História All Your - Capítulo 12


Escrita por: ~

Postado
Categorias Cameron Dallas, Justin Bieber, Lucy Hale
Tags Harry Styles, Justin Bieber, Zayn Malik
Visualizações 133
Palavras 4.282
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Romance e Novela, Saga
Avisos: Álcool, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Boa Leitura!!

Capítulo 12 - Capítulo 12


*Melissa Miller*

Justin me pegou no chuveiro na manhã seguinte. Ele entrou na banheira gloriosamente nu, com a elegância confiante que admirei desde o início. Observando seus músculos se flexionarem enquanto se movia, nem disfarcei ao olhar o magnífico pacote que havia entre suas pernas.

Apesar da água quente, meus mamilos ficaram duros e eu senti arrepios pelo corpo todo.

O sorriso que ele abriu quando se juntou a mim mostrava que sabia exatamente o efeito que provocava. Eu me vinguei passando as mãos ensaboadas por todo o seu corpo divino, depois me sentei no banquinho e o chupei com tanto entusiasmo que ele precisou se equilibrar se apoiando com as duas mãos na parede.

As instruções que ele ditou para mim com a voz rouca e grave ecoaram na minha mente enquanto eu me vestia para o trabalho — o que fiz sem perder tempo, antes que ele tivesse a chance de me foder todinha, como havia ameaçado fazer pouco antes de gozar com força na minha garganta.

Naquela noite não houve pesadelos. O sexo parecia ser um sedativo eficiente, para a minha satisfação.

— Espero que você não esteja pensando que escapou, Justin disse quando veio atrás de mim na cozinha. Imaculadamente vestido com seu terno preto de risca de giz, ele aceitou a xícara de café que ofereci enquanto me lançava um olhar que era uma promessa de todos os tipos de perversões. Vendo—o em seus trajes impecavelmente civilizados, pensei no homem insaciável que se enfiou na minha cama na noite anterior. Meu coração acelerou. Eu estava dolorida, meus músculos ainda se contraíam diante da recordação do prazer, e mesmo assim queria mais.

— Continue olhando assim pra mim, ele ameaçou, inclinando—se casualmente sobre o balcão e bebendo café. — Veja o que acontece.

— Vou perder meu emprego por sua causa.

— Eu arrumo outro para você.

Soltei uma risadinha. — De quê? Escrava sexual?

— Boa sugestão. Podemos conversar a respeito.

— Muito cruel, você, murmurei enquanto enxaguava minha caneca na pia e punha na lava— louças. — Está pronto? Pro trabalho?

Ele terminou o café, e eu estendi a mão para pegar a caneca, mas ele passou por mim e a enxaguou ele mesmo. Outra demonstração de mortalidade que demonstrava como ele era acessível e não um ser divino, uma fantasia à qual não tive muito tempo para me apegar.

Justin me encarou. — Quero levar você pra jantar hoje à noite, e depois pra minha casa, pra minha cama.

— Não quero que você enjoe logo de mim, Justin. Ele era um homem acostumado a ficar sozinho, alguém que não entrava num relacionamento de verdade fazia muito tempo, se é que algum dia tivera um. Quanto tempo demoraria até seus instintos falarem mais alto? Além disso, precisávamos evitar aparecer em público juntos...

— Não arrume desculpas. Ele fechou a cara. — Não é você quem vai dizer se sou ou não capaz de manter esta relação.

Fiquei chateada por tê—lo ofendido. Ele estava se esforçando, e eu precisava incentivar seu comportamento, não criticar. — Não foi isso que eu quis dizer. Eu só não quero sufocar você. Além disso, precisamos...

— Melissa. Ele suspirou. Aquela tensão toda o estava deixando exasperado. — Você precisa confiar em mim. Eu confiei em você. Se não tivesse feito isso, não estaríamos aqui agora.

Concordei com a cabeça, engolindo em seco. — Então está combinado, jantar fora e depois vamos pra sua casa. Sinceramente, mal posso esperar

O discurso de Gideon sobre confiança ficou na minha cabeça a manhã toda, o que se mostrou uma coisa boa quando mais um alerta do Google apareceu na minha caixa de entrada.

Havia mais de uma foto dessa vez. Todos os artigos e posts de blogs continham diversas imagens de mim e de Cameron trocando abraços de despedida ao sair do restaurante onde almoçamos no dia anterior. As legendas eram especulações sobre a natureza da nossa relação, e algumas incluíam a informação de que vivíamos juntos. Outras sugeriam que eu estava enrolando o — playboy bilionário Bieber enquanto mantinha um relacionamento paralelo com meu namorado modelo.

A razão para tudo aquilo ficou clara quando vi uma fotografia de Justin entre as minhas com Cameron. Havia sido tirada na noite anterior, enquanto eu estava em casa com Cameron e Nash — quando ele deveria estar num jantar de negócios, conforme havia me dito. Na imagem, Justin e Selena Gomez sorriam intimamente um para o outro, de braços dados na frente de um restaurante. As legendas variavam de exaltações à — coleção de belas socialites de Justin a especulações de que ele estava afogando as mágoas causadas pela minha infidelidade.

Você precisa confiar em mim.

Fechei o e—mail com a respiração e a pulsação fora de controle. A confusão e o ciúme provocavam um turbilhão dentro de mim. Sabia que ele não seria capaz de manter uma relação íntima com outra mulher, sabia que gostava de mim. Mas eu odiava Selena com tamanho ardor — algo que ela mesma havia provocado com aquela nossa conversinha no banheiro — que não conseguia suportar a ideia de vê—la com Justin. Não suportava vê—lo sorrir para ela com tanto carinho, especialmente depois da maneira como ela me tratou.

Mas no fim deixei tudo de lado. Abandonei temporariamente esses pensamentos e me concentrei no trabalho. Harry teria uma reunião com Justin no dia seguinte sobre a solicitação de proposta da campanha da Kardashian, e eu estava coordenando o fluxo de informações entre ele e os demais departamentos envolvidos.

— Ei, Melissa. Harry esticou a cabeça para fora da sala dele. — Louis e eu vamos almoçar no Bryant Park Grill, e ele me pediu pra convidar você.

— Eu adoraria. Meus horizontes para aquela tarde se abriram com a possibilidade de almoçar em um dos meus restaurantes favoritos com dois caras sensacionais. Seria bom para desviar meu pensamento da conversa que em breve eu teria com Justin sobre meu passado.

Minha privacidade claramente havia ido para o espaço. Eu teria que tomar coragem e conversar com ele antes de sairmos para jantar. Antes que Justin voltasse a ser visto comigo em público. Ele precisava saber do risco que corria ao associar sua imagem à minha.

Quando recebi uma correspondência interna pouco tempo depois, imaginei que fosse um modelo de anúncio para a Kardashian, mas na verdade era um bilhete dele.

HORA DO ALMOÇO. MEU ESCRITÓRIO.

— Sério mesmo?, murmurei, irritada pela secura da mensagem. Sem falar no tom imperativo. E como esquecer o fato de ele não ter mencionado que tinha se encontrado com Selena no jantar?

Será que Justin a tinha convidado para acompanhá—lo no meu lugar? Era para isso que ela servia, afinal de contas. Era a mulher que com quem ele comparecia aos eventos que iam além de seu quarto de hotel.

No verso do cartão em que Justin mandou o bilhete, escrevi uma mensagem igualmente curta e sem assinatura.

Desculpe. Outros planos.

Uma resposta antipática, mas ele mereceu. Faltando quinze para o meio—dia, Harry e eu descemos. Quando o segurança me barrou e ligou para Justin avisando que eu estava no saguão, minha irritação virou revolta.

— Vamos embora, eu disse para Harry, atravessando a porta giratória, ignorando os apelos do segurança para que eu esperasse. Eu me senti mal por envolver meu chefe naquela situação.

Vi Edward e o Bentley estacionados no meio—fio, e nesse exato momento a voz de Justin proferiu meu nome como uma chicotada nas minhas costas. Eu me virei para ele e vi sua expressão gelada e impassível.

— Vou almoçar com meu chefe, eu disse, segurando o choro.

— Aonde vocês vão, Styles?, Justin perguntou sem tirar os olhos de mim.

— Ao Bryant Park Grill.

— Eu levo Melissa até lá. Dito isso, ele me pegou pelo braço e me conduziu com firmeza até a porta traseira do Bentley, que Edward já tinha aberto para mim. Justin entrou logo depois, forçando—me a deslizar pelo assento. A porta se fechou e o carro arrancou.

Ajeitei meu vestido preto de volta para o lugar. — O que você está fazendo? Além de me envergonhar na frente do meu chefe!

Ele jogou o braço por cima do assento e se inclinou até mim. — Cameron está apaixonado por você?

— Quê? Não!

— Você já trepou com ele?

— Você enlouqueceu? Abismada, arrisquei olhar para Edward e notei que ele estava tentando não ouvir. — Olha só quem fala, o playboy bilionário com uma coleção de belas socialites.

— Então você viu as fotos.

Eu estava bufando de raiva. Como ele tinha coragem de dizer aquilo? Virei a cabeça para o outro lado, tentando me livrar dele e de suas acusações idiotas. — Cameron é como um irmão pra mim. Você sabe disso.

— Sim, mas você pra ele é o quê? Aquelas fotos são bem claras, Melissa. Sei reconhecer o amor quando o vejo.

Edward diminuiu a marcha para que os pedestres atravessassem a rua. Abri a porta e olhei para Justin por cima do ombro, permitindo que ele me encarasse. — Isso você claramente não sabe.

Bati a porta com força e saí andando sem pensar duas vezes, sabendo que tinha todo o direito de estar revoltada. Eu havia feito um esforço hercúleo para dominar meu ciúme e o que ganhava em troca? Um Justin furioso e totalmente irracional.

— Melissa. Pare agora.

Fiz um gesto ofensivo para ele por cima do ombro e subi correndo os degraus do Bryant Park, um oásis luxuosamente verde e tranquilo bem no meio da cidade. Cruzar aquela entrada era como ser transportada para outro mundo. Escondido entre os arranha—céus ao redor, o parque ficava no jardim dos fundos de uma belíssima biblioteca antiga. Um lugar onde o tempo corria mais devagar, onde as crianças sorriam com o prazer inocente de andar no carrossel, e os livros eram valorizados como bons companheiros.

Infelizmente para mim, um ogro maravilhoso do mundo real havia me seguido até lá. Justin me agarrou pelo punho.

— Não corra, ele sussurrou na minha orelha.

— Você está dando uma de maluco.

— Deve ser porque você está me deixando louco. Seus braços se contraíram como garras de aço. — Você é minha. Diga que Cameron sabe disso.

— Sabe. Da mesma forma como Selena sabe que você é meu. Queria que ele estivesse ao alcance da minha boca, para poder mordê—lo. — Você está dando vexame.

— Poderíamos ter feito isso no escritório se você não fosse tão teimosa.

— Eu já tinha compromisso. Que você está arruinando, aliás. Minha voz sucumbiu ao choro, e as lágrimas rolaram só de pensar na quantidade de pessoas que deveriam estar vendo aquela cena. Eu seria demitida por não saber me comportar em público. — Você estragou tudo.

Justin me soltou por um instante, forçando—me a olhar para ele. Suas mãos nos meus ombros eram um sinal de que eu ainda não estava livre.

— Minha nossa. Ele me puxou para perto dele, e meus lábios roçaram seus cabelos. — Não chore. Desculpe.

Dei um soco no peito dele, um golpe tão eficiente como tentar derrubar uma parede de concreto a tapa. — Qual é o seu problema? Você pode sair com uma piranha arrogante que me chama de vagabunda e acha que ainda vai ser sua mulher, mas não posso almoçar com um amigo que sempre fez tudo por mim?

— Melissa. Ele agarrou minha nuca com uma das mãos e apertou seu rosto contra o meu. — Por acaso Sel estava no mesmo restaurante em que estava ocorrendo o tal jantar de negócios.

— Não me interessa. E você ainda vem falar sobre o olhar no rosto dos outros. O jeito como você olha pra ela... Como você pode fazer isso depois de tudo o que ela disse pra mim?

— Meu anjo... Os lábios dele beijavam ardentemente todo o meu rosto. — Aquele olhar era pra você. Sel foi conversar comigo lá fora e eu disse que estava indo pra sua casa. Não consigo evitar esse olhar no meu rosto quando penso em nós dois.

— E você quer que eu acredite que ela abriu um sorrisão ao ouvir isso?

— Ela me pediu para mandar um oi, mas eu achei que isso não pegaria muito bem, e não queria de jeito nenhum estragar nossa noite por causa dela.

Abracei a cintura dele por baixo do paletó. — Precisamos conversar. Hoje à noite, Justin. Preciso contar algumas coisas pra você. Se um repórter souber onde procurar e der um pouco de sorte... Nossa relação tem que ficar restrita a nós dois, ou então terminar. Seja como for, vai ser melhor pra você.

Justin envolveu meu rosto com as mãos e apertou sua testa contra a minha. — Não vai ser uma coisa nem outra. Vamos dar um jeito de contornar isso, seja o que for.

Fiquei na ponta dos pés e encontrei sua boca. Nossas línguas se encontraram e se acariciaram em um beijo apaixonado. Eu estava consciente, até certo ponto, da multidão ao nosso redor, do rumor das diversas conversas, do ruído constante do trânsito ininterrupto, mas, nos braços de Justin, sob sua proteção, nada disso importava. Ele era ao mesmo tempo um tormento e um prazer, um homem cujas mudanças de humor só rivalizavam com as minhas.

— Pronto, ele sussurrou, acariciando meu rosto com os dedos. — Vamos deixar esta imagem se espalhar pela internet.

— Você não está levando a sério o que eu digo, seu teimoso. Preciso ir.

— Vamos pra casa juntos depois do trabalho. Ele se afastou, segurando a minha mão até a distância enfim separar nossos dedos.

Quando me virei para o restaurante com paredes cobertas por trepadeiras, vi Harry e Louis esperando por mim logo na entrada. Eles formavam um casal curioso — Harry de terno e gravata, Louis de jeans surrado e botas de operário.

Louis estava com as mãos nos bolsos e um enorme sorriso em seu lindo rosto. — Acho que eu deveria aplaudir. Foi mais legal que ver uma comédia romântica.

Fiquei vermelha de vergonha e me encolhi toda.

Harry abriu a porta e fez sinal para que eu entrasse. — Acho que você pode esquecer o que falei sobre Bieber ser um cafajeste.

— Obrigada por não me demitir, eu disse em tom de brincadeira antes que a hostess aparecesse para confirmar nossa reserva. — Ou pelo menos por não me demitir de barriga vazia.

Louis deu tapinha no meu ombro. — Harry não pode se dar ao luxo de perder você.

Meu chefe puxou uma cadeira para mim e sorriu. — De que outra forma eu e Lou receberíamos notícias sobre sua vida amorosa? Ele é viciado em novelas. Fanático por histórias de amor.

Dei risada. — Você está brincando!

Louis passou a mão pelo queixo e sorriu. — Nunca vou admitir nem uma coisa nem outra. Um homem tem direito a seus segredos.

Apesar de ter achado graça naquilo, eu sabia que também tinha minhas verdades ocultas. E que estava chegando a hora de elas virem à tona.

Quando chegaram as cinco horas, ainda não me sentia pronta para revelar meus segredos. Estava tensa e séria quando Justin e eu entramos no Bentley, e minha inquietação só aumentou quando percebi que ele estava observando atentamente a expressão do meu rosto. Ele pegou minha mão e a beijou, e eu senti vontade de chorar. Ainda estava me recuperando da nossa discussão, e aquela na verdade era a menor das nossas preocupações.

Não conversamos até chegar ao apartamento.

Quando entramos em sua casa, ele me guiou pela linda e luxuosa sala até o corredor que levava a seu quarto. Sobre a cama, havia um lindo vestido da cor dos olhos de Justin e um robe de seda longo.

— Tirei um tempinho pra fazer umas compras antes do jantar de ontem, ele explicou.

Minha apreensão deu uma leve trégua, amenizada por aquela demonstração de gentileza. — Obrigada.

Ele deixou minha bolsa em uma cadeira perto da cômoda. — Queria que você ficasse à vontade. Pode usar o robe ou alguma roupa minha. Vou abrir uma garrafa de vinho e já volto. Quando quiser, podemos conversar.

— Eu queria tomar um banho rápido antes. Desejei que fosse possível separar o que aconteceu no parque do que eu tinha para contar, de modo que uma coisa não se misturasse com a outra, mas não havia escolha. Cada dia que passasse seria uma nova oportunidade de Justin descobrir através de outra pessoa algo que precisava ser dito por mim.

— Como quiser, meu anjo. Sinta—se em casa.

Quando desci dos saltos e fui para o banheiro, senti o peso de sua preocupação, mas minhas revelações teriam que esperar até eu conseguir me recompor. Em uma tentativa de retomar o controle, passei um bom tempo no chuveiro. Infelizmente, aquilo só me fez lembrar do banho que tomamos juntos naquela manhã. Teria sido o primeiro e último da nossa vida de casal?

Quando senti que estava pronta, encontrei Justin sentado no sofá da sala. Estava com uma calça de pijama de seda preta, bem folgada e baixa nos quadris. E nada mais. Uma pequena chama crepitava na lareira e havia uma garrafa de vinho branco mergulhada num balde de gelo em cima da mesa de centro. A luz dourada das velas ao redor era a única fonte de iluminação além da lareira.

— Com licença, eu disse, parada na entrada do cômodo. — Estou procurando por Justin Bieber, o homem que não tem o romance no seu repertório.

Ele sorriu, um tanto envergonhado, um sorriso de menino que contrastava com a sexualidade madura do seu corpo seminu. — Não vejo isso como romance. Estou só tentando agradar. Simplesmente penso em uma coisa e torço para dar certo.

— O que me agrada é você. Fui até ele com o robe de seda flutuando em torno das minhas pernas. Adorei ver que ele tinha vestido uma roupa que combinava com aquela que havia comprado para mim.

— É o que eu quero, ele disse num tom bem sério. — Estou tentando.

Parei na frente dele e admirei a beleza do seu rosto e a maneira sexy como as pontas dos seus cabelos acariciavam a parte superior dos seus ombros. Percorri seus bíceps com as palmas das mãos, apertando suavemente sua musculatura rígida antes de colocar meu rosto contra seu peito.

— Ei, ele murmurou, envolvendo—me em seus braços. — Isso é porque fui um babaca na hora do almoço? Ou por causa daquilo que você quer me contar? Fale comigo, Melissa, pra que eu possa dizer que vai ficar tudo bem.

Esfreguei o nariz no peitoral dele, sentindo sua respiração e o cheiro familiar e reconfortante de sua pele. — Acho melhor você sentar. Tenho umas coisas sobre mim pra contar. Coisas pesadas.

Um tanto relutante, Justin me soltou quando me afastei dele. Aninhei—me no sofá, sentando sobre os calcanhares, e ele serviu duas taças de vinho antes de sentar. Inclinado na minha direção, ele apoiou um dos braços sobre o encosto do sofá e segurou a taça com a outra mão, concedendo a mim toda a sua atenção.

— Muito bem. Lá vai. Respirei fundo antes de começar, sentindo—me tonta pelo batimento acelerado do meu coração. Não conseguia me lembrar da última vez que havia ficado tão nervosa e com o estômago tão embrulhado.

— Minha mãe e meu pai não eram casados. Não sei muito bem como eles se conheceram, porque nenhum dos dois gosta de falar a respeito. Sei que a família da minha mãe tinha dinheiro. Não tanto quanto os maridos dela, mas com certeza mais que a maioria das pessoas. Ela era uma debutante. Passou por todo o ritual do vestido branco e da apresentação à sociedade. Ficar grávida era uma grande complicação para a vida dela, mas mesmo assim minha mãe não interrompeu a gravidez.

Olhei para a minha taça de vinho. — Eu a admiro muito por isso. Houve muita pressão para que tirasse o bebê — no caso, eu —, mas ela foi até o fim. Obviamente.

Seus dedos passeavam pelos meus cabelos ainda molhados do banho. — Sorte minha.

Peguei sua mão e beijei seus dedos, depois a segurei junto ao meu colo. — Mesmo sendo novinha, ela conseguiu fisgar um milionário. Era um viúvo com um filho só dois anos mais velho que eu, então acho que todos pensaram que o casamento seria muito conveniente para ambas as partes. Ele viajava muito e quase não parava em casa. Minha mãe poderia gastar o dinheiro dele à vontade e em troca assumiria a criação do garoto.

— Eu entendo essa necessidade de ter dinheiro, Melissa, ele murmurou. — É uma coisa que eu também tenho. O poder que ele traz. A segurança.

Nossos olhares se encontraram. Alguma coisa se fortaleceu entre nós naquele momento de sinceridade. Isso tornou mais fácil para mim continuar a história.

— Eu tinha dez anos quando o filho do meu padrasto me estuprou pela primeira vez...

A haste da taça dele se partiu em sua mão. Ele ainda teve o reflexo de apanhar o bojo caído sobre sua perna antes que o conteúdo se derramasse.

Eu me levantei às pressas quando vi que ele fez o mesmo. — Você se cortou? Está tudo bem?

— Sente—se, Melissa.

Olhei para ele. Estava tenso, com os olhos gelados. Ele acariciou meu rosto e falou num tom mais suave: — Sente—se... por favor.

Minhas pernas bambas cederam, e eu me sentei na beirada do sofá, apertando bem o robe contra o corpo.

Justin permaneceu de pé, dando um grande gole em sua bebida. — Você disse que essa foi a primeira vez. Houve mais quantas?

Respirei bem fundo, lutando para me acalmar. — Não sei. Perdi a conta.

— Você contou para alguém? Contou para sua mãe?

— Não. Pelo amor de Deus, se ela soubesse, teria me tirado de lá. Mas Christopher fez de tudo para me deixar apavorada, de modo que não tocasse no assunto. Tentei engolir, mas minha garganta estava rígida, fechada, e a queimação que sentia fez com que eu me encolhesse toda. Quando voltei a falar, minha voz não passava de um sussurro. — Teve uma época em que a coisa ficou tão feia que eu quase contei mesmo assim, mas ele percebeu. Notou que eu estava prestes a abrir a boca. Foi quando quebrou o pescoço da minha gata e deixou o cadáver na minha cama.

— Minha nossa. Justin estava ofegante. — Ele não era só um tarado, era totalmente maluco. E estava molestando você... Melissa.

— Os empregados da casa deviam saber, continuei, de cabeça baixa, olhando para minhas mãos contorcidas. Eu só queria acabar logo com aquilo e fazer as lembranças voltarem para um compartimento da minha mente no qual elas não atrapalhassem minha vida no dia a dia. — Como não disseram nada, acho que também tinham motivos pra ter medo. Eles eram adultos e não abriram a boca. Eu era uma criança. O que eu poderia fazer se os adultos não faziam nada?

— Como você saiu dessa?, ele perguntou com a voz rouca. — Quando isso terminou?

— Quando eu tinha catorze anos. Pensei que estava menstruando, mas era sangue demais. Minha mãe entrou em pânico e me levou ao pronto—socorro. Tinha sido um aborto espontâneo. Durante o exame encontraram sinais de... outros traumas. Cicatrizes vaginais e anais...

Justin pôs seu copo na mesa, batendo—o com força contra a madeira.

— Sinto muito, sussurrei, sentindo um nó no estômago. — Eu não queria entrar em detalhes, mas você precisa saber o que as pessoas podem descobrir se pesquisarem. O hospital fez uma denúncia ao conselho tutelar. Os arquivos do processo são confidenciais, mas muita gente conhece a história. Quando minha mãe se casou com o Wesley, ele fez questão de reforçar essa confidencialidade, ofereceu dinheiro em troca de acordos de sigilo... coisas do tipo. Mas você tem o direito de saber que essa coisa toda pode vir à tona e fazer você passar vergonha.

— Vergonha?, ele explodiu, remoendo—se de raiva. — O que estou sentindo agora não tem nada a ver com vergonha.

— Justin...

— Eu destruiria a carreira do repórter que escrevesse sobre isso, depois fecharia o veículo que publicasse. Ele estava furioso, mas demonstrava uma frieza glacial. — Vou encontrar o monstro que fez isso com você, Melissa, quem quer que seja ele, e fazer com que se arrependa de ter nascido.

Estremeci inteira, porque acreditava nele. Estava estampado em seu rosto. Marcado no seu tom de voz. Na energia que ele exalava e na sua determinação absoluta. Ele não era um loiro perigoso só por causa do visual. Justin era um homem que conseguia o que queria. A qualquer preço.

Eu me levantei. — Não vale a pena gastar tempo e esforço com ele.

— Por você, vale. E muito. O que for preciso.

Cheguei mais perto da lareira e senti o calor do fogo. — E tem também o rastro deixado pelo dinheiro. Os policiais e os jornalistas sempre vão atrás do dinheiro. Alguém pode se perguntar por que minha mãe saiu do primeiro casamento com dois milhões de dólares e sua filha de outro relacionamento saiu com cinco.

Não precisei nem olhar para ele para saber que estava paralisado. — Obviamente, continuei, — essa quantia deve ser muito maior hoje em dia. Não sei nem quero saber o total, mas quem administra esse dinheiro é Wesley, e todo mundo sabe que ele tem o toque de Midas. Portando, se alguma vez você desconfiou que eu poderia estar atrás do seu dinheiro...

— Pode parar por aí.

Eu me virei para encará—lo. Vi seu rosto, seus olhos. Vi que estava horrorizado, e que sentia pena de mim. Mas foi o que não vi que mais me magoou.

Meu maior pesadelo tinha se materializado. O que eu mais temia é que meu passado tivesse um impacto negativo na atração que ele sentia por mim. Eu havia dito para Cameron que Justin poderia querer ficar comigo pelos motivos errados. Que ele poderia ficar ao meu lado, mas mesmo assim — para todos os efeitos — seria como se eu o tivesse perdido.

Era exatamente o que parecia ter acontecido.


Notas Finais


Continua...


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