História All Of Me - Capítulo 10


Escrita por: ~

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Categorias Teen Wolf, The Vampire Diaries
Personagens Alan Deaton, Breaden, Chris Argent, Damon Salvatore, Danny Mahealani, Derek Hale, Jordan Parrish, Katherine Pierce, Kira Yukimura, Klaus Mikaelson, Lydia Martin, Melissa McCall, Peter Hale, Scott McCall, Sheriff John Stilinski, Stefan Salvatore, Stiles Stilinski
Tags Damon, Stamon, Stiles, Teen Wolf, The Vampire Diaries
Exibições 521
Palavras 4.933
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Ficção, Romance e Novela, Sobrenatural, Universo Alternativo, Violência, Yaoi
Avisos: Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Gente, mil dsclps pela demora, sério, eu não fiz por mal kkkkk
É que mt fic, série e livros para atualizar, sem falar nos filmes, aí eu acabo perdendo a noção dos dias e demorando, me desculpem msm ❤
Bem, aqui está mais um capítulo para vcs, boa leitura :)

Capítulo 10 - Talvez a sua felicidade esteja onde menos se imagina.


(Stiles)

Eu, provavelmente, deveria estar atrasado para aula. Mas não era como se eu me importasse. Minha atenção estava toda naquele colar, que eu segurava nas minhas mãos enquanto me encontrava sentado na cama.

Eu não queria usá-lo.

Aquele colar não me lembrava mais da minha mãe de uma forma boa. Apenas me fazia pensar no quanto ela sofreu com Stefan. E o motivo para eu tê-lo, é porque ela não queria que eu, algum dia, sofresse do mesmo jeito.

Eu sabia que era burrice, e sabia que se minha mãe, que foi a maior vítima daquele vampiro, conseguiu usar aquele colar por tanto tempo, eu também deveria conseguir.

Mas vendo por um lado, ela devia ter se apegado a ele, com o pensamento de não reviver tudo o que havia sofrido. Eu não tinha sofrido, então eu não tinha imagens na minha mente para me censurar. Para me fazer sentir medo, e segurar aquele objeto com todas as forças. Mas de todo modo, era burrice. Não importava o quanto eu me sentisse desconfortável usando-o, sem ele, eu ficaria vulnerável, e sofreria mais. Um sofrimento que minha mãe usou suas últimas forças para impedir que se repetisse comigo.

Suspirei. Eu teria que usá-lo. Droga.

Assim que eu estava prestes a colocá-lo, ouvi passos no corredor, e agarrei mais firme aquele objeto em minhas mãos. Mas os passos cessaram, e o corpo em frente a minha porta não era uma ameaça. Era o Scott.

- O que tem acontecido com você para vir tanto na minha casa esses dias? - perguntei, colocando o colar dentro do meu bolso traseiro. Scott pareceu não perceber, ou fingiu que não percebeu.

- Se eu não te conhecesse, diria que não gosta mais da minha presença. - disse ele, aproximando-se. Reparei que ele tinha algo em suas mãos, e assim que ele percebeu meu olhar, estendeu a mão, me entregando uma pulseira. - Esse é o motivo para a minha tão querida presença.

- Own, bro. Uma pulseira? Estou comovido, você é tão fofo. - zombei em uma voz forçada, e ele riu.

- Para de ser idiota. - ele ergueu seu braço, revelando que também havia uma pulseira em seu pulso. - Todos do bando tem uma. Eu preferi não te dizer até Deaton prepará-las. Contém verbena nessas pulseiras, Derek disse que com elas, ficamos...

- Imunes aos vampiros. - deixei escapar, percebendo meu erro ao notar a expressão confusa no rosto do meu melhor amigo.

- Derek já tinha te contado?

Fiz uma careta. Desde quando Derek me conta alguma coisa?

- Não, eu só... Vi algo sobre isso na internet. Sabe como é, a internet tá lotada de informações sobre. - não era uma total mentira e eu esperava mesmo que ele não percebesse. Era horrível ter que mentir para seu melhor amigo lobisomem.

Felizmente, meu pai apareceu na porta, trajado com seu uniforme habitual.

- Vocês vão acabar se atrasando, deixem para conversar no caminho. - disse, logo desaparecendo de nossas vistas. Scott seguiu na frente, e eu fui pegar minha mochila, com apenas um pensamento na cabeça.

Agora eu poderia devolver aquele maldito colar a Stefan.

***

- Você ficou maluco? - perguntou Stefan, assim que ergui o colar na minha mão, em uma tentativa de devolvê-lo.

Estávamos no meio do corredor, no intervalo entre as aulas. Eu esperava mesmo só entregar e não ter que falar com ele. Mas Stefan tinha que complicar as coisas.

- Eu não preciso e nem quero o seu colar, devolva para sua mãe.

Ele franziu a testa.

- Minha mãe não está viva, Stiles.

- Ah, não? - disse um pouco desconcertado. - Pensei que ela fosse uma vampira que nem você.

Ele balançou a cabeça, e eu ainda continuava com a palma da mão levantada, esperando ele pegar o colar. Acabei optando por pegar sua mão e deixar o colar ali, para eu enfim me livrar dele. Mas no primeiro passo que eu dei para longe, Stefan segurou meu braço, me fazendo voltar.

- Você tem outro objeto com verbena, não é?

Eu sorri ironicamente.

- Isso não te interessa. - tentei me soltar do seu aperto, mas ele era insistente. Que droga. Esse vampiro não sacou que eu quero me livrar dele?

Respirei fundo, tentando me acalmar para não discutir com Stefan no meio daquele corredor cheio de alunos. E com isso percebi Lydia e Scott um pouco mais afastados. Eles estavam conversando sobre algo, mas logo seus olhares pararam em mim, e desceram para a mão de Stefan em meu braço.

Indiquei com a minha cabeça para o lado, esperando que Stefan entendesse. Ele seguiu com seu olhar para os meus amigos, e acenou, em seguida me arrastando com ele na direção contrária.

- Ei, me solta, você é maluco? - protestei completamente contrariado. O sinal tocou na mesma hora, e olhei para trás, a tempo de ver Lydia e Scott sendo obrigados a entrar na sala de aula pelo professor Yukimura. Stefan era esperto ou a sorte estava ao lado dele, porque se não fosse pelo senhor Yukimura, Scott e Lydia estariam no seu encalço agora.

Ele continuava a me puxar até chegarmos ao banheiro masculino, e sua mão permanecia no meu braço enquanto checava cada porta para conferir se havia alguém por ali. Quando constatou que não, enfim me soltou, virando-se para mim.

- Você sabe que tem mais vampiros na cidade, e que ninguém está seguro. Vou perguntar mais uma vez, você tem algo com verbena?

Bufei totalmente irritado.

- Eu tenho. Agora posso ir?

Ele olhou da porta para mim.

- Eu não gosto desse clima estranho entre nós.

- Não existe nós. - não consegui evitar a risada áspera. Eu não estava com a mínima vontade de conversar com Stefan. - Olha, eu realmente não quero matar aula com você. Já acabou?

- Não. Eu sei que é difícil digerir tudo o que você soube...

- Difícil digerir? Ah, Stefan, me poupe. - o interrompi, me perguntando como ele conseguia ser tão cara de pau. - Não é difícil digerir. Você fez mal a minha mãe, e eu quero distância de você. É difícil você digerir isso?

Ele suspirou, esfregando suas pálpebras em um gesto cansado.

- Eu sei que você acha que pode se proteger sozinho. Mas os seus amigos que têm poderes, você não. - ergui minhas sobrancelhas, surpreso. Ele notou. - Sim, eu sei que seu melhor amigo é um lobisomem, sua amiga é uma banshee, enfim, eu andei pesquisando.
 
Ele deu de ombros, como se fosse fácil descobrir aquela informação. Talvez fosse para ele.

O que me lembrava de uma certa dúvida. Stefan sabia o que eles eram, mas eles não sabiam o que Stefan era, nem mesmo Scott.

- Como você consegue neutralizar seu cheiro? - perguntei, curioso.

- Feitiço de uma bruxa amiga minha, longa história.

- A qual eu não preciso ouvir. - completei, me direcionando a porta. - Eu sei me proteger sozinho. Esse não é o primeiro assassino, e nem será o último em Beacon Hills. Então desista dessa sua redenção e volte para sua cidade.

Abri a porta, não esperando uma resposta para deixá-lo sozinho ali. Mas assim que saí do banheiro, dei de cara com Scott, tomando um susto.

- Wow, você quer me matar do coração?

Ele olhou confuso, mas seu olhar acabou indo para algo atrás de mim, e eu pude ver com o canto do olho que Stefan tinha acabado de sair do banheiro também. Oh, merda, como explicarei isso?

Scott ainda está calado, a espera de uma resposta.

- Você deve ser Scott, certo? - Stefan quebra o silêncio, e eu começo a me perguntar o que ele está fazendo, apresentando-se para o meu amigo. Scott olha de mim para ele, e aperta a mão estendida de Stefan. Ele com certeza ficou preocupado com a cena de minutos atrás no corredor, e me ver sair do banheiro com o novato que eu supostamente estava discutindo era realmente muito estranho. E eu não sabia porquê ainda não tinha contado que Stefan era um vampiro. Afinal, o que eu estava esperando?

- Acho melhor nos apressarmos para a aula, o senhor Yukimura pode ser muito assustador quando quer. - disse, começando a andar na direção que Scott veio, e ignorando como o clima estava estranho no meio daquele corredor vazio. Scott ainda me olhava confuso, e eu tinha a certeza que teria que responder algumas perguntas sobre o que estava acontecendo comigo e o aluno novo. No momento, eu preferia evitá-las.

Eles acabaram me seguindo, e entramos na sala, em silêncio. Nunca o silêncio foi tão bem vindo como naquele momento. Me sentei ao lado de Lydia, que parecia ocupada demais para notar, fazendo mil perguntas para a festa de Halloween na próxima semana.

Revirei meus olhos. Lydia amava festas, e com toda a certeza iria nos arrastar para aquela também. Ainda mais uma festa beneficente e  aberta para toda a cidade. Não que eu não gostasse de festas, eu amava ainda mais as festas de Halloween onde eu poderia me fantasiar. Era só que a minha cabeça estava uma confusão no momento. E parte do motivo dessa confusão era o vampiro do outro lado da sala, que vez ou outra, me lançava olhares discretos.

Eu tinha um vampiro na minha cola, ótimo. Eu não queria nem pensar no outro, e muito menos em que resposta eu daria para Scott. Ele parecia desconfiado, e eu ainda não sabia porquê eu não simplesmente contava a verdade.

Talvez porque parte de mim ainda quisesse achar o assassino sozinho. Ou pior, eu poderia estar preocupado com as proporções dessa revelação. Por exemplo, uma briga entre Damon e Stefan contra os meus amigos. E eu temia que eu ficasse no meio dessa encrenca.

***

Ultimamente minha solução para tudo tem sido fugir. Fugir de Stefan, fugir de Damon, fugir de Scott.

Eram coisas demais na minha cabeça. O assassino. O vampiro que tinha um passado ruim com a minha mãe. O irmão vampiro dele, que eu estava perdidamente atraído.

Eu estava atraído por um vampiro. Isso era errado. Era como estar atraído pelo perigo. Era pior do que gostar de Derek, porque pelo menos ele me mataria por eu ser irritante, e não por ser seu alimento.

Derek.

Era estranho pensar nele, enquanto eu estava no meio disso tudo. Em todo aquele momento, seu nome não passou uma vez sequer por minha mente, e eu não sabia o que isso significava.

Foi assim com Lydia, até eu chegar a conclusão que não gostava dela realmente. Na minha visão, quando você gosta de alguém, esse sentimento não acaba. E meu amor e obsessão por Lydia Martin acabou no momento que eu olhei naqueles olhos verdes daquele lobisomem carrancudo. E agora eu estava começando a esquecer dele também, porque eu estava ocupado demais pensando...

Em Damon?

Eu estava gostando de Damon?

Eu era suicida, na certa.

Mas era diferente com ele. Eu não conseguia definir exatamente o que sentia. Minha consciência me alertava para ficar longe, mas meu corpo ansiava por ficar perto. Por ser tocado e beijado novamente. Não que eu fosse admitir em voz alta. De jeito nenhum.

Afastei meus pensamentos, continuando a caminhar em direção ao meu jipe. Eu tinha fugido de Scott mais uma vez, e não estava querendo diminuir meu passo, afim que ele me alcançasse.

Entrei e tranquei a porta, tomando o segundo susto no dia, por notar Damon no banco do carona.

- Como? Quando? Mas que diabos! Eu não quero saber, saia do meu carro.

Ele sorriu, me encarando.

- Não recebo nem um beijo de bom dia antes? Quanta indiferença.

Estremeci com suas palavras, tentando não pensar no que a palavra beijo me lembrava.

- Vocês vampiros não sabem o significado da palavra "saiam"? Preciso desenhar?

- Você sabe que se eu não quiser sair, você não tem como me tirar do seu carro. E olha só, eu não estou com nenhuma vontade de sair desse jipe.

Bufei irritado.

- Você é um chato e completamente irritante. - soltei, por fim desistindo e engatando a chave para sair com o carro na estrada.

- E você estupido. Que parte você não entendeu que o colar te protege? - disse ele, me deixando saber que ele percebeu a falta do colar no meu pescoço.

Esses irmãos são tão chatos. Eles pareciam não trocar o disco, era sempre esse maldito colar.

- Stefan já me encheu o saco o bastante por hoje, não preciso aguentar sermão de você também. - avisei parando no semáforo fechado, e batucando meus dedos, inconscientemente no volante. Puxei minha manga mostrando minha pulseira. - Eu já tenho algo para me proteger.

- Bom. Então, você está falando com Stefan? - olhei para ele, me perguntando porque senti um pouco de mágoa no seu tom. Eu devia estar enganado.

- Não, eu só queria devolver o maldito colar para ele. - seus olhos pareciam me avaliar, e eu me sentia desconfortável. Também me deixava desconfortável saber que com Damon não era difícil ser verdadeiro. Toda a verdade escapava fácil dos meus lábios, e eu me sentia um idiota por termos esse tipo de intimidade, visto que ele mal havia chegado a cidade. - Me responda uma coisa. - disse chamando a sua atenção. - Por que a bruxa que neutralizou o cheiro do Stefan, não fez o mesmo com você?

Aquela era uma dúvida que pairava na minha cabeça, desde que Stefan havia revelado aquilo. Se Damon tivesse o mesmo feitiço, Derek não teria notado que ele era um vampiro, aquele dia no posto. A não ser que não fosse Damon.

Ele fez uma careta.

- Para alguém que só queria devolver um colar, até que vocês trocaram informações demais. - ele disse tomando uma pausa e eu segui com o carro assim que o semáforo sinalizou verde. - Digamos que essa bruxa não é muito minha fã.

- Isso não me surpreende.

Ele riu alto.

- Certo. Como você sabe que meu cheiro não está camuflado? Até onde eu saiba, você é um humano, não um lobisomem.

Droga. Ele me pegou.

Eu, definitivamente, iria me arrepender de ser tão aberto com aquele vampiro sarcástico e perigoso. Mas eu não conseguia evitar, sempre que eu estava com ele, um sentimento de calma passava por mim, o que fazia com que eu desarmasse minhas defesas.

- Você é amigo daquele lobo carrancudo, não é?

Era impressionante como um descrevia o outro perfeitamente. Acenei com a cabeça, mais uma vez desconfortável.

- Eu não diria que somos amigos. - deixei escapar, porque realmente, não éramos. Derek me odiava, e não perdia a chance de me ameaçar.

- Namorados? - aquela pergunta me surpreendeu tanto, que como resposta, eu acabei pisando no freio com tudo. Minha sorte era que não havia nenhum carro atrás de nós. Estávamos em uma zona meio isolada.

- Não somos namorados, para de falar besteira.

Ele me encarava, e seus olhos azuis pareciam me invadir e desvendar todos os meus segredos.

- Mas dada a sua reação, e o rubor no seu rosto, você queria que essa besteira fosse realidade. Ele também quer?

- Cala a boca, Damon. Não é nada disso. - menti, me amaldiçoando por falar rápido demais.

- Hum, aposto que ele nem sabe da sua queda por ele. Aposto, baseado naquela carranca, que ele deve ser um cara difícil. Pobre Stiles, apaixonado por um lobo mal-humorado. - ele provocou, e minha vontade era tirar aquele sorrisinho exibido de seu rosto aos socos.

- Para início de conversa, como você sabe que eu conheço ele? - desconversei.

Ele deu de ombros.

- Ele foi o único lobo com quem me encontrei até agora. Não foi difícil deduzir o óbvio. - ele olhou ao redor demorando para focar seu olhar em mim. - Saia do carro.

Eu levei um segundo para assimilar o que ele tinha dito.

- Como é?

- Vamos trocar de lugar, eu quero conversar com você em um lugar isolado. - esclareceu, desafivelando o cinto.

- O que te faz pensar que eu permitirei você tocar suas mãos no meu filho? E por que acha  que irei com você a um lugar isolado? Aliás, não sei se você já percebeu, estamos em um.

Ele suspirou como se estivesse lidando com uma criança birrenta.

- Quero ir a algum lugar que não passe carros, e você vai fazer isso, porque sabe que não tem muita escolha. Eu posso te forçar ou você pode ir sem nenhuma pressão. Qual vai ser? Sua verbena me impede de te controlar, mas minha velocidade e força ainda é superior a sua, escolha rápido.

Por que eu não saí correndo quando ainda tinha chance?

Damon era perverso, e eu não fazia a mínima ideia do que ele pretendia com isso. E mais uma vez, eu estava com as mãos atadas. Ele tinha razão, não tinha muito o que eu fazer.

Se eu tentasse me defender, ele era mais forte. Se eu fugisse, ele me alcançaria.

- Stiles, eu não vou te machucar, eu só quero privacidade. - ele falou calmamente, tentando me convencer. Senti vontade de rir. Eu não precisava ser convencido, como ele mesmo havia dito, eu não tinha escolhas.

Abri a porta e pulei para fora do carro. Alguma parte de mim ainda nutria a inútil ideia de sair correndo, mas isso só faria gastar mais tempo.

Assim que estávamos em nossos devidos lugares, ele seguiu com o carro. Ele prosseguiu pela estrada, e eu me perguntava se ele notaria caso eu usasse meu celular, numa tentativa de pedir socorro. Eu precisava achar alguma saída para aquela situação, mas estava cada vez mais difícil. Principalmente quando ele entrou com o meu carro na floresta.

- Então, você pretende me estuprar e me matar no meio do mato?

Ele virou seu rosto rapidamente para mim, me dando uma olhada de esguelha.

- Então você quer transar comigo?

Eu e minha boca que fala demais. Eu devia saber que Damon não deixa nada passar batido. Engoli em seco.

- Você sabe o que significa estuprar?

- Não é estupro quando você também quer. E você parece querer muito.

Senti meu rosto ferver.

- Você é muito arrogante.

- E mesmo assim você está atraído por mim. - ele disse, enquanto seguia pelo caminho.

- Pensei que eu estivesse atraído pelo Derek. - disse apenas para provocá-lo. Não sei o que era pior, admitir o que eu sentia por  Derek ou por Damon.

- Ah, mas você está bem mais atraído por mim.

Levantei minhas sobrancelhas, me perguntando como aquele cara era exibido.

- Por que acha isso?

Ele parou o carro, tirando o cinto e me encarando.

- Porque eu sou bem mais sexy, divertido e interessante do que ele.

Ignorei as suas palavras, e o seu olhar que causavam inúmeras sensações em mim, e analisei o lugar onde estávamos.

Era final de tarde, mas o céu ainda estava claro. Parecíamos estar no topo de algum morro, que tinha vista para o resto da cidade. Eu já tinha vindo algumas vezes ali com Scott, e meu amigo sempre escolhia aquele lugar quando precisava extravasar o seu lobo. Exatamente porque aquele local era perfeito para quem não quisesse ser visto e nem incomodado. Estremeci.

- É agora que você me mata?

Ele tirou as chaves da ignição.

- A sua falta de confiança em mim me magoa.

O olhei sério.

- Me dê um motivo para confiar em você.

Ele retribuiu o olhar para mim.

- Porque eu estou atraído por você.

- Aposto que você diz isso para todas as suas vítimas.

Ele riu.

- Sim, eu digo. Mas com você é diferente.

- Por que?

Seu olhar mais uma vez estava me analisando.

- Eu não sei, é tudo diferente em relação a você.

Eu não sabia onde ele estava querendo chegar, mas minha curiosidade era o bastante para continuar naquelas perguntas.

- Por que eu sou diferente, Damon?

Ele mais uma vez sorriu, mas aquele sorriso parecia sincero. Parecia gentil. E assim ele se aproximou, rebaixando, sem que eu notasse, o meu banco e se colocando por cima de mim. Ele sustentava seu próprio peso ao apoiar suas mãos no topo do banco, e eu não sabia como meu coração podia bater tão rápido dentro do meu peito.

- Porque eu estou começando a perceber que o que eu sinto ultrapassa a atração. Não é apenas atração essa vontade de te ter por perto, ou de te proteger. Não é apenas atração... - seu rosto se aproximou mais do meu. - ...essa minha vontade de sempre te irritar, ou te deixar corado, porque você simplesmente fica lindo assim. Não é apenas atração ter você nos meus pensamentos a cada noite em que deito minha cabeça no travesseiro. E definitivamente, não é apenas atração essa vontade de te beijar a cada vez que te vejo, e essa possessividade, de ter apenas para mim. - uma das suas mãos deixou o banco e segurou o meu rosto. - Eu não quero matar você, Stiles. Eu apenas quero provar de você o quanto for possível, porque você me leva a beira da loucura, e eu não consigo mais ignorar isso.

Eu não sabia o que mais me chocava. Ele ter falado tudo àquilo ou eu simplesmente me sentir do mesmo jeito. Era inevitável. Eu não conseguia tirar Damon da cabeça, mesmo sabendo que ele seria um grande problema para mim. Eu não conseguia me afastar, mesmo sabendo que seus lábios estavam prestes a juntarem-se aos meus. Eu não conseguia conter minha mão ao puxar seu cabelo, e por consequência trazer seu rosto para mais perto. Eu não conseguia não deixar que ele tocasse meu rosto com uma mão, e com a outra a minha cintura. Porque era bom. Era ótimo. Era perfeito como nossas línguas sincronizavam. Era boa a sensação de ser tocado como se você fosse a coisa mais importante do mundo, e era exatamente assim que eu me sentia com Damon. Ele era delicado comigo e na mesma medida intenso. Ele sugava completamente todo o meu ar, fazendo com que eu tivesse dificuldade para respirar assim que nossos lábios se separaram. Ele fazia ser difícil segurar meus gemidos, ao ter ele brincando com a pele sensível do meu pescoço. Ao beijar e chupar cada parte, e agarrar mais firme minha cintura em suas mãos, como se ele tivesse medo que eu pudesse desistir e sair correndo para o mais longe possível.

Essa era a coisa mais sensata a se fazer.

Mas eu simplesmente ignorava a razão. Eu me deixava levar por aqueles toques, no meio da floresta, com um vampiro que eu mal conhecia. Eu deixava que ele colocasse suas mãos por dentro da minha camiseta, e sentia meu corpo arrepiar com aquele contato.

E eu o beijava mais uma vez, porque sentir aqueles lábios era tudo o que eu mais precisava no momento.

Minhas mãos passaram a buscar ainda mais por sentir sua pele, e eu fui rápido em retirar sua blusa, tocando cada parte daquele abdômen definido. Ele sorriu contra a minha boca, e eu não pude evitar fazer o mesmo. Ele queria tanto quanto eu queria. Mas ele estava mais preparado do que eu.

Eu percebi isso assim que seus dedos tocaram o cós do meu jeans, e meu corpo se retesou. Ele trilhava seus beijos para a curva do meu pescoço, mas meus pensamentos não estavam mais ali. Estavam longe. Estavam em algo que eu sempre desejei, mas que eu nunca pensei que fosse ser assim. E se eu soubesse que eu cometeria o deslize de acabar pensando alto, eu teria afastado aqueles pensamentos. Mas era tarde, eu tinha falado, junto de um gemido, o que mais incomodava na minha vida de adolescente.

- Eu sou virgem...

Ele parou. Droga, Damon parou de me beijar. E eu mais uma vez estraguei tudo.

Fechei meus olhos com força, sentindo o clima estranho que minhas palavras causaram naquele momento, e percebendo que Damon não estava mais tão colado ao meu corpo.

- Stiles, abra os olhos.

Eu não sentia seu corpo, mais ainda conseguia sentir sua mão na minha cintura e a outra no meu rosto.

Eu não queria abrir meus olhos e encarar a minha humilhação. Ele provavelmente estaria se controlando para não rir.

- Stiles. - ele movimentou seu polegar para cima e para baixo, em uma carícia no meu rosto. - Abra os olhos para mim.

A sua voz estava tão calma que eu não me contive, e assim encarei aquelas íris azuis. Ele tinha um sorriso no rosto, mas não parecia ser malicioso ou arrogante. Era um sorriso doce e terno.

- Eu não vou transar com você nesse carro.

- P-por que não? - gaguejei. Eu devia começar a treinar meu controle sob minhas palavras.

- Porque eu não quero que nossa primeira vez seja assim, ainda mais agora que você admitiu isso.

Pensei por um momento. Eu não queria que minha primeira vez fosse no meu jipe, por mais que eu amasse aquele carro. Mas eu estava prestes a fazer isso, sem nenhum questionamento, se não fosse pela minha confissão. Damon realmente me deixava maluco.

- Então, o vampiro tem um lado romântico?

Ali estava, mais uma vez, seu sorriso irônico.

- Eu apenas acho desconfortável transar em um lugar tão pequeno.

- Mentiroso. - o acusei. - Aposto que em todo esses cem anos, você deve ter transado em muitos carros.

Ele riu.

- Isso é verdade, realmente foi bom. - dei um soco no braço dele, mesmo sabendo que aquele gesto, no mínimo, faria cócegas em Damon.

- Toda essa idade, e não sabe que você não cita seus outros casos, para o atual?

- Então quer dizer que estamos em um caso?

- Ahn... Eu... Bem... - ele havia me encurralado de novo.

- Não tem problema, eu sei que eu sou irresistível, todo mundo me quer. Mas eu aceito ser apenas seu. - eu não consegui evitar a risada.

- Pensei que você fosse o possessivo.

- E eu sou. Então, o que temos, Stiles?

Pensei um pouco.

- Não quero nos rotular.

- Está ótimo para mim.

- Também não quero dividir.

- Penso igual. - ele mais uma vez concordou.

- E eu ainda não confio em você.

Isso o fez gargalhar.

- Claro que não confia, você só estava prestes a me entregar sua virgindade dentro desse jipe velho.

- Olha lá como você fala do meu jipe, ele tem sentimentos. E pare de falar da minha virgindade, pelo amor de Deus, até parece que nunca se relacionou com um virgem.

Ele franziu a testa.

- Para a falar a verdade, não.

- Não o que? - perguntei, confuso.

- Eu nunca estive com um virgem.

- Você está mentindo.

Ele firmou seus joelhos na beira do banco, ao redor das minhas pernas.

- Eu não minto por coisas pequenas, Stiles. Eu realmente não estive com nenhum virgem, porque virgem são problemas.

Não consegui não me sentir ofendido.

- Por que?

Ele me encarou mais uma vez, sério.

- Porque a primeira vez de alguém é memorável. E para alguém que não se apega, como eu, é bom evitar. - antes que eu pudesse fazer qualquer pergunta, ele colocou seu dedo indicador sobre meus lábios, me impedindo. - Isso não se aplica a você, eu disse, você é diferente.

Mordi seu dedo em uma espécie de provocação.

- Diferente bom?

- Diferente bom. - ele confirmou.

Continuamos nos encarando por alguns segundos a mais, até ele pegar sua camiseta e vesti-la. Desviei meu olhar para a janela, reparando que começava a escurecer.

- Então. - comecei, assim que ele já estava vestido. - Estamos juntos?

- Sim, estamos.

Suspirei, sabendo exatamente que Damon só me traria problemas. Ultimamente, eu parecia um farol para situação complicadas.

- Se vamos mesmo prosseguir com isso, eu quero saber tudo sobre você.

Ele voltou para o banco do motorista, engatando a chave e dando ré.

- Comece sabendo que eu não sou o mocinho, e isso nunca vai mudar.

- Então, eu estou atraído pelo vilão?

Ele demorou um pouco para responder, apenas voltando a falar quando finalmente voltamos para o asfalto.

- Digamos que sim.

Olhei através da janela, observando o lugar por onde passávamos.

- Eu ainda sinto algo por Derek. E você ainda parece sentir algo por Elena. - desabafei me lembrando vagamente das suas palavras de ontem.

- A diferença é que ela morreu, e Derek continua vivo.

- Mas Derek nem desconfia dos meus sentimentos. E ele me odeia. - confessei, e pela primeira vez, aquilo parecia não me incomodar mais.

- Elena parecia sentir algo por mim, mas era evidente que quem ela realmente amava era o Stefan. É sempre o Stefan. - ele disse,o que pareceu ser mais para ele, do que para mim.

- Eu não escolheria o Stefan. - admiti, ainda sem encará-lo.

- Você diz isso, porque começou conhecendo o lado fodido dele. Se não fosse por isso, seria mais um fã do bonzinho e sempre certinho Stefan.

Damon falava aquilo de um jeito triste. Percebi que essa comparação com o irmão era antiga e carregada de ressentimentos.

- Mesmo assim, eu ainda escolheria você. Você é mais sexy, divertido e interessante do que ele.

Olhei para Damon, a tempo de ver a sombra de um sorriso em seu rosto.

- Eu disse, você é diferente.


Notas Finais


A cada comentário a autora fica com um sorriso bobo no rosto :)
Perguntinha: Vampiros se excitam?
Só pra ter certeza, sabe, talvez, foquem no talvez, o lemon Stamon esteja chegando kkkk


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