História All That I've Got - Capítulo 20


Escrita por: ~

Postado
Categorias My Chemical Romance
Personagens Bob Bryar, Frank Iero, Gerard Way, Mikey Way, Ray Toro
Tags Frank Iero, Frerard, Gerard Way, MCR
Visualizações 41
Palavras 4.229
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Drama (Tragédia), Hentai, Lemon, Romance e Novela, Yaoi
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Oioi gente!!!
Hoje eu tô aparecendo aqui rapidinho, ainda não respondi os comentários anteriores porque essa última semana não tive tempo para nada... Nem escrever, e por isso que semana que vem não vai ter capítulo, okay? Quero retomar a vantagem de capítulos escritos que eu tinha antes...
Mas, bom, de qualquer jeito, quero agradeçer os comentários do anterior e também o novos favs. Amo vcs ❤
Vou parar de falar porque tenho que me apressar aqui, tenho um trabalho pra amanha, fiquem com esse cap novo, espero que gostem!
Bjssss, boa leitura ❤

Capítulo 20 - Capítulo 19 - Frank


   Com sono e por pouco não me entregando à vontade que eu tinha de fechar meus olhos, um único pensamento martelava em minha mente. Eu precisava dormir, estava exausto e, definitivamente, rezava para que as férias chegassem logo. Porém nenhuma prece parecia o suficiente para que o tempo nesse inferno, mais conhecido como aula de química, passasse. O professor dizia algo que não atraía meu interesse, nem um milésimo deste, as únicas coisas que ele conseguia em minha mente eram xingamentos intelectuais que demonstravam o quanto eu odiava, com todas as minhas forças, sua matéria e o quanto eu desprezava o próprio Sr. Wallace por ele simplesmente ser nojento. Passava cantadas nas garotas de minha sala e não conhecia a palavra respeito.


  Eu realmente não deveria pensar nisso enquanto minha mente se estressava pelo fato de que eu não descansara o suficiente durante a noite anterior, caso o contrário eu poderia acabar saindo da sala com o humor pior do que quando entrei. Esse homem realmente me tirava do sério com toda sua falta de escrúpulos. Por isso, respirei fundo e forcei meus pensamentos a voarem para longe, não me importava se fossem para a lua ou se simplesmente se focassem em Bert que se sentava ao meu lado, compondo um poema com total dificuldade, rabiscando frases inteiras, apenas porque o cara que ele há pouco se interessara estava no clube de poesia. McCracken nem sequer gostava de ler, quanto mais de poesia, chegava até a ser engraçado. Ao que eu o olhava enquanto tentava contar quantas mil vezes tínhamos passado por essa situação, ele deu um pequeno bilhete para mim, “hey, cara, você está bem?”, eu li sentindo seu olhar inquisidor queimando meu perfil, “sim, só estou com sono…”, respondi sendo honesto e coloquei em cima de sua mesa novamente, esperando que ele lesse e parasse com aquilo, eu estava cansado demais até para escrever um simples bilhete.


  Porém já era de se imaginar que Bert não pararia por aí, logo pegou sua caneta cor-de-rosa e escreveu algo que, a essa distância, eu não tinha a mínima ideia do que era. Mas isso não importava, não precisei esperar muito para que o pequeno papel estivesse em minhas mãos de novo e com as novas palavras escritas nele. Meu amigo me chamava de “anão gato do caralho" e perguntava, sutilmente, entre uma cantada totalmente sem noção no intuito de melhorar meu humor, se eu iria ao treino depois das aulas. O que, certamente, trouxe uma resposta positiva de mim, pois não tinha como faltar mesmo se eu estivesse morrendo de alguma doença muito grave. Apenas esse mês minha ausência já extrapolara o limite, e eu não tinha opção, precisava treinar, senão provavelmente teriam um bom motivo para tirar-me de meu título de capitão ou, até mesmo, me tirarem do time. Escrevi isso rapidamente, sem entrar muito em sua brincadeira com os elogios e tudo mais, apenas o essencial, e quase tive um infarto quando nosso professor parou em minha frente enquanto o papel ia de minha mão para a de McCracken. Eu iria morrer. Meu coração saltou de uma forma muito desconfortável, não como fazia quando eu colocava meus olhos em Gerard, foi algo mais forte e não tinha nada a ver com amor, por isso, talvez, tenha sido tão ruim.


  Por algum milagre, provavelmente, o sinal soou alto e estridente como sempre, aquele som que eu odiava, mas que agora era mais que bem vindo e apreciado, salvou minha pele de uma forma que seria impossível contar. Foi no tempo exato, Sr. Wallace estendeu sua palma manchada para nós e logo no instante seguinte aquela benção caiu sobre mim. Não havia como eu estar mais aliviado.


  Ele pareceu irritado com o fato de não ter fodido o histórico de um aluno por mal comportamento, e, bom… Isso chegava a ser engraçado, melhor ainda, dava-me a chance de rir um pouco de sua cara cheia de expressões que denunciavam seu descontentamento por não ter conseguido pegar o bilhete a tempo. Não consegui evitar, sorri para ele, sarcástico, e depois me levantei rapidamente com a mochila nas costas e o livro de química nos braços. Eu não admitiria, mas o pequeno trombar de ombros que acidentalmente ocorreu entre nós dois não foi tão acidental assim como eu afirmava.


  Mas, bom, eu estava aliviado que finalmente não ia precisar escutar mais nada sobre o quanto valia um mol de sódio ou qualquer outra coisa que aquele professor escroto estivesse tentando colocar em nossas cabeças.


  Bert me puxou para fora da sala de aula com brusquidão, praticamente fez com que eu corresse pelos corredores na tentativa de acompanhá-lo e não ficar para trás. Eu já sabia para onde iríamos, assim não foi tão difícil acompanhá-lo, pelo menos eu conhecia o caminho até de olhos fechados, estávamos indo em direção de nossa mesa de sempre.


  Chegando lá apenas comi uma maçã, afinal, durante o fim de semana, enquanto me reconciliava com meu avô, fizemos de todo o tipo de comida e, por isso, acabei comendo muito e engordando um pouco, um quilo. Tinha que perder logo isso. Se normalmente meu corpo não era dos melhores não seria com alguns quilos a mais que ficaria mais bonito, por isso eu tentava comer pouco essa semana, apenas o suficiente para não perder minhas forças.


 Enquanto isso meus amigos se enchiam com batatas fritas e riam, eu continuava morrendo de tanto sono, mas tentava acordar porque, após comer, teríamos treino e eu precisava correr, me esforçar, ser bom o suficiente.


  ***


  Com sorte cheguei vivo ao final de jogo, foi apenas uma partida para terminar aquelas horas intermináveis de exercícios, mas mesmo assim me cansara de forma que eu não achava possível. Mas talvez isso tivesse sim uma explicação: Gerard. Ele apareceu durante a partida, se sentou na primeira fileira da arquibancada totalmente vazia e passou a observar meus movimentos e dos outros jogadores, principalmente os meus e de seu irmão, e obviamente isso fez com que eu me esforçasse o máximo para que ele sentisse, não sei… Orgulho de mim? É, talvez essa fosse a palavra, mas eu não tinha certeza.


  Sendo assim, corri como se minha vida dependesse daquilo e de jogadas bem feitas, pulei e desviei, tudo com o máximo de perfeição que me era permitido. E quando ele olhava para mim e sorria, depois de um ponto marcado, eu sentia, além de minhas bochechas corando e o sorriso crescendo, que valia a pena.


  Com o fim tendo chego me despedi rapidamente de todos do time, lhes disse o quão bem foram no treino e o quanto poderiam ser incríveis em um jogo de verdade, responderam-me com elogios e abraços, nada fora do normal, a não ser aquele assunto que voltou repentinamente, antes de eu começar a andar, e me fez parar no lugar e pensar em uma desculpa rápida. “Hey, Frank, vamos sair? Aquela garota, Alex, sabe? Sente sua falta…”, perguntaram e depois, se referindo a menina que uma vez eu havia ficado, usando total tom de malícia. Neguei para a primeira questão e ignorei a segunda. Tinha motivos para isso, primeiro: eu estava cansado demais para pensar em ir para algum bar que vende bebida para menores com eles; segundo: eu não poderia nem ao menos pensar em beijar qualquer outra pessoa que não fosse o Way mais velho. Não eram essas palavras usadas pelos meus colegas, não deixaram claro que queriam que eu e Alex nos agarrássemos novamente, mas era essa a intenção deles. Só que, como dito antes, não havia a menor chance de isso acontecer, eu amava Gerard, se antes já era um esforço imenso beijar qualquer garota, agora então, seria impossível.


  Desviei do assunto com rapidez e me livrei deles, indo até Gerard em passos apressados, com Mikey ao meu lado. “Maninho, baby…” cumprimentou ele antes de continuar, dando um breve abraço no irmão e em mim, como se fosse apenas um ato de educação, “Mikey, se não se importa, hoje você vai com o motorista, eu e Frank vamos fazer algo, certo, pequeno?”. O Way mais novo assentiu e não perdeu a chance de dizer o quanto éramos nojentos depois de ver o olhar de seu irmão preso em meu corpo como se quisesse me despir ali mesmo. Fiquei constrangido, encolhendo os ombros ao que Gerard ria alto e mordia os lábios, ao final do momento de alegria, fitando mais uma vez minhas coxas.


  Nós três saímos juntos da escola como se o irmão de meu melhor amigo fosse apenas ser gentil e me levar até em casa, porém, chegando ao seu carro, Mikey se direcionou para outro destino, não sem antes se despedir de mim e do irmão.


  Gerard não demorou a colocar o carro em movimento, manobrou para fora do estacionamento e foi em direção à rua, e, depois, se ocupou em acariciar minha coxa como de costume.


  – Gee, para onde vamos? – não, eu não queria parecer indelicado ou ansioso, mas acabou que, com minha fala, fiz os dois. Gerard, por vez, pareceu pensar um pouco, mas nada saiu de sua boca. Eu poderia lidar com isso, respirar fundo e deixar ele me levar pra onde quer que fosse, mas eu era curioso demais para isso – … Então?


  – Uhn… – o som correu por seus lábios, ele ainda parecia indeciso – Eu não sei? – falou e riu, me pegando de surpresa, meus olhos cresceram – Eu meio que só queria passar um tempo contigo, mas não planejei nada. Bom… Não dá para irmos no meu apartamento, estão pintando as paredes, o cheiro deve estar horrível, e minha casa, nem pensar… Alguma ideia? – Oh, certo, eu tinha que pensar, rápido. Era difícil imaginar algum lugar que pudéssemos ter algum momento de paz, sentir apenas a presença um do outro, isso não acontecia há certo tempo, duas semanas, talvez. Seus pais haviam vindo durante o último fim de semana e já não nos víamos há sete dias nesse ponto, acabou que não deu para nos encontrarmos durante a semana que se seguiu.


  Nós realmente precisávamos de um tempo a sós.


  – Minha casa, talvez? – foi o melhor que consegui fazer, a ideia não era ótima, mas bastava, pelo menos por enquanto. Mas não negava que, se ele desse uma sugestão melhor, eu aceitaria – Meu avô ainda não vai estar lá, só chega mais tarde hoje…


  Então, desviando um pouco sua atenção do trânsito que estava parado por conta do sinal vermelho, beijou minha têmpora com carinho e assentiu. Era para lá mesmo que iríamos.


  O caminho foi longo, de certa forma, e pareceu mil vezes maior pelo motivo de que o congestionamento fez com que o tempo que ficamos trancados no carro, escutando músicas e conversando, vez ou outra alguns beijos breves, fosse muito maior que seria normalmente. Mas estava bom, de certa forma, por um lado eu odiava quando isso acontecia, todas aquelas buzinas eram irritantes, só que com ele ao meu lado a situação se tornava confortável. Foram, talvez, quarenta e cinco minutos até estarmos em frente à porta de nosso destino.


  Gerard não tardou em estacionar o carro com cuidado, desligar os motores e saltar para fora do automóvel, correndo até meu lado para repetir o ato que vezes já tinha feito, abrir a porta cordialmente como se estivéssemos em algum filme de época… Ele gostava dessa brincadeira, eu não criticaria, eu me sentia ainda mais especial ao lado dele nesses momentos.


  Porém, no instante em que seus braços me tiraram do chão eu já não o achava mais tão fofo, queria que ele me colocasse no chão! Não que isso mudasse o que fazia comigo, apenas riu de meu desespero para voltar ao solo e continuou a andar até a porta, onde também não deixou que minhas vontades fossem feitas. Obrigou-me a abrir a porta ainda acolhido em seu peito, os meus ombros e joelhos sustentados por seu braço. Fiz o que ele pediu com muita dificuldade, era difícil alcançar facilmente a fechadura quando a pessoa que te segurava não era muito paciente, ele não parava de se mexer e reclamar com aquele típico tom manhoso, “Frankie, vamos logo!”.


  O click tão característico soou e ele soube que poderíamos entrar, quase me matou contra a porta, pois se antecedeu e não esperou que a maçaneta tivesse sido girada para que tentasse empurrar a porta o quadril. “Gerard, porra, assim você vai me machucar!”, anunciei como se estivesse brigando com ele, em resposta recebi milhares de pedidos de desculpas, mas foi impossível continuar com a minha atuação quando o mar de risos me atingiu, a expressão que Gerard exibiu foi engraçada demais, demonstrava preocupação demais. Então não consegui evitar rir daquilo. O que resultou com ele me chamando de idiota, mas nada que não se resolvesse com um beijo que, a princípio, era para ser curto e casto, mas acabou se tornando desesperado e ousado.


  Não percebi a movimentação que Way fazia até chegarmos em outra porta, a de meu quarto, que ele abriu com um empurrão rápido, logo me largando em cima da cama e deitando seu corpo por cima.


  Sua boca na minha, o modo como investia, o ritmo apressado que minha língua tentava acompanhar, essa junção de fatores, junto a suas mãos que percorriam minhas curvas com propriedade, fez nossas peles queimarem e as roupas incômodas. Precisávamos nos livrar delas e desta vez não hesitei em retirar cada peça que cobria o meu corpo e o seu, nós realmente precisávamos disso, de certa forma. Nos tocamos de todas as formas possíveis, ele me preparou com cuidado, e, quando dei, por mim ele já investia em meu interior com aquela mistura enlouquecedora de carinho e brutalidade.


  Além de todo aquele prazer ele ainda me elogiava, assim como nossa primeira vez, mas agora, durante a segunda, ele falou, delicadamente baixo em meu ouvido aquelas três palavras… O “eu te amo” tão esperado. O arrepio que correu por todo o meu corpo talvez fosse pelo orgasmo que eu havia acabado de atingir, me liberando entre nossos corpos com um gemido alto demais, porém eu tinha quase certeza que foi pela emoção de escutar aquelas palavras saindo de sua boca.


  – Eu também te amo, Gee… Muito – com dificuldade para falar, ainda recuperando o fôlego e sentido ele saindo por completo de mim depois de também chegar ao seu ápice, anunciei meus sentimentos por ele.


  Sorrimos.


  Minha cama não era muito grande, nosso corpos colados cabiam perfeitamente nela, por isso eu praticamente, agora, me deitava em cima dele. Não sei como, mas voltamos a nos beijar como antes, totalmente desesperados, e em um piscar de olhos eu estava sentado em seu colo, uma perna de cada lado de seu corpo, marcando seu pescoço, apenas o provocando enquanto rebolava sobre seu membro que começava a endurecer novamente. Apertou minhas nádegas com uma das mãos e a outra foi para meu falo entre nossos abdômen, massageou-me e, ao mesmo tempo, penetrou dois dedos em mim. Gemi com a surpresa. Mas não parei, isso apenas me incentivou a provocá-lo mais, contorcendo-me sobre ele.


  Com certeza mais uma rodada viria, eu realmente tinha perdido completamente o sono e não queria parar, só que, ao contrário do que eu imaginava, paramos.


  Uma exclamação surpresa ecoou pela casa, talvez pelo bairro, e, então, eu apenas quis morrer.


  Meu avô estava na porta, as palmas impedindo que visse mais do que já tinha visto, pedindo desculpas sem parar e andando para trás, dizendo para que esquecesse-mos de sua existência. Mas, certamente, não foi isso que fizemos. No segundo seguinte eu saí do colo de Gerard e puxei minha coberta para cobrir nossos corpos, o senhor já não estava nem perto do quarto, mas eu queria me esconder.


  Olhei para Way, ele olhou para mim. Rimos, não havia mais nada o que fazer senão isso, já acontecera mesmo, restava a nós rir do momento totalmente constrangedor, já nos esquecendo totalmente do calor anterior. Escondi meu rosto em seu pescoço, minhas bochechas continuavam totalmente vermelhas, e, como resposta, me apertou contra o seu peito.


  – Queria passar mais um tempo com você pequeno, mas eu acho, realmente, que tenho que ir… – começou ele, acariciando meus cabelos, e depois beijou minha testa, já se levantando – Eu acho que seu avô não deve estar gostando tanto de mim agora – então riu, pegando sua boxer jogada no canto do quarto e a recolocando. Por vez eu continuei deitado, de bruços, enquanto observava suas roupas voltando para o lugar correto, até pensei em colocar as minhas também, mas a preguiça voltou e meu corpo não parecia querer se mexer nem por um milhão de dólares. Mesmo que eu estivesse totalmente exposto, sem nada para me cobrir, e os olhos de Gerard me analisando mais uma vez, detalhe por detalhe, não me sentia desconfortável como achei que aconteceria… Ou isso era apenas meu sono pregando-me peças, tirando de minha mente a ideia de pegar meu cobertor que foi ao chão ao que o de cabelos vermelhos se levantou – Meu Deus, baby, você é muito gostoso! – ele anunciou, talvez um pouco mais alto do que deveria, e eu corei, ainda mais quando minha bunda foi acertada por um tapa estalado vindo dele – Agora vai! Se veste! Preciso ir embora e você tem que fechar a porta pra mim…


  – Tenho? – perguntei. “Claro! Você acha que vou conseguir olhar para a cara do seu avô agora?”, ele respondeu. Seu ponto era válido, então, por isso, apenas por isso, me levantei e coloquei rapidamente uma roupa qualquer, o suficiente para levá-lo até o exterior.


  Trocamos mais algumas palavras, assuntos banais, vez ou outra voltando para o flagra em que fomos pegos, o que trazia crises de riso e fazia com que minhas bochechas se tornassem extremamente vermelhas. Mas, no fim das contas, o levei até a porta e nos despedimos com um breve selar de lábios e um abraço.


  E agora restava uma coisa. Eu precisava falar com meu avô, não sabia ao certo o que, mas precisava explicar a cena que presenciou há pouco. Eu não queria, não mesmo, mas algo dentro de mim falava que era o certo a se fazer. Eu estava errado? Era difícil saber, dentro de minha cabeça parecia melhor do que deixar quieto e fingir que nunca aconteceu, seria difícil demais olhar para meu avô se eu não enfrentasse isso agora. O constrangimento parecia ser menor agora que tudo havia recém acontecido. Por isso respirei fundo e fui até seu quarto, provavelmente onde ele se encontrava já que era o único cômodo com as luzes acesas.


  Chegando lá o encontrei mexendo em alguns papéis, várias folhas espalhadas pelo colchão e ele sentado entre elas, as pernas embaixo das cobertas, e seus olhos examinavam o que estava escrito nas superfícies brancas com cuidado, uma calculadora descansava ao seu lado e era por vezes utilizadas em contas rápidas. Tossi sem graça no intuito de avisar que, no momento, eu adentrava pela porta em passos desorientados e atrapalhados. Além de uma leve dor para andar havia o fato de que minha mente preferia desligar do que falar com ele, mas me forcei a continuar.


  Olhou para mim e sorriu sem graça. Deus, eu queria morrer! Nunca, em toda a minha vida, achei que podia me sentir tão constrangido dentro de minha própria casa! A vergonha era tanta que pareci travar, não conseguia falar, apenas seus olhos sobre mim tiraram qualquer explicação que eu tinha de mente, por pouco não voltei atrás e corri na direção contrária. Apenas me mantive no lugar de antes, pois ele mesmo começou a falar algo que eu esperava, do fundo do meu coração, que fizesse um pouco do constrangimento sumir. “O Gerard já foi embora?”. Okay, suas palavras não me ajudaram do jeito que eu queria, mas, pelo menos, o silêncio incômodo sumira com elas, eu me sentia mais à vontade para falar assim.


  – Uhum... – assenti, pensativo, antes de chamar sua atenção novamente – Vô? – … Eu realmente não sabia como começar. Eu nunca havia sequer cogitado passar por isso, agora as palavras pareciam presas, porém, quando ele fez um pequeno gesto para que eu continuasse não teve jeito, tive que soltar algo, por mais improvisado que fosse – Sobre o que o senhor viu… Me desculpe, eu sei que não esperava nos ver, ham, bem… Daquele jeito – parabéns, Frank! Tão maduro que não conseguia ao menos pronunciar a palavra “transar” sem se tornar um pimentão de tão vermelho. Ótimo!


  – Não precisa se desculpar, meu neto, vocês jovens fazem sexo. É normal, eu só não esperava pelo o que vi – por mais descontraído que ele tentasse parecer eu percebia que não era verdade, o riso amarelo que ele soltou para mim o entregou sem que ele percebesse. Expliquei, brevemente, que não esperava que ele chegasse tão cedo em casa e por isso fui para cama com Gerard, finalizando minha fala com mais um pedido de desculpas que ele pareceu ignorar – Eu só estou um pouco incomodado com o fato, Frank, de que você me escondeu que não é mais virgem. Sempre achei que você compartilharia essas coisas comigo, assim como era quando você era menor, por exemplo, a primeira vez que beijou um garoto… Sempre fui o primeiro a saber das coisas – oh… Então era isso que o incomodava. Eu não ter dividido com ele que já tivera minha primeira vez. Meus amigos costumavam falar que eu era muito transparente e verdadeiro, se isso era verdade eu não sabia ao certo, mas, caso fosse, vinha de vovô Iero.


  – Eu me lembro! Eu tinha, sei lá, nem dez anos? Guardei aquilo comigo por duas semanas para que você fosse o primeiro a saber, mesmo que fosse só um selinho já era demais pra mim – uma memória boa e divertida, sem dúvida alguma. No fim das contas o garoto que me beijou sumiu do parquinho alguns dias depois, mas eu não ligava, me achava já adulto por um simples selar de lábios. As únicas pessoas a saberem foram meus pais e meu avô, na época, e depois alguns poucos amigos quando eu, mais velho, decidi expor que era gay. No mesmo dia que contei para o senhor tive que encarar um pouco da realidade, ainda criança… Ele me apoiou, disse com todas as letras que me amava, independente da minha orientação sexual, mas também deixou claro que nem todo mundo agiria desta forma. Tivemos uma longa conversa, ele me explicou, com simplicidade para uma criança entender sem deixar de fora toda a complexidade do assunto, tudo o que sabia sobre homosexualidade, o que não era uma coisa imensa, mas eu não o julgaria, cresceu em um tempo totalmente diferente do meu. Com as memórias em mente cheguei a conclusão de que eu realmente deveria ter falado sobre aquilo com ele, mas também não me culparia, quando aconteceu eu ainda tentava sair de perto dele de todas as formas possíveis – Me desculpa por não contar, eu…


  – Tudo bem, Frankie – interrompeu-me, depois bateu levemente no colchão ao seu lado e, para que fosse possível que eu sentasse, puxou os papéis espalhados para seu colo – Então porque não me conta agora? – isso era, no mínimo, inusitado, mas não pude negar que sorri com sua proposta, senti novamente aquela sensação preenchendo meu peito, aquela sensação tão boa de que eu estava conseguindo deixar meus traumas para trás e ser amigo do meu avô novamente.


   – Bom, não faz muito tempo que aconteceu. Um mês, no máximo. Foi com o Gerard mesmo, minha primeira vez… – era inevitável sorrir com as lembranças daquela noite, por isso não reprimi um sorriso bobo que surgiu em meus lábios ou o rubor por minhas bochechas ao escutar a seguinte pergunta: “Foi bom?” – Sim… Foi perfeito, ele preparou cada detalhe, e foi gentil. Me senti incrível e foi muito, muito bom… – já era o suficiente, ele não precisava saber de mais detalhes, isso era o limite para fazê-lo satisfeito de informações, aposto que ele não era como Bert que quis saber todos os mínimos detalhes e, novamente, fez perguntas inusitadas sobre o tamanho do membro de Gerard. Deus, eu precisava contar sobre hoje para Bert, ele iria rir muito. Mas, saindo desse foco de pensamentos, olhei para as folhas sobre suas pernas e senti-me subitamente curioso – O que é isso?


  – Nada! – falou abruptamente, escondendo as escritas dos papéis o mais rápido que pode, no exato momento aquela pequena pulga atrás da orelha se fez presente. Ele estava me escondendo algo. Então insisti, milhares de vezes, com a voz suplicante. Toda a negação que eu recebia em troca apenas me fazia mais agoniado, com medo do que poderia vir, mas, no fim das contas, talvez me desesperando mais ainda, ele cedeu e deixou que eu os visse – Aqui, pode ver…


  Eram contas, várias, de valores que iam dos mais baixos aos mais altos, todos nos nomes de meu avô, muitas atrasadas, com juros altíssimos. Grande parte ainda valores remanescentes do meu período de internação… Eram contas que não acabavam, apenas se acumulavam, chegava a ser aterrorizante porque eu sabia que meu avô não podia bancar um quarto daquele jeito, mas, era ainda pior, porque a consciência de que eu tinha que fazer algo me atingiu.


  Atingiu-me repentinamente, com uma força maior que o normal, dando-me certeza que eu não me daria ao luxo de deixar esses papéis de lado e não o ajudar.


  Eu precisava ajudar. 


Notas Finais


Então???? O que acharam? Espero ver vocês nos comentários e saber se gostaram ;)
Tiveram os amiguinhos, Gee e também o vovô Iero (esses dois estão cada vez mais próximos)! E o momento constrangedor, o OTP sendo pego na cama hahahahha eu estou um pouco insegura com essa parte, mas tudo bem... :')
No fim das contas Frank encontrou coisas não tão agradáveis... É aquela coisa, né, não podemos fazer nada.
Agora tenho que ir! Espero mesmo que tenham gostado!
Bjsssss, até o próximo bbs ❤❤❤


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