

Aquele sorriso gentil se fez novamente em seu rosto depois de expressão surpresa quando ela manifestou.

- Claro. – disse – “Ela” é um segredo nosso, e vamos tira-la de perto de você o mais rápido possível.

Se acalmou um pouco ouvindo essas palavras.

- Mas para isso tem que tomar seus remédios, e é nisso que vou comunicar seus amigos para auxiliarem você nesse tempo. – abriu a porta – Agora deite e relaxe, quando acabar, estarei te chamando.

Assentiu a garota se deitando na poltrona, regulando sua respiração.

O homem saiu, a deixando sozinha. Ele era velho e gordo, ele tinha cabelo escuro e um sorriso calmo e cativante.

- E então? – perguntou Hayato para o médico.

Ele deu um suspiro um pouco fraco, e logo os outros seis irmãos que aguardaram esse tempo todo na sala de espera se juntaram.

- Ela está em uma situação seria... – começou a fazer pequenas anotações no papel que estava em sua mão – Se não tomar regularmente os remédios, só tende a piorar.

- O que está, exatamente, acontecendo com ela? – perguntou ainda muito preocupado seu irmão mais velho.

- Hm... – pensou um pouco antes de falar – Sabem o quanto é complicado entender o motivo da depressão de alguém que tem amnesia... Mas digamos que, seria como uma crise existencial.

Uma revirada de olhos vinha de Kanato.

- Se você realmente se importa é bom não tratar algo serio assim. – o psicólogo disse fitando Kanato – Ela tende a cometer suicídio se continuar só a piorar.

O mesmo engoliu um pouco seco depois de ser “peitado” assim, a frente de todos.

- Suicídio? – perguntou Subaru.

- A depressão que ela está sentindo está muito mais forte que realmente seria “aceitável”. – continuou o homem – É algo preocupante. Qual de vocês é o principal responsável por ela?

- Pode ser eu... – comentou Hayato.

- Eu. – Shuu o interrompeu.

- Bom, tanto faz. – o psicólogo deu o papel para o loiro – Os remédios dela continuam sendo os mesmos, mas eles aumentaram em 10ml. Ela está na sala... Podem ir busca-la.

Todos assentiram em silencio, vendo o medico indo falar com sua secretária enquanto Shuu adentrava no quarto onde a garota praticamente estava desmaiada de sono, com pequenas manchas de suas lágrimas em seu rosto.

 

                *             ~             *

 

A mesma já estava deitada para dormir. Estava com aquela sua mesma camisa branca mal abotoada até o quarto botão abraçada com o Pastor Alemão que agora havia nomeado de Snow Black.

Ela não dormia sozinha, mas ela não estava sozinha com o cachorro ao seu lado...

Um breve e simples sorriso em seu rosto se desfez no momento em que fechou os olhos e caiu ao sono.

Com pequenos fios castanhos de seu longo cabelo caindo por seus lábios, foi assim que acabou dormindo.

Todos os outros já estavam, cada um, deitado em seu próprio quarto para dormir, mas uma única frase não os deixava descansar em paz.

 

“Ela tende a cometer suicídio se continuar só a piorar.”.

 

O par de olhos azuis, pela primeira vez não se fechavam, se recusavam a dormir enquanto aquelas palavras infelizes latejavam em sua cabeça.

Os olhos violetas não conseguiam desviar a atenção do novo Teddy confeccionado pela garota.

Ajeitou a chave que usava no pescoço como colar logo depois de colocar uma camisa decidido a ir para o quarto da morena.

A angustia de apenas estar pensando na garota irritante e sem modos que mora com ele, passou pela mesa ao centro de seu quarto onde tinha algumas xícaras de chá bem detalhadas.

Bagunçou seu cabelo castanho com reflexos castanhos deixando algumas mechas caindo por seu rosto enquanto andava em direção a porta de seu quarto.

O ruivo continuava a andar com as mãos na calça de seu pijama pelo corredor, indo em direção do quarto de sua amiga.

A mão do moreno se fixou a maçaneta do quarto de sua tão querida irmãzinha, onde seus olhos azuis encararam a madeira escura da porta que logo se abriu.

Enquanto Hayato entrava no quarto dela, chegou seus outros irmãos, todos com uma mesma preocupação em comum.

Todos se depararam com a situação que mais queriam e menos esperavam.

A garota em um sono pesado. Exausta. Abraçada com o Pastor Alemão ao seu lado.

- Ela está bem... – Ayato deu um sorriso aliviado se apoiando na escrivaninha do quarto de Ayume.

Shuu parecia ter se aliviado muito mais depois de ver com seus próprios olhos a garota apenas dormindo, como sempre, do que seus pensamentos tentando o fazer acreditar dessa ideia.

Reiji ainda encarava a garota com desprezo por tê-lo feito se preocupar de ir até seu quarto.

- Vocês também não estavam conseguindo dormir? – perguntou o albino ajeitando sua blusa que havia colocado rapidamente pelo desespero que foi causado por imagens fictícias que o preocuparam muito.

Kanato revirou os olhos bufando baixo e logo se direcionando até a porta.

- Admito que não estou tão calmo quanto desejava... – comentou Hayato.

Laito se aproximou um pouco da cama da garota a fitando um pouco mais de perto.

Shuu apenas o olhava de longe o que seu irmão mais novo se atreveria a fazer com Ayume bem na sua frente, fingindo que não se importava com o que estava acontecendo.

O ruivo direcionou a mão na direção de Ayume, que dormia calmamente em seu quarto.

- Olha você pode fazer o favor de tirar a mão dela? – perguntou o loiro se aproximando para peitar Laito.

- Uhhh Treta. – Ayato disse rindo.

Os olhos esverdeados do ruivo se fixavam na morena como se estivesse a analisando.

- O que é que você não ouviu? – perguntou Shuu puxando sua mão para longe de Ayume – Não encoste nela.

Um olhar de preocupação veio do ruivo para o loiro.

- Ela está bem mais pálida que o normal... – disse ele puxando sua mão da de Shuu voltando a tentar encostar em Ayume para medir sua temperatura.

Shuu se afastou um pouco, vendo o que é que aconteceria.

No momento em que Laito colocou a mão por cima da testa da morena, sua mão passou por ela, como se ele não tivesse matéria física. Como se seu corpo fosse apenas um espirito.

- QUE?! – gritou o mesmo.

- Não grita infeliz! – Hayato pisou no pé do mesmo – Ela está dormindo!

- EU SOU UM FANTASMA! – o mesmo começou a meter o louco.

- Que idiotice. – Kanato disse se aproximando e indo conferir com seus olhos a realidade.

Tentou segurar o braço de Ayume, mas apenas passou por ele, como se seu corpo fosse apenas uma projeção.

- É... – disse ele se virando pros seus irmãos – Deu merda. – ergueu seus braços como quem diz “Fazer o que?”.

Todos, obviamente, precisaram tirar suas próprias conclusões, tentando inutilmente encostar no corpo da morena, mas todas as tentativas fracassadas.

- Nós... Morremos?! – perguntou Ayato completamente perplexo.

- Essa menina só nos deu problema... – resmungou Reiji – Quando é que outra noiva de sacrifício nos deu tanto trabalho?!

Shuu se sentou a beira da cama, ficando ao lado de Ayume, enquanto tentava tocar ainda em seu cabelo.

A mesma começou a soar frio, fazendo algumas expressões faceais como se estivesse sofrendo muito. Seus resmungos eram dificilmente entendidos pelos vampiros.

Todos olhavam atenciosamente para a menina, ela tremia de frio, mudava rapidamente o rosto de um lado para outro como se tentasse impedir algo que era inevitável.

- E- Ela está sofrendo...? – perguntou meio gaguejado Subaru.

- Ayume...! – chamou Hayato – Acorda, Ayume! Acorda!

Mais uma tentativa falha.

O loiro apenas encarava a situação como se não fosse real, como se aquilo não tivesse acontecendo. Ela estava diante de seus olhos, e nem se quer conseguia o ouvir, e de jeito algum poderia a tocar.

Todos os movimentos dela pararam, apenas com seus lábios se movimentando lentamente.

“Ela... Está aqui.” Dublou com seus lábios pequenos e vermelhinhos.

- Ela...? – perguntou Shuu.

Ayume de uma hora para outra simplesmente abriu seus olhos, tendo aquelas lindas pérolas azuladas iluminadas pela luz da lua.

Levantou-se lentamente da cama, de um jeito como se fosse... Obrigada.

- Ayume, me ouve. – pediu Shuu se levantando logo atrás dela – Para de andar! – pediu logo vendo um espelho a sua frente, e sabendo que... Se não pode encostar nela, não poderia também no espelho – Ayume, PARA! – gritou em sua orelha.

Tentou a segurar por trás, mas seus braços passaram pelo corpo da mesma, não tendo adiantado em nada.

Kanato apenas virou o rosto para o lado, ouvindo o barulho do vidro se estraçalhando. Pedaços e mais pedaços pequeno e finos se espalharam pelo chão junto do sangue da morena. Seu pé todo cortado, com alguns cacos de vidro a cada passo adentrando mais em sua carne.

- AYUME, PARA! – gritou Hayato se aproximando da irmã.

A garota parou no momento, se virando para eles, com um olhar frio, sem sentimentos e sem brilho, para os sete vampiros. Levantou seu braço lentamente, deixando-o esticado para a direção de um espelho maior como se quisesse indicar algo para os mesmos.

Em um breve movimento de mudança da direção do olhar, a garota não estava mais na frente deles, e estava sim sentada, com as pernas cruzadas como um índio, com o cachorro adormecido ao colo.

Seu rosto não emitia expressão alguma, apenas acariciava o Pastor Alemão.

- O espelho...? – perguntou Reiji – O que tem ele?

O albino foi se aproximando lentamente do espelho, procurando algo além de seu reflexo no mesmo.

Apareceu o que esperava. O reflexo da garota, vestida do mesmo jeito, mas com uma mordaça negra na boca que sangrava um pouco. A mesma acenava com uma expressão alegre para ele.

Subaru se virou para trás rapidamente procurando pela garota que tinha a reflexo no espelho, mas não tinha mais ninguém.

- O que...?! – perguntou – O que está acontecendo aqui?!

- Ela deve estar irritada e está zombando da gente. – reclamou Reiji.

Subaru, desatento, acabou apoiando-se rente ao espelho, na escrivaninha, assim como antes Ayato havia feito.

A garota agora havia sumido. O cachorro continuava lá. Acordado. Olhando exatamente para a direção do espelho completamente calado.

O mesmo se levantou da cama em uma questão de segundos, latindo histericamente na direção do albino.

O albino se assustou, mas já era um pouco tarde demais.

As duas mãos finas e delicadas da morena, repletas de sangue mancharam a camisa branca do próprio, como se estivesse o abraçando por trás.

- Vem. – disse a garota que havia saído do espelho naquele mesmo instante o puxando não com muita força.

E assim, sem muito ter impedido a garota, acabou entrando com ela para dentro do espelho e logo sumindo.

- Venham vocês também. – uma voz atrás dos garotos ecoou pelo quarto.

A morena dessa vez estava sentada balançando suas pernas em cima da uma das prateleiras acima de sua cabeça.

- Vai ser divertido! – a mesma sorriu, com a mordaça amarrada em seu pescoço –  Eu garanto!

 

 ** ~ Continua.... ~ **

 

** ~ All for your Blood – Capítulo Especial ~ **

Part two.: Hot feelings  

 

ON.: Narrador

 

Depois de entrarem naquele espelho, era como se… Aquele antigo mundo em que antes estavam não existia.

Era um lugar estranho. Um pouco sem cor. Com alguns feixes de luzes passando por cima de nuvens acima de suas cabeças, e por sinal, também pisavam em nuvens escuras. Algumas bolhas que tinham um pequeno reflexo colorido voavam para cima, eram enormes e o único colorido que se tinha por lá além deles mesmos. Um lugar claro e ao mesmo tempo escuro, com destaque nas cores branco e preto, onde tudo praticamente era tudo cinza.

Uma risada meiga veio logo atrás deles.

- Hihih! – ouviram novamente e novamente.

Era como se uma criança estivesse correndo de um lado para o outro como se fosse ou retardada mental, ou muito pequena.

- Vamos brincar! Vamos brincar! Vamos brincar! – gritou descontroladamente uma criança correndo de um lado para o outro.

A garotinha agarrou com força na blusa de Ayato se pendurando na mesma.

- Vamos, vamos! – continuava insistindo.

Ela tinha longos cabelos castanhos escuros, quase negros, com duas pequenas tranças na frente, com um pouco de sua franja caindo no olho. Tinha alguns machucados pela perna, um short curto preto, uma regata laranja listrada com um suéter rosa por cima. Apenas uma de suas meias eram longas, alcançavam até sua coxa, e a outra curta, e usava um all star preto de cano curto.

- Yo! Yo! Yo! – dizia a garota que não aparentava ter muito mais de 7 anos energizada – Vamos brincar do que?!

- ALGUÉM TIRA ESSE BICHO DE MIM! – gritava Ayato enquanto a garota o escalava pelas costas.

- Me chamo Infantil! – sorriu a mesma logo que chegou em seu pescoço segurando em seu cabelo com força – E você é meu cavalinho!

- Hunff~ Hunff~ - ofegava mais uma se aproximando – Nhaa...  E tô tão cansadinha... – disse a mesma com as bochechas todas coradas de tanto correr – Infantil sempre me deixa pra trás. – dizia a menininha chorosa.

- Que caralhos está acontecendo aqui? – perguntou Kanato olhando para duas copias exatas de Ayume, só que mais novas.

A menorzinha tinha mais bochechas, era gordinha, cabelo liso e da mesma cor da outra, um vestidinho longo branco que um olhar carente.

- C- Colo... – a mesma estendeu os bracinhos para Subaru logo a sua frente.

- E- Então...? – o mesmo acabou cedendo o colo pela fofura que a menininha exalava – O que é...? Quem é isso?

A garotinha segurou o dedo mindinho do albino e aproximou de sua bochecha enquanto bocejava de sono.

- PEGUEI! – gritou a outra garota que se autonomeou de Infantil – PEGUEI SEU CHAPÉU! AGORA É MEU!

Começou a correr em círculos fazendo com que o vampiro ficasse a perseguindo por um bom tempo. Colocou o chapéu por cima de seu rosto, e pela diferença de tamanho, acabou tampando toda sua visão.

- KYAH! – gritou a mesma após ser agarrada por Laito que a virou de cabeça pra baixo.

- Achou que iria correr pra sempre? – perguntou sorrindo o ruivo.

A garotinha ria muito enquanto era balançada de um lado para o outro pelo ruivo e a menorzinha continuava a brincar com a chave do colar de Subaru.

- Brilha... – mencionou a menininha observando a chave.

Logo direcionou a chave até a ponta de seu nariz e arrepiou inteira.

- Hihih geladinho! – disse referente a chave.

- Vocês duas! – ouviram uma outra voz se aproximando.

- Eu não quero nem ver. – Kanato disse se encolhendo no chão – Eu tô enlouquecendo. Eu tô enlouquecendo. Eu só quero um biscoito...

- Nha! – a garotinha pulou do colo de Subaru caindo no chão um pouco desgovernada e cambaleando pelos lados – Aqui! – disse a mesma entregando para ele um pote de biscoitos – Podemos dividir! – sentou a sua frente erguendo os biscoitos.

- EU DISSE PARA VOCÊS ME ESPERAREM E NÃO SAIREM CORRENDO POR AI! – gritou aquela mesma outra de antes, só que dessa vez mais próxima.

Ambas as garotinhas engoliram seco ao ouvir essa voz.

- VISH. – disse a Infantil indo para trás de Ayato e logo pulando no mesmo, tentando entrar por de baixo de sua blusa para se esconder.

Os olhos da menorzinha lacrimejaram ao ver a outra chegando.

- E- Eu... – disse ela gaguejando por um futuro choro – Eu só não queria ficar sozinha! – argumentou tremula.

O barulho de passos ecoavam até a direção da menorzinha, abaixando e logo a pegando no colo.

- A Infantil te deixou sozinha de novo, Fofa? – perguntou a outra garota.

Dessa vez era mais velha. Longos cabelos castanhos escuros, uma tiara negra na cabeça, olhos azuis e com uma roupa que dificilmente veríamos Ayume Yoshida. Uma saia preta e uma camisa social, perfeitamente bem vestida, com meias longas e detalhadas e um livro a sua outra mão.

A Infantil engoliu seco agarrada nas costas de Ayato.

- Vocês duas. – a mais velha parecia chicoteá-las com os olhos – Quantas vezes tenho que dizer para se controlarem? – colocou a menorzinha no chão.

- G- Gomen nasai, Onee-chan. – disse a menorzinha se encolhendo ao chão.

- Infantil... Venha aqui, agora. – se impôs.

Os sete irmãos continuavam a olhar aquilo um pouco desacreditando de toda aquela situação.

- Hahah... – disse a Infantil ficando ao lado da outra, coçando sua cabeça – Você por aqui...?

- Voxê é uma baka. – disse a menorzinha inflando as bochechas – Eu disse para não sairmos correndo.

- Blé! – mostrou a língua – Você que é chatinha.

Os olhos da mais velha pararam de acompanhar a briga insolente das duas e começou a encarar os sete vampiros logo a sua frente.

- Quem são vocês? – perguntou a única das três garotas que aparentava ter mais de 10 anos, talvez uns 18.

Os sete irmãos olhavam para aquela situação completamente assustados.

- Eu não queria nem uma Ayume – reclamou Kanato – E me aparecessem mais três. – mordeu o biscoito que a garotinha havia lhe dado.

- A Fofa lhe deu isso? -perguntou a mais alta.

O mesmo assentiu com a cabeça.

Um suspiro exausto veio da morena logo depois de se lembrar de pequenas palavras.

- Acho que descobri o que é que está acontecendo. – disse colocando a mais baixinha no chão e segurando com suas duas mãos seu livro – É... Como podemos explicar de um jeito simples?

- Apenas explique e nos diga como sair daqui. – pediu Reiji.

- Eles são perigosos, Onee? – perguntou a mais novinha segurando na parte de trás da saia da morena.

- Talvez animais silvestres... – comentou a Infantil – Olha para os dentes deles...

- E se continuar falando assim como se não estivéssemos ouvindo, esses dentes vão parar no seu pescoço. – logo Ayato apareceu atrás da Infantil que soltou um grito.

- Você fica quieto lá! – mandou a mais velha torcendo sua orelha.

- Ai! Ai! – reclamou o ruivo com bico voltando para seu lugar de antes – Entendi, compreendi.

- Bom... Tentarei ser breve... – sorriu a morena – Das duas a uma, ou vocês fumaram uma pedra muito grande de crack ou vocês, por algum motivo, entraram no subconsciente da Ayume.

- Que? – perguntaram.

- Eu acho que valeria mais apena cheirar a pedra de crack. – comentou Kanato e logo Reiji concordou.

- Enfim... – a garota revirou os olhos – Esse lugar não é material... É apenas o psicológico de uma garota que todos nomeiam de Ayume. Aqui vocês podem achar todas as emoções dela “materializadas” como pessoas. Hm... – ela se virou para as duas garotas – Essa, a menorzinha, é a Ayume Fofa, e essa do lado a Ayume Infantil... – suspirou – Mas como é embaraçoso demais sempre chamarmos de Ayume isso Ayume aquilo, apenas falamos a expressão que representamos, ou seja, essa é a Fofa e aquela a Infantil.

- Ohayo! – sorriu gentilmente a fofa com suas bochechinhas gordas.

- E ela – a Infantil apontou para a mais velha – É a chata!

A mesma revirou os olhos.

- Ignorem essa pirralha que só abre a boca para falar blasfêmias... – suspirou – Eu sou a responsável... Raramente eu me manifesto...

- Legal... E onde fica o setor das Ayume’s que seguem estranhos no meio de uma floresta só por curiosidade? – perguntou ironicamente Ayato.

- Perguntas idiotas não são respondidas. - respondeu a garota – Vocês duas... – olhou para as menininhas – Não me arrumem problemas e vão brincar.

- Bem que a Ayume poderia ser assim... – sorriu Reiji para a garota, sendo que a mesma deu um passo para trás.

Logo as duas crianças saindo correndo para brincar, logo a morena ajeitando sua tiara preta virou novamente para os sete irmãos.

- O que acham de um tour? – sorriu a mesma.

- Hahah... – riu ironicamente Subaru – Um tour na mente de uma pessoa? – zombou – Está falando serio?

 

                *             ~             *

 

- Sim, ela está falando serio. – respondeu Laito andando ao lado do albino.

Fazia um tempo que estavam andando pela mente da garota, mas nenhum deles realmente haviam de perguntado como e por que. O verdadeiro por que de estarem lá.

A mente da garota era um lugar abstrato. Era estranho e confuso. Não havia rumo também não havia saída.

Caminhando um pouco mais, chegaram a frente de uma grande porta vermelha.

- Entrem. – disse a Responsável com um olhar serio.

- O que é que tem ai...? – perguntou Hayato meio confuso pela forte música que vinha de lá de dentro.

- Uma emoção... Eu acho que ela poderia morrer, mas tudo bem... E nem é bem uma emoção, talvez mais uma característica. – disse a mesma colocando a mão por cima da maçaneta e logo a virando – Essa é a Pervertida.

Com a porta se abrindo, podia se ver um enorme lugar, uma festa. Varias luzes acendendo e apagando enquanto o lugar era escuro e lotado de gente.

Alguns barulhos de copos se batendo e logo resmungos de pessoas que acabaram de virar um copo de bebida garganta abaixo.

- Como eu odeio essa garota. – resmungou a Responsável.

- Então as emoções tem intrigas entre si? – perguntou Reiji se aproximando.

- Ahn? – perguntou confusa – Ah sim... Algumas. Conforme você pensa, sim. Mas não é possível aturar essa garota. – a Responsável continuava a varrer todo aquele local com os olhos procurando a outra garota – Ela é tão indecente e desleixada, parece que não sabe fazer nada direito.

- Você deveria ser Sinceridade. – comentou Ayato se aproximando da morena.

- Eu sei. – respondeu.

- Humildade também. – riu Laito.

Logo um barulho alto deu indicio de onde a garota estava.

A morena, denominada como Pervertida, foi presa contra uma das mesas daquela festa por um garoto muito mais velho que a mesma.

Com um breve sorriso nos lábios a mesma começou a desabotoar a camisa dele.

- Que deplorável. – resmungou a Responsável – Eu juro que somos a mesma pessoa, mas não temos o mesmo sangue. – ergueu os braços.

A mesma adentrou mais na festa, indo em direção da sua gemia idêntica, só que com roupas mais curtas e um sorriso nos lábios.

- Eita, eita! – riu a Pervertida no momento que a Responsável a agarrou pelo cabelo.

- Vem logo e me poupe de ficar nesse lugar. – resmungou – Vai que eu pego Aids só de respirar o mesmo ar de todos aqui...

A mesma garota que era arrastada pela sua copia, mandou um beijo para o homem, que já era um adulto, sendo que ela ainda era uma adolescente.

A Responsável empurrou a menina para fora da festa e logo fechou a porta.

- Que nojo. – reclamou.

- Quanto tempo não te via! – sorriu a Pervertida abraçando a  outra – Parece que anda me evitando!

- Eu ando mesmo. – respondeu.

- Que coisa, né não? – sorriu a mesma de um jeito cativante para os garotos – Quem são seus amiguinhos.

A Responsável parou para pensar um pouco.

- Eu não faço a mínima ideia. – deu de ombros a de tiara – Estou apresentando para eles todas as emoções.

- Por...? – perguntou indo em direção dos mesmos e logo ficando entre Laito e Subaru – Acha que eles...?

- Não. – respondeu.

Logo Laito passou a mão pela cintura da mesma que deu um breve sorriso ao ser puxada mais para a direção do ruivo.

A garota desceu sua mão para baixo da camisa dele, subindo devagar com seus quentes dedos pelas costas do mesmo.

- Poderíamos cada um ficar um pouco com a emoção que quer... O que acha? – perguntou Laito.

- Você solta ela. – mandou Hayato.

- Não precisa ficar com ciúmes... – riu Laito – Aqui o que menos falta é Ayume.

- Não é ciúmes, é bom senso. – respondeu o moreno.

- Não precisa pensar assim também... – Ayume Pervertida se soltou de Laito indo até a direção de Hayato, brincando com a gola de sua regata que era bem “cavada” – De três é ainda melhor... – sussurrou.

- Lamentável... – Reiji e a Responsável disseram ao mesmo tempo, ambos colocando a mão na testa enquanto se perguntavam o que estavam fazendo da vida.

- Yo! – ouviram uma outra voz se aproximando.

Uma voz alegre e sem desespero, logo uma garota se aproximava. Mais uma delas. Idêntica. Com um vestido longo branco, descalça e de cabelos soltos. Caminhava pelas nuvens cinzas que se clareavam por onde ela passavam.

- Sejam bem-vindos! – sorriu com a mesma intensidade.

- Essa é a Alegre... – falou a Responsável.

 

                *             ~             *

 

- Com qual intenção decidiu mostrar todo esse espaço para eles? – perguntou a Pervertida, ainda agarrada aos braços de Laito que nem parecia se importar muito com a aproximação.

- Nenhuma. – respondeu a Responsável.

- Será que algum deles...? – tentou perguntar a Alegre.

Todos pareciam estar bem fascinados com a ideia de estar na mente da garota que conviviam o tempo todo, menos um.

Shuu se mantinha muito calado. Não fala e não expressava nada. Apenas acompanhava tudo o que estava acontecendo com os olhos. A Responsável já havia notado isso. O loiro apenas marcava presença. Ele parecia estar procurando por algo determinado por ele mesmo.

- É quieto sempre assim...? – perguntou a Pervertida segurando em seu braço  - Já disse que amo loiros...? Inclusive de olhos azuis?

- Não estou disposto. – respondeu o mesmo se soltando da garota e indo um pouco ao lado.

Um breve riso veio da Responsável enquanto a Pervertida ficava ali, parada, sem saber como reagir.

- Eu fui... – perguntou – Eu fui dispensada?!

 

                *             ~             *

 

- Bom... Por aqui podemos encontrar várias espécies de Ayu. – concluiu a Responsável.

Olhando ao redor, realmente, no mínimo, haviam cinco Ayume’s diferentes, sem contar as outras que encontraram pelo caminho.

- Essas são as mais importantes! – sorriu a feliz – Lógico, incluindo a gente!

- Então tem classificação? – perguntou Hayato curioso.

- Sim. – respondeu a Responsável – Isso tudo ocorre por conta dos acontecimentos vividos por ela, a emoção cresce mais que as outras, se tornando mais importante.

Havia uma deitada no chão, toda encolhida, com algumas mechas de seu cabelo sobre o rosto.

- Essa é a Preguiçosa. – sorriu a Alegre de jeito cativante.

Passando uma por uma, acabaram conhecendo todas as principais emoções. Preguiçosa, Responsável, Pervertida, Alegre, Infantil, Fofa...

Andando meio despercebido, Kanato acabou trombando com uma das Ayume’s.

- Ai! – gritou a garota com um casaco longo branco e cachecol avermelhado.

- Desculpa... – se desculpou logo de primeira – Não estava olhando e...

- EU PERCEBI, PORRA! – gritou revoltada – JÁ PENSOU EM OLHAR PRA FRENTE ENQUANTO ANDA?! – logo a mesma batendo com o ombro nele e seguiu seu caminho.

- Essa é a Irritada. – disse cautelosamente a Responsável.

- Ela é uma fofa, né? – perguntou a Alegre com o mesmo sorriso de sempre.

- Orra... – resmungou Kanato – Fofa que nem um coice de mula.

- NÃO GOSTOU? ME PROCESSA, FOFO! – gritou a mesma de longe.

O mesmo deu um sorriso irônico.

- O que acontece se estrangularmos alguma emoção? – perguntou.

- E quem é aquela...? – perguntou Subaru olhando uma garota excluída, sentada no chão.

- Ah... Aquela? – perguntou a Pervertida – Não sei! – sorriu inocente.

Ela tinha longos cabelos negros, uma pele bem pálida, e seus pulsos com diversas cicatrizes. Uma calça jeans cinza e uma simples blusa branca, ela não demonstrava expressão alguma, apenas estava lá, sentada, com uma toca em seu cabeça e um headphone, ouvindo alguma música talvez.

- Ela nunca fala nada... - comentou a Alegre.

- Chamamos ela por... “Não chega perto”. – comentou a Responsável – Acho que o nome já diz o que devem fazer.

- Por...? – ainda questionava Subaru.

- A ultima emoção que foi falar com ela acabou tendo alguns danos. – sorriu a Alegre.

Todos se separaram, cada um ficando conversando como uma Ayume. Era como se a ideal deles estivessem lá. Os mesmos assuntos para a Responsável e Reiji, Laito e a Pervertida trocando algumas ideias com a língua, Subaru ficou brincando com a Infantil por um bom tempo, Kanato e a Irritada vendo quem xingava o outro com mais eficiência e êxito, Hayato cuidava momentaneamente da Fofa enquanto Ayato conversava com a Alegre como se sua amiga nem tivesse depressão, apenas os sorrisos e  risadas se encontravam.

Uma única pessoa que se mantinha afastado de tudo e todos, Shuu. Calado, olhando sorrateiramente ao seu redor.

- Ele não me ouviu. - logo uma mão tocou em seu ombro, fazendo com que se assustasse momentaneamente – Seu irmão decidiu falar com a “Não chegue perto”. – comentou a Responsável sobre Reiji.

- Falta uma emoção. – comentou Shuu.

- Duas. – respondeu ela – As mais fortes.

- Depressiva, né? – perguntou Shuu.

- Isso. – respondeu novamente – Imaginei que não quisessem vê-la.

- É a principal emoção de Ayume? – perguntou – Por que não mostrou?

- Todas nós temos uma única ordem, mesmo sendo a emoção mais forte, a Depressiva tem que ser omitida por todas as emoções. – comentou ela tremula.

- Algum problema? – perguntou o loiro.

A emoção simplesmente cambaleou um pouco caindo por cima de seu peito.

Shuu, olhando ao seu redor, poderia ver que não só aquela emoção sofreu isso, mas sim todas.

Um choro fraco vinha logo atrás de uma outra porta vermelha.

- Eu já volto. – disse ele soltando a Responsável nos braços de Reiji.

O mesmo andando até lá, a cada passo que dava e se afastava de seus irmãos, conseguia ouvir aquele choro mais alto, e com o tom da voz mais nítido de quem era.

- N- N- Não entre... – gaguejou a garota.

Ele já estava com a mão na maçaneta, e a virou, empurrando lentamente a porta.

Uma escuridão total, um simples breu, alguns barulhos de insetos voando pelo lugar, sendo que na verdade não havia nenhum, e uma completa solidão. Os três principais medos de Ayume em apenas um lugar.

Pela fresta da porta, um traço de luz seguiu até uma garota, sentada no chão.

Seus cabelos eram ondulados e castanho bem escuro, ela afundava seu rosto em suas mãos, suas roupas eram de uma garota de colegial normal.

- Não olhe para mim... – pediu ela – Por favor...

O mesmo foi se aproximando devagar, vendo a garota mais de perto.

Ela não era tão magra, ela na verdade era bem gorda. Tremia muito enquanto em seu rosto deslizava lágrimas e mais lágrimas.

- Você é a Depressiva, né? – perguntou o loiro se aproximando mais e mais da morena.

- N- Não se aproxime! – mandou a mesma indo para trás, se arrastando no chão – Todos que se aproximam se decepcionam! Eu sou um fracasso! Ninguém precisa de mim!

Shuu se ajoelhou a frente da morena, que dessa vez, por incrível que pareça era bem alta, talvez apenas um pouco menor que ele. Segurou em seus pulsos, onde conseguia sentir cortes recentes, escorrendo o sangue pelas suas mãos, e puxou o rosto da garota para cima.

Era outra pessoa, ninguém que visse ela conseguiria dizer que era Ayume.

Ela era feia. Usava um óculos como se fosse fundo de garrafa, e de seus olhos castanhos bem escuro, assim como seu cabelo, escorria lágrimas de uma dor profunda.

- Lógico que fazem bullying comigo! – gritou a mesma tremula enquanto o loiro ainda segurava seu rosto para cima – Eu também se fosse outra pessoa faria! Eu sou feia! Ridícula! Olhe bem para mim, como é que qualquer outra pessoa me trataria como humano e não um animal?!

As palavras eram fortes, o loiro sentia cada palavra que ela dizia. Para todos, o que ela falava, era uma completa besteira. Mas ele não, ele era o único dentre os sete irmãos que conseguia ver todos os sorrisos falsos da garota. Todas as mentiras de suas emoções para encobrir essa sua maior emoção.

- Eu te amo. – disse o mesmo segurando na nuca da garota.

Sem dar tempo da garota desmentir oque ele disse, roubou um beijo da mesma. Daquela garota feia e ridícula que nem se quer aparentava ser a mesma pessoa que sua namorada.

Sobrepôs seu corpo no dela, a deitando no chão enquanto ficava por cima da mesma. Empurrando o que estava do lado dela, um caco de vidro ensanguentado que usava para cortar sua pele.

- Quem está te obrigando a isso? – perguntou ele olhando nos olhos escuros da garota – Essa não é você.

Mais uma lágrima escorreu pelo rosto da morena.

- As risadas deles... M- Me irritam tanto! E- Ele! Ele também! Ele me da medo... Toda noite! Nunca mais dormi sozinha!

- Fala mais devagar. – pediu o loiro.

- E- Eu sou a principal emoção dela... Eu sou aquela que sempre vai estar junto a ela. As outras emoções são ilusões... Elas só existem para me encobrir. – disse com o olhar sem brilho.

- Nenhuma realmente existe? – perguntou Shuu.

- Talvez não. Talvez sim. Eu não sei! – gritou – S- Se eu morrer todas morrem! E por fim toda a desgraça acaba!

- Do que está falando? – perguntou um pouco aflito.

- Ela... Tem mais uma. – revelou – A emoção que compete comigo para ver qual é a mais importante... Se ela me matar... Todas as outras apenas viveram para encobrir aquela emoção. Ela nasceu por conta de meu desespero, de meus gritos, de meu ódio e de minha tristeza.

- E quem seria...? – perguntou.

A mesma arregalou os olhos por um momento, paralisando.

Segurou na lateral do rosto do garoto o puxando mais para perto.

- Shh... – disse ela – Ela está ouvindo.

- Ela está aqui? – continuava a questionar.

Assentiu com a cabeça se sentando ao chão em frente ao loiro.

- E o que ela está dizendo? – perguntou o loiro olhando ao redor.

- “Apenas diga que está tudo bem.” – repetiu suas palavras com os lábios trêmulos.

- Quem é ela? – perguntou Shuu segurando com força nos braços da garota.

- Ela é a Suicida... – disse a garota derramando um pouco de sangue pela boca – Ela é a que vai matar todas nós.

Atrás dela, uma outra, uma garota com a franja caída sobre os olhos e um sorriso nos lábios.

- Tudo fica bem, quando termina bem. – sorriu a Suicida deixando a garota caída nos braços de Shuu.

De uma hora para a outra, a garota sumiu, e os gritos das outras emoções poderiam ser ouvidos de longe, os gritos de seus irmãos para que aquilo parasse também eram ouvidos.

- Nunca... – disse o loiro – Nunca nada está bem quando ela diz que está bem. – concluiu com o corpo sem vida da emoção em seu colo, derramando uma lágrima no corpo dela.

O mesmo pegou nos braços dela, puxando até seu corpo enquanto chorava pela possível morte de quem ele amava logo depois daquela ultima emoção acabar aquela matança lá fora.

- Acorda... Por favor, acorda! – gritou o mesmo afundando o rosto no ombro da garota sem vida enquanto a abraçava – ACORDA, AGORA!

 

** ~ Continua... ~ **

 

 

** ~ All for your Blood – Capítulo Especial ~ **

 

Part three (final).: One second to life

 

 ON.: Narrador

 

Talvez um surto de histeria coletiva? Talvez.

Mas assim que o loiro abriu os olhos, ele estava lá, deitado na cama da morena, com o Pastor Alemão aos pés da cama.

Um breve suspiro veio dele, ainda de costas para a morena.

- Hey... Ayume? – chamou-a para ouvir sua voz e poder por fim se acalmar.

Esperou uns segundos, e a chamou novamente, afinal, ela nunca acordava de primeira.

- Ayume... Acorda... – virou-se para o lado da cama onde ela estava.

Ou melhor, onde deveria estar.

O lugar estava bagunçado, sim, como se ela estivesse ali antes, mas logo depois saiu.

- Ayume! – gritou o loiro se levantando da cama e logo acordando o cachorro ao pé da cama.

Desceu as escadas correndo, pela primeira vez, uma sensação horrível em seu coração era o que o governava no momento. Uma dor, um sentimento de perda e solidão.

O Pastor Alemão o seguiu por todo percurso até que por fim chegou ao salão principal, onde ainda não havia visto nenhum sinal da garota.

- Ayume! – uma voz veio logo atrás de Shuu – Cade ela?! – perguntou Ayato meio desesperado.

- Vocês viram aquela praga...? – perguntou Kanato se fazendo como se não se importasse, mas era nítido pelo seu estado ofegante de que havia corrido de seu quarto até aquele lugar.

Reiji também estava lá, na mesma situação dos outros.

Subaru e Hayato também chegaram correndo ao mesmo lugar, enquanto Laito apareceu diante de todos.

- Vocês também tiveram um sonho estranho? – perguntou o ruivo, o ultimo a chegar.

- Ela vai morrer. – disse Shuu ainda com a mesma sensação de angustia.

Um barulho de vidro se quebrando veio logo a frente deles, na cozinha, logo seguido por um gemido baixo de dor, um gemido fraco e feminino.

Não demorou muito para que todos corressem na direção do barulho.

- AYUME! – todos gritaram simultaneamente logo depois de abrirem a porta rapidamente.

A mesma estava ajoelhada no chão, com um grande pedaço de vidro quebrado nas mãos, ensanguentado, enquanto seu pulso estava cortado na direção vertical.

A mesma se levantou lentamente.

- Quebrei o copo... – disse com os cacos na mão – Desculpa...

- S- Seu braço! – disse exaltado, Hayato – O que você fez?!

- Eu só me cortei quando ele quebrou... – dizia calma – Um acidente.

- V- Você está bem?! – perguntou Shuu ainda preocupado se aproximando – Aconteceu alguma coisa?!

- Vim apenas tomar os remédios que o medico me indicou... – continuava serena –  Shh... Não precisam gritar... – sorriu ela, enquanto sua franja caia por cima de seus olhos deixando apenas ver seu sorriso – Está tudo bem. – sorriu a mesma enquanto uma gota de seu sangue pingava ao chão.

 

Talvez uma histeria coletiva?

Talvez uma premonição?

Talvez uma garota prestes a enlouquecer? Próxima de seu suicídio?

O que vocês acham?

 

- Shh... Ela está ouvindo.

- “Apenas diga que está tudo bem.”. Eu estou bem.

 

**~ Fim do Especial ~**


Notas Finais




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