História All Is Lost... (Malec) - Capítulo 8


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Categorias Os Instrumentos Mortais
Personagens Alexander "Alec" Lightwood, Catarina Loss, Clary Fairchild (Clary Fray), Isabelle Lightwood, Jace Herondale (Jace Wayland), Magnus Bane, Personagens Originais, Rainha Seelie, Simon Lewis
Tags Malec, Mistério, Romance
Visualizações 122
Palavras 4.307
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fantasia, Ficção, Hentai, Lemon, Luta, Magia, Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Sobrenatural, Universo Alternativo
Avisos: Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Pansexualidade, Sexo, Spoilers, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 8 - Better Love - Hozier


Fanfic / Fanfiction All Is Lost... (Malec) - Capítulo 8 - Better Love - Hozier

E mais uma vez Eva havia conseguido tirar Alec de seu precioso quarto o convencendo a ir numa festa universitária, um ato que poderia muito bem ser considerado impossível, já que o amigo não gostava muito de festas. E o fato dele não gostar não era por causa da música extremamente alta, das brincadeiras consideradas toscas dos universitários, das bebidas e drogas, mas sim, porque ele tinha uma certa aversão a pessoas, essa tal que ele não conseguia controlar, se sentia fora de sua zona de conforto rodeada por tantas. Não que fosse culpa do próprio esse tal desconforto, pois por mais que suas memórias tivessem sido retiradas de si, Alexander era um Lightwood, um caçador de sombras por si só e tudo o que fora ensinado para ele sobre os mundanos, a antipatia com exceção a sua tia Katie e Eva, ainda continuava no seu interior, na sua essência.

 Alexander era muito atencioso e compassivo com as duas, Katie e Eva eram as únicas desse seu novo mundo que ele se permitia realmente a se preocupar, que era capaz de mover o mundo para fazê-las felizes e elas sabiam disso, assim como todos os outros que viam a forma que ambas eram tratadas pelo garoto, porém, eles não poderiam dizer que a forma de tratamento de Alec com os próprios era a mesma. Na maior parte das vezes ele era sério, intimidador, com um senso de humor seco e mordaz  não fazendo questão de esconder a antipatia que sentia pela maioria das pessoas ao seu redor, o que sempre resultava em sua amiga o chamando de mesquinho, antissocial e seletivo. 

  - Por que você não sorri um pouco? - Ele arqueou a sobrancelha e olhou para o lado, onde sua amiga estava com um copo plástico vermelho em mãos.

 - Porque esse não é bem um lugar que me sinto feliz o suficiente para isso. - Eva revirou os olhos. - Eu não entendo porque ainda teima para que eu venha.

 - Porque eu sei muitíssimo bem que se eu não teimar, você não tem uma vida social digna de universitários!

 - Eva, você...

 - Hey Eva! - Ambos desviaram os olhares e olharam na direção de um garoto, um pouco mais baixo que Alec, olhos e cabelos negros, sorridente e sem camisa andando cambaleante na direção deles.

 - Frank. - Ela sorriu levantando o copo como uma forma de cumprimento. Frank se aproximou mais dos dois e Alec  pode sentir o mais amargo hálito de bebida misturada vindo da boca do mesmo, fazendo com que ele enrugar a face por causa do odor enquanto o garoto falava com sua amiga.

 - Eu não pensei que viria e que ele também iria vir. - Falou Frank para a amiga apontando para Alec, que se sentiu irritado pelo garoto ter falado dele como se não estivesse lá.

 - É consegui o convencer. - Disse Eva sorrindo. - A festa está realmente fantástica! - Ela olhou ao redor. - Onde estão os outros? - O garoto deu de ombros e bebeu um pouco mais do conteúdo de seu copo. Alec estava quieto observando o rapaz em sua frente, era óbvia a alteração de Frank por causa da bebida, mas não era só isso. No momento em que ele levantou os olhos para falar com Eva, Alec pode notar como a pupila do próprio estava. Um claro sinal de que, o estado dele, não era só por conta da bebida.

 - Joseph e Victória, estão cuidando dos jogos, que logo vão começar. - Disse o universitário jogando todo o seu charme para cima de Eva que percebendo o que estava acontecendo ali, resolveu mudar de assunto, assim que olhou para seu copo já vazio.

- O que você está bebendo? -  Ela esticou a mão para pegar o copo do rapaz em sua frente antes da resposta e antes que pudesse colocar as mãos no copo do outro, Alec se intrometeu.

 - Nada que você irá colocar na boca. - Disse sério entrando no meio dos dois, interrompendo o contato de Eva com Frank. O que fez o garoto que ficou encarando as costas de Alec, ficar irritado com a interferência e prestes a protestar pela mesma, contudo antes de sequer abrir a boca para reclamar recebeu um olhar totalmente frio e intenso do garoto em sua frente, o que o fez dar um passo para trás involuntariamente.

 - Tudo bem cara, não tem nada demais aqui. É só...

 - Eu não me importo com o que é. - Disse cortando o garoto que aparentou um garu a mais de irritação porém, não ousou titubear. 

 - Alec! 

 - Não, tudo bem. - Falou Frank com as palavras saindo atropeladas de sua boca. - Eu...Sabe... Vou lá... - Ele pareceu perdido e então saiu, o mais rápido que pode, ainda que estivesse andando num trançar de pernas que poderia ser perigoso.

 - Ei, por que foi tão mal com ele? - Perguntou Eva depois que Frank havia se afastado totalmente e então, Alec desviou o olhar da multidão e se virou para a amiga com uma cara nada boa.

 - Talvez, porque ele esteja totalmente chapado?! E, porque você é totalmente perturbada. Nunca, em hipótese alguma beba algo do copo de um desconhecido.

 - Ele não é um desconhecido e tenho certeza que não tinha nada demais na bebida dele. - Falou Eva fazendo careta e ajeitando seus cabelos para o lado.

 - A é? Então me responda uma única coisa, bebidas alcoólicas, costumam deixar as pessoas com as pupilas dilatadas? - A garota não respondeu. - Vamos lá Eva, qualquer um do ensino médio sabe a resposta para uma pergunta tão simples.

 - Eu não tinha prestado a atenção. - Alexander fez a típica cara de quem tem razão e Eva revirou os olhos, tendo a sensação de que estava andando com o seu pai e não com seu melhor amigo.

 - Você tem noção do quanto isso é estranho?

 - O que?

 - Você é muito observador, parece... Sei lá, que todos ao seu redor podem ser futuros inimigos ou melhor, que são uma presa.

 - Está indicando que sou um tipo de animal selvagem?

 - Mais precisamente o macho alfa. - Alec revirou os olhos, pegou na mão da amiga e começaram a andar em direção ao bar improvisado. 

  - Isso não tem nada a ver.

 - Tem sim, está falando que não têm porque não tem a capacidade de perceber. Você sempre adquire um modo protetor quando estamos rodeados de pessoas e, além de tudo, você fica tenso. Dá para perceber. - Ele ignorou o que a amiga falou pegando duas latinhas de cerveja, fazendo questão dele mesmo abrir para não correr risco algum. - Obrigada. - Disse a garota assim que foi entregue a ela, sua lata. - Mas é sério, você nunca percebeu?

 - Percebi o quê?

 - Que você parece um tipo de macho alfa?! - Alexander arqueou a sobrancelha com aquela ideia absurda da amiga. - Sério Alec, vamos pensar aqui, rapidinho. Sempre que você está nos lugares, as pessoas te olham de uma maneira diferente, você trás consigo uma certo ar de... Respeito sabe? Tipo agora, tenho certeza que Frank iria reclamar pela sua intromissão mas, apenas com um olhar, você conseguiu fazer com que ele se afastasse e se enrolasse todo.

 - Isso não é verdade. Ele só se enrolou por causa da bebida e se afastou porque os jogos estão prestes a começar. - Disse o garoto se defendendo e apontando em direção a sala, onde vários estudantes estavam reunidos em volta de tambores de cerveja. A garota revirou os olhos.

 - Tudo bem então, deixe-me pensar... - Ela olhou ao redor, até avistar Brandon e a turminha de amigos dele. - Se lembra do nosso primeiro dia na faculdade? - O garoto deu de ombros. - Ninguém se metia com a turma do Brandon e nem com o próprio, porque cá entre nós, eles são do time de futebol, grandões e assustadores porém, isso não  se cabia a você, porque o simples fato de ele querer fazer graça para ti, o gerou um olho roxo e nenhum deles depois ficou o perseguindo pela universidade. Nunca ninguém tinha feito uma coisa dessas antes. 

 - Eva, isso são só rumores, tenho certeza que diversas outras pessoas também se irritaram com a forma que eles agiam e também tomaram suas próprias providências. 

 - Sim, tomaram e acabaram apanhando depois. - Ela bufou. - Você não consegue mesmo perceber o efeito que causa nas pessoas não é? - Alec arqueou a sobrancelha e abriu um sorriso de lado, que contrastava perfeitamente com a cor dos seus olhos e a animação que ele sentiu no momento.

 - Está dando em cima de mim senhorita Bishop? - A garota revirou os olhos e bebeu mais um pouco de sua bebida enquanto Alec ria.

 - Seu idiota.

 - Devo admitir que essa sua forma de flerte é bem diferenciada.

 - Vai se foder Alec, não estava flertando com você.

 - Tem certeza?

 - Meu Deus como você é irritante!! - Ela disse e saiu andando deixando seu amigo para trás e rindo.

                                                                                              ***

 " - Que hospitalidade? - Ele indagou olhando para os caçadores de sombras que ele conhecia muito bem graças as visitas em sua casa. Jace, Isabelle e Clary, porém, dessa vez, havia mais um. Alexander. - Eu diria que foi um prazer conhecê-los, mas não foi. Não que não sejam charmosos, e quanto a você... - Ele deu uma piscadela para Alec que parecia perplexo. - Me liga?

Alec enrubesceu e gaguejou, e provavelmente teria ficado ali parado a noite inteira se não fosse Jace, que o pegou pelo cotovelo e o arrastou para a porta, com Isabelle logo atrás."

 Magnus acordou desnorteado com a lembrança do fragmento do sonho que tivera. Não que fosse incomum ele ter sonhos com coisas que já haviam se passado, pois aconteciam recorrentes vezes como forma de aviso, assim ele costumava sempre ficar alerta com quem estava no sonho, porém, dessa vez foi diferente. O sonho do passado tinha incluído uma terceira pessoa. Ele havia sonhado com o dia em que conheceu os caçadores de sombras, com o dia que Clary foi atrás dele para desfazer o bloqueio que tinha realizado em sua mente para o mundo das sombras, tão perfeitamente e no sonho, Alexander, o barman que ele havia visitado numa noite passada, estava incluído como um caçador de sombras. Ele se sentou na cama e acendeu a luz do abajur com o auxilio de sua magia sem se dar ao trabalho de usar as mãos. Algo estava errado mas ele não conseguia definir o que era, pois no sonho pareceu de verdade que aquele lindo garoto, era um ser integrante do mundo das sombras.

 Ele passou as mãos no rosto tirando algumas mechas de cabelo que lá estavam grudadas e olhou ao redor no quarto, se certificando de que estava só, como de costume. Nunca em anos uma dessas lembranças que vinha em forma de sonho, havia incluído uma pessoa nova e ele sentiu um calafrio percorrer sua nuca num inexplicável sentimento de preocupação pois várias possibilidades começaram a dançar em sua cabeça, diversos motivos para que Alec estivesse presente em sua lembrança. O feiticeiro sentiu seu peito se apertar com a ideia de o garoto estar em perigo e não entendeu essa resposta imediata de medo, pelo mesmo.

 Tentando se acalmar ele falou para sim mesmo que tudo não passara de um grande engano de sua mente perturbada. Nos últimos dias ele estava pensando demais no barman então, era justificável que sua mente lhe pregasse uma peça dessas, tento alimentar as ilusões dele. Entretanto Magnus não conseguia acreditar no que ele mesmo estava falando para si, para se acalmar então o feiticeiro se levantou e foi até seu armário, algo estava errado e ele sentiu a necessidade de procurar pelo garoto e se certificar de que ele estava bem. Não custaria nada.

 Magnus depois que trocou suas roupas e se arrumou para uma saída, foi até a sala, decidira fazer um feitiço de rastreamento pelo anel que havia enfeitiçado para o garoto e depois faria um portal até ele. Era algo inexplicável mas o feiticeiro, o alto feiticeiro do Brooklyn sentia uma enorme necessidade de ver como o garoto estava; a adrenalina que o imundara pelo simples fato de imaginar que o garoto de olhos azuis poderia estar correndo perigo, o fez desconsiderar qualquer dúvida que lhe restava sobre o que estava prestes a fazer, e assim que encontrou a localização do rapaz, abriu um portal e foi para o local em que o próprio estava e feiticeiro acabou em frente a uma casa de república, onde se encontrava dezenas de adolescentes bêbados e totalmente inconscientes de seus próprios atos.

  Ele entrou na casa tomando cuidado para não trombar com nenhum dos vários corpos que estavam se balançando de um lado para o outro na casa ao som de uma música alta e começou a passar seus olhos ao redor da multidão, em busca de uma única pessoa. Para Magnus aquela festa poderia ser divertida se ele não estivesse tão preocupado, as festas mundanas em sua concepção sempre eram as mais divertidas porque nunca se poderia duvidar da capacidade dos mesmos para agitarem as coisas. Ele desviou de um casal perto da escada e então subiu depois de se certificar de que o garoto não estava no primeiro andar da casa.

 No segundo andar havia um extenso corredor com quatro portas de cada lado, a maioria fechada e para não interromper qualquer coisa que deveria estar acontecendo entre as quatro paredes de cada quarto, Magnus murmurou mais uma vez o feitiço de localização e sentiu que estava próximo do garoto que procurava, fechou os olhos e como se pudesse ver pelos olhos de Alexander, avistou todos de cima e então o céu. Magnus piscou voltando para seu eu e desceu as escadas indo para o lado de fora da casa. Assim que saiu, olhou para cima e lá avistou Alexander, empoleirado no telhado da casa com o que parecia uma garrafinha nas mãos enquanto olhava para o céu.

 Ele sentiu o nó de sua garganta se desfazer. Sob a luz do luar se permitiu observar em silêncio o garoto. Ele era lindo como um anjo, a luz da lua acentuava seus traços bem marcados e a pele extremamente branca, contrastando com o seus cabelos e a escuridão. Sua mente ao ver aquela imagem do garoto retomou ao sonho, Alexander como um caçador de sombras pareceu tão comum, tão natural como se ele houvesse nascido para aquilo, como se fizesse parte daquilo desde a mais tenra idade e Magnus se assustou com a familiaridade com que ligou Alexander ao mundo das sombras e á ele. O feiticeiro se arrepiou com o pensamento e então, como se quisesse esquecer daquilo decidiu ir em bora pois viu que Alec estava bem, porém, num momento mal pensado, num impulso, foi também para o telhado, sem que ninguém percebesse o uso de sua magia, pois queria mais do que só o ver olhando para as estrelas.

 O feiticeiro assim que colocou seus pés sob o telhado, começou a caminhar hesitantemente até  onde Alexander estava sentado não querendo o assustar, enquanto observava cada detalhe que era capaz do garoto de costas. Alexander olhou para trás sentindo a presença de alguém e ficou encarando em silêncio enquanto Magnus se aproximava com cuidado, ainda sem fazer contato algum.

 - Eu te conheço de algum lugar. - Falou ainda encarando o feiticeiro, quando o mesmo chegou mais perto e se sentou ao seu lado, dando uma visão completa do rosto do próprio.

 - A vista é linda daqui de cima. - Disse Magnus evitando olhar para o rosto do garoto, que estava com os olhos estreitos enquanto olhava para o rapaz ao seu lado. 

 - É... - Foi tudo o que Alec se permitiu dizer e também olhou para a cima. Magnus olhou pelo canto dos olhos para o garoto ao seu lado aproveitando a distração do próprio e começou suas especulações.

 - Por que está me encarando? - Alec perguntou ainda sem tirar os olhos do céu estrelado.

  -Eu... Não estou. - Disse Magnus olhando para baixo onde estavam os outros estudantes dançando. Alec abaixou a cabeça e olhou para o feiticeiro ao seu lado. 

 - Eu senti que estava. - Magnus sorriu.

 - É sensível a olhares bonitão? - E se não fosse por conta da falta de luz, ele poderia ver o quanto fez o garoto enrubescer. Alexander virou o rosto e bebeu um pouco de sua cerveja, não voltando seu olhar na direção do homem ao seu lado. - Você está bem? - Perguntou curioso e então Alec se virou para ele, encarando aqueles olhos cor de âmbar que jurava conhecer. Até que algo despertou em sua memória

 - Você é o cara da pandemonium. - Disse. - Eu...Qual o seu nome? - Perguntou verdadeiramente curioso.

 - Magnus, Magnus Bane. - Alec ficou calado durante alguns minutos e então olhou para o horizonte.

 - Grande destruição. - Sussurrou o garoto e Magnus ficou o observando em silêncio. O olhar de Alexander estava distante, seus cabelos negros voavam de acordo com a brisa que batia e então ele abriu um pequeno sorriso e virou seu rosto, fazendo com que seus olhares se encontrassem e com que o feiticeiro prendesse por uma fração de segundos o ar em seu pulmão. - O significado do seu nome é forte. - Disse sem conseguir desviar os olhos dos de Magnus. 

 - Creio que fora muito bem escolhido. - O garoto sorriu.

 - Por que está aqui em cima e não lá com todos os outros? - Alec não entendia o porque mas o fato de Magnus estar perto dele, não o fazia ter vontade de repeli-lo como fazia com todos os outros que tentavam se aproximar e então decidiu responder, mas é claro, não sem complicar.

 - Talvez pelo mesmo motivo que você. - O garoto se restringiu a responder e Magnus arqueou a sobrancelha divertido.

 - E qual seria?

 - Não sei, qual o seu?

 - Evasivo. - Falou o feiticeiro e Alec deu de ombros levando mais uma vez a bebida até a boca, enquanto Magnus o observava, se perdendo por mais tempo do que o indicado normal na boca do mesmo.

 - Gosto de observar o céu. - Disse depois que lambeu o lábio inferior, retirando de lá o resquício de bebida que tinha ficado e Magnus se segurou para não se aproximar mais ainda daquele rapaz e tomar seus lábios nos dele, pois fora o seu primeiro impeto e ele queria, por Deus, como ele queria... - Mas e você? O que o trás aqui? - Perguntou especulando a face de Magnus. - Nunca o vi na universidade e creio não ter como passar despercebido diante as pessoas. - Falou indicando as vestes extravagantes de Magnus e o brilho em seus olhos por conta da maquiagem, o que o fez sorrir.

 - Sou da vizinhança. - Mentiu. - E também gosto de observar as estrelas. 

 - E então decidiu vir até o seu vizinho, subir no telhado da casa dele e se sentar ao lado de um completo desconhecido apenas para observar as estrelas? - Perguntou Alec se divertindo com aquilo, com aquele homem que tanto lhe atraia e que ele não queria o deixar ir, sentia a necessidade da aproximação.

 - Isso mesmo.

 - Inacreditável Magnus Bane. - Magnus mordeu os lábios, era tão excitante ouvir seu nome daquela voz aveludada, que parecia aquecer todos os seus nervos.

 Alec colocou a garrafinha de cerveja num ponto do telhado que ela não cairia e se virou para encarar o feiticeiro ao seu lado que também o encarava, ambos com os olhos cravados um no outro, e então, foi como se tudo ao redor de ambos tivesse parado, o barulho da festa era inexistente e as únicas duas coisas que ali existiam e que importavam, eram os olhares de ambos e a necessidade de aproximação mútua. Alexander levou a mão direita para a nuca de Magnus o fazendo arrepiar e sentir uma série de ondas eletrizantes pelo seu sistema nervoso e então aproximou-se um pouco mais dele a ponto de que seus rostos ficassem a centímetros longe um do outro, permitindo se encarar de uma distância tão curta e para o feiticeiro o olhar de Alec era intenso. Encarar os olhos do garoto era como estar em meio a imensidão do oceano, um lugar que ele não se importava de estar naquele momento e que não desejava sair. Alexander se aproximou mais e Magnus também, até que por fim os seus lábios se encontraram, num toque sensível e doce.

 "  O garoto de olhos azuis e cabelos negros estava em sua frente no que parecia a parte traseira de uma picape, batendo os dentes com as roupas totalmente encharcadas.

 - O que... o que aconteceu?

 - Você tentou beber o East River. - Falou Magnus. - E eu te tirei da água. - Depois de alguns minutos em silêncio se sentando o garoto tornou a falar.

 - Isabelle! Ela estava descendo quando eu caí...

 - Ela está bem. Chegou até um barco. Eu vi. - Magnus esticou a mão para tocar a cabeça de Alec. - Você, por outro lado, pode ter tido uma concussão.

 - Preciso voltar para a batalha. - Alec afastou a mão. - Você é um feiticeiro. Você pode, sei lá, me levar voando de volta para o barco ou algo do tipo? E concertar a minha concussão ao mesmo tempo?

  Com a mão ainda esticada, Magnus se apoiou na lateral da traseira da caminhonete. 

 - Desculpe. - Disse Alexander. - Eu sei que você não tem que nos ajudar... É um favor...

 - Pare. Eu não faço favores para você, Alexander. Eu faço as coisas para você porque... Bem, por que você acha que eu faço? - O garoto sob os olhos do mais velho, pareceu querer falar algo, responder a pergunta pois era óbvio o qual seria o motivo para tudo. 

 - Eu preciso voltar para o barco.  - Foi tudo o que o garoto se permitiu a falar.

 - Eu o ajudaria. Mas não posso. Tirar as proteções do barco já foi difícil o bastante. É um encanto forte, muito forte, demoníaco. E quando você caiu, tive que lançar um feitiço rápido na picape para que ela não afundasse quando eu perdesse a consciência. E eu vou perder a consciência, Alec. É só uma questão de tempo. - Ele passou uma mão nos olhos. - Não queria que você se afogasse. O feitiço deve aguentar o suficiente para que você consiga levar a caminhonete de volta a terra.

 - Eu... não sabia. - Alec olhou para Magnus, num olhar que pareceu especulativo na opinião do mesmo.

 Alec estendeu as mãos. Estavam pálidas ao luar, enrugadas pelo tempo na água e marcadas com dúzias de cicatrizes prateadas. Magnus olhou para elas, depois de volta para o garoto num sinal claro de confusão.

 - Pegue as minhas mãos. - Disse Alec. - E pegue a minha força também. O que quer que consiga pode usar para... Se manter em pé.

 Magnus não se moveu.

 - Pensei que você tivesse que voltar para o navio.

 - Tenho que lutar. - Disse Alec. - Mas é isso que você está fazendo, não é? Você faz tão parte da luta quanto os caçadores de sombras no navio, e sei que pode tomar um pouco da minha força, já ouvi falar de feiticeiros que fizeram coisas do tipo, então estou oferecendo. Pegue. É sua."

 Magnus se afastou abruptamente e ofegante piscando algumas vezes sem saber ao certo o que tinha acabado de acontecer, sua respiração estava ofegante e então ele olhou para o garoto em sua frente que estava o encarando um pouco inseguro, sem saber o que fazer ou falar para amenizar a situação.. 

 - Magnus? - Chamou o rapaz mas o feiticeiro não deu bola. Ele estendeu as mãos em sua frente e passou a encará-las, as mesmas mãos que havia entrelaçado com as do barman... O barman. O feiticeiro ficou as encarando por um tempo, recobrando a consciência do que havia visto quando os lábios de ambos se tocaram e percebeu que não tinha sido apenas uma visão, mas sim uma lembrança de algo que acontecera, uma lembrança como a do beijo que o fez arrepiar quando Alec o tocou nos fundos da pandemonium. Magnus levantou os olhos para poder encarar o rapaz em sua frente que ainda o observava com uma mistura de curiosidade e temerosidade.

 O feiticeiro olhou ao redor, não tinha certeza do que estava acontecendo e sentiu seu coração disparar " [...] Pegue. É sua." ecoava em sua mente e ele se lembrava muito bem daqueles olhos azuis que toda vez que pairavam em seus pensamentos despertavam coisas inexplicáveis em seu sistema nervoso. Aqueles olhos. Ele sabia que os conhecia, sabia que tinha algo de diferente no garoto, percebeu assim que o viu, sentiu quando se tocaram e... Alexander... Ecoou em sua mente e então, algo a mais lhe ocorreu. Alexander fazia parte de seu passado.

 - Eu preciso ir. - Falou o feiticeiro de forma entrecortante, ainda não sabendo bem como organizar tudo o que estava girando em sua cabeça e se levantou um pouco sem jeito, algo que nunca havia acontecido com Magnus Bane em vida.

 - Espere, me desculpe eu não deveria, e-eu... - Magnus respirou fundo e se virou para encarar o rapaz.

 - Não se desculpe Alexander, ainda vamos nos encontrar. - Ele sorriu e se foi, deixando apenas o garoto confuso em cima do telhado.

 


Notas Finais


Olááá pessoinhas lindas do meu core, eu espero que tenham gostado de mais esse capítulo, me desculpem pelos eventuais erros, tentei corrigir tudo para ficar bonitinho massss sempre passa alguma coisinha ou outra.
Os dois trechos, as duas visões do Magnus, foram tiradas do livro uma do Cidade Das Cinzas e outra foi do Cidade Dos Ossos, espero que tenham gostado dessa minha inclusão e me desculpem se o capítulo ficou muito grande.
Me falem o que vocês acharam!!!
O link da música: https://www.youtube.com/watch?v=Wm4CrOfbHMI
Beijinhosssssss... <3 <3


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